Celso
Pansera: O vale-tudo para tentar colocar o Bolsomaster no colo do governo
Depois
de viver seu dia de Deltan Dallagnol ao exibir um PowerPoint repleto de
mentiras e omissões sobre as conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, a GloboNews,
após uma enxurrada de protestos nas redes sociais, teve que pedir desculpas ao
telespectador.
A peça
deixava de fora os nomes da direita e da extrema direita notoriamente
envolvidos com o banqueiro e mostrava o presidente Lula em destaque. A
justificativa para esta flagrante distorção dos fatos é que Lula recebeu
Vorcaro em audiência.
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Escondem
do distinto público que presidente da República receber banqueiro é algo
absolutamente corriqueiro e não merece sequer virar notícia. Lula, no exercício
do cargo, esteve com executivos do Itaú, Bradesco, Santander e outros.
A
obsessão em transformar o caso da fraude bilionária do Banco Master em uma nova
Lava Jato, para prejudicar a campanha de Lula, atropela inclusive tudo que já
foi fartamente noticiado até agora pela própria imprensa corporativa, incluindo
a Globo, a partir da quebra do sigilo do celular de Vorcaro e demais
investigações da Polícia Federal, além de dados do COAF e da justiça eleitoral,
entre outras fontes.
Vejamos:
1) O
Banco Master cresceu e se consolidou no governo Bolsonaro, pelo qual jamais foi
incomodado, ficando à vontade para prosperar através, principalmente, de CDBs
sem lastro, que ofereciam aos incautos ganhos bem superiores aos praticados
pelo mercado. O presidente do Banco Central à época, Roberto Campos Neto,
indicado por Bolsonaro, sempre fez vistas grossas para as irregularidades do
Master.
2)
Aliás, por falar em Banco Central, só na gestão de Gabriel Galípolo, nomeado
por Lula, é que a autoridade monetária cumpriu seu papel institucional de zelar
pela saúde do sistema financeiro e proteger os investidores ao decretar a
liquidação do Master.
3)
Também coube à Polícia Federal na gestão de Lula ir fundo nas investigações das
fraudes do Master, contando com a colaboração da Controladoria-Geral da União.
Essa ação conjunta desbaratou a organização criminosa e levou Vorcaro e demais
implicados nas falcatruas à prisão, durante a Operação Compliance Zero.
4)
Operador e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que está preso, foi o maior
doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas
eleições de 2022. Segundo dados do TSE, Zettel destinou R$ 3 milhões para
Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio.
5) O
governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, através do Banco
Regional do Brasília, tentou comprar o Master, mesmo quando todo o mercado já
sabia dos graves problemas do banco e que sua liquidação extrajudicial era
questão de tempo. Se o Banco Central não tivesse vetado a transação, o erário
de Brasília teria um prejuízo bilionário. De acordo com investigações da PF, o
BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em papéis podres do conglomerado de Vorcaro em
carteiras de crédito superfaturadas ou inexistentes.
6)
Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rio Previdência, o fundo de previdência
dos servidores do estado do Rio de Janeiro, também está preso. O agora
ex-governador Cláudio Castro, que é apoiador de Bolsonaro, fez cerca de R$ 1
bilhão em investimentos no Master, colocando em risco o pagamento das
aposentadorias dos funcionários públicos do estado.
7) O
senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, a quem Vorcaro
trata como "amigo de toda uma vida", apresentou projeto de lei para
aumentar os recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instrumento no qual
Vorcaro se apoiava para oferecer rendimentos estratosféricos para seus CDBs,
contando que o FGC honraria seus calotes.
Como se
vê de forma inequívoca, quem tem tudo a ver com Vorcaro é o ecossistema
conservador e de direita. A delação a ser feita pelo banqueiro, se for para
valer, só vai reforçar essas evidências e desmoralizar a tentativa de ligar o
PT e o governo à megafraude financeira.
Quem
pariu Matheus que o embale.
• “Associação com Lula é um crime e
desculpas foram um vexame", diz professor Laurindo Lalo Leal sobre por
PowerPoint da Globonews
O
professor e sociólogo Laurindo Lalo Leal classificou como “um vexame para a
Rede Globo” as desculpas pela exibição de um PowerPoint pela GloboNews que
sugeria conexões entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas,
incluindo o presidente Lula. A declaração foi feita durante entrevista ao
programa Brasil Agora, na qual o especialista em comunicação analisou o
episódio e suas consequências.
A
emissora reconheceu o que chamou de "erro" e divulgou um pedido de
desculpas, lido no programa Estúdio i, apresentado por Andréa Sadi. No texto, a
GloboNews admitiu que o material estava “errado e incompleto” e que não deixou
claro o critério de seleção das informações. Ainda assim, para Lalo Leal, a
retratação não foi suficiente para reparar os danos causados. “Para uma empresa
que se jacta [...] de qualidade, fazer um PowerPoint e depois dizer que foi um
erro [...] é uma desculpinha [...] muito esfarrapada diante daquilo que ficou
escancarado”, afirmou o professor. Em sua avaliação, o problema não foi apenas
técnico, mas editorial e político.
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“O estrago já foi feito”
Segundo
Lalo Leal, o impacto da exibição do material se consolidou rapidamente e não
pode ser revertido por um pedido de desculpas posterior. “Depois de você
colocar no ar, por uma rede de televisão nacional, aquele absurdo daquele
PowerPoint, não adianta”, disse. E completou: “não é uma simples mensagem de
dois minutos [...] que vai colocar algum tipo de retorno”. O professor comparou
a situação a algo irreversível: “vale sempre aquela imagem do travesseiro de
penas que se abre [...] e depois você não consegue de maneira alguma juntá-las
outra vez no mesmo lugar”.
associação
com lula é “crime”, diz professor
Um dos
pontos mais criticados foi a inclusão do nome de Luiz Inácio Lula da Silva no
diagrama exibido pela emissora. Para Lalo Leal, a associação foi indevida e sem
आधार factual. “Colocar o
presidente Lula como tendo algum tipo de relação promíscua com este
ex-banqueiro é um crime. Porque não há dado de realidade que sustente essa
informação”, declarou. Ele explicou que o encontro citado no material ocorreu
dentro da normalidade institucional. “Ele concedeu audiência no Palácio do
Planalto [...] chamou outras autoridades [...] e disse ‘leve essas suas
pretensões para os devidos caminhos legais’”, afirmou.
O
professor também destacou que a forma como o PowerPoint foi apresentado pode
induzir interpretações equivocadas. “Colocaram o Lula [...] quase junto com o
Vorcaro, e tudo isso tem sentido”, disse, ao mencionar possíveis leituras
semióticas da peça. Além disso, apontou falhas graves na elaboração do
material. “Ele é, na forma, ridículo [...] é precário”, afirmou, ao criticar o
padrão visual e informativo apresentado por uma das maiores empresas de
comunicação do país.
Lalo
Leal também criticou a resposta institucional ao episódio. Para ele, o caso
deveria gerar consequências legais. “Como é um crime, isso tem que ser
denunciado para as autoridades”, defendeu, mencionando instrumentos como o
direito de resposta. Ele citou como referência o episódio envolvendo o
ex-governador Leonel Brizola, que obteve na Justiça o direito de resposta lido
no Jornal Nacional por Cid Moreira. “Por que não se faz a mesma coisa?”,
questionou.
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Mídia e democracia
A
análise do professor também se estendeu ao papel da mídia no Brasil. Segundo
ele, a concentração dos meios de comunicação compromete o pluralismo e afeta
diretamente a qualidade da democracia. “Não dá [...] para uma grande democracia
[...] você ter uma mídia tão pequena, tão concentrada e com apenas uma linha
política de atuação”, afirmou. Para Lalo Leal, a circulação limitada de
diferentes visões prejudica a formação crítica da população.
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Paralelo com a Lava Jato
Durante
a entrevista, o sociólogo também comparou o episódio com práticas observadas na
cobertura da Operação Lava Jato. Segundo ele, há uma repetição de estratégias
que associam figuras públicas a suspeitas sem comprovação robusta. “Não
inventam em tom de comédia. Inventam maldosamente e, em alguns casos,
criminosamente”, afirmou.
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Crise de credibilidade
Ao
final, Lalo Leal reforçou que o caso representa um abalo na credibilidade da
emissora. “É um vexame para a Rede Globo”, reiterou, ao destacar a gravidade do
episódio. A repercussão do PowerPoint e do pedido de desculpas reacendeu
discussões sobre responsabilidade editorial, regulação da mídia e os limites da
atuação jornalística em um cenário de alta polarização política no país.
• Entre
a errata e o pedido de desculpas, a Globo escolheu o caminho do meio. Por
Bernardo Cotrim
Na
tarde desta segunda (23 ), durante o programa Estúdio i, uma constrangidíssima
Andrea Sadi foi a porta-voz de um tão insólito quanto inédito “pedido de
desculpas” da Globo. O motivo da autocrítica foi o powerpoint apresentado na
última sexta (20), pela mesma jornalista, apresentando as supostas conexões de
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e pivô de um escândalo de
proporções épicas.
A fala
trôpega de Sadi ao ler a nota contrasta com a desenvoltura apresentada na sexta
para “explicar” o fatídico powerpoint. Com menções vagas, sem a apresentação de
imagens no telão, Sadi afirmou que o material está “incompleto” e “em desacordo
com os princípios editoriais”.
Peço
licença para um pequeno parêntese: um pedido de desculpas é uma expressão
sincera de arrependimento e tentativa de mitigar o dano produzido, assumindo a
responsabilidade pelo ato, mesmo que não exista a intenção; já uma errata é a
correção de uma obra, assinalando cada um dos erros cometidos e apontando a
forma correta.
O texto
apresentado no Estúdio i não é nem uma coisa, nem outra. O parágrafo
claudicante não estabelece de quem foi a responsabilidade pela exibição de algo
tão aberrante, não cita os nomes de quem devia figurar na “arte”, não informa
quem apareceu na peça por engano. Ficou explícito que a “autocrítica” capenga
visa única e exclusivamente minimizar o dano causado à imagem da própria
emissora. Uma ação tardia de “vacina”, tão patética quanto desonesta.
Na
peça, que gerou uma enxurrada de críticas nas redes, figuras de proximidade
comprovada com Vorcaro apareciam à margem; Jair Bolsonaro e Tarcísio de
Freitas, beneficiados com vultosas doações de campanha, sequer figuravam, assim
como o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, peça central para que o
fraudulento esquema de pirâmide de Vorcaro prosperasse. Cabe registrar que
Campos Neto hoje ocupa a vice-presidência do Nubank, empresa que tem a família
Marinho como acionista e que se fartou de vender títulos podres do Master.
A
família Marinho e as Organizações Globo merecem menção honrosa: já está
fartamente documentado que o Master irrigou as empresas do grupo com dezenas de
milhões de reais em publicidade.
Outras
ausências também impressionam: os governadores bolsonaristas Claudio Castro, do
RJ, e Ibaneis Rocha, do DF, cujo empenho em salvar o esquema do Master seria
comovente, se não fosse flagrante delinquência — seja usando o fundo de
previdência dos servidores, como Castro, ou o BRB, como Ibaneis.
Em
contrapartida, o centro da imagem era ocupado pelo símbolo do Partido dos
Trabalhadores, em grosseira manipulação para associar o partido ao crime, e
pela foto do presidente Lula, em cujo governo a fraude foi desbaratada (e
Vorcaro foi preso). Logo abaixo, o atual presidente do Banco Central, Gabriel
Galípolo, cuja única “culpa” provada é a de liquidar o banco Master e acabar
com a farra.
Em bom
português, o Power Point é um escárnio: um panfleto digital da campanha de
Flávio Bolsonaro, literalmente desenhado para que ganhasse vida própria nas
redes, compartilhado em regozijo por gente implicada até a medula na farra de
negócios legais e ilegais do capitalismo cujas conexões se espalham pelo
mercado financeiro, políticos de direita, fintechs, o alto escalão do
judiciário, empresas dos mais variados ramos, o PCC e o tráfico de drogas.
Não é
preciso ser muito esperto para concluir que algo desse porte jamais teria sido
exibido sem o crivo de gente importante do jornalismo da emissora. 72 horas
depois, calculando o peso das críticas e o prejuízo causado pelo “jornalismo
Tabajara”, o mea culpa que só falta responsabilizar o estagiário afronta a
inteligência de qualquer um.
Longe
de ser um ponto fora da curva, o episódio serve para reforçar a preocupação do
campo democrático com a cobertura das eleições: após um breve interregno em
2022, a decepção com o naufrágio da candidatura presidencial de Tarcísio de
Freitas foi superada e a mídia hegemônica parece ter acertado os ponteiros com
a extrema direita e tomado parte na campanha de Flávio Bolsonaro.
Ao fim
e ao cabo, os milionários se organizaram para fazer valer seus interesses de
classe. Caberá à imprensa alternativa, mais uma vez, ser um espaço de produção
jornalística referenciada na promoção da democracia e da justiça social. O
debate público agradece.
• Clima
de terror e demissões na Globo após ligar Lula e PT a Daniel Vorcaro em
PowerPoint
A
GloboNews enfrenta uma crise interna após a exibição de uma arte considerada
equivocada no programa Estúdio i, na sexta-feira (20). O material, que buscava
mapear conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, associou o empresário ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, provocando forte repercussão
negativa nos bastidores do canal. Segundo o site Notícias da TV, pertecente ao
UOL, a direção da emissora decidiu demitir profissionais envolvidos na produção
do conteúdo, embora ainda avalie o momento para oficializar os desligamentos. A
medida deve atingir editores responsáveis pela elaboração e aprovação da peça
exibida.
A arte,
intitulada “Conexões de Daniel Vorcaro”, foi apresentada com estrutura
semelhante ao diagrama utilizado pelo ex-procurador Deltan Dallagnol durante a
Operação Lava Jato. O conteúdo foi amplamente criticado por omissões e pela
falta de clareza nos critérios adotados, especialmente por não incluir nomes
ligados a outros campos políticos. Na segunda-feira (23), a jornalista Andréia
Sadi apresentou um pedido de desculpas ao vivo no Estúdio i. Ela reconheceu
falhas relevantes no material exibido. “Na última sexta [20], a gente exibiu
aqui uma arte com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos
e acessos relevantes, como a gente já fez em outras ocasiões. No entanto, o
material estava errado, incompleto e também não deixou claro o critério que foi
usado para a seleção das informações”, afirmou.
A
apresentadora detalhou os problemas identificados. “Esse conteúdo acabou
misturando contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo
relação contratual ou pessoal, além de outros nomes sob análise da PF ou que, à
luz das informações apuradas até aqui, podem ser classificados como não
republicanos”, explicou. Em seguida, acrescentou: “A arte também estava
incompleta, porque não foram incluídos nomes que já se tornaram públicos por
envolvimento com o caso Master, como ministros do Supremo e políticos, nem
ex-diretores do Banco Central que estão sob escrutínio da polícia, por suspeita
de corrupção na relação com o banqueiro”. Ao final, Sadi reiterou o
posicionamento da emissora: “Diante de um material incompleto e em desacordo
com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas. Está registrado”.
Após a
controvérsia, a Globo alterou a versão do programa disponível no Globoplay. O
vídeo passou a exibir um aviso de correção e apresenta cortes na parte em que a
arte foi exibida, com a edição seguindo diretamente para outros temas.
Internamente, a avaliação é de que houve uma falha grave de controle editorial,
com impacto na credibilidade do canal. A produção da arte teria sido solicitada
na manhã do mesmo dia, mas finalizada apenas no momento da exibição, sem
revisão adequada. Andréia Sadi não participou do processo e teria visto o
conteúdo apenas no ar.
A
repercussão também atingiu profissionais com passagem pela emissora. A
jornalista Neide Duarte, que atuou por mais de 40 anos na Globo, criticou
duramente o episódio e classificou o caso como “dia da vergonha na GloboNews”.
“Quando passei pela sala e vi rapidamente a tela da TV, me pareceu um programa
de algum culto pentecostal que resolveu fazer o seu jornalzinho rápido para
atacar o Lula”, escreveu. Ela também questionou a ausência de nomes relevantes
na arte exibida, apontando inconsistências na construção do material.
Fonte:
Brasil 247/ICL Notícias
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