quinta-feira, 4 de junho de 2026

Trump precisa que a guerra termine, mas o Irã não desiste

Os Estados Unidos e o Irã já sinalizaram que gostariam de não reiniciar a guerra que foi suspensa com o anúncio do cessar-fogo no dia 8 de abril.

Nenhum dos lados permitiu que a pressão dos ataques mútuos pusesse fim às negociações mediadas pelo Paquistão, Catar e outros países.

Os Estados Unidos ainda mantêm seu poderio naval e aéreo a pouca distância do Irã. E é provável que o regime iraniano continue mantendo suas forças de prontidão e faça uso do cessar-fogo para se reorganizar e reparar os danos causados pelos Estados Unidos e Israel.

A tensão armada na região do Golfo traz o claro risco de erros de cálculo e de percepção de ambos os lados.

Os Estados Unidos tentam manter sua pressão sobre o regime de Teerã em busca de concessões, demonstrando que eles estão próximos e são capazes de causar graves danos.

Já o Irã relembra aos americanos que sua determinação de resistir não diminuiu e, se necessário, eles atacarão bases dos Estados Unidos e a infraestrutura do Golfo como um todo.

Os primeiros objetivos do que seria um longo e, talvez, inalcançável caminho para um acordo maior entre os Estados Unidos e o Irã seriam a manutenção do cessar-fogo e a definição de um "memorando de entendimento" para novas negociações entre as partes.

Mas vem se mostrando difícil conseguir este acordo.

um preço, talvez na forma de alívio de sanções ou descongelamento de ativos, para a reabertura do estreito de Ormuz, que parece ser um pré-requisito para qualquer negociação séria.

Poucos navios vêm passando por aquela que costumava ser uma rota marítima vital e movimentada. O Irã fechou o estreito após o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel, no dia 28 de fevereiro.

A Arábia Saudita está bombeando parte do seu petróleo para os seus portos do mar Vermelho e os Emirados Árabes Unidos têm um oleoduto que leva aos terminais do seu pequeno trecho de litoral em frente ao golfo de Omã, após o estreito de Ormuz.

Ainda assim, o resto do mundo perdeu cerca de 20% do seu abastecimento habitual de petróleo e gás, entre outras exportações de vital importância.

Manter o estreito fechado é sinônimo de desastre para grande parte da economia mundial. Os Estados Unidos não dependem mais do petróleo do Golfo, mas os preços da gasolina no país ainda são definidos pelo mercado global de petróleo.

O presidente americano, Donald Trump, está em um beco sem saída, enredado nas consequências do seu grave erro ao ir para a guerra esperando uma vitória fácil.

Trump e seu aliado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fatalmente subestimaram o grau de preparo da República Islâmica para enfrentar os seus ataques e resistir. Agora, Trump não tem uma saída fácil e o regime iraniano quer preservar esta situação.

O presidente americano precisa que o estreito seja reaberto. A guerra contra o Irã é profundamente impopular nos Estados Unidos e sua retomada colocará ainda mais cidadãos americanos contra ele.

O problema de Trump é que as concessões exigidas pelo Irã para reabrir o estreito sofrem oposição do seu Partido Republicano e contrariam seu próprio desejo de cantar vitória.

O presidente americano tem profunda alergia a qualquer comparação adversa entre um eventual acordo com o Irã — mesmo que seja para prorrogar o cessar-fogo para novas negociações — e o acordo nuclear firmado em 2015, durante o governo Barack Obama. Trump condenou aquele acordo e fez os Estados Unidos se retirarem durante seu primeiro mandato na Casa Branca.

Os governantes iranianos acreditam, com certa razão, que estão lutando pela sobrevivência do seu regime. E ficou bastante claro que novos ataques dos Estados Unidos, com ou sem Israel, não os farão mudar de opinião.

Os ricos países produtores de petróleo do Golfo Pérsico já sofreram danos econômicos de longo prazo e não querem sofrer novos prejuízos.

Seu modelo de negócios e a continuidade do desenvolvimento dos seus países dependem da estabilidade da região como polo econômico global e porto seguro para investimentos estrangeiros.

A guerra causou um forte baque e restaurar sua aura de estabilidade levará anos.

O Catar atua integralmente como mediador, ao lado do Paquistão, na tentativa diplomática de reiniciar as negociações. Já os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita responderam ao Irã de formas diferentes.

Os EAU dobraram a aposta no seu relacionamento estratégico com Israel, que ampliou seu sistema de defesa de mísseis conhecido como Domo de Ferro para o país árabe, além de destacar soldados das Forças de Defesa de Israel para sua operação.

Os sauditas atacaram o Irã, segundo eles, em retaliação aos ataques iranianos. Mas, significativamente, altas fontes sauditas afirmam terem deixado claro para Teerã que eles agiram de forma independente, não como parte da coalizão entre os Estados Unidos e Israel.

Quando Donald Trump e Benjamin Netanyahu foram à guerra contra o Irã, ambos disseram que o considerável poderio aéreo dos seus países seria suficiente para remover o regime islâmico de Teerã. Mas eles estavam errados.

