terça-feira, 2 de junho de 2026

Filme de Bolsonaro ligou Eduardo a empresa húngara e previa até R$ 500 mil ao ex-presidente, diz agência

Filme de Bolsonaro ‘Dark Horse’ ligou Eduardo Bolsonaro a uma empresa com atuação na Hungria e previa até R$ 500 mil ao ex-presidente pela cessão de sua história de vida, segundo reportagens publicadas pela Agência Pública.

As reportagens são assinadas por Natalia Viana e Ken Silverstein, na primeira publicação, e por Natalia Viana, na segunda. O site afirma ter obtido e analisado documentos ligados à produção do filme sobre Bolsonaro.

Os documentos apontam que Eduardo Bolsonaro e Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, buscaram uma empresa com braços na Hungria e na Holanda para mover fundos destinados ao filme Dark Horse.

A produtora teria formulado uma minuta de contrato com a Freeway Cam B.V. para que a empresa atuasse como “escrow agent” do filme. Esse tipo de conta funciona como uma custódia temporária de valores, liberados conforme autorização das partes envolvidas.

<><> Eduardo Bolsonaro aparece como “financiador” de Dark Horse

De acordo com a reportagem, a minuta do contrato é datada de 7 de fevereiro de 2024 e apresenta Eduardo Bolsonaro como “financiador” do filme. Karina Ferreira da Gama aparece como produtora. A Freeway Cam B.V. é descrita como empresa de origem holandesa com endereço principal em Budapeste, na Hungria.

O documento seria um adendo a outro contrato de produção, assinado em 30 de janeiro de 2024, e autorizaria a Freeway a realizar pagamentos ao diretor e roteirista Cyrus Nowrasteh.

O contrato foi elaborado quando o filme ainda se chamava provisoriamente ‘Capitão do Povo’. A minuta não tem assinaturas.

Outro documento indica que a Go Up Entertainment buscou uma entidade ligada ao mesmo grupo, a Freeway Entertainment, para realizar pagamento de US$ 57,5 mil ao diretor do filme. A ordem de pagamento teria sido feita por meio da New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia.

<><> Empresa confirma contato, mas nega envolvimento

À reportagem, Martijn Meerstadt, co-CEO da Freeway e diretor corporativo da Stichting Freeway Custody, negou envolvimento com Dark Horse, mas confirmou que houve contato para a prestação de serviços.

Segundo ele, a empresa foi procurada para oferecer soluções de partilha de receitas e relatórios para a produção, mas declinou da oportunidade.

Especialistas ouvidos pelo site viram sinal de alerta na estrutura de pagamento por meio de empresas no exterior, especialmente pela possibilidade de dificultar a identificação da origem dos recursos.

Eduardo Bolsonaro não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem. Nas redes sociais, ele disse que investiu US$ 50 mil no filme para garantir a contratação do diretor, afirmou ter recebido o dinheiro de volta da produtora e negou ter papel de gestão na obra.

O caso se soma a outras revelações sobre o financiamento de Dark Horse. A Fórum mostrou que Eduardo Bolsonaro pediu para “enviar o máximo possível de dinheiro aos EUA”, em meio às suspeitas sobre recursos ligados à produção.

<><> Minuta previa até R$ 500 mil para Jair Bolsonaro

Em outra frente da apuração, a Agência Pública revelou que uma minuta de contrato previa pagamento a Jair Bolsonaro pela cessão de sua história de vida para a produção de Dark Horse.

O documento tem 15 páginas, está redigido em português e inglês e envolve Mário Frias, a Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, e Jair Bolsonaro. Frias e a produtora aparecem como “produtores”. Bolsonaro é tratado como “cedente”.

A minuta não está datada nem assinada. O texto prevê que Bolsonaro cederia de forma permanente os direitos sobre sua história de vida para exploração e distribuição pelos produtores.

O pagamento previsto incluía US$ 100 mil na assinatura do contrato e um bônus de produção de US$ 25 mil, cerca de R$ 125 mil, caso o filme fosse produzido. Bolsonaro ainda receberia mais US$ 25 mil se o filme fosse lançado nos cinemas e R$ 250 mil caso a bilheteria superasse US$ 20 milhões.

Somados, os valores poderiam chegar a cerca de R$ 500 mil.

<><> Direitos iriam além do filme de Bolsonaro

A minuta dava aos produtores direitos amplos sobre a história, imagem, voz e representação de Bolsonaro. O uso não ficaria restrito ao filme.

O material poderia ser explorado em séries de TV, peças de teatro, publicações em formato de novela ou roteiro, merchandising, trilhas sonoras, parcerias comerciais e até parques temáticos.

O contrato também permitiria que os produtores ficcionalizassem partes da vida de Bolsonaro e usassem atores, animação, gravações de som ou tecnologias futuras para retratá-lo.

Karina Ferreira da Gama e Mário Frias foram procurados, pela Apública, mas não responderam até a publicação da reportagem.

•        Donos de fundo usado em Dark Horse abriram offshore em Delaware, onde Ricardo Magro é acusado de lavar dinheiro

Offshore em Delaware: Paulo Calixto e Altieris Santana, controladores do fundo Havengate, usado para receber dinheiro destinado ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, abriram uma empresa no paraíso fiscal dos Estados Unidos. A offshore foi registrada no mesmo estado americano que aparece no esquema atribuído a Ricardo Magro, dono da Refit, investigado por lavagem de dinheiro, sonegação e blindagem patrimonial.

A informação foi revelada pela Folha. Segundo a apuração, Calixto e Santana administram a MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware em 12 de fevereiro. A empresa controla outra companhia, no Texas, chamada MCC-4 Equity Fund LP, também administrada pela dupla.

Os dois são os nomes por trás do Havengate Development Fund LP, que recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar Dark Horse. A Polícia Federal investiga se parte desse dinheiro bancou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado nega irregularidades.

<><> Eduardo Bolsonaro citou Altieris Santana no dinheiro para os EUA

Altieris Santana não aparece apenas como controlador do Havengate. Ele também foi citado por Eduardo Bolsonaro nas mensagens sobre o envio de dinheiro aos Estados Unidos.

Como a Fórum mostrou na reportagem Eduardo Bolsonaro pediu para “enviar o máximo possível” de dinheiro aos EUA, o filho de Jair Bolsonaro orientou que os recursos fossem remetidos para o país e indicou Santana como alguém que poderia fazer reuniões presenciais para tratar da operação.

Paulo Calixto, o outro controlador do fundo, é advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O endereço de empresas ligadas ao Havengate aparece associado ao escritório de Calixto em Dallas, no Texas.

A Fórum também revelou que uma empresa que recebeu milhões para o filme comprou uma casa em Arlington, cidade onde Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos. O caso foi detalhado na reportagem empresa que recebeu milhões para filme comprou casa na cidade de Eduardo Bolsonaro.

<><> Offshore em Delaware é usado para esconder donos de empresas

A escolha por Delaware é o ponto sensível da nova etapa do caso. O estado é conhecido por permitir a abertura de empresas com pouca exposição pública dos donos reais.

A própria Divisão de Corporações de Delaware informa que entidades alternativas, como LLCs, não são obrigadas a listar membros ou administradores nos registros públicos. O órgão também diz que informações sobre acionistas ou donos não ficam arquivadas na divisão estadual.

Na prática, esse modelo permite criar uma empresa com agente registrado em Delaware sem expor publicamente quem são todos os beneficiários finais. Por isso, o estado aparece com frequência em investigações sobre ocultação patrimonial, blindagem de bens e lavagem de dinheiro.

<><> Ricardo Magro, Refit e o esquema Delaware

Foi em Delaware que a Fórum localizou parte da engrenagem atribuída ao grupo Refit, de Ricardo Magro. Na reportagem Refit: como funciona o esquema Delaware que envolve o líder do MBL e comentarista da Jovem Pan, a Fórum mostrou como offshores nos Estados Unidos eram usadas para ocultar beneficiários e dificultar o rastreamento do dinheiro.

O caso envolve Cristiano Beraldo, líder do MBL e comentarista da Jovem Pan, apontado como operador de offshore de Ricardo Magro nos EUA. A Fórum também mostrou que Beraldo foi alvo de megaoperação contra a Refit na reportagem líder do MBL e comentarista da Jovem Pan foi alvo de megaoperação contra a Refit.

A semelhança entre os casos está na rota societária. No caso Refit, Delaware aparece como peça de ocultação em uma investigação de lavagem de dinheiro. No caso Dark Horse, os donos do Havengate abriram uma nova estrutura no mesmo estado enquanto o fundo estava no centro da apuração sobre o dinheiro enviado aos Estados Unidos.

<><> Donos do Havengate não responderam

Segundo a Folha, Calixto e Santana foram procurados, mas não responderam. Eduardo Bolsonaro também foi questionado sobre eventual relação dele ou de familiares com a empresa aberta em Delaware, mas não se manifestou.

A nova offshore mantém Paulo Calixto e Altieris Santana no centro do rastro financeiro de Dark Horse. O ponto que liga tudo é Delaware: o paraíso fiscal usado no esquema de Ricardo Magro agora aparece também na estrutura dos donos do fundo citado nas mensagens de Eduardo Bolsonaro sobre dinheiro para os EUA.

•        BolsoMaster: ex-sócio de Paulo Figueiredo diz que entregará à PF nome de político que seria “dono” da RioPrevidência

Ex-sócio de Paulo Figueiredo, o fiel escudeiro de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como o principal articulador político e lobista da captação de recursos do ex-governo Cláudio Castro (PL) para o Banco Master, afirmou em entrevista a Fábio Leite, do site Metrópoles, que vai entregar à Polícia Federal (PF) o nome do político que seria o “dono” da Rio Previdência que, segundo as investigações, frenou cerca de R$ 3 bilhões de servidores aposentados do Rio de Janeiro aos negócios de Daniel Vorcaro.

Em mensagem de áudio a Daniel Vorcaro, em 2023, “Ricardo Gordo”, como é conhecido no mercado financeiro, teria dito que a RioPrevidência teria um “dono”, responsável pelo “encaminhamento político” para alocar os recursos dos servidores ao Master.

“O que eu posso fazer é dar um encaminhamento técnico. Lá [RioPrevidência] é diferente dos outros lugares, mas esse encaminhamento político tem que ser feito, porque lá tem dono, tá?”, disse Rodrigues a Vorcaro no áudio trancrito pela polícia e revelado na decisão de André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou ação de busca e apreensão contra Cláudio Castro e outros alvos, entre ele o próprio suspeito de ser o operador do banqueiro.

Na entrevista, Rodrigues disse que está aguardando para prestar depoimento à PF para entregar o nome do nome do político que seria o “dono” da RioPrevidência e que, segundo ele, estaria acima até do próprio ex-governador, Cláudio Castro.

“O Cláudio Castro, com quem eu nunca tive contato, é claro que tinha uma influência enorme, já que era o governador do Estado. Mas eu entendo que não era só ele que tinha influência bem elevada com relação à possibilidade ou não de liberar esses investimentos [do RioPreviência] para serem feitos [no Master]”, afirmou.

Indagado se seria Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, que recebeu R$ 6,4 milhões do banqueiro por meio de escritório de advocacia, Rodrigues desconversou, sinalizando que teria alguém ainda maior acima.

“Prefiro não me manifestar muito nesse momento a respeito desse assunto. Mas já escutei, assim como diversas pessoas já me falaram também a respeito disso [influência de Rueda no RioPrevidência]. Mas eu prefiro me resguardar de declinar nomes nesse momento”, afirmou.

<><> Fabiano Zettel

Rodrigues ainda afirmou que foi convidado para compor a estrutura no entorno de Daniel Vorcaro pelo pastor da Igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, que doou R$ 5 milhões para as campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) em 2022.

“O que aconteceu é que em outubro de 2023 eu fui procurado pelo Fabiano Zettel, que me me indicou para uma conversa com o Daniel Vorcaro. Eles, nessa época, tinham aprovado no Banco Central um plano de negócios em que a autoridade monetária tinha autorizado a captar R$ 17 bilhões junto a regimes próprios de Previdência do servidor”, revelou.

<><> O “dono” do Rioprevidência e o lobby pelo Master

A decisão de Mendonça descreve Ricardo Siqueira como responsável pela “intermediação política e operacional” para garantir a transferência dos recursos ao banco de Vorcaro. Em mensagens interceptadas, o lobista garante que resolveria os trâmites burocráticos, restando apenas o “alinhamento político”. Siqueira chega a afirmar que a autarquia fluminense tinha um “dono” que precisava autorizar a movimentação internamente.

A eficiência do lobby era comemorada nos diálogos. Em uma das conversas enviadas a Vorcaro, Siqueira celebra ter atingido a meta de captação “em apenas 45 dias” e projeta um “pipeline” superior a R$ 1 bilhão para o primeiro semestre.

<><> Comissão de 0,6%, Mídias Promotora e Planner Corretora

Segundo a investigação, o custo do esquema era uma comissão de 0,6% sobre o valor investido pelo regime próprio de previdência fluminense no Banco Master. Os recursos escoavam por meio da Mídias Promotora Ltda., empresa vinculada a Siqueira.

Para a Polícia Federal e o STF, a empresa funcionava como um canal para maquiar a propina, emitindo notas por supostos serviços de captação sem lastro na realidade. Dessa forma, dava-se aparência de legalidade a pagamentos vultosos que não possuíam correspondência lícita. A operação desta terça-feira também mirou a Planner Corretora de Valores S.A., acusada de servir como anteparo formal para as transações, permitindo o aumento de taxas de corretagem com potencial ampliação da remuneração dos operadores do esquema.

<><> PGR aponta aportes de R$ 3,69 bilhões

O volume da operação investigada supera o divulgado inicialmente pela PF. Embora a corporação cite cerca de R$ 3 bilhões, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao STF que as tratativas apuradas viabilizaram R$ 3,691 bilhões em investimentos no Master, somando aplicações em fundos e Letras Financeiras.

A atual fase da investigação é desdobramento da Operação Barco de Papel, que já havia identificado aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado no valor aproximado de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024. Nesta nova etapa, a PF foca nas aplicações de R$ 2,01 bilhões, realizadas a partir de julho de 2024, em fundos de investimento da mesma instituição.

<><> A condenação na CVM pelo caso Trump Hotel

A presença de Siqueira na bilionária captação do Banco Master indica a continuidade de sua atuação junto a fundos institucionais. O caso do Trump Hotel (FIP LSH) rendeu condenações pesadas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em voto de julgamento do processo administrativo, a CVM condenou Ricardo Siqueira Rodrigues ao pagamento de R$ 53,31 milhões em multa por operação fraudulenta no mercado de valores mobiliários. O documento descreve o fundo como constituído em 2012 pelos sócios Ricardo Rodrigues, Arthur Soares Filho e Paulo Figueiredo Filho. Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho e Paulo Renato de Oliveira Figueiredo também figuram entre os condenados no mesmo processo.

O documento da CVM também cita a BRB DTVM entre os acusados. Segundo o voto, a autarquia recebeu e-mails entre representantes da LSH Barra e a então administradora do fundo, com indícios de irregularidades na captação de recursos de entidades de previdência complementar para o projeto.

 

Fonte: Fórum

 

Nenhum comentário: