Chico
Alves: ‘Tariflávio’ - um falso ‘patriota’ bem trapalhão atuando contra o Pix
Está na
relação de clássicos do cinema mundial a comédia de 1968 estrelada pelo genial
Peter Sellers, “Um convidado bem trapalhão”. A história gira em torno de um
simplório ator indiano que desembarca em uma festa de figurões de Hollywood e
apronta tantas trapalhadas que instala o caos, envolvendo todos os convidados.
A intenção de Hrundi V. Bakshi , o personagem vivido por Sellers, é fazer tudo
certo para aproveitar a oportunidade de estar no meio das estrelas, mas ele
erra 100% do que tenta e o resultado é uma grande bagunça.
Diante
dos fatos recentes, é inevitável o paralelo com Flávio Bolsonaro, o
presidenciável do PL que deseja chegar ao Palácio do Planalto com a única pauta
de libertar o pai, Jair, para manter vivo o golpismo. No quesito trapalhada é
difícil achar no cenário político
nacional um competidor à altura dele e dos irmãos.
No
último episódio, Flávio foi aos Estados Unidos para se encontrar com o poderoso
presidente dos Estados Unidos. O objetivo era mostrar prestígio e influência
sobre Trump, passar a ideia de parceira. Assim escaparia de dar explicações
sobre o áudio revelado pelo Intercept em que ele conversa com Daniel Vorcaro e
pede dinheiro, supostamente para investir no filme que conta parte da biografia
do pai. A foto com Trump e a reunião com J.D.Vance e Marco Rubio poderiam,
imaginou, tirar da pauta o Vorcarogate que o fez perder pontos nas pesquisas
eleitorais.
Deu
duplamente errado.
De um
lado, o estranho modelo de financiamento
do filme continua a render revelações escabrosas, agora sobre a produtora
encarregada da obra. Não sai do noticiário.
De
outro, a primeira medida tomada por Trump após a visita do presidenciável do PL
foi classificar PCC e CV como grupos terroristas. A decisão já estava tomada há
tempos, mas o senador comemorou e se apresentou como pai da criança, tentando
fazer parecer que o presidente estadunidense se guiou por sua opinião. Flávio
não pensou nos prejuízos que a medida pode causar aos bancos brasileiros, mas
esses efeitos colaterais logo foram alardeados na imprensa. Perdeu algum apoio
na Faria Lima, conta-se.
Mas
nada é tão ruim que não possa piorar.
Hoje, o
governo dos Estados Unidos anunciou a conclusão de uma suposta investigação
comercial contra o Brasil. Em um timing perfeito para desgastar ainda mais a
sua pré-candidatura, Flávio viu o Escritório de Comércio da Casa Branca
recomendar ao presidente um novo tarifaço de 25% e medidas que, entre outras
coisas, podem impactar negativamente o Pix, sistema de pagamento queridinho dos
brasileiros.
Assim
como aconteceu com Eduardo Bolsonaro no primeiro tarifaço, mais uma vez essa
conta deverá ser debitada do principal clã de golpistas do país, especialmente
do filho 01.
Seguindo
roteiro digno do personagem de Peter Sellers, Flávio Bolsonaro e seu assecla,
Paulo Figueiredo, correram às redes sociais para tentar apagar o incêndio.
Alegam que não pediram a Trump para tarifar o Brasil. Haverá forma mais eficaz
de se autoincriminar? Quem não tinha feito a relação entre a visita à Casa
Branca e o novo tarifaço agora fez.
Além do
mais, o fato é que o parceiro do qual o senador diz se orgulhar tanto assume,
mais uma vez, o papel de inimigo do Brasil.
Por
isso, rapidamente o presidenciável foi apelidado de “Tariflávio”, “Flávio
Taxadinha” e outros vulgos, além de receber como “homenagem” a habitual
enxurrada de memes nas redes.
O
senador do PL e seus aliados estão perplexos, esperemos seus próximos lances.
É certo
que cada novo movimento parece garantir uma sessão de “bom humor e
gargalhadas”, como diria o lema da jurássica série televisiva “Os Três
Patetas”.
No caso
do tarifaço, porém, os efeitos das medidas de Trump, o aliado de Flávio
Bolsonaro, sobre a economia brasileira não têm a mínima graça.
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‘Tariflávio’ e ‘Urubu Pix’: memes viralizam após ofensiva dos EUA ao PIX
A
visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca na última semana
ganhou um novo recorte após o governo de Donald Trump anunciar novas tarifas de
25% sobre produtos brasileiros e incluir o PIX entre os alvos de uma
investigação comercial contra o Brasil nesta terça-feira (2).
Flávio
esteve em Washington para reuniões com autoridades americanas que incluíram o
vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Após a reunião,
o senador afirmou que discutiu temas como tarifas comerciais, minerais
estratégicos e cooperação entre os dois países.
A
sequência dos acontecimentos provocou uma onda de críticas nas redes sociais.
Em discurso nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
acusou Flávio Bolsonaro de atuar contra os interesses do país ao buscar
interlocução com o governo de Donald Trump em meio à crise comercial entre
Brasil e Estados Unidos.
O
presidente chamou o senador de “imbecil” e “traidor da pátria” e relembrou
manifestações anteriores do parlamentar favoráveis ao tarifaço anunciado por
Trump em 2025.
• Nas redes, 84% criticam tarifaço e
ataque ao Pix feito pelos EUA; maior parte associa a Flávio
Monitoramento
feito pelo analista de redes Pedro Barciela mostra o impacto da proposta de
tarifaço e das ameaças ao Pix feitas pelo governo dos Estados Unidos na
pré-campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro. O senador do PL é alvo de
críticas e visto como alguém que apoia as medidas impopulares. A análise leva
em conta 535 mil citações no X, Instagram, Facebook e Tik Tok.
No
geral, o levantamento de Barciela aponta que 84% das publicações são
potencialmente negativas para a taxação, tema que aparece diretamente ligado à
Flávio Bolsonaro. Inclui os temas que associam Flávio ao “Tariflávio”, à
pressão contra o Pix, à submissão a interesses dos EUA, ao prejuízo ao Brasil,
à defesa do Pix como patrimônio nacional e ao possível desgaste eleitoral da
direita.
47%
culpam diretamente Flávio Bolsonaro e/ou o clã Bolsonaro pelo tarifaço. Os
demais 53% se dividem entre defesa do Pix sem necessariamente apontar culpado
direto, explicações técnicas, responsabilização de Lula/STF ou menções
neutras/informativas.
Também
entram as menções que tratam a taxação como ataque ao país, às empresas
brasileiras e à soberania. Apenas 11% são menções potencialmente positivas para
a taxação (e Flávio), rejeitando a culpa de Flávio, atribuindo a medida a Lula,
ao Supremo Tribunal Federal, a Alexandre de Moraes, à corrupção, à censura ou
ao desmatamento, além de conteúdos que dizem que Flávio poderia negociar com
Trump e evitar prejuízos ao Brasil.
O
centro da reação nas redes está no Pix, aponta Barciela. Em 24% das publicações
os usuários tratam o Pix como uma conquista nacional, gratuita, pública e
amplamente usada pela população, associando sua defesa à proteção da soberania
econômica do Brasil. O tema aparece em frases como “O Pix é nosso”, “O Pix é do
Brasil e do povo brasileiro” e na ideia de que o sistema reduziu custos para
consumidores, pequenos negócios e pessoas antes excluídas dos bancos.
O
argumento de que o sistema brasileiro concorre com cartões, meios privados de
pagamento e eventuais projetos como WhatsApp Pay, reduzindo taxas cobradas de
consumidores e comerciantes está presente em outros 13% das publicações.
Já
outros 22% vinculam a visita de Flávio Bolsonaro aos EUA, sua foto com Trump e
suas declarações posteriores à proposta de tarifa de 25% e à pressão contra o
Pix. O apelido “Tariflávio” aparece como síntese dessa associação, com a
leitura de que ele teria criado ou agravado um problema diplomático e comercial
para o Brasil.
Outros
cerca de 17% focam na subserviência do clã Bolsonaro aos EUA. Usam expressões
como “traidores da pátria”, “Bolsonaros inimigos do Brasil” e “entregar o
país”, relacionando o episódio a soberania, minerais, terras raras, petróleo,
empresas brasileiras e interferência externa.
Por
outro lado, 11% rejeitam a narrativa contra Flávio e afirmam que a investigação
da Seção 301 já existia ou que a proposta ainda passaria por etapas técnicas.
Outros 5% discutem ainda questões técnicas da proposta dos EUA e analisam os
impactos nos setores citados no documento.
A
composição da conversação apresenta o quão reativo foi o bolsonarismo/oposição
ao longo das últimas 24h: apenas 14% das interações estiveram nesse grupo,
contra 52% de interações no agrupamento antibolsonarista. A abordagem dessa
parcela se aproxima do cluster de imprensa que, por sua vez, detém 30% das
interações. Os não-polarizados somaram cerca de 3%.
• Lula defende Pix e diz que sistema
brasileiro assusta norte-americanos
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (2), que o Pix
brasileiro é mais vantajoso que sistemas de empresas estadunidenses que prestam
serviços de pagamento eletrônico. Em evento em Catalão (GO), Lula destacou as
vantagens da tecnologia nacional e disse que o Brasil não aceita ser tratado
como “uma republiqueta de banana”.
O
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) atacou o
sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central argumentando que o
Pix prejudica “injustamente” empresas como a MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay.
O Pix, com sua infraestrutura pública e gratuita, tem movimentado mais recursos
que as bandeiras de cartões de crédito tradicionais.
“O Pix
assusta eles”, disse Lula, contando que sugeriu ao presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, que adote o mesmo sistema no país norte-americano
“A
preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão
de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso;
e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga
nada. É só clicar o Pix e tá resolvido o nosso problema”, afirmou.
O
relatório do USTR, publicado na noite dessa segunda-feira (1º), é resultado de
uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas
“práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. O relatório sugere, entre
outras ações, a taxação de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
Agora,
o governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o
relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a
adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.
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Acordo comercial
Para
Lula, a atitude dos estadunidenses é intempestiva já que havia uma negociação
em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se
chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois
se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou
documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil.
Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi
de US$ 415 bilhões.
Lula
ainda cobrou um telefonema de Trump para explicar as razões para a recomendação
da USTR.
“Você
me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque nós demos 30 dias para os
nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para
me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse
acordo não pode ter a sua anuência”, disse o brasileiro.
• Pix está fora de debate com EUA e será
protegido, diz Durigan
O
ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2) que o governo
Luiz Inácio Lula da Silva não aceitará discutir o Pix nas negociações
comerciais em andamento com os Estados Unidos. Segundo ele, o sistema de
pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central é um símbolo da soberania
financeira brasileira e será protegido diante da ofensiva do governo de Donald
Trump.
A
declaração ocorre em meio à escalada das tensões comerciais entre Brasil e
Estados Unidos, após a Casa Branca recomendar a imposição de tarifas de 25%
sobre produtos brasileiros e incluir o sistema de pagamentos brasileiro em
críticas feitas no âmbito de uma investigação comercial aberta contra o país,
conduzida no âmbito da investigação 301 da legislação comercial
norte-americana.
Segundo
documentos do governo norte-americano, o Pix teria sido favorecido por
políticas públicas brasileiras, com exigências de adoção ampla por instituições
financeiras e gratuidade para usuários, o que, na visão de Washington, teria
prejudicado empresas privadas estrangeiras que atuam no setor de pagamentos
eletrônicos.
“O Pix
é o maior símbolo da nossa soberania financeira”, afirmou Durigan. Segundo ele,
o sistema desenvolvido pelo Banco Central representa uma inovação reconhecida
internacionalmente e despertou interesse de diversos países por sua facilidade
de uso e baixo custo.
O
ministro destacou que o Pix não fará parte de qualquer negociação entre
Brasília e Washington.
“O Pix,
como esse símbolo maior da nossa soberania financeira, será protegido, será
resguardado pelo governo do presidente Lula e não está em nenhum momento em
questão para debate”, declarou.
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Críticas à família Bolsonaro
Durigan
também associou a ofensiva contra o sistema de pagamentos à atuação da família
Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump, afirmando que há uma articulação
política que também se manifesta em outras frentes da relação bilateral, como
nas discussões sobre segurança e comércio.
Ao
comentar a investigação comercial e as discussões sobre a classificação de
facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados
Unidos, o ministro afirmou que há interesses políticos envolvidos nas medidas.
“Mais
uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix”, disse.
Durigan
também afirmou que o cenário internacional atual contribui para aumento do
desarranjo econômico global, citando conflitos internacionais como a guerra no
Irã, que segundo ele afetam cadeias produtivas e elevam o custo de
combustíveis, com impacto indireto no Brasil.
O
governo, disse ele, tem adotado medidas para mitigar os efeitos sobre famílias,
caminhoneiros e setores produtivos.
O
ministro criticou a recomendação de uma tarifa de 25% sobre produtos
brasileiros exportados para os Estados Unidos, afirmando que a medida
prejudicaria diretamente empresários e trabalhadores.
“Quando
se fala em 25% de tarifa, você está falando que o empresário brasileiro, quando
vai mandar um produto para os Estados Unidos, está sendo taxado. Isso é muito
ruim para nossa economia, para o empresário brasileiro e para o trabalhador
brasileiro”, afirmou.
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Investigação dos EUA e revisão de premissas
Durigan
afirmou ainda que as premissas que embasaram a abertura da investigação
comercial norte-americana em 2025 estão desatualizadas e precisam ser revistas,
incluindo dados sobre meio ambiente, mercado de trabalho e inovação.
Segundo
ele, o Brasil tem avançado no combate ao desmatamento, na melhora da renda das
famílias e na formalização do mercado de trabalho, além de respeitar a
propriedade intelectual — o que, segundo ele, beneficia inclusive empresas
norte-americanas.
O
ministro também destacou que empresas de tecnologia (big techs) operam no
Brasil respeitando a legislação local e que o Pix ampliou a competição no setor
de pagamentos, com impacto inclusive sobre operadoras de cartões de crédito.
Apesar
do tom duro, Durigan indicou que um acordo com os Estados Unidos ainda é
possível, desde que as premissas da investigação sejam atualizadas. Ao final,
reforçou que o sistema de pagamentos não está em discussão.
“O Pix
vai ser protegido e está fora de questão”, concluiu.
Fonte:
ICL Notícias

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