Filme
de Bolsonaro ligou Eduardo a empresa húngara e previa até R$ 500 mil ao
ex-presidente, diz agência
Filme
de Bolsonaro ‘Dark Horse’ ligou Eduardo Bolsonaro a uma empresa com atuação na
Hungria e previa até R$ 500 mil ao ex-presidente pela cessão de sua história de
vida, segundo reportagens publicadas pela Agência Pública.
As
reportagens são assinadas por Natalia Viana e Ken Silverstein, na primeira
publicação, e por Natalia Viana, na segunda. O site afirma ter obtido e
analisado documentos ligados à produção do filme sobre Bolsonaro.
Os
documentos apontam que Eduardo Bolsonaro e Karina Ferreira da Gama, dona da Go
Up Entertainment, buscaram uma empresa com braços na Hungria e na Holanda para
mover fundos destinados ao filme Dark Horse.
A
produtora teria formulado uma minuta de contrato com a Freeway Cam B.V. para
que a empresa atuasse como “escrow agent” do filme. Esse tipo de conta funciona
como uma custódia temporária de valores, liberados conforme autorização das
partes envolvidas.
<><>
Eduardo Bolsonaro aparece como “financiador” de Dark Horse
De
acordo com a reportagem, a minuta do contrato é datada de 7 de fevereiro de
2024 e apresenta Eduardo Bolsonaro como “financiador” do filme. Karina Ferreira
da Gama aparece como produtora. A Freeway Cam B.V. é descrita como empresa de
origem holandesa com endereço principal em Budapeste, na Hungria.
O
documento seria um adendo a outro contrato de produção, assinado em 30 de
janeiro de 2024, e autorizaria a Freeway a realizar pagamentos ao diretor e
roteirista Cyrus Nowrasteh.
O
contrato foi elaborado quando o filme ainda se chamava provisoriamente ‘Capitão
do Povo’. A minuta não tem assinaturas.
Outro
documento indica que a Go Up Entertainment buscou uma entidade ligada ao mesmo
grupo, a Freeway Entertainment, para realizar pagamento de US$ 57,5 mil ao
diretor do filme. A ordem de pagamento teria sido feita por meio da New Path
Pictures Inc., sediada na Califórnia.
<><>
Empresa confirma contato, mas nega envolvimento
À
reportagem, Martijn Meerstadt, co-CEO da Freeway e diretor corporativo da
Stichting Freeway Custody, negou envolvimento com Dark Horse, mas confirmou que
houve contato para a prestação de serviços.
Segundo
ele, a empresa foi procurada para oferecer soluções de partilha de receitas e
relatórios para a produção, mas declinou da oportunidade.
Especialistas
ouvidos pelo site viram sinal de alerta na estrutura de pagamento por meio de
empresas no exterior, especialmente pela possibilidade de dificultar a
identificação da origem dos recursos.
Eduardo
Bolsonaro não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem. Nas
redes sociais, ele disse que investiu US$ 50 mil no filme para garantir a
contratação do diretor, afirmou ter recebido o dinheiro de volta da produtora e
negou ter papel de gestão na obra.
O caso
se soma a outras revelações sobre o financiamento de Dark Horse. A Fórum
mostrou que Eduardo Bolsonaro pediu para “enviar o máximo possível de dinheiro
aos EUA”, em meio às suspeitas sobre recursos ligados à produção.
<><>
Minuta previa até R$ 500 mil para Jair Bolsonaro
Em
outra frente da apuração, a Agência Pública revelou que uma minuta de contrato
previa pagamento a Jair Bolsonaro pela cessão de sua história de vida para a
produção de Dark Horse.
O
documento tem 15 páginas, está redigido em português e inglês e envolve Mário
Frias, a Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, e Jair Bolsonaro.
Frias e a produtora aparecem como “produtores”. Bolsonaro é tratado como
“cedente”.
A
minuta não está datada nem assinada. O texto prevê que Bolsonaro cederia de
forma permanente os direitos sobre sua história de vida para exploração e
distribuição pelos produtores.
O
pagamento previsto incluía US$ 100 mil na assinatura do contrato e um bônus de
produção de US$ 25 mil, cerca de R$ 125 mil, caso o filme fosse produzido.
