Refogado
de alho, cebola e tomate pode previnir a diabetes, diz estudo
Uma
receita que junta cebola, alho e tomate refogados no azeite de oliva, conhecida
como sofrito, é destaque em um estudo recém-publicado no periódico científico
Nutrients, realizado por pesquisadores de universidades do Equador, da
Argentina e dos Estados Unidos. A análise conclui que adotar esse preparo, que
serve de base para diversas receitas, tem relação com a redução do risco de
diabetes tipo
Participaram
do estudo 1.373 voluntários do Equador, que responderam a questionários sobre
estilo de vida, histórico de diabetes, taxas de glicemia, medida do Índice de
Massa Corporal (IMC), de circunferência abdominal, entre outros parâmetros. Os
autores também mensuraram a adesão a uma dieta nos moldes da Mediterrânea,
avaliando a ingestão de hortaliças, frutas, leguminosas, grãos integrais,
castanhas e azeite.
“O
estudo demonstra que elementos específicos desse padrão alimentar, com destaque
para o consumo de frutas e uso do sofrito, têm impacto protetor”, comenta a
nutricionista Priscila Santana Amad, do Einstein Hospital Israelita.
No
artigo, são mencionados os compostos bioativos encontrados na receita. O tomate
oferece o licopeno, um pigmento da família dos carotenoides, de potente ação
antioxidante. No azeite, na cebola e no alho são encontrados os polifenóis,
fitoquímicos que também contribuem para reduzir o estresse oxidativo e ainda
apresentam efeitos anti-inflamatórios. Todos esses ingredientes reunidos atuam
em sinergia, favorecendo o metabolismo da glicose, a ação da insulina e, dessa
forma, podem auxiliar na proteção das células pancreáticas.
“O
sofrito pode ser considerado um dos elementos emblemáticos da Dieta
Mediterrânea tradicional, especialmente entre os espanhóis”, conta a
nutricionista Juliana Watanabe, que tem mestrado sobre esse padrão alimentar
pela Universidade Internacional de Valência, na Espanha.
O
refogado serve de base para pratos típicos como paella, mas também entra na
receita de guisados, cozidos e ensopados.
Lembrando,
porém, que a dieta mediterrânea vai muito além do cardápio; trata-se de um
estilo de vida: celebra a cultura dos povos, engloba atividade física, lazer,
descanso, interações sociais e os cuidados com o planeta e a espiritualidade.
“Também
valoriza a culinária, a comida feita em casa, os ingredientes frescos e
sazonais e os preparos simples”, diz Watanabe, que é chef de cozinha.
Para
Amad, o estudo ajuda a enaltecer o prazer de cozinhar, além de reforçar que a
forma como preparamos os ingredientes é tão importante quanto o alimento em si.
“Cozinhar
exige tempo e cuidado; trata-se do ‘tempo para a comida’, um dos pilares da
saúde metabólica, que está se perdendo na correria urbana”, observa.
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Sofrito à brasileira
O
refogado mediterrâneo é muito parecido com o que aparece nas preparações do
cotidiano brasileiro, em geral feito com óleo, cebola e alho.
“Para
adaptá-lo e potencializá-lo, dá para substituir o popular óleo de soja pelo
azeite ou mesmo pelo óleo de canola, já que ambos suportam o calor moderado”,
ensina Priscila Amad.
Outra
dica é optar por cozimento em fogo baixo, pois o segredo do sofrito é permitir
que os compostos bioativos sejam liberados gradualmente.
“Exatamente
como se preparam os ensopados e molhos de longa cocção”, destaca a especialista
do Einstein.
E a
alimentação equilibrada não precisa ser cara ou exótica.
“Nosso
arroz e feijão, quando preparados com um refogado de alho e cebola, formam uma
excelente combinação de nutrientes”, aponta Amad.
Vale
priorizar o consumo de ingredientes da nossa biodiversidade e o que se encontra
na feira livre.
“Assim,
a dieta se torna sustentável tanto para o corpo quanto para o bolso”, destaca.
Lançar
mão de estratégias culinárias práticas, que cabem no cotidiano, também é
essencial. Grelhar, sem deixar torrar, saltear e preparar no vapor são opções
que preservam os nutrientes, sem perder o sabor.
Um dos
ensinamentos é apostar no planejamento, desde as compras até o congelamento dos
pratos.
“A
organização é fundamental, programando o que vai comer durante a semana e já
sair para o supermercado com uma lista definida”, sugere Watanabe.
Planejamento
na cozinha
Existe
um movimento conhecido como batch cooking, que envolve preparar as refeições da
semana em um só dia.
Além de
cozinhar e congelar, o processo engloba lavar, secar e guardar verduras,
legumes e frutas.
“Uma
sugestão é utilizar recursos simples do dia a dia, como a panela de pressão, o
forno, a air fryer, a panela de arroz e até os chamados robôs da cozinha,
utensílios modernos que permitem preparar várias receitas ao mesmo tempo”,
propõe a chef.
Também
é bom evitar frituras em imersão, o uso de temperos prontos, em pó e tabletes.
“Equilíbrio
é o encontro da ciência com a nossa cultura”, afirma Priscila Amad.
Fonte:
CNN Brasil

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