quarta-feira, 3 de junho de 2026

Arnóbio Rocha: O Risco Colômbia!

O Presidente Gustavo Petro se colocou à esquerda de Lula, foi para o enfrentamento mais direto, em vários temas se posicionou de forma diversa do Presidente brasileiro, o que lhe rendeu um apoio maior na esquerda do Brasil, quase como um contraponto.

De certa forma, Petro e Boric, apontavam caminhos alternativos frente ao pragamtismo que Lula e o PT conduzem o Brasil, com 5 vitórias, e dois segundo turno no Brasil, num duro cenário político e complexidade.

Boric ao vencer, ainda lembro na sua vitória, o Psol o tinha como a referência, uma espécie de modelo a ser seguido, vindo de grupo que não da esquerda tradicional chilena, PC e PS. O Governo Boric efetivamente fracassou, não apenas eleitoralmente, nem se viabilizando nas eleições vencidas por um soldado de Pinochet.

As esperanças se voltaram para Petro. Muitas vezes ouvi que a tática política de Petro era mais adequada e que Lula e o PT deveriam se referenciar nas atitudes que o Presidente colombiano assumia e que seu governo teria uma sucessão mais tranquila, pois enfrentava melhor o ultraliberalismo. 

A vitória da extrema-direita no primeiro turno traz uma dura lição de que cada país tem sua realidade, seus enfrentamentos, conjunturas distintas, nem sempre o que se aplica aqui, serve para lá, ou o contrário.  Assim é legítimo que a esquerda não petista busque outras experiências, mas também é legítimo que se reconheça que a experiência petista tem muita raiz e é a resistência (com todas as contradições) ao ultraliberalismo, pela própria complexidade local.

Talvez o momento é de apoio incondicional na Colômbia para reverter uma situação extremamente difícil e decisiva para os EUA, como também ao Brasil,  ainda que em tantas situações, Petro não seguiu a liderança brasileira, o que é legítimo, mas poderia ter buscado uma maior unidade.

Para o Brasil, a unidade da Esquerda, dos seletores democráticos, até na centro-direita, foi a chave da vitória de 2022, aparentemente será mais uma vez em 2026, esse caminho poderia ajudar o candidato de Petro, ajustar o discurso e a tática eleitoral. 

O Brasil ficaria completamente isolado na América do Sul, sem nenhum diálogo regional e cercado pela extrema-direita. O que acende a luz vermelha, dos riscos deste cerco e dos significados para eleições e muito além dela.

Cenário sombrio. 

¨      Colômbia: Petro e seu candidato Cepeda denunciam irregularidades. Por Tereza Cruvinel

Com 100% das urnas apuradas, o candidato da extrema direita colombiana, Abelardo de la Espriella, obteve surpreendentes 43% dos votos (10,3 milhões) e vai disputar o segundo turno com o candidato da esquerda, Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, que obteve 40% dos votos (9,6 milhões). Cepeda liderou a disputa ao longo da campanha, mas os dois chegaram ao pleito tecnicamente empatados.

Após o encerramento da apuração, tanto o presidente Gustavo Petro como seu candidato recusaram-se a reconhecer o resultado anunciado pela empresa encarregada da votação eletrônica, afirmando que só reconhecerão a contagem oficial que será feita pelas “comissões escrutinadoras” da Justiça Eleitoral.

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Em postagem no X, o presidente colombiano afirmou:

  • A contagem anunciada não tem força vinculante. Seus dados não são norma pública. Como presidente, não aceito os resultados apresentados pela empresa privada dos irmãos Bautista. Os algoritmos do software de contagem e escrutínio, na última semana, apresentaram variações em três oportunidades e agregaram 800 mil cédulas de pessoas que não estão no censo eleitoral oficial. O resultado vinculante que o presidente aceitará será aquele apresentado pelas comissões escrutinadoras dirigidas pelos juízes da República.

Cepeda fez um duro pronunciamento na mesma linha, afirmando que foram registradas muitas irregularidades que precisam ser esclarecidas. Além do aumento do número de votantes em mais de 800 mil, milhares de postos de votação teriam sido trocados de lugar sem aviso prévio, o que impediu muita gente de votar. Isso teria acontecido nas zonas eleitorais mais identificadas com o governo.

  • Sem dúvida, forças externas, inclusive governos estrangeiros, meteram a mão em nossa eleição, a exemplo do senhor presidente Noboa (presidente do Equador), certamente concertado com o senhor De la Espriella.

Ele encerrou convocando as forças aliadas para derrotarem, no segundo turno de 21 de junho, o adversário que chamou de “advogado do narcotráfico e representante do fascismo mafioso”.

A contagem oficial levará pelo menos três semanas, como destacaram os críticos de Petro, entre eles o candidato da extrema direita e o ex-presidente Álvaro Uribe, da direita tradicional no país. A demora no reconhecimento do resultado vai gerar instabilidade política e desconfiança da população em relação ao sistema eleitoral do país.

De la Espriella celebrou a vitória, que seria “dos que nunca viveram da teta do Estado”, e ontem mesmo recebeu o apoio da terceira colocada, a candidata do uribismo, Paloma Valencia, que obteve 8% dos votos.

Novamente, os colombianos irão decidir, em 21 de junho, se querem a continuidade das políticas públicas progressistas implantadas por Petro ou o retrocesso com a eleição do extremista de direita, alinhado com Trump, Milei e Bukele, o autocrata de El Salvador no qual muito se inspira.

¨      Cepeda pode vencer se repetir virada de Petro em 2022. Por Breno Altman

Não há razões para chorar derrota antes da hora na Colômbia. Isso é o que demonstra a matemática.

Nas eleições de 2022, Gustavo Petro amealhou 8.542.020 votos no primeiro turno, equivalente a 40,3% da apuração. A direita, dividida em duas candidaturas equilibradas, chegou a 11.035.057, um total de 52,1%: Rodolfo Hernandez foi ao segundo turno com 28,2%, Fico Gutiérrez acabou excluído da rodada decisiva com 23,9%.

Entre os demais postulantes com alguma relevância, na centro-esquerda Sérgio Fajardo alcançou 885.291 votos (4,2%) e, na direita, John Milton Rodriguez pontuou com 271.386 (1,3%).

Trocando em miúdos: o campo progressista obteve 9.427.311 votos (44,5%), o conservador chegou a 11.306.443 (53,4%).

Mas Petro ganhou no segundo turno com 11.291.986 votos, contra 10.580.412 de Hernandez – 50,4% contra 47,3%, mais 2,3% de brancos e nulos.

<><> Como foi possível essa virada?

A principal razão talvez tenha sido o aumento do número de votantes: 55% dos 39.002.239 eleitores foram às urnas na primeira volta, contra 58,2% na segunda.

Mas também é notável como quase 500 mil eleitores que apoiaram algum candidato de direita, no primeiro turno, giraram à esquerda no segundo.

Naquela oportunidade, a campanha de Petro conseguiu ampliar fortemente, entre as duas rodadas, a mobilização dos eleitores descontentes com governos conservadores. Apostou-se na identificação de Hernandez com as políticas neoliberais, autoritárias e de submissão aos Estados Unidos, além das suspeitas de corrupção.

Deu certo. Mais gente foi às urnas e um décimo dos eleitores de Gutierrez abandonaram o barco da direita.

Os números atuais, em primeiro turno, são semelhantes e até mais favoráveis à coalizão progressista.

Ivan Cepeda, do Pacto Histórico, conquistou 9.688.361 votos (40,9%). Juntando-se com as preferências por Sergio Fajardo (4,3%), Claudia López (1%) e Raul Botero (0,9%), chega-se a 11.129.091 votos, ou 47,1% do eleitorado.

Abelardo de la Espriella bateu em 10.361.499 votos (43,7%). Somando os sufrágios em Paloma Valencia, a direita vai a 12.001.184 votos (50,7%).

A diferença favorável aos conservadores, no primeiro turno de 2022, era ao redor de 1,9 milhão de votos. Agora é de aproximadamente 870 mil.

As más notícias para a esquerda são duas.

A primeira: Cepeda chegou atrás na primeira volta, ao contrário de Petro em 2022, o que lhe tira tração.

A segunda: o eleitorado de Paloma Valencia foi bem menor do que o de Gutierrez em 2022 e é mais fechado ao discurso de esquerda.

A vitória dependeria, nessas circunstâncias, de convencer mais gente a votar no dia 21 de junho, conquistando um saldo positivo de 870 mil votos entre os 42,12% do eleitorado (17.446.935 cidadãos) que se abstiveram em 31 de maio.

Esse já parece ser o caminho de Petro e Cepeda: denunciando possíveis fraudes, optam por aprofundar a polarização contra a direita e criar um clima de pátria em perigo.

Recusam, ao menos por ora, os encantos de um discurso mais moderado, eventualmente atrativo para eleitores centristas, mas ineficaz para colocar suas fileiras em movimento por todo o país, como atual presidente conseguiu fazer há quatro anos.

¨      Iván Cepeda desafia Abelardo de la Espriella para um debate político e eleitoral

O candidato à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, do partido Pacto Histórico, desafiou o opositor de extrema-direita Abelardo de la Espriella para um debate político e eleitoral nesta segunda-feira (01/06) para comparar suas visões para o país antes do segundo turno das eleições, marcado para 21 de junho.

Cepeda formalizou o encontro por meio de uma publicação nas redes sociais, especificando que as condições da reunião serão definidas por pessoas designadas por sua equipe de campanha, cujos nomes serão anunciados em breve.

Esta iniciativa mantém a sua posição desde meados de abril, quando Cepeda rejeitou a cultura do espetáculo e limitou os debates a representantes da extrema-direita, como Paloma Valencia e De la Espriella, para confrontar claramente duas visões opostas do país.

Entretanto, Iván Cepeda denunciou graves irregularidades eleitorais cometidas no domingo. O senador relatou uma discrepância de 885 mil pessoas no cadastro eleitoral, evidências de votação atípica em seções eleitorais sob investigação por sua equipe de segurança e a mudança inesperada de locais de votação horas antes da votação, o que ele descreveu como uma manobra institucional para suprimir o voto popular em áreas com forte base progressista.

Devido a essas inconsistências, o Pacto Histórico adiará seu pronunciamento final até que as comissões eleitorais esclareçam os dados publicamente e de forma clara. Setores populares alertaram que essas discrepâncias constituem uma tentativa da oligarquia colombiana de sabotar o projeto de soberania nacional, o que é inconveniente para os interesses de Washington.

Cepeda também condenou a interferência aberta de governos e agentes estrangeiros subordinados a agendas geopolíticas externas que buscam minar a vontade do povo colombiano.

A Colômbia realizou eleições presidenciais neste domingo (31/05). Os resultados preliminares da primeira apuração deram ao candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella, da plataforma Defensores da Pátria, 43,74% dos votos, enquanto o líder progressista Iván Cepeda, do Pacto Histórico, obteve 40,90%.

Como nenhum dos candidatos atingiu 50%, eles disputarão o segundo turno das eleições em 21 de junho, processo no qual os votos dos candidatos eliminados serão decisivos para definir o mandato.

¨      Petro questiona resultados do primeiro turno na Co

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, questionou o resultado apresentado pelo Registro Nacional Eleitoral sobre o primeiro turno das eleições presidenciais realizadas neste domingo (31/05).

Em mensagem publicada neste mesmo domingo, o mandatário disse que as estatísticas apresentadas até o momento se referem à chamada “contagem rápida”, que “não tem força legal e não são de domínio público”.

Ademais, Petro criticou o fato de que tais dados são produzidos por um software manejado pela empresa privada Thomas Greg & Sons, pertencente aos irmão Felipe, Camilo e Fernando Bautista, que possuem relações de negócios com o empresário e candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, apontado na apuração como vencedor do primeiro turno.

“Como presidente, não aceito os resultados da contagem preliminar da empresa privada pertencente aos irmãos Bautista”, afirma Petro.

O advogado e empresário de ultradireita Abelardo de la Espriella (Defensores de La Pátria) foi o mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia. Com 98,70% do total já contabilizado, o ultraliberal aparece com 10,2 milhões de votos, equivalentes a 43,73%, e não pode mais ser ultrapassado pelos demais candidatos.

Em segundo lugar ficou o senador do partido governista Iván Cepeda (Pacto Histórico), aliado do presidente Gustavo Petro, que reuniu 9,5 milhões de votos, equivalentes a 40,91%. Os candidatos passaram para o segundo turno, marcado para o dia 21 de junho.

<><> 800 mil eleitores a mais

O presidente colombiano argumenta que “apesar de os algoritmos do software de contagem e apuração deverem permanecer estáticos, foram alterados três vezes na última semana, adicionando 800 mil títulos de eleitor pertencentes a pessoas não incluídas no censo oficial”.

Segundo Petro, “atualmente, existem dois censos: o oficial e o produzido pelo software dos irmãos Bautista, que inclui 800 mil pessoas adicionais”.

“As seções eleitorais que já foram contestadas demonstram que centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores registrados”, acrescenta o mandatário.

O presidente da Colômbia finalizou sua mensagem dizendo que “de acordo com a lei, os resultados vinculativos que o presidente considerará e aceitará são os das comissões eleitorais supervisionadas pelos juízes da República”.

 

Fonte: Brasil 247/Opera Mundi

 

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