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motivos por que as sardinhas são um alimento barato e ideal para sua saúde
As
sardinhas, mesmo as enlatadas que encontramos nos supermercados (geralmente a
preços acessíveis), podem ser um dos pratos com mais benefícios que você pode
acrescentar à sua alimentação atual, especialmente se você pretende ter uma
vida longa e saudável.
Os
Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), por
exemplo, indicam que uma única lata de sardinhas pode fornecer todas as nossas
necessidades de ácidos ômega-3, um nutriente essencial para o bom funcionamento
do cérebro, coração, visão e para reduzir as inflamações.
Mas os
especialistas destacam que os ácidos ômega-3 são apenas um dos nutrientes
presentes nas sardinhas.
Elas
também contêm "componentes conhecidos pelos seus efeitos cardioprotetores,
como o cálcio, potássio, magnésio, zinco, ferro, taurina e arginina",
segundo um estudo de 2023, que defende o consumo de sardinhas além dos
suplementos de ômega-3.
"Esses
nutrientes [presentes nas sardinhas], agindo de forma sinérgica, são essenciais
para modular as inflamações e o estresse oxidativo relacionados ao sistema
cardiovascular, participando também do funcionamento dos cardiomiócitos e da
hemodinâmica", prossegue o estudo.
Aqui
estão estes e outros benefícios do consumo habitual de sardinhas para a nossa
saúde.
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1. Ácidos graxos ômega-3
Os
ácidos graxos essenciais ômega-3 desempenham papel fundamental na composição
das membranas celulares de diversos tecidos, mas o nosso corpo não consegue
sintetizá-los sozinho. Ou seja, eles precisam ser consumidos na alimentação.
Existem
diversos ácidos deste tipo, mas a maioria dos estudos científicos sobre seus
efeitos para a saúde se concentra em três deles: o ácido alfa-linoleico (ALA),
o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosa-hexaenoico (DHA).
O ácido
graxo ALA é considerado um precursor de EPA e DHA, que são os ácidos úteis para
os tecidos humanos.
O corpo
pode transformar o ALA consumido em EPA e DHA, mas com muito pouca eficiência:
menos de 8% para o EPA e menos de 4% para o DHA.
A
grande vantagem de consumir peixes gordurosos, como sardinha e salmão, além de
outras fontes de ácidos ômega-3, é que o corpo do peixe já transformou em EPA e
DHA uma grande quantidade dos ALA consumidos de algas. Por isso, quando
comemos, estamos ingerindo diretamente aqueles dois ácidos.
"As
sardinhas são consideradas importantes fontes destas gorduras ômega-3, da mesma
forma que o salmão e o arenque", explica à BBC News Mundo (o serviço em
espanhol da BBC), o professor Jorge Monserrate, do Departamento de Ciências
Naturais, Saúde e Bem-Estar da Faculdade Miami-Dade, no Estado americano da
Flórida.
"Trata-se
de peixes que vivem em águas frias e produzem este tipo de gorduras para
regular sua temperatura."
"O
ômega-3 das sardinhas ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas, pois
contribui para reduzir os níveis de triglicerídeos", explica o professor.
Além
disso, segundo o NIH americano, os ácidos EPA e DHA podem ajudar a reduzir o
risco de câncer de mama, câncer colorretal, doença de Alzheimer, degeneração
macular senil ou a síndrome do olho seco.
Por
este motivo, as autoridades de saúde — incluindo a Associação Americana do
Coração (OHA, na sigla em inglês) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) —
recomendam o consumo de pelo menos duas porções de peixes gordurosos por
semana.
E,
embora exista uma grande quantidade de suplementos de ômega-3 no mercado, as
informações sobre sua eficácia são limitadas.
"Os
diversos estudos aleatórios realizados ao longo das duas últimas décadas não
encontraram evidências de benefícios cardíacos derivados dos suplementos de
óleo de peixe", segundo um artigo publicado em 2023 pelo portal Harvard
Health.
"É
verdade que estes suplementos fornecem ácidos graxos ômega-3, mas existem
formas melhores de obter essas gorduras essenciais através da
alimentação."
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2. Proteína de alta qualidade
Sabe-se
atualmente que uma parte essencial da nossa alimentação deve ser composta de
proteínas.
Quando
consumimos proteínas, o nosso corpo as decompõe em aminoácidos. Estes podem se
recompor posteriormente em qualquer tipo de proteína de que o corpo necessite:
a hemoglobina do sangue, enzimas, músculos, a queratina da pele e dos cabelos
etc.
Por
isso, as proteínas são vitais, mas o professor Monserrate explica que nem todas
são da mesma qualidade.
"Quando
as pessoas pensam em proteínas, elas geralmente pensam em carne", destaca
ele. "Mas a carne tem muitas gorduras saturadas que não são boas para o
corpo. Elas aumentam o risco de doenças do coração."
"Já
as sardinhas são ricas em nutrientes. Ou seja, elas contêm muitos nutrientes e
poucas calorias."
Uma
única lata de sardinhas em azeite de oliva pode fornecer até 22,6 gramas de
proteína com cerca de 200 calorias, além de nutrientes como cálcio, magnésio,
vitamina B12, vitamina D, arginina e taurina.
Além de
ajudarem a melhorar a nutrição, as sardinhas podem trazer impactos parecidos
para o nosso bolso.
"A
conveniência de encontrá-las em latas é incrível", destaca Monserrate.
"E o preço, em comparação com outras fontes de proteína, sendo uma fonte
ainda melhor, ajuda muito."
Uma
recomendação importante do professor é observar o teor de sódio das sardinhas
em lata a serem consumidas, o que pode gerar problemas para algumas pessoas.
"É
preciso aprender a ler os rótulos", explica ele. "Assim, você pode se
dar conta do teor de sódio."
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3. Fonte de cálcio, magnésio e vitamina D
Aqui,
há um dado curioso. Como as sardinhas em lata são muito pequenas, quando as
comemos, acabamos ingerindo também suas espinhas, que são uma fonte de cálcio
mais rica até que o leite.
"Além
disso, este é um dos melhores tipos de cálcio que existem, pois o corpo pode
metabolizá-lo com facilidade", explica o professor.
Naturalmente,
o cálcio é fundamental para fortalecer os ossos, dentes, a contração dos
músculos e a regulagem do ritmo cardíaco. E é absorvido em maior quantidade
quando consumido com uma boa fonte de magnésio — que, como você irá imaginar,
também está presente nas sardinhas.
Uma
lata de sardinhas pode fornecer 330 a 350 mg de cálcio (em comparação com 300
mg de um copo de leite) e 30 a 45 mg de magnésio, formando uma fantástica
combinação para um corpo forte.
"Outros
nutrientes que podemos mencionar são, por exemplo, a vitamina B12, o selênio e
a vitamina D", prossegue Monserrate.
"Precisamos
da vitamina D para absorver cálcio e fósforo, que é o principal para que os
nossos ossos se fortaleçam."
A
vitamina B12 é fundamental para a produção de energia do corpo, além da síntese
de DNA e de algo fundamental: proteger a mielina, o componente isolante que
recobre os nervos.
É
incrível observar que uma lata de sardinhas pode fornecer 343% dos níveis de
vitamina B12 de que necessitamos.
E, como
se ainda fosse pouco, as sardinhas contêm os aminoácidos taurina e arginina,
fundamentais para a saúde cardiovascular. Eles ajudam a regular nossa pressão
arterial.
Outra
vantagem das sardinhas em comparação com outros peixes é o seu baixo teor de
mercúrio.
Por
estarem quase no fundo da cadeia alimentar, as sardinhas não contêm mercúrio
acumulado no corpo, como costuma ocorrer em animais maiores, como o atum.
"Na
verdade, todos podem incluir as sardinhas como parte de uma dieta
saudável", prossegue o professor.
"As
recomendações afirmam que é preciso ter algum cuidado com o sódio no caso do
consumo em lata, mas as sardinhas frescas são diferentes."
Monserrate
recomenda consumir cerca de três latas de sardinha por semana, para obter todos
os benefícios. Ele reconhece que, para muitas pessoas, o sabor do peixe pode
ser "forte", mas explica que vale a pena tentar consumi-las.
"A
maioria das pessoas não nasce gostando de sardinhas, é preciso aprender a
comê-las", segundo o professor.
"Eu
recomendo aos meus alunos que continuem tentando, provando alimentos saudáveis
de que, inicialmente, eles não apreciam, pois o nosso paladar evolui com o
passar do tempo."
"O
segredo, às vezes, está na preparação. Eu gosto diretamente da lata ou
refogadas em um pouco de azeite de oliva."
Fonte:
BBC News Mundo

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