O
desmoronamento dos políticos malfeitores e traidores da pátria
Não se
pode classificar determinados políticos apenas como corruptos. Essa palavra,
desgastada pelo uso seletivo e oportunista que muitos fazem dela para atacar
adversários enquanto escondem os próprios atos, já não é suficiente para
definir certas figuras públicas. Muitas delas romperam essa fronteira há muito
tempo, convertendo-se, pela natureza de suas condutas, em operadores vis do
crime político voltado ao benefício privado. Suas posturas vão além do desvio
de verbas, da violação da soberania nacional. São legítimos malfeitores que se
travestem de representantes do povo. Em sua maioria oriundos da extrema
direita, da direita oportunista e do Centrão fisiológico, foram legitimados
pelo voto popular não pela consistência de seus históricos, mas pela capacidade
de enganar o eleitor, de promover discursos de ódio, de instrumentalizar o
moralismo e de vender uma falsa imagem de integridade.
Com
mecanismos criminosos cada vez mais engenhosos, esses grupos se blindam através
de alianças político-corporativas, ocupam sucessivamente cargos políticos.
Perpetuam dinastias familiares e consolidam redes de poder sustentadas pela
desinformação, pelo fisiologismo e pela manipulação da opinião pública. Dominam
com habilidade o discurso antissistema enquanto vivem exatamente da captura do
próprio Estado. Vendem-se como defensores da moral, da pátria e da família, mas
utilizam essas bandeiras apenas como vitrines eleitorais para ocultar práticas
profundamente lesivas ao interesse público. Assim operou o ex-governador do Rio
de Janeiro, Cláudio Castro, aliado de primeira hora de Flávio Bolsonaro e
devoto seguidor da diretriz política do pré-candidato à presidência, todos
devidamente abrigados sob o mesmo teto de conveniência do Partido Liberal. Na
terça-feira (26/05), Castro novamente foi alvo de busca e apreensão em sua
cobertura na Barra da Tijuca, no âmbito da 8ª fase da Operação Compliance Zero,
conduzida pela Polícia Federal. As investigações da PF referem que a
proximidade entre o ex-governador do Rio de Janeiro e Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, tornou-se cada vez mais vantajosa para ambos. A PF interceptou
diálogos que mostram o ex-banqueiro convidando o político para um evento ultra
exclusivo de degustação de uísque em Nova York, ocorrido em 14 de maio de 2024.
A reunião restrita a apenas dez convidados, além de Claudio Castro, contou com
a presença do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do deputado federal Hugo Motta
(Republicanos-PB) e teve um custo de US$ 1,013 milhão, superior a R$ 5 milhões.
Coincidentemente, o desdobramento financeiro veio logo em seguida. Já no dia 15
de maio, a Rioprevidência injetou R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco
Master. De acordo com as autoridades, essa não foi uma ação isolada, sendo
sucedida por mais duas aplicações que somaram R$ 150 milhões, uma de R$ 80
milhões e outra de R$ 70 milhões.
Em meio
as suas profundas ligações com Daniel Vorcaro, o Banco Master foi amealhando
intensivamente recursos públicos oriundos dos fundos de aposentadoria e pensão
da RioPrevidência. As investigações apontam que para assegurar aplicações
financeiras em fundos podres do Banco Master foram nomeadas pessoas chave em
cargos estratégicos da Rioprevidência. O prejuízo estimado foi de R$ 3,6
bilhões, comprometendo a sustentabilidade da instituição previdenciária,
enquanto beneficiavam o banco privado. De um lado, um banqueiro inescrupuloso
interessado em irrigar financeiramente uma instituição à beira de um colapso.
De outro, um governador suspeito de facilitar a transferência de vultosos
recursos da previdência dos servidores públicos do Rio de Janeiro para fundos
considerados altamente arriscados. Essa combinação entre interesses privados e
a captura política da máquina pública revelou um modelo perverso de
administração estatal em que o patrimônio coletivo se converteu em instrumento
de enriquecimento e favorecimento de agentes específicos.
Vale
ressaltar que sobre Claudio Castro ainda recaem graves suspeitas sobre suas
condutas de representante público cujo mandato exige a salvaguarda dos
interesses da população e do Estado. Entre essas, o uso político-eleitoral da
estrutura da Fundação Ceperj. Esta resultou na sua inelegibilidade e perda de
direitos políticos até 2030, entretanto, a defesa do ex governador está
recorrendo da decisão do TSE. Votaram contra a inelegibilidade apenas os
ministros indicados por Jair Bolsonaro, Nunes Marques e André Mendonça. Além
dessas frentes somam-se indícios de fraudes fiscais envolvendo a refinaria
Refit. Com esse acúmulo de irregularidades não resta dúvida o quanto o Rio de
Janeiro tornou-se refém de uma degradação institucional provocada pela captura
do Estado por alianças espúrias entre a extrema-direita bolsonarista, o Centrão
fisiológico e a direita oportunista. Longe de ser um acidente, a atual situação
difícil do RJ resulta de várias sucessões de governos cercados por escândalos
políticos e crimes financeiros, enraizados na naturalização de conluios entre a
política institucional e o crime organizado.
Nesse
ambiente contaminado, milícias deixaram de ser apenas grupos armados
territoriais para se transformarem em estruturas políticas e econômicas
profundamente infiltradas nas instituições. O bolsonarismo encontrou nesse
terreno fértil um espaço ideal para crescer. O discurso da violência como
solução, da exaltação armamentista, do culto à brutalidade policial e do ódio
às instituições democráticas dialogou diretamente com setores que lucram com o
medo, a intimidação e o controle paralelo de territórios. A influência
bolsonarista no Rio de Janeiro não surgiu isoladamente, ela foi alimentada por
anos de abandono social, desmonte do Estado, precarização dos serviços públicos
e fortalecimento de organizações criminosas com capacidade de interferência
eleitoral.
A
ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência intensificou esse processo. O
extremismo político ganhou legitimidade institucional, discursos antes
considerados incompatíveis com a democracia passaram a circular com
naturalidade dentro das estruturas do poder e personagens ligados ao submundo
da política sentiram-se autorizados a ampliar seus métodos. Milicianos foram
homenageados por Flávio Bolsonaro. A máquina pública passou a ser utilizada não
como instrumento de desenvolvimento social, mas como plataforma de negócios
privados, proteção de aliados e expansão de poder. Desde o golpe parlamentar
contra a presidenta Dilma Rousseff, sobre quem jamais recaiu qualquer acusação
de enriquecimento ilícito ou corrupção pessoal, o país abriu espaço para uma
avalanche de representantes desses setores extremistas. Com raríssimas
exceções, muitos desses políticos transformaram a atividade pública em
mecanismo de enriquecimento ilícito. Acumulam patrimônios incompatíveis com os
salários que recebem, enquanto parcelas significativas da população não são
atendidas em suas necessidades.
É
necessário destacar ainda, que as relações entre Claudio Castro e a família
Bolsonaro ilustram sem sombra de dúvida essas engrenagens perigosas. O
ex-governador consolidou-se como um dos principais aliados do bolsonarismo no
Rio de Janeiro. Com base em sua estreita relação política com Flávio Bolsonaro,
reportagens divulgadas nesta semana apontam coincidências inquietantes entre as
relações de ambos com Daniel Vorcaro, levantando suspeitas sobre possível
tráfico de influência e operações. Chamam atenção os contatos de Flávio
Bolsonaro com Vorcaro para viabilizar o financiamento de um filme sobre Jair
Bolsonaro justamente no período em que Claudio Castro ampliava os investimentos
da previdência estadual no banco Master.
Flávio
Bolsonaro, diante dos visíveis prejuízos a sua pré-candidatura, por conta do
escândalo de seu envolvimento com Daniel Vorcaro, tentou mudar o foco de sua
campanha eleitoral, a partir de uma visita à casa Branca para encontrar o
presidente Trump. Como esperado, essa visita foi cercada de versões
desencontradas publicadas pelo bolsonarismo radical e pelo próprio trio de
visitantes, formado pelos irmãos Bolsonaros, o senador Flávio, o ex deputado
Eduardo e o neto do ditador João Batista Figueiredo, Paulo Figueiredo. De
acordo com reportagens de veículos confiáveis, o encontro durou apenas alguns
minutos, contrariando as divulgações dos três visitantes. Durante a rápida
conversa, Flávio ainda teve que ouvir de Trump elogios dirigidos ao presidente
Lula, fato constrangedor para quem quer articular apoio do governo
norte-americano. Numa coletiva subsequente, visivelmente nervoso e temendo
escorregar em suas próprias versões metamórficas, Flávio limitou-se a ler um
roteiro no celular sobre os temas abordados, destacando o pedido para
classificar as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas.
Esse pedido, que na realidade visou confrontar o governo do Brasil, carrega
implicações delicadas para a soberania brasileira e para a própria estabilidade
institucional do país. Em um cenário internacional marcado pela
instrumentalização política do discurso de segurança, não são poucos os que
enxergam nesse movimento uma possível brecha para futuras interferências
inclusive no ambiente eleitoral brasileiro.
Na
tentativa de aliviar o peso das suspeitas que recaem sobre si, Flávio Bolsonaro
agiu para rifar princípios elementares da soberania nacional em favor de
interesses pessoais e familiares. Na quinta-feira (28/05), o secretário de
Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou a classificação do PCC e CV como
organizações terroristas, evidenciando que as articulações promovidas por
Flávio nos bastidores apenas precipitaram a concretização das intenções do
governo imperialista há algum tempo. Nesse episódio, Flávio Bolsonaro foi o
capacho da vez, ao considerar que o mérito dessa medida se deve a ele. E mais
vassalos ainda, foram os inaptos Romeu Zema, Ronaldo Caiado, bem como o eterno
submisso a Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas ao manifestaram-se prontamente a
favor da violação da soberania nacional estimulada por Flávio. Essa investida
desastrosa, contudo, corre o risco de se voltar contra o próprio senador. Por
outro lado, o histórico recente mostra o quanto a opinião pública brasileira se
revoltou contra as conspirações pregressas de seu irmão para prejudicar o país.
Esta reação também sugere que o tiro da subserviência internacional pode,
novamente, sair pela culatra.
De
acordo com especialistas, rotular as facções PCC e PC como entidade terrorista
gera ameaças severas à estabilidade econômica do país. A canetada
norte-americana pode encarecer o ambiente de negócios para as empresas locais,
inibir investimentos externos pelo temor de punições severas nos critérios de
governança, além de ferir a soberania brasileira, na medida em que abre
precedentes para sanções estrangeiras contra o sistema financeiro e o comércio
nacional. O ex-secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo,
em entrevista ao G1, foi mais longe ao dizer que o Brasil daqui para frente
poderá ser considerado como um Estado pária no plano internacional. Na
sexta-feira (29/05), em evento realizado em Sergipe, o presidente Lula reagiu
com veemência à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e
Comando Vermelho como organizações terroristas. Em defesa da soberania nacional
no enfrentamento ao crime organizado, Lula rechaçou a tutela estrangeira:
"Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser
tratados como se fôssemos uma republiqueta". A fala presidencial foi
endossada por uma dura nota emitida pelo Governo Federal, que elevou o tom
contra a articulação da extrema-direita nos bastidores de Washington. O documento
denunciou o uso político da segurança pública por "falsos patriotas
envolvidos com o crime organizado" e classificou como
"deplorável" a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos EUA
para suplicar por sanções e interferências externas. Relembrando o episódio do
"tarifaço", que já havia penalizado a economia nacional, o governo
expôs o caráter colaboracionista e lesa-pátria dessas lideranças, que insistem
em sabotar o próprio país em busca de vantagens políticas pessoais.
É
importante salientar que o atual governo tem sido implacável no combate ao
crime organizado, materializado nas diversas operações da PF que nunca foram
tão intensas nos últimos três anos. A atuação da PF alicerça-se na produção de
conhecimento estratégico, no alinhamento internacional e na asfixia econômica
do crime organizado. Diante de um horizonte de capachismo aos EUA, o senador
Flávio, contudo, não consegue explicar como seu irmão Eduardo, que atua nos
Estados Unidos em permanente campanha contra a economia brasileira e contra o
próprio governo do país de origem consegue manter um padrão de vida elevado no
Texas. Eduardo reside com a família em uma mansão localizada em bairro de
classe média alta, cujo aluguel gira em torno de 30 mil reais mensais, segundo
reportagem do Intercept Brasil. Surge então uma pergunta inevitável: qual é a
origem dos recursos que financiam esse exílio luxuoso? É justamente essa
questão que investigadores da Polícia Federal buscam esclarecer ao rastrear
possíveis fluxos financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, suspeitos de
estarem custeando as despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Investigam, se os recursos teriam sido destinados exclusivamente ao
financiamento de um suposto projeto cinematográfico, justificativa apresentada
por pessoas próximas à negociação, ou se a história do filme serviu apenas como
cortina de fumaça para mascarar uma transferência internacional de valores,
conforme informações divulgadas no G1.
Enquanto
isso, na Câmara de deputados, a articulação contra o fim da escala 6x1 ganhava
novos contornos. Primeiro, deputados do PL e do Centrão tentaram emplacar uma
emenda para esticar a jornada semanal para 52 horas. Logo depois, em uma
guinada, o PL anunciou um destaque para instituir a escala 3x4 com o objetivo
de travar a votação da PEC original. A manobra teve o claro intuito de esvaziar
a proposta dos partidos progressistas, que defendiam o fim do modelo 6x1 com
redução da jornada para 40 horas semanais. Apesar desse escárnio e da tentativa
do PL de impedir o avanço dos direitos trabalhistas, a Comissão da Câmara
aprovou o texto-base da (PEC) 221/19, na quarta-feira (27/05). Na sequência, no
plenário, foi aprovada com ampla margem de vantagem. No primeiro turno de
votação, o texto recebeu o apoio massivo de 472 parlamentares, registrando
apenas 22 votos contrários. A consolidação da vitória veio logo em seguida, no
segundo turno, quando a proposta recebeu 461 votos favoráveis e 19 contra.
Apesar do forte consenso em torno da medida, a resistência na votação final
ficou concentrada em um grupo reduzido de deputados de partidos de oposição e
de centro. Os 19 votos contrários no segundo turno foram liderados pelo PL, que
registrou 9 votos contra, seguido pelo partido Novo com 4 votos. Completaram a
lista de oposição à PEC o MDB, com 2 votos contrários, e o União Brasil, o PSD,
o PP e o Missão, com 1 voto contra cada um. Esses 19 votos, revelam uma postura
que simboliza o desprezo da direita bolsonarista e do centrão pelas pautas que
afetam diretamente a vida do trabalhador brasileiro. Enquanto milhares de
pessoas adoecem física e mentalmente submetidas a jornadas exaustivas,
parlamentares comprometidos com interesses empresariais atuam para impedir
avanços mínimos na proteção da dignidade humana.
A PEC
221/19 seguiu para o Senado Federal. Davi Alcolumbre, presidente do senado,
referiu que dará andamento ao texto, mas não com a mesma rapidez que tramitou
na câmara. Todavia, foi ágil ao encaminhar uma proposta do senador da oposição,
Rogério Marinho (PL-RN), que propõe regime por hora trabalhada. Essa proposta é
nociva ao trabalhador, cuja hipossuficiência inviabiliza qualquer equilíbrio na
mesa de negociações. Ao referir que a redução de jornada e a compensação de
horários ocorram por acordo individual ou negociação direta, o texto aniquila a
proteção coletiva e transforma a negociação em mera imposição patronal, já que
o empregado aceita as condições sob a ameaça do desemprego. Sem nenhuma
surpresa, houve críticas à aprovação do fim da escala 6x1 pelos opositores ao
governo, pela contrariedade de empresários gananciosos e por meio de narrativas
da mídia corporativa, que tacharam a medida como eleitoreira, sobretudo por ter
sido uma pauta abraçada pelo presidente Lula e por seu empenho na negociação com
o presidente da Câmara, Hugo Motta, para alcançar a aprovação. Tais críticas
não correspondem à realidade, por desconsideram tanto a histórica relevância
dessa pauta para a classe trabalhadora, quanto a articulação política legítima
que viabilizou o avanço do projeto.
Essa
eficiência do bloco progressista contrasta substancialmente com a fragmentação
e os escândalos que desestabilizam o campo adversário. No universo caótico da
extrema-direita, da direita oportunista e do Centrão fisiológico, as alianças
só são sólidas enquanto geram vantagens mútuas. Elas desmoronam rapidamente
assim que escândalos vêm à tona e as investigações policiais avançam, expondo
as entranhas dos crimes cometidos por seus aliados. Esse pragmatismo
individualista e a busca por sobrevivência política ficam ainda mais evidentes
diante do isolamento dos personagens envolvidos nos escândalos.
A
medida em que Flávio Bolsonaro despenca na intenção de votos em sua
pré-candidatura, os seus “irmãos” ideológicos Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo
Caiado (PSD-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) oscilam entre subir ou
descer da lesada embarcação bolsonarista que a cada dia vai apresentando sinais
de naufragio nas águas turvas e lamacentas de suas práticas. Quando a situação
é flagrantemente irreversível, como no caso “Claudio Castro”, os “irmãos
ideológicos” descartam sem nenhum constrangimento. Sua futura ex candidatura ao
Senado foi fulminada pelo presidente do PL, a mando dos Bolsonaros. Frente a
essa sentença, Castro comunicou sua desistência. Diante das falcatruas
praticadas por políticos malfeitores, o povo acompanha a luta do governo para
melhorar as condições materiais de existência da população e aprovar projetos
que garantam qualidade de vida aos trabalhadores.
Enquanto
figuras financeiramente abonadas, que se locupletam por meio de financiamentos
públicos para adquirir bens milionários, questionam o programa Bolsa Família,
recursos essenciais para a dignidade dos vulneráveis acabam desviados para
alimentar esquemas políticos, interesses privados e fortunas pessoais. Mesmo
diante de tantas evidências desse contraste, uma parcela significativa da
sociedade continua fiel a esses grupos dominantes.
Esse
fenômeno não pode ser explicado apenas pela desinformação. Há uma engenharia
permanente de manipulação ideológica e de distorção da realidade, impulsionada
pelo mercado financeiro e por seus instrumentos de influência, como a mídia
corporativa e os partidos alinhados aos seus interesses. Basta recordar o papel
desempenhado pelo Jornal Nacional na construção de uma percepção hostil às
forças progressistas, alimentada pelo lawfare da Operação Lava Jato e por suas
ilegalidades posteriormente reconhecidas pela Justiça. Embora a operação tenha
sido desmoralizada e juridicamente desmontada, deixou marcas profundas e
duradouras na percepção de parcela da sociedade. Líderes da direita, do Centrão
oportunista e extrema direita bolsonarista convenceram milhões de pessoas de
que seus verdadeiros inimigos não são os malfeitores que saqueiam o Estado, mas
professores, jornalistas, artistas, universidades, movimentos sociais e
qualquer voz que questione privilégios históricos. Criaram uma militância
movida pelo fanatismo político e pela crença de que defender determinados
líderes significa defender valores morais ou religiosos.
Inversões
da realidade passaram a circular numa velocidade muito maior que os fatos.
Escândalos gravíssimos são relativizados ou ignorados quando envolvem figuras
idolatradas por parcelas radicalizadas da população. Muitos desses políticos
construíram uma relação quase messiânica com seus apoiadores, como Jair
Bolsonaro, baseada na lógica de que qualquer investigação é automaticamente
tratada como perseguição política, ainda que existam provas, operações
policiais e rastros financeiros robustos, como os revelados pelas recentes
operações da Polícia Federal, que age de modo absolutamente autônomo no atual
governo.
A
perversidade dessas posturas distorcivas está justamente na capacidade de
setores privilegiados convencerem trabalhadores precarizados a defender
projetos que aprofundam sua própria exploração, enquanto vários políticos dessa
estirpe degenerada que se farta em benesses amealhadas pelos desvios do
dinheiro público. Muitos dos que sofrem com baixos salários, jornadas abusivas,
desemprego e ausência de direitos continuam apoiando aqueles que
sistematicamente votam contra seus interesses. É a vitória de uma política
baseada na manipulação das pessoas.
O
desmoronamento político protagonizado pelos malfeitores e traidores da pátria,
atingiu um grau alarmante nos últimos anos. O Brasil passou a conviver com a
banalização da corrupção seletiva, da violência política, do entreguismo, do
autoritarismo e da captura criminosa das estruturas públicas. E enquanto parte
da sociedade continuar tratando figuras investigadas como heróis intocáveis, a
democracia seguirá ameaçada por aqueles que utilizam justamente suas liberdades
para corroê-la por dentro.
Fonte:
Brasil 247

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