Governo
teme enfrentar Congresso e reforma agrária anda a ‘passos de tartaruga’, diz
presidente da CPT
A
promessa da reforma agrária voltou ao discurso oficial com o terceiro governo
Lula, mas segue emperrada no Congresso Nacional e distante da realidade dos
trabalhadores rurais. A avaliação é do bispo Dom José Ionilton de Oliveira,
presidente da CPT (Comissão Pastoral da Terra), entidade ligada à Igreja
Católica que completa 50 anos em 2025.
Em
entrevista exclusiva à Repórter Brasil durante o 5º Congresso Nacional da
organização, realizado em São Luís (MA), Dom Ionilton fala sobre o papel
histórico da CPT, referência em dados sobre conflitos no campo e em assessoria
a movimentos sociais de luta pela terra.
Ele
também discorre sobre os entraves políticos à reforma agrária e sobre a
escalada da violência no meio rural — especialmente na Amazônia, onde o cenário
pouco mudou mesmo após o fim do governo Bolsonaro e o início da nova gestão de
Lula. Dados do Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro, lançado nesta segunda
(21), mostram que a região concentrou quase metade dos conflitos no campo nos
últimos 40 anos.
O bispo
cita a recente aprovação do “PL da Devastação” — apelido criado por ativistas
para o projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental no país — como
exemplo do conservadorismo dos parlamentares. A CNBB (Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil), com apoio da CPT e de outras organizações, assinou nota
pública contra o projeto.
Para
ele, o governo Lula cede demais ao Congresso a fim de se manter no poder e
acaba deixando de lado o que deveria ser uma de suas principais causas. “Falta
uma decisão firme, dizer: ‘Não. A reforma agrária é necessária, urgente e
precisa ser feita.’ Hoje, a reforma agrária caminha a passos de tartaruga. Um
pedaço aqui, outro ali”, afirma.
Dom
Ionilton também analisa o avanço do agronegócio e da mineração, além do
esvaziamento dos movimentos sociais e das próprias pastorais da Igreja Católica
progressista. “Tínhamos uma Igreja das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base),
próxima do povo e comprometida com causas sociais. Hoje temos uma Igreja mais
voltada à espiritualidade, ligada a movimentos eclesiais”, reflete.
“Para
muita gente, é como se nós fôssemos o MST na Igreja, embora a gente tente
mostrar que são duas organizações importantes, mas distintas, que funcionam
para defender a terra, o território e as águas”, complementa.
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Confira abaixo a íntegra da entrevista.
• O Atlas dos Conflitos no Campo
Brasileiro, lançado nesta segunda-feira (21/07), contabiliza cerca de 50 mil
conflitos no campo nos últimos 40 anos, com aumento significativo nos anos
recentes. Como o senhor vê a questão agrária no Brasil hoje?
Nós
tivemos muitas idas e vindas nesses anos. Houve momentos em que a reforma
agrária avançou um pouco mais, outros em que ela recuou e até em que
estacionou. Ela tem dado pequenos sinais, no atual contexto, do atual governo,
de que há uma vontade de voltar a ser assunto. Mas há um fator que tem
atrapalhado de forma significativa esse avanço: a atual composição do Congresso
Nacional.
Temos
um Congresso reacionário, com maioria de votos totalmente contrários à reforma
agrária, à permanência dos trabalhadores no campo. Basta ver os argumentos
usados na aprovação do chamado PL da Devastação [Projeto de Lei 2.159/2021, que
flexibiliza as regras de licenciamento ambiental no Brasil].
• O PL da Devastação seria um exemplo
desse tipo de Congresso?
O PL da
Devastação é uma prova de que temos um Congresso que não legisla em favor do
povo brasileiro, pensando no bem comum. Essas votações ainda seguem a pauta do
governo anterior — quando o então ministro do Meio Ambiente sugeria “passar a
boiada” durante a pandemia, defendendo o fim de leis que dificultavam o avanço
do agronegócio e das mineradoras sobre terras indígenas, quilombolas,
camponesas, de pequenos agricultores.
Na
minha leitura, temos hoje um governo que, em tese, pensa na reforma agrária.
Isso apareceu na campanha, nas reuniões, na presença do próprio MST nos
debates. Mas isso não depende só da vontade de um governo.
Se o
governo levar ao Congresso uma lei para desapropriar terras, ela não será
aprovada. Por isso, nós temos que nos mobilizar — e aí entra o nosso trabalho
como CPT.
• O Atlas mostra que, mesmo com a mudança
de governo, a violência no campo não diminuiu. Por quê?
Não
mudou, justamente por causa desse contexto de um Congresso reacionário.
O
governo, querendo governar — e não estou aqui desculpando — faz aquele jogo
político: precisa dialogar com quem o ajuda a manter-se no cargo, para não
acontecer com ele o que aconteceu com a presidenta Dilma. Então hoje dá um
beijo, amanhã dá um tapa, para depois voltar a beijar. Ele tenta negociar com o
Congresso, e é isso que atrapalha.
Falta
uma decisão firme, dizer: “Não. A reforma agrária é necessária, urgente e
precisa ser feita.” Hoje, a reforma agrária caminha a passos de tartaruga. Um
pedaço aqui, outro ali. Claro que o governo divulga que está fazendo, mas é
insignificante diante do tamanho da necessidade real.
• A reforma agrária deixou de ser uma
bandeira do governo Lula?
Na
campanha, ele dizia que seria uma das causas do seu governo. A CPT nunca parou
de dizer que a reforma agrária é um campo de luta.
Trabalhamos
isso na base, nos grupos de base, nos regionais. Temos buscado mobilizar as
forças que temos como CPT para influenciar o governo.
Assim
como a bancada do agronegócio, da mineração, do poder econômico faz lobby para
que a reforma agrária não aconteça, nós, do outro lado, precisamos fazer
pressão para que ela aconteça.
Porque,
senão, eles continuam jogando sozinhos — e nós precisamos entrar em campo para
disputar esse jogo.
• A agenda do agro é mais ouvida pelo
governo?
O agro
tem um poder econômico muito forte. E essa bancada que comentamos, do
Congresso, é em grande parte pró-agro. Aí pronto, o governo cede demais, porque
não quer fazer um enfrentamento direto.
Essa é
a grande questão: o medo do enfrentamento e o risco de um impeachment. O atual
governo — o Lula — não quer correr o risco de um processo de impeachment.
Porque maioria para isso existe. Se essa turma toda que é contra qualquer
mudança se junta, derruba qualquer governo popular.
Precisamos
fazer nossa parte. Temos feito incidência política. Estive com a CPT duas vezes
em Brasília para cobrar ações de reforma agrária e apresentar dados sobre a
violência no campo. Não podemos deixar que o trabalhador fique exposto à força
do poder econômico, que vem também armado.
Se
pegarmos os dados da violência no campo de 2024, lançados agora em abril, está
claro quem é que promove a violência: empresários, fazendeiros… Eles têm o
poder econômico para comprar armas de alto calibre, munição, e contratar gente
para “fazer o trabalho” — ou seja, ameaçar quem está na terra.
• Até pouco tempo, a legislação de armas
era mais permissiva, não?
O
governo passado abriu a porteira. Armas, quantas o cidadão quisesse, munição em
grande quantidade. O atual governo, no primeiro dia, decretou o fim dessa porta
aberta. De fato, a venda foi proibida. Mas não houve nenhuma ação concreta para
recolher as armas que já estavam nas mãos da população. Elas continuam por aí.
• O Atlas aponta também aumento da
violência e enfraquecimento dos movimentos sociais. Qual a explicação?
No
passado, a violência no campo acontecia porque havia organização popular. O
povo se organizava para resistir ou conquistar a terra e o outro lado reagia.
Nos primeiros 10, 15 anos de dados, é visível o número de casos de violência
sofrida por movimentos sociais nesse enfrentamento. Nos últimos anos, a
violência cresceu, mas as ações dos movimentos diminuíram.
A
conclusão dos dados é clara: os movimentos populares não são os causadores da
violência. Mesmo com menos ações, a violência aumentou. Quem está
verdadeiramente promovendo a violência hoje são os grandes proprietários, as
empresas, a mineração — invadindo terras ocupadas por quem está nelas há
décadas.
• O que causou essa retração dos
movimentos?
Vários
fatores. Primeiro, o cansaço. As pessoas se mobilizam, acham que vão conquistar
a terra, mas não conseguem. Ficam desmotivadas, desistem da luta, vão para a
cidade trabalhar de biscateiros.
Segundo,
por causa desse período dos chamados governos populares — os dois primeiros
governos Lula e o governo Dilma, entre 2002 e 2016 —, houve uma crença de que
esses governos fariam a reforma agrária. E, por conta disso, houve um recuo.
Isso foi um erro estratégico. Tendo um governo mais popular era justo a hora de
continuar para conquistar o que não tínhamos conseguido com os governos em que
se batia de frente.
Terceiro,
muita gente das bases dos movimentos foi para dentro do governo — como agora,
no terceiro governo Lula. E quando essas lideranças saem da base, é difícil
repor com a mesma força e velocidade.
• Esse esvaziamento atinge também a CPT?
Sim. E
no nosso caso há um fator adicional: a mudança no perfil da Igreja. Tínhamos
uma Igreja das CEBs, próxima do povo e comprometida com causas sociais. Hoje
temos uma Igreja mais voltada à espiritualidade, ligada a movimentos eclesiais.
Muita gente se dedicou a esses caminhos e deixou de lado as pastorais sociais,
como a CPT.
Nós
temos tido uma dificuldade muito grande para encontrar agentes voluntários.
Mais da metade dos agentes da CPT hoje são contratados. Ou seja, a gente vai
atrás de recursos para pagar pessoas para trabalharem na pastoral. Há cada vez
menos aquela pessoa que saía de uma igreja, de uma paróquia, de uma diocese e
dizia: “Não, eu quero entrar na CPT, porque eu acredito nesta causa que a CPT
defende”.
Todas
as ditas pastorais sociais como a pastoral carcerária, pastoral da criança, têm
enfrentado isso. Em uma reunião da CNBB em março, todas relataram dificuldade
de recrutar agentes — por falta de apoio das dioceses e dos párocos. Falo com
propriedade: sou bispo, já estive à frente de duas prelazias, e é muito difícil
mobilizar pessoas para as pastorais. E na CPT, nem se fala. É uma dificuldade ainda maior.
Muitas
vezes, na Igreja, a CPT é confundida com o MST. E como a imprensa bate muito no
MST — a grande imprensa —, como sendo um movimento de bandoleiros, de
invasores, não sei o quê… Para muita gente é como se nós fôssemos o MST na
Igreja. Embora a gente tente mostrar que são duas organizações importantes, mas
distintas, que funcionam para defender a terra, o território e as águas, ainda
há muita resistência e preconceito contra o nosso trabalho.
• Os dados também mostram a Amazônia como
o principal palco de conflitos no campo hoje. Por quê?
Os
fatores preponderantes para o crescimento da violência na Amazônia são o avanço
do agronegócio e a investida das mineradoras para explorar algumas riquezas que
estão aí em nossas terras. O agronegócio foi avançando do Sul. Passaram pelo
Centro-Oeste — Mato Grosso, Mato Grosso do Sul — e, quando não tem mais nada
para destruir, agora estão chegando no Norte.
Desmatar
para plantar uma cultura única — soja, algodão, arroz — ou para fazer o dendê.
Ou empresas que descobrem que ali tem um minério xis qualquer e que têm que
invadir aquela terra de qualquer forma, expulsar quem tá ali para poder fazer a
exploração.
Era
muito comum a gente escutar o próprio presidente dizendo, no governo passado:
“como é que tem uma riqueza debaixo do chão e a gente vai deixar essa riqueza
ali? Tem que explorar”. Ou seja, [é como se dissesse] tem que tirar os
indígenas para explorar a riqueza que está debaixo do chão.
Claro.
Eu considero esses os principais fatores, mas nos dados da CPT também aparecem
as grandes obras de infraestrutura, como as hidrelétricas, as hidrovias,
ferrovias, como a Ferrogrão, que quando são construídas causam muita destruição
e são feitas justamente para escoar o produto do agronegócio. A exploração do
petróleo na foz do Amazonas. Todos os dados técnicos mostram que não é uma
coisa boa. Vai trazer destruição e prejuízo para quem vive ali e vive dali — da
pesca principalmente.
São
exemplos de obras que querem fazer sem nenhuma discussão prévia, sem pedir
autorização das comunidades — como a própria Constituição Federal determina. Há
também a questão dos agrotóxicos, em especial da aplicação aérea. Mas quem tem
o poder acha que pode tudo, né? E se não houver uma reação de resistência, aí
realmente passa por cima de tudo.
• Amazônia concentra quase metade dos
conflitos no campo nos últimos 40 anos, diz CPT
Lançado
nesta segunda-feira (21), o Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro revela o
peso da Amazônia na geografia da violência agrária no país. Entre 1985 e 2023,
a região concentrou quase metade (44%) dos 50.950 casos, segundo dados
compilados pela CPT (Comissão Pastoral do Campo), responsável pela publicação.
Desse total, 84% referem-se a disputas por terra, 8,9% a casos de trabalho
escravo, e 7,1% a conflitos por água.
O
documento foi lançado durante o 5º Congresso Nacional da entidade, realizado em
São Luís (MA), em comemoração aos 50 anos de existência da pastoral ligada à
Igreja Católica. Considerada a principal referência na produção de dados sobre
conflitos por terra no país, a CPT é uma das mais importantes organizações em
defesa da reforma agrária e da justiça social no campo.
Segundo
o Atlas, a Amazônia passou, desde 2008, a responder por mais da metade dos
conflitos registrados anualmente. Em 2016, esse índice chegou a 57%. “A
Amazônia é a região, por sua vez, para onde se expandiram nos últimos anos o
agronegócio e a mineração, em muitos casos avançando sobre terras públicas e
devolutas [áreas ainda sem destinação] com base na grilagem de terras e
invasões, promovendo processos de expropriação de indígenas, quilombolas e
camponeses”, explica um trecho do publicação.
Todos
os dez municípios mais conflituosos do país ficam na chamada “Amazônia Legal” —
sete deles no Pará, com destaque para Marabá (548 conflitos), São Félix do
Xingu (394) e Altamira (288). Completam a lista Rio Branco, Porto Velho e
Macapá.
Dos
5.570 municípios brasileiros, 2.969 (53,3%) registraram ao menos uma disputa
por terra desde 1985, segundo a CPT. A maioria dos casos (60,9%) corresponde a
reações contra ocupações ou posses. Já os atos dos movimentos sociais
representam 22% do total: 8.944 ocupações (17,6%) e 1.152 acampamentos (2,3%).
A
Amazônia também se destaca em relação ao número de assassinatos. Das 2.008
mortes por violência no campo registradas entre 1985 e 2023, 66,8% ocorreram
nessa região, seguido de Nordeste (16,9%) e Centro-Sul (16,3%).
O Pará
foi o estado com maior número de casos de assassinatos (612), tentativas de
assassinato (420) e ameaças de morte (1.597). Quando se trata dos massacres
(entendidos pela CPT quando há o assassinato de três ou mais pessoas em uma
mesma ocasião), 50 episódios deixaram 259 pessoas mortas no Bioma Amazônia
entre 1985 e 2022. O Pará é o estado não só com o maior número de ocorrências
deste tipo (26), mas também de vítimas (125 pessoas).
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Mais da metade dos conflitos vitimando indígenas aconteceu nos últimos cinco
anos
Ao
longo das quase quatro décadas cobertas pelo Atlas, os indígenas são a terceira
categoria que mais sofreu ações de violência contra ocupação e posse,
especialmente na Amazônia e no Centro-Sul, atrás apenas dos sem-terra e
posseiros. Quase a totalidade dos conflitos é por terra (92%), enquanto os
conflitos por água representam 8% — a maior parte envolve mineradoras e
garimpeiros.
Entre
1985 e 2023, foram registrados 4.559 ocorrências de conflitos envolvendo povos
indígenas. Mais da metade (2.501) aconteceu nos últimos cinco anos da série
histórica.
“A
análise destes dados nos mostra um crescimento dos conflitos e violências
envolvendo os Povos Indígenas em todas as regiões do Brasil, com destaque para
a Amazônia brasileira, em especial a partir de 2019”, explica a professora
Roberta Aruzzo, professora de Geografia da UFRRJ e vice-coordenadora do Grupo
de Pesquisa Geografias e Povos Indígenas (GeoPovos-UFRRJ), que coordenou a
análise dos dados.
No
recorte entre 2004 a 2023, a maior concentração de assassinatos ocorreu na
Amazônia, com 71 casos (52%), seguida do Centro-Sul com 39 (28%) e do Nordeste
com 25 (18%), totalizando 135 mortes de indígenas registradas pela CPT.
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Falta de titulação de territórios quilombolas expõe comunidades
O Atlas
também identifica uma escalada na violência contra a população quilombola.
Entre 2000, quando a CPT passa a trabalhar com a categoria quilombola, e 2023
foram registradas 430 ameaças de morte contra essa população. Antes de 2000 os
quilombolas estavam incluídos em outras categorias, como a de posseiros, por
exemplo.
Os
povos quilombolas estiveram envolvidos em 3.017 conflitos no campo nestes 24
anos. As ações dos movimentos quilombolas incluíram a formação de dois
acampamentos e a realização de 74 ocupações e 216 manifestações neste período.
O
território maranhense é o que concentra mais localidades quilombolas no país
(2.025 áreas), assim como os conflitos nestas localidades (977 registros),
seguido da Bahia, com 1.814 localidades e 339 conflitos. Minas Gerais aparece
em terceiro lugar em localidades (979) e em conflitos (212).
“O
Censo [do IBGE] ainda revela que apenas 4,3% dessa população reside em
territórios já titulados no processo de regularização fundiária, o que
demonstra a vulnerabilidade territorial e a imperativa r-existência
quilombola”, diz a publicação.
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Cerrado vê acirramento de conflitos devido a ‘neoextrativismo’
Os
dados do Atlas também apontam para um acirramento dos conflitos no Cerrado nos
últimos 20 anos da série histórica, em função do que a publicação chama de
“neoextrativismo”.
“Nessa
trajetória, o período entre 2008 e 2015 é especialmente relevante. Está marcado
pela emergência e crescente consolidação no Cerrado do processo que o
pensamento social crítico na América Latina consagrou como “neoextrativismo”,
entendido como a ênfase em estratégias de desenvolvimento centradas na
exportação de commodities, aprofundando a dependência e os conflitos
territoriais nas fronteiras agrominerais”, explica Diana Aguiar, colaboradora
da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e coordenadora da pesquisa temática
sobre o bioma.
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Sobre o Atlas
O Atlas
foi elaborado em conjunto pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em
Geografia Agrária da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e pelo
Laboratório de Estudos sobre Movimentos Sociais e Territorialidades da UFF
(Universidade Federal Fluminense), com a contribuição de pesquisadores de
diversas universidades do país em parceria com a CPT. O trabalho teve como base
o registro contínuo de dados realizado pelo Centro de Documentação Dom Tomás
Balduino (Cedoc), criado em 1985.
Fonte:
Reporter Brasil

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