quarta-feira, 23 de julho de 2025

Oliveiros Marques: Pego na mentira... Bolsonaro mente, de novo

No teatro encenado por Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, com o objetivo de burlar as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente voltou a fazer aquilo em que tem mais talento: mentir. É impressionante a vocação mitomaníaca desse indivíduo.

Nas escadarias do Salão Verde, ostentando seu mais novo adereço - uma tornozeleira eletrônica auditável -, o ex-presidente inelegível, único chefe do Executivo não reeleito desde o fim da ditadura militar, fez um discursinho sob medida para cortes nas redes sociais de seus cúmplices. O pronunciamento, recheado de mentiras, seria apenas risível, não fosse criminoso: “Não roubei os cofres públicos, não desviei recurso público, não matei ninguém”, blá, blá, blá.

Mas vejamos: o desvio das joias que deveriam ter sido incorporadas ao patrimônio público da União - e que foram vendidas no mercado paralelo dos Estados Unidos - pode ou não ser considerado roubo aos cofres públicos? Pode ou não ser classificado como desvio de recursos públicos?

E a morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras durante a pandemia de COVID-19, - muitas das quais poderiam ter sido evitadas caso as vacinas tivessem chegado antes, caso não tivesse faltado oxigênio em Manaus, caso o então presidente da República não tivesse feito campanha contra a vacinação e incentivado aglomerações -, pode ou não ser entendida como contribuição direta ou indireta para a ocorrência de crimes contra a vida?

De fato, Bolsonaro não está “tornozelado” por esses crimes - ao menos por enquanto. A restrição de liberdade imposta decorre de sua atuação na continuidade da tentativa de golpe contra a democracia brasileira: por ter contribuído direta ou indiretamente, planejando, financiando, se beneficiando ou incentivando um crime de lesa-pátria. A tornozeleira e a restrição de circulação noturna e nos finais de semana foram determinadas porque seu filho, o 03, articula com o governo dos Estados Unidos sanções contra o Brasil com tarifas que já afetam setores da economia nacional e ameaçam milhares de empregos, além de retaliações contra autoridades brasileiras, como a suspensão do visto do Procurador-Geral da República e de ministros do STF.

As medidas determinadas pelo STF, por solicitação da PGR atendendo a pedido da Polícia Federal, visam dar um basta ao escárnio que a família Bolsonaro tem praticado contra o país. Em uma explícita continuidade do ataque ao Estado Democrático de Direito, numa tentativa desesperada de salvar o patriarca de uma condenação iminente. O teatro encenado nesta segunda-feira na Câmara buscou mais uma vez pressionar as instituições. Mas, ao que tudo indica, será mais um tiro saindo pela culatra, piorando ainda mais a situação do mitômano.

¨      Unir o Brasil contra os traidores da pátria. Por Reginaldo Lopes

A crise causada pelas sanções tarifárias impostas pelo governo de Donald Trump contra nosso país deixou bem evidente quem são os verdadeiros patriotas e defensores dos interesses nacionais. Nos últimos anos, a extrema direita liderada por Jair Bolsonaro se arvorou do discurso do patriotismo e chegou a usar como slogan de campanha “Brasil acima de todos”. Sequestraram a bandeira nacional e suas cores.

Em tempos de pós-verdade, muita gente embarcou na falsidade, inclusive grande parte do empresariado, notadamente do setor agropecuário. Ironicamente, são justamente as primeiras vítimas da realidade que se impõe.

Agora a máscara caiu. A partir de uma campanha orquestrada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em solo estadunidense, a extrema direita daquele país impôs as medidas anunciadas pelo governo, como a taxação em 50% dos produtos brasileiros importados. A carta publicada por Trump comunicando as sanções e seus motivos é um dos maiores ataques que já sofremos contra nossa soberania. Os absurdos não podem ser normalizados. Há pouco tempo, documentos que revelaram tentativa de interferência na nossa política pelo governo estadunidense durante a ditadura militar foram tratados como escândalo. Como descrever agora as ações de um presidente que oficialmente faz algo bem pior?

O respeitado ganhador do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman afirmou com precisão que as sanções de Trump são um ataque contra a democracia brasileira e configuram uma grave violação das leis nacionais e internacionais. O economista vai além e diz que as iniciativas são passíveis de causar o impeachment do presidente. Lembra que não só o povo brasileiro sai prejudicado, mas também seus compatriotas, que vão pagar mais caro para consumir produtos brasileiros.

A intromissão em assuntos internos brasileiros foi além com o cancelamento dos vistos americanos de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República. Isso configura-se uma gravíssima escalada de retaliações oficiais com motivações político-pessoais. Mais uma vez, são ataques que buscam constranger instituições do Estado brasileiro e interferir diretamente no curso regular da Justiça, em benefício de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu por tramar a ruptura da ordem constitucional.

O governo dos Estados Unidos atentou contra nossa soberania também ao abrir investigação comercial sobre a relação dos dois países. Eles não aceitam nem nossa independência tecnológica que nos livrou do monopólio de empresas estadunidenses que controlam as transações financeiras. O nosso Pix, que é uma unanimidade nacional, concorre diretamente com as grandes bandeiras de cartão de crédito daquele país. Além de desejarem recuperar o mercado brasileiro, elas temem uma eventual integração global de sistemas similares ao modelo brasileiro – afinal, ele faz tudo que essas empresas fazem, mas sem cobrar nada por isso.

O Brasil tem que se unir contra os traidores da pátria que vestiram o boné dos Estados Unidos. Fazer uma defesa firme dos interesses nacionais diante de qualquer forma de intimidação, chantagem ou intervenção estrangeira. Nosso dever histórico é resistir a toda tentativa de submissão do país a interesses externos, mantendo vigilância permanente sobre agressões que ameacem nossa democracia, nossas instituições e nossa autodeterminação como nação.

¨      Bolsonaro quer ser preso. Por Moisés Mendes

Duas conclusões sobre as quais inexistem controvérsias. Bolsonaro é um traste abandonado pela base bolsonarista e por líderes da velha e da nova direita. E não há mais nada a fazer para salvar a ambição de Eduardo de ser seu sucessor e candidato em 2026.

Agora, as controvérsias que rendem todo tipo de especulação, com previsões para que alguns possam dizer depois: eu avisei.  Bolsonaro forçou a barra para ser preso, recuou e avançou de novo. Hoje, ele quer ser preso.

No êxtase provocado pelo anúncio do tarifaço de Trump, quando a extrema direita ainda estava em transe, ele pode ter enxergado a chance de triplicar a aposta contra Moraes e até antecipar o espetáculo da prisão.

Os bolsonaristas imaginaram que haveria uma reação nacional pró-extrema direita com o ataque do neonazista. Ocorreu o contrário. Moraes se sentiu forte para ordenar o uso de tornozeleira pelo sujeito e mandou um recado a todos: tomem cuidado porque vocês estão perdendo.

A possibilidade de Bolsonaro estar forçando a prisão parece não ter, mas tem sentido. Uma prisão preventiva agora, antes do desfecho do processo no STF, poderia provocar confusão.

Teria alto impacto político, com a criação de novos fatos na sequência, e poderia fazer com que a base bolsonarista se inquietasse de novo. Porque a condenação é esperada, está programada, mas nem tanto o encarceramento preventivo.

Nessa segunda-feira, Bolsonaro recuou de uma entrevista coletiva que daria à tarde na Câmara, depois que Moraes o alertou: se suas falas forem disseminadas pelas redes, você vai preso.

E o réu decidiu produzir algo de interpretação nebulosa. Fez um discurso, rodeado de deputados, que alguns viram como um minicomício e outros como uma entrevista. Foi quando se apresentou de novo como vítima, ergueu a perna e mostrou a tornozeleira preta.

A determinação de Moraes diz o seguinte: “A medida cautelar de proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, imposta a Jair Messias Bolsonaro inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiros, não podendo o investigado se valer desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão”.

E agora? Não há referência explícita a proibição de entrevistas. Mas um alerta de que qualquer fala disseminada, mesmo que reproduzida por terceiros, pode acionar a ordem de prisão.

Ao promover a aglomeração na Câmara, discursar e fazer com que sua fala fosse divulgada, Bolsonaro burlou as medidas cautelares e o novo alerta?

Hoje, ele teria força política para produzir comoção nacional, mesmo se saísse preso da Câmara rodeado de cúmplices? Moraes cairia na armadilha de mandar prendê-lo dentro do Congresso? 

Claro que não. Mas a mais previsível das reações à ordem do ministro se confirma pelo que acontece desde o final da tarde nas redes sociais.

Propaga-se a sua fala na Câmara, quando se apresentou de novo como vítima, apontou para a tornozeleira e disse que “isso aqui é um símbolo da máxima humilhação em nosso país”. 

Se for preso, Bolsonaro se livra da humilhação no tornozelo, porque um presidiário não precisa de monitoramento eletrônico. Mas essa é uma escolha a cargo de Alexandre de Moraes. 

Bolsonaro deseja antecipar a prisão e tudo o que possa considerar imprevisível, incluindo de novo uma aposta no caos político, com os ingredientes de um caos econômico provocado pelas chantagens de Trump.

¨      Bolsonaro nega descumprimento de medida cautelar

Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta terça-feira (22), ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma manifestação em resposta ao ministro Alexandre de Moraes sobre o suposto descumprimento de medidas cautelares que, segundo avaliação do magistrado, podem resultar em “prisão imediata”. A petição será protocolada após Moraes solicitar esclarecimentos à defesa de Bolsonaro quanto à sua conduta em relação às restrições impostas, especialmente no que diz respeito à comunicação pública e uso de redes sociais.

Segundo a coluna do jornalista Paulo Cappelli, do Metrópoles, no documento, os advogados do ex-mandatário alegam que o despacho do ministro “não especifica claramente” quais seriam os limites para manifestações públicas de Bolsonaro. Segundo a defesa, Bolsonaro pode participar de eventos e falar com o público, desde que essas declarações não sejam publicadas em suas redes sociais — algo que, afirmam, está fora do seu controle direto.

“Bolsonaro não pode ser responsabilizado por conteúdos que venham a ser divulgados por terceiros”, argumenta a defesa, sustentando que, mesmo que o ex-mandatário cumpra as determinações judiciais, outras pessoas — inclusive veículos de imprensa — podem reproduzir suas falas online. Por isso, dizem, não haveria base legal para considerar que houve infração às cautelares.

Ainda de acordo com a reportagem, a defesa também ressaltou que já existe determinação judicial para que Carlos Bolsonaro, filho do ex-mandatário e responsável por suas redes sociais, não publique conteúdos nas páginas oficiais do pai.

Um aliado de Bolsonaro, cuja identidade não foi revelada, criticou a postura do magistrado do STF. “Alexandre de Moraes quer impedir Bolsonaro de falar com o público, de discursar e de dar entrevistas, mas parece não ter coragem de escrever isso no papel. Então, coloca a questão de forma ambígua”, afirmou.

Moraes proibiu Bolsonaro de publicar nas redes sociais ao considerar que o ex-presidente utiliza essas plataformas como meio de mobilização internacional, com o objetivo de pressionar autoridades do STF e o governo brasileiro — prática que, segundo o ministro, caracteriza tentativa de coação no curso do processo penal que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.

A defesa de Bolsonaro, por sua vez, sustenta que não há crime configurado, comparando o caso à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que foi alvo da operação Lava Jato, quando buscou respaldo internacional para denunciar perseguição política.

<><>Bolsonaro cancela ida à Câmara e segue recluso no PL

Poucas horas depois de ser intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prestar explicações sobre possível violação de medidas cautelares, Jair Bolsonaro (PL) recuou de compromissos agendados para esta terça-feira (22) na Câmara dos Deputados. Segundo o jornal O Globo, Bolsonaro cancelou reuniões com aliados e permanece na sede nacional do PL, em Brasília.

A decisão ocorre em meio à pressão crescente por parte do Judiciário. Moraes determinou que a defesa do ex-mandatário esclareça sua conduta durante visita recente ao Congresso, na qual exibiu a tornozeleira eletrônica e manteve contato com parlamentares bolsonaristas. As sessões desta terça nas comissões de Segurança Pública e de Relações Exteriores estavam programadas para discutir moções de repúdio às decisões do STF que atingem o ex-presidente. A iniciativa, articulada por sua base de apoio, busca manter Bolsonaro em evidência e reforçar a narrativa de “perseguição” por parte da Justiça.

Durante reunião com deputados federais na segunda-feira (21), Bolsonaro insistiu na aprovação do projeto de anistia a condenados e investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo a oposição, a proposta seria um “gesto humanitário”, em reação ao que consideram penas desproporcionais. O governo e parte do Congresso, no entanto, enxergam risco de impunidade e rejeitam a medida por fragilizar a responsabilização dos envolvidos na tentativa de golpe.

Ainda durante o encontro, Bolsonaro incentivou a apresentação de novos pedidos de impeachment contra ministros do STF, com foco em Alexandre de Moraes. Embora não haja clima político para o avanço dessas iniciativas, interlocutores bolsonaristas avaliam que os gestos têm impacto simbólico e mobilizam a base nas redes sociais.

Ainda de acordo com a reportagem, a avaliação entre parlamentares próximos ao ex-mandatário é de que ele busca transformar as restrições impostas pelo STF em capital político, reforçando sua imagem de vítima e alimentando a militância com confrontos institucionais.

Na visita que motivou a reação de Moraes, Bolsonaro não apenas circulou pela Câmara como também fez críticas públicas às decisões do ministro, enquanto ostentava a tornozeleira eletrônica. Para o magistrado, há indícios de que o ex-mandatário pode ter utilizado redes sociais de forma indireta, o que violaria as restrições cautelares impostas em investigações que correm no STF.

No despacho, Moraes alertou que, caso não haja uma justificativa satisfatória por parte da defesa, poderá decretar a prisão imediata de Jair Bolsonaro.

¨      PL mobiliza força-tarefa para manter engajamento digital de Bolsonaro após proibição nas redes sociais

Três dias após ser alvo de medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Jair Bolsonaro iniciou um período de recolhimento estratégico para evitar punições ainda mais severas. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que relatou a mobilização do Partido Liberal (PL) para manter o ex-presidente em evidência nas redes sociais, mesmo após a imposição de restrições à sua comunicação pública.

Na segunda-feira (21), deputados federais do PL realizaram uma reunião na sede da liderança do partido na Câmara dos Deputados para debater formas de sustentar o discurso bolsonarista. A principal preocupação foi manter a militância mobilizada e o engajamento digital elevado em defesa de Bolsonaro, que está proibido de utilizar as redes sociais e participar de transmissões ao vivo — mesmo em perfis de terceiros — sob risco de prisão, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes.

<><> Tornozeleira e silêncio imposto

Bolsonaro exibiu publicamente a tornozeleira eletrônica que passou a usar após a decisão judicial. Na última sexta-feira (18), ele concedeu entrevistas e falou com jornalistas em pelo menos cinco ocasiões, mas, após novas orientações de seus advogados, decidiu cancelar duas entrevistas previstas para a segunda-feira, temendo descumprir a ordem judicial e ser preso.

"Bolsonaro gostaria de falar a toda a imprensa nacional. Entretanto, por mais uma ordem de censura do ministro Alexandre de Moraes, preventivamente os seus advogados recomendaram não falar mais com a imprensa. Essa é a democracia relativa que estamos vivendo", afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada, durante coletiva no Salão Verde da Câmara.

<><> Mobilização nas redes e alinhamento do discurso

Para driblar o silêncio do ex-presidente, os deputados federais do PL decidiram intensificar publicações em suas próprias redes, com pressão sobre parlamentares menos ativos digitalmente. O plano inclui abastecer colegas menos familiarizados com redes sociais com conteúdos prontos, buscando alinhamento na defesa de Bolsonaro em meio ao acirramento das investigações contra ele.

Inicialmente, o encontro tinha como objetivo discutir mobilizações nacionais, prioridades legislativas para o semestre e estratégias de comunicação. Contudo, a proibição de entrevistas imposta a Bolsonaro dominou as discussões.

<><> Tensão com Eduardo Bolsonaro e o tarifaço de Trump

Entre as restrições impostas a Bolsonaro está também a proibição de manter contato com seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos. A restrição foi descrita pelo ex-presidente como a mais dolorosa entre as sanções recebidas. Eduardo tem desempenhado papel-chave na articulação internacional da família Bolsonaro, especialmente após o recente anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tarifaço de 50% contra produtos brasileiros, decisão justificada pelo republicano em razão dos julgamentos do STF contra Bolsonaro.

Eduardo vinha se opondo publicamente a alternativas diplomáticas para resolver a questão das tarifas, incluindo críticas diretas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscava solução negociada com empresários e autoridades norte-americanas. “Subserviência servil às elites”, chegou a dizer Eduardo sobre a iniciativa de Tarcísio.

<><> Crise no bolsonarismo e tentativa de pacificação

A tensão interna no bolsonarismo levou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Ciro Nogueira (PP-PI) a articularem um cessar-fogo, envolvendo também Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador pelo Rio de Janeiro. A ofensiva buscou encerrar o embate entre Eduardo e Tarcísio.

Em entrevista ao site Poder360, Bolsonaro sinalizou um tom conciliador: “Hoje foi botada uma pedra em cima. Conversei com Eduardo e conversei com o Tarcísio. E está tudo pacificado. Tarcísio continua sendo meu irmão mais novo e vamos em frente. Não podemos dividir. O Tarcísio é um tremendo de um gestor. Nada de crítica para ele. Se tiver, é por telefone pessoal”, disse.No entanto, a tentativa de pacificação durou pouco. A declaração de Bolsonaro sobre a falta de maturidade política de Eduardo incomodou o deputado, que telefonou ao pai para cobrar esclarecimentos. Após o episódio, o ex-presidente mudou novamente de postura, defendendo Eduardo em entrevista à CNN Brasil e elevando o tom contra Tarcísio.

“Eduardo tem 40 anos de idade, uma pessoa que tem responsabilidade. Esta aí abrindo mão, é o deputado mais votado da história do Brasil, ele tem consciência que se ele voltar pra cá ele vai ser preso. Tem que ser reconhecido o trabalho dele. Não adianta um governador de estado, com todo o respeito que tenho a ele, tentar resolver dentro do seu estado, que não vai resolver o assunto. Resolve é lá (nos EUA). O Eduardo está à disposição de qualquer governador para tratar desse assunto”, declarou Bolsonaro, em trecho que ele próprio divulgou nas redes sociais.

O episódio expôs a divisão dentro do bolsonarismo em um momento delicado para Bolsonaro, que se vê forçado ao silêncio e sob rígida vigilância judicial. Diante do vácuo na comunicação direta do ex-presidente, aliados do PL buscam compensar a ausência com uma atuação coordenada nas redes. Ao mesmo tempo, o partido tenta administrar disputas internas cada vez mais evidentes em meio à pressão internacional promovida por Donald Trump contra o Brasil.

 

Fonte: Brasil 247

 

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