Déficit
de armazenamento freia energia renovável na Europa
Durante
o dia, quando o vento e o sol avançam com força, a oferta de eletricidade
renovável costuma superar a demanda em países europeus, como a Alemanha. O gargalo, porém, está na baixa capacidade
de armazenamento: faltam baterias capazes de reter esse excedente para uso
posterior. Como consequência, ao anoitecer, usinas a gás seguem entrando em
operação para sustentar a rede — mesmo após horas de produção de energia verde.
O
dilema dificulta o plano alemão de alcançar a
neutralidade climática
até 2045 — cinco anos antes do prazo estipulado pela União Europeia. Isso
porque sistemas de armazenamento de energia verde são considerados essenciais
para a transição energética e para manter estáveis os preços da eletricidade.
Na
prática, o continente já produz uma quantidade considerável de energia
renovável, que poderia diminuir o custo para todo o sistema, mas os problemas
de armazenamento impedem sua autonomia.
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Armazenamento amplia renováveis
Em toda
a Europa, os grandes sistemas de baterias somam hoje quase 14 GW de potência
instalada, segundo o Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia.
Esse
valor representa a potência máxima que esses sistemas conseguem fornecer à rede
elétrica em um determinado momento. Em termos práticos, isso equivale ao
consumo médio simultâneo de cerca de 35 milhões de residências.
A
quantidade de energia efetivamente armazenada depende de quanto tempo essas
baterias conseguem sustentar essa potência. O objetivo europeu é expandir essa
capacidade para atingir as metas climáticas.
Outros
84 GW estão em planejamento ou construção. Esses projetos devem entrar em
operação nos próximos anos e podem ampliar ainda mais a participação das fontes renováveis na matriz elétrica da União
Europeia, que já respondem por aproximadamente metade da geração de eletricidade.
À
noite, na Alemanha, usinas a gás como esta em Kiel são utilizadas para
compensar a falta de energia solarFoto: Joerg Waterstraat/SULUPRESS/picture
alliance/dpa
Uma
evolução semelhante é prevista globalmente para os próximos anos, segundo o
instituto de pesquisa e análise Bloomberg New Energy Finance (BNEF). A projeção
aponta o crescimento mais forte dos grandes sistemas de baterias na Ásia,
especialmente na China e na Índia. Na Europa, Alemanha, Itália, Irlanda e
Suécia lideram em capacidade de armazenamento energético. A expectativa é que
Polônia e Romênia também alcancem papel relevante após instalação de projetos
em andamento.
O
aumento do número de sistemas conectados à rede também se deve à queda contínua dos custos. As baterias de íons
de lítio, por exemplo, ficaram cerca de 20% mais baratas a cada ano nos últimos
anos. Até 2030, segundo as expectativas da Comissão Europeia, os preços das
baterias devem cair pela metade em comparação com 2022.
Por
outro lado, a produção de baterias também gera riscos ambientais. São
conhecidos casos de grave poluição ambiental em comunidades localizadas próximo a
minas de
metais como o níquel, muito utilizado nas baterias dos carros elétricos. A UE
já negocia com o Brasil, por exemplo, projetos conjuntos de investimentos em
lítio, níquel, além das terras raras.
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Oscilações de preços da eletricidade
Considerando
juntos os pequenos sistemas de armazenamento residenciais e os grandes
sistemas, a capacidade instalada na UE aumentou dez vezes nos últimos quatro
anos. No entanto, ainda está muito longe do patamar necessário para atingir as metas climáticas.
Para
acomodar a transformação, estudos indicam que a Europa precisará expandir
fortemente sua infraestrutura de armazenamento, com projeções superiores a 200
GW de capacidade até 2030 e mais de 600 GW até 2050. Apenas em baterias
eletroquímicas, são esperados cerca de 128 GW adicionais até o fim desta
década.
O que
ainda assim favorece a dinâmica de expansão na Europa são as atuais fortes
oscilações de preços nos mercados de eletricidade.
