Milei
transformou Argentina em um dos piores países para trabalhadores, afirma
entidade
A
Argentina passou a integrar, pela primeira vez, o grupo dos dez piores países do mundo para os
trabalhadores.
É o que revela o Índice Global dos Direitos 2026, relatório anual produzido
pela Confederação Sindical Internacional (CSI), que reúne sindicatos de mais de
160 países.
Em
apenas dois anos, a gestão de Javier Milei levou ao
rebaixamento do país da Categoria 3 para a Categoria 5, o nível mais baixo da
classificação da CSI, reservado a nações onde os direitos fundamentais dos
trabalhadores “não são garantidos”.
Segundo
a entidade, trata-se de um dos retrocessos mais acentuados já registrados pelo
levantamento. O país agora ocupa a mesma categoria que Egito, Turquia,
Bielorrússia e Mianmar.
O
estudo anual, que avalia o grau de respeito aos direitos trabalhistas e sindicais em diversos
países com base em convenções internacionais da Organização Internacional do
Trabalho (OIT), aponta uma tendência global de enfraquecimento democrático.
Luc
Triangle, secretário-geral da entidade, alerta para um “golpe de Estado dos
multimilionários contra a democracia”, financiado pelas elites e executado por
líderes autoritários.
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Efeito Milei
Segundo
a CSI, o governo Milei vem implementando medidas consideradas “radicalmente
antissindicais” e contrárias ao direito de protesto desde o início de sua
gestão, em 2023. Com seu discurso radical, o presidente argentino estaria
incentivando empresas privadas a ampliar cortes de pessoal e a dificultar a
organização dos trabalhadores.
Diante
do agravamento da situação dos trabalhadores no país vizinho, as duas
principais centrais sindicais argentinas, a Confederação Geral do Trabalho
(CGT) e a CTA, apresentaram uma denúncia formal à OIT, em Genebra, com o
respaldo da Confederação Sindical das Américas.
No
relatório, a CSI acusa o governo Milei de impor restrições ao direito de greve
e à negociação coletiva em sua reforma laboral, além de ampliar as
exigências de serviços mínimos obrigatórios em diversos setores e promover
medidas que tratam o trabalho apenas como um custo a ser reduzido.
A
entidade aponta, ainda, o aumento da repressão a protestos e manifestações,
destacando que os protocolos de segurança adotados pelo governo ampliaram os
poderes das forças policiais e resultaram em mais de 1.350 feridos durante
mobilizações realizadas em 2025.
O texto
cita também casos de demissões consideradas discriminatórias na Administração
Nacional da Seguridade Social (Anses), que atingiram 84,6% dos trabalhadores
com representação sindical. O relatório menciona ainda o caso do dirigente
sindical Federico Giuliani, da ATE-CTA Autónoma de Córdoba, que foi preso e
posteriormente deixou o país denunciando perseguição política.
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Comando Sul, narcotráfico e migração: como os EUA ampliam
influência militar na América Latina
No
marco das diretrizes que orientam a atuação de estruturas como o Comando Sul
dos EUA, a Estratégia Nacional
de Contraterrorismo apresentada
pela Casa Branca em 6 de maio último deve ser lida não como um documento
isolado, mas como a terceira peça de uma arquitetura estratégica mais ampla
iniciada com a Estratégia de Segurança Nacional de novembro de 2025 e
continuada com a Estratégia de Defesa Nacional de janeiro de 2026.
Em
conjunto, estes textos mostram uma reorientação explícita de Washington para o
que denomina de “Hemisfério Ocidental”, reivindicando a
proeminência estadunidense na região e colocando a América Latina e o Caribe no
centro de uma agenda que funde segurança fronteiriça, luta contra o
narcotráfico, concorrência geopolítica com atores extra hemisféricos e uma
renovada lógica de pressão sobre governos de perfil progressista considerados
não alinhados.
A
importância desta guinada radica em que transforma problemas complexos — como o
crime transnacional, a migração, a debilidade institucional e a influência de
potências externas — em assuntos de segurança nacional dos Estados Unidos,
habilitando assim instrumentos políticos, financeiros, de inteligência e
potencialmente militares de maior alcance.
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Lógica hemisférica
A
Estratégia de Segurança Nacional de 2025 formula o marco ideológico e
geopolítico do novo enfoque. Seu traço distintivo é a afirmação de que a
segurança e a prosperidade dos Estados Unidos dependem de recuperar a primazia
no Hemisfério Ocidental e de impedir que atores não
hemisféricos consolidem posições estratégicas na região. Neste contexto, o
documento recupera de forma explícita a referência à Doutrina Monroe e afirma que o
controle do entorno regional é condição para a defesa do território
estadunidense, a proteção de cadeias de fornecimento críticas e o acesso a
espaços e ativos considerados estratégicos.
A
Estratégia de Defesa Nacional de 2026 operacionaliza esse marco ao adotar uma
postura de “defesa do território e do hemisfério” como
primeira linha de esforço. O documento apresenta os “narcoterroristas” e
outros inimigos no Hemisfério Ocidental como parte do entorno
prioritário de ameaça, associa a segurança regional ao resguardo de acessos
estratégicos e legitima uma maior disponibilidade de capacidades militares,
navais, de vigilância e interdição para atuar no espaço hemisférico. Ainda que
seu eixo global continue incluindo a concorrência com a China, a estratégia
reordena prioridades e sugere que a consolidação do controle regional é um
requisito prévio para sustentar a projeção internacional de Washington.
A
Estratégia Nacional de Contraterrorismo de maio de 2026 encerra o triângulo
doutrinário ao redefinir o mapa de ameaças e colocar os cartéis e gangues
transnacionais do hemisfério entre as prioridades centrais do contraterrorismo
estadunidense.
O texto
afirma que a administração Trump designou os cartéis como organizações
terroristas e que utilizará “todo o aparato do Estado” para
neutralizar suas finanças, redes logísticas e capacidades operativas.
Continua
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Além
disso, o capítulo dedicado a “Nosso Hemisfério” afirma que os
Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar sua
proeminência regional, e levanta a possibilidade de atuar com governos locais
quando estejam dispostos e sejam capazes de cooperar, ou de adotar medidas necessárias
ainda quando não o façam.
Esta
formulação amplia sensivelmente a margem de ação unilateral e aproxima o
combate ao narcotráfico à linguagem, à doutrina e aos instrumentos do
contraterrorismo.
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Repercussão na América Latina e no Caribe
A
primeira repercussão para América Latina e Caribe é de ordem soberana. Ao
elevar os cartéis e redes criminosas ao nível de ameaça terrorista,
Washington amplia a base política e jurídica interna para
justificar operações extraterritoriais, maiores exigências de cooperação,
sanções financeiras e pressão diplomática sobre governos da região.
Ainda
que a colaboração em segurança não seja nova, a mudança de categoria — de crime
organizado para terrorismo — implica em uma mutação qualitativa: habilita
narrativas de exceção, reduz as margens de negociação política e aumenta o
risco de que as prioridades de segurança dos Estados Unidos se imponham sobre
agendas nacionais de desenvolvimento, paz e fortalecimento institucional.
A
segunda repercussão é o aprofundamento da militarização da agenda regional. A
combinação entre a Estratégia de Defesa Nacional e a Estratégia de
Contraterrorismo sugere um aumento de patrulhas, interdições marítimas,
cooperação de inteligência, assessoria operativa, exercícios conjuntos com
forças locais.
A curto
prazo, isso pode traduzir-se em maior capacidade para golpear rotas logísticas
e fluxos ilícitos; no entanto, na ausência de políticas integrais sobre
corrupção, lavagem de dinheiro, exclusão social, controle de armas e reforma
policial-judiciária, a pressão militar tende a deslocar geograficamente as
economias ilegais em vez de desmantelá-las de maneira sustentável.
O risco
é a repetição de ciclos de violência adaptativa em que as organizações
criminosas se fragmentam, mudam ou mudam de lugar, elevando os custos humanos
em territórios periféricos e fronteiriços.
A
terceira repercussão é geopolítica. As três estratégias articulam segurança
regional com concorrência por influência frente a autores extra hemisféricos,
especialmente a China, e em menor medida Rússia e Irã.
Desta
ótica, América Latina e Caribe deixam de ser unicamente um espaço de vizinhança
para transformarem-se em um teatro de denegação estratégica: Washington busca
impedir que competidores consolidem presença em infraestrutura crítica,
energia, minerais estratégicos, portos, corredores logísticos e
telecomunicações. O que pode incrementar a pressão sobre governos
latino-americanos para redefinir alianças, rever investimentos, condicionar
contratos e alinhar-se a prioridades estadunidenses, reduzindo sua margem de
autonomia externa e tornando mais complexas suas estratégias de diversificação
econômica.
A
quarta repercussão diz respeito à securitização da migração e das fronteiras.
Nestas estratégias, os fluxos migratórios, o tráfico ilícito, o tráfico de
pessoas e o crime organizado aparecem entrelaçados em uma mesma matriz de
ameaça. Esse enquadramento favorece respostas de contenção e externalização de
fronteiras, assim como maiores exigências a países de trânsito e origem.
Para
América Latina e Caribe, isto pode traduzir-se em novas pressões para enviar
forças às fronteiras, endurecer controles, aceitar mecanismos de devolução e
ampliar esquemas de vigilância, mesmo quando os determinantes estruturais da
mobilidade humana continuem radicando na desigualdade, na violência, na mudança
climática e na fragilidade do Estado.
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Cenários para a região
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Cenário 1: alinhamento reforçado com Washington. Neste cenário,
vários governos aceitam ampliar a cooperação em inteligência, interdição,
controle fronteiriço e perseguição financeira de redes ilícitas. A vantagem
imediata seria uma maior assistência técnica, apoio logístico e reconhecimento
político por parte dos Estados Unidos. Não obstante, o custo provável seria uma
maior subordinação das agendas nacionais a prioridades definidas externamente,
tensões internas pela militarização da segurança pública e uma possível
deterioração de relações com sócios extra hemisféricos.
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Cenário 2: resistência soberanista e fricção diplomática. Aqui, governos
da região rejeitam a ampliação do enfoque contraterrorista estadunidense,
questionam a designação de atores criminosos locais como ameaça terrorista com
consequências extraterritoriais e tratam de preservar margens de autonomia.
Este cenário poderia traduzir-se em disputas diplomáticas, sanções seletivas,
maior pressão financeira e narrativa de deslegitimação contra governos
considerados resistentes ou “cúmplices”. Ao mesmo tempo, incentivaria
novos esforços de articulação regional, ainda que não necessariamente com
capacidade suficiente para substituir a assimetria de poder hemisférica.
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Cenário 3: adaptação híbrida e fragmentada. É o cenário mais provável.
Alguns países cooperarão intensamente com Washington em determinadas áreas,
enquanto outros tentarão limitar esta cooperação ou equilibrá-la com vínculos
econômicos e políticos com outras potências. O resultado seria uma região mais
fragmentada, com respostas desiguais ao crime transnacional e com dificuldades
adicionais para construir posições comuns em matéria de soberania, segurança,
comércio e inserção internacional. Neste contexto, a capacidade de cada Estado
para negociar dependerá de sua força institucional, de seu peso geopolítico e
do grau de dependência econômica em relação aos Estados Unidos.
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Implicações estratégicas para a região
- Soberania e
direito internacional: maior risco de normalização de medidas
unilaterais, extraterritoriais ou de exceção com a justificativa de
combater ameaças terroristas.
- Segurança
interna: provável
expansão da militarização, com efeitos ambíguos sobre a redução
sustentável da violência e altos custos sociais em territórios
vulneráveis.
- Economia
política do narcotráfico: reforço de estratégias de
interdição e perseguição financeira, sem que isso garanta por si só o
enfraquecimento estrutural de mercados ilícitos transnacionais.
- Autonomia
regional: maior
pressão para alinhar-se à política hemisférica de Washington e menor
margem para estratégias de diversificação com outros sócios globais.
- Integração
latino-americana: incentivos contraditórios para a coordenação
regional; enquanto as ameaças comuns poderiam impulsionar cooperação, a
fragmentação política e a assimetria com os Estados Unidos tenderiam a
debilitar respostas coordenadas.
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Etapa de maior ingerência
A
Estratégia Nacional de Contraterrorismo de 2026 aprofunda e radicaliza a
reorientação hemisférica já traçada pela Estratégia de Segurança Nacional e a
Estratégia de Defesa Nacional. Sua principal novidade não está só em priorizar
os cartéis como ameaça central, mas em fundir contraterrorismo, segurança
fronteiriça, concorrência geopolítica e pressão diplomática em um mesmo marco
de ação.
Para
América Latina e Caribe, isto anuncia uma etapa de maior ingerência potencial,
mais exigências de alinhamento e maior risco de securitização de problemas
sociais e políticos complexos.
De uma
ótica prospectiva, a região enfrentará o desafio de evitar que a luta legítima
contra as redes criminosas derive em uma perda adicional de soberania, em novas
formas de dependência estratégica e em um aprofundamento da violência.
A
resposta mais eficaz não será meramente reativa: requererá fortalecer
capacidades estatais, cooperação regional, políticas de desenvolvimento e
marcos de segurança democráticos capazes de enfrentar o crime organizado sem
aceitar, de maneira acrítica, doutrinas externas que subordinam o futuro
latino-americano aos imperativos de poder de Washington.
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Sheinbaum alerta que Departamento de Justiça dos EUA pode
se tornar ‘principal eleitor’ no México
A presidente
mexicana, Claudia Sheinbaum, fez um forte alerta sobre a possibilidade de o
Departamento de Justiça dos EUA se tornar “o principal eleitor” nas eleições de
seu país.
“Sejamos
claros: primeiro vêm buscar alguns, depois outros, até que os escritórios do
Ministério Público se tornem o principal eleitorado no México. Não podemos
permitir isso”, declarou a presidente, em um contexto marcado pelo pedido de
extradição dos Estados Unidos contra diversos políticos de seu país, incluindo
o governador de Sinaloa, Rubén Rocha, afastado do cargo, por supostos crimes de
narcotráfico.
Nessa
mesma linha, Sheinbaum criticou duramente a interferência internacional,
afirmando que a história do México “sabe aonde esse caminho leva”.
“Intervenções nunca trazem justiça e bem-estar ao povo; não podemos nos deixar
enganar”, disse ela no domingo (31/05), no Monumento à Revolução, diante de
aproximadamente 130 mil pessoas, segundo o jornal Milenio.
Lá, ele
também afirmou que os pedidos dos EUA “são sem precedentes na relação
bilateral” e, portanto, perguntou: “Será que existe um interesse genuíno em
ajudar o México e combater o crime organizado, ou será que estamos
testemunhando como setores da extrema-direita
estadunidense estão usando nosso país para se posicionarem para as eleições
de 2026? Ou será que pretendem influenciar as eleições de 2027?”.
Para
além dos alertas, a presidente mexicana sublinhou que o seu governo nunca
defenderá “a corrupção ou a conivência com o crime”, mantendo, contudo, a
cooperação com os EUA em matéria de segurança e combate ao narcotráfico, mas
apenas em condições de igualdade e respeito pela soberania.
A este
respeito, afirmou que o combate ao crime organizado é uma responsabilidade
partilhada por todos os Estados, mas que “não pode servir de pretexto para
enfraquecer os princípios fundamentais do direito internacional”.
Sheinbaum
enfatizou que agências
estrangeiras e poderosos interesses econômicos não tomam
decisões no México e, portanto, convocou os cidadãos a realizarem assembleias
em praças públicas para defender a nação. A convocação, que entrará em vigor na
próxima semana, foi interpretada como uma demonstração de força diante da
ofensiva dos EUA.
De
fato, a presidente também denunciou as campanhas multimilionárias nas redes
sociais e na imprensa contra seu governo, promovidas por setores conservadores
estrangeiros e nacionais, que, em sua opinião, se intensificaram após a morte
acidental de dois agentes da CIA
dos EUA que atuavam ilegalmente no México em uma suposta operação
contra o narcotráfico.
“Nem os
funcionários corruptos do passado que querem voltar ao poder, nem aqueles que
pretendem usar o movimento para proteger interesses pessoais, nem qualquer
agente estrangeiro serão capazes de quebrar a dignidade do México “, declarou
ele.
Fonte:
Opera Mundi

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