Atletas
usam bicarbonato para melhorar desempenho esportivo; entenda
O
bicarbonato de sódio está sendo usado por atletas para melhorar o rendimento em
exercícios físicos de alta intensidade. De acordo com a Sociedade Internacional
de Nutrição Esportiva, a substância pode melhorar a performance, retardar a
fadiga muscular e auxiliar na recuperação do organismo do atleta.
No
entanto, estudos apontam que o uso deve ser dedicado a atividades de
característica anaeróbica láctica, cuja intensidade gasta energia sem a
presença de moléculas de oxigênio. Esse tipo de exercício, que exige maior
esforço físico, pode ser observado em modalidades como musculação, boxe, judô,
taekwondo, luta livre, ciclismo, corrida, natação e remo.
O
bicarbonato de sódio melhora o desempenho em exercícios de sessão única e
múltipla, em exercícios de curta duração (até 12 minutos), de acordo com estudo
publicado na National Library of Medicine. O momento recomendado por
especialistas para a ingestão da substância é entre 60 e 180 minutos antes do
exercício ou competição.
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Uso em excesso pode prejudicar desempenho
Antes
de iniciar a suplementação com bicarbonato, é fundamental procurar
acompanhamento profissional para definir estratégias adequadas para o uso,
baseadas no organismo e nas necessidades de cada atleta. A combinação de
bicarbonato de sódio com creatina ou beta-alanina, outros tipos de suplementos
comuns nas atividades esportivas, pode produzir efeitos colaterais, mas os
estudos ainda não foram concluídos.
Os
efeitos colaterais mais comuns da suplementação com bicarbonato de sódio são
inchaço, náusea, vômito e dor abdominal. Apesar da baixa incidência, os efeitos
variam de acordo com as doses consumidas e o efeito no corpo dos atletas. O
exagero do consumo pode inclusive piorar a performance, efeito conhecido como
diminuição do potencial ergogênico: quando a substância perde sua capacidade de
melhorar o desempenho.
De
acordo com estudo publicado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho), a dose recomendada para evitar os efeitos adversos é de, no
máximo, 30% do peso corporal do atleta. As doses devem ser distribuídas entre
os dias anteriores à prática esportiva, sem exceder 0,1 a 0,2 gramas por
quilograma, consumidas junto às refeições.
• É possível fazer um “detox” de plástico?
O que a ciência (ainda não) sabe
O
documentário Detox de Plástico, lançado em março na Netflix, populariza a ideia
de que seria possível fazer uma “limpeza” desse tipo de material no organismo
com benefícios para a saúde. Contudo, por mais sedutora que essa hipótese
pareça, o que a ciência discute hoje é se reduzir a exposição cotidiana a esses
materiais e aos compostos associados a eles pode trazer algum benefício ao
organismo — e quais seriam esses efeitos.
No
filme, seis casais com dificuldades para engravidar passam 90 dias tentando
reduzir drasticamente a exposição cotidiana a plásticos, sob orientação da
epidemiologista reprodutiva Shanna Swan. A experiência se baseia em um estudo
piloto real, publicado em março de 2026 na revista Toxics. Ao fim da
intervenção, os participantes apresentaram redução nos níveis urinários de
bisfenol A (BPA) e ftalatos, compostos químicos presentes em plásticos e
embalagens.
Sem um
grupo controle, porém, o estudo não permite conclusões sobre a relação entre a
intervenção e os desfechos reprodutivos, embora quatro casais tenham
engravidado e tido bebês.
“Do
ponto de vista científico, ‘detox de plástico’ não é um conceito médico
validado”, diz a gastroenterologista Patricia Almeida, do Einstein Hospital
Israelita.
A
expressão chama atenção e ajuda a comunicar o tema ao público leigo, mas não
significa que exista um protocolo para eliminar plásticos e substâncias
derivadas do organismo. “A maioria desses compostos não permanece
indefinidamente acumulada no corpo. Pelo contrário, costuma ter meia-vida
relativamente curta, sendo metabolizada e eliminada”, afirma.
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Aditivos químicos
Além da
imprecisão do termo “detox”, a ideia de contaminação por plástico pode
confundir quem tenta reduzir a exposição por motivos de saúde. Grosso modo, há
dois tipos de exposição: a fragmentos microscópicos dos polímeros, os
microplásticos, e a aditivos químicos, como plastificantes, retardadores de
chama e substâncias antiaderentes.
São
esses aditivos que concentram as evidências mais consistentes de impacto sobre
a saúde. Uma revisão de várias meta-análises publicada em 2024 na Annals of
Global Health lista alguns desses efeitos, entre eles disrupção endócrina,
redução da qualidade do esperma e doenças cardiovasculares.
Algumas
das substâncias mais estudadas são compostos adicionados aos plásticos para
fornecer propriedades específicas, como maleabilidade, resistência ou
estabilidade. É o caso dos ftalatos, usados como plastificantes, e do BPA,
empregado na fabricação de certos plásticos e resinas. Ambos estão entre os
compostos mais associados a riscos à saúde humana.
O BPA
tem sido associado a condições como diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão,
doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos, como síndrome dos ovários
policísticos. Já osftalatos foram relacionados a abortos espontâneos, redução
da qualidade do esperma, endometriose, asma e prejuízos ao desenvolvimento
cognitivo e motor infantil.
Compostos
conhecidos como éteres difenílicos polibromados (PBDEs), usados como
retardantes de chama em produtos plásticos, também aparecem associados a
prejuízos no desenvolvimento cognitivo infantil.
Já as
substâncias per e polifluoroalquil (PFAS), chamadas de “químicos eternos” e
usadas sobretudo em revestimentos antiaderentes, são associadas a alterações na
tireoide, aumento do índice de massa corporal (IMC) em crianças, transtorno de
déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em meninas e rinite alérgica.
Esse
contato se dá de diversas formas. Um dos exemplos mais comuns analisados
em laboratório são os filmes de PVC,
películas transparentes usadas para embalar e armazenar alimentos.
“Aquilo
é um polímero de PVC, o mesmo que a gente tem, por exemplo, em canos. Só que, para ter aquele formato de filme mais
fino e esticável, é preciso adicionar plastificantes”, explica o químico Fabio
Bazílio, doutor em Vigilância Sanitária pelo Instituto Nacional de Controle de
Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), que estuda como substâncias presentes em
plásticos e embalagens migram para os alimentos e acabam chegando ao organismo.
“Essas
substâncias podem ser transferidas quando entram em contato com o alimento. No
caso dos plastificantes, como os ftalatos, o maior problema são os alimentos
gordurosos, porque essas substâncias têm afinidade com a gordura.”
E o
contato pode ocorrer em diferentes etapas da cadeia de produção dos alimentos,
como armazenamento, transporte, processamento industrial e em embalagens,
revestimentos internos de latas e filmes plásticos. Nesses casos, fatores como
calor, fricção e presença de gordura podem intensificar a migração dessas
substâncias, que chegam ao organismo principalmente pela ingestão.
“Do
ponto de vista da saúde humana, a alimentação é a principal via de exposição”,
frisa a gastroenterologista. “Isso tende a ser mais relevante quando há um
padrão alimentar com alto consumo de produtos industrializados, como alimentos
embalados, prontos para consumo e mais processados.”
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Microplásticos por todo lado
Paralelamente,
a ciência também vem se aprofundando nos efeitos da exposição aos
microplásticos, definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como
partículas sólidas de plástico ou fibras sintéticas com tamanho entre 1
nanômetro e 5 milímetros, muitas vezes misturadas a aditivos químicos para
aumentar sua durabilidade.
Essas
partículas estão disseminadas no ambiente e também podem ser ingeridas pela
alimentação. Uma revisão sistemática de 2024, publicada na Reviews on
Environmental Health, reuniu diferentes estimativas e apontou que um ser humano
pode consumir até 1,5 milhão de micropartículas de plástico por dia.
Segundo
o estudo, as principais fontes seriam água engarrafada, frutas, vegetais,
bebidas como café em sachê, moluscos e água encanada.
O ar é
outra via importante de exposição. Uma análise divulgada no Journal of Exposure
Science & Environmental Epidemiology mostrou que a presença de
microplásticos tende a ser maior em ambientes fechados do que ao ar livre, e
que o ar-condicionado pode agravar esse quadro.
Em
áreas externas, as maiores concentrações foram encontradas em rodovias com
tráfego intenso, provavelmente devido à abrasão de pneus. Inclusive, há
registros dessas partículas até em áreas remotas de montanhas e oceanos.
Os
próprios autores, porém, ressaltam limitações importantes, como a falta de
métodos padronizados para medir partículas em escala nano e a escassez de
evidências sobre os impactos diretos à saúde humana.
“De um
lado, há um discurso que sugere que qualquer contato com plástico seria
automaticamente tóxico e determinaria uma doença, o que não é cientificamente
correto. Afinal, nem todo plástico é igual, e diferentes materiais podem ter
comportamentos muito distintos”, observa a médica do Einstein.
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Como reduzir a exposição
Mas
também é equivocado minimizar o problema. Ainda que faltem provas conclusivas
sobre as consequências desses poluentes para nossa saúde, já existem evidências
sugestivas. Uma revisão sistemática publicada na Environmental Science &
Technology classificou a exposição a microplásticos como uma suspeita de dano à
saúde humana.
Segundo
os autores, embora os dados ainda sejam limitados, estudos em animais com
evidências de qualidade moderada a alta indicam prejuízos à qualidade do
esperma, inflamações crônicas no sistema digestivo e estresse oxidativo nos
pulmões, além de sugerirem uma possível ligação com câncer de cólon e de
pulmão. Também já se sabe que essas partículas podem circular pelo organismo.
Um
estudo transversal publicado na Scientific Reports encontrou microplásticos na
corrente sanguínea de 88,9% dos adultos saudáveis analisados, com concentração
média de 4,2 partículas por mililitro. De acordo com os pesquisadores, essa
presença esteve associada a processos inflamatórios e alterações na coagulação,
o que pode elevar riscos cardiovasculares.
“Outro
erro comum é tratar a presença detectável como doença comprovada. O fato de um
composto ou de uma partícula ser detectado em fluidos ou tecidos humanos não
significa, por si só, que ele seja a causa direta de uma condição de saúde ou
de uma doença específica”, explica Patricia Almeida.
Ainda
assim, o estudo apontou associação entre níveis mais altos de microplásticos no
sangue e hábitos cotidianos: indivíduos que usavam com mais frequência
recipientes plásticos para armazenar ou consumir alimentos apresentaram maiores
concentrações dessas partículas.
O
achado não prova causalidade nem valida a proposta do documentário, mas reforça
a hipótese de que reduzir a exposição pode alterar a carga desses materiais no
organismo.
Embora
ainda faltem conclusões definitivas, o conjunto de evidências aponta para um
princípio já conhecido na saúde: reduzir exposições desnecessárias,
especialmente quando envolvem atitudes simples, pode ser uma estratégia
prudente enquanto ainda não temos todas as respostas.
Fonte:
CNN Brasil

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