quinta-feira, 4 de junho de 2026

Dor nas pernas e hematomas frequentes podem revelar lipedema

Durante anos, dores constantes nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e aumento desproporcional do volume corporal foram encarados por muitas mulheres apenas como questões estéticas ou excesso de peso. No Junho Roxo, mês de conscientização sobre o lipedema, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce de uma doença crônica e progressiva ainda subdiagnosticada, mas que já conta com tratamentos capazes de reduzir sintomas e devolver qualidade de vida às pacientes.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, a doença crônica e progressiva afeta principalmente mulheres e provoca acúmulo anormal de gordura, sobretudo nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Estimativas internacionais indicam que o lipedema pode atingir cerca de 10% da população feminina mundial, embora especialistas alertem que o subdiagnóstico ainda seja elevado.

<><> Tratamentos

Nos últimos anos, o tratamento do lipedema passou a incorporar abordagens multidisciplinares, envolvendo alimentação anti-inflamatória, prática regular de exercícios físicos, drenagem linfática, terapias compressivas e acompanhamento vascular e hormonal. Entre as novidades está o aperfeiçoamento das cirurgias de lipoaspiração específicas para lipedema, realizadas com técnicas voltadas à preservação do sistema linfático e menor trauma cirúrgico.

Segundo o cirurgião plástico Franklin Mônaco, diretor do Instituto Lipedema Brasil em Salvador, a cirurgia não é indicada para todos os casos, mas pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida quando existe indicação adequada. “Nem toda paciente precisa de cirurgia, mas quando ela é bem indicada, conseguimos reduzir dores, melhorar mobilidade, diminuir inflamação e proporcionar um impacto muito positivo na qualidade de vida”, destaca.

O especialista ressalta ainda que o acompanhamento contínuo é fundamental mesmo após os procedimentos cirúrgicos, já que o lipedema não possui cura definitiva. “Hoje existe mais conhecimento sobre o lipedema, tanto entre médicos quanto entre pacientes. Isso tem permitido diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes”, afirma.

<><> Alívio

A influenciadora digital Samantha Chaves Pasqualini (38) afirma que conviveu durante anos com sintomas sem compreender o que realmente acontecia com seu corpo. O primeiro contato dela com o tema ocorreu em 2023, após a cunhada suspeitar da doença durante um curso de estética. “Desde a minha primeira menstruação, minhas pernas começaram a crescer de forma desproporcional ao restante do meu corpo. Sempre fui mais magra na parte de cima, mas minhas pernas tinham muito volume”, relata.

Ela conta que chegou a receber um diagnóstico incorreto antes de descobrir o lipedema. Entre os sintomas mais difíceis estavam as dores intensas, os hematomas frequentes, o inchaço no período menstrual e a frustração de não conseguir reduzir o volume das pernas mesmo emagrecendo. “O que mais me incomodava era o peso e a dor nas pernas, a facilidade para ficar roxa sem motivo aparente e as dores intensas após exercícios físicos”, lembra.

Após o diagnóstico correto, Samantha passou a investir em mudanças alimentares, controle da inflamação corporal, exercícios físicos e tratamentos específicos. Segundo ela, a cirurgia trouxe uma transformação significativa na rotina. “O tratamento foi transformador na minha qualidade de vida, principalmente depois da cirurgia. Hoje eu posso dizer que sou outra pessoa. As dores melhoraram muito, aquela sensação constante de peso, inflamação e inchaço nas pernas também diminuiu bastante”, afirma.

<><> Sintomas

Entre os sinais mais comuns do lipedema estão dores nas pernas, sensação de peso, inchaço, sensibilidade ao toque, hematomas espontâneos e dificuldade para reduzir o volume das regiões afetadas mesmo com dieta e atividade física. A condição costuma surgir ou piorar em períodos de alterações hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa.

O diagnóstico é predominantemente clínico e leva em consideração o histórico da paciente, sintomas e exame físico. Entre as características que ajudam na identificação estão a desproporção entre tronco e pernas, a preservação dos pés — diferentemente do que acontece nos casos de linfedema — e a presença de dor ao toque.

“Muitas mulheres convivem anos com dor, desconforto e limitações sem saber que possuem uma doença. O lipedema não é apenas gordura localizada. Existe um processo inflamatório importante associado ao quadro”, explica Franklin Mônaco.

<><> Atenção

Especialistas alertam que o diagnóstico precoce é essencial para evitar agravamentos e reduzir os impactos físicos e emocionais da doença. Além das limitações funcionais, muitas pacientes enfrentam ansiedade, baixa autoestima e sofrimento psicológico causado pela incompreensão dos sintomas.

“A paciente precisa entender que não é falta de cuidado ou apenas ganho de peso. Existe uma doença por trás daquele quadro. Quanto antes o diagnóstico acontece, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida”, conclui Franklin Mônaco.

•        Reajustes abusivos e negativas recorrentes ampliam disputa entre usuários e planos de saúde

Reajustes elevados, negativas de cobertura, cancelamentos unilaterais e dificuldades para manter tratamentos têm levado cada vez mais usuários de planos de saúde à Justiça. O problema atinge especialmente pessoas idosas, pacientes em tratamento contínuo e famílias com crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA). O cenário ocorre em um momento de pressão crescente sobre o orçamento das famílias.

Embora a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tenha autorizado reajuste máximo de 5,11% para os planos individuais e familiares, a maior parte dos consumidores está vinculada a contratos coletivos e empresariais, que não seguem esse limite e frequentemente registram aumentos superiores.

Dados da própria ANS mostram que os planos coletivos e empresariais concentram atualmente a maior parte dos beneficiários da saúde suplementar no país. Diferentemente dos contratos individuais e familiares, essas modalidades não possuem um teto anual de reajuste definido pela agência reguladora, situação que frequentemente gera questionamentos de consumidores e entidades de defesa do consumidor sobre a transparência dos percentuais aplicados.

Para a advogada Sabrina Batista Freire, sócia do BSF Advogados, a judicialização reflete dificuldades cada vez maiores para garantir direitos básicos dos consumidores. Entre os conflitos mais frequentes estão pedidos de cobertura para terapias multidisciplinares destinadas a crianças com TEA, além de reclamações envolvendo negativas de procedimentos, limitação de sessões terapêuticas e descredenciamento de clínicas.

“Muitas vezes o paciente só consegue acesso ao tratamento após uma decisão judicial. Isso demonstra uma dificuldade crescente na efetivação de direitos que deveriam ser garantidos administrativamente”, afirma.

<><> Idosos

A situação também é preocupante entre pessoas idosas. Embora a legislação permita reajustes por faixa etária, os tribunais entendem que os aumentos precisam respeitar critérios de razoabilidade. “O reajuste por faixa etária não pode funcionar como mecanismo indireto de exclusão do consumidor. O envelhecimento é uma condição natural da vida”, destaca a advogada.

Outro foco de discussão envolve os chamados “falsos coletivos”, contratos vendidos como empresariais ou coletivos por adesão, mas que, na prática, reúnem poucos beneficiários e acabam ficando sujeitos a reajustes mais elevados.

Em diversas decisões, a Justiça tem reconhecido que contratos com características semelhantes às dos planos individuais não podem ser utilizados como mecanismo para afastar a proteção conferida ao consumidor. Nesses casos, os reajustes aplicados pelas operadoras têm sido objeto de questionamentos judiciais.

<><> Equilíbrio

O avanço das disputas judiciais acompanha um cenário de aumento dos custos assistenciais, incorporação de novas tecnologias médicas e envelhecimento da população. Especialistas afirmam, entretanto, que a busca pela sustentabilidade financeira do setor deve ser conciliada com mecanismos que garantam previsibilidade e proteção aos usuários.

Segundo Sabrina Batista Freire, os desafios econômicos da saúde suplementar são reais, mas não justificam a transferência integral dos custos para os consumidores. “A saúde não pode ser tratada apenas como produto financeiro. Quando uma família precisa escolher entre pagar o plano ou manter despesas básicas da casa, existe um desequilíbrio evidente nessa relação”, afirma a advogada, que é especialista em Direito Público, Direito Tributário e Direito Civil, com atuação em demandas relacionadas à saúde suplementar.

O crescimento das ações judiciais mostra que o debate sobre reajustes abusivos e acesso à assistência médica deixou de ser apenas jurídico e passou a representar uma questão social cada vez mais relevante.

 

Fonte: Por Carla Santana – assessora de imprensa

 

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