Durante
o dia, devido ao vento e ao sol, muitas vezes há
mais eletricidade disponível no mercado do que o necessário. Como resultado, os
preços ficam especialmente baixos e, em alguns momentos, até negativos. A
consequência é que alguns parques solares e eólicos são parcialmente desligados por algumas
horas,
o que reduz a rentabilidade dos produtores de energia.
Quando,
à noite, entram em operação usinas a gás e, em parte, também a carvão, os
preços sobem, explica Uwe Sauer, professor de Conversão Eletroquímica de
Energia e Tecnologia de Sistemas de Armazenamento da RWTH Aachen.
"Quando
se olha para esses preços, por exemplo, do ano passado, vê-se que, por volta do
meio-dia, o preço médio da eletricidade não passava de talvez 0,03 euro. E, nas
primeiras horas da noite, era mais próximo de 0,18 euro."
Essa
grande diferença de preços torna os investimentos em sistemas de armazenamento
em baterias atraentes do ponto de vista econômico e climático — ainda mais
porque os preços do gás estão elevados devido à guerra na Ucrânia e ao conflito
no Irã.
Nessas
condições, cada unidade de armazenamento pode ajudar a manter os picos de
preços o mais baixos possível, afirma Sauer. Disso se beneficiariam tanto a
indústria quanto, no longo prazo, os consumidores.
Até
agora, a expansão na Europa é frequentemente atrasada por processos de
licenciamento lentos, longas fases de planejamento e um grande acúmulo de
pedidos de conexão dos sistemas de armazenamento às redes.
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Preparar as redes elétricas para o futuro energético
Por
isso, os sistemas de armazenamento em baterias são
fundamentais tanto para a economia quanto para a transição energética.
"Gastamos
cerca de 80 bilhões de euros por ano com a importação de fontes de energia. São
dependências enormes das quais as renováveis podem nos
libertar", afirma Sauer. Segundo ele, é essencial pensar sistemas de
armazenamento e redes de forma integrada.
"Isso
significa que, além das usinas eólicas e fotovoltaicas, são necessárias redes
elétricas para a distribuição local e sistemas de armazenamento para a
distribuição no tempo. Ambos são absolutamente indispensáveis."
No
entanto, as redes europeias têm frequentemente mais de 40 anos e, em geral, não
estão preparadas para absorver grandes volumes de eletricidade verde produzida
localmente e transportá-la para onde é necessária. As redes elétricas da
Alemanha e da Europa precisam ser modernizadas, e parques eólicos, usinas
solares e sistemas de armazenamento devem ser conectados de forma adequada.
Para
isso, deverão ser investidos cerca de 580 bilhões de euros (R$ 2,4 trilhões)
até 2030, segundo a Comissão Europeia.
A
Alemanha planeja há anos a construção de cerca de 16 mil quilômetros de novos
cabos elétricos. Até agora, porém, apenas cerca de 20% desse total estão em
operação.
Mas, em
toda a Europa, os investimentos começam a ganhar
ritmo,
ainda que a meta de 580 bilhões até 2030 provavelmente não seja alcançada.
Segundo a Agência para a Cooperação dos Reguladores de Energia (ACER), cerca de
35 bilhões de euros (R$ 206 bilhões) foram investidos em redes de distribuição
em 2024; em 2027, esse valor deve chegar a 47 bilhões de euros (R$ 277
bilhões).
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Usar crises de curto prazo para planejar o longo prazo
Ainda
não está claro como o mercado de baterias e redes vai reagir à crise no Irã, segundo análises.
Embora,
até agora, o conflito tenha tido apenas impactos limitados sobre o mercado de
sistemas de armazenamento em baterias — que são produzidos principalmente na
China —, ele pressiona os preços da eletricidade. Disso, operadores de sistemas
de armazenamento podem se beneficiar no curto prazo. Para um mercado de
crescimento sustentável, porém, são necessários outros sinais, diz Sauer.
"Crises
temporárias como essas geralmente não são uma boa base para decisões de
investimento em produtos que depois terão uma vida útil de muitos anos."
Apesar
do aumento dos investimentos, ele ainda vê sinais de incerteza no mercado. Até
que instalações planejadas hoje sejam efetivamente construídas e conectadas à
rede, a guerra com o Irã e a crise energética com altos preços do gás já terão
ficado para trás, afirma Sauer. Por isso, são necessárias metas políticas de
longo prazo. "Redes elétricas são construídas para os próximos 40 ou 50
anos."
Para os
países da UE, além dos sinais políticos, o acesso ao lítio e a outros metais
para a produção de baterias torna-se cada vez mais importante. Com sua
estratégia para matérias-primas críticas, a Europa busca incentivar a produção
própria de terras raras, reduzir dependências da China e construir cadeias de
suprimento independentes.
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Economia alemã segue sem sinais de recuperação
O
relatório mais recente do Conselho Alemão de Especialistas Econômicos, um órgão
consultivo independente, não trouxe notícias animadoras para o chanceler
federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na
quarta-feira (27/05), ele ouviu de cinco economistas que compõem o grupo
uma avaliação negativa do cenário
econômico.
"Infelizmente,
tivemos de reduzir a previsão de crescimento apresentada neste relatório",
disse a presidente do Conselho, Monika Schnitzer, antes da reunião. "Agora
esperamos que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça apenas 0,5% neste ano e 0,8%
no próximo."
O PIB
mede o valor total de todos os bens e serviços produzidos e é o indicador da
força econômica de um país. Já a taxa de inflação — ou seja, a alta dos preços
— deve subir para 3% em 2026.
Os
números entram em choque com o que Merz prometeu
como sua principal prioridade ao assumir o governo em maio de 2025: recolocar a
economia nos trilhos.
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Frustração entre empresas alemãs
Líderes
empresariais vêm expressando um descontentamento crescente com o
governo. As principais associações industriais afirmam que, desde o fim da
Segunda Guerra Mundial, a posição competitiva da Alemanha na economia global
nunca foi tão precária.
Um em
cada quatro empregos no país está ligado ao setor industrial. Durante décadas, as
exportações alemãs de automóveis, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos
prosperaram, e o país colheu os frutos disso. Desde a prolongada desaceleração
econômica iniciada em 2019, porém, as empresas alemãs vêm perdendo competitividade
global, e exportadores questionam abertamente se ainda é possível reverter o
quadro.
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Preços da energia dispararam
Ao
final do ano passado, havia alguma esperança de que a economia finalmente começasse a
reagir em
2026. Mas a guerra no Irã atrapalhou esses planos. Os preços do óleo de
aquecimento subiram 40%, e gás e eletricidade também devem continuar ficando
mais caros.
Antes
da guerra no Irã, 20% do consumo global de petróleo e gás natural liquefeito
passava pelo Estreito de Ormuz, ao largo da costa iraniana. Mas, assim como a
política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o bloqueio
tem afetado o mundo inteiro.
"Tarifas
e a crise energética estão atingindo a economia alemã de forma particularmente
dura, porque o país é ao mesmo tempo exportador de bens e importador de
combustíveis fósseis", explicou o economista austríaco Gabriel Felbermayr,
recentemente nomeado para o Conselho Alemão de Especialistas Econômicos.
Ao
mesmo tempo, cresce a pressão competitiva nos mercados globais,
especialmente da China. Em 2025, o país asiático voltou a aumentar o volume de
bens exportados para a Europa, ampliando a concorrência com a Alemanha, que tem
no continente europeu seu principal mercado de exportação, afirmou Felbermayr. "Isso
impõe uma enorme pressão sobre as indústrias alemãs tanto no mercado interno
quanto em terceiros mercados."
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Menos crianças e mais aposentados
A falta
de crescimento econômico também evidencia os problemas estruturais enfrentados
pela Alemanha, como o rápido envelhecimento da população. Nos próximos anos, os
baby boomers alcançarão a idade de aposentadoria.
Ao
mesmo tempo, a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade continua
caindo e a imigração para a Alemanha está em
declínio. Além disso, à medida que a população envelhece, também sobem os
custos com cuidados de saúde e assistência de longo prazo.
No
país, os fundos de seguridade social são financiados por contribuições de
empregados e empregadores. Atualmente, essas contribuições representam pouco
mais de 42% dos custos da folha de pagamento. "Sem reformas, a taxa
combinada de contribuições para todos os programas de seguro social vai
ultrapassar 50% até 2040", estima a presidente do Conselho, Schnitzer.
Será
necessário conter gastos e estabilizar receitas. O Conselho recomenda que a
geração mais velha contribua mais para os custos. De modo geral, afirmou
Schnitzer, é preciso "fazer reformas que também resultem em encargos
financeiros reais". Seu colega Achim Truger, no entanto, discorda, por
temer que isso gere dificuldades para a população.
É
justamente por isso que a coalizão governista formada pelas conservadoras União
Democrata Cristã (CDU)/União Social Cristã (CSU) e pelos social-democratas
(SPD) encontra tantas dificuldades para implementar reformas. Ainda não está
claro quais dos bilhões em cortes planejados serão efetivamente adotados. Uma
proposta para exigir contribuições mais altas ao seguro de
cuidados de longo prazo de pessoas sem filhos também gerou críticas.
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Preocupações com o orçamento
Especialistas
também têm manifestado preocupação com a política fiscal do governo federal. Eles afirmam que os
elevados gastos financiados por dívida com o fortalecimento militar e a reforma
da infraestrutura deteriorada da Alemanha não virão sem custos. O déficit
orçamentário deve chegar a 3,7% do PIB neste ano e a 4,3% em 2027 — bem acima dos
3% permitidos pelos critérios de estabilidade da União Europeia.
Apenas
uma retomada econômica poderia ajudar, e os especialistas têm algumas
sugestões. Eles consideram importante apostar no progresso tecnológico como
motor da força econômica.
Mas
reconhecem que startups, sozinhas, não serão suficientes e que a indústria
alemã precisa de uma mudança fundamental de mentalidade. Segundo eles, as
empresas devem redirecionar seus investimentos do setor automotivo para áreas
de alta tecnologia e saúde, onde há grandes volumes de pesquisa e
desenvolvimento.
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Por que a UE vê a tecnologia solar chinesa como um risco
A
Comissão Europeia tomou medidas para bloquear o financiamento da União Europeia
a tecnologias de produção de energia solar fabricadas
na China, diante do receio de
que elas possam representar uma ameaça à segurança da rede elétrica europeia e
até provocar grandes apagões.
A
decisão, confirmada em 4 de maio, reflete a crescente preocupação em Bruxelas
de que a dependência europeia de tecnologia verde chinesa esteja
tornando o bloco vulnerável a riscos de segurança.
A
proibição do financiamento se concentra nos inversores solares, componentes
considerados o "cérebro" de um sistema de energia solar.
Esses
inversores são os dispositivos que convertem a energia solar em eletricidade
utilizável. Eles são conectados à internet e, em muitos casos, podem ser
acessados remotamente para manutenção e atualizações de software.
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O pior cenário: um apagão em toda a Europa?
"Todas
as empresas de inversores têm algo como um interruptor de desligamento",
afirmou Christoph Podewils, secretário-geral do Conselho Europeu de Fabricação
Solar, à DW.
Esse
tipo de mecanismo, assim como outras conexões remotas, é normalmente usado para
fins de segurança ou estabilização da rede. No entanto, especialistas em
cibersegurança alertam que, em um possível cenário extremo, hackers ou agentes
estatais hostis poderiam explorar essas conexões para interromper o
fornecimento de energia.
