O
que os números do Censo não revelam sobre os evangélicos brasileiros?
O
último Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) atualiza os dados sobre o aumento de pessoas que se declaram como
evangélicas no Brasil, que passaram de 21,6% para 26,9% da população, entre os
anos de 2010 e 2022. É um fenômeno que precisa ser observado com atenção, para
que se interpretem as informações além dos números, já que não se trata de um
grupo homogêneo ou perfeitamente representado por suas figuras políticas e
midiáticas.
Para
analisar esse atual cenário e projetar perspectivas para o futuro, Andrea DiP
recebe no podcast Pauta Pública desta semana a pesquisadora e socióloga
Christina Vital. Ela avalia a atuação de representantes evangélicos no
Congresso, suas influências na política e também nas periferias do país. Para
Vital, houve mudanças significativas no campo evangélico desde a ascensão do
bolsonarismo, em 2018, e ainda há muitos desafios para a próxima eleição
presidencial em 2026, já que algumas dessas instituições religiosas passaram a
atuar de forma política.
Essa
presença ganha força especialmente nas periferias ou em territórios onde o
Estado está ausente, de acordo com a socióloga. “Os dados do IBGE mostram que
nas periferias quem domina são os evangélicos, sobretudo os pentecostais.
[Eles] se anunciam como mais poderosos no combate à violência, porque a colocam
como um mal moral e espiritual e a religião na confrontação desse mal. [Além
disso], oferecem também rede de apoio material, social e emocional”, ressalta
Vital.
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Leia os principais pontos da entrevista:
• O que os dados sobre religião do Censo
do IBGE de 2022, divulgados em junho de 2025, nos dizem sobre religião no
Brasil e como a gente olha para esses números de maneira crítica?
Tem um
mapa da religião no Brasil que é muito interessante de acompanhar.
Os
números gerais informam que a população do Brasil tem 57% de católicos, quase
27% de evangélicos e os que se declaram sem religião, são quase 10%. Houve
também o crescimento dos que se declaram de religiões de matrizes africanas e
uma queda das declaradas espíritas.
Ao
longo dos levantamentos pelo Censo, é possível verificar o aumento da
diversidade religiosa no Brasil, no espaço urbano. É menor a presença de outras
religiões no interior do país. Outra coisa interessante, é o crescimento
evangélico, principalmente nas periferias das cidades.
Hoje,
no Brasil, a gente vê esse crescimento evangélico em áreas de expansão e é
possível perceber as marcas que esses grupos vão produzindo em cada um desses
territórios também. Por exemplo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, na
Baixada Fluminense, tem um número muito maior de evangélicos do que de
católicos.
Nos
anos 2000, por exemplo, quando os católicos eram 74% da população, na faixa
litorânea do Rio de Janeiro, que é maior renda e escolaridade, você tinha mais
católicos do que a média nacional. Ou seja, 80% da população dessa área era de
católicos. Quando olhava-se para a região metropolitana Baixada Fluminense,
esse mapa invertia. Esse mapa continua invertido nesse sentido, porque os dados
do IBGE mostram que nas periferias quem domina são os evangélicos.
• Ao que podemos atribuir esse crescimento
dos evangélicos nas periferias?
Desde
os anos 1990, realizo trabalho de campo em favelas, de forma intermitente, por
meio de pesquisas qualitativas. Acompanhei de perto muitos desses processos,
sobretudo nos anos 1990, quando se intensificou o chamado “novo nascimento”,
isto é, o processo de conversão de pessoas oriundas do catolicismo popular ou
de religiões de matriz africana para as igrejas pentecostais, que se tornavam
cada vez mais numerosas.
Venho
acompanhando esse fenômeno e dialogo com referências importantes nesse debate,
como Clara Mafra e Paul Freston, que analisam, entre outros aspectos, como os
evangélicos, especialmente os pentecostais, se apresentam como mais eficazes no
enfrentamento da violência. Isso porque, ao interpretar a violência como um mal
moral e espiritual, a religião assume um papel central no enfrentamento desse
mal.
Considero
que a expansão e a importância dos evangélicos nessas localidades estão
relacionadas à violência, ao fato de serem áreas de expansão urbana e à
presença dos templos e da comunidade, que oferecem e continuam oferecendo redes
de apoio relevantes, materiais, sociais, emocionais e espirituais. Além disso,
há uma questão importante que é a validação moral que os evangélicos
conquistaram. Por muito tempo, foram vistos no Brasil como representantes de
uma moralidade superior, marcada por comportamentos associados à abstinência de
álcool, fumo e práticas consideradas ilícitas, características frequentemente
destacadas como superiores em relação à cultura católica predominante.
Esse
fator também contribuiu para o lugar social que passaram a ocupar,
especialmente em relação à classe social. É possível considerar, portanto, pelo
menos esses elementos para entender o crescimento evangélico no Brasil,
sobretudo em áreas de expansão urbana e em territórios marcados por alta
vulnerabilidade e violência.
• Você acha que o bolsonarismo mudou o
campo evangélico no Brasil?
Eu
diria que o impacto do bolsonarismo no campo evangélico foi inédito,
principalmente em relação às formas de engajamento político que se consolidaram
a partir da eleição de Jair Bolsonaro. Antes mesmo das eleições de 2016, já se
observava o contexto do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e toda a
articulação que Bolsonaro realizava naquele período. Nesse momento específico
da história, ele conseguiu ocupar um espaço de projeção como liderança capaz de
organizar a direita e o conservadorismo no país.
Anteriormente,
havia ações da Justiça Eleitoral que confrontavam campanhas políticas dentro de
igrejas; várias denominações foram autuadas por irregularidades durante o
período eleitoral. Existia uma contenção, uma vigilância sobre manifestações
políticas em templos, com algumas igrejas, como a Igreja Universal do Reino de
Deus, mais conhecidas por essa prática. Houve, inclusive, apreensão de
materiais de campanha de candidatos em templos, evidenciando o vínculo
institucional entre igrejas e partidos, sobretudo na disputa por espaços no
Legislativo e, posteriormente, no Executivo.
Em
2018, observou-se uma participação mais explícita de lideranças religiosas,
inclusive de pastores reconhecidos, que passaram a orientar fiéis sobre
características desejáveis em candidatos. Fora dos púlpitos presenciais, essas
lideranças utilizaram as redes sociais como púlpitos eletrônicos, declarando
abertamente apoio a candidatos e partidos, além de se posicionarem
contrariamente a adversários.
Essa
situação ficou praticamente sem controle, impulsionada por uma rede
bolsonarista muito ativa na internet, que fez uso estratégico da religião. A
gramática religiosa foi convertida em gramática política de uma forma inédita
na história brasileira. Além disso, o crescimento dessa onda conservadora e
extremista também provocou uma reação significativa, estimulando a organização
de setores progressistas dentro do campo evangélico. Desde 2018, esses grupos
passaram a atuar de forma mais estruturada, o que resultou, por exemplo, na
eleição de um deputado federal evangélico que se posiciona contra o
fundamentalismo religioso, além do fortalecimento de movimentos de evangélicos
de esquerda no Brasil.
• Pensando nessas transformações todas que
estão acontecendo no campo dos evangélicos no país, como você vê o apoio deste
grupo nas eleições de 2026?
Já em
2014, observou-se uma organização diferente por parte de setores evangélicos.
Esse processo é resultado de um empoderamento que se constrói desde 1989,
quando atores evangélicos passaram a se estruturar politicamente para oferecer
apoio a candidaturas. Se antes atuavam nos bastidores, fornecendo suporte e
recebendo políticos em busca de diálogo, passaram a reivindicar protagonismo,
ocupando diretamente o espaço eleitoral.
Em
2014, a candidatura de Pastor Everaldo à Presidência marcou esse movimento. Ele
conseguiu reunir em torno de si lideranças influentes, como Silas Malafaia e
Robson Rodovalho, ainda que enfrentasse tensões internas, já que era ligado à
Assembleia de Deus, a maior denominação do país, enquanto a Igreja Universal do
Reino de Deus, por exemplo, era antagonista ao PSC, partido pelo qual
concorreu. Mesmo assim, havia a expectativa de que, se sua candidatura ganhasse
força, outras lideranças se somariam a ela. Ainda assim, sua campanha teve
desempenho fraco, mas a ideia de um “puro-sangue”, como defendeu Marco
Feliciano, não se perdeu entre parte do eleitorado evangélico.
Jair
Bolsonaro, embora não seja evangélico, fato que ele próprio reafirmou diversas
vezes, foi o presidente que mais abriu espaço para o discurso religioso na
política, tanto pela retórica quanto pela composição de ministérios e pela
indicação de nomes como André Mendonça ao STF. Mesmo não sendo evangélico,
conseguiu representar uma pauta que agradou a setores do poder religioso e a
uma base social que se reconheceu em seu discurso.
Para
2026, considero improvável que essa mesma mobilização se repita com a mesma
força, especialmente em caso de condenação de Bolsonaro, o que levantaria
dúvidas sobre sua capacidade de articulação política. Isso abrirá espaço para
disputas não apenas entre possíveis candidatos, mas também entre lideranças
religiosas.
Em
médio prazo, no entanto, é importante observar o surgimento de novas lideranças
jovens, alinhadas à extrema direita, que estão se organizando e se
fortalecendo. Essas figuras podem, futuramente, viabilizar candidaturas que
reúnam diversas forças do campo conservador. Sóstenes Cavalcante, por exemplo,
sugeriu que o crescimento mais contido do número de evangélicos pode estar
ligado ao envelhecimento de grandes lideranças. De fato, o envelhecimento
desses atores impacta a dinâmica do campo evangélico, que passa a se
reorganizar, inclusive no ambiente virtual.
Essa
reorganização tende a tornar o campo evangélico mais difuso socialmente,
diluindo o peso de grandes lideranças e tornando menos central a identidade
evangélica declarada como condição para fortalecer candidaturas. Assim, é
possível que, num futuro próximo, surja um “puro-sangue” que não se apresenta
explicitamente como tal, mas que, mesmo assim, consiga reunir amplos setores
conservadores em torno de sua candidatura. Tudo isso ainda está em movimento.
• Cruz profanada: o que significa o ataque
à única igreja católica de Gaza. Por Edison Veiga
O
ataque das forças israelenses ao único templo católico da Faixa de Gaza, a
Igreja da Sagrada Família, deixou três mortos, 11 feridos e uma ferida que deve
custar a cicatrizar-se. Em uma guerra, quando locais considerados sagrados são
transformados em alvo, o simbolismo transcende as esferas da diplomacia e da
humanidade.
As
primeiras consequências foram vistas quase que imediatamente. Se o papa Leão 14
estava medindo as palavras ao cobrar o fim do conflito entre Israel e Hamas,
seus passos foram mais incisivos nos últimos dias. Na manhã do dia 18 ele
telefonou para o patriarca latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista
Pizzaballa — que, em seguida, entrou em Gaza para levar centenas de toneladas
de ajuda humanitária.
Um dos
feridos no ataque foi o pároco da igreja, o sacerdote argentino Gabriel
Romanelli, que ficou conhecido principalmente porque, desde o início da guerra,
recebia todas as noites uma ligação do papa Francisco (1936-2025).
O
primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, buscou colocar panos quentes
na história. No mesmo dia 18, entrou em contato com o papa Leão dizendo que o
alvo foi atingido por engano. O líder da Igreja Católica, segundo informações
do Vaticano, foi firme em sua posição e cobrou o fim da guerra em Gaza,
expressando preocupação quanto à situação humanitária da Palestina. O papa
também disse ser necessário respeitar os lugares de culto, independentemente da
religião.
“O
Santo Padre reiterou seu apelo por um novo impulso nas negociações, um
cessar-fogo e o fim da guerra. Ele voltou a expressar sua preocupação com a
trágica situação humanitária da população de Gaza, cujas crianças, idosos e
doentes estão pagando um preço agonizante”, afirmou a Santa Sé.
Católicos
são minoria na Palestina e essa única igreja em Gaza tem uma comunidade de
cerca de 200 fiéis. No centro de Gaza, entre ruínas e silêncios, a pequena
Igreja da Sagrada Família se erguia como último refúgio espiritual para uma
comunidade cada vez mais esvaziada e encurralada pela guerra. Única paróquia
católica da Faixa de Gaza, o templo era também refúgio: abrigava idosos,
crianças, civis que não tinham para onde ir. Era um espaço de trégua —
religioso, humanitário, simbólico. Até ser atingido pelo bombardeio israelense.
A
simbologia desse ataque não pode ser subestimada. Na tradição católica, igrejas
não são apenas construções; são locais sagrados, espaços de esperança,
especialmente em contextos de guerra. Atacar uma igreja é mais do que destruir
paredes: é violar uma promessa de proteção. É converter um santuário em alvo.
As
faíscas desse ataque ainda repercutem não só no mundo católico, mas na opinião
pública mundial — sobretudo a europeia. E, no entendimento de especialistas e
pessoas ligadas ao Vaticano, podem indicar uma mudança de posicionamento de
Leão 14 — depois de um início de pontificado mais cuidadoso com as palavras,
ele pode agora sentir que é preciso ser mais firme em cobrar um cessar-fogo.
Um
religioso próximo a Pizzaballa ouvido pela Agência Pública confirmou que essa
expectativa está posta. E foi além. “Este acontecimento pode marcar a estreia
de fato do novo papa nas discussões geopolíticas”, afirma ele. “Resta
acompanhar as próximas declarações.”
Para o
teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade
Presbiteriana Mackenzie, Leão 14 está diante de seu “primeiro grande teste”.
“Ainda estava naquela fase de namoro inicial [com o cargo]. Mas um ataque dessa
natureza passa a exigir uma resposta, uma posição mais firme”, comenta. “O
conflito deve marcar a entrada de Leão nos aspectos que envolvem a política
mundial já que, enquanto Francisco se posicionava de maneira muito contundente,
o novo papa parecia cauteloso.”
“Antes
de tudo, em um contexto de guerra deveríamos considerar o direito humanitário,
e isso também significa proteger as possíveis vítimas civis em contextos
armados. Há lugares, como as igrejas, onde a possibilidade de haver vítimas
civis não envolvidas no conflito é extremamente alta”, avalia o vaticanista
italiano Andrea Gagliarducci, do grupo ACI-EWTN. “Não se trata de pensar que
existam lugares intocáveis, mas sim de tentar tornar a guerra mais ‘humana’.
Se, na prática, não pode haver lugares realmente intocáveis em uma guerra,
existe um nível humanitário que diz respeito a todos, a partir da própria
humanidade, e é isso que deveria importar a todos.”
Sobre
Leão, o vaticanista não o vê como menos enfático do que o predecessor. Mas,
sim, mais diplomático. “Diria, antes, que ele foi mais preciso, mais direto,
mais diplomaticamente cuidadoso nas palavras que usava a cada vez”, diz
Gagliarducci. “O papa Francisco utilizava muitas expressões marcantes, mas na
diplomacia o que conta é a precisão, não a força das palavras. E acredito que
Leão 14 tem sido bastante incisivo. Obviamente, o fato de uma igreja, e uma
igreja católica, ter sido atingida não pode deixar ninguém indiferente. Mas, no
que me diz respeito, a diplomacia da Santa Sé já vinha sendo incisiva.”
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Lugares “neutros”
Pesquisador
sênior no Instituto de Estudos de Desenvolvimento e Paz da Universidade de
Duisburg-Essen, na Alemanha, o cientista político Leonardo Bandarra ressalta
que há bases no direito internacional para uma certa regulação das guerras. “Em
uma situação dessas, é preciso proteger os civis e as partes não diretamente
envolvidas no conflito”, ressalta. “Hospitais e outras atividades são
protegidas, como ajuda humanitária, acesso aos direitos básicos e também aos
direitos religiosos, neste caso incluem-se as igrejas.”
Assim,
ele entende que o ataque israelense carrega o simbolismo tanto de ferir uma
premissa do direito internacional quanto o fato em si de ser uma agressão a uma
fé alheia.
Para
Moraes, o simbolismo transcende a religião em si e é a expressão do poder
israelense. “Não significa que eles estão provocando outro grande grupo
religioso [no caso, os católicos]. Significa que eles demonstram poder em
relação a esse outro grupo que, naquele espaço, é minoritário”, diz.
A
teóloga e socióloga Brenda Carranza, professora de Antropologia da Religião na
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora no grupo Sionismo
Cristão no Sul Global, acredita que o conflito escalou para um momento em que
“todas as instituições internacionais e humanitárias” foram colocadas em xeque
pelo governo israelense.
“A
expansão territorial buscada por Israel é moralmente uma vingança, uma agressão
neocolonialista e também uma manifestação do poder típico da ultradireita que
caracteriza o governo do [primeiro-ministro Benjamin] Netanyahu”, aponta.
“Coloco isso como contexto para que a gente não caia na armadilha de que por
ser um alvo religioso é uma guerra religiosa. Houve bombardeio de igreja
católica assim como foram bombardeadas também as universidades e hospitais que
deveriam ser intocáveis.”
Carranza
cobra esse cuidado na interpretação para que o conflito não seja compreendido,
em uma escalada, como um confronto entre religiões. Embora de um lado haja
maioria judia e, de outro, maioria islâmica, a pesquisadora argumenta que a
motivação não passa pelo aspecto da fé. “É um confronto político, geopolítico,
de um Estado que não permite a possibilidade territorial de criar outro Estado,
o Palestino”, argumenta.
Ao
longo da história da humanidade, contudo, ataques a igrejas são episódios
constantes em tempos de conflito bélico. Os próprios judeus já foram vítimas
disso, inúmeras vezes. Considerado sagrado, o Templo de Salomão, conhecido como
Primeiro Templo, foi destruído em duas ocasiões: em 586 a.C, quando os
babilônios invadiram Jerusalém e incendiaram o lugar. E, depois, por volta do
ano 70 d. C., quando os romanos destruíram o templo depois de uma histórica
revolta judaica.
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Próximos passos
Se os
especialistas são unânimes em descartar que o bombardeio à igreja possa
desencadear uma certa adesão de católicos ou mesmo países considerados
católicos no conflito, por outro acredita-se que já esteja havendo um certo
revide presente nos discursos dos católicos e mesmo na opinião pública
ocidental.
Gagliarducci
diz que não vê o incidente como uma “provocação ao grande grupo religioso dos
cristãos”, mas que entende o “incidente” como “a vontade do Estado de Israel de
erradicar o terrorismo onde quer que ele esteja, sem considerar as situações
colaterais”.
“No
entanto, a partir de uma razão que provavelmente todos compartilhamos,
chegou-se a uma situação insustentável”, diz. “Porque vai contra a humanidade.
E creio que os cristãos se sentiram ainda mais atingidos por isso do que pelo
incidente de Gaza em si. Alguns, sem chegar a usar a palavra genocídio,
definiram o episódio como um ‘democídio’.”
O resto
do planeta assiste aos próximos passos, com um olho no Vaticano, outro no
Oriente Médio. “Na Faixa de Gaza, não me parece haver a preocupação em relação
ao que se destrói, seja militar, seja civil e, agora, seja um local sagrado
religioso”, pontua o teólogo e cientista da religião Andrey Mendonça, professor
na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Por outro lado, [depois
do incidente], o mundo pode começar a voltar seus olhos para esse conflito de
maneira mais incisiva, pressionando para o fim da guerra.”
Fonte:
Por Andrea DiP, Ricardo Terto, Stela Diogo e Rafaela de Oliveira, da Agencia
Pública

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