terça-feira, 29 de julho de 2025

Jornal revela os áudios que PF encontrou no celular de Bolsonaro em apreensão de 2023

A Polícia Federal (PF) encontrou áudios do telefone celular de Jair Bolsonaro (PL) que mostram que o ex-presidente orientou aliado a assinar pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, demonstrou preocupação em manter o apoio do agronegócio após o início do governo Lula, além de ter tido uma conversa com um ex-embaixador de Israel.

<><> CPI contra Moraes

Segundo a publicação, em um dos diálogos, de 26 de abril de 2023, o ex-presidente orientou o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) a assinar a CPI contra Moraes e outros integrantes da Corte. Na conversa, o parlamentar questionou Bolsonaro a respeito do que ele achava sobre assinar o documento.

"Boa noite, presidente. A galera tá me pressionando aí porque Eduardo, todo mundo assinou essa CPI de abuso de autoridade do TSE e do STF e eu não assinei até agora porque... eu não queria entrar nessa bola dividida, com medo de prejudicar até o senhor mesmo nas decisões lá. O que o senhor acha aí mais ou menos?", disse. Bolsonaro respondeu: "Eu assinaria. Sempre existe a possibilidade de retaliações". Após isso, Lopes afirmou que assinou.

A CPI foi proposta em 2022 pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS). Em 2023, deputados tentaram emplacar, mas a comissão não saiu do papel até hoje.

Uma outra conversa mostra que Bolsonaro também orientou seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a articular a derrota do projeto de lei das fake news na Câmara, apelidada pelos bolsonaristas de PL da Censura. Em 2 de maio de 2023, o ex-presidente escreveu a Eduardo que o projeto deveria ser levado à votação naquele dia.

<><> Convite de viagem

Entre os diálogos, aconteceu um com o ex-embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, que ofereceu para bancar uma viagem de Bolsonaro ao país em 2023. As mensagens mostram que eles mantiveram contato mesmo após o ex-embaixador ter deixado o posto. Atualmente, ele está nos Emirados Árabes Unidos.

Em 26 de abril de 2023, ele enviou ao ex-presidente imagens de uma inovação tecnológica de Israel --um tipo de carne produzido em uma impressora 3D.

Bolsonaro respondeu parabenizando-o e enviando um abraço ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Na sequência, Shelley fez o convite da viagem. "Vou cuidar de você 14 semanas em Israel, vou pagar o custo de sua presença, hotel e tal por 3 pessoas se vc [sic] quiser", disse em um trecho. Minutos depois, ele corrigiu o período para "14 dias".

"Ô Shelley, obrigado, vou falar com a esposa aí e ver o que ela acha. Obrigado, um abraço", respondeu Bolsonaro, que encaminhou o convite a Michelle. A ex-primeira-dama não deu uma resposta.

<><> Preocupação com agronegócio

Outras mensagens extraídas mostram a preocupação de Bolsonaro em manter o apoio do agronegócio, mesmo com o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em abril de 2023, ele disparou mensagens sobre a demarcação de terras indígenas e a invasão de fazendas pelo MST para um grupo de contatos que incluía deputados e aliados dele. "Cada vez mais problemas para o agro", escreveu. "Com Bolsonaro: ZERO demarcações", acrescentou.

<><> Fazenda emprestada

Em mensagens, Bolsonaro ainda contou que o empresário Paulo Junqueira lhe cedeu sua fazenda durante a viagem a Ribeirão Preto para participar da Agrishow, feira de tecnologia e agronegócio em 2023.

Junqueira presidiu o Sindicato Rural da cidade e chegou a ser citado em investigações da PF sobre o ex-presidente. Mensagens interceptadas e que estão sob apuração indicam que o empresário enviou dinheiro vivo para bancar a estadia de Bolsonaro nos EUA no início de 2023.

<><> Cautela com notícias falsas

Em trocas de mensagens com o seu assessor Tércio Arnaud Tomaz, apontado como um dos integrantes do chamado "gabinete do ódio", Bolsonaro foi orientado a ter um tom mais cauteloso com a divulgação de notícias falsas após ter se tornado alvo de investigações da PF sobre o assunto.

Em um dos diálogos, o ex-presidente pediu para ele verificar um vídeo que mostrava um invasor do Palácio do Planalto no 8 de Janeiro alterando o horário do relógio de Dom João VI. Nas redes sociais, bolsonaristas usavam o vídeo como uma evidência de que os atos tinham sido realizados por pessoas infiltradas.

Após pesquisas, Tércio avisou Bolsonaro que o vídeo era verdadeiro, mas que a informação sobre a ação dos infiltrados era falsa. "Tudo que você enviar sobre isso vai causar polêmica. Sobre esse assunto. Certo ou errado", disse o assessor.

Depois, ele escreveu que o ex-presidente poderia compartilhar a informação, mas com "cuidado". "Presidente, falei aqui com a assessora do Ramagem, e ela disse que confere o vídeo. O cara alterou mesmo. Então se for disparar aí no zap cuidado pra não te arrolarem mais nesse processo do dia 8, do jeito que tá. Que pode ser verdade, mas eles vão dizer que tá compartilhando fake news. Minha preocupação é só essa, tá. Mas confere, tá. Valeu".

Procurada pelo jornal, a defesa de Bolsonaro disse que não iria se manifestar sobre o assunto. Os deputados Hélio Lopes e Eduardo Bolsonaro, o ex-embaixador Shelley, o empresário Paulo Junqueira e o assessor Tércio não responderam aos contatos do Estadão. O espaço no Terra segue aberto para manifestações.

•        Tornozeleira e gosto de jabuticaba. Por Ronaldo Lima Lins

É, sem dúvida, uma tragédia o fato de que, nas democracias modernas, a população frequentemente escolha, como dirigentes, os piores nomes de suas listas. No século XX, já tivemos Hitler e Mussolini, dois grandes responsáveis pelos massacres da II Grande Guerra. Agora, nos vemos diante de Donald Trump (um inculpado que não se colocou na prisão) e Jair Bolsonaro, mescla de autoritário e cafajeste que exerceu mandato e se acha perto da condenação, com tornozeleira na canela. Trata-se de anomalia completa para reflexão de cientistas sociais, com vistas a melhorias em nossos sistemas de consulta. Entre nós, felizmente, contamos com Luiz Inácio Lula da Silva, dotado de inteligência e habilidade para exercer as mais altas funções e impedir, com sua simples presença, a ascensão de arrivistas perigosos.

Na comparação com Bolsonaro, nosso líder sindical o deixa para trás com vários corpos de vantagem. Enquanto um carrega o traço dos malfeitos que aprontou, o Presidente desfruta das jabuticabas nos jardins palacianos, preparado para ir além do simbolismo e se valer do gesto como mensagem política. Trump ficará com água na boca, sem dispor de um recurso daquela natureza para lhe retirar o fel que, desde a posse, lhe contamina as decisões. Bolsonaro, numa de suas últimas entrevistas, não pôde deixar de comentar o evento, destilando inveja. Ignorante como é, quis emitir lições de comportamento no que vê como principal adversário, corrigindo-o (!) no português. “É chupar e não comer jabuticaba”, disse ele. Desta feita, pretendeu simular educação e se esqueceu dos palavrões, detendo-se no capítulo das frutas e sua degustação.

Ao contrário dos Estados Unidos, contamos com uma legislação que se mantém em alerta para prevenir os infortúnios da picaretagem e do oportunismo. Na Casa Branca, não. Devem suportar, até o extremo limite, as agruras de um despreparado para funcionar como Primeiro Mandatário. Estratégias para se dar bem, no seu caso, parecem cristalinas. Joga um escândalo contra outro como forma de sufocá-lo. Quanto às denúncias de pedofilia que o vinculam a Epstein, levanta relatórios de espionagem dos órgãos de segurança para comprometer antecessores (Barack Obama e Hillary Clinton), envolvendo manobras nas eleições. Ambos os exemplos soam como pérolas na lama que cerca os nossos sistemas democráticos. Claro que não podemos esquecer da máxima sempre repetida: a democracia representa a pior das formas de governo, melhor do que todas as outras.

Diante do que se passa no momento em termos de justiça em território nacional, não há como não reconhecer que as leis, uma vez bem escolhidas, dão conta do recado. Recorde-se que o inelegível ocupou o Palácio do Planalto em circunstâncias específicas, na esteira de um golpe contra Dilma Rousseff, com as arbitrariedades de um juiz corrupto (o tal do Moro) para assegurar o vazio de quadros. O fim da nossa indústria da construção civil estava na linha de fogo, com a participação da CIA. Ainda carregamos na alma o peso do ocorrido. Mas golpes, não. É preciso esconjurá-los.

•        Como o PL vê a hipótese de lançar Michelle Bolsonaro ao Planalto

Na semana em que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ser inflado nas fileiras do PL como possível candidata à Presidência da República. Bolsonaro está proibido de usar suas redes sociais e precisa ficar recolhido em sua casa no período da noite e nos fins de semana. Já Michelle tem assumido cada vez mais uma agenda de pré-campanha, viajando pelo país e manifestando apoio a aliados.

Um parlamentar da cúpula do PL, que pediu para não ser identificado, disse ao PlatôBR que no partido a ordem  dizer que Jair Bolsonaro é o nome para 2026, apesar da inelegibilidade do ex-presidente. No entanto, ninguém acredita que ele conseguirá ser reabilitado. “Diante disso, o plano Michelle é o melhor para o partido, o mais viável. É a pessoa que tem mais chances de enfrentar Lula nas urnas”, disse a fonte, sob reserva, citando dados de uma pesquisa realizada pela Paraná Pesquisas há cerca de 15 dias que animou o partido em relação ao nome da ex-primeira-dama.

Dos nomes pesquisados, tirando Bolsonaro, o de Michelle foi o que mais se aproximou de Lula – mais que outras pessoas da família, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em um dos cenários pesquisados, enquanto Lula pontuou 33,5% das intenções de voto, Michelle obteve 30,2%. Em outro cenário, considerando na disputa Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula aparecia 34% dos votos, enquanto o governador de São Paulo tinha 24,3%. Em um contexto com Eduardo Bolsonaro, Lula marcou 33,8%, enquanto o deputado marcou 21,3. Com Flávio Bolsonaro como candidato, Lula aparecia 33,8% e o senador com 20,4%.

<><> Agenda de candidata

O partido vem apostando em uma agenda de candidata para Michelle, que presidente o PL Mulher, braço do partido dedicado ao público feminino. Nos últimos dias, ela esteve no Acre e gravou vídeos em que aparece reclamando da falta de uma ponte em Cruzeiro do Sul, no extremo oeste do estado, e denunciando o problema de moradores ribeirinhos que sofrem com a dificuldade de se locomover pela região.

Depois, a ex-primeira-dama foi para João Pessoa, onde inaugurou a nova sede do PL na Paraíba e oficializou apoio à pré-candidatura do senador Efraim Filho (União Brasil) ao governo do estado. Detalhe: o apoio de Michelle a Efraim marcou o rompimento do líder do União Brasil no Senado com o governo Lula. Após o evento, na sexta-feira, 25, o senador anunciou a devolução dos cargos federais ocupados por pessoas que ele havia indicado na Paraíba. “Os cargos estão à disposição. São duas pessoas, duas indicações aqui na Paraíba, na Codevasf e nos Correios. São cargos técnicos, nem são políticos. O mesmo governo que nomeia é o mesmo que exonera”, declarou Efraim.

“A Paraíba vai mudar a sua história com Efraim no governo do estado e com Marcelo Queiroga senador. Precisamos de vocês, homens que entendem que a política é uma ferramenta de transformação”, disse Michelle em seu discurso, referindo-se também ao ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, aliado de Bolsonaro, lançado por ela como pré-candidato ao Senado na chapa encabeçada por Efraim. “É inadmissível ver uma condenação cautelar de Jair Bolsonaro e ver o pivô da Lava Jato ser colocado nas ruas livres, por invalidar provas”, comparou Michelle, referindo-se ao presidente Lula.

<><> Aulas de política

Um nome graduado no partido informou que Michelle tem estudado história política nas cartilhas do PL e conta com a orientação do corpo jurídico do partido. Ela tem ainda se aconselhado politicamente com o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e com o senador Rogério Marinho (PL-RN). “O PL tem cursos de política e ela está sendo muito bem orientada”, disse um alto dirigente do partido.

Ao falar sobre a aceitação do presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, sobre o nome de Michelle para a presidência, o dirigente apostou no pragmatismo. “Valdemar não é bobo. Se considerar que ela será o melhor nome para vencer as eleições, ele a escolherá”, disse.

Outro ponto que o PL pretende resolver em uma possível candidatura de Michelle é o da resistência de mulheres a Jair Bolsonaro devido à sua atuação na pandemia de Covid-19, quando era presidente da República. Uma consulta interna do partido indicou que 53% das mulheres rejeitam a gestão de Bolsonaro na pandemia. “Ela fala com firmeza, é delicada e é mulher. Ela tomou vacina e representa o oposto de Bolsonaro nesse contexto”, analisa uma fonte do partido.

<><> Contraponto com Janja

Outro objetivo do PL é seguir na crítica e na comparação com a atual primeira-dama, Janja da Silva. Daí o olhar vigilante sobre as possíveis gafes cometidas pela mulher de Lula, seja em situações corriqueiras domésticas, seja em contextos internacionais. “Você não verá Michelle falando determinadas coisas que são faladas pela atual primeira-dama. Esse é um contraponto importante que o partido pretende explorar”, ressalta um aliado.

De acordo com um correligionário, há uma avaliação no PL de que a movimentação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos não tem contribuído para que ele se viabilize como candidato. Dirigentes entendem que o filho 03 de Jair Bolsonaro fomenta os bolsonaristas mais extremos, mas não tem o apoio de outros setores da legenda que querem se descolar, por exemplo, da sobretaxa prometida por Donald Trump e de outras ações de Eduardo que, mesmo internamente, são vistas como sabotagem ao país.

•        Eduardo Bolsonaro diz que não voltará ao Brasil e sonha com Moraes ‘na cadeia’

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pousou em Miami, nos Estados Unidos, na noite de sábado, 26, e afirmou que não pretender voltar ao Brasil e sonha com a prisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Durante uma conversa no aeroporto com a colunista Thais Bilenky, do UOL, disse que foi a Miami para participar de um evento organizado por brasileiros, mas não deu muitos detalhes.

Ao ser questionado sobre uma possível volta ao Brasil, visto que a licença parlamentar que tirou para morar nos EUA expirou há uma semana, Eduardo respondeu que não, pois acredita que pode ser preso. Ele não explicou como pretende manter o mandato à distância.

Indagado sobre o seu objetivo com as articulações que tem feito com o governo Trump, o deputado federal afirmou que seu “sonho” é “botar o ministro Alexandre de Moraes na cadeia, como ele tem feito com tanta gente”.

Segundo aliados, Eduardo Bolsonaro e sua família residem atualmente no estado do Texas, nos EUA.

 

Fonte: Terra/Brasil 247/IstoÉ

 

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