"O
pior cenário seriam apagões em larga escala em toda a Europa", disse à DW
a especialista em cibersegurança Swantje Westphal.
Esse
risco tem sido cada vez mais levado em conta à medida que a energia solar avança na composição da matriz
energética europeia.
Enquanto essa fonte respondia por 0,05% da energia elétrica produzida na
União Europeia, essa participação pulou para 13,1% em 2025, segundo a
organização de pesquisa em energia Ember.
Esse
avanço foi sustentado por tecnologia chinesa. Em 2024, 61% de
todos os inversores importados para a Europa vieram da China, segundo o grupo
de pesquisa Loom, com sede em Genebra.
Huawei
e Sungrow são os dois fabricantes de inversores que dominam não apenas o
mercado europeu, mas o global.
Um
pequeno grupo de fabricantes chineses já forneceu equipamentos para mais de 220
gigawatts da capacidade solar instalada na Europa.
"Para
se ter uma ideia, controlar cerca de 10 gigawatts já seria suficiente para
provocar grandes interrupções na rede elétrica europeia", disse Podewils.
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Dispositivos de comunicação suspeitos
Não há
registro conhecido de inversores fabricados na China sendo usados para desligar
partes da rede elétrica europeia.
Mas as
preocupações se intensificaram após a Reuters informar, em 2025, que
autoridades do setor de energia dos Estados Unidos descobriram dispositivos de
comunicação não autorizados dentro de alguns inversores chineses.
"A
ameaça é real", disse Westphal. "Não é uma hipótese inventada."
O
debate sobre inversores ocorre no momento em que a Europa reavalia sua
dependência mais ampla das importações de tecnologia limpa chinesa.
Segundo
a Loom, a China responde por 98% dos painéis solares e 88% das baterias de íons
de lítio importados pela Europa.
A
organização alertou que funções de acesso remoto em tecnologias energéticas
conectadas podem criar vulnerabilidades potenciais em todo o sistema elétrico.
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Dominância da tecnologia verde chinesa na Europa
Bruxelas
tem adotado uma postura cada vez mais rigorosa em relação às importações
chinesas vistas como riscos à segurança ou como ameaças à indústria europeia.
Em
março, a Comissão Europeia apresentou a chamada Lei de Aceleração Industrial,
com o objetivo de direcionar mais recursos para tecnologias verdes produzidas
na Europa, incluindo baterias e veículos elétricos.
A
Comissão também apresentou uma revisão da Lei de Cibersegurança, que dará a
Bruxelas mais autoridade para restringir empresas chinesas em infraestruturas
críticas, como comunicações ou fornecimento de energia nos Estados-membros.
Pelas
novas medidas, recursos da UE administrados diretamente pela Comissão e por
instituições como o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento não poderão
mais ser usados para compra de inversores solares fabricados na China.
As
restrições não se aplicam a compras feitas diretamente pelos Estados-membros, e
os inversores chineses já instalados na Europa poderão continuar em operação.
"É
um passo na direção certa", afirmou Westphal. "Mas não banimos esses
inversores chineses dos nossos mercados."
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Fornecedores europeus conseguem suprir a lacuna?
Atualmente,
80% dos novos sistemas solares instalados na Europa dependem de inversores
chineses, segundo o Conselho Europeu de Fabricação Solar.
Se a
demanda se afastar dos fornecedores chineses, os fabricantes europeus terão de
preencher uma lacuna significativa. Ainda assim, Podewils acredita que a
indústria europeia está preparada.
"É
possível expandir a capacidade de produção em poucos meses até o nível
necessário para atender à demanda", afirmou.
Os
inversores produzidos na Europa devem custar um pouco mais do que as
alternativas chinesas — cerca de 2% a mais, segundo um funcionário da Comissão
Europeia. Mas, para Podewils, esse custo adicional se justifica.
"É
como um seguro", disse.
Fonte:
DW Brasil

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