Veteranos
desafiam idade e são presença recorde na Copa
Ao
final da Copa do Mundo de 2022, Lionel Messi foi premiado como melhor jogador
do torneio. Na ocasião, era incerto se o argentino voltaria a disputar a
competição.
Quatro
anos depois, porém, Messi retorna aos gramados para uma última participação ao
lado do português Cristiano Ronaldo. Os dois múltiplos vencedores do prêmio de
Melhor Jogador do Mundo estão prestes a disputar a sexta Copa do Mundo,
juntamente com o goleiro mexicano Guillermo Ochoa, simbolizando uma nova
tendência de idade no futebol de elite.
Se
antes os jogadores eram considerados fora de seu auge no início dos 30 anos,
hoje segue em atividade um grande grupo de estrelas das seleções nacionais,
significativamente mais velhas.
Agora,
os 40 parecem ser os novos 30. Em quase cem anos de história das Copas do
Mundo, apenas sete jogadores acima de 40 anos haviam figurado por suas seleções
– seis deles, goleiros.
No
entanto, com mais times participantes, o torneio de 2026 deve bagunçar essa
estatística. Somente nessa faixa etária, já são seis convocados que viajam aos
EUA neste mês, sendo três jogadores de linha – um recorde absoluto.
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Yamal e Endrick ainda nem tinham nascido
O ícone
português Ronaldo tem 41 anos e é o nome de maior destaque do time 40+.
Ele
compõe o grupo ao lado de Ochoa, do meia croata Modric (40), do ícone da Bósnia
e Herzegovina, Edin Dzeko (40), e dos goleiros Manuel Neuer (40), da Alemanha,
e Craig Gordon (43), da Escócia.
Messi
ainda não compõe este grupo, já que completa 39 anos durante o torneio. Ele
engrossa outro recorde: nunca houve tantos veteranos acima de 35 anos em um
mundial de futebol quanto agora, em 2026, quando o total chega a cerca de três
dezenas.
Quando
essa geração surgiu pela primeira vez no cenário da Copa, em 2006, o astro
espanhol Lamine Yamal ainda não havia nascido. O atacante brasileiro Endrick
também não. Ele nasceu 20 dias depois da eliminação do Brasil para a França no
torneio daquele ano.
"Esses
dois jogadores [Messi e Cristiano] são extraordinários. Ninguém moldou o
futebol nos últimos 20 ou 30 anos da forma como eles moldaram. Tantos títulos,
tantas conquistas, tanta ambição. É algo extraordinariamente fenomenal",
disse o ex-técnico da Alemanha Joachim Löw à agência de notícias alemã DPA.
Löw
também entende que "ambos já passaram um pouco do seu auge". Ainda
assim, Messi e Ronaldo seguem sendo influentes nos jogos que atuam, assim como
o goleiro alemão Neuer (40), último campeão mundial da Alemanha, em 2014. O
jogador havia anunciado a aposentadoria da seleção em 2024, mas voltou atrás.
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Idade continua como risco para lesões
"Há
20 anos, um jogador de linha na casa dos 35 anos era quase automaticamente
considerado velho. Hoje, com Messi, Ronaldo ou Neuer, vemos atletas que parecem
biologicamente muito mais jovens do que a idade no passaporte", disse à
DPA o especialista em medicina esportiva Hans-Georg Predel.
Segundo
ele, "uma grande geração de estrelas globais" estendeu as carreiras
"muito além do que antes era possível no futebol de alto nível".
Mas a
idade continua sendo um fator de risco para lesões. Na seleção brasileira, esse
tem sido um problema vivido por Neymar, convocado ao torneio, mas fora dos
amistosos devido a uma lesão na panturrilha.
Sua
forma física foi considerada um ponto de dúvida na lista de atletas definida
pelo técnico Carlo Ancelotti, ainda que o jogador, aos 34 anos, seja mais novo
que Messi e Cristiano. Ele ajuda a puxar para cima a média de idade da seleção,
de 29 anos, seis meses e 29 dias – o time mais velho em toda a história da
participação brasileira na competição.
"Idade
e lesões anteriores – e as duas coisas estão conectadas", disse o médico
da seleção alemã, Tim Meyer, ao semanário alemão Der Spiegel.
Após
anos de esforço físico, articulações, tendões e ligamentos chegam aos seus
limites e, "como resultado, uma parcela cada vez maior das lesões entre
atletas mais velhos pode ao menos ser classificada como lesões por
sobrecarga".
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"Como um projeto de Fórmula 1"
O
futebol profissional hoje é estruturado de forma muito diferente do que no
passado. Nutrição, gestão de carga, prevenção, sono, trabalho orientado por
dados e muito mais – o progresso foi enorme.
"No
passado, os times treinavam de forma coletiva. Hoje, cada jogador é gerenciado
individualmente, quase como um projeto de Fórmula 1", disse Predel.
Além
disso, as carreiras mais longas também têm raízes no próprio sistema, como
ocorre nas categorias de base.
"Quem
aprende aos 12 ou 13 anos como se alimentar corretamente e se recuperar de
forma eficaz leva esse conhecimento para a vida toda. Isso é profissionalização
estrutural, não um milagre biológico", disse Meyer.
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Os veteranos das Copas: Milla e vários goleiros
Considerando
a atual convocação das seleções, que ainda pode mudar até o início da
competição, o lendário Roger Milla, que atuou por Camarões nos Estados Unidos
em 1994, aos 42 anos, continuará sendo o jogador de linha mais velho a figurar
em Copas do Mundo.
Dois
goleiros foram ainda mais velhos: o egípcio Essam El Hadary (45 em 2018) e o
colombiano Faryd Mondragón (43 em 2014).
As
estatísticas reforçam a tendência: na Copa de 1982, que contou com o lendário
goleiro italiano Dino Zoff, havia menos de uma dúzia de jogadores com mais de
35 anos nas seleções. Desde então, o número aumentou de forma constante de
torneio para torneio.
A
grande presença de goleiros nessa faixa etária é considerada natural. Nem mesmo
as superestrelas conseguem superar os limites naturais, como teto de velocidade
e resistência.
"A
capacidade máxima de sprint, a explosão e a velocidade de recuperação começam a
declinar biologicamente a partir de cerca dos 30 anos. O que os jogadores de
elite conseguem hoje é principalmente atrasar esse processo", disse
Predel.
Messi e
Ronaldo também são ajudados pelo fato de poderem continuar jogando em ambientes
competitivos menos exigentes, nos Estados Unidos e na Arábia Saudita.
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O jogo ficou mais inteligente?
A
experiência não pode ser substituída, e torneios como a Copa do Mundo, em
particular, recompensam rotina e liderança.
"A
experiência e a inteligência futebolística se tornaram cada vez mais valiosas
no futebol moderno. Um jogador como Messi compensa parcialmente os declínios
relacionados à idade por meio de técnica excepcional, antecipação e eficiência.
Nesse sentido, o jogo ficou mais inteligente", disse Predel.
Como
recordista de participações em Copas do Mundo, Messi pode aumentar ainda mais
seu total atual de 26 partidas. Ele também está a apenas três gols do recorde
de 16, marcado pelo alemão Miroslav Klose. Ronaldo chega à contagem regressiva
para a Copa como o recordista absoluto de jogos por seleções, com 226 partidas.
"Estou
torcendo por esses brilhantes titãs do futebol", disse Predel.
Fonte:
DW Brasil

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