Perda
muscular avança após os 50 e exige reação
A
partir dos 50 anos, o corpo inicia um processo natural de perda progressiva de
massa e força muscular, conhecido como sarcopenia, condição que pode
comprometer a autonomia, aumentar o risco de quedas e impactar diretamente a
qualidade de vida. A boa notícia é que há formas de reação. Maior ingestão de
proteínas ao longo do dia, prática regular de treino de força e sono reparador
são hoje apontados como os principais pilares para frear esse declínio e
preservar a funcionalidade no envelhecimento.
Sem
intervenção, a perda pode chegar a 1% a 2% de massa muscular por ano, enquanto
a força diminui até 3% ao ano. “Preservar massa muscular é essencial para
manter independência e qualidade de vida. E isso é possível com medidas
relativamente simples, quando bem orientadas”, afirma a geriatra do Hospital
Mater Dei Emec (HMDE), Lívia Cedraz.
Dados
da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 30% das pessoas
acima de 60 anos apresentam algum grau de sarcopenia, percentual que pode
ultrapassar 50% após os 80, tornando o tema uma prioridade crescente em saúde
pública.
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Declínio
Biologicamente,
a sarcopenia resulta de uma combinação de fatores. Há redução da síntese
proteica muscular, alterações hormonais — como queda de testosterona e hormônio
do crescimento — e um estado de inflamação crônica de baixo grau associado ao
envelhecimento.
Esse
conjunto leva à chamada resistência anabólica, quando o organismo passa a
responder menos aos estímulos de construção muscular. “O corpo envelhece, mas
não perde a capacidade de resposta. Ele apenas precisa de estímulos mais
adequados e consistentes”, explica Lívia Cedraz.
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Impacto
A perda
de massa muscular vai além da força física. Está associada à perda de
autonomia, maior dependência de cuidadores, piora metabólica e aumento do risco
de doenças como diabetes tipo 2.
Também
compromete a recuperação após cirurgias e infecções. “O músculo é um órgão
metabólico importante. Quando ele diminui, o corpo inteiro perde capacidade de
reagir a agressões”, afirma a geriatra do Mater Dei Emec.
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Proteína
Diante
da resistência anabólica, a ingestão de proteína torna-se estratégica.
Evidências atuais sugerem entre 25 g e 40 g por refeição para estimular a
síntese muscular em pessoas acima dos 50 anos.
Mais do
que a quantidade total diária, a distribuição ao longo do dia é determinante.
“Não adianta concentrar toda a proteína em uma única refeição. O estímulo
precisa ser constante”, orienta Cedraz.
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Treino
A
musculação é considerada o estímulo mais potente para preservar e aumentar
massa muscular no envelhecimento. Além do ganho de força, promove melhora do
equilíbrio, redução de quedas, aumento da densidade óssea e benefícios
metabólicos e cognitivos.
“O
músculo continua altamente adaptável, mesmo em idades avançadas. Já vemos
pacientes com mais de 80 anos evoluindo com treino adequado”, destaca a
especialista. Para iniciantes, a recomendação é avaliação médica, supervisão
profissional e progressão gradual, com frequência de duas a três vezes por
semana.
Suplementos
- Whey protein e creatina podem ser aliados, mas não são obrigatórios. O whey
pode ajudar quando há dificuldade de atingir a ingestão proteica pela
alimentação.
Já a
creatina tem evidências consistentes de benefício em força e funcionalidade.
“Mas o uso deve ser individualizado, principalmente em pessoas com doença renal
ou múltiplas medicações”, alerta Cedraz.
Hábitos
- O sono e o controle do estresse também desempenham papel fundamental. Durante
o sono profundo ocorre liberação de hormônios importantes para recuperação
muscular.
Já o
estresse crônico eleva o cortisol, favorecendo a perda de massa magra. “Sem
sono adequado e controle do estresse, o corpo não consegue responder bem aos
estímulos”, resume a médica.
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Mitos
No
consultório, ainda persistem equívocos comuns: a ideia de que idosos não podem
fazer musculação, de que caminhar é suficiente para manter músculos ou de que
proteína prejudica os rins em pessoas saudáveis.
“Na
prática, o que vemos é o oposto. O treino de força é essencial, e a ingestão
adequada de proteína é segura quando bem indicada”, afirma Cedraz. “A
sarcopenia pode avançar com o tempo, mas a velocidade e o impacto desse
processo dependem, cada vez mais, das escolhas feitas ao longo do
envelhecimento”, conclui a geriatra.
Fonte:
Carla Santana - Assessora de Imprensa

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