Jamil
Chade: Representante de Trump diz a ministro brasileiro que quer negociar
tarifas
O
representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou nesta quarta-feira (3)
ao chanceler brasileiro Mauro Vieira que, apesar das conclusões nas
investigações contra o país, o governo de Donald Trump quer continuar a
negociar uma solução com o Brasil.
O
recado foi dado às margens de um encontro da OCDE, em Paris, do qual ambos
participaram. Não houve uma reunião. Mas foi o norte-americano quem se
aproximou para fazer o comentário.
Greer
disse que está dialogando com o Brasil, que há um contato fluido e que quer
continuar a dialogar.
Do lado
brasileiro, o chanceler disse que a disposição do Brasil é a mesma e que
recomendações de adoção de tarifas de 25% e de 12,5%, anunciadas anteontem e
ontem pelo USTR, exigem intensificar as negociações.
O
Brasil também sinalizou que os dois governos ainda estão dentro do prazo de 30
dias dado por Luiz Inácio Lula da Silva e Trump, em encontro em Washington no
mês passado.
Na
segunda-feira, o escritório de Greer concluiu investigações contra o Brasil e
sugeriu uma sobretaxa que poderia afetar exportações nacionais avaliadas em US$
10 bilhões. Se não bastante, mais uma tarifa foi sugerida na terça-feira, desta
vez relacionada com trabalho forçado.
Prevendo
que poderia ser alvo de um ataque, a delegação brasileira usou a viagem de Lula
para tentar impedir o novo tarifaço. Ficou estabelecido que ministros dos dois
países tentariam chegar a um entendimento no prazo de 30 dias.
Em
meados de junho, há ainda mais uma chance de um encontro entre Lula e Trump.
Ambos foram convidados para a reunião do G7, na França.
• Brasil denuncia ingerência de Trump,
fala em retaliação e culpa Bolsonaro
Num
comunicado emitido pelo Palácio do Planalto, o governo de Luiz Inácio Lula da
Silva subiu o tom de críticas contra Donald Trump e contra a família Bolsonaro.
Na nota, as autoridades brasileiras indicam que reservam o direito de aplicar
uma retaliação, caso as tarifas sejam impostas pelos EUA contra o Brasil.
Para o
governo, a ação de Washington tem uma “motivação política” e alerta que se
trata de uma ingerência em assuntos domésticos do país.
O ICL
Notícias apurou entre diplomatas que o governo Lula ainda acredita que exista
espaço para uma negociação com os EUA. Mas rejeita qualquer ação dos EUA contra
o Pix ou por terras raras.
No
Palácio do Planalto, foi definido que o Brasil não irá ceder nesses temas
estratégicos como barganha para evitar o tarifaço.
Na
avaliação interna do governo, as novas barreiras atingiriam pouco menos de 30%
do fluxo comercial do Brasil para os EUA, num valor de pouco mais de US$ 10
bilhões.
Nesta
terça-feira, a Casa Branca anunciou a conclusão de suas investigações sobre o
Brasil, sugerindo que uma taxa de 25% seja imposta sobre os produtos nacionais.
Uma lista de exceção também foi publicada, com carne, laranja e produtos
desenvolvidos pela Embraer.
Como
resposta oficial, o governo Lula manifestou “indignação” com a conclusão
preliminar do processo nos EUA.
“Essa
investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família
Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso
país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington”,
denunciou.
“Essas
investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e
funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, acusou.
“É
lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo
brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e
Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, disse.
Para o
governo, “não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais
contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado
explicitamente nas recomendações preliminares”.
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Argumento econômico
De
acordo com a nota, os dados oficiais dos EUA apontam que eles acumularam US$
424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos
(2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o
Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a
US$ 40,52 bilhões.
“Em
2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem
pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos
Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e
derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente
cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%”, explicou.
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Impacto
Na
avaliação do governo, as tarifas são “politicamente motivadas” e o impacto tem
sido a imposição de “danos à economia nacional e à geração de emprego e renda,
além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial”.
“No
primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras
atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%”, alertou.
O
Brasil lembrou que, conforme acordado pelos presidentes Lula e Trump por
ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações
tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no
encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem
imposição de medidas contra o Brasil. “O Governo brasileiro também dará
continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo”, indicou.
Para,
no texto, o governo alerta que não ficará apenas de braços cruzados.
“O
Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de
Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer
face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras
do comércio internacional”, disse. Em outras palavras, o governo não descarta o
uso de uma retaliação.
“O
governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em
tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de
reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda
dos brasileiros”, disse.
O texto
ainda manda um recado aos bolsonaristas. “É preciso estar atento aos traidores
da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo
brasileiro”, completou.
• Contra a China, governo Trump quer mais
12,5% de tarifas sobre o Brasil
O
governo de Donald Trump concluiu que o Brasil e outras dezenas de economias
violam as leis trabalhistas e que, portanto, sugere que novas tarifas terão de
ser aplicadas.
A
investigação foi concluída e seus resultados foram publicados nesta madrugada
pelo Escritório de Comércio da Casa Branca.
A taxa,
se aplicada, se somaria ao imposto de 25% já anunciado nesta semana contra o
Brasil e outros 10% já aplicado pelo governo Trump contra todos os países.
Desta
vez, a alegação é de que o Brasil permite a entrada em seu território de
produtos que estariam sendo fabricados com trabalho forçado. Dali, eles seriam
incorporados a produtos nacionais e exportados aos EUA ou concorrendo contra
produtos americanos no mercado brasileiro.
A meta,
segundo especialistas, é a de onerar os países que estão importando produtos
chineses, principalmente nos setores que concorrem contra bens americanos.
O
informe anuncia:
O
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) constatou que o
Brasil não conseguiu impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação
de produtos com trabalho forçado.
Constatamos
que a falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de
produtos com trabalho forçado é irrazoável.
Constatamos
que a falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de
produtos com trabalho forçado onera ou restringe o comércio dos EUA.
Embora
o Brasil alegue proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio da
implementação de seus compromissos em acordos de investimento e acordos de
livre comércio, essas disposições não proíbem legalmente a importação de bens
produzidos total ou parcialmente por trabalho forçado de outra economia para o
mercado interno para venda.
Pelos
motivos expostos, os resultados desta investigação indicam que os atos,
políticas e práticas do Brasil relacionados à falha em impor e aplicar
efetivamente uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado são
irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA.
Num
comunicado, a Casa Branca explicou que as práticas de 60 economias relacionadas
à falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens
produzidos com trabalho forçado são consideradas injustificadas e oneram ou
restringem o comércio dos EUA.
“A
falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a questão da
importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma
dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente
em condições desiguais”, afirmou a Embaixadora Jamieson Greer.
“Não
toleraremos mais essa disparidade. Alguns parceiros comerciais já tomaram
medidas iniciais para impedir a importação de bens provenientes de trabalho
forçado, inclusive por meio do USMCA e de compromissos firmados em Acordos de
Comércio Recíproco. No entanto, cada um de nossos parceiros comerciais deve
fazer mais para garantir que o comércio não incentive e perpetue o trabalho
forçado em nível global”, explicou.
O
governo, assim, propõe tarifas adicionais sobre todos os produtos das economias
investigadas.
Para as
economias que impõem uma proibição à importação de bens provenientes de
trabalho forçado, que se comprometeram a impor e aplicar tal proibição por meio
de um Acordo de Comércio Recíproco, ou para as economias que impuseram um
regime parcial com o efeito de impedir a importação de certos bens provenientes
de trabalho forçado, o Representante Comercial dos EUA propõe uma alíquota de
10% para as tarifas adicionais.
Para
todas as demais economias, o Representante Comercial dos EUA propõe uma
alíquota de 12,5% para as tarifas adicionais. O Representante Comercial dos EUA
também propõe um mecanismo têxtil que permitiria a entrada nos Estados Unidos
de um determinado volume de importações de vestuário e têxteis de certas
economias com uma tarifa reduzida.
Consultas
ainda serão realizadas e, até julho, o presidente Trump terá de tomar uma
decisão.
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Quem será punido com 12,5%
Argélia;
Angola; Argentina; Austrália; Bahamas; Bahrein; Bangladesh; Brasil; Camboja;
Chile; República Popular da China; Colômbia; Costa Rica; República Dominicana;
Egito; El Salvador; Guatemala; Guiana; Honduras; Hong Kong, China; Índia;
Iraque; Israel; Japão; Jordânia; Cazaquistão; Kuwait; Líbia; Malásia; Marrocos;
Nova Zelândia; Nicarágua; Nigéria; Noruega; Omã; Peru; Filipinas; Catar;
Rússia; Arábia Saudita; Singapura; África do Sul; Coreia do Sul; Sri Lanka;
Suíça; Taiwan; Tailândia; Trinidad e Tobago; Turquia; Emirados Árabes Unidos;
Reino Unido; Uruguai; Venezuela; e Vietnã.
Seis
economias não conseguiram aplicar efetivamente uma proibição à importação de
bens produzidos com trabalho forçado: Canadá; Equador; União Europeia;
Indonésia; México; e Paquistão. Elas, portanto, terão impostos de 10%.
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Argumento
Segundo
o governo americano, esses governos devem ser punidos pelos seguintes motivos:
(1)
prejudica o objetivo universal de eliminar o trabalho forçado;
(2)
permite que empresas que se valem de trabalho forçado produzam bens a um custo
menor e, assim, distorçam as condições de mercado para empresas que não
utilizam trabalho forçado;
(3)
prejudica a lucratividade de empresas que não utilizam trabalho forçado; e
(4)
contribui para a burla das proibições de importação de trabalho forçado
existentes.
“A
falha de cada uma das economias acima mencionadas em impor e aplicar
efetivamente uma proibição de importação de trabalho forçado onera ou restringe
o comércio dos EUA, sujeitando os produtores americanos à concorrência desleal
de bens produzidos com trabalho forçado, tanto nos mercados de exportação
quanto no mercado americano, e deslocando bens estrangeiros produzidos sem
trabalho forçado ou insumos de trabalho forçado para os Estados Unidos e outros
mercados”, completa.
• Marco Rubio diz que Brasil não está
entre países amigáveis aos Estados Unidos
O
secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira
(2) que o Brasil não está entre os países considerados mais alinhados aos
interesses de Washington no hemisfério ocidental. A declaração foi feita
durante uma audiência no Senado americano, na qual ele também mencionou que o
país atravessa um período de disputa eleitoral.
A fala
ocorre em meio ao aumento das tensões entre os governos brasileiro e americano.
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR)
propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Dias antes, Rubio havia anunciado a inclusão do Primeiro Comando da Capital
(PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas dos
Estados Unidos.
Durante
a audiência, o secretário afirmou que existe atualmente uma rede de países da
região que atua em sintonia com Washington tanto em temas de segurança quanto
em iniciativas voltadas ao crescimento econômico. Ele, porém, não especificou
quais governos fazem parte desse grupo.
Neste
ano, o governo de Donald Trump lançou a iniciativa Escudo das Américas, voltada
ao combate ao crime organizado transnacional. Embora diversos líderes
latino-americanos tenham sido convidados para o encontro, países vistos como
menos alinhados à política externa americana — entre eles Brasil, Colômbia e
México — ficaram de fora.
Rubio
também citou um evento promovido pelo Departamento de Estado sobre minerais
críticos, que reuniu representantes de governos da região para discutir
parcerias estratégicas com os Estados Unidos.
Ao
comentar o cenário político latino-americano, o secretário afirmou que a região
é, em sua maioria, composta por governos amistosos aos EUA. Como exceções,
mencionou Nicarágua, Cuba, Venezuela, Brasil e o governo colombiano. Sobre o
Brasil, destacou que o país está em um ciclo eleitoral; já em relação à
Colômbia, classificou o presidente como uma figura “problemática”.
Segundo
Rubio, os Estados Unidos precisam aproveitar o atual contexto regional para
ampliar sua presença política e econômica após o que chamou de duas décadas de
negligência. Na avaliação dele, esse período permitiu que a China e outras
potências expandissem sua influência na América Latina.
As
declarações contrastam com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. Também nesta terça-feira, Lula criticou a proposta de novas tarifas
contra produtos brasileiros e acusou Rubio de adotar uma postura hostil em
relação à América Latina.
“Ele é
anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países
latino-americanos”, afirmou o presidente. Lula também declarou que já
manifestou a Donald Trump a percepção de que o republicano não simpatiza com o
Brasil. “Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil”, disse.
Fonte:
ICL Notícias

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