Os dois líderes interpretaram mal a natureza de um regime que sobreviveu por quase meio século, mesmo com as graves provas impostas pela guerra, pelas sanções e pelo isolamento.

Agora, os Estados Unidos e Israel arcam com as consequências — e, com eles, o resto do mundo.

¨      Trump está irritado com Netanyahu, pois ele mina acordo de paz com Irã, diz mídia

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, é visto como um obstáculo fundamental para se chegar a um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, escreve um jornal britânico.

A publicação aponta que, diante de eleições que ameaçam sua sobrevivência política, Netanyahu está sob pressão para provar que suas campanhas militares contra o Hamas, o Hezbollah e o Irã alcançaram resultados concretos.

"Para que haja um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, será necessário superar um obstáculo familiar: Benjamin Netanyahu. As operações militares de Israel no Líbano se tornaram um ponto de discórdia nas negociações para uma possível abertura do estreito de Ormuz", avalia a publicação.

Segundo a matéria, a instável parceria entre o presidente americano, Donald Trump, e Netanyahu está sendo posta à prova por essa situação. Trump se frustrou após Netanyahu ameaçar bombardear os subúrbios do sul de Beirute para desalojar o Hezbollah, levando o Irã a suspender as negociações com os EUA até que o conflito cessasse.

Conforme observa a matéria, a situação atingiu o ápice durante um telefonema tenso entre Trump e Netanyahu, no qual Trump teria demonstrado irritação com o primeiro-ministro israelense, embora a mídia de Israel tenha sugerido que os dois simplesmente se desentenderam em relação à intensidade da guerra.

Netanyahu, que enfrenta eleições antecipadas e uma queda em sua popularidade após os primeiros surtos da guerra, precisa de uma narrativa de vitória convincente contra o Hamas, o Hezbollah e o Irã, algo visto como crucial para sua sobrevivência política.

Além disso, seu longo processo por corrupção foi retomado, e ele tem usado regularmente sua posição como líder de um país sob ameaça para adiar o andamento do caso, efetivamente vinculando sua liberdade à permanência no cargo. Enquanto isso, tem ganhado precedência as próprias preocupações políticas de Trump, incluindo as eleições de meio de mandato e o aumento dos preços da gasolina.

O Irã, por sua vez, continua usando seu controle sobre o estreito de Ormuz como alavanca. No entanto, Trump está relutante em liberar ativos iranianos congelados, apesar de alegar que um acordo está próximo, conclui a reportagem.

Recentemente, uma fonte militar iraniana relatou à Sputnik que a República Islâmica possui armamentos avançados que ainda não foram utilizados em combate no conflito com os Estados Unidos e Israel.

No dia 28 de fevereiro, os EUA e Israel começaram a lançar ataques contra alvos em território iraniano. O Irã respondeu com retaliação contra território israelense e contra instalações militares dos EUA no Oriente Médio.

¨      Guerra contra o Irã gera meio milhão de empregos, mas aumenta pobreza entre trabalhadores na Europa

Centenas de milhares de empregos na Europa estão em risco devido à crise energética causada pela agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, segundo a mídia local, citando dados da Comissão Europeia (CE). Além do aumento do desemprego, mesmo aqueles que mantêm seus empregos podem enfrentar a ameaça da pobreza, acrescentam os veículos de comunicação.

Os altos custos de energia, a reestruturação industrial e a transição para uma economia verde estão impactando negativamente as economias dos países da União Europeia (UE), de acordo com um relatório da CE contendo recomendações para os Estados-membros.

Por exemplo, a comissão prevê que o aumento dos preços dos combustíveis — cujo custo está aumentando devido à "guerra implacável dos EUA e de Israel contra o Irã" — poderá colocar em risco até 560.000 empregos somente até 2026.

De modo geral, segundo os dados compilados, o setor automotivo europeu será o mais afetado, podendo perder cerca de 600.000 empregos. Dezenas de milhares de empregos na indústria de baterias e no setor de energia solar também estão em risco. No entanto, o relatório observa que os problemas da Europa não se limitam à perda de competitividade para a China e os Estados Unidos ou ao aumento do desemprego.

"Os desafios do emprego descritos no documento vão além da perda de postos de trabalho", afirma a mídia.

Assim, um em cada cinco trabalhadores "está condenado a empregos mal remunerados" em setores com fraco crescimento da produtividade, enquanto um em cada 12 "corre o risco de cair na pobreza mesmo trabalhando". Além disso, devido ao aumento do custo do combustível, "as famílias de baixa renda podem enfrentar um fardo desproporcional", observa a apuração.

Em 28 de fevereiro, os EUA e Israel lançaram um ataque armado contra o Irã, submetendo o país a bombardeios. Em retaliação, Teerã lançou ataques, inclusive contra a infraestrutura energética dos aliados de Washington na região, e assumiu o controle da navegação no estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global de energia.

As consequências desses eventos estão sendo sentidas em todo o mundo, mas as economias dos países da UE são as que mais sofrem. Essas nações dependem da importação de energia e já estão fragilizadas por sua própria decisão de renunciar ou reduzir significativamente as importações de petróleo e gás da Rússia, motivadas pelo desejo de Bruxelas de prejudicar a economia russa após o início da operação militar especial de Moscou na Ucrânia.

¨      Estoques globais de petróleo caem e guerra no Oriente Médio ameaça abastecimento no verão

AIE alerta que a guerra no Oriente Médio e o fechamento do estreito de Ormuz derrubaram a oferta global de petróleo, acelerando o consumo de estoques e levando o mundo a níveis críticos antes do verão, enquanto até a China começa a reduzir importações e vê seus reservatórios recuarem.

Os estoques globais de petróleo caminham para níveis críticos antes do verão (Hemisfério Norte), segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), que alerta para uma crise prolongada, mesmo que um acordo encerre a guerra dos EUA e Israel contra o Irã. A pressão sobre o mercado já atinge também a China, onde os volumes armazenados começaram a recuar após meses de resiliência.

Segundo o South China Morning Post, analistas afirmaram que a redução dos estoques deve continuar ao longo do verão. Toril Bosoni, da AIE, chegou a afirmar que há "possibilidade ou probabilidade" de mínimos históricos.

"Estamos vendo reduções nos estoques continuarem durante o verão, e com a possibilidade ou probabilidade de atingirmos níveis críticos ou mínimos históricos pouco antes do pico da demanda de verão", afirmou a chefe da divisão de indústria e mercados de petróleo da agência.

Bosoni acrescentou que a reabertura do estreito de Ormuz — fechado desde o início do conflito — pode levar de seis a oito meses mesmo com um acordo imediato, prolongando a interrupção de uma rota responsável por cerca de um quinto do petróleo mundial.

A guerra, já no quarto mês, desorganizou o fluxo global de energia ao paralisar parte da produção no Oriente Médio e bloquear uma das principais passagens marítimas do setor, elevando a incerteza sobre o abastecimento.

Com a oferta em queda, países passaram a consumir rapidamente suas reservas. Em março e abril, os estoques globais recuaram 250 milhões de barris, segundo a AIE, que avalia que parte do ajuste terá de vir da demanda diante da magnitude das perdas.

A China foi exceção inicial, acumulando até 1,25 bilhão de barris graças à menor atividade das refinarias, mas seus estoques começaram a cair. As importações marítimas despencaram em abril e maio e devem permanecer baixas nos próximos meses.

"Mesmo que as refinarias chinesas continuem a manter níveis de produção mais baixos, é improvável que a redução no processamento das refinarias compense totalmente o declínio nas importações", garantiu Bosoni, de acordo com a apuração.

As compras totais de petróleo bruto caíram 23% em abril, atingindo o menor nível em quase quatro anos. Paralelamente, a produção nos países do Golfo afetados pela crise caiu 14,4 milhões de barris por dia em relação ao período anterior à guerra, aprofundando o desequilíbrio global.

<><> Guerra no Oriente Médio deixa EUA sem mísseis Patriot e Kiev é vulnerável perante Rússia, diz mídia

A escassez de mísseis de Kiev para os sistemas de defesa antiaérea Patriot dos EUA criou uma vulnerabilidade crítica para a Ucrânia, escreve um jornal britânico.

O jornal salienta que a guerra no Oriente Médio provocou uma escassez global desses sistemas, que já afetou seriamente o conflito ucraniano.

"Enquanto aumenta seus ataques aéreos contra a Ucrânia, a Rússia está explorando uma escassez global crítica de mísseis interceptadores de defesa antiaérea, em meio a avisos de que um déficit para o sistema Patriot, em particular, está criando uma 'janela de vulnerabilidade' para os países que dependem dele", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, aparentemente, isso já afetou as táticas russas no conflito ucraniano. A escassez de mísseis Patriot nas mãos ucranianas aumenta a probabilidade de os ataques russos atingirem infraestrutura militar com mais eficácia.

A questão de acesso de Kiev aos estoques de Patriot é uma fonte de atrito entre Kiev e a administração do presidente estadunidense, Donald Trump, cujo apoio à Ucrânia foi, no melhor dos casos, medíocre, e, no pior, hostil, observa a reportagem.

Atualmente, a Ucrânia carece de meios eficazes para interceptar mísseis balísticos, o que deixa Kiev em uma situação altamente precária em relação ao seu arsenal de mísseis. Tal situação dá a Moscou ainda mais oportunidades para atacar os alvos na Ucrânia, conclui o artigo.

Anteriormente, Zelensky escreveu uma carta a Trump e ao Congresso norte-americano, pedindo que aumentassem o fornecimento de sistemas de defesa antiaérea e antimísseis para o país, devido à crescente escassez de munição nas Forças Armadas ucranianas.

De acordo com um jornal estadunidense, os mísseis destinados aos sistemas de defesa antiaérea que a Ucrânia deseja receber estão sendo rapidamente gastos no Oriente Médio. Zelensky manifestou insatisfação pelo uso de 800 mísseis Patriot durante a guerra no Irã no primeiro dia de conflito, enquanto, segundo ele, Kiev não dispunha de tantos mísseis desde 2022.

 

Fonte: BBC News/Sputnik Brasil

 

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