Emanuel
Leite Junior: Fifa e a geopolítica colonialista do futebol
A Copa
do Mundo FIFA 2026 consolidará os Estados Unidos como epicentro político,
econômico e simbólico do futebol global. Embora o torneio seja formalmente
dividido entre EUA, Canadá e México, os norte-americanos concentrarão o coração
da competição: seis dos oito jogos das oitavas de final serão disputados em
território estadunidense e, a partir das quartas de final, todas as partidas
(incluindo semifinal e final) ocorrerão exclusivamente nos EUA. Ou seja, o país
não apenas escapou de qualquer tipo de sanção internacional apesar de seu
histórico recente de guerras, assassinatos seletivos, bloqueios econômicos e
ataques contra outros Estados soberanos, como foi premiado com o protagonismo
absoluto do maior evento esportivo do planeta. A contradição torna-se ainda
mais evidente quando comparada à velocidade com que a Rússia foi suspensa pela
FIFA e pela UEFA em 2022, sendo excluída das Eliminatórias e do sistema
internacional do futebol em tempo recorde.
Enquanto
Moscou foi transformada em pária esportivo, EUA e também Israel seguem sem
qualquer punição relevante, mesmo diante das acusações de genocídio contra o
povo palestino e das sucessivas denúncias de crimes de guerra. A dualidade de
critérios revela que a chamada “neutralidade” do futebol mundial não é neutra:
ela opera de acordo com as hierarquias do poder global, da hegemonia política e
dos interesses do imperialismo contemporâneo.
A
suspensão da Rússia pela FIFA e pela UEFA em 2022 foi tratada pelo
establishment esportivo ocidental como uma resposta moral inevitável diante da
guerra na Ucrânia. Em questão de dias, clubes russos foram excluídos de
competições internacionais, a seleção nacional ficou fora das Eliminatórias da
Copa do Mundo de 2022 e, posteriormente, também da disputa por vagas para a
Copa do Mundo FIFA 2026. No dia seguinte à decisão da FIFA, em entrevista à
Rádio BandNews FM do Brasil, afirmei que a medida era histórica justamente por
não possuir precedentes no futebol mundial contemporâneo e que, naquele
momento, já me parecia improvável que uma sanção de tamanha magnitude viesse a
ser aplicada contra países alinhados à hegemonia ocidental. O desenvolvimento
dos acontecimentos internacionais desde então, especialmente a ausência de
qualquer punição a Israel e o protagonismo dos Estados Unidos como sede da Copa
de 2026, apenas reforçou essa percepção inicial.
Entretanto,
a rapidez da punição à Rússia levanta uma questão incontornável: por que o
mesmo rigor não se aplica aos Estados Unidos e a Israel? Como explicar que os
EUA, sob a liderança de Donald Trump, responsáveis por ataques militares contra
o Irã e pelo assassinato de lideranças iranianas, sejam um dos anfitriões da
Copa do Mundo FIFA 2026? E por que Israel permanece plenamente integrado ao
sistema internacional do futebol, sem qualquer sanção relevante, mesmo diante
do genocídio em curso contra o povo palestino e das sucessivas denúncias de
crimes de guerra?
A
resposta não está em princípios universais, moralidade esportiva ou
neutralidade institucional. A resposta está no poder.
O
futebol mundial não existe fora das relações internacionais. Pelo contrário:
ele é uma de suas expressões mais sofisticadas. A FIFA não é uma entidade
neutra pairando acima da política global; ela opera dentro da estrutura de
poder do sistema internacional e, portanto, reproduz suas hierarquias,
interesses e hegemonias.
Joseph
Nye formulou o conceito de “soft power” para explicar como os Estados exercem
influência não apenas pela coerção militar ou econômica, mas também pela
atração cultural, pela construção de legitimidade e pela capacidade de moldar
preferências e consensos. Há mais de uma década venho trabalhando
academicamente com o conceito de soft power aplicado à diplomacia do esporte,
inclusive desenvolvendo uma análise crítica sobre os pressupostos ideológicos e
hegemônicos presentes nessa formulação teórica, especialmente no que se refere
à naturalização dos valores e interesses das potências ocidentais como
supostamente universais. O esporte, especialmente o futebol, tornou-se um dos
instrumentos centrais dessa disputa simbólica global. Megaeventos esportivos,
Copas do Mundo e Olimpíadas funcionam como vitrines de prestígio internacional,
mecanismos de construção de reputação e aparatos de legitimação geopolítica.
No
entanto, como demonstram as tradições marxistas, incluindo suas formulações
clássicas e as contribuições teóricas de Antonio Gramsci e dos autores
gramscianos no campo da hegemonia e do imperialismo, o chamado “soft power”
nunca está dissociado do “hard power”. Em minha tese de doutorado,
posteriormente adaptada para o livro China, Football and Development:
socialismo and soft power” (publicado pela Routledge), desenvolvo uma crítica
marxista ao conceito de soft power, especialmente a partir da análise gramsciana
sobre hegemonia, consenso, ideologia e disputa de poder no sistema
internacional. O consenso não existe sem coerção latente, assim como a
dominação não se sustenta apenas por força material, mas também por mecanismos
culturais, ideológicos e simbólicos que organizam a produção do consentimento.
A hegemonia, nesse sentido, não se reduz às dimensões econômica ou militar, mas
se expressa de forma articulada nessas múltiplas esferas. É precisamente nesse
ponto que o futebol revela sua dimensão política mais profunda.
A
exclusão da Rússia não pode ser compreendida apenas como uma decisão ética. Ela
deve ser entendida dentro do contexto mais amplo da disputa geopolítica entre o
Ocidente liderado pelos EUA e seus adversários estratégicos. A Rússia tornou-se
alvo de um processo de isolamento internacional que extrapola sanções
econômicas e militares, alcançando cultura, esporte e entretenimento. O futebol
foi mobilizado como parte desse esforço de deslegitimação global.
Por
outro lado, os Estados Unidos ocupam posição distinta dentro da ordem
internacional. Como argumenta Antonio Gramsci, a hegemonia se sustenta não
apenas pela força, mas pela capacidade de produzir consenso e apresentar seus
interesses particulares como universais. O poder hegemônico consegue definir
quais guerras são “defensivas”, quais intervenções são “humanitárias” e quais
violências merecem condenação internacional.
Nesse
sentido, os EUA não são tratados como um ator comum do sistema internacional.
São o centro da ordem hegemônica construída após a Segunda Guerra Mundial. A
própria ideia de uma “ordem internacional baseada em regras” frequentemente
opera como linguagem ideológica que legitima os interesses do poder dominante.
Quando Washington invade países, promove assassinatos seletivos ou impõe
bloqueios econômicos devastadores, esses atos raramente produzem exclusão
esportiva. Ao contrário: os EUA seguem sendo apresentados como guardiões da
democracia liberal e do “mundo livre”.
A
contradição torna-se ainda mais evidente no caso do Irã. Durante os últimos
meses, esteve em dúvida a participação da seleção iraniana na Copa do Mundo de
2026. Não por desempenho esportivo, corrupção ou violação das regras da FIFA,
mas porque seus jogadores poderiam simplesmente não receber vistos para entrar
nos Estados Unidos. A lógica esportiva foi completamente invertida: o país
anfitrião passou a influenciar o poder de decidir, politicamente, quem poderia
ou não competir.
A
Federação Iraniana exigiu garantias explícitas de segurança e livre entrada
para todos os jogadores e membros da comissão técnica, especialmente aqueles
que cumpriram serviço militar obrigatório junto à Guarda Revolucionária
Islâmica (IRGC), caso de atletas como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi. A
preocupação iraniana surgiu após integrantes da delegação enfrentarem problemas
de visto em eventos ligados à FIFA e diante do fato de que todos os jogos da
fase de grupos da seleção ocorrerão em território estadunidense.
O mais
impressionante é que essa situação foi tratada quase com naturalidade por parte
da mídia ocidental e das instituições esportivas. Imagine-se o contrário: uma
Copa sediada por Rússia, China ou Irã ameaçando impedir a entrada de jogadores
de determinadas seleções por razões político-ideológicas. O escândalo seria
imediato. Mas quando o poder hegemônico impõe restrições, elas são enquadradas
como “questões de segurança nacional”.
Além
disso, cresce o temor em torno das ações autoritárias do U.S. Immigration and
Customs Enforcement, mais conhecido e temido pela sua sigla, ICE. O
endurecimento das políticas migratórias nos EUA, marcado por detenções
arbitrárias, deportações e perseguições contra estrangeiros, projeta uma sombra
sobre a própria realização do Mundial. Torcedores estrangeiros, trabalhadores
migrantes e membros de delegações convivem com o medo constante de abordagens
discriminatórias, dificuldades migratórias e repressão estatal. Uma Copa do
Mundo, que deveria simbolizar circulação global, integração cultural e encontro
entre povos, corre o risco de ocorrer sob um ambiente de vigilância,
intimidação e securitização permanente.
Ao
mesmo tempo, os Estados Unidos intensificam políticas agressivas de caráter
imperial. A guerra tarifária contra diversos países do mundo, a tentativa de
reorganizar coercitivamente cadeias globais de produção, as ameaças abertas de
anexação da Groenlândia e as reiteradas ingerências contra governos
considerados “hostis” demonstram que a lógica imperial permanece viva. A
política externa estadunidense segue operando sob a ideia de que Washington
possui legitimidade para disciplinar o sistema internacional e impor
unilateralmente seus interesses estratégicos.
Um caso
particularmente ilustrativo é o da Venezuela, cuja história recente evidencia
ainda mais a seletividade das normas internacionais contemporâneas. Em 2026, os
Estados Unidos realizaram uma operação militar que resultou na captura e
remoção do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores,
transferindo-os para custódia norte-americana e, posteriormente, para Nova
York, onde passaram a responder a acusações criminais. Essa ação constituiu uma
clara violação da soberania nacional venezuelana e uma ruptura direta do
direito internacional, na medida em que envolveu o uso unilateral da força em
território de um Estado soberano, sem autorização das Nações Unidas ou qualquer
mandato jurídico internacionalmente reconhecido. Esse episódio foi acompanhado
por debates mais amplos sobre a legalidade da operação e suas implicações para
o direito internacional, com parcelas significativas da comunidade
internacional questionando sua compatibilidade com os princípios fundamentais
da Carta da ONU e com a soberania da Venezuela. Nesse contexto, até mesmo a
discussão pública nos Estados Unidos sobre a possibilidade de capturar e
remover à força Maduro do poder já sinalizava a normalização de práticas
fundamentalmente incompatíveis com os princípios de soberania estatal quando
aplicadas a países alvos da política externa estadunidense.
O caso
de Israel é igualmente revelador da seletividade moral do futebol global. Ao
longo dos últimos anos, acumulam-se denúncias de limpeza étnica, apartheid,
massacres contra civis palestinos, destruição sistemática de infraestrutura e
assassinatos em massa em Gaza. Ainda assim, não há qualquer movimento efetivo
da FIFA para suspender Israel de competições internacionais.
A
contradição torna-se evidente quando se compara a velocidade da punição à
Rússia com a complacência diante da violência israelense. Isso demonstra que os
critérios da FIFA não são universais, mas profundamente políticos. Alguns
Estados podem ser convertidos em párias internacionais; outros permanecem
protegidos pela estrutura de alianças e interesses da hegemonia ocidental.
O
futebol, nesse cenário, funciona como aparelho ideológico da ordem
internacional. A narrativa da “neutralidade esportiva” é utilizada
seletivamente. Quando interessa ao bloco hegemônico, esporte e política se
misturam rapidamente. Quando não interessa, invoca-se a autonomia esportiva
para evitar punições e preservar aliados estratégicos.
A
própria Copa do Mundo FIFA 2026 simboliza essa contradição histórica. O torneio
será sediado pelos Estados Unidos, Canadá e México, mas inevitavelmente terá os
EUA como centro político e simbólico do evento. A competição ocorrerá
justamente num contexto de crise da hegemonia estadunidense, ascensão chinesa,
aprofundamento das disputas multipolares e crescente contestação do poder
ocidental no Sul Global.
Em
termos gramscianos, vive-se um momento de crise hegemônica: “o velho está
morrendo e o novo ainda não pode nascer”. O endurecimento das sanções, das
guerras híbridas, das disputas narrativas e da instrumentalização do esporte
revela exatamente esse processo. O poder dominante percebe o enfraquecimento
relativo de sua capacidade de convencimento e, por isso, intensifica
simultaneamente coerção e propaganda.
A FIFA,
longe de escapar dessa lógica, integra-a. O futebol globalizado tornou-se parte
da engrenagem do capitalismo internacional e das estruturas de poder do
imperialismo contemporâneo. Sua governança reflete as assimetrias do sistema
mundial.
Isso
não significa defender guerras ou relativizar tragédias humanas. Significa
questionar por que algumas vítimas mobilizam indignação universal imediata,
enquanto outras permanecem invisibilizadas. Significa perguntar por que
determinados Estados são punidos exemplarmente e outros seguem legitimados,
premiados e celebrados.
A
suspensão da Rússia demonstrou que a FIFA é plenamente capaz de agir
politicamente quando deseja. Como já apontado publicamente por mim em 2022,
desde o primeiro momento daquela decisão, tratava-se de uma medida excepcional,
sem precedentes no futebol internacional, dificilmente aplicável a países
alinhados à hegemonia ocidental. O desenrolar dos acontecimentos apenas
reforçou essa percepção. O silêncio diante de Israel, a naturalização do
protagonismo dos EUA na Copa de 2026 e a própria possibilidade de uma seleção
classificada ser impedida de competir por restrições migratórias do país
anfitrião demonstram que o problema nunca foi a politização do esporte. O
problema é quem possui poder suficiente para definir quais violências importam
e quais podem continuar sendo tratadas como normais.
¨
Copa do Mundo 2026: do jogo intuitivo e individual ao
futebol altamente complexo. Por Alexandre Machado Rosa
A
seleção brasileira já não enfrenta apenas adversários talentosos, mas sistemas
coletivos sofisticados, treinados em alta intensidade e sustentados por
ciência, tecnologia, organização tática e muito dinheiro
O
futebol brasileiro chega à Copa do Mundo de 2026 atrás de seleções mais
homogêneas e organizadas coletivamente. França, Argentina, Espanha, Inglaterra
e Holanda apresentam, hoje, estruturas de jogo mais consistentes, maior
continuidade de trabalho e modelos táticos mais amadurecidos do que a seleção
brasileira.
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Durante
décadas, o Brasil construiu sua identidade futebolística a partir da
genialidade individual. O país se consagrou mundialmente pela capacidade de
produzir jogadores habilidosos, criativos e imprevisíveis, capazes de decidir
partidas em jogadas de improviso, dribles rápidos e soluções intuitivas. O
“futebol-arte” brasileiro tornou-se uma marca cultural e política da própria
ideia de Brasil no imaginário internacional.
Mas o
futebol contemporâneo mudou profundamente. Nas principais ligas europeias, o
jogo tornou-se uma atividade altamente complexa, baseada em ocupação racional
dos espaços, pressão coordenada, intensidade física, análise de dados,
automatismos coletivos e múltiplas funções táticas exercidas simultaneamente
pelos jogadores. O improviso continua existindo, mas ele passou a operar dentro
de estruturas extremamente organizadas.
A
história das Copas do Mundo também pode ser compreendida como a história da
evolução dos sistemas táticos. Do WM dos anos 1930, que organizava o time em
linhas mais rígidas e setorizadas, passando pelo lendário 4-2-4 brasileiro da
década de 1950, houve uma profunda transformação no entendimento coletivo do
jogo. O sistema brasileiro revolucionou o futebol ao criar maior equilíbrio
entre defesa e ataque, além de definir funções táticas mais claras para cada
setor.
Nos
anos 1970, ocorre uma ruptura ainda mais radical. A Holanda de Rinus Michels e
Johan Cruyff introduziu o chamado “Futebol Total”, baseado na fluidez
posicional. Jogadores trocavam constantemente de funções sem alterar a
estrutura coletiva da equipe. Laterais apareciam no ataque, atacantes
recompunham defensivamente e meio-campistas ocupavam múltiplos espaços do
campo. O jogo passou a exigir atletas mais completos física, técnica e
cognitivamente.
A
partir dos anos 2000, surge um novo paradigma que permanece dominante até hoje
e deverá marcar profundamente a Copa de 2026. Pep Guardiola tornou-se uma das
figuras centrais desse processo ao aperfeiçoar o futebol posicional e
potencializar o chamado “tiki-taka”, modelo baseado em circulação rápida da
bola, superioridade numérica nos setores do campo, controle espacial e pressão
imediata após a perda da posse da bola.
Mais do
que trocar passes, trata-se de controlar o jogo através da ocupação inteligente
dos espaços. O jogador contemporâneo precisa interpretar constantemente o
ambiente, tomar decisões rápidas sob pressão e executar funções cada vez mais
híbridas. A dimensão cognitiva do futebol ganhou enorme importância.
Ao
mesmo tempo, o avanço das ciências do esporte alterou profundamente a
preparação física e estratégica das equipes. GPS, monitoramento fisiológico,
inteligência artificial, análise de desempenho e departamentos
multidisciplinares transformaram o futebol em uma engrenagem altamente
profissionalizada. Hoje, seleções e clubes de elite trabalham com dados
detalhados sobre deslocamentos, intensidade, recuperação física e comportamento
coletivo.
Nesse
cenário, o Brasil enfrenta um problema estrutural. Continuamos produzindo
talentos individuais extraordinários, mas temos dificuldade em consolidar um
modelo coletivo moderno, estável e competitivo. Há descontinuidade nos
projetos, mudanças frequentes de treinadores e pouca integração entre formação
de base e identidade tática nacional.
A
Argentina campeã do mundo em 2022 talvez seja um bom exemplo da síntese
contemporânea. Possui talento individual associado a organização coletiva,
intensidade emocional e clareza estratégica. Messi continuou decisivo, mas
dentro de uma equipe extremamente solidária e funcional.
A Copa
de 2026 deverá representar mais um capítulo dessa transformação histórica do
futebol. O jogo intuitivo e individual não desapareceu, ele apenas deixou de
ser suficiente sozinho. O futebol contemporâneo exige criatividade, mas também
coordenação coletiva, inteligência espacial, intensidade física e capacidade de
adaptação permanente.
O
desafio brasileiro talvez seja justamente reencontrar sua tradição criativa sem
abrir mão da complexidade tática que define o futebol do século XXI.
Fonte:
Outras Palavras/Brasil 247

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