Cozinhar
em casa ao menos uma vez por semana pode reduzir risco de demência, afirma
estudo com idosos
Comida
caseira sempre traz boas lembranças. O feijão da mãe que combina com qualquer
prato. Aquela carne assada da avó que te leva direto para um domingo da
infância. Um ritual passado entre gerações que, no fim, cria o hábito saudável
de comer comida de verdade em casa.
Isso
porque, mais do que criar um laço afetivo, os preparos caseiros em geral
costumam ser ricos em nutrientes, com pratos com carnes, legumes e grãos, por
exemplo.
E uma
nova pesquisa mostrou que esses benefícios vão além: preparar uma refeição
caseira pelo menos uma vez na semana pode reduzir o risco de demência.
➡️O estudo, publicado na revista científica
"Journal of Epidemiology & Community Health", mostrou que, em
pessoas mais velhas, essa redução pode ser de até 30%. Já entre os idosos
iniciantes na cozinha, a diminuição no risco chega a 70%.
Além de
ser considerada uma importante atividade para se manter ativo fisicamente,
cozinhar também é um estímulo cognitivo. Por isso, os pesquisadores quiseram
investigar se a frequência de cozinhar em casa poderia estar associada à
incidência de demência.
De
acordo com o grupo de pesquisa, até onde se sabe, esse é o primeiro estudo a
demonstrar essa associação.
"Esses
achados são consistentes com estudos anteriores que mostram que atividades
produtivas estão associadas a um menor risco de declínio cognitivo ou demência
em idosos", destacam os pesquisadores na discussão do estudo.
👉Entre as principais hipóteses que
poderiam explicar o resultado observado estão:
• Atividade física associada
Cozinhar
frequentemente envolve certa atividade física em processos como ir às compras e
até no preparo dos alimentos.
"Quando
incluímos no modelo fatores como frequência de sair de casa, tempo em pé ou
caminhando e se o participante fazia suas próprias compras, a associação entre
cozinhar e demência diminuiu", detalha a pesquisa.
Isso
sugere que parte do benefício pode estar ligado ao movimento físico envolvido
nessas tarefas.
• Estímulo cognitivo
Os
benefícios de cozinhar em casa foram potencializados entre pessoas com pouca
habilidade culinária.
De
acordo com os pesquisadores, a principal explicação para isso é que, nesses
casos, cozinhar representa uma atividade mais nova e cognitivamente estimulante
– em comparação a pessoas que já cozinham com mais frequência.
"Atividades
novas e produtivas, como escrever, já foram associadas ao fortalecimento da
reserva cognitiva", analisam os pesquisadores.
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Análise em pessoas idosas
Com o
objetivo de entender a possível relação entre cozinhar em casa e o
desenvolvimento de demência, os pesquisadores analisaram dados de quase 11 mil
participantes com pelo menos 65 anos do Japan Gerontological Evaluation Study.
Os
integrantes responderam a questionários sobre a frequência com que preparavam
refeições do zero em casa, além do nível de competência culinária.
📈Cerca de metade cozinhava pelo menos
cinco vezes por semana, enquanto um quarto não cozinhava.
A
análise mostrou que cozinhar pelo menos uma vez por semana foi associado a um
risco 23% menor de demência em homens e 27% menor em mulheres, em comparação a
não cozinhar.
Entre
aquelas com poucas habilidades culinárias, a porcentagem de redução chegou a
67%.
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Cozinhar e o combate à demência
Ainda
que o estudo tenha limitações, os pesquisadores são otimistas em afirmar que os
resultados mostram que criar condições para que idosos possam cozinhar pode ser
uma estratégia importante na prevenção da demência.
Eles
ressaltam que, por se tratar de um estudo observacional, não é possível
estabelecer uma relação de causa e efeito, somente uma associação.
Além
disso, casos leves de demência podem não ter sido incluídos e a classificação
das habilidades pode não ser precisa o suficiente para diferenciar quem cozinha
por falta de interesse e quem não consegue cozinhar.
Segundo
os pesquisadores, são necessários mais estudos para entender melhor quais
mecanismos estão envolvidos no ato de cozinhar são responsáveis pela redução do
risco de demência.
Fonte:
g1

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