quarta-feira, 30 de julho de 2025

Eduardo Bolsonaro admite que atua para impedir que políticos negociem fim de tarifaço

Um dia antes do início da agenda oficial de uma comitiva de senadores brasileiros nos Estados Unidos, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou ser contra a visita e afirmou estar trabalhando para impedir que os parlamentares consigam estabelecer diálogo com autoridades norte-americanas.

A declaração foi dada ao SBT News neste domingo (28), logo após a participação de Eduardo na Cúpula Conservadora do Brasil, evento realizado em Miami com presença majoritária de brasileiros que vivem nos EUA. O encontro contou ainda com a participação de nomes investigados no Brasil, como o próprio Eduardo e o comentarista Paulo Figueiredo.

Durante a entrevista, o deputado criticou a missão de oito senadores brasileiros, que nesta semana cumprem agenda de três dias em Washington, buscando reverter medidas comerciais e diplomáticas tomadas pelo governo dos EUA contra o Brasil, como a suspensão de vistos de autoridades brasileiras, anunciada em 18 de julho.

Para Eduardo Bolsonaro, o problema entre os dois países vai além de questões comerciais e envolve uma “crise institucional” no Brasil. Ele acusou o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente o ministro Alexandre de Moraes, de conduzir o país de forma autoritária e afirmou que “o Brasil tem tido a síndrome de avestruz, colocando a cabeça embaixo da terra”.

“Trump não está atacando a soberania do Brasil. Ele está defendendo a soberania dos Estados Unidos”, afirmou.

<><> Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro está licenciado do cargo de deputado desde março e teve seus bens e contas bancárias bloqueados por ordem do STF. Segundo ele, há expectativa de que novas sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras sejam anunciadas em breve, possivelmente por meio da Lei Magnitsky ou de mecanismos do Departamento do Tesouro, como a lista OFAC. Ele citou diretamente o ministro Alexandre de Moraes como possível alvo dessas medidas.

“O Brasil não tem se comportado como uma democracia ocidental. Tem se comportado como uma ditadura muito similar à venezuelana”, declarou. “As pessoas acham que resolveriam o problema das tarifas e estaria tudo bem. Não. Estariam fadadas a sustentar esse regime”, disse.

O deputado Eduardo Bolsonaro também relatou dificuldades pessoais. Disse estar sendo alvo de um inquérito que pode lhe render até 20 anos de prisão e afirmou que tanto ele quanto sua esposa estão com as contas congeladas por ordem judicial.

Ainda durante a conversa, Eduardo Bolsonaro voltou a se posicionar contra qualquer tentativa de negociação por parte da comitiva de senadores.

“Com certeza não [vão encontrar diálogo], e eu trabalho para que eles não encontrem diálogo”, afirmou. “Eu sei o que é certo. Não é dar 17 anos de cadeia para velhinhas. Nós estamos em guerra. E é tudo ou nada.”

Procurado, o Supremo Tribunal Federal informou que não comentará as declarações do deputado licenciado.

•        Steve Bannon teria sido elo entre Eduardo e Trump para pedir liberdade a Bolsonaro em taxação

Guru de Donald Trump em seu primeiro governo, o "estrategista" Steve Bannon - que chegou a ser condenado e preso em 2024 na investigação sobre a invasão ao Capitólio - ainda parece manter uma forte influência sobre o presidente dos EUA e tem usado a Casa Branca para proteger e alavancar a internacional neofascista pelo mundo. Inclusive no Brasil.

Novas informações, reveladas nos últimos dias, colocam Bannon como o principal elo entre Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Donald Trump nas articulações para desencadear uma guerra tarifária ao Brasil.

Além da liderança nos Brics, com Lula na presidência do bloco propondo iniciativas para a desdolarização das transações comerciais entre países, na última semana foi revelado o interesse de Trump pelas terras raras, que são essenciais para a transição energética, e que têm no Brasil o segundo maior volume em jazidas exploráveis do mundo - atrás apenas da China.

As questões econômicas já estariam no cenário de Trump para iniciar uma guerra tarifária contra o Brasil. E coube a Bannon fazer o elo com Eduardo Bolsonaro para que o presidente dos EUA inclusive a questão política, com o pedido de suspensão do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a quadrilha que tentou um golpe de Estado no Brasil.

Bannon teria colocado a pauta em questão após intensificar as conversas com Eduardo - a quem alçou à presidência para a América Latina d'O Movimento, a internacional neofascista, no início do governo Bolsonaro. Trump, por sua vez, teria se prontificado a colocar a questão na carta ao Brasil por enxergar no caso um reflexo que teria acontecido com ele no país.

Em janeiro, em um almoço que antecedeu a posse de Trump, Bannon se abraçou a Eduardo Bolsonaro antes de anunciar que ele seria presidente do Brasil "num futuro não tão distante".

"Essa é uma das pessoas mais importantes no nosso movimento pela soberania ao redor do mundo. E acho que um dia, e num futuro não tão distante, [será] o presidente do Brasil", disse Bannon que antes criticou o "comunista marxista" Alexandre de Moraes por reter o passaporte de Jair Bolsonaro e chegou a fazer um gesto nazista ao indicar a "alternativa" para a Alemanha.

<><> Quem é Steve Bannon?

Bannon é um ex-produtor de Hollywood que ganhou notoriedade na política após comandar o Breitbart News, um site de fake news de extrema-direita que ganhou tração nas redes sociais a partir dos anos 2010.

Ele saiu do veículo para comandar a campanha de Trump e foi um dos mentores do escândalo Cambridge Analytica, comprando dados de redes sociais para influenciar o resultado das eleições de 2016 nos EUA em favor da extrema-direita.

Em 2017, foi nomeado como estrategista-chefe da Casa Branca, mas foi demitido por Trump após meses no cargo. Depois da rixa, Bannon entrou em uma turnê mundial para "mentorar" nomes da extrema-direita internacional, tendo no deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) um de seus principais aliados globais.

Em 2021, voltou a se aliar ao republicano, que lhe concedeu perdão presidencial por um caso de lavagem de dinheiro e fraude fiscal. Bannon foi condenado à prisão em 2022, mas só cumpriu sua pena a partir de julho de 2024. Após quatro meses, ele foi liberado da Instituição Correcional Federal em Danbury, no estado de Connecticut.

•        Flávio Bolsonaro minimiza fala de Eduardo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (28) que as portas da Casa Branca estão fechadas para negociação com o governo Lula (PT) no âmbito das tarifas de 50% impostas pela gestão Trump.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que a postura do petista foi a responsável por essa inviabilidade no diálogo.

“O Lula parece não querer negociar porque está alimentando uma discórdia, atacando o presidente Trump a todo momento. Sempre que pega o microfone não parece o presidente da República de uma nação com a importância e o tamanho do Brasil, parece um bêbado discutindo num bar como se estivesse com um amiguinho”, disse o senador em entrevista à rádio Itatiaia.

O senador disse que o seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), apenas “levou informações” ao presidente americano e que não tem o poder de manipular Trump.

Para ele, as falas de integrantes do governo de que Eduardo estaria inviabilizando as negociações são um “bode expiatório”.

Flávio também disse não imaginar que os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), respectivamente, serão alvos de sanções americanas, como foi especulado recentemente por Eduardo.

“Seria desastroso ainda mais aqui para o Brasil. Mas o presidente Trump tem todas as cartas sobre a mesa. Eu acredito que não vai chegar a esse ponto, ou a questão de desligar GPS, muito menos algo militar. A gente não está falando disso hoje, as reações são muito mais comerciais”, disse o senador na entrevista.

Ações de Flávio Bolsonaro

Flávio, que estava de férias no exterior, voltou ao país na semana passada após ser criticado por bolsonaristas por viajar em meio ao turbilhão envolvendo o pai.

Em entrevista à Folha de S.Paulo em junho, o filho mais velho do ex-presidente disse que, para receber o apoio do pai, o candidato à Presidência deve não só conceder indulto ao seu pai, mas brigar com o Supremo por isso, se for preciso.

Perto do desfecho do julgamento que pode condenar Bolsonaro pela trama golpista, Flávio insiste na candidatura do pai em 2026, mas já fala com mais abertura sobre um cenário sem ele, e sobre a principal credencial para um eventual sucessor.

•        Flávio e Eduardo Bolsonaro disputam espólio do pai contra Tarcísio

A sucessão presidencial de 2026 tem provocado atritos dentro da própria família Bolsonaro, à medida que o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganha força nos bastidores como possível herdeiro político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente inelegível.

Segundo lideranças do Centrão e aliados do bolsonarismo, Flávio passou a ser apontado como a alternativa mais viável para representar o grupo na disputa pelo Palácio do Planalto. A movimentação ocorre após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), até então considerado o sucessor natural do pai, enfrentar críticas internas e investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), o que minou sua viabilidade eleitoral.

<><> Racha entre irmãos e crise familiar

Nos bastidores, a ascensão de Flávio como possível presidenciável tem provocado tensões dentro do clã, especialmente com Eduardo, que está cada vez mais isolado politicamente. Investigado por atuar nos EUA em campanhas contra ministros do STF — com foco em Alexandre de Moraes — e por defender abertamente uma anistia para o pai, Eduardo tornou-se um alvo jurídico e político. Ele passou a ser considerado arriscado por figuras influentes do Centrão e do próprio PL, principalmente por estar fora do Brasil sem previsão de retorno.

A perda de apoio de Eduardo abriu espaço para que Flávio, até então relutante, passasse a ser visto como uma “opção de sacrifício” — termo usado por aliados próximos para indicar que o senador aceitaria concorrer caso o pai pedisse diretamente e se as pesquisas apontassem chances reais de vitória. Pessoas próximas afirmam que Flávio ainda prefere trabalhar pela reabilitação política de Jair Bolsonaro e sua eventual reeleição ao Senado.

<><> Bolsonaro sinaliza preferência por Flávio

Apesar da resistência inicial do filho mais velho, o próprio Jair Bolsonaro já começou a ventilar o nome de Flávio em reuniões fechadas com lideranças políticas, segundo fontes com acesso ao ex-presidente. A escolha também serviria para manter o capital político da família dentro do próprio clã, o que desagrada outra ala do bolsonarismo que defende uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

<><> Tarcísio na mira de bolsonaristas

A possível candidatura de Tarcísio é rejeitada por parte da base bolsonarista e até por integrantes da família Bolsonaro, que desconfiam da lealdade do governador. A avaliação é de que Tarcísio tem governado de forma centralizadora, sem formar alianças ou seguir a cartilha política do bolsonarismo raiz.

Setores do PL e do Centrão também têm se distanciado de Tarcísio, com críticas à sua autonomia excessiva e à falta de articulação com aliados históricos do bolsonarismo.

<><> 2026 em aberto e clima de disputa interna

Com Jair Bolsonaro fora da corrida presidencial e Eduardo encurralado por problemas judiciais, o nome de Flávio surge como uma solução caseira, ainda que envolta em divisões familiares e políticas. A disputa interna deixa claro que, mesmo fora do Planalto, o bolsonarismo continua a gerar turbulência e rachas dentro de casa. A sucessão de 2026 está longe de ser consensual — nem mesmo entre os irmãos Bolsonaro.

•        “É triste ver a que ponto o Nikolas chegou”, critica Eduardo Bolsonaro

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) subiu o tom das críticas a Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou sua artilharia contra o deputado federal mineiro nos últimos dias, em cobrança por apoio à sua empreitada nos Estados Unidos em busca de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Eduardo rachou o bolsonarismo por ter pedido que brasileiros agradecessem as sanções promovidas por Donald Trump ao Brasil e por criticar quem defende as negociações com o presidente dos Estados Unidos – o que, para o filho 03 de Bolsonaro, só será resolvido com anistia a seu pai.

Em conversa com o blogueiro foragido Allan dos Santos, ele endossou críticas pela suposta proximidade do deputado com o perfil de uma mulher que se define como ex-bolsonarista.

Santos compartilhou a publicação de um perfil chamado Coringa Opressor com crítica ao anúncio por Nikolas de um perfil de direita chamada Baianinha Intergalática no Space do X. “Isso aconteceu mesmo? Se sim, o @nikolas_dm é canalha, pois essa vadia já falou merda até de minha filha doente”, disse o blogueiro.

Eduardo afirmou que a mulher é “uma pessoa abjeta, que defende a minha prisão e de minha família”. “É triste ver a que ponto o Nikolas chegou”, completou.

Críticas a Nikolas

Na semana passada, Eduardo disse que Nikolas tem sido “pouco ativo” nas redes sociais em relação ao trabalho que está sendo feito pelo parlamentar nos Estados Unidos.

Segundo Eduardo, Nikolas tem “o maior perfil nas redes sociais entre os parlamentares” e é “a voz mais escutada”, além de saber como “fazer um vídeo viralizar”. O parlamentar falou em entrevista à Revista Oeste.

“Então, na nossa percepção, acho difícil que ele não tenha a exata dimensão daquilo que está sendo tratado aqui nos Estados Unidos — e isso é vital para conseguirmos resgatar a democracia brasileira, porque ela não vai ser resgatada por meio das ferramentas internas que temos no Brasil”, afirmou Eduardo.

Segundo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é estranho que Nikolas “tenha sido pouco ativo em levar essa mensagem adiante”.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos, onde afirma estar trabalhando para restabelecer a Justiça brasileira e tenta ajudar o pai, Jair Bolsonaro, réu em um inquérito sobre tentativa de golpe de Estado no Brasil.

<><> O que está acontecendo?

•        O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é alvo de uma investigação da Polícia Federal, no âmbito do inquérito que corre no STF, sobre sua atuação nos Estados Unidos.

•        Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, Bolsonaro teve o celular apreendido, usa tornozeleira eletrônica, não pode deixar Brasília e terá de ficar em casa todas as noites, além de não poder usar as redes sociais.

•        No despacho, Moraes listou os crimes pelos quais Eduardo e o pai são investigados: coação no curso do processo; obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa; e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

•        O documento cita que Eduardo Bolsonaro é acusado de, reiteradamente e publicamente, buscar a imposição de sanções pelo governo dos Estados Unidos contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF), da PGR e da Polícia Federal (PF), alegando perseguição política.

“Eu não acho que o Nikolas uma pessoal mal-intencionada, mas confesso que esperava mais respaldo”, afirmou Eduardo.

O deputado também relembrou como o parlamentar usou uma peruca e fez um discurso que viralizou na Câmara dos Deputados: “Ele recebeu uma reprimenda do Arthur Lira, então presidente da Casa. Eu fui contra o Arthur Lira. Eu divulguei o vídeo do Nicolas”.

Ele elogiou Nikolas, afirmando que é um “excelente deputado federal”, mas disse que, se ele “estivesse mais engajado naquilo que está sendo feito nos Estados Unidos”, poderia estar “falando muito mais dele”.

Nas redes sociais, Nikolas tem divulgado diversas mensagens contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado chegou a fazer uma postagem, em sua conta no X, na qual comete um erro ortográfico proposital para ironizar uma decisão de Moraes. “Em breve, agente vai censurar”, publicou o parlamentar.

 

Fonte: ICL Noticias/Metrópoles

 

Nenhum comentário: