O
desgaste de Rodrigo Paz e a reorganização do campo popular na Bolívia
Rodrigo Paz não cumpriu os
compromissos eleitorais (como não privatizar nem se endividar com o Fundo
Monetário Internacional (FMI)), razão pela qual uma fração importante do campo
popular o apoiou no segundo turno eleitoral de 2025; esse respaldo nas urnas
não foi um cheque em branco, mas, em boa parte, a definição pelo mal menor
diante da possibilidade de que “Tuto” Quiroga — a direita mais radical — se
tornasse presidente.
Também
decepcionou seu eleitorado ao distanciar-se de seu vice-presidente, Edman Lara,
que era visto por boa parte do campo popular como a ponte do Governo com esses
setores. Paz chegou a aprovar um decreto que o habilitava a governar
remotamente quando estivesse fora do país e retirou atribuições constitucionais
do vice-presidente. O campo popular recebeu isso como um sinal claro: Lara
ficava encurralado pelo Governo.
Depois
de sua vitória, aliou-se às opções eleitorais derrotadas na disputa, como
Samuel Doria Medina, e àqueles que haviam apoiado Quiroga no segundo turno,
como o setor agroindustrial, o grande empresariado e tecnocratas das finanças.
Seu gabinete, de fato, é formado por representantes desses grupos de poder.
Isso se
refletiu nas primeiras medidas adotadas ao chegar à Presidência, como a
eliminação do imposto sobre as grandes fortunas e a aprovação do Decreto 5503 — pelo qual se
pretendia reinstalar o neoliberalismo na Bolívia —, ou a mais recente Lei 1720, que pretendia
converter a pequena propriedade agrária em média ou empresarial, possibilitando
a concentração da propriedade da terra no país.
Por
outro lado, a ineficiência governamental ficou evidente em um tema sensível
para a população, como o dos combustíveis. Embora Paz tivesse se comprometido a
restabelecer o fluxo normal de combustível desde o primeiro dia de seu Governo,
nesses seis meses não apenas foram detectadas irregularidades no preço de
importação de diesel e gasolina, como também a má qualidade do combustível
destruiu os motores de milhares de veículos de transporte público, de
particulares e de pequenos transportadores privados, como os mototaxistas. Paz
não cumpriu até o momento sua promessa de ressarcimento dos danos.
As
demonstrações de ineficiência do Governo e os fatos que vinculam várias de suas
autoridades à corrupção são numerosos e minaram a credibilidade do Governo de
forma acelerada. Entre eles destacam-se: i) a transferência irregular de 32
maletas dos EUA em um voo fretado por uma ex-deputada do partido de Luis
Fernando Camacho (sócio político de Paz).
Esse
fato é investigado por suspeita de tráfico de substâncias controladas e
divisas, pois não houve controle alfandegário; ii) a disposição de anular a
validade de algumas séries de cédulas depois do acidente de um avião da Força
Aérea boliviana que transportava moeda nacional. Esse fato afetou aqueles que
possuíam cédulas dessas séries, porque não podem utilizá-las.
Tampouco
se sabe a quantidade de dinheiro que transportava o avião nem a cobertura dos
seguros; iii) o desaparecimento do conteúdo de cofres apreendidos do
narcotraficante uruguaio Marset após sua detenção na Bolívia; e iv) a detecção,
no Chile, de 68 toneladas de substâncias controladas impregnadas em madeira
pertencentes a uma empresa vinculada ao ministro do Desenvolvimento Produtivo.
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Um Governo sem estrutura política
Paz
chegou ao Governo com uma sigla emprestada, o Partido Democrata Cristão (PDC),
e desde o início de seu mandato esse espaço começou a se fragmentar. Por
exemplo, a bancada na Assembleia Plurinacional dividiu-se em pelo menos três
setores: os que respondem a Paz, os leais a Lara e os que fazem parte da
estrutura do partido. Apesar de ter tentado, por meio de manobras irregulares
no Tribunal Superior Eleitoral, criar sua própria estrutura reativando o
Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), partido de seu pai, Jaime Paz,
depois de quase 20 anos sem participar de processos eleitorais, não conseguiu
apresentar-se com essa sigla nas últimas eleições subnacionais.
O
presidente tampouco conseguiu acordos na Assembleia Legislativa com a aliança
LIBRE, que se autodefiniu como oposição ao Governo. Embora tenha praticamente
um cogoverno com a Aliança Unidade, de Samuel Doria Medina, e proximidade com
Manfred Reyes Villa — que possui uma bancada menor no Legislativo —, o Governo
não aprovou na Assembleia nenhum dos projetos anunciados.
Por
exemplo, durante o “Grande Encontro Nacional”, organizado pelo Governo na
cidade de Cochabamba em 9 de maio, em meio à atual crise política, Rodrigo Paz
anunciou um pacote de dez leis: lei da eletricidade, lei de investimentos, lei
dos hidrocarbonetos, lei da mineração, lei da economia verde, lei do
empreendedor boliviano, lei eleitoral, lei de reforma da Justiça, lei de
segurança nacional e lei de redução do Estado e da burocracia.
O
presidente anunciou, também em pleno desenvolvimento da atual crise política, a
criação de uma comissão de reforma constitucional. Para levar adiante uma
reforma parcial da Constituição é necessária a aprovação de dois terços do
Legislativo; Paz não pode obter o apoio dessa quantidade de parlamentares sem
um acordo com Tuto Quiroga.
O
Governo tomou a decisão política de apresentar candidatos nas eleições
subnacionais, prescindindo da sigla que o levou à Presidência e mantendo
distância de seus opositores de direita. Tinha a pretensão de transformar o
recente triunfo das eleições gerais em controle territorial. No entanto,
ocorreu justamente o contrário.
O
Governo venceu apenas em nove governos departamentais do país, e o outro
governador apoiado por Paz (Luis Revilla), que foi empossado no departamento de
La Paz, carrega uma pesada carga de ilegitimidade, porque não se realizou o
segundo turno eleitoral nesse departamento. Dos dez principais municípios do
país, venceu em apenas um deles.
Como
resultado do confronto eleitoral, o Governo postergou a consolidação de
alianças, enquanto, na atual crise política, seus opositores de direita se
afastam, em alguns casos exigindo abertamente que seja decretado estado de
sítio (Comitê Cívico de Santa Cruz) e, em outros, pedindo uma profunda
reestruturação do Órgão Executivo.
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Os triunfos do campo popular apesar da proscrição eleitoral
Entre
dezembro do ano passado e janeiro de 2026, o campo popular, a partir da
convocação da Central Operária Boliviana (COB) e da ação conjunta do setor
indígena originário camponês, conseguiu derrubar o Decreto 5503.
Isso
significou interromper, a menos de dois meses do início da gestão, a
reinstalação de políticas neoliberais. Embora os mobilizados tenham aceitado a
necessidade da retirada parcial do subsídio aos combustíveis, deixaram claro
que não aceitam as privatizações das empresas públicas nem o desfinanciamento
da educação e da saúde públicas. Mas, e isso é fundamental, foi o início da
construção de uma agenda comum de resistência por parte do campo popular.
Em 10
de abril passado, o Governo promulgou a Lei 1720 de conversão da pequena
propriedade agrária. Dois dias antes, partiu uma marcha composta por indígenas
e camponeses dos departamentos de Beni e Pando rumo à cidade de La Paz.
Marcharam durante 29 dias e fizeram vigília às portas da Assembleia Legislativa
por outros 15 dias até conseguir a revogação da norma.
Com
essa mobilização, freou-se a reconcentração da propriedade da terra na Bolívia,
embora a vitória não tenha caráter permanente, uma vez que, no momento de
aceitar a revogação da lei, os representantes do agronegócio (como Branko
Marinkovic) no Parlamento anunciaram que voltarão a apresentar uma proposta de
lei em 60 dias.
A atual
mobilização na Bolívia teve como estopim inicial a promulgação da Lei 1720, mas
também teve outras exigências desde o início. Em março, a Central Operária
Boliviana apresentou suas reivindicações de 2026 ao Governo, que incluem
aumento salarial de 20% (equivalente à perda do poder de compra dos
trabalhadores), manutenção de direitos adquiridos como os bônus, repúdio a
qualquer projeto de lei que penalize as manifestações sociais e outras demandas
setoriais.
Dez
dias depois, o Governo enviou uma resposta à COB, descartando o aumento
salarial, argumentando que o Decreto 5516 já havia elevado o salário mínimo de
2.750 para 3.300 bolivianos (algo mais de 50 dólares pelo câmbio paralelo
atual).
A COB,
em um conselho municipal convocado em 1º de maio em El Alto, decidiu convocar
greve nacional por tempo indeterminado, exigindo que 100% dos dólares
provenientes das exportações de empresas privadas sejam entregues ao Banco
Central da Bolívia, que seja aprovado um aumento salarial que recomponha o
poder de compra dos trabalhadores, que não sejam implementadas estratégias de
privatização, que não sejam aplicados cortes orçamentários às empresas estatais
nem medidas de flexibilização trabalhista, e que não haja medidas tributárias
que afetem os pequenos comerciantes (em regime simplificado), entre outras
demandas.
O
Governo, em vez de convocar a COB para mesas de negociação, optou por tentar
fragmentar os trabalhadores, promovendo diálogos setoriais, emitindo ordens de
prisão contra o principal dirigente da COB (Mario Argollo), além de outros
dirigentes camponeses, e criminalizando o protesto social.
A
mobilização que começou com mais força no altiplano boliviano e teve como
epicentro inicial o departamento de La Paz foi se espalhando com forte apoio do
setor camponês até alcançar mais de 50 pontos de bloqueio em sete dos nove
departamentos do país. O Governo respondeu com repressão de forças conjuntas da
Polícia e das Forças Armadas, o que gerou mais de 150 detidos, dezenas de
feridos e pelo menos duas pessoas mortas, segundo as organizações sociais
mobilizadas. Simultaneamente, a exigência passou a ser a renúncia de Rodrigo
Paz.
Essa
mobilização teve até o momento uma conquista central: a reorganização do campo
popular, que constrói as alianças mais importantes durante a luta, e não apenas
nos períodos eleitorais. Essa mobilização está restabelecendo as alianças entre
os setores indígenas aimará e quíchua, entre operários (mineiros e
trabalhadores industriais), professores, camponeses, jovens universitários e
uma ampla gama de espaços, com a possibilidade de voltar a consolidar um bloco
popular unificado e sólido para retomar o horizonte histórico e impedir as
privatizações, o saque dos recursos naturais e que o custo da crise seja pago
pelos mais pobres.
¨ Organizações na
Bolívia continuam protestos e exigem renúncia de Rodrigo Paz
As
organizações agrupadas na Central Operária Boliviana (COB), juntamente com
movimentos sociais e camponeses, continuaram seus protestos e bloqueios em
diferentes regiões da Bolívia na segunda-feira (01/06) contra as medidas neoliberais
do governo Rodrigo Paz, após rejeitarem unanimemente o apelo do Executivo ao
diálogo no dia anterior, durante uma reunião nacional ampliada.
Em
apoio à medida, uma marcha maciça de trabalhadores percorreu 25 quilômetros da
cidade de El Alto até as proximidades da Plaza Murillo, sede dos poderes
públicos em La Paz, para exigir a renúncia de Paz e expressar sua rejeição à
tentativa de restaurar o Estado neocolonial.
Organizações
operárias denunciam uma campanha de perseguição judicial, evidenciada
pelo mandado de prisão em
aberto contra seu principal líder, Mario Argollo, que o Judiciário se
recusou a suspender.
Por
esse motivo, organizações populares mantêm 80 bloqueios de estradas em seis dos
nove departamentos do país, com a maior concentração em Cochabamba, onde
existem 32 bloqueios, e 19 em La Paz, de acordo com dados da Administração
Rodoviária Boliviana.
do
transporte terrestre causou grave
escassez de alimentos e aumento de preços em La Paz e El Alto. Da mesma forma, a
falta de gasolina por seis dias consecutivos provocou protestos de centenas de
motoristas que esperavam em filas há até quatro dias, bloqueando o trânsito de
forma independente para exigir o fornecimento imediato de combustível.
A
tensão social, que já dura mais de 30 dias, intensificou-se depois que a
Assembleia Legislativa, controlada pela direita (93%), anulou a lei que
limitava a declaração de estado de emergência. Essa medida deu carta branca ao
Poder Executivo para mobilizar as Forças Armadas na repressão aos protestos
sociais, apesar da resistência da Central Sindical Boliviana e de outros
sindicatos, organizações e movimentos sociais mobilizados.
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Diálogo interrompido e a defesa do governo
Os
esforços de mediação empreendidos em conjunto pela Igreja Católica, a
Vice-Presidência do Estado e o Provedor de Justiça estão paralisados.
O
Gabinete do Provedor de Justiça emitiu um alerta afirmando que a linguagem
confrontativa, as ameaças e os insultos utilizados por vários porta-vozes do
governo estão a minar qualquer possibilidade de reaproximação com a liderança
sindical e dos transportes.
Enquanto
as principais cidades do país sofrem com grave escassez de alimentos,
combustível e suprimentos médicos essenciais em centros de saúde pública, o
governo de Rodrigo Paz defendeu a validade de suas medidas impopulares.
O Poder
Executivo declarou que os mecanismos de exceção constitucional constituem o
último recurso democrático para preservar a ordem interna, argumentando que as
mesas de negociação com os setores em conflito estão completamente esgotadas
devido à intransigência das reivindicações políticas dos manifestantes.
¨ Eleições no Peru:
Sánchez anuncia programa de governo que 'capta voz dos excluídos'
O candidato à presidência do Peru,
Roberto Sánchez,
apresentou nesta segunda-feira (01/06) seu novo programa de governo, intitulado
“Prioridades Estratégicas para a Governança e o Desenvolvimento Equitativo da
Nação Peruana: 2026-2031”.
O
documento é fruto de um consenso entre sua coligação, Juntos pelo Peru (JP), os partidos
progressistas Alianza Venceremos, Ahora Nación, Obras e Primero la Gente, além
da Plataforma para a Democracia, que reúne diversas organizações políticas e
sociais.
Apresentado
como um plano que capta a voz dos excluídos, o documento identifica quatro
problemas principais: desigualdade, corrupção institucionalizada, criminalidade
e abuso de poder, que devem ser resolvidos por meio de mudanças urgentes
implementadas com a força do povo organizado.
A
apresentação ocorre seis dias antes do segundo turno das eleições
presidenciais, no qual o líder do JP enfrentará a candidata de extrema-direita
Keiko Fujimori, da Força Popular (FP). Durante o evento público, Sánchez
apresentou uma equipe técnica com mais de 100 especialistas de diversas áreas,
encarregada de avaliar a viabilidade da plataforma proposta.
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Programa de governo
O plano
unifica os critérios das forças signatárias, quatro das quais eram rivais do JP
no primeiro turno das eleições, em 12 de abril. Sánchez afirmou que o objetivo
comum é fazer o país avançar após derrotar a FP, organização que ele acusou de
minar as instituições democráticas ao governar a partir do Parlamento.
O
candidato indicou que o documento reflete a voz das comunidades excluídas que
não se sentem representadas pelo Estado.
A
ex-ministra da Mulher, Anahí Durand afirmou que a aliança possui uma equipe
multidisciplinar preparada para enfrentar o fujimorismo, que ela descreveu como
uma “máfia criminosa”.
Entre
os especialistas apresentados estão os ex-ministros Manuel Rodríguez (Relações
Exteriores), Pedro Francke (Economia e Finanças), Hernando Cevallos (Saúde) e
Walter Ayala (Defesa); o ex-vice-ministro da Fazenda Gustavo Guerra García; os
ex-presidentes do Banco Central Óscar Dancourt e do Supremo Tribunal Duberlí
Rodríguez, e o ex-procurador anticorrupção José Domingo Pérez.
O
diagnóstico do documento enfatiza que o enfrentamento desses quatro pontos é
prioritário para atender às necessidades da população, exigindo mudanças
urgentes implementadas por meio do poder das comunidades organizadas nas ruas,
bairros, áreas rurais e locais de trabalho.
O
programa também propõe um “Acordo de Governança” para implementar reformas e políticas urgentes, desenvolvidas por
meio da participação cidadã, do diálogo social e da fiscalização popular.
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Roberto Sánchez e Keiko Fujimori participaram do último debate antes das
eleições no Peru
Os
candidatos à Presidência do Peru, Keiko Fujimori (Fuerza Popular) e Roberto Sánchez (Juntos por el Perú), participaram neste
domingo (31/05), no Centro de Convenções de Lima, do último debate antes do
segundo turno eleitoral que acontece no próximo dia 7.
Filha
do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko disputa a Presidência pela quarta vez
e venceu o primeiro turno, ocorrido em 12 de abril, com 17% dos
votos.
Sánchez, candidato de esquerda e aliado do ex-presidente Pedro Castillo, obteve
12% dos votos.
A
eleição ocorre em meio à forte instabilidade política e é marcada pelo atraso
de mais de um mês do resultado eleitoral do primeiro turno. Desde 2016, o Peru
teve oito presidentes, a maioria destituída ou renunciante em meio a escândalos
de corrupção. O país também enfrenta uma grave crise de segurança ligada ao
avanço do crime organizado.
O
resultado eleitoral do primeiro turno teve mais de 15 mil contestações. As
revisões foram solicitadas por erros ou omissões no registro de votos e o
resultado do pleito anunciando mais de um mês após as votações. Ao menos ao menos
106 atas de urnas foram recontadas.
Além
disso, o Ministério Público peruano solicitou uma
pena de prisão de cinco anos e quatro meses para Sánchez, alegando que
ele teria fornecido supostas informações falsas ao Escritório Nacional de
Processos Eleitorais (ONPE) sobre contribuições de campanha entre 2018 e 2020.
>>>>
Roberto Sánchez
Durante
o debate, Sánchez focou suas críticas ao sistema político do país e criticou o
papel desempenhado pelo fujimorismo na instabilidade institucional peruana. Ele
afirmou que seu projeto representa os trabalhadores e criticou a reestruturação
do Estado sem consulta popular, defendendo justiça para as vítimas dos
protestos ocorridos durante o governo da ex-presidente Dina
Boluarte.
O
candidato da esquerda também defendeu a democracia, em particular, o direito do
povo peruano ao referendo popular. “O povo precisa do direito a um referendo, e
apelamos a todas as forças democráticas patrióticas para que recuperem esse
direito”, afirmou. Segundo ele, a medida fortaleceria a participação cidadã e
contribuiria para o equilíbrio entre os poderes do Estado.
Seu
programa de governo prevê a elevação do salário mínimo dos atuais 1.130 soles
para 1.500 soles e a transferência de recursos diretamente para centros
populacionais menores, além da recuperação da soberania sobre os recursos
nacionais. Em sua fala, ele garantiu a manutenção da autonomia do Banco Central
de Reserva (BCR), assegurando a permanência de seu atual presidente, Julio
Velarde.
Sánchez
também anunciou a criação de uma Polícia de Investigações como instrumento de
combate à criminalidade, com fortalecimento da participação peruana nos
organismos interamericanos de direitos humanos.
>>>>>
Keiko Fujimori
Keiko é
filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o Peru
entre 1990 e 2000 e permaneceu preso por 16 anos por crimes relacionados a
violações de direitos humanos. Ele foi libertado em 2023 e faleceu em 2024,
deixando um legado de prisão e desaparecimento de civis peruanos, além da
deterioração das finanças nacionais.
Durante
o debate, a candidata afirmou que “os direitos humanos não se defendem apenas
olhando para o passado para condenar as feridas que o país não deve repetir.
Defendem-se também olhando para o presente e o futuro dos 34 milhões de
peruanos”. Em sua participação no debate, a candidata da direita peruana
defendeu a Constituição de 1993 de Fujimori e prometeu restabelecer a ordem no
país.
Ela
afirmou que o Peru precisa retomar o caminho da estabilidade econômica que
permitiu a milhões de famílias saírem da pobreza. “Quando havia estabilidade e
emprego, milhões de famílias conseguiram escapar da pobreza; precisamos retomar
esse caminho. Queremos um Peru onde as pessoas possam trabalhar”, disse.
Ela
também defendeu a ordem e a segurança. “Nosso país precisa de ordem. Ordem
significa frango mais barato, botijões de gás acessíveis, saber que você pode
ir trabalhar e voltar para casa em segurança”, afirmou.
Seu
programa de governo prevê o endurecimento do combate à criminalidade, com a
presença policial no transporte público, criação de unidades de prisão e
reforço do controle das fronteiras pelas Forças Armadas. “Os presos terão que
trabalhar para conseguir comida”, afirmou.
Fonte:
Diálogos do Sul Global/Opera Mundi

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