terça-feira, 2 de junho de 2026

Déficit de armazenamento freia energia renovável na Europa

Durante o dia, quando o vento e o sol avançam com força, a oferta de eletricidade renovável costuma superar a demanda em países europeus, como a Alemanha. O gargalo, porém, está na baixa capacidade de armazenamento: faltam baterias capazes de reter esse excedente para uso posterior. Como consequência, ao anoitecer, usinas a gás seguem entrando em operação para sustentar a rede — mesmo após horas de produção de energia verde.

O dilema dificulta o plano alemão de alcançar a neutralidade climática até 2045 — cinco anos antes do prazo estipulado pela União Europeia. Isso porque sistemas de armazenamento de energia verde são considerados essenciais para a transição energética e para manter estáveis os preços da eletricidade.

Na prática, o continente já produz uma quantidade considerável de energia renovável, que poderia diminuir o custo para todo o sistema, mas os problemas de armazenamento impedem sua autonomia.

<><> Armazenamento amplia renováveis

Em toda a Europa, os grandes sistemas de baterias somam hoje quase 14 GW de potência instalada, segundo o Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia.

Esse valor representa a potência máxima que esses sistemas conseguem fornecer à rede elétrica em um determinado momento. Em termos práticos, isso equivale ao consumo médio simultâneo de cerca de 35 milhões de residências.

A quantidade de energia efetivamente armazenada depende de quanto tempo essas baterias conseguem sustentar essa potência. O objetivo europeu é expandir essa capacidade para atingir as metas climáticas.

Outros 84 GW estão em planejamento ou construção. Esses projetos devem entrar em operação nos próximos anos e podem ampliar ainda mais a participação das fontes renováveis na matriz elétrica da União Europeia, que já respondem por aproximadamente metade da geração de eletricidade.

À noite, na Alemanha, usinas a gás como esta em Kiel são utilizadas para compensar a falta de energia solarFoto: Joerg Waterstraat/SULUPRESS/picture alliance/dpa

Uma evolução semelhante é prevista globalmente para os próximos anos, segundo o instituto de pesquisa e análise Bloomberg New Energy Finance (BNEF). A projeção aponta o crescimento mais forte dos grandes sistemas de baterias na Ásia, especialmente na China e na Índia. Na Europa, Alemanha, Itália, Irlanda e Suécia lideram em capacidade de armazenamento energético. A expectativa é que Polônia e Romênia também alcancem papel relevante após instalação de projetos em andamento.

O aumento do número de sistemas conectados à rede também se deve à queda contínua dos custos. As baterias de íons de lítio, por exemplo, ficaram cerca de 20% mais baratas a cada ano nos últimos anos. Até 2030, segundo as expectativas da Comissão Europeia, os preços das baterias devem cair pela metade em comparação com 2022.

Por outro lado, a produção de baterias também gera riscos ambientais. São conhecidos casos de grave poluição ambiental em comunidades localizadas próximo a minas de metais como o níquel, muito utilizado nas baterias dos carros elétricos. A UE já negocia com o Brasil, por exemplo, projetos conjuntos de investimentos em lítio, níquel, além das terras raras. 

<><> Oscilações de preços da eletricidade

Considerando juntos os pequenos sistemas de armazenamento residenciais e os grandes sistemas, a capacidade instalada na UE aumentou dez vezes nos últimos quatro anos. No entanto, ainda está muito longe do patamar necessário para atingir as metas climáticas.

Para acomodar a transformação, estudos indicam que a Europa precisará expandir fortemente sua infraestrutura de armazenamento, com projeções superiores a 200 GW de capacidade até 2030 e mais de 600 GW até 2050. Apenas em baterias eletroquímicas, são esperados cerca de 128 GW adicionais até o fim desta década.

O que ainda assim favorece a dinâmica de expansão na Europa são as atuais fortes oscilações de preços nos mercados de eletricidade.

Durante o dia, devido ao vento e ao sol, muitas vezes há mais eletricidade disponível no mercado do que o necessário. Como resultado, os preços ficam especialmente baixos e, em alguns momentos, até negativos. A consequência é que alguns parques solares e eólicos são parcialmente desligados por algumas horas, o que reduz a rentabilidade dos produtores de energia.

Quando, à noite, entram em operação usinas a gás e, em parte, também a carvão, os preços sobem, explica Uwe Sauer, professor de Conversão Eletroquímica de Energia e Tecnologia de Sistemas de Armazenamento da RWTH Aachen.

"Quando se olha para esses preços, por exemplo, do ano passado, vê-se que, por volta do meio-dia, o preço médio da eletricidade não passava de talvez 0,03 euro. E, nas primeiras horas da noite, era mais próximo de 0,18 euro."

Essa grande diferença de preços torna os investimentos em sistemas de armazenamento em baterias atraentes do ponto de vista econômico e climático — ainda mais porque os preços do gás estão elevados devido à guerra na Ucrânia e ao conflito no Irã.

Nessas condições, cada unidade de armazenamento pode ajudar a manter os picos de preços o mais baixos possível, afirma Sauer. Disso se beneficiariam tanto a indústria quanto, no longo prazo, os consumidores.

Até agora, a expansão na Europa é frequentemente atrasada por processos de licenciamento lentos, longas fases de planejamento e um grande acúmulo de pedidos de conexão dos sistemas de armazenamento às redes.

<><> Preparar as redes elétricas para o futuro energético

Por isso, os sistemas de armazenamento em baterias são fundamentais tanto para a economia quanto para a transição energética.

"Gastamos cerca de 80 bilhões de euros por ano com a importação de fontes de energia. São dependências enormes das quais as renováveis podem nos libertar", afirma Sauer. Segundo ele, é essencial pensar sistemas de armazenamento e redes de forma integrada.

"Isso significa que, além das usinas eólicas e fotovoltaicas, são necessárias redes elétricas para a distribuição local e sistemas de armazenamento para a distribuição no tempo. Ambos são absolutamente indispensáveis."

No entanto, as redes europeias têm frequentemente mais de 40 anos e, em geral, não estão preparadas para absorver grandes volumes de eletricidade verde produzida localmente e transportá-la para onde é necessária. As redes elétricas da Alemanha e da Europa precisam ser modernizadas, e parques eólicos, usinas solares e sistemas de armazenamento devem ser conectados de forma adequada.

Para isso, deverão ser investidos cerca de 580 bilhões de euros (R$ 2,4 trilhões) até 2030, segundo a Comissão Europeia.

A Alemanha planeja há anos a construção de cerca de 16 mil quilômetros de novos cabos elétricos. Até agora, porém, apenas cerca de 20% desse total estão em operação.

Mas, em toda a Europa, os investimentos começam a ganhar ritmo, ainda que a meta de 580 bilhões até 2030 provavelmente não seja alcançada. Segundo a Agência para a Cooperação dos Reguladores de Energia (ACER), cerca de 35 bilhões de euros (R$ 206 bilhões) foram investidos em redes de distribuição em 2024; em 2027, esse valor deve chegar a 47 bilhões de euros (R$ 277 bilhões).

<><> Usar crises de curto prazo para planejar o longo prazo

Ainda não está claro como o mercado de baterias e redes vai reagir à crise no Irã, segundo análises.

Embora, até agora, o conflito tenha tido apenas impactos limitados sobre o mercado de sistemas de armazenamento em baterias — que são produzidos principalmente na China —, ele pressiona os preços da eletricidade. Disso, operadores de sistemas de armazenamento podem se beneficiar no curto prazo. Para um mercado de crescimento sustentável, porém, são necessários outros sinais, diz Sauer.

"Crises temporárias como essas geralmente não são uma boa base para decisões de investimento em produtos que depois terão uma vida útil de muitos anos."

Apesar do aumento dos investimentos, ele ainda vê sinais de incerteza no mercado. Até que instalações planejadas hoje sejam efetivamente construídas e conectadas à rede, a guerra com o Irã e a crise energética com altos preços do gás já terão ficado para trás, afirma Sauer. Por isso, são necessárias metas políticas de longo prazo. "Redes elétricas são construídas para os próximos 40 ou 50 anos."

Para os países da UE, além dos sinais políticos, o acesso ao lítio e a outros metais para a produção de baterias torna-se cada vez mais importante. Com sua estratégia para matérias-primas críticas, a Europa busca incentivar a produção própria de terras raras, reduzir dependências da China e construir cadeias de suprimento independentes.

¨      Economia alemã segue sem sinais de recuperação

O relatório mais recente do Conselho Alemão de Especialistas Econômicos, um órgão consultivo independente, não trouxe notícias animadoras para o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na quarta-feira (27/05), ele ouviu de cinco economistas que compõem o grupo uma avaliação negativa do cenário econômico.

"Infelizmente, tivemos de reduzir a previsão de crescimento apresentada neste relatório", disse a presidente do Conselho, Monika Schnitzer, antes da reunião. "Agora esperamos que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça apenas 0,5% neste ano e 0,8% no próximo."

O PIB mede o valor total de todos os bens e serviços produzidos e é o indicador da força econômica de um país. Já a taxa de inflação — ou seja, a alta dos preços — deve subir para 3% em 2026.

Os números entram em choque com o que Merz prometeu como sua principal prioridade ao assumir o governo em maio de 2025: recolocar a economia nos trilhos.

<><> Frustração entre empresas alemãs

Líderes empresariais vêm expressando um descontentamento crescente com o governo. As principais associações industriais afirmam que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a posição competitiva da Alemanha na economia global nunca foi tão precária.

Um em cada quatro empregos no país está ligado ao setor industrial. Durante décadas, as exportações alemãs de automóveis, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos prosperaram, e o país colheu os frutos disso. Desde a prolongada desaceleração econômica iniciada em 2019, porém, as empresas alemãs vêm perdendo competitividade global, e exportadores questionam abertamente se ainda é possível reverter o quadro.

<><> Preços da energia dispararam

Ao final do ano passado, havia alguma esperança de que a economia finalmente começasse a reagir em 2026. Mas a guerra no Irã atrapalhou esses planos. Os preços do óleo de aquecimento subiram 40%, e gás e eletricidade também devem continuar ficando mais caros.

Antes da guerra no Irã, 20% do consumo global de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo Estreito de Ormuz, ao largo da costa iraniana. Mas, assim como a política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o bloqueio tem afetado o mundo inteiro.

"Tarifas e a crise energética estão atingindo a economia alemã de forma particularmente dura, porque o país é ao mesmo tempo exportador de bens e importador de combustíveis fósseis", explicou o economista austríaco Gabriel Felbermayr, recentemente nomeado para o Conselho Alemão de Especialistas Econômicos.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão competitiva nos mercados globais, especialmente da China. Em 2025, o país asiático voltou a aumentar o volume de bens exportados para a Europa, ampliando a concorrência com a Alemanha, que tem no continente europeu seu principal mercado de exportação, afirmou Felbermayr. "Isso impõe uma enorme pressão sobre as indústrias alemãs tanto no mercado interno quanto em terceiros mercados."

<><> Menos crianças e mais aposentados

A falta de crescimento econômico também evidencia os problemas estruturais enfrentados pela Alemanha, como o rápido envelhecimento da população. Nos próximos anos, os baby boomers alcançarão a idade de aposentadoria.

Ao mesmo tempo, a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade continua caindo e a imigração para a Alemanha está em declínio. Além disso, à medida que a população envelhece, também sobem os custos com cuidados de saúde e assistência de longo prazo.

No país, os fundos de seguridade social são financiados por contribuições de empregados e empregadores. Atualmente, essas contribuições representam pouco mais de 42% dos custos da folha de pagamento. "Sem reformas, a taxa combinada de contribuições para todos os programas de seguro social vai ultrapassar 50% até 2040", estima a presidente do Conselho, Schnitzer.

Será necessário conter gastos e estabilizar receitas. O Conselho recomenda que a geração mais velha contribua mais para os custos. De modo geral, afirmou Schnitzer, é preciso "fazer reformas que também resultem em encargos financeiros reais". Seu colega Achim Truger, no entanto, discorda, por temer que isso gere dificuldades para a população.

É justamente por isso que a coalizão governista formada pelas conservadoras União Democrata Cristã (CDU)/União Social Cristã (CSU) e pelos social-democratas (SPD) encontra tantas dificuldades para implementar reformas. Ainda não está claro quais dos bilhões em cortes planejados serão efetivamente adotados. Uma proposta para exigir contribuições mais altas ao seguro de cuidados de longo prazo de pessoas sem filhos também gerou críticas.

<><> Preocupações com o orçamento

Especialistas também têm manifestado preocupação com a política fiscal do governo federal. Eles afirmam que os elevados gastos financiados por dívida com o fortalecimento militar e a reforma da infraestrutura deteriorada da Alemanha não virão sem custos. O déficit orçamentário deve chegar a 3,7% do PIB neste ano e a 4,3% em 2027 — bem acima dos 3% permitidos pelos critérios de estabilidade da União Europeia.

Apenas uma retomada econômica poderia ajudar, e os especialistas têm algumas sugestões. Eles consideram importante apostar no progresso tecnológico como motor da força econômica.

Mas reconhecem que startups, sozinhas, não serão suficientes e que a indústria alemã precisa de uma mudança fundamental de mentalidade. Segundo eles, as empresas devem redirecionar seus investimentos do setor automotivo para áreas de alta tecnologia e saúde, onde há grandes volumes de pesquisa e desenvolvimento.

¨      Por que a UE vê a tecnologia solar chinesa como um risco

A Comissão Europeia tomou medidas para bloquear o financiamento da União Europeia a tecnologias de produção de energia solar fabricadas na China, diante do receio de que elas possam representar uma ameaça à segurança da rede elétrica europeia e até provocar grandes apagões.

A decisão, confirmada em 4 de maio, reflete a crescente preocupação em Bruxelas de que a dependência europeia de tecnologia verde chinesa esteja tornando o bloco vulnerável a riscos de segurança.

A proibição do financiamento se concentra nos inversores solares, componentes considerados o "cérebro" de um sistema de energia solar.

Esses inversores são os dispositivos que convertem a energia solar em eletricidade utilizável. Eles são conectados à internet e, em muitos casos, podem ser acessados remotamente para manutenção e atualizações de software.

<><> O pior cenário: um apagão em toda a Europa?

"Todas as empresas de inversores têm algo como um interruptor de desligamento", afirmou Christoph Podewils, secretário-geral do Conselho Europeu de Fabricação Solar, à DW.

Esse tipo de mecanismo, assim como outras conexões remotas, é normalmente usado para fins de segurança ou estabilização da rede. No entanto, especialistas em cibersegurança alertam que, em um possível cenário extremo, hackers ou agentes estatais hostis poderiam explorar essas conexões para interromper o fornecimento de energia.

"O pior cenário seriam apagões em larga escala em toda a Europa", disse à DW a especialista em cibersegurança Swantje Westphal.

Esse risco tem sido cada vez mais levado em conta à medida que a energia solar avança na composição da matriz energética europeia. Enquanto essa fonte respondia por 0,05% da energia elétrica produzida na União Europeia, essa participação pulou para 13,1% em 2025, segundo a organização de pesquisa em energia Ember.

Esse avanço foi sustentado por tecnologia chinesa. Em 2024, 61% de todos os inversores importados para a Europa vieram da China, segundo o grupo de pesquisa Loom, com sede em Genebra.

Huawei e Sungrow são os dois fabricantes de inversores que dominam não apenas o mercado europeu, mas o global.

Um pequeno grupo de fabricantes chineses já forneceu equipamentos para mais de 220 gigawatts da capacidade solar instalada na Europa.

"Para se ter uma ideia, controlar cerca de 10 gigawatts já seria suficiente para provocar grandes interrupções na rede elétrica europeia", disse Podewils.

<><> Dispositivos de comunicação suspeitos

Não há registro conhecido de inversores fabricados na China sendo usados para desligar partes da rede elétrica europeia.

Mas as preocupações se intensificaram após a Reuters informar, em 2025, que autoridades do setor de energia dos Estados Unidos descobriram dispositivos de comunicação não autorizados dentro de alguns inversores chineses.

"A ameaça é real", disse Westphal. "Não é uma hipótese inventada."

O debate sobre inversores ocorre no momento em que a Europa reavalia sua dependência mais ampla das importações de tecnologia limpa chinesa.

Segundo a Loom, a China responde por 98% dos painéis solares e 88% das baterias de íons de lítio importados pela Europa.

A organização alertou que funções de acesso remoto em tecnologias energéticas conectadas podem criar vulnerabilidades potenciais em todo o sistema elétrico.

<><> Dominância da tecnologia verde chinesa na Europa

Bruxelas tem adotado uma postura cada vez mais rigorosa em relação às importações chinesas vistas como riscos à segurança ou como ameaças à indústria europeia.

Em março, a Comissão Europeia apresentou a chamada Lei de Aceleração Industrial, com o objetivo de direcionar mais recursos para tecnologias verdes produzidas na Europa, incluindo baterias e veículos elétricos.

A Comissão também apresentou uma revisão da Lei de Cibersegurança, que dará a Bruxelas mais autoridade para restringir empresas chinesas em infraestruturas críticas, como comunicações ou fornecimento de energia nos Estados-membros.

Pelas novas medidas, recursos da UE administrados diretamente pela Comissão e por instituições como o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento não poderão mais ser usados para compra de inversores solares fabricados na China.

As restrições não se aplicam a compras feitas diretamente pelos Estados-membros, e os inversores chineses já instalados na Europa poderão continuar em operação.

"É um passo na direção certa", afirmou Westphal. "Mas não banimos esses inversores chineses dos nossos mercados."

<><> Fornecedores europeus conseguem suprir a lacuna?

Atualmente, 80% dos novos sistemas solares instalados na Europa dependem de inversores chineses, segundo o Conselho Europeu de Fabricação Solar.

Se a demanda se afastar dos fornecedores chineses, os fabricantes europeus terão de preencher uma lacuna significativa. Ainda assim, Podewils acredita que a indústria europeia está preparada.

"É possível expandir a capacidade de produção em poucos meses até o nível necessário para atender à demanda", afirmou.

Os inversores produzidos na Europa devem custar um pouco mais do que as alternativas chinesas — cerca de 2% a mais, segundo um funcionário da Comissão Europeia. Mas, para Podewils, esse custo adicional se justifica.

"É como um seguro", disse.

 

Fonte: DW Brasil

 

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