Guimarães
diz que Alcolumbre quer recompor relação com Lula
O
ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o presidente
do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstra disposição para recompor a
relação política com o presidente Lula. Segundo Guimarães, Alcolumbre não deve
criar obstáculos à tramitação da PEC que acaba com a escala 6x1, uma das
principais apostas do governo para o próximo período.
As
declarações foram dadas em entrevista ao jornal O Globo. De acordo com o
ministro, o governo trabalha para levar a proposta ao plenário do Senado até
outubro.A PEC do fim da escala 6x1 é tratada pelo Planalto como uma pauta
social de forte apelo popular e também como um tema de peso político na
campanha à reeleição de Lula. Para Guimarães, a aprovação da proposta na Câmara
representou uma derrota expressiva para a oposição bolsonarista.
“Aplicamos
uma enorme derrota ao bolsonarismo. É o tema que mais terá peso nesse próximo
período, mais de 70% da população é favorável.”
O
ministro afirmou que a prioridade agora é garantir a votação no Senado. “O
esforço agora é para votar no Senado, e acho que não vamos ter dificuldade. O
Hugo Motta (presidente da Câmara) já conversou com o Davi (Alcolumbre). Nós
vamos conversar.”
Na
avaliação de Guimarães, o texto deveria seguir diretamente para o plenário do
Senado, sem novas etapas que possam atrasar a tramitação.“Do jeito que está o
texto, o ideal seria levar direto para o plenário. Vai depender do Davi, porque
a oposição quer retardar.”
O
ministro afirmou que o governo buscará um entendimento para evitar que a
proposta fique parada no Senado. Para ele, a relevância nacional do tema impede
que divergências políticas recentes contaminem a tramitação da PEC.
“Acho
que não. Não se pode interditar a discussão de um tema nacional como esse.”
Guimarães
disse que atua ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta, para construir uma
solução que permita acelerar a votação.“Eu e o Hugo (Motta) estamos trabalhando
para buscar um encaminhamento que permita a votação imediata, sem protelamento
no Senado.”
A
relação entre Lula e Alcolumbre ficou abalada após a derrota do advogado-geral
da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente para o Supremo Tribunal
Federal (STF). O presidente do Senado foi apontado como um dos responsáveis
pelo revés sofrido pelo governo na Casa.
Guimarães,
no entanto, procurou reduzir o peso do episódio e afirmou que a política deve
ser conduzida por meio de diálogo. Questionado sobre como convencer Alcolumbre
a pautar a PEC diretamente no plenário, o ministro respondeu de forma direta.
“A
política não é feita de chateação e mau olhar. É o diálogo.”
Segundo
Guimarães, Alcolumbre está aberto a uma reaproximação com o Palácio do
Planalto.
O
ministro afirmou que conversa com o presidente do Senado quase todos os dias e
disse que o tom tem sido de reconstrução da relação institucional. “Está.
Muito. Eu falo com ele quase todo dia.”
Ao
relatar o que tem ouvido de Alcolumbre, Guimarães afirmou que o presidente do
Senado deseja conversar diretamente com Lula para superar o desgaste
recente.“Ele diz, reiteradamente: quer sentar com o presidente e recompor a
relação. É isso.”
Sobre a
disposição de Lula para esse encontro, Guimarães disse que o presidente ainda
avalia o tema, em meio a uma agenda intensa. O ministro afirmou que a campanha
à reeleição terá três eixos centrais: apresentar entregas do governo, explorar
temas da conjuntura e discutir propostas para o futuro.
“Está
avaliando. O presidente teve uma agenda muito frenética nesses dias.” Guimarães
disse que acompanhou todas as campanhas de Lula e afirmou ver, neste momento,
um volume incomum de ações a serem apresentadas pelo governo.
“Eu
vivi todas as campanhas do presidente, mas nessa, em especial, nunca vi tanta
coisa para ser mostrada.”
Segundo
ele, a campanha deve combinar balanço de gestão, temas atuais e debate
programático. “Essa campanha vai ter três grandes eixos. Um é mostrar tudo que
foi feito e que está sendo entregue.”
“Outro
é mostrar os temas que fazem parte da conjuntura, em que a 6x1 é a mais
relevante. A terceira é a disputa propriamente dita, em que é preciso falar de
futuro.” Guimarães também afirmou que levantamentos internos do governo indicam
que o fim da escala 6x1 pode impactar positivamente a aprovação da gestão Lula.
Segundo
ele, a proposta tem alcance especial entre mulheres e jovens.“Nossos
levantamentos internos indicam isso. O país todo estava acompanhando. E atinge
principalmente mulheres e jovens.”
Ao
comentar críticas de que a tramitação da proposta teria motivação eleitoral, o
ministro comparou a situação com medidas adotadas pelo governo Jair Bolsonaro
em 2022, durante a disputa presidencial.
“Tudo
que (o governo) faz dizem que é questão eleitoral. Lembre-se, o Bolsonaro
disputou a eleição em 2022 e, em agosto, aumentou o Bolsa Família.” Guimarães
rebateu a tese de que o governo deveria deixar de agir por causa das críticas
da oposição.
“Eles
vão dizer que é eleitoral, mas vamos parar o país?” O ministro também criticou
Flávio Bolsonaro e afirmou que o governo se reorganizou politicamente após a
derrota de Jorge Messias no Senado.
“O
Flávio Bolsonaro, quando o Messias foi derrotado, falou que o governo acabou.
Quebrou a cara.” “Ele se enrolou no maior escândalo financeiro da história do
Brasil. Da derrota do Messias para cá, o governo aprumou o passo nas medidas
que tem anunciado.”
Guimarães
também foi questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o
Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Para o ministro, a
medida não deve ter impacto eleitoral relevante. Ele afirmou, porém, que a
decisão representa uma ameaça à soberania brasileira caso sirva de
justificativa para algum tipo de interferência externa.
“Não
acredito. Essa decisão é uma ameaça à soberania.”
“Ninguém
pode invadir o Brasil a pretexto de combater o crime organizado. Por que o
governo americano não incluiu nessa classificação os milicianos?” Guimarães
disse que a cooperação internacional no combate ao crime organizado é
bem-vinda, desde que respeite as instituições brasileiras.
“Ajudar
o Brasil no combate às facções é bem-vindo, mas respeitando as regras e os
caminhos do governo brasileiro.” Na entrevista, Guimarães afirmou que a disputa
sobre o futuro será um dos pontos centrais da campanha.
Ele
defendeu que o governo apresente seus resultados econômicos e sociais e
criticou Flávio Bolsonaro, apontado como possível nome da oposição. “Colocamos
o país de pé em todos os indicadores, econômicos e sociais.”
“O que
o Flávio Bolsonaro tem a oferecer para o país, a não ser o único predicado
dele, de filho do Bolsonaro? Não tem uma ideia sobre nada.” Guimarães também
criticou a posição de Flávio Bolsonaro em relação à PEC do fim da escala 6x1.
“Quando
deu uma ideia, foi dizer que era contra, que o país ia quebrar, se aprovasse a
6x1.” Para o ministro, um eventual segundo mandato de Lula deve combinar defesa
do legado, esperança e novas propostas sociais.
“O
segundo mandato tem que falar de esperança, além de jogar pesadíssimo em
universalizar a escola de tempo integral e avançar mais ainda no combate ao
feminicídio.”
Guimarães
também defendeu uma revisão do presidencialismo de coalizão. Segundo ele, a
experiência como líder e agora no ministério mostra que parte da base
parlamentar nem sempre mantém identidade com as diretrizes programáticas do
governo.
“Vamos
ter que repensar o presidencialismo de coalizão.”
“A
experiência que eu tive como líder e agora aqui é que muitas vezes a base não
tem identidade com as diretrizes programáticas do governo. Eu sou da tese de
que você tem que alinhar 100%.”
O
ministro afirmou ser defensor das emendas parlamentares, mas sustentou que o
governo deve exigir coerência política de quem integra a base. Para ele, não
faz sentido que parlamentares recebam emendas e votem de forma sistemática
contra o Planalto.
“Sou
defensor das emendas. Porém, não pode ter emenda, o cara receber e ficar
votando contra o governo.”
“Tem
que exigir isso. Não votou, não tem emenda. Nós temos que fazer uma
concertação.”
Guimarães
avaliou que há sinais positivos de diálogo com partidos do centro.
Segundo
ele, essas legendas têm conversado com o governo e demonstrado disposição para
repactuar a relação em um eventual novo mandato.
“Estou
vendo sinais muito positivos. Esses partidos do centro estão conversando muito
comigo. E querem repactuar isso com o novo governo.” O ministro afirmou ainda
que a candidatura da extrema direita perde força política.
“Aliás,
acho até que pode ter muitas novidades daqui para a eleição. A candidatura da
extrema direita está se esvaziando politicamente.” Guimarães avaliou que houve
um gesto importante de partidos do centro na votação do fim da escala 6x1.
Ele
citou União Brasil e PP como legendas que se movimentaram de forma relevante em
uma pauta considerada estratégica para o governo. “Fizeram um gesto muito
importante (na votação do fim da escala 6x1). Fazia tempo que eu não via o
União Brasil e o PP fecharem questão para votar.”
Questionado
se o gesto não teria sido apenas pontual, o ministro reconheceu que sim, mas
ressaltou o peso político da votação.
“Sim,
mas foi pontual numa questão estratégica para o governo.”
Para
Guimarães, a tendência é que Flávio Bolsonaro fique politicamente isolado na
disputa. O ministro afirmou que o senador não apresenta propostas consistentes
para o país. “A tendência é o Flávio se isolar, porque ele não tem o que propor
para o país.”
Ao
falar sobre a agenda do Senado, Guimarães citou três prioridades que, em sua
avaliação, deveriam avançar antes da eleição. A lista inclui minerais críticos,
PEC da Segurança e fim da escala 6x1.
O
ministro também defendeu que o governo evite a votação de pautas-bomba. No
campo econômico, Guimarães criticou o atual patamar dos juros no Brasil.
Questionado sobre Gabriel Galípolo no Banco Central, o ministro afirmou que o
problema está no modelo de política monetária praticado no país.
“Na
minha opinião, não é de governo, é inaceitável esse modelo de taxa de juros que
temos no Brasil.”
“O que
leva um BC a praticar alta taxa de juros é a inflação alta. Faz três anos que a
inflação está sob controle.”
Para
Guimarães, os juros elevados limitam a capacidade de expansão da economia
brasileira.
“Esse é
um problema que impede o crescimento mais robusto da economia.”
Ao
longo da entrevista, Guimarães buscou transmitir a avaliação de que o governo
superou o impacto político da derrota de Jorge Messias no Senado. Entre as
prioridades do Planalto, a PEC do fim da escala 6x1 aparece como uma das
principais apostas pela dimensão social, pelo apoio popular e pelo peso
político no debate nacional.
• Humberto Costa aposta em ampla maioria
no Senado para aprovar fim da 6x1
O
senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou
que a proposta que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de trabalho
de 44 para 40 horas deverá ter apoio expressivo no Senado. Em entrevista ao
programa Brasil Agora, da TV 247, o parlamentar destacou que a pressão popular
em torno do tema tende a acelerar a tramitação da matéria e dificultar qualquer
tentativa de barrar ou adiar a votação.
A
Proposta de Emenda Connstitucional (PEC) do fim da escala 6x1 e que reduza a
jornada foi aprovada pela Câmara dos Deputados e segue para análise do Senado.
Segundo Humberto Costa, a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados conseguiu
construir um consenso raro na sociedade brasileira, tornando politicamente
difícil para os senadores se posicionarem contra a medida.
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“Se há
uma proposição que conseguiu obter um consenso da sociedade brasileira, tem
sido essa proposta da mudança da escala seis por um para cinco por dois”, disse
o parlamentar.
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Senado deve votar proposta antes do recesso
O
senador defendeu que a tramitação da proposta ocorra de forma rápida no Senado
e afirmou que a expectativa é concluir a votação antes do recesso parlamentar
do meio do ano.
“Isso
não pode passar do início do recesso do meio do ano”, enfatizou.
A
proposta aprovada pela Câmara prevê uma transição gradual para a nova jornada.
Sessenta dias após a sanção, a carga horária semanal cairia de 44 para 42
horas. Depois de um ano, seria reduzida para 40 horas.
Humberto
Costa afirmou que empresários já iniciaram pressão sobre o presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e outros parlamentares para tentar
desacelerar a tramitação.
“As
pressões já começaram sobre o presidente Davi Alcolumbre, sobre os senadores”,
destacou.
Mesmo
assim, o petista acredita que a mobilização popular será decisiva para garantir
a aprovação da proposta.
“Com a
pressão que a sociedade está fazendo hoje, para mudança desse tipo de escala de
trabalho, nós temos amplas condições de votar essa proposta o mais rapidamente
possível”, salientou.
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PT rejeita ampliar período de transição
Durante
a entrevista, Humberto Costa criticou propostas defendidas por setores
empresariais e parlamentares da oposição para ampliar o prazo de adaptação à
nova jornada de trabalho.
Segundo
ele, algumas sugestões chegaram a prever uma transição de até dez anos.
“Na
verdade, estavam querendo ganhar tempo para tentar impedir que essa medida
entrasse em vigor”, relatou.
O
senador também afirmou que experiências internacionais demonstram ganhos de
produtividade e melhoria nas condições de trabalho com a redução da jornada.
“Com a
redução da jornada de trabalho, ganha-se em produtividade, ganha-se em
disposição e disponibilidade do trabalhador”, frisou.
Humberto
Costa afirmou ainda que o PT não pretende aceitar mudanças no cronograma
aprovado pela Câmara.
“Não
vamos aceitar qualquer período de transição que não seja esse”, disse.
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Senador prevê forte pressão sobre parlamentares
O
parlamentar afirmou acreditar que poucos senadores terão disposição para votar
contra a proposta diante do apoio popular e da proximidade das eleições.
“O
Senado vai ter agora a renovação de dois terços dos seus membros. Acredito que
dificilmente qualquer um deles vai querer carregar durante a campanha o
posicionamento de ter votado contra a escala seis por um”, lembrou.
Humberto
Costa também comentou a possibilidade de tentativas de alterar o texto no
Senado, mas garantiu mobilização da base governista e dos movimentos sociais.
“Estamos
preparados para exercer uma pressão como nunca jamais foi vista no Senado”,
reforçou.
O
senador também criticou o posicionamento da extrema direita em relação ao tema
e afirmou que setores conservadores tentaram impedir o avanço da proposta.
Segundo
ele, os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master e possíveis
conexões com integrantes da família Bolsonaro tendem a aumentar o desgaste
eleitoral da extrema direita.
“A cada
dia que se passa, surgem novos fatos”, afirmou Humberto Costa, destacando que
as explicações apresentadas até agora pelos envolvidos não convenceram a
opinião pública.
“As
desculpas e explicações que estão sendo dadas só têm agravado a situação”,
disse o senador. “A rejeição, que já é grande ao bolsonarismo em Pernambuco, só
tende a aumentar”, completou.
Para
Humberto Costa, o cenário eleitoral deve se tornar mais difícil para a extrema
direita nos próximos meses.
“Daqui
para a eleição, a extrema-direita vai estar muito mais fragilizada do que está
até agora”, concluiu.
Fonte:
Brasil 247

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