terça-feira, 2 de junho de 2026

Fim da 6x1 - Luciano Hang, o velho da Havan, ameaça tirar lojas do Brasil com o fim da 6x1. Já vai tarde

Luciano Hang, o velho da Havan, ostenta nas suas lojas a estátua da liberdade, mas deveria erguer a bandeira dos confederados, os escravocratas derrotados na guerra civil dos EUA que aboliu a escravidão. Em entrevista à Folha, o empresário criticou até a folga das mulheres aos domingos...

O empresário afirmou que o Congresso deveria aprovar logo a escala 4x3 “para que a gente visse quanto tempo o Brasil iria aguentar” e completou: “Acho que para acertar este país é só com uma desgraça. Então, que a desgraça seja instalada o mais rápido possível.”

A “desgraça”, para Hang, não é a vida de milhões de trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas, sem tempo para descanso, lazer, estudo, convivência familiar ou participação política. A tragédia, para o dono da Havan, é que seus funcionários possam trabalhar menos sem redução salarial. É que mulheres tenham direito a folgar em alguns domingos. É que a classe trabalhadora deixe de viver apenas para bater ponto, vender, empacotar, atender e enriquecer patrões como ele.

Com sede administrativa em Brusque, Santa Catarina, a Havan se transformou em uma das maiores redes de departamentos do país. A empresa ganhou ainda mais projeção nacional com o apoio entusiasmado de Hang a Jair Bolsonaro antes das eleições de 2018. Hoje, a rede tem 191 lojas e mais de 25 mil funcionários. No próximo sábado, dia 30, deve inaugurar sua 192ª unidade, em Taquara, no Rio Grande do Sul. Em 2025, registrou R$ 13,7 bilhões em receita líquida e R$ 3,5 bilhões em lucro líquido.

Mesmo sentado sobre bilhões, Hang diz que a redução da jornada aumentaria os custos da empresa entre 15% e 20% e prevê uma “quebradeira” de pequenos e médios varejistas. Também ameaça jogar a conta nos preços: “Do couro sai a correia. Esses custos que vão ser colocados para a indústria, comércio e serviços serão repassados nos preços.” Ou seja: o velho discurso patronal de sempre. Quando se trata de cortar direitos, os empresários falam em “modernização”. Quando se trata de reduzir a jornada e contratar mais trabalhadores, anunciam o apocalipse.

Hang também afirmou que as leis no Brasil “são feitas por pessoas que não gostam de trabalhar” e atacou o artigo 386 da CLT, que garante às mulheres ao menos uma folga em um domingo a cada 15 dias. O direito existe desde 1943 e foi ratificado pelo STF em 2023, justamente diante do descumprimento patronal, especialmente após a reforma trabalhista de 2017. Para Hang, porém, proteger minimamente o descanso de mulheres trabalhadoras é uma “lei burra”.

“A Havan tem três turnos. Há um tempo, inventaram que mulheres não podem trabalhar dois domingos em seguida. O que tu consegues com isso? Tu vais ter que contratar mais homens”, reclamou o empresário, que quer que seus funcionários vivam pra trabalhar e trabalhem até morrer.

Hang construiu sua fortuna com o trabalho de milhares de pessoas, posa como defensor do Brasil, enquanto suas lojas ostentam um símbolo estadunidense. Agora, o empresário bolsonarista, patriota do tipo que bate continência para a bandeira dos EUA, mostra, mais uma vez, que a única pátria dos patrões é o lucro.

O fim da escala 6x1 é uma reivindicação elementar diante da superexploração que marca a vida de milhões de trabalhadores no comércio, nos serviços, nos supermercados, nos shoppings, nos aplicativos e em tantos outros setores. Reduzir a jornada sem reduzir salários é uma medida mínima frente aos lucros bilionários de empresas como a Havan.

Enquanto isso, a aprovação na Câmara não acaba ainda com a 6x1. O texto aprovado pelos deputados rebaixou a proposta original e prevê apenas a redução para 40 horas semanais, com transição, deixando de fora a jornada de 36 horas que daria forma real à escala 4x3. E não está nada garantido do Senado, tem que será aprovada a mudança e nem que ela pode piorar, apesar da demagogia da extrema-direita. Por isso, é preciso exigir que a CUT, a CTB e as demais centrais sindicais rompam a passividade diante do Congresso e convoquem uma greve geral para garantir o fim imediato da escala 6x1, sem transição, com redução da jornada para 36 horas semanais, na escala 4x3, sem redução salarial.

•        A vitória histórica de Lula e o fim da escala 6x1: um novo país é possível

A aprovação da proposta que regulamenta a jornada de trabalho 5x2, revogando a cruel escala 6x1, inscreve-se como uma dessas raras medidas que são um divisor histórico.

Não se trata de um mero ajuste legislativo, mas de um desbravamento de novas possibilidades de vida para uma imensa massa trabalhadora.

Especialmente para os trabalhadores mais humildes, aqueles descamisados sempre referidos por Leonel Brizola, de quem quase ninguém se lembra.

Os homens e mulheres de ofícios sacrificados, da limpeza, da construção, do comércio, dos serviços, finalmente veem a promessa de um descanso que não seja apenas o sono apressado antes de mais seis dias de exaustão.

É uma grande medida criadora de um novo tempo, um resgate da linha evolutiva do reconhecimento dos direitos humanos do trabalho, há muito interrompida por décadas de retrocesso.

Com essa lei, o presidente Lula ombreia-se a Getúlio Vargas, o criador da CLT, o modernizador do Brasil.

Assim como houve um antes e um depois de Getúlio na consolidação dos direitos trabalhistas, instala-se agora um antes e um depois de Lula na história do trabalho no país.

Ambos tiveram de romper resistências heroicas, enfrentar as mesmas forças que sempre se opuseram aos trabalhadores.

Ambos foram visionários que não apenas anteviram, mas arriscaram concretamente suas vidas em defesa da ideia de que um mundo melhor é possível, recusando a omissão confortável que paralisa tantos governos.

Lula viu contra si os velhos adversários de sempre, mas usou com sagacidade os espaços abertos pelo ano eleitoral para costurar uma esmagadora maioria pluripartidária.

Foram 472 votos a favor e apenas 22 contra, na primeira votação, confirmada em seguida.

O governo, longe de estar fraco, isolado ou à beira do colapso, como apregoavam os diagnósticos politicamente interessados, mostrou-se capaz de criar consenso inédito em torno de uma mudança estruturante.

A jornada diminui, sem perda de salário.

O trabalhador ganha mais tempo para o descanso, a família, o lazer e a cultura.

Haverá aumento relativo da renda disponível e, consequentemente, do consumo.

Desabam fragorosamente as narrativas interessadas de um governo paralisado, inviável, à beira do colapso.

A articulação política do Planalto, tão injustamente demonizada, demonstrou que é possível, mesmo numa correlação de forças numericamente adversa no Parlamento, promover transformações amplas.

Constrói-se nesse episódio uma aliança do Executivo com o Legislativo, na expectativa de que a proposta venha a ser aprovada também no Senado.

Trabalhadores e sindicatos, depois de anos de recuos e de verem seus direitos esgarçados, impuseram finalmente sua antiga reivindicação.

Que esse resgate da voz do movimento sindical (berço político onde o presidente se forjou) se dê em meio a uma conjuntura muito difícil, após anos de desmonte do arcabouço legal de proteção ao trabalho, só aumenta a relevância da conquista.

Foi preciso ler com sagacidade a janela criada pelo calendário eleitoral. Além da redução da escala, o governo aprovou muitas outras medidas transformadoras, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil (com redução efetiva para a faixa de até R$ 7.350), a ampliação de vários programas sociais e a primeira fase da reforma tributária.

Mudanças tão amplas, numa situação de correlação de forças no Congresso tão desfavorável, só foram possíveis graças às virtudes únicas do presidente Lula: sua capacidade de unir pressão, negociação e diálogo para, a despeito dos céticos, cínicos e opositores, transformar o país.

Lula não apenas governa; ele cria época.

E os trabalhadores, sobretudo os mais humildes, podem enfim dizer que têm um presidente que se lembra primordialmente de quem suja as mãos.

•        “O Brasil entra em sintonia com o mundo civilizado”, diz Alencar Santana sobre redução da jornada

O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), que preside a comissão especial que analisou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala 6x1, afirmou que o Brasil está próximo de viver uma mudança histórica nas relações de trabalho com o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução gradual da jornada semanal. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, o parlamentar destacou a importância dessa reivindicação história para a classe trabalhadora.

Alencar Santana destacou que o avanço da proposta ocorreu após reuniões entre lideranças da Câmara dos Deputados e o presidente Lula e integrantes do governo. Segundo ele, participaram das negociações o presidente da Câmara, Hugo Motta, o relator Léo Prates, os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e Relações Institucionais, José Guimarães.

O deputado classificou a medida como uma resposta à mobilização popular em defesa de melhores condições de trabalho e afirmou que o país passa a acompanhar tendências internacionais de redução da jornada.

“O Brasil entra em sintonia com o mundo civilizado, que já reduziu sua jornada de trabalho, da mesma maneira que alguns países da América Latina também estão reduzindo”, declarou.

Segundo o parlamentar, o texto prevê o fim da escala 6x1 já em 2026, caso seja sancionado. “Em linhas gerais, a escala 6x1 acaba em 2026, acabou. Basta, chega dessa escala tão exaustiva e tão exploratória, tão desgastante para a saúde do trabalhador”, afirmou.

O parlamentar explicou que a redução da jornada ocorrerá de forma gradual. Pela proposta discutida na Câmara que vai para análises do Senado, a carga horária semanal cairá de 44 para 42 horas em 2026, sessenta dias após a promulgação da PEC. Em 2027, haverá nova redução para 40 horas semanais.

“A partir de 2026, sessenta dias após a promulgação da PEC, o trabalhador brasileiro trabalhará somente quarenta e duas horas semanais”, explicou.

Alencar Santana também rebateu críticas de setores empresariais e garantiu que a proposta não permitirá redução salarial.

“No texto constitucional nós também vamos deixar expresso que não pode ter redução salarial”, enfatizou.

De acordo com ele, empresas que descumprirem as regras poderão ser fiscalizadas e punidas pelo Ministério do Trabalho.

“Tem mecanismo de fiscalização por parte do Ministério do Trabalho para punir essas empresas que porventura tentarem burlar essa conquista histórica do nosso trabalhador”, acrescentou.

<><> Jovens e mulheres

O deputado ressaltou ainda que mulheres e jovens devem ser os grupos mais beneficiados pela mudança na jornada de trabalho. Segundo ele, a redução permitirá mais tempo para convivência familiar, estudo e lazer.

“Para a mulher, que é uma carga muito exaustiva, até porque ela tem uma carga muitas vezes maior fora do seu ambiente de trabalho também, vai ter mais tempo para a sua família”, declarou.

Sobre os jovens, afirmou: “Para a nossa juventude também poder estudar e se preparar mais e melhor e curtir a vida plenamente”.

Durante a entrevista, Alencar Santana também comentou o cenário político nacional e afirmou que a extrema-direita enfrenta desgaste diante das investigações sobre o caso Banco Master envolvendo o banqueio Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados.

“A verdade aparece e a extrema-direita vai derretendo”, disse o parlamentar que citou ainda o deputado Mário Frias e Eduardo Bolsonaro ao comentar denúncias relacionadas ao chamado caso “BolsoMaster”.

“Agora o Frias está enrolado em outra rachadinha no mandato, por isso que a bancada do PT já representou contra ele na Procuradoria da República para que seja investigado e punido, se assim comprovado”, afirmou.

 

Fonte: Esquerda Diário/Brasil 247

 

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