Bolsonaro ainda receberia mais US$ 25 mil se o filme fosse lançado nos cinemas
e R$ 250 mil caso a bilheteria superasse US$ 20 milhões.
Somados,
os valores poderiam chegar a cerca de R$ 500 mil.
<><>
Direitos iriam além do filme de Bolsonaro
A
minuta dava aos produtores direitos amplos sobre a história, imagem, voz e
representação de Bolsonaro. O uso não ficaria restrito ao filme.
O
material poderia ser explorado em séries de TV, peças de teatro, publicações em
formato de novela ou roteiro, merchandising, trilhas sonoras, parcerias
comerciais e até parques temáticos.
O
contrato também permitiria que os produtores ficcionalizassem partes da vida de
Bolsonaro e usassem atores, animação, gravações de som ou tecnologias futuras
para retratá-lo.
Karina
Ferreira da Gama e Mário Frias foram procurados, pela Apública, mas não
responderam até a publicação da reportagem.
• Donos de fundo usado em Dark Horse
abriram offshore em Delaware, onde Ricardo Magro é acusado de lavar dinheiro
Offshore
em Delaware: Paulo Calixto e Altieris Santana, controladores do fundo
Havengate, usado para receber dinheiro destinado ao filme Dark Horse, sobre
Jair Bolsonaro, abriram uma empresa no paraíso fiscal dos Estados Unidos. A
offshore foi registrada no mesmo estado americano que aparece no esquema
atribuído a Ricardo Magro, dono da Refit, investigado por lavagem de dinheiro,
sonegação e blindagem patrimonial.
A
informação foi revelada pela Folha. Segundo a apuração, Calixto e Santana
administram a MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware em 12 de fevereiro.
A empresa controla outra companhia, no Texas, chamada MCC-4 Equity Fund LP,
também administrada pela dupla.
Os dois
são os nomes por trás do Havengate Development Fund LP, que recebeu R$ 61
milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar Dark Horse. A
Polícia Federal investiga se parte desse dinheiro bancou despesas de Eduardo
Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado nega irregularidades.
<><>
Eduardo Bolsonaro citou Altieris Santana no dinheiro para os EUA
Altieris
Santana não aparece apenas como controlador do Havengate. Ele também foi citado
por Eduardo Bolsonaro nas mensagens sobre o envio de dinheiro aos Estados
Unidos.
Como a
Fórum mostrou na reportagem Eduardo Bolsonaro pediu para “enviar o máximo
possível” de dinheiro aos EUA, o filho de Jair Bolsonaro orientou que os
recursos fossem remetidos para o país e indicou Santana como alguém que poderia
fazer reuniões presenciais para tratar da operação.
Paulo
Calixto, o outro controlador do fundo, é advogado de Eduardo Bolsonaro nos
Estados Unidos. O endereço de empresas ligadas ao Havengate aparece associado
ao escritório de Calixto em Dallas, no Texas.
A Fórum
também revelou que uma empresa que recebeu milhões para o filme comprou uma
casa em Arlington, cidade onde Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos. O
caso foi detalhado na reportagem empresa que recebeu milhões para filme comprou
casa na cidade de Eduardo Bolsonaro.
<><>
Offshore em Delaware é usado para esconder donos de empresas
A
escolha por Delaware é o ponto sensível da nova etapa do caso. O estado é
conhecido por permitir a abertura de empresas com pouca exposição pública dos
donos reais.
A
própria Divisão de Corporações de Delaware informa que entidades alternativas,
como LLCs, não são obrigadas a listar membros ou administradores nos registros
públicos. O órgão também diz que informações sobre acionistas ou donos não
ficam arquivadas na divisão estadual.
Na
prática, esse modelo permite criar uma empresa com agente registrado em
Delaware sem expor publicamente quem são todos os beneficiários finais. Por
isso, o estado aparece com frequência em investigações sobre ocultação
patrimonial, blindagem de bens e lavagem de dinheiro.
