Prisão
de Zambelli ecoa em noticiário internacional: "invasão ao sistema do CNJ é
uma mancha"
A
prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) em Roma, na
Itália, ganhou ampla cobertura em jornais e agências internacionais.
Zambelli foi localizada após fugir do Brasil, onde foi condenada a dez
anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar
de Zambelli ter alegado que a dupla cidadania a tornaria “intocável” na Itália,
veículos como Corriere della Sera, La Repubblica e a agência Ansa ressaltaram
que a legislação italiana permite a extradição de cidadãos italianos em casos
específicos.
A
situação alcançou tanta proporção global que houve até mesmo a criação de
tópicos no fórum Reddit, onde seus usuários comentam a prisão da deputada na
Itália. "Não sobrou nada pra Zambettinha", escreveu um usuário.
"Big day!", respondeu outro.
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Cobertura internacional destaca acusações
A
imprensa italiana destacou os dois principais fatores que levaram à prisão: a
condenação por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para
emitir uma ordem de prisão falsa contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF,
e a acusação por porte ilegal de arma em episódio durante a campanha eleitoral
de 2022.
O Corriere
della Sera destacou a conjuntura da situação de Zambelli, destacando a atuação
de parlamentares italianos na localização da brasileira, além da do ministro
Piantedosi explicou, que afirmou que "iniciado diligências
investigativas visando localizar a mulher, em consulta com as autoridades
judiciárias de Roma, que foram imediatamente informadas do fato".
Já
o La Repubblica mostrou as ligações de Zambelli com a família Bolsonaro, e
afirmou que o vice primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini quer conhecer a
parlamentar. Outros portais que repercutiram o caso foi o 24 Ore
e o Il Messaggero, destacando a atuação do deputado italiano Angelo
Bonelli na localização da deputada.
O
jornal espanhol El País chamou a brasileira de "símbolo do
bolsonarismo", afirmou que Moraes é o "inimigo número 1 da
extrema-direita" e considerou o caso da invasão ao sistema do CNJ como uma
"mancha" no currículo da parlamentar, além de abordar o caso do porte
ilegal de arma.
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O que Bolsonaro disse sobre a prisão da deputada
O
ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) reagiu
à prisão da deputada federal Carla Zambelli
(PL-SP) com
duras críticas, classificando a medida como "perseguição" e
"maldade". A declaração foi revelada pelo líder
do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante
(RJ),
que esteve com Bolsonaro pouco depois da divulgação da notícia.
Segundo
Sóstenes, o ex-presidente fez a avaliação durante uma conversa reservada com
ele e o deputado Hélio Lopes (PL-RJ), no escritório
político do ex-presidente localizado na sede do Partido Liberal, em Brasília.
"É muita perseguição e maldade com ela. Foi a frase dele", relatou o
parlamentar à imprensa.
De
acordo com Cavalcante, Bolsonaro havia acabado de retornar de uma motociata
realizada nas ruas da capital federal quando foi informado sobre a detenção da
aliada em Roma, na Itália. A deputada é alvo de mandado de prisão no
âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Federal.
Ainda
segundo o líder do PL, ele relatou ao ex-presidente uma conversa que teve com o
advogado de Carla Zambelli, que sustentou que a parlamentar teria se entregado
espontaneamente às autoridades italianas. Essa versão, no entanto, é contestada
tanto pela Polícia Federal quanto pelo deputado italiano Angelo Bonelli — este
último afirmou ter sido o responsável por fornecer às autoridades o endereço de
Zambelli em Roma.
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Florestan Fernandes Jr.: Abandonada por Bolsonaro,
Zambelli enfrenta extradição iminente
A
tarefa dos advogados de Carla Zambelli em Roma não será fácil. Na Itália, a
extradição de uma pessoa com dupla cidadania é regida por princípios e
condições específicos; a extradição não é concedida para crimes políticos.
Qual
será o argumento utilizado pela defesa de Zambelli para convencer o ministro da
Justiça italiano de que a deputada foi condenada por perseguição política?
Vamos aos fatos: Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a
10 anos de prisão por crime cometido em parceria com o hacker Walter Delgatti,
envolvendo a adulteração de documentos e a invasão dos sistemas do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ). Os dois foram condenados na Ação Penal (AP) 2428
pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Além
da pena de prisão em regime inicial fechado, Zambelli terá de pagar multa
equivalente a dois mil salários mínimos.
O crime
cometido por ela e Delgatti, entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, é
extremamente grave. Os dois adulteraram documentos da Justiça brasileira,
incluindo certidões, mandados de prisão, alvarás de soltura e quebras de sigilo
bancário. Para se ter uma ideia da gravidade, um dos documentos falsificados e
inseridos no sistema foi um mandado de prisão expedido contra o ministro
Alexandre de Moraes.
A
desfaçatez do crime demonstra que Zambelli tinha convicção de que Jair
Bolsonaro não deixaria o poder de maneira alguma — fosse pela vitória nas
eleições de 2022 ou por um golpe de Estado, que acabou fracassando.
E
convenhamos: a deputada conhece como poucos as estratégias da família Bolsonaro
para escapar de processos na Justiça. Ela acompanhou de perto seu padrinho de
casamento, o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro, ser defenestrado do Ministério
da Justiça após denunciar “interferências políticas” do então presidente
Bolsonaro na Polícia Federal. À época, tramitava no Judiciário do Rio de
Janeiro a investigação do Ministério Público estadual sobre o esquema de
“rachadinha” liderado por Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual — caso
que acabou sendo arquivado pelo TJ-RJ sob forte pressão política do Planalto.
Aliás,
para fugir de condenações judiciais, a família Bolsonaro é inigualável. E
Zambelli sabia disso. Ela acreditava que seria blindada pelo clã pelos crimes
que cometeu para tentar desacreditar a Justiça brasileira. Talvez ainda hoje
acreditasse que seu colega no Parlamento, Eduardo Bolsonaro, pudesse convencer
Donald Trump a incluir a anulação da condenação dela na exigência de suspensão
do julgamento de Jair Bolsonaro no STF, feita pelo presidente dos EUA no
anúncio do tarifaço de 50% contra o Brasil.
Talvez
agora tenha caído a ficha de Zambelli: para o clã, a família Bolsonaro está
acima de tudo. Ela, assim como o ex-deputado federal Roberto Jefferson, foi
simplesmente jogada ao mar.
É
praticamente impossível que Zambelli escape da extradição na Itália alegando
perseguição política. Sendo assim, talvez seja a hora de ela abrir seus
arquivos e revelar tudo o que sabe sobre os crimes cometidos pela “familícia”.
Seria um ato de solidariedade ao povo brasileiro num momento em que nossa
soberania está sendo ameaçada pelos Bolsonaro. Mas será que Zambelli teria essa
grandeza?
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Polícia fez cerco para evitar nova fuga de Zambelli; foi
“capturada”, diz embaixador do Brasil na Itália
A
deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi capturada pela polícia italiana em
Roma na tarde de terça-feira (29), após uma operação organizada em conjunto com
as autoridades brasileiras. Apesar da defesa afirmar que ela se entregou
voluntariamente, a versão é contestada por órgãos oficiais dos dois países.
As
forças de segurança cercaram rapidamente o local onde Zambelli estava hospedada
por temer uma nova tentativa de fuga. "Ninguém se entrega em casa",
disse ao g1 um policial
brasileiro que participou da operação. A deputada foi encontrada em seu
apartamento em Roma, pintando e lavando o cabelo, de acordo com relato de seu
advogado, Fábio Pagnozzi. Após pegar seus medicamentos, ela foi levada para a
delegacia.
A
versão da defesa é que a parlamentar buscava colaborar com as autoridades e se
apresentou de forma espontânea. “Ela não tem intenção de fugir da Justiça, está
disposta a cooperar”, disse Pagnozzi. No entanto, tanto a Polícia Federal
brasileira quanto o Ministério da Justiça negam que tenha havido rendição
voluntária.
A
negativa foi reforçada publicamente pelo embaixador da Itália no Brasil, Renato
Mosca, em entrevista à CNN: “Ela foi capturada
conforme a solicitação da Interpol. Não houve gesto dela de se apresentar. Essa
é uma questão importante de se esclarecer. Ela [Zambelli] constrói uma
narrativa que não tem base na realidade.”
Zambelli
estava na lista de procurados da Interpol desde junho, quando teve a prisão
decretada no Brasil sob suspeita de envolvimento em ações antidemocráticas.
Investigadores acreditam que ela possa tentar solicitar asilo político, mas
tratam essa possibilidade como remota. Segundo interlocutores, a deputada
esperava obter apoio de políticos da extrema direita internacional, mas foi
considerada isolada até mesmo por seus advogados, que não viam chances reais de
articulação internacional em seu favor.
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Deputado italiano pede extradição imediata de Zambelli:
"Cidadania não é instrumento para fugir"
A prisão da deputada
bolsonarista Carla Zambelli
(PL-SP) em
Roma, nesta terça-feira (29), após quase dois meses foragida, gerou repercussão
imediata na política italiana. Em entrevista exclusiva à Fórum, o deputado
italiano Fabio Porta (Partido Democrático) defendeu a extradição
de Zambelli e criticou sua tentativa de usar a cidadania italiana para
evitar a prisão no Brasil.
“A
Carla Zambelli foi detida pela polícia italiana após um mandado de busca e
apreensão dirigido a todas as autoridades internacionais pela Interpol. Desde o
primeiro momento, após a notícia de sua chegada à Itália, declarei que a Itália
deve cumprir o mandado de extradição desta deputada, respeitando o acordo
existente entre Itália e Brasil”, disse Porta.
O
parlamentar lembrou que o tratado entre os dois países já foi cumprido
anteriormente, mencionando o caso do ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique
Pizzolato, que foi extraditado pela Justiça italiana.
“Este
acordo já foi respeitado no passado; lembro-me de ter participado da extradição
do diretor do Banco do Brasil, Pizzolato, há 10 anos. Itália e Brasil têm um
sistema de Justiça e um Estado de Direito que devem ser respeitados, e mantêm
ótimas relações institucionais. Não vejo razão para que este acordo não seja
cumprido no caso de Carla Zambelli.”
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Prisão foi resultado de operação internacional
Zambelli
foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de
prisão por planejar a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), em ação executada pelo hacker Walter Delgatti Neto. Ela perdeu o mandato
e fugiu do Brasil no fim de maio, atravessando a Argentina e viajando aos
Estados Unidos antes de chegar à Itália, onde entrou com passaporte italiano.
Em 11 de junho, o governo brasileiro formalizou o pedido de extradição.
Nesta
terça-feira (29), ela foi localizada e presa em casa, em Roma, em uma operação conjunta
entre a Polícia Federal (PF), a Interpol e as autoridades italianas. A ação contou com
informações repassadas pelo
deputado italiano Angelo Bonelli, que informou o endereço da ex-deputada à
polícia.
Apesar
disso, Zambelli gravou um vídeo alegando ter se apresentado voluntariamente às
autoridades, versão desmentida pela Polícia Federal e pelos fatos.
“Ela
cometeu um crime muito grave, pelo qual foi condenada a 10 anos de prisão, um
atentado ao sistema de justiça nacional; e não pode usar a cidadania italiana
como forma de escapar dessa situação”, disse Fabio Porta.
Há duas
semanas, o ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, confirmou
que Zambelli já era alvo de diligências. “Foram iniciadas diligências
investigativas visando localizar a mulher, em conjunto com as autoridades
judiciárias de Roma, que foram imediatamente informadas do assunto. Durante as
investigações, foram prontamente apurados relatos da presença da parlamentar em
determinados locais ou contextos", afirmou.
As
declarações reforçam que Zambelli foi de fato alvo de uma operação de busca e
desmentem a narrativa de que teria se entregado por iniciativa própria.
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"Cidadania não é instrumento para fugir"
Para
Fabio Porta, “a cidadania italiana deve ser valorizada, respeitada e
homenageada, mas não é um instrumento para fugir da Justiça”, afirmou.
O
parlamentar defende que a extradição seja conduzida de forma célere e sem
interferências políticas.
“Estou
pedindo formalmente ao governo italiano que proceda com a Justiça, cumprindo o
acordo Itália-Brasil em matéria de extradição e devolvendo, respeitando todas
as regras e procedimentos legais, Carla Zambelli à Justiça brasileira”, disse
à Fórum.
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Líder do PL aciona Executivo italiano por asilo político
para Carla Zambelli
O líder
do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), acionou o vice-presidente do Conselho de
Ministros da República Italiana na intenção de impedir a extradição da deputada
Carla Zambelli. No ofício redigido em papel timbrado da Câmara dos Deputados,
Sóstenes pede que a parlamentar, presa ontem pela polícia italiana, receba
asilo político do país onde também possui nacionalidade. Leia trecho do
documento:
“Pedido
de extradição e concessão de asilo político à deputada Carla Zambelli Salgado
de Oliveira.
Excelência,
Vice-Presidente do Conselho de Ministros da República Italiana,
Solicito
a intervenção de Vossa Excelência no caso que envolve a deputada Carla Zambelli
Salgado de Oliveira, brasileira, eleita pelo Estado de São Paulo com o maior
número de votos (946.244) obtidos por uma mulher em 2022 na República
Federativa do Brasil, por ter se rendido à polícia em 29 de julho de 2025, na
cidade de Roma.
Ela
representa a figura da mulher brasileira conservadora de direita, que luta
pelos valores da família e por uma democracia justa e livre.
No
entanto, a deputada Carla Zambelli e outros parlamentares conservadores de
direita, incluindo os do Partido Liberal (PL), do qual são líderes, têm sido
alvo de perseguição política pelo atual governo do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e, em conluio com o Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o
ministro Alexandre de Moraes.
No caso
julgado pelo Supremo Tribunal Federal, a deputada Zambelli foi privada do
direito à ampla defesa, ao contraditório e a um julgamento justo.”
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Flávio Bolsonaro agradece aliado italiano por visitar
Carla Zambelli na cadeia
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a mobilizar redes internacionais da
extrema direita em defesa da deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa
preventivamente em Roma, na Itália. O filho do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) agradeceu o político italiano de ultradireita Matteo Salvini,
vice-premiê da Itália, por "dar atenção" ao caso, por meio das redes
sociais nesta quarta-feira (30),.
“Muito
obrigado por dar atenção ao caso da deputada Carla Zambelli, uma cidadã
ítalo-brasileira que também é vítima da perseguição política promovida contra a
direita e aliados de Bolsonaro aqui no Brasil. Vamos resgatar a nossa
democracia!”, escreveu Flávio, em italiano.
A
tentativa é de reforçar a narrativa de “perseguição política” contra
aliados do bolsonarismo, discurso que vem sendo repetido desde as
condenações dos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Carla
Zambelli, no entanto, é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) e do
Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de integrar uma organização
criminosa digital voltada a desestabilizar as instituições democráticas
brasileiras, por meio de invasão ao sistemas do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) e outros atos. Zambelli já é ré por porte ilegal de arma e ameaça, após
perseguir um jornalista negro com uma pistola nas mãos, nas vésperas do segundo
turno das eleições de 2022.
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Conexões internacionais da extrema direita
O aceno
do senador a Matteo Salvini, conhecido por posições xenófobas,
autoritárias e nacionalistas, faz parte da estratégia bolsonarista de
internacionalizar o discurso de vitimização. Nos últimos meses, a família
Bolsonaro e aliados vêm tentando transformar figuras como Carla Zambelli e
o próprio Jair Bolsonaro em símbolos de uma suposta "resistência
conservadora" mundial.
A
ofensiva ocorre no mesmo momento em que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump,
anunciou tarifas contra produtos brasileiros, que entram em vigor na sexta
(1) num gesto interpretado como retaliação em apoio a Bolsonaro, atitude
criticada até mesmo por setores conservadores brasileiros.
Fonte:
Brasil 247/Fórum

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