César
Fonseca: Terrorismo político da diplomacia da facada trumpista em Lula
A
perplexidade do governo brasileiro continua total diante do que aconteceu
semana passada na agressiva ação de política externa do bolsonarismo fascista
de agir em sintonia com o Secretário de Estado, Marco Rúbio, quanto a
considerar o PCC e o CV organizações terroristas, e não criminosas, de modo a
justificar possível intervencionismo imperialista no Brasil.
Ficou
claro: a manobra combinada de Rúbio com Flávio Bolsonaro, no sentido de o
Secretário de Estado americano abrir contato rápido, com o presidente Donald
Trump, do candidato brasileiro ultradireitista em oposição ao social democrata
Lula, significou desfecho surpreendente de armação política que já vinha faz
tempo costurada pela Casa Branca.
Não se
tratou de um anúncio de última hora, mas de algo antecipadamente preparado por
Rúbio, como chefe da diplomacia americana, usando aliado ideológico brasileiro,
Flávio Bolsonaro, para causar impacto político.
Foi um
lance típico de facada diplomática pelas costas, no governo Lula, que causou
sensação trepidante e constrangedora no experimentado Itamarati, treinado em
negociações políticas de longo curso.
A
perplexidade ficou explícita na reação do presidente, que aproveitou o encontro
político, no dia seguinte, no Rio de Janeiro, para fazer acusações violentas
contra o bolsonarismo fascista, que comemorava o feito diplomático externo, nos
Estados Unidos, como triunfo extraordinário da ultradireita.
O
Ministério das Relações Exteriores preparou nota oficial dura para falar do
encontro Trump-Flávio.
Havia,
na verdade, ocorrido o inusual, ou seja, gesto oposto à tradicional postura de
negociação adotada pela diplomacia brasileira, em sintonia com a radicalização
extemporânea do discurso lulista sobre o episódio causador de intensa
inquietação na cúpula governamental.
Ficou
claro que o mundo diplomático brasileiro não estava esperando pelo gesto do
governo americano anunciando decisão impactante na relação dos dois países
diante de encontro de Trump com representantes da oposição ao presidente Lula,
e não em comunicado ao próprio governo nacional.
IMPACTO
INTERNACIONAL
Flávio,
ao lado do presidente Trump, em posição de subordinação revelada em foto sob
suspeita de obra de inteligência artificial, esteve em encontro que não teria
durado mais de 10 minutos, nas cogitações vazadas da própria Casa Branca,
segundo se anunciou, causando repercussão imediata na imprensa internacional.
Tudo
soou como fato adredemente preparado, configurando ponto para a ultradireita
brasileira nos Estados Unidos.
Na
sequência, Flávio Bolsonaro, na Casa Branca, teria encontros mais prolongados
com o Secretário de Estado e outros integrantes da assessoria do presidente,
para completar o teatro político, cujo desfecho a direita e a ultradireita
tupiniquim comemoraram efusivamente.
Comportam
inúmeras apreciações políticas a ação diplomática da direita radical
bolsonarista, absorvida positivamente pelo presidente Trump, que não se
manifestou sobre o encontro com o candidato do PL.
O
silêncio do chefe da Casa Branca denotou conformidade dele para com a
articulação presumivelmente preparada pelo Secretário de Estado.
ENCONTRO
COM SUSPEITO DE RELAÇÃO COM O TERRORISMO
Primeiramente,
é de se destacar que o presidente dos Estados Unidos, antes de receber em
audiência um aliado político de ultra direita, encontrou com alguém que está
sendo investigado como notório corrupto pela Polícia Federal.
O crime
maior de Flávio, por ora, enquanto outras acusações não vêm à tona, é o de ter
se relacionado com o maior estelionatário financeiro da história do Brasil,
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso na PF, para pedir dinheiro,
cerca de R$ 130 milhões, destinados à realização do filme Dark Horse(O Azarão),
sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Casa
Branca, também, não cuidou de observar/investigar que, ao acusar o PCC e o CV
de organizações terroristas – e não meramente criminosas – estava diante de
alguém aliado de integrante do CV, no Rio de Janeiro, em eventos, amplamente
divulgados na imprensa.
Trump e
Marco Rúbio teriam passado batido quanto a receber, na Casa Branca, aliado de
milicianos, no Rio de Janeiro, praticantes do terror urbano, na ocupação de
territórios para impor práticas de banditismo e de atentado às instituições
democráticas?
Ou
seja, teve livre acesso ao Salão Oval aliado dos atores politicamente
terroristas que o governo americano busca combater!
O
governo Trump, ao não tomar as precauções necessárias em anunciar medida
punitiva ao CV e ao PCC, acusados por ele de organizações terroristas, não
praticou, ele mesmo, um ato diplomático terrorista, recebendo, na Casa Branca,
um aliado do terror, como o candidato do PL, Flávio Bolsonaro?
CONTRADIÇÃO
IMPERIALISTA FLAGRANTE
Trump e
Marco Rúbio, portanto, caíram em flagrante contradição: aceitaram o diálogo com
suspeito de alianças com organizações terroristas a pretexto de condenar
indiretamente o governo Lula, que considera o PCC e o CV apenas organizações
criminosas.
Nesse
sentido, o governo americano, se não se empenhar, agora, em colocar sob
suspeita Flávio Bolsonaro como candidato pretensamente apoiado por organização
terrorista, como se suspeita, diante de evidências concretas, estará apoiando,
abertamente, o terrorismo político eleitoral encarnado no bolsonarismo
fascista.
Lula,
por sua vez, depois de externar todo a sua indignação, acusando os filhos de
Bolsonaro como entreguistas, verdadeiros herdeiros de Silvério dos Reis, por
tentar vender a Pátria por 30 dinheiros em Washington, colocou-se como
estadista, no sentido de dar prosseguimento às relações com o governo Trump.
O
titular do Planalto, apesar da escorrega política trumpista, mostra-se
predisposto a seguir com relações diplomáticas com a Casa Branca na linha da
negociação entre duas nações soberanas.
O
presidente brasileiro deixou, em segundo plano, aparentemente, pelo menos, o
que se configurou, semana passada, como diplomacia da facada nas costas,
empreendida pela Secretaria de Estado dos Estados Unidos.
Houve
sintonia entre Trump e Rúbio nessa tormentosa ação diplomática americana, na
qual o bolsonarismo se revelou massa de manobra dos interesses americanos
contra o Brasil?
Trump,
aparentemente, revelou-se agente passivo, ao não se externar publicamente, além
de se deixar fotografar ao lado de Flávio Bolsonaro, enquanto todas as
suspeitas recaem sobre o sujeito oculto da armação, Marco Rúbio, que teria
engendrado a diplomacia da facada.
Ela, na
verdade, tinha sido armada há tempos com para colocar organizações criminosas,
como o PCC e CV, como organizações terroristas, de modo a viabilizar ações
americanas contra a soberania nacional.
DIPLOMACIA
IMPERIALISTA ATERRORIZA ECONOMIA
O fato
é que o mal que o governo brasileiro temia já está feito: PCC e CV, para
alegria dos bolsonaristas, são considerados, a partir de agora, pela Casa
Branca, organizações terroristas, alvo, portanto, da legislação
extraterritorial americana, capaz de interferir nos assuntos internos
brasileiros, com capacidade de desestabilizar a economia.
Os
reflexos sobre o sistema econômico como um todo são inevitáveis, especialmente,
sobre o sistema financeiro, acusado, pela própria Polícia Federal, de relações
de corrupção com o PCC e CV, organizações terroristas, alcançáveis, portanto,
pela legislação extraterritorial americana.
A
diplomacia brasileira, portanto, levou um choque, e a Faria Lima está em
polvorosa.
Terá de
ser mais esperta, para além da sua competente vocação para a negociação bem
intencionada, com os Estados Unidos: é fundamental, de agora em diante, prestar
mais atenção no perigo contido no alerta artístico, como Gilberto Gil, em
“Domingo no parque”, anuncia como o terror do confronto com o inimigo oculto:
“Olha a faca!”.
• Trump tenta conciliar acenos a radicais
e relação com Lula, dizem empresários
A
relação entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente Lula
(PT) volta a atravessar um período de tensão, em meio a gestos políticos de
Washington que repercutem diretamente no Brasil. Apesar do desgaste,
empresários com interlocução na alta administração dos Estados Unidos avaliam
que a relação entre Trump e Lula seguirá aberta, mesmo sob pressão da ala
republicana mais radical, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
A
decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho
como organizações terroristas já estaria definida há mais de três meses. A
avaliação de empresários é que a medida faz parte de uma nova fase da política
norte-americana para a América Latina, marcada por maior pressão sobre governos
e atores políticos da região.
A
leitura desses interlocutores é que a relação construída entre Trump e Lula
teria impedido que o anúncio fosse feito antes da visita do presidente
brasileiro à Casa Branca, em maio. Na visão deles, o canal direto entre os dois
chefes de Estado teria funcionado como fator de contenção em um momento
sensível da diplomacia bilateral.
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Foto com Flávio Bolsonaro é vista como gesto político
A
divulgação, na semana passada, de uma foto do senador e pré-candidato à
Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Trump foi interpretada por esse
grupo empresarial como uma concessão do presidente norte-americano ao núcleo
mais duro do Partido Republicano dentro de seu governo. Esse setor, descrito
como composto por falcões republicanos, teria interesse em influenciar o
cenário político brasileiro.
De
acordo com essa avaliação, o grupo seria representado pelo secretário de Estado
dos EUA, Marco Rubio, e buscaria criar situações favoráveis à família Bolsonaro
no Brasil. A foto de Flávio Bolsonaro com Trump, acompanhada do anúncio
relacionado à classificação das organizações, seria vista por esses
interlocutores como uma forma de atuação indireta sobre o processo eleitoral
brasileiro.
Empresários
avaliam ainda que esse núcleo republicano nunca teria aceitado plenamente a
aproximação entre Trump e Lula. Por isso, teria articulado para que Flávio
Bolsonaro aparecesse ao lado do presidente norte-americano pouco antes da
divulgação de uma decisão que já havia sido tomada anteriormente.
<><>
Trump teria feito aceno ao núcleo duro republicano
Na
interpretação desses empresários, Trump estaria tentando equilibrar sua relação
com Lula e, ao mesmo tempo, fazer gestos à ala mais radical de seu governo. A
presença de Flávio Bolsonaro em uma foto com o presidente dos Estados Unidos
teria servido a esse objetivo político, sem necessariamente romper a
interlocução diplomática com o governo brasileiro.
A
avaliação, no entanto, não é consensual. Um diplomata brasileiro discorda da
tentativa de suavizar o episódio e afirma que a situação deve ser analisada com
maior preocupação, sobretudo diante de uma nova medida unilateral do governo
norte-americano contra o Brasil.
<><>
Investigação comercial eleva tensão com o Brasil
A nova
fonte de desgaste é a conclusão de uma investigação comercial do governo Trump
contra o Brasil. O procedimento inclui críticas ao Pix e apresenta a proposta
de uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros, o que ampliaria a
pressão econômica dos Estados Unidos sobre o país.
Para o
diplomata brasileiro citado, o episódio coloca a relação bilateral em um
patamar semelhante ao vivido quando Trump ameaçou impor um tarifaço ao Brasil
sob o argumento de que Jair Bolsonaro (PL) estaria sendo perseguido pela
Justiça brasileira.
Apesar
dos canais de diálogo entre Lula e Trump, a sucessão de gestos políticos e
comerciais vindos de Washington mantém a relação entre os dois governos em
estado de alerta. A avaliação empresarial aposta na continuidade da
interlocução, enquanto setores da diplomacia brasileira veem a ofensiva
norte-americana como sinal de que a tensão permanece elevada.
• Piauí destaca em sua capa o
enfraquecimento de Flávio Bolsonaro
A
Revista Piauí destaca em sua capa nesta terça-feira (2) o enfraquecimento do
senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio ao
desgaste provocado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao
escândalo do Banco Master, e por pesquisas eleitorais que mostram o presidente
Lula (PT) ampliando vantagem na corrida presidencial de 2026.
A
edição 237 da piauí, referente ao mês de junho, traz uma ilustração de Flávio
Bolsonaro atrás de um vidro trincado. A capa aparece em um momento de pressão
crescente sobre o senador, cuja pré-candidatura ao Planalto passou a ser
associada a uma sequência de controvérsias políticas, econômicas e policiais.
O
episódio mais recente envolve a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, banqueiro
ligado ao Banco Master. Áudios e mensagens atribuídos ao senador indicam que
ele teria buscado recursos milionários para financiar Dark Horse, filme sobre
Jair Bolsonaro (PL). Flávio negou irregularidades e afirmou que se tratava de
uma iniciativa privada, sem oferta de contrapartidas ou benefícios indevidos.
As
revelações deram dimensão nacional ao caso porque Vorcaro é personagem central
de um grande escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. O banqueiro está
ligado a uma fraude estimada em cerca de R$ 12 bilhões, envolvendo fundos de
pensão e outros clientes.
O
desgaste se intensificou porque Flávio Bolsonaro havia negado proximidade com
Vorcaro, mas depois admitiu contatos relacionados à captação para o filme. O
senador teria pedido valores milionários para a produção audiovisual,
apresentada como parte da estratégia de construção política do bolsonarismo
para 2026.
A
pré-candidatura de Flávio foi lançada como tentativa de manter o campo
bolsonarista competitivo na disputa presidencial. No entanto, o caso Banco
Master passou a alimentar dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral, enquanto
setores da direita discutem alternativas para enfrentar Lula no próximo pleito.
Outro
ponto de tensão foi a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e sua
aproximação com Donald Trump. O senador defendeu que PCC e Comando Vermelho
fossem classificados pelos EUA como organizações terroristas, medida vista por
críticos como tentativa de interferência externa no debate brasileiro e como
ameaça à soberania nacional.
O
impacto político aparece também nas pesquisas. Levantamento Real Time Big Data
divulgado nesta semana mostrou Lula com 45% das intenções de voto em um cenário
de segundo turno, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos somaram 8%,
enquanto 7% não souberam ou não responderam.
O
resultado representa uma virada em relação à pesquisa anterior do mesmo
instituto. No início de maio, Flávio aparecia numericamente à frente, com 44%,
contra 43% de Lula, em empate técnico dentro da margem de erro.
A
tendência de distanciamento também foi registrada pelo Datafolha. Pesquisa
divulgada no dia 22 mostrou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro
turno, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 31%. A vantagem do presidente
chegou a nove pontos percentuais, acima da diferença registrada no levantamento
anterior.
No
cenário estimulado de primeiro turno, a distância entre os dois principais
polos políticos do país triplicou em relação à rodada anterior do Datafolha,
quando Lula tinha 38% e Flávio registrava 35%. O avanço do presidente ocorre no
mesmo período em que o senador enfrenta questionamentos sobre sua relação com
Vorcaro e sobre os efeitos do caso na reorganização da direita.
A capa
da piauí sintetiza esse momento político ao retratar Flávio Bolsonaro em uma
posição de desgaste público, cercado por fissuras simbólicas que remetem à
fragilidade de sua pré-candidatura. O enquadramento da revista reforça a
leitura de que o senador chega ao centro da disputa presidencial sob forte
pressão, em meio a escândalos, perda de fôlego eleitoral e incertezas dentro do
próprio campo bolsonarista.
Fonte:
Brasil 247

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