<><>
Ricardo Magro, Refit e o esquema Delaware
Foi em
Delaware que a Fórum localizou parte da engrenagem atribuída ao grupo Refit, de
Ricardo Magro. Na reportagem Refit: como funciona o esquema Delaware que
envolve o líder do MBL e comentarista da Jovem Pan, a Fórum mostrou como
offshores nos Estados Unidos eram usadas para ocultar beneficiários e
dificultar o rastreamento do dinheiro.
O caso
envolve Cristiano Beraldo, líder do MBL e comentarista da Jovem Pan, apontado
como operador de offshore de Ricardo Magro nos EUA. A Fórum também mostrou que
Beraldo foi alvo de megaoperação contra a Refit na reportagem líder do MBL e
comentarista da Jovem Pan foi alvo de megaoperação contra a Refit.
A
semelhança entre os casos está na rota societária. No caso Refit, Delaware
aparece como peça de ocultação em uma investigação de lavagem de dinheiro. No
caso Dark Horse, os donos do Havengate abriram uma nova estrutura no mesmo
estado enquanto o fundo estava no centro da apuração sobre o dinheiro enviado
aos Estados Unidos.
<><>
Donos do Havengate não responderam
Segundo
a Folha, Calixto e Santana foram procurados, mas não responderam. Eduardo
Bolsonaro também foi questionado sobre eventual relação dele ou de familiares
com a empresa aberta em Delaware, mas não se manifestou.
A nova
offshore mantém Paulo Calixto e Altieris Santana no centro do rastro financeiro
de Dark Horse. O ponto que liga tudo é Delaware: o paraíso fiscal usado no
esquema de Ricardo Magro agora aparece também na estrutura dos donos do fundo
citado nas mensagens de Eduardo Bolsonaro sobre dinheiro para os EUA.
• BolsoMaster: ex-sócio de Paulo
Figueiredo diz que entregará à PF nome de político que seria “dono” da
RioPrevidência
Ex-sócio
de Paulo Figueiredo, o fiel escudeiro de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Ricardo
Siqueira Rodrigues, apontado como o principal articulador político e lobista da
captação de recursos do ex-governo Cláudio Castro (PL) para o Banco Master,
afirmou em entrevista a Fábio Leite, do site Metrópoles, que vai entregar à
Polícia Federal (PF) o nome do político que seria o “dono” da Rio Previdência
que, segundo as investigações, frenou cerca de R$ 3 bilhões de servidores
aposentados do Rio de Janeiro aos negócios de Daniel Vorcaro.
Em
mensagem de áudio a Daniel Vorcaro, em 2023, “Ricardo Gordo”, como é conhecido
no mercado financeiro, teria dito que a RioPrevidência teria um “dono”,
responsável pelo “encaminhamento político” para alocar os recursos dos
servidores ao Master.
“O que
eu posso fazer é dar um encaminhamento técnico. Lá [RioPrevidência] é diferente
dos outros lugares, mas esse encaminhamento político tem que ser feito, porque
lá tem dono, tá?”, disse Rodrigues a Vorcaro no áudio trancrito pela polícia e
revelado na decisão de André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal
Federal (STF), que autorizou ação de busca e apreensão contra Cláudio Castro e
outros alvos, entre ele o próprio suspeito de ser o operador do banqueiro.
Na
entrevista, Rodrigues disse que está aguardando para prestar depoimento à PF
para entregar o nome do nome do político que seria o “dono” da RioPrevidência e
que, segundo ele, estaria acima até do próprio ex-governador, Cláudio Castro.
“O
Cláudio Castro, com quem eu nunca tive contato, é claro que tinha uma
influência enorme, já que era o governador do Estado. Mas eu entendo que não
era só ele que tinha influência bem elevada com relação à possibilidade ou não
de liberar esses investimentos [do RioPreviência] para serem feitos [no
Master]”, afirmou.
Indagado
se seria Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, que recebeu R$ 6,4
milhões do banqueiro por meio de escritório de advocacia, Rodrigues
desconversou, sinalizando que teria alguém ainda maior acima.
“Prefiro
não me manifestar muito nesse momento a respeito desse assunto. Mas já escutei,
assim como diversas pessoas já me falaram também a respeito disso [influência
de Rueda no RioPrevidência]. Mas eu prefiro me resguardar de declinar nomes
nesse momento”, afirmou.
<><>
Fabiano Zettel
Rodrigues
ainda afirmou que foi convidado para compor a estrutura no entorno de Daniel
Vorcaro pelo pastor da Igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro,
que doou R$ 5 milhões para as campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio Gomes
de Freitas (Republicanos) em 2022.
“O que
aconteceu é que em outubro de 2023 eu fui procurado pelo Fabiano Zettel, que me
me indicou para uma conversa com o Daniel Vorcaro. Eles, nessa época, tinham
aprovado no Banco Central um plano de negócios em que a autoridade monetária
tinha autorizado a captar R$ 17 bilhões junto a regimes próprios de Previdência
do servidor”, revelou.
<><>
O “dono” do Rioprevidência e o lobby pelo Master
A
decisão de Mendonça descreve Ricardo Siqueira como responsável pela
“intermediação política e operacional” para garantir a transferência dos
recursos ao banco de Vorcaro. Em mensagens interceptadas, o lobista garante que
resolveria os trâmites burocráticos, restando apenas o “alinhamento político”.
Siqueira chega a afirmar que a autarquia fluminense tinha um “dono” que
precisava autorizar a movimentação internamente.
A
eficiência do lobby era comemorada nos diálogos. Em uma das conversas enviadas
a Vorcaro, Siqueira celebra ter atingido a meta de captação “em apenas 45 dias”
e projeta um “pipeline” superior a R$ 1 bilhão para o primeiro semestre.
<><>
Comissão de 0,6%, Mídias Promotora e Planner Corretora
Segundo
a investigação, o custo do esquema era uma comissão de 0,6% sobre o valor
investido pelo regime próprio de previdência fluminense no Banco Master. Os
recursos escoavam por meio da Mídias Promotora Ltda., empresa vinculada a
Siqueira.
Para a
Polícia Federal e o STF, a empresa funcionava como um canal para maquiar a
propina, emitindo notas por supostos serviços de captação sem lastro na
realidade. Dessa forma, dava-se aparência de legalidade a pagamentos vultosos
que não possuíam correspondência lícita. A operação desta terça-feira também
mirou a Planner Corretora de Valores S.A., acusada de servir como anteparo
formal para as transações, permitindo o aumento de taxas de corretagem com
potencial ampliação da remuneração dos operadores do esquema.
<><>
PGR aponta aportes de R$ 3,69 bilhões
O
volume da operação investigada supera o divulgado inicialmente pela PF. Embora
a corporação cite cerca de R$ 3 bilhões, a Procuradoria-Geral da República
(PGR) informou ao STF que as tratativas apuradas viabilizaram R$ 3,691 bilhões
em investimentos no Master, somando aplicações em fundos e Letras Financeiras.
A atual
fase da investigação é desdobramento da Operação Barco de Papel, que já havia
identificado aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco
privado no valor aproximado de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de
2024. Nesta nova etapa, a PF foca nas aplicações de R$ 2,01 bilhões, realizadas
a partir de julho de 2024, em fundos de investimento da mesma instituição.
<><>
A condenação na CVM pelo caso Trump Hotel
A
presença de Siqueira na bilionária captação do Banco Master indica a
continuidade de sua atuação junto a fundos institucionais. O caso do Trump
Hotel (FIP LSH) rendeu condenações pesadas na Comissão de Valores Mobiliários
(CVM).
Em voto
de julgamento do processo administrativo, a CVM condenou Ricardo Siqueira
Rodrigues ao pagamento de R$ 53,31 milhões em multa por operação fraudulenta no
mercado de valores mobiliários. O documento descreve o fundo como constituído
em 2012 pelos sócios Ricardo Rodrigues, Arthur Soares Filho e Paulo Figueiredo
Filho. Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho e Paulo Renato de Oliveira
Figueiredo também figuram entre os condenados no mesmo processo.
O
documento da CVM também cita a BRB DTVM entre os acusados. Segundo o voto, a
autarquia recebeu e-mails entre representantes da LSH Barra e a então
administradora do fundo, com indícios de irregularidades na captação de
recursos de entidades de previdência complementar para o projeto.
Fonte:
Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário