Arnóbio
Rocha: O Risco Colômbia!
O
Presidente Gustavo Petro se colocou à esquerda de Lula, foi para o
enfrentamento mais direto, em vários temas se posicionou de forma diversa do
Presidente brasileiro, o que lhe rendeu um apoio maior na esquerda do Brasil,
quase como um contraponto.
De
certa forma, Petro e Boric, apontavam caminhos alternativos frente ao
pragamtismo que Lula e o PT conduzem o Brasil, com 5 vitórias, e dois segundo
turno no Brasil, num duro cenário político e complexidade.
Boric
ao vencer, ainda lembro na sua vitória, o Psol o tinha como a referência, uma
espécie de modelo a ser seguido, vindo de grupo que não da esquerda tradicional
chilena, PC e PS. O Governo Boric efetivamente fracassou, não apenas
eleitoralmente, nem se viabilizando nas eleições vencidas por um soldado de
Pinochet.
As
esperanças se voltaram para Petro. Muitas vezes ouvi que a tática política de
Petro era mais adequada e que Lula e o PT deveriam se referenciar nas atitudes
que o Presidente colombiano assumia e que seu governo teria uma sucessão mais
tranquila, pois enfrentava melhor o ultraliberalismo.
A
vitória da extrema-direita no primeiro turno traz uma dura lição de que cada
país tem sua realidade, seus enfrentamentos, conjunturas distintas, nem sempre
o que se aplica aqui, serve para lá, ou o contrário. Assim é legítimo que
a esquerda não petista busque outras experiências, mas também é legítimo que se
reconheça que a experiência petista tem muita raiz e é a resistência (com todas
as contradições) ao ultraliberalismo, pela própria complexidade local.
Talvez
o momento é de apoio incondicional na Colômbia para reverter uma situação
extremamente difícil e decisiva para os EUA, como também ao Brasil, ainda
que em tantas situações, Petro não seguiu a liderança brasileira, o que é
legítimo, mas poderia ter buscado uma maior unidade.
Para o
Brasil, a unidade da Esquerda, dos seletores democráticos, até na
centro-direita, foi a chave da vitória de 2022, aparentemente será mais uma vez
em 2026, esse caminho poderia ajudar o candidato de Petro, ajustar o discurso e
a tática eleitoral.
O
Brasil ficaria completamente isolado na América do Sul, sem nenhum diálogo
regional e cercado pela extrema-direita. O que acende a luz vermelha, dos
riscos deste cerco e dos significados para eleições e muito além dela.
Cenário
sombrio.
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Colômbia: Petro e seu candidato Cepeda denunciam
irregularidades. Por Tereza Cruvinel
Com
100% das urnas apuradas, o candidato da extrema direita colombiana, Abelardo de
la Espriella, obteve surpreendentes 43% dos votos (10,3 milhões) e vai disputar
o segundo turno com o candidato da esquerda, Iván Cepeda, apoiado pelo
presidente Gustavo Petro, que obteve 40% dos votos (9,6 milhões). Cepeda
liderou a disputa ao longo da campanha, mas os dois chegaram ao pleito
tecnicamente empatados.
Após o
encerramento da apuração, tanto o presidente Gustavo Petro como seu candidato
recusaram-se a reconhecer o resultado anunciado pela empresa encarregada da
votação eletrônica, afirmando que só reconhecerão a contagem oficial que será
feita pelas “comissões escrutinadoras” da Justiça Eleitoral.
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Em
postagem no X, o presidente colombiano afirmou:
- A contagem
anunciada não tem força vinculante. Seus dados não são norma pública. Como
presidente, não aceito os resultados apresentados pela empresa privada dos
irmãos Bautista. Os algoritmos do software de contagem e escrutínio, na
última semana, apresentaram variações em três oportunidades e agregaram
800 mil cédulas de pessoas que não estão no censo eleitoral oficial. O
resultado vinculante que o presidente aceitará será aquele apresentado
pelas comissões escrutinadoras dirigidas pelos juízes da República.
Cepeda
fez um duro pronunciamento na mesma linha, afirmando que foram registradas
muitas irregularidades que precisam ser esclarecidas. Além do aumento do número
de votantes em mais de 800 mil, milhares de postos de votação teriam sido
trocados de lugar sem aviso prévio, o que impediu muita gente de votar. Isso
teria acontecido nas zonas eleitorais mais identificadas com o governo.
- Sem dúvida,
forças externas, inclusive governos estrangeiros, meteram a mão em nossa
eleição, a exemplo do senhor presidente Noboa (presidente do Equador),
certamente concertado com o senhor De la Espriella.
Ele
encerrou convocando as forças aliadas para derrotarem, no segundo turno de 21
de junho, o adversário que chamou de “advogado do narcotráfico e representante
do fascismo mafioso”.
A
contagem oficial levará pelo menos três semanas, como destacaram os críticos de
Petro, entre eles o candidato da extrema direita e o ex-presidente Álvaro
Uribe, da direita tradicional no país. A demora no reconhecimento do resultado
vai gerar instabilidade política e desconfiança da população em relação ao
sistema eleitoral do país.
De la
Espriella celebrou a vitória, que seria “dos que nunca viveram da teta do
Estado”, e ontem mesmo recebeu o apoio da terceira colocada, a candidata do
uribismo, Paloma Valencia, que obteve 8% dos votos.
Novamente,
os colombianos irão decidir, em 21 de junho, se querem a continuidade das
políticas públicas progressistas implantadas por Petro ou o retrocesso com a
eleição do extremista de direita, alinhado com Trump, Milei e Bukele, o
autocrata de El Salvador no qual muito se inspira.
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Cepeda pode vencer se repetir virada de Petro em 2022.
Por Breno Altman
Não há
razões para chorar derrota antes da hora na Colômbia. Isso é o que
demonstra a matemática.
Nas eleições de 2022, Gustavo Petro
amealhou 8.542.020 votos no primeiro turno, equivalente a 40,3% da apuração. A
direita, dividida em duas candidaturas equilibradas, chegou a 11.035.057, um
total de 52,1%: Rodolfo Hernandez foi ao segundo turno com 28,2%, Fico
Gutiérrez acabou excluído da rodada decisiva com 23,9%.
Entre
os demais postulantes com alguma relevância, na centro-esquerda Sérgio Fajardo
alcançou 885.291 votos (4,2%) e, na direita, John Milton Rodriguez pontuou com
271.386 (1,3%).
Trocando
em miúdos: o campo progressista obteve 9.427.311 votos (44,5%), o conservador
chegou a 11.306.443 (53,4%).
Mas
Petro ganhou no segundo turno com 11.291.986 votos, contra 10.580.412 de
Hernandez – 50,4% contra 47,3%, mais 2,3% de brancos e nulos.
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Como foi possível essa virada?
A
principal razão talvez tenha sido o aumento do número de votantes: 55% dos
39.002.239 eleitores foram às urnas na primeira volta, contra 58,2% na segunda.
Mas
também é notável como quase 500 mil eleitores que apoiaram algum candidato de
direita, no primeiro turno, giraram à esquerda no segundo.
Naquela
oportunidade, a campanha de Petro conseguiu ampliar fortemente, entre as duas
rodadas, a mobilização dos eleitores descontentes com governos conservadores.
Apostou-se na identificação de Hernandez com as políticas neoliberais,
autoritárias e de submissão aos Estados Unidos, além das suspeitas de
corrupção.
Deu
certo. Mais gente foi às urnas e um décimo dos eleitores de Gutierrez
abandonaram o barco da direita.
Os
números atuais, em primeiro turno, são semelhantes e até mais favoráveis à
coalizão progressista.
Ivan
Cepeda, do Pacto Histórico, conquistou 9.688.361 votos (40,9%). Juntando-se com
as preferências por Sergio Fajardo (4,3%), Claudia López (1%) e Raul Botero
(0,9%), chega-se a 11.129.091 votos, ou 47,1% do eleitorado.
Abelardo
de la Espriella bateu em 10.361.499 votos (43,7%). Somando os sufrágios em
Paloma Valencia, a direita vai a 12.001.184 votos (50,7%).
A
diferença favorável aos conservadores, no primeiro turno de 2022, era ao redor
de 1,9 milhão de votos. Agora é de aproximadamente 870 mil.
As más
notícias para a esquerda são duas.
A
primeira: Cepeda chegou atrás na primeira volta, ao contrário de Petro em 2022,
o que lhe tira tração.
A
segunda: o eleitorado de Paloma Valencia foi bem menor do que o de Gutierrez em
2022 e é mais fechado ao discurso de esquerda.
A
vitória dependeria, nessas circunstâncias, de convencer mais gente a votar no
dia 21 de junho, conquistando um saldo positivo de 870 mil votos entre os
42,12% do eleitorado (17.446.935 cidadãos) que se abstiveram em 31 de maio.
Esse já
parece ser o caminho de Petro e Cepeda: denunciando possíveis fraudes, optam
por aprofundar a polarização contra a direita e criar um clima de pátria em
perigo.
Recusam,
ao menos por ora, os encantos de um discurso mais moderado, eventualmente
atrativo para eleitores centristas, mas ineficaz para colocar suas fileiras em
movimento por todo o país, como atual presidente conseguiu fazer há quatro
anos.
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Iván Cepeda desafia Abelardo de la Espriella para um
debate político e eleitoral
O
candidato à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, do
partido Pacto Histórico, desafiou o opositor de extrema-direita
Abelardo de la Espriella para um debate político e eleitoral nesta
segunda-feira (01/06) para comparar suas visões para o país antes do segundo
turno das eleições, marcado para 21 de junho.
Cepeda
formalizou o encontro por meio de uma publicação nas redes sociais,
especificando que as condições da reunião serão definidas por pessoas
designadas por sua equipe de campanha, cujos nomes serão anunciados em breve.
Esta
iniciativa mantém a sua posição desde meados de abril, quando Cepeda rejeitou a
cultura do espetáculo e limitou os debates a representantes da extrema-direita,
como Paloma Valencia e
De la Espriella, para confrontar claramente duas visões opostas do país.
Entretanto, Iván Cepeda
denunciou graves irregularidades eleitorais cometidas no domingo. O senador relatou
uma discrepância de 885 mil pessoas no cadastro eleitoral, evidências de
votação atípica em seções eleitorais sob investigação por sua equipe de
segurança e a mudança inesperada de locais de votação horas antes da votação, o
que ele descreveu como uma manobra institucional para suprimir o voto popular
em áreas com forte base progressista.
Devido
a essas inconsistências, o Pacto Histórico adiará seu pronunciamento final até
que as comissões eleitorais esclareçam os dados
publicamente e de forma clara. Setores populares alertaram que essas
discrepâncias constituem uma tentativa da oligarquia colombiana de sabotar o
projeto de soberania nacional, o que é inconveniente para os interesses de
Washington.
Cepeda
também condenou a interferência aberta de governos e agentes estrangeiros
subordinados a agendas geopolíticas externas que buscam minar a vontade do povo
colombiano.
A Colômbia realizou
eleições presidenciais neste domingo (31/05). Os resultados preliminares da
primeira apuração deram ao candidato de extrema-direita Abelardo de la
Espriella, da plataforma Defensores da Pátria, 43,74% dos votos, enquanto o
líder progressista Iván Cepeda, do Pacto Histórico, obteve 40,90%.
Como
nenhum dos candidatos atingiu 50%, eles disputarão o segundo turno das eleições
em 21 de junho, processo no qual os votos dos candidatos eliminados serão
decisivos para definir o mandato.
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Petro questiona resultados do primeiro turno na Co
O
presidente da Colômbia, Gustavo Petro, questionou o resultado apresentado pelo
Registro Nacional Eleitoral sobre o primeiro turno das eleições presidenciais
realizadas neste domingo (31/05).
Em mensagem publicada neste mesmo
domingo,
o mandatário disse que as estatísticas apresentadas até o momento se referem à
chamada “contagem rápida”, que “não tem força legal e não são de domínio
público”.
Ademais,
Petro criticou o fato de que tais dados são produzidos por um software manejado
pela empresa privada Thomas Greg & Sons, pertencente aos irmão Felipe, Camilo e Fernando
Bautista, que possuem relações de negócios com o empresário e candidato de
extrema direita Abelardo de la Espriella, apontado na apuração como vencedor do
primeiro turno.
“Como
presidente, não aceito os resultados da contagem preliminar da empresa privada
pertencente aos irmãos Bautista”, afirma Petro.
O
advogado e empresário de ultradireita Abelardo de la Espriella (Defensores
de La Pátria) foi o mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais da
Colômbia.
Com 98,70% do total já contabilizado, o ultraliberal aparece com 10,2 milhões
de votos, equivalentes a 43,73%, e não pode mais ser ultrapassado pelos demais
candidatos.
Em
segundo lugar ficou o senador do partido governista Iván Cepeda (Pacto
Histórico), aliado do presidente Gustavo Petro, que reuniu 9,5 milhões de
votos, equivalentes a 40,91%. Os candidatos passaram para o segundo turno,
marcado para o dia 21 de junho.
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800 mil eleitores a mais
O
presidente colombiano argumenta que “apesar de os algoritmos do software de
contagem e apuração deverem permanecer estáticos, foram alterados três vezes na
última semana, adicionando 800 mil títulos de eleitor pertencentes a pessoas
não incluídas no censo oficial”.
Segundo
Petro, “atualmente, existem dois censos: o oficial e o produzido pelo software
dos irmãos Bautista, que inclui 800 mil pessoas adicionais”.
“As
seções eleitorais que já foram contestadas demonstram que centenas de milhares
de votos foram adicionados sem a existência de eleitores registrados”,
acrescenta o mandatário.
O
presidente da Colômbia finalizou sua mensagem dizendo que “de acordo com a lei,
os resultados vinculativos que o presidente considerará e aceitará são os das
comissões eleitorais supervisionadas pelos juízes da República”.
Fonte:
Brasil 247/Opera Mundi

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