segunda-feira, 30 de março de 2026

Irã deve não negociar paz com EUA porque o país está ganhando a guerra, aponta analista

Os Estados Unidos propuseram um plano de paz ao Irã por desespero, opinou o analista militar britânico Alexander Mercouris em seu canal no YouTube.

Mercouris salientou que o presidente estadunidense, Donald Trump, está ficando em um impasse no Irã.

Na ótica dele, os Estados Unidos precisam agora evitar a potencial catástrofe militar que está chegando.

"Não importa o que Trump faça, acho que ele está ficando sem tempo agora. Daí as muitas tentativas de negociar com o Irã", ressaltou.

Segundo o analista, Teerã não deve aceitar os termos de encerramento do conflito que o lado estadunidense lhe propõe.

Alexander Mercouris explicou que na verdade a vantagem e iniciativa estratégica atualmente estão inteiramente do lado do Irã.

Portanto, o analista militar concluiu que Donald Trump está sofrendo fracassos e derrotas nesse conflito.

Na quarta-feira (25), a mídia informou que os Estados Unidos haviam entregado ao Irã um plano para acabar com o conflito de 12 pontos e três provisões, que a Casa Branca cumpriu em troca. Como foi observado, Teerã recusou as exigências, chamando-as de ilógicas. Nos Estados Unidos afirmaram que a publicação contém muita desinformação, mas também contém informações verdadeiras.

No mesmo dia, a televisão iraniana informou que o país pretende resistir à agressão até que todas as suas exigências sejam cumpridas. Entre elas estão garantias de não repetição da guerra no futuro, indenização por danos e controle sobre o estreito de Ormuz.

Na segunda-feira (23), Donald Trump disse que as partes teriam concordado com uma trégua, então ele ordenou uma suspensão de cinco dias dos ataques às instalações de energia iranianas. Em Teerã, chamaram suas palavras de operação psicológica para manipular os mercados.

<><> Pausa dos EUA em ataques ao Irã revela manobra diplomática, diz especialista

As alegações dos EUA sobre suas conversas com Teerã e a "pausa de cinco dias" nos ataques a usinas de energia iranianas podem ser interpretadas como uma "manobra diplomática para alcançar vários objetivos interligados", afirmou à Sputnik Asif Narimanly, analista político azerbaijano.

>>> Segundo ele, estão em jogo os seguintes pontos:

🟠 Primeiro, os EUA buscam lidar com a crise que afeta o mercado de energia, pressionados pela disparada dos preços do petróleo após o fechamento do estreito de Ormuz;

🟠 Segundo, trata‑se de ganhar tempo: há necessidade de repor perdas no arsenal de mísseis dos EUA e, ao mesmo tempo, decidir os próximos passos da guerra contra o Irã — se avançar para uma nova fase ou tentar cumprir os objetivos iniciais;

🟠 Terceiro, Washington tenta fortalecer sua posição na guerra contra o Irã diante de forças de oposição, tanto dentro dos EUA quanto no cenário internacional.

O especialista reiterou que a Casa Branca sinaliza abertura para o diálogo e, ao mesmo tempo, tenta encerrar a guerra ao impor condições que o Irã não aceitará, incluindo exigências anteriores como a reabertura do estreito de Ormuz.

¨      BRICS terá papel central na resolução do conflito no Oriente Médio, diz enviado especial russo

O BRICS será fundamental para superar os desafios decorrentes da escalada de tensões no Oriente Médio, disse aos jornalistas o chefe do Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI) e representante especial do presidente russo para o investimento e cooperação econômica com países estrangeiros, Kirill Dmitriev.

Na ótica de Dmitriev, a cooperação no âmbito do BRICS, inclusive em questões da segurança energética, terá um papel fundamental no mundo de hoje.

"Nesse momento difícil, a cooperação entre os países do BRICS será fundamental para superar os desafios decorrentes da escalada de tensões no Oriente Médio", ressaltou Dmitriev nos bastidores do congresso anual da União Russa de Industriais e Empresários (RSPP, na sigla em russo).

Ao mesmo tempo, ele destacou que o setor energético russo desempenha um papel bastante importante.

Segundo Dmitriev, a energia russa é absolutamente fundamental para a sobrevivência, neste momento, não apenas dos países do BRICS, mas de todo o mundo.

Vale ressaltar que o congresso anual da RSPP encerra tradicionalmente as Semanas do Negócio Russo (NRB, na sigla em russo). A Sputnik é a principal parceira de comunicação do evento.

Anteriormente, Dmitriev escreveu na rede social X que os países da UE vão ficar orgulhosamente no fim da fila para obter fontes de energia russas. Ele salientou que as medidas tomadas na UE não suavizarão a maior crise energética de sempre e os países da UE tentarão em breve ir para a fila para obter energia russa.

¨      Conflito iraniano mostra que China é capaz de esmagar EUA usando drones e mísseis baratos, diz revista

Ao expor a dependência das Forças Armadas dos Estados Unidos de um pequeno número de armamentos altamente custosos, o conflito no Oriente Médio mostra como a China poderia sobrepujar as tropas norte-americanas, diz artigo publicado pela revista 19FortyFive.

Segundo a publicação, os Estados Unidos usam poucas e caras armas no conflito contra o Irã, e elas podem ser facilmente destruídas por drones baratos e mísseis em grande quantidade.

Observando a situação no Oriente Médio, a China entende que isso pode se tornar uma estratégia eficaz para combater aeronaves e navios de guerra norte-americanos em caso de conflito na Ásia.

"O Irã está mostrando à China que uma estratégia baseada em armas de massa de média qualidade contra uma estreita gama de armas norte-americanas é viável", ressaltam os autores do texto.

Além disso, enfatiza-se que, no caso de um confronto armado entre os Estados Unidos e a China no leste asiático, a Força Aérea dos EUA não poderá dominar o ar da mesma forma que no Irã.

"Se o conflito eclodir na região do Indo-Pacífico, a China pode facilmente superar esses caros sistemas de defesa norte-americanos usando um fluxo contínuo de drones baratos e mísseis produzidos em massa", lê-se no artigo.

Mais do que isso, na opinião do autor do artigo, a guerra no Oriente Médio revelou o pequeno número de armamentos das Forças Armadas dos EUA.

"Unidades de defesa terrestre e aérea dos EUA foram puxadas para o Golfo a partir de posições dos EUA em todo o mundo. Os estoques de mísseis e interceptores dos EUA são baixos. A força de porta-aviões dos EUA está claramente sobrecarregada", diz a publicação.

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, incluindo Teerã, com vítimas civis relatadas. O Irã está retaliando contra o território israelense, bem como contra instalações militares dos EUA na região do Oriente Médio.

<><> Analistas preveem quando EUA estarão sem munições para defesa antiaérea

Os estoques norte-americanos de mísseis interceptores de defesa antiaérea avançada e de ataque ao solo se esgotariam em poucas semanas se o ritmo atual dos combates contra o Irã persistisse, escreve o portal Business Insider, citando avaliações de analistas.

O portal salienta que o centro analítico Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI, na sigla em inglês), com sede no Reino Unido, afirma que os EUA esgotariam seus interceptores THAAD até 17 de abril.

"Os estoques de munição para os Sistemas de Mísseis Táticos do Exército, bem como para o Míssil de Ataque de Precisão, ou ATACMS e o PrSM, se esgotariam mais rapidamente, até 12 de abril", ressalta a publicação, citando previsão do RUSI.

Ao mesmo tempo, os analistas preveem que os estoques de mísseis antiaéreos Arrow 2 e Arrow 3 de Israel se esgotarão até sexta-feira (27), o que forçará Israel a correr maiores riscos com aeronaves e permitirá que mais mísseis e drones iranianos passem.

Os Estados Unidos estão preocupados com a possibilidade de esse esgotamento enfraquecer a dissuasão do Pentágono em regiões como o Indo-Pacífico.

Nesse contexto, a publicação lembra que baterias THAAD estão implantadas no Oriente Médio e que os interceptores custam até US$ 15 milhões (R$ 86,8 milhões) cada.

É especificado que, nos primeiros 16 dias de guerra, os EUA e seus aliados gastaram 11.294 munições, incluindo mais de 5.000 nos primeiros quatro dias.

Tal ritmo do conflito esgota os suprimentos estadunidenses e israelenses diante dos radares danificados.

O artigo conclui que repor os estoques poderia custar US$ 50 bilhões (R$ 260,8 bilhões) e levar anos, prejudicado por limites na base industrial de defesa e pelo controle chinês sobre 80% do tungstênio global.

Anteriormente, o jornal The Economist informou que os estoques de munição gastos durante a operação dos EUA contra o Irã, denominada Fúria Épica, levarão anos para serem repostos.

Segundo a matéria, a administração do presidente Donald Trump não conta com um orçamento aprovado pelo Congresso para essa finalidade, e o esgotamento dos estoques implica redução na prontidão do Exército norte-americano para possíveis novos conflitos.

¨      Há divergências entre aliados: EUA perdem capacidade de deter ações de Israel, afirma analista

No decorrer do conflito iraniano, surgiram crescentes divergências entre os Estados Unidos e Israel no contexto dos ataques à infraestrutura energética do Irã, observou em entrevista à Sputnik a pesquisadora de assuntos internacionais, Andishe Kazemi.

Kazemi destacou que os ataques contra as instalações da energia iraniana continuam apesar da declaração de Donald Trump sobre uma pausa de cinco dias.

Segundo a especialista, Washington finge não ter participado dos ataques contra as instalações de energia no Irã, mas sua continuação indica desrespeito à posição dos EUA. Isso aponta para um enfraquecimento da capacidade de Washington de conter as ações de Israel, ressaltou Kazemi.

A pesquisadora enfatizou que Israel está cada vez mais agindo de forma independente, não se considerando obrigado a coordenar suas manobras táticas com o comando das Forças Armadas dos Estados Unidos quando se trata de ameaças vitais.

Outro ponto de divergência, segundo a especialista, é o fato de que, na lógica israelense, qualquer pausa nas ações militares é percebida como um fortalecimento do inimigo.

Kazemi alertou que tal independência na tomada de decisões pode minar a confiança estratégica entre os dois aliados, especialmente se as ações de Israel envolverem os Estados Unidos em uma crise mais ampla.

Nesse contexto, os ataques contra a infraestrutura iraniana representam riscos não apenas para a segurança regional, mas também para a unidade da coalizão americano-israelense, resumiu a especialista.

Nesta segunda-feira (23), o presidente norte-americano Donald Trump disse que EUA e Irã tiveram conversas muito positivas e produtivas. Ele observou que havia instruído o Pentágono a adiar os ataques à infraestrutura energética do Irã por cinco dias.

Embora o presidente norte-americano tenha declarado ter realizado "boas conversações" com o Irã, o Ministério das Relações Exteriores iraniano negou essas declarações, reiterando que as conversações não podem ser realizadas durante bombardeamentos.

¨      Irã fortalece defesa da ilha de Kharg para repelir eventual ataque dos EUA, informa mídia

Teerã está fortalecendo a defesa da ilha de Kharg em caso de eventual ataque terrestre das Forças Armadas dos EUA, informou uma mídia ocidental, citando fontes da inteligência norte-americana.

Segundo a informação divulgada, nas últimas semanas, o Irã tem montado armadilhas e implantado pessoal militar adicional e sistemas de defesa antiaérea na ilha de Kharg, em preparação para uma possível operação terrestre dos EUA para estabelecer o controle sobre a ilha.

Além disso, segundo os oficiais e especialistas militares estadunidenses, o Irã implantou na ilha sistemas adicionais de defesa aérea portáteis e colocou minas antipessoal e antitanque ao redor da ilha, inclusive no litoral, onde as tropas norte-americanas poderiam realizar uma operação anfíbia se o presidente Donald Trump decidir realizar uma operação terrestre.

As mesmas fontes afirmaram que tal operação terrestre acarreta riscos significativos, incluindo pesadas perdas entre militares norte-americanos. O próprio Comando Central das Forças Armadas dos EUA não deu nenhum comentário sobre a questão.

"Alguns dos aliados do presidente [Donald Trump] estão fazendo perguntas sérias sobre a necessidade de tal operação, uma vez que a tomada bem-sucedida da ilha por si só não resolverá os problemas associados ao estreito de Ormuz e ao monopólio do Irã no mercado global de energia", lê-se no material.

Além disso, os autores da publicação, citando fontes israelenses não identificadas, afirmaram que a captura da ilha de Kharg poderia levar a ataques com drones iranianos e sistemas de defesa antiaérea portáteis, o que resultaria na morte de tropas norte-americanas.

Até 90% das exportações de petróleo do Irã passam pela ilha. Segundo o texto, o objetivo de sua possível captura é privar Teerã de um recurso econômico fundamental e fortalecer a posição de negociação de Washington.

Na véspera, a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que Moscou ouve especulações sobre a preparação de uma operação terrestre na ilha de Kharg, mas espera que tudo se limite a palavras e ameaças.

A escalada do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã levou a uma cessação quase completa do transporte através do estreito de Ormuz, uma rota chave para o fornecimento de petróleo e GNL dos países do golfo Pérsico. Depois disso, os preços da energia começaram a bater recordes.

¨      Irã ameaça abrir frente em estreito no mar Vermelho para conter os EUA, dizem fontes

Localizado no Iêmen, o estreito de Bab al-Mandeb é considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio global, por onde passam cerca de 12% do tráfego marítimo do mundo e aproximadamente 9 milhões de barris de petróleo por dia.

Irã ameaçou abrir uma "frente" no estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho, para conter Washington, informou a agência iraniana Tasnim News Agency, citando uma fonte militar.

Anteriormente, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o país poderia abrir novas frentes de hostilidade contra os Estados Unidos e Israel caso o conflito na região continue.

A fonte disse à agência que Teerã é capaz de ameaçar essa via marítima estratégica. Assim como o estreito de Ormuz, a região é vital para o comércio global de energia e qualquer interrupção na rota afeta diretamente o fluxo entre Europa e Ásia e pressiona cadeias globais de energia e logística.

Na última semana, o movimento houthi chegou a ameaçar bloquear a região para o tráfego de embarcações de países considerados agressores, afirmou um integrante de sua liderança política.

Segundo Mohammed al-Bukhaiti, membro do escritório político do grupo, a medida teria como alvo exclusivamente nações envolvidas em ações militares contra aliados do chamado Eixo da Resistência, como o Irã.

"Se formos forçados a fechar o estreito de Bab al-Mandeb, atacaremos apenas países que participem de agressões contra a Palestina, o Líbano ou outros integrantes do Eixo da Resistência, como Irã e Iraque", disse.

<><> Risco de agravar a crise no Oriente Médio

Enquanto isso, Arábia Saudita e Estados Unidos buscam evitar que o grupo entre no conflito, o que poderia ampliar drasticamente a crise no Oriente Médio, segundo o The Wall Street Journal.

A possível escalada preocupa por seu impacto em rotas estratégicas como o canal de Suez e o estreito de Bab al-Mandeb, por onde passa uma parcela significativa do comércio global de petróleo e gás.

Autoridades alertam que, se os houthis entrarem na guerra, o bloqueio de rotas marítimas pode se intensificar, elevando os riscos para o comércio internacional e pressionando ainda mais o Oriente Médio. Líderes houthis afirmam que a entrada no conflito é "apenas questão de tempo".

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

Nenhum comentário: