EUA
e Israel subestimaram capacidade de fogo do Irã?
Com
a guerra de Estados
Unidos e Israel contra o Irã prestes a completar um mês, mísseis iranianos
continuam a atingir Israel e os países do Golfo, apesar das
declarações de Washington e Tel Aviv de que teriam dizimado esses estoques.
Em 14
de março, a Casa Branca afirmou, via redes sociais, que a "capacidade de
mísseis balísticos do Irã foi destruída funcionalmente". Dez dias depois,
o Irã segue desafiando essas declarações – algo demonstrado por ataques no
último fim de semana que deixaram mais de 100 feridos no sul de Israel.
"A
capacidade de lançamento de mísseis foi degradada, mas não exaurida. E isso é
significativo", disse à DW Burcu Ozcelik, analista de segurança do Oriente
Médio no Royal United Services Institute (Rusi), um think tank de defesa e
segurança.
Além
disso, os ataques a bases de lançamento e estoques militares iranianos tiveram
um impacto reduzido, afirmou via X a cientista política Kelly Grieco, do think
tank americano Stimson Center.
"O
Irã pode na verdade estar se tornando mais eficiente à medida que a guerra
continua", escreveu, citando uma "mudança operacional" do
regime.
Ela
lembrou que, nos primeiros dias da guerra, o Irã disparou mais de 500 mísseis
balísticos e mais de 2 mil drones. Mas a taxa de acerto foi inferior a 5%. Nas
duas semanas seguintes, os disparos caíram mais de 90%. E foi aí que, segundo
ela, "algo contraintuitivo aconteceu: a taxa de acerto começou a subir. O
Irã estava disparando menos, mas acertando com mais frequência."
Mas se
ainda é difícil avaliar com precisão a real dimensão do poder militar restante
do Irã, o que se sabe de fato?
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Quais mísseis o Irã possui?
É
difícil responder a essa pergunta com precisão. Isso porque os estoques
iranianos não eram sequer conhecidos antes do conflito mais recente e, como
observa Ozcelik, o Irã "não tem sido muito transparente ao explicar suas
capacidades". O Exército israelense teria estimado cerca de 2,5 mil
mísseis antes da guerra, enquanto alguns especialistas independentes sugerem
até 6 mil.
De
qualquer forma, antes da guerra, o Irã tinha o maior e mais diverso arsenal do
Oriente Médio, segundo o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos
EUA.
O think
tank americano Centro para Estudos Estratégicos e
Internacionais (CSIS) afirma
que isso inclui mísseis balísticos como: Sejjil, Ghadr e Khorramshahr, com
alcance de 2.000 quilômetros, Emad (1.700 km), Shahab-3 (1.300 km) e Hoveyzeh
(1.350 km).
No
entanto, ataques recentes contra a base militar anglo-americana de Diego
Garcia,
no Oceano Índico, a quase 4.000 km do Irã, sugerem que o país possui mísseis de
alcance maior que o estimado anteriormente.
Além de
serem armas devastadoras por si só, mísseis balísticos podem servir para
transportar ogivas nucleares — embora Teerã negue qualquer intenção de produzir
bombas atômicas.
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Qual tem sido o impacto da guerra nos estoques iranianos de mísseis?
O
disparo de dezenas de mísseis nas últimas semanas, e também durante a Guerra dos 12 Dias contra Israel
em 2025, reduziu os estoques. A capacidade bélica do regime também foi afetada
por ataques EUA-Israel contra instalações de fabricação de armas. Mas ninguém
fora do círculo interno do regime iraniano sabe qual é o tamanho real do prejuízo.
"É
por isso que a IRGC [Guarda Revolucionária do Irã] continua lançando
ataques e fechou, de fato, o Estreito de