Dor
nas pernas e hematomas frequentes podem revelar lipedema
Durante
anos, dores constantes nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e
aumento desproporcional do volume corporal foram encarados por muitas mulheres
apenas como questões estéticas ou excesso de peso. No Junho Roxo, mês de
conscientização sobre o lipedema, especialistas reforçam a importância do
diagnóstico precoce de uma doença crônica e progressiva ainda subdiagnosticada,
mas que já conta com tratamentos capazes de reduzir sintomas e devolver
qualidade de vida às pacientes.
Reconhecida
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, a doença crônica e progressiva
afeta principalmente mulheres e provoca acúmulo anormal de gordura, sobretudo
nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Estimativas internacionais
indicam que o lipedema pode atingir cerca de 10% da população feminina mundial,
embora especialistas alertem que o subdiagnóstico ainda seja elevado.
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Tratamentos
Nos
últimos anos, o tratamento do lipedema passou a incorporar abordagens
multidisciplinares, envolvendo alimentação anti-inflamatória, prática regular
de exercícios físicos, drenagem linfática, terapias compressivas e
acompanhamento vascular e hormonal. Entre as novidades está o aperfeiçoamento
das cirurgias de lipoaspiração específicas para lipedema, realizadas com
técnicas voltadas à preservação do sistema linfático e menor trauma cirúrgico.
Segundo
o cirurgião plástico Franklin Mônaco, diretor do Instituto Lipedema Brasil em
Salvador, a cirurgia não é indicada para todos os casos, mas pode proporcionar
melhora significativa na qualidade de vida quando existe indicação adequada.
“Nem toda paciente precisa de cirurgia, mas quando ela é bem indicada,
conseguimos reduzir dores, melhorar mobilidade, diminuir inflamação e
proporcionar um impacto muito positivo na qualidade de vida”, destaca.
O
especialista ressalta ainda que o acompanhamento contínuo é fundamental mesmo
após os procedimentos cirúrgicos, já que o lipedema não possui cura definitiva.
“Hoje existe mais conhecimento sobre o lipedema, tanto entre médicos quanto
entre pacientes. Isso tem permitido diagnósticos mais precoces e tratamentos
mais eficazes”, afirma.
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Alívio
A
influenciadora digital Samantha Chaves Pasqualini (38) afirma que conviveu
durante anos com sintomas sem compreender o que realmente acontecia com seu
corpo. O primeiro contato dela com o tema ocorreu em 2023, após a cunhada
suspeitar da doença durante um curso de estética. “Desde a minha primeira
menstruação, minhas pernas começaram a crescer de forma desproporcional ao
restante do meu corpo. Sempre fui mais magra na parte de cima, mas minhas
pernas tinham muito volume”, relata.
Ela
conta que chegou a receber um diagnóstico incorreto antes de descobrir o
lipedema. Entre os sintomas mais difíceis estavam as dores intensas, os
hematomas frequentes, o inchaço no período menstrual e a frustração de não
conseguir reduzir o volume das pernas mesmo emagrecendo. “O que mais me
incomodava era o peso e a dor nas pernas, a facilidade para ficar roxa sem
motivo aparente e as dores intensas após exercícios físicos”, lembra.
Após o
diagnóstico correto, Samantha passou a investir em mudanças alimentares,
controle da inflamação corporal, exercícios físicos e tratamentos específicos.
Segundo ela, a cirurgia trouxe uma transformação significativa na rotina. “O
tratamento foi transformador na minha qualidade de vida, principalmente depois
da cirurgia. Hoje eu posso dizer que sou outra pessoa. As dores melhoraram
muito, aquela sensação constante de peso, inflamação e inchaço nas pernas
também diminuiu bastante”, afirma.
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Sintomas
Entre
os sinais mais comuns do lipedema estão dores nas pernas, sensação de peso,
inchaço, sensibilidade ao toque, hematomas espontâneos e dificuldade para
reduzir o volume das regiões afetadas mesmo com dieta e atividade física. A
condição costuma surgir ou piorar em períodos de alterações hormonais, como
puberdade, gravidez e menopausa.
O
diagnóstico é predominantemente clínico e leva em consideração o histórico da
paciente, sintomas e exame físico. Entre as características que ajudam na
identificação estão a desproporção entre tronco e pernas, a preservação dos pés
— diferentemente do que acontece nos casos de linfedema — e a presença de dor
ao toque.
“Muitas
mulheres convivem anos com dor, desconforto e limitações sem saber que possuem
uma doença. O lipedema não é apenas gordura localizada. Existe um processo
inflamatório importante associado ao quadro”, explica Franklin Mônaco.
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Atenção
Especialistas
alertam que o diagnóstico precoce é essencial para evitar agravamentos e
reduzir os impactos físicos e emocionais da doença. Além das limitações
funcionais, muitas pacientes enfrentam ansiedade, baixa autoestima e sofrimento
psicológico causado pela incompreensão dos sintomas.
“A
paciente precisa entender que não é falta de cuidado ou apenas ganho de peso.
Existe uma doença por trás daquele quadro. Quanto antes o diagnóstico acontece,
maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de
vida”, conclui Franklin Mônaco.
• Reajustes abusivos e negativas
recorrentes ampliam disputa entre usuários e planos de saúde
Reajustes
elevados, negativas de cobertura, cancelamentos unilaterais e dificuldades para
manter tratamentos têm levado cada vez mais usuários de planos de saúde à
Justiça. O problema atinge especialmente pessoas idosas, pacientes em
tratamento contínuo e famílias com crianças diagnosticadas com transtorno do
espectro autista (TEA). O cenário ocorre em um momento de pressão crescente
sobre o orçamento das famílias.
Embora
a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tenha autorizado reajuste máximo
de 5,11% para os planos individuais e familiares, a maior parte dos
consumidores está vinculada a contratos coletivos e empresariais, que não
seguem esse limite e frequentemente registram aumentos superiores.
Dados
da própria ANS mostram que os planos coletivos e empresariais concentram
atualmente a maior parte dos beneficiários da saúde suplementar no país.
Diferentemente dos contratos individuais e familiares, essas modalidades não
possuem um teto anual de reajuste definido pela agência reguladora, situação
que frequentemente gera questionamentos de consumidores e entidades de defesa
do consumidor sobre a transparência dos percentuais aplicados.
Para a
advogada Sabrina Batista Freire, sócia do BSF Advogados, a judicialização
reflete dificuldades cada vez maiores para garantir direitos básicos dos
consumidores. Entre os conflitos mais frequentes estão pedidos de cobertura
para terapias multidisciplinares destinadas a crianças com TEA, além de
reclamações envolvendo negativas de procedimentos, limitação de sessões
terapêuticas e descredenciamento de clínicas.
“Muitas
vezes o paciente só consegue acesso ao tratamento após uma decisão judicial.
Isso demonstra uma dificuldade crescente na efetivação de direitos que deveriam
ser garantidos administrativamente”, afirma.
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Idosos
A
situação também é preocupante entre pessoas idosas. Embora a legislação permita
reajustes por faixa etária, os tribunais entendem que os aumentos precisam
respeitar critérios de razoabilidade. “O reajuste por faixa etária não pode
funcionar como mecanismo indireto de exclusão do consumidor. O envelhecimento é
uma condição natural da vida”, destaca a advogada.
Outro
foco de discussão envolve os chamados “falsos coletivos”, contratos vendidos
como empresariais ou coletivos por adesão, mas que, na prática, reúnem poucos
beneficiários e acabam ficando sujeitos a reajustes mais elevados.
Em
diversas decisões, a Justiça tem reconhecido que contratos com características
semelhantes às dos planos individuais não podem ser utilizados como mecanismo
para afastar a proteção conferida ao consumidor. Nesses casos, os reajustes
aplicados pelas operadoras têm sido objeto de questionamentos judiciais.
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Equilíbrio
O
avanço das disputas judiciais acompanha um cenário de aumento dos custos
assistenciais, incorporação de novas tecnologias médicas e envelhecimento da
população. Especialistas afirmam, entretanto, que a busca pela sustentabilidade
financeira do setor deve ser conciliada com mecanismos que garantam
previsibilidade e proteção aos usuários.
Segundo
Sabrina Batista Freire, os desafios econômicos da saúde suplementar são reais,
mas não justificam a transferência integral dos custos para os consumidores. “A
saúde não pode ser tratada apenas como produto financeiro. Quando uma família
precisa escolher entre pagar o plano ou manter despesas básicas da casa, existe
um desequilíbrio evidente nessa relação”, afirma a advogada, que é especialista
em Direito Público, Direito Tributário e Direito Civil, com atuação em demandas
relacionadas à saúde suplementar.
O
crescimento das ações judiciais mostra que o debate sobre reajustes abusivos e
acesso à assistência médica deixou de ser apenas jurídico e passou a
representar uma questão social cada vez mais relevante.
Fonte:
Por Carla Santana – assessora de imprensa

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