segunda-feira, 30 de março de 2026


 

Celso Pansera: O vale-tudo para tentar colocar o Bolsomaster no colo do governo

Depois de viver seu dia de Deltan Dallagnol ao exibir um PowerPoint repleto de mentiras e omissões sobre as conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, a GloboNews, após uma enxurrada de protestos nas redes sociais, teve que pedir desculpas ao telespectador.

A peça deixava de fora os nomes da direita e da extrema direita notoriamente envolvidos com o banqueiro e mostrava o presidente Lula em destaque. A justificativa para esta flagrante distorção dos fatos é que Lula recebeu Vorcaro em audiência.

Play Video

Escondem do distinto público que presidente da República receber banqueiro é algo absolutamente corriqueiro e não merece sequer virar notícia. Lula, no exercício do cargo, esteve com executivos do Itaú, Bradesco, Santander e outros.

A obsessão em transformar o caso da fraude bilionária do Banco Master em uma nova Lava Jato, para prejudicar a campanha de Lula, atropela inclusive tudo que já foi fartamente noticiado até agora pela própria imprensa corporativa, incluindo a Globo, a partir da quebra do sigilo do celular de Vorcaro e demais investigações da Polícia Federal, além de dados do COAF e da justiça eleitoral, entre outras fontes.

Vejamos:

1) O Banco Master cresceu e se consolidou no governo Bolsonaro, pelo qual jamais foi incomodado, ficando à vontade para prosperar através, principalmente, de CDBs sem lastro, que ofereciam aos incautos ganhos bem superiores aos praticados pelo mercado. O presidente do Banco Central à época, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, sempre fez vistas grossas para as irregularidades do Master.

2) Aliás, por falar em Banco Central, só na gestão de Gabriel Galípolo, nomeado por Lula, é que a autoridade monetária cumpriu seu papel institucional de zelar pela saúde do sistema financeiro e proteger os investidores ao decretar a liquidação do Master.

3) Também coube à Polícia Federal na gestão de Lula ir fundo nas investigações das fraudes do Master, contando com a colaboração da Controladoria-Geral da União. Essa ação conjunta desbaratou a organização criminosa e levou Vorcaro e demais implicados nas falcatruas à prisão, durante a Operação Compliance Zero.

4) Operador e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que está preso, foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022. Segundo dados do TSE, Zettel destinou R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio.

5) O governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, através do Banco Regional do Brasília, tentou comprar o Master, mesmo quando todo o mercado já sabia dos graves problemas do banco e que sua liquidação extrajudicial era questão de tempo. Se o Banco Central não tivesse vetado a transação, o erário de Brasília teria um prejuízo bilionário. De acordo com investigações da PF, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em papéis podres do conglomerado de Vorcaro em carteiras de crédito superfaturadas ou inexistentes.

6) Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rio Previdência, o fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro, também está preso. O agora ex-governador Cláudio Castro, que é apoiador de Bolsonaro, fez cerca de R$ 1 bilhão em investimentos no Master, colocando em risco o pagamento das aposentadorias dos funcionários públicos do estado.

7) O senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, a quem Vorcaro trata como "amigo de toda uma vida", apresentou projeto de lei para aumentar os recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instrumento no qual Vorcaro se apoiava para oferecer rendimentos estratosféricos para seus CDBs, contando que o FGC honraria seus calotes.

Como se vê de forma inequívoca, quem tem tudo a ver com Vorcaro é o ecossistema conservador e de direita. A delação a ser feita pelo banqueiro, se for para valer, só vai reforçar essas evidências e desmoralizar a tentativa de ligar o PT e o governo à megafraude financeira.

Quem pariu Matheus que o embale.

        “Associação com Lula é um crime e desculpas foram um vexame", diz professor Laurindo Lalo Leal sobre por PowerPoint da Globonews

O professor e sociólogo Laurindo Lalo Leal classificou como “um vexame para a Rede Globo” as desculpas pela exibição de um PowerPoint pela GloboNews que sugeria conexões entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas, incluindo o presidente Lula. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Brasil Agora, na qual o especialista em comunicação analisou o episódio e suas consequências.

A emissora reconheceu o que chamou de "erro" e divulgou um pedido de desculpas, lido no programa Estúdio i, apresentado por Andréa Sadi. No texto, a GloboNews admitiu que o material estava “errado e incompleto” e que não deixou claro o critério de seleção das informações. Ainda assim, para Lalo Leal, a retratação não foi suficiente para reparar os danos causados. “Para uma empresa que se jacta [...] de qualidade, fazer um PowerPoint e depois dizer que foi um erro [...] é uma desculpinha [...] muito esfarrapada diante daquilo que ficou escancarado”, afirmou o professor. Em sua avaliação, o problema não foi apenas técnico, mas editorial e político.

<><> “O estrago já foi feito”

Segundo Lalo Leal, o impacto da exibição do material se consolidou rapidamente e não pode ser revertido por um pedido de desculpas posterior. “Depois de você colocar no ar, por uma rede de televisão nacional, aquele absurdo daquele PowerPoint, não adianta”, disse. E completou: “não é uma simples mensagem de dois minutos [...] que vai colocar algum tipo de retorno”. O professor comparou a situação a algo irreversível: “vale sempre aquela imagem do travesseiro de penas que se abre [...] e depois você não consegue de maneira alguma juntá-las outra vez no mesmo lugar”.

associação com lula é “crime”, diz professor

Um dos pontos mais criticados foi a inclusão do nome de Luiz Inácio Lula da Silva no diagrama exibido pela emissora. Para Lalo Leal, a associação foi indevida e sem आधार factual. “Colocar o presidente Lula como tendo algum tipo de relação promíscua com este ex-banqueiro é um crime. Porque não há dado de realidade que sustente essa informação”, declarou. Ele explicou que o encontro citado no material ocorreu dentro da normalidade institucional. “Ele concedeu audiência no Palácio do Planalto [...] chamou outras autoridades [...] e disse ‘leve essas suas pretensões para os devidos caminhos legais’”, afirmou.

O professor também destacou que a forma como o PowerPoint foi apresentado pode induzir interpretações equivocadas. “Colocaram o Lula [...] quase junto com o Vorcaro, e tudo isso tem sentido”, disse, ao mencionar possíveis leituras semióticas da peça. Além disso, apontou falhas graves na elaboração do material. “Ele é, na forma, ridículo [...] é precário”, afirmou, ao criticar o padrão visual e informativo apresentado por uma das maiores empresas de comunicação do país.

Lalo Leal também criticou a resposta institucional ao episódio. Para ele, o caso deveria gerar consequências legais. “Como é um crime, isso tem que ser denunciado para as autoridades”, defendeu, mencionando instrumentos como o direito de resposta. Ele citou como referência o episódio envolvendo o ex-governador Leonel Brizola, que obteve na Justiça o direito de resposta lido no Jornal Nacional por Cid Moreira. “Por que não se faz a mesma coisa?”, questionou.

<><> Mídia e democracia

A análise do professor também se estendeu ao papel da mídia no Brasil. Segundo ele, a concentração dos meios de comunicação compromete o pluralismo e afeta diretamente a qualidade da democracia. “Não dá [...] para uma grande democracia [...] você ter uma mídia tão pequena, tão concentrada e com apenas uma linha política de atuação”, afirmou. Para Lalo Leal, a circulação limitada de diferentes visões prejudica a formação crítica da população.

<><> Paralelo com a Lava Jato

Durante a entrevista, o sociólogo também comparou o episódio com práticas observadas na cobertura da Operação Lava Jato. Segundo ele, há uma repetição de estratégias que associam figuras públicas a suspeitas sem comprovação robusta. “Não inventam em tom de comédia. Inventam maldosamente e, em alguns casos, criminosamente”, afirmou.

<><> Crise de credibilidade

Ao final, Lalo Leal reforçou que o caso representa um abalo na credibilidade da emissora. “É um vexame para a Rede Globo”, reiterou, ao destacar a gravidade do episódio. A repercussão do PowerPoint e do pedido de desculpas reacendeu discussões sobre responsabilidade editorial, regulação da mídia e os limites da atuação jornalística em um cenário de alta polarização política no país.

        Entre a errata e o pedido de desculpas, a Globo escolheu o caminho do meio. Por Bernardo Cotrim

Na tarde desta segunda (23 ), durante o programa Estúdio i, uma constrangidíssima Andrea Sadi foi a porta-voz de um tão insólito quanto inédito “pedido de desculpas” da Globo. O motivo da autocrítica foi o powerpoint apresentado na última sexta (20), pela mesma jornalista, apresentando as supostas conexões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e pivô de um escândalo de proporções épicas.

A fala trôpega de Sadi ao ler a nota contrasta com a desenvoltura apresentada na sexta para “explicar” o fatídico powerpoint. Com menções vagas, sem a apresentação de imagens no telão, Sadi afirmou que o material está “incompleto” e “em desacordo com os princípios editoriais”.

Peço licença para um pequeno parêntese: um pedido de desculpas é uma expressão sincera de arrependimento e tentativa de mitigar o dano produzido, assumindo a responsabilidade pelo ato, mesmo que não exista a intenção; já uma errata é a correção de uma obra, assinalando cada um dos erros cometidos e apontando a forma correta.

O texto apresentado no Estúdio i não é nem uma coisa, nem outra. O parágrafo claudicante não estabelece de quem foi a responsabilidade pela exibição de algo tão aberrante, não cita os nomes de quem devia figurar na “arte”, não informa quem apareceu na peça por engano. Ficou explícito que a “autocrítica” capenga visa única e exclusivamente minimizar o dano causado à imagem da própria emissora. Uma ação tardia de “vacina”, tão patética quanto desonesta.

Na peça, que gerou uma enxurrada de críticas nas redes, figuras de proximidade comprovada com Vorcaro apareciam à margem; Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, beneficiados com vultosas doações de campanha, sequer figuravam, assim como o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, peça central para que o fraudulento esquema de pirâmide de Vorcaro prosperasse. Cabe registrar que Campos Neto hoje ocupa a vice-presidência do Nubank, empresa que tem a família Marinho como acionista e que se fartou de vender títulos podres do Master.

A família Marinho e as Organizações Globo merecem menção honrosa: já está fartamente documentado que o Master irrigou as empresas do grupo com dezenas de milhões de reais em publicidade.

Outras ausências também impressionam: os governadores bolsonaristas Claudio Castro, do RJ, e Ibaneis Rocha, do DF, cujo empenho em salvar o esquema do Master seria comovente, se não fosse flagrante delinquência — seja usando o fundo de previdência dos servidores, como Castro, ou o BRB, como Ibaneis.

Em contrapartida, o centro da imagem era ocupado pelo símbolo do Partido dos Trabalhadores, em grosseira manipulação para associar o partido ao crime, e pela foto do presidente Lula, em cujo governo a fraude foi desbaratada (e Vorcaro foi preso). Logo abaixo, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, cuja única “culpa” provada é a de liquidar o banco Master e acabar com a farra.

Em bom português, o Power Point é um escárnio: um panfleto digital da campanha de Flávio Bolsonaro, literalmente desenhado para que ganhasse vida própria nas redes, compartilhado em regozijo por gente implicada até a medula na farra de negócios legais e ilegais do capitalismo cujas conexões se espalham pelo mercado financeiro, políticos de direita, fintechs, o alto escalão do judiciário, empresas dos mais variados ramos, o PCC e o tráfico de drogas.

Não é preciso ser muito esperto para concluir que algo desse porte jamais teria sido exibido sem o crivo de gente importante do jornalismo da emissora. 72 horas depois, calculando o peso das críticas e o prejuízo causado pelo “jornalismo Tabajara”, o mea culpa que só falta responsabilizar o estagiário afronta a inteligência de qualquer um.

Longe de ser um ponto fora da curva, o episódio serve para reforçar a preocupação do campo democrático com a cobertura das eleições: após um breve interregno em 2022, a decepção com o naufrágio da candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas foi superada e a mídia hegemônica parece ter acertado os ponteiros com a extrema direita e tomado parte na campanha de Flávio Bolsonaro.

Ao fim e ao cabo, os milionários se organizaram para fazer valer seus interesses de classe. Caberá à imprensa alternativa, mais uma vez, ser um espaço de produção jornalística referenciada na promoção da democracia e da justiça social. O debate público agradece.

        Clima de terror e demissões na Globo após ligar Lula e PT a Daniel Vorcaro em PowerPoint

A GloboNews enfrenta uma crise interna após a exibição de uma arte considerada equivocada no programa Estúdio i, na sexta-feira (20). O material, que buscava mapear conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, associou o empresário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, provocando forte repercussão negativa nos bastidores do canal. Segundo o site Notícias da TV, pertecente ao UOL, a direção da emissora decidiu demitir profissionais envolvidos na produção do conteúdo, embora ainda avalie o momento para oficializar os desligamentos. A medida deve atingir editores responsáveis pela elaboração e aprovação da peça exibida.

A arte, intitulada “Conexões de Daniel Vorcaro”, foi apresentada com estrutura semelhante ao diagrama utilizado pelo ex-procurador Deltan Dallagnol durante a Operação Lava Jato. O conteúdo foi amplamente criticado por omissões e pela falta de clareza nos critérios adotados, especialmente por não incluir nomes ligados a outros campos políticos. Na segunda-feira (23), a jornalista Andréia Sadi apresentou um pedido de desculpas ao vivo no Estúdio i. Ela reconheceu falhas relevantes no material exibido. “Na última sexta [20], a gente exibiu aqui uma arte com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos e acessos relevantes, como a gente já fez em outras ocasiões. No entanto, o material estava errado, incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”, afirmou.

A apresentadora detalhou os problemas identificados. “Esse conteúdo acabou misturando contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo relação contratual ou pessoal, além de outros nomes sob análise da PF ou que, à luz das informações apuradas até aqui, podem ser classificados como não republicanos”, explicou. Em seguida, acrescentou: “A arte também estava incompleta, porque não foram incluídos nomes que já se tornaram públicos por envolvimento com o caso Master, como ministros do Supremo e políticos, nem ex-diretores do Banco Central que estão sob escrutínio da polícia, por suspeita de corrupção na relação com o banqueiro”. Ao final, Sadi reiterou o posicionamento da emissora: “Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas. Está registrado”.

Após a controvérsia, a Globo alterou a versão do programa disponível no Globoplay. O vídeo passou a exibir um aviso de correção e apresenta cortes na parte em que a arte foi exibida, com a edição seguindo diretamente para outros temas. Internamente, a avaliação é de que houve uma falha grave de controle editorial, com impacto na credibilidade do canal. A produção da arte teria sido solicitada na manhã do mesmo dia, mas finalizada apenas no momento da exibição, sem revisão adequada. Andréia Sadi não participou do processo e teria visto o conteúdo apenas no ar.

A repercussão também atingiu profissionais com passagem pela emissora. A jornalista Neide Duarte, que atuou por mais de 40 anos na Globo, criticou duramente o episódio e classificou o caso como “dia da vergonha na GloboNews”. “Quando passei pela sala e vi rapidamente a tela da TV, me pareceu um programa de algum culto pentecostal que resolveu fazer o seu jornalzinho rápido para atacar o Lula”, escreveu. Ela também questionou a ausência de nomes relevantes na arte exibida, apontando inconsistências na construção do material.

 

Fonte: Brasil 247/ICL Notícias

Nenhum comentário: