Fim
da 6x1 - Luciano Hang, o velho da Havan, ameaça tirar lojas do Brasil com o fim
da 6x1. Já vai tarde
Luciano
Hang, o velho da Havan, ostenta nas suas lojas a estátua da liberdade, mas
deveria erguer a bandeira dos confederados, os escravocratas derrotados na
guerra civil dos EUA que aboliu a escravidão. Em entrevista à Folha, o
empresário criticou até a folga das mulheres aos domingos...
O
empresário afirmou que o Congresso deveria aprovar logo a escala 4x3 “para que
a gente visse quanto tempo o Brasil iria aguentar” e completou: “Acho que para
acertar este país é só com uma desgraça. Então, que a desgraça seja instalada o
mais rápido possível.”
A
“desgraça”, para Hang, não é a vida de milhões de trabalhadores submetidos a
jornadas exaustivas, sem tempo para descanso, lazer, estudo, convivência
familiar ou participação política. A tragédia, para o dono da Havan, é que seus
funcionários possam trabalhar menos sem redução salarial. É que mulheres tenham
direito a folgar em alguns domingos. É que a classe trabalhadora deixe de viver
apenas para bater ponto, vender, empacotar, atender e enriquecer patrões como
ele.
Com
sede administrativa em Brusque, Santa Catarina, a Havan se transformou em uma
das maiores redes de departamentos do país. A empresa ganhou ainda mais
projeção nacional com o apoio entusiasmado de Hang a Jair Bolsonaro antes das
eleições de 2018. Hoje, a rede tem 191 lojas e mais de 25 mil funcionários. No
próximo sábado, dia 30, deve inaugurar sua 192ª unidade, em Taquara, no Rio
Grande do Sul. Em 2025, registrou R$ 13,7 bilhões em receita líquida e R$ 3,5
bilhões em lucro líquido.
Mesmo
sentado sobre bilhões, Hang diz que a redução da jornada aumentaria os custos
da empresa entre 15% e 20% e prevê uma “quebradeira” de pequenos e médios
varejistas. Também ameaça jogar a conta nos preços: “Do couro sai a correia.
Esses custos que vão ser colocados para a indústria, comércio e serviços serão
repassados nos preços.” Ou seja: o velho discurso patronal de sempre. Quando se
trata de cortar direitos, os empresários falam em “modernização”. Quando se
trata de reduzir a jornada e contratar mais trabalhadores, anunciam o
apocalipse.
Hang
também afirmou que as leis no Brasil “são feitas por pessoas que não gostam de
trabalhar” e atacou o artigo 386 da CLT, que garante às mulheres ao menos uma
folga em um domingo a cada 15 dias. O direito existe desde 1943 e foi
ratificado pelo STF em 2023, justamente diante do descumprimento patronal,
especialmente após a reforma trabalhista de 2017. Para Hang, porém, proteger
minimamente o descanso de mulheres trabalhadoras é uma “lei burra”.
“A
Havan tem três turnos. Há um tempo, inventaram que mulheres não podem trabalhar
dois domingos em seguida. O que tu consegues com isso? Tu vais ter que
contratar mais homens”, reclamou o empresário, que quer que seus funcionários
vivam pra trabalhar e trabalhem até morrer.
Hang
construiu sua fortuna com o trabalho de milhares de pessoas, posa como defensor
do Brasil, enquanto suas lojas ostentam um símbolo estadunidense. Agora, o
empresário bolsonarista, patriota do tipo que bate continência para a bandeira
dos EUA, mostra, mais uma vez, que a única pátria dos patrões é o lucro.
O fim
da escala 6x1 é uma reivindicação elementar diante da superexploração que marca
a vida de milhões de trabalhadores no comércio, nos serviços, nos
supermercados, nos shoppings, nos aplicativos e em tantos outros setores.
Reduzir a jornada sem reduzir salários é uma medida mínima frente aos lucros
bilionários de empresas como a Havan.
Enquanto
isso, a aprovação na Câmara não acaba ainda com a 6x1. O texto aprovado pelos
deputados rebaixou a proposta original e prevê apenas a redução para 40 horas
semanais, com transição, deixando de fora a jornada de 36 horas que daria forma
real à escala 4x3. E não está nada garantido do Senado, tem que será aprovada a
mudança e nem que ela pode piorar, apesar da demagogia da extrema-direita. Por
isso, é preciso exigir que a CUT, a CTB e as demais centrais sindicais rompam a
passividade diante do Congresso e convoquem uma greve geral para garantir o fim
imediato da escala 6x1, sem transição, com redução da jornada para 36 horas
semanais, na escala 4x3, sem redução salarial.
• A vitória histórica de Lula e o fim da
escala 6x1: um novo país é possível
A
aprovação da proposta que regulamenta a jornada de trabalho 5x2, revogando a
cruel escala 6x1, inscreve-se como uma dessas raras medidas que são um divisor
histórico.
Não se
trata de um mero ajuste legislativo, mas de um desbravamento de novas
possibilidades de vida para uma imensa massa trabalhadora.
Especialmente
para os trabalhadores mais humildes, aqueles descamisados sempre referidos por
Leonel Brizola, de quem quase ninguém se lembra.
Os
homens e mulheres de ofícios sacrificados, da limpeza, da construção, do
comércio, dos serviços, finalmente veem a promessa de um descanso que não seja
apenas o sono apressado antes de mais seis dias de exaustão.
É uma
grande medida criadora de um novo tempo, um resgate da linha evolutiva do
reconhecimento dos direitos humanos do trabalho, há muito interrompida por
décadas de retrocesso.
Com
essa lei, o presidente Lula ombreia-se a Getúlio Vargas, o criador da CLT, o
modernizador do Brasil.
Assim
como houve um antes e um depois de Getúlio na consolidação dos direitos
trabalhistas, instala-se agora um antes e um depois de Lula na história do
trabalho no país.
Ambos
tiveram de romper resistências heroicas, enfrentar as mesmas forças que sempre
se opuseram aos trabalhadores.
Ambos
foram visionários que não apenas anteviram, mas arriscaram concretamente suas
vidas em defesa da ideia de que um mundo melhor é possível, recusando a omissão
confortável que paralisa tantos governos.
Lula
viu contra si os velhos adversários de sempre, mas usou com sagacidade os
espaços abertos pelo ano eleitoral para costurar uma esmagadora maioria
pluripartidária.
Foram
472 votos a favor e apenas 22 contra, na primeira votação, confirmada em
seguida.
O
governo, longe de estar fraco, isolado ou à beira do colapso, como apregoavam
os diagnósticos politicamente interessados, mostrou-se capaz de criar consenso
inédito em torno de uma mudança estruturante.
A
jornada diminui, sem perda de salário.
O
trabalhador ganha mais tempo para o descanso, a família, o lazer e a cultura.
Haverá
aumento relativo da renda disponível e, consequentemente, do consumo.
Desabam
fragorosamente as narrativas interessadas de um governo paralisado, inviável, à
beira do colapso.
A
articulação política do Planalto, tão injustamente demonizada, demonstrou que é
possível, mesmo numa correlação de forças numericamente adversa no Parlamento,
promover transformações amplas.
Constrói-se
nesse episódio uma aliança do Executivo com o Legislativo, na expectativa de
que a proposta venha a ser aprovada também no Senado.
Trabalhadores
e sindicatos, depois de anos de recuos e de verem seus direitos esgarçados,
impuseram finalmente sua antiga reivindicação.
Que
esse resgate da voz do movimento sindical (berço político onde o presidente se
forjou) se dê em meio a uma conjuntura muito difícil, após anos de desmonte do
arcabouço legal de proteção ao trabalho, só aumenta a relevância da conquista.
Foi
preciso ler com sagacidade a janela criada pelo calendário eleitoral. Além da
redução da escala, o governo aprovou muitas outras medidas transformadoras,
como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil (com redução
efetiva para a faixa de até R$ 7.350), a ampliação de vários programas sociais
e a primeira fase da reforma tributária.
Mudanças
tão amplas, numa situação de correlação de forças no Congresso tão
desfavorável, só foram possíveis graças às virtudes únicas do presidente Lula:
sua capacidade de unir pressão, negociação e diálogo para, a despeito dos
céticos, cínicos e opositores, transformar o país.
Lula
não apenas governa; ele cria época.
E os
trabalhadores, sobretudo os mais humildes, podem enfim dizer que têm um
presidente que se lembra primordialmente de quem suja as mãos.
• “O Brasil entra em sintonia com o mundo
civilizado”, diz Alencar Santana sobre redução da jornada
O
deputado federal Alencar Santana (PT-SP), que preside a comissão especial que
analisou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala 6x1,
afirmou que o Brasil está próximo de viver uma mudança histórica nas relações
de trabalho com o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução
gradual da jornada semanal. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247,
o parlamentar destacou a importância dessa reivindicação história para a classe
trabalhadora.
Alencar
Santana destacou que o avanço da proposta ocorreu após reuniões entre
lideranças da Câmara dos Deputados e o presidente Lula e integrantes do
governo. Segundo ele, participaram das negociações o presidente da Câmara, Hugo
Motta, o relator Léo Prates, os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e Relações
Institucionais, José Guimarães.
O
deputado classificou a medida como uma resposta à mobilização popular em defesa
de melhores condições de trabalho e afirmou que o país passa a acompanhar
tendências internacionais de redução da jornada.
“O
Brasil entra em sintonia com o mundo civilizado, que já reduziu sua jornada de
trabalho, da mesma maneira que alguns países da América Latina também estão
reduzindo”, declarou.
Segundo
o parlamentar, o texto prevê o fim da escala 6x1 já em 2026, caso seja
sancionado. “Em linhas gerais, a escala 6x1 acaba em 2026, acabou. Basta, chega
dessa escala tão exaustiva e tão exploratória, tão desgastante para a saúde do
trabalhador”, afirmou.
O
parlamentar explicou que a redução da jornada ocorrerá de forma gradual. Pela
proposta discutida na Câmara que vai para análises do Senado, a carga horária
semanal cairá de 44 para 42 horas em 2026, sessenta dias após a promulgação da
PEC. Em 2027, haverá nova redução para 40 horas semanais.
“A
partir de 2026, sessenta dias após a promulgação da PEC, o trabalhador
brasileiro trabalhará somente quarenta e duas horas semanais”, explicou.
Alencar
Santana também rebateu críticas de setores empresariais e garantiu que a
proposta não permitirá redução salarial.
“No
texto constitucional nós também vamos deixar expresso que não pode ter redução
salarial”, enfatizou.
De
acordo com ele, empresas que descumprirem as regras poderão ser fiscalizadas e
punidas pelo Ministério do Trabalho.
“Tem
mecanismo de fiscalização por parte do Ministério do Trabalho para punir essas
empresas que porventura tentarem burlar essa conquista histórica do nosso
trabalhador”, acrescentou.
<><>
Jovens e mulheres
O
deputado ressaltou ainda que mulheres e jovens devem ser os grupos mais
beneficiados pela mudança na jornada de trabalho. Segundo ele, a redução
permitirá mais tempo para convivência familiar, estudo e lazer.
“Para a
mulher, que é uma carga muito exaustiva, até porque ela tem uma carga muitas
vezes maior fora do seu ambiente de trabalho também, vai ter mais tempo para a
sua família”, declarou.
Sobre
os jovens, afirmou: “Para a nossa juventude também poder estudar e se preparar
mais e melhor e curtir a vida plenamente”.
Durante
a entrevista, Alencar Santana também comentou o cenário político nacional e
afirmou que a extrema-direita enfrenta desgaste diante das investigações sobre
o caso Banco Master envolvendo o banqueio Daniel Vorcaro e o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados.
“A
verdade aparece e a extrema-direita vai derretendo”, disse o parlamentar que
citou ainda o deputado Mário Frias e Eduardo Bolsonaro ao comentar denúncias
relacionadas ao chamado caso “BolsoMaster”.
“Agora
o Frias está enrolado em outra rachadinha no mandato, por isso que a bancada do
PT já representou contra ele na Procuradoria da República para que seja
investigado e punido, se assim comprovado”, afirmou.
Fonte:
Esquerda Diário/Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário