quarta-feira, 3 de junho de 2026

César Fonseca: Terrorismo político da diplomacia da facada trumpista em Lula

A perplexidade do governo brasileiro continua total diante do que aconteceu semana passada na agressiva ação de política externa do bolsonarismo fascista de agir em sintonia com o Secretário de Estado, Marco Rúbio, quanto a considerar o PCC e o CV organizações terroristas, e não criminosas, de modo a justificar possível intervencionismo imperialista no Brasil.

Ficou claro: a manobra combinada de Rúbio com Flávio Bolsonaro, no sentido de o Secretário de Estado americano abrir contato rápido, com o presidente Donald Trump, do candidato brasileiro ultradireitista em oposição ao social democrata Lula, significou desfecho surpreendente de armação política que já vinha faz tempo costurada pela Casa Branca.

Não se tratou de um anúncio de última hora, mas de algo antecipadamente preparado por Rúbio, como chefe da diplomacia americana, usando aliado ideológico brasileiro, Flávio Bolsonaro, para causar impacto político.

Foi um lance típico de facada diplomática pelas costas, no governo Lula, que causou sensação trepidante e constrangedora no experimentado Itamarati, treinado em negociações políticas de longo curso.

A perplexidade ficou explícita na reação do presidente, que aproveitou o encontro político, no dia seguinte, no Rio de Janeiro, para fazer acusações violentas contra o bolsonarismo fascista, que comemorava o feito diplomático externo, nos Estados Unidos, como triunfo extraordinário da ultradireita.

O Ministério das Relações Exteriores preparou nota oficial dura para falar do encontro Trump-Flávio.

Havia, na verdade, ocorrido o inusual, ou seja, gesto oposto à tradicional postura de negociação adotada pela diplomacia brasileira, em sintonia com a radicalização extemporânea do discurso lulista sobre o episódio causador de intensa inquietação na cúpula governamental.

Ficou claro que o mundo diplomático brasileiro não estava esperando pelo gesto do governo americano anunciando decisão impactante na relação dos dois países diante de encontro de Trump com representantes da oposição ao presidente Lula, e não em comunicado ao próprio governo nacional.

IMPACTO INTERNACIONAL

Flávio, ao lado do presidente Trump, em posição de subordinação revelada em foto sob suspeita de obra de inteligência artificial, esteve em encontro que não teria durado mais de 10 minutos, nas cogitações vazadas da própria Casa Branca, segundo se anunciou, causando repercussão imediata na imprensa internacional.

Tudo soou como fato adredemente preparado, configurando ponto para a ultradireita brasileira nos Estados Unidos.

Na sequência, Flávio Bolsonaro, na Casa Branca, teria encontros mais prolongados com o Secretário de Estado e outros integrantes da assessoria do presidente, para completar o teatro político, cujo desfecho a direita e a ultradireita tupiniquim comemoraram efusivamente.

Comportam inúmeras apreciações políticas a ação diplomática da direita radical bolsonarista, absorvida positivamente pelo presidente Trump, que não se manifestou sobre o encontro com o candidato do PL.

O silêncio do chefe da Casa Branca denotou conformidade dele para com a articulação presumivelmente preparada pelo Secretário de Estado.

ENCONTRO COM SUSPEITO DE RELAÇÃO COM O TERRORISMO

Primeiramente, é de se destacar que o presidente dos Estados Unidos, antes de receber em audiência um aliado político de ultra direita, encontrou com alguém que está sendo investigado como notório corrupto pela Polícia Federal.

O crime maior de Flávio, por ora, enquanto outras acusações não vêm à tona, é o de ter se relacionado com o maior estelionatário financeiro da história do Brasil, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso na PF, para pedir dinheiro, cerca de R$ 130 milhões, destinados à realização do filme Dark Horse(O Azarão), sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Casa Branca, também, não cuidou de observar/investigar que, ao acusar o PCC e o CV de organizações terroristas – e não meramente criminosas – estava diante de alguém aliado de integrante do CV, no Rio de Janeiro, em eventos, amplamente divulgados na imprensa.

Trump e Marco Rúbio teriam passado batido quanto a receber, na Casa Branca, aliado de milicianos, no Rio de Janeiro, praticantes do terror urbano, na ocupação de territórios para impor práticas de banditismo e de atentado às instituições democráticas?

Ou seja, teve livre acesso ao Salão Oval aliado dos atores politicamente terroristas que o governo americano busca combater!

O governo Trump, ao não tomar as precauções necessárias em anunciar medida punitiva ao CV e ao PCC, acusados por ele de organizações terroristas, não praticou, ele mesmo, um ato diplomático terrorista, recebendo, na Casa Branca, um aliado do terror, como o candidato do PL, Flávio Bolsonaro?

CONTRADIÇÃO IMPERIALISTA FLAGRANTE

Trump e Marco Rúbio, portanto, caíram em flagrante contradição: aceitaram o diálogo com suspeito de alianças com organizações terroristas a pretexto de condenar indiretamente o governo Lula, que considera o PCC e o CV apenas organizações criminosas.

Nesse sentido, o governo americano, se não se empenhar, agora, em colocar sob suspeita Flávio Bolsonaro como candidato pretensamente apoiado por organização terrorista, como se suspeita, diante de evidências concretas, estará apoiando, abertamente, o terrorismo político eleitoral encarnado no bolsonarismo fascista.

Lula, por sua vez, depois de externar todo a sua indignação, acusando os filhos de Bolsonaro como entreguistas, verdadeiros herdeiros de Silvério dos Reis, por tentar vender a Pátria por 30 dinheiros em Washington, colocou-se como estadista, no sentido de dar prosseguimento às relações com o governo Trump.

O titular do Planalto, apesar da escorrega política trumpista, mostra-se predisposto a seguir com relações diplomáticas com a Casa Branca na linha da negociação entre duas nações soberanas.

O presidente brasileiro deixou, em segundo plano, aparentemente, pelo menos, o que se configurou, semana passada, como diplomacia da facada nas costas, empreendida pela Secretaria de Estado dos Estados Unidos.

Houve sintonia entre Trump e Rúbio nessa tormentosa ação diplomática americana, na qual o bolsonarismo se revelou massa de manobra dos interesses americanos contra o Brasil?

Trump, aparentemente, revelou-se agente passivo, ao não se externar publicamente, além de se deixar fotografar ao lado de Flávio Bolsonaro, enquanto todas as suspeitas recaem sobre o sujeito oculto da armação, Marco Rúbio, que teria engendrado a diplomacia da facada.

Ela, na verdade, tinha sido armada há tempos com para colocar organizações criminosas, como o PCC e CV, como organizações terroristas, de modo a viabilizar ações americanas contra a soberania nacional.

DIPLOMACIA IMPERIALISTA ATERRORIZA ECONOMIA

O fato é que o mal que o governo brasileiro temia já está feito: PCC e CV, para alegria dos bolsonaristas, são considerados, a partir de agora, pela Casa Branca, organizações terroristas, alvo, portanto, da legislação extraterritorial americana, capaz de interferir nos assuntos internos brasileiros, com capacidade de desestabilizar a economia.

Os reflexos sobre o sistema econômico como um todo são inevitáveis, especialmente, sobre o sistema financeiro, acusado, pela própria Polícia Federal, de relações de corrupção com o PCC e CV, organizações terroristas, alcançáveis, portanto, pela legislação extraterritorial americana.

A diplomacia brasileira, portanto, levou um choque, e a Faria Lima está em polvorosa.

Terá de ser mais esperta, para além da sua competente vocação para a negociação bem intencionada, com os Estados Unidos: é fundamental, de agora em diante, prestar mais atenção no perigo contido no alerta artístico, como Gilberto Gil, em “Domingo no parque”, anuncia como o terror do confronto com o inimigo oculto: “Olha a faca!”.

•        Trump tenta conciliar acenos a radicais e relação com Lula, dizem empresários

A relação entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente Lula (PT) volta a atravessar um período de tensão, em meio a gestos políticos de Washington que repercutem diretamente no Brasil. Apesar do desgaste, empresários com interlocução na alta administração dos Estados Unidos avaliam que a relação entre Trump e Lula seguirá aberta, mesmo sob pressão da ala republicana mais radical, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas já estaria definida há mais de três meses. A avaliação de empresários é que a medida faz parte de uma nova fase da política norte-americana para a América Latina, marcada por maior pressão sobre governos e atores políticos da região.

A leitura desses interlocutores é que a relação construída entre Trump e Lula teria impedido que o anúncio fosse feito antes da visita do presidente brasileiro à Casa Branca, em maio. Na visão deles, o canal direto entre os dois chefes de Estado teria funcionado como fator de contenção em um momento sensível da diplomacia bilateral.

<><> Foto com Flávio Bolsonaro é vista como gesto político

A divulgação, na semana passada, de uma foto do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Trump foi interpretada por esse grupo empresarial como uma concessão do presidente norte-americano ao núcleo mais duro do Partido Republicano dentro de seu governo. Esse setor, descrito como composto por falcões republicanos, teria interesse em influenciar o cenário político brasileiro.

De acordo com essa avaliação, o grupo seria representado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e buscaria criar situações favoráveis à família Bolsonaro no Brasil. A foto de Flávio Bolsonaro com Trump, acompanhada do anúncio relacionado à classificação das organizações, seria vista por esses interlocutores como uma forma de atuação indireta sobre o processo eleitoral brasileiro.

Empresários avaliam ainda que esse núcleo republicano nunca teria aceitado plenamente a aproximação entre Trump e Lula. Por isso, teria articulado para que Flávio Bolsonaro aparecesse ao lado do presidente norte-americano pouco antes da divulgação de uma decisão que já havia sido tomada anteriormente.

<><> Trump teria feito aceno ao núcleo duro republicano

Na interpretação desses empresários, Trump estaria tentando equilibrar sua relação com Lula e, ao mesmo tempo, fazer gestos à ala mais radical de seu governo. A presença de Flávio Bolsonaro em uma foto com o presidente dos Estados Unidos teria servido a esse objetivo político, sem necessariamente romper a interlocução diplomática com o governo brasileiro.

A avaliação, no entanto, não é consensual. Um diplomata brasileiro discorda da tentativa de suavizar o episódio e afirma que a situação deve ser analisada com maior preocupação, sobretudo diante de uma nova medida unilateral do governo norte-americano contra o Brasil.

<><> Investigação comercial eleva tensão com o Brasil

A nova fonte de desgaste é a conclusão de uma investigação comercial do governo Trump contra o Brasil. O procedimento inclui críticas ao Pix e apresenta a proposta de uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros, o que ampliaria a pressão econômica dos Estados Unidos sobre o país.

Para o diplomata brasileiro citado, o episódio coloca a relação bilateral em um patamar semelhante ao vivido quando Trump ameaçou impor um tarifaço ao Brasil sob o argumento de que Jair Bolsonaro (PL) estaria sendo perseguido pela Justiça brasileira.

Apesar dos canais de diálogo entre Lula e Trump, a sucessão de gestos políticos e comerciais vindos de Washington mantém a relação entre os dois governos em estado de alerta. A avaliação empresarial aposta na continuidade da interlocução, enquanto setores da diplomacia brasileira veem a ofensiva norte-americana como sinal de que a tensão permanece elevada.

•        Piauí destaca em sua capa o enfraquecimento de Flávio Bolsonaro

A Revista Piauí destaca em sua capa nesta terça-feira (2) o enfraquecimento do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio ao desgaste provocado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao escândalo do Banco Master, e por pesquisas eleitorais que mostram o presidente Lula (PT) ampliando vantagem na corrida presidencial de 2026.

A edição 237 da piauí, referente ao mês de junho, traz uma ilustração de Flávio Bolsonaro atrás de um vidro trincado. A capa aparece em um momento de pressão crescente sobre o senador, cuja pré-candidatura ao Planalto passou a ser associada a uma sequência de controvérsias políticas, econômicas e policiais.

O episódio mais recente envolve a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao Banco Master. Áudios e mensagens atribuídos ao senador indicam que ele teria buscado recursos milionários para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Flávio negou irregularidades e afirmou que se tratava de uma iniciativa privada, sem oferta de contrapartidas ou benefícios indevidos.

As revelações deram dimensão nacional ao caso porque Vorcaro é personagem central de um grande escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. O banqueiro está ligado a uma fraude estimada em cerca de R$ 12 bilhões, envolvendo fundos de pensão e outros clientes.

O desgaste se intensificou porque Flávio Bolsonaro havia negado proximidade com Vorcaro, mas depois admitiu contatos relacionados à captação para o filme. O senador teria pedido valores milionários para a produção audiovisual, apresentada como parte da estratégia de construção política do bolsonarismo para 2026.

A pré-candidatura de Flávio foi lançada como tentativa de manter o campo bolsonarista competitivo na disputa presidencial. No entanto, o caso Banco Master passou a alimentar dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral, enquanto setores da direita discutem alternativas para enfrentar Lula no próximo pleito.

Outro ponto de tensão foi a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e sua aproximação com Donald Trump. O senador defendeu que PCC e Comando Vermelho fossem classificados pelos EUA como organizações terroristas, medida vista por críticos como tentativa de interferência externa no debate brasileiro e como ameaça à soberania nacional.

O impacto político aparece também nas pesquisas. Levantamento Real Time Big Data divulgado nesta semana mostrou Lula com 45% das intenções de voto em um cenário de segundo turno, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos somaram 8%, enquanto 7% não souberam ou não responderam.

O resultado representa uma virada em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto. No início de maio, Flávio aparecia numericamente à frente, com 44%, contra 43% de Lula, em empate técnico dentro da margem de erro.

A tendência de distanciamento também foi registrada pelo Datafolha. Pesquisa divulgada no dia 22 mostrou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 31%. A vantagem do presidente chegou a nove pontos percentuais, acima da diferença registrada no levantamento anterior.

No cenário estimulado de primeiro turno, a distância entre os dois principais polos políticos do país triplicou em relação à rodada anterior do Datafolha, quando Lula tinha 38% e Flávio registrava 35%. O avanço do presidente ocorre no mesmo período em que o senador enfrenta questionamentos sobre sua relação com Vorcaro e sobre os efeitos do caso na reorganização da direita.

A capa da piauí sintetiza esse momento político ao retratar Flávio Bolsonaro em uma posição de desgaste público, cercado por fissuras simbólicas que remetem à fragilidade de sua pré-candidatura. O enquadramento da revista reforça a leitura de que o senador chega ao centro da disputa presidencial sob forte pressão, em meio a escândalos, perda de fôlego eleitoral e incertezas dentro do próprio campo bolsonarista.

 

Fonte: Brasil 247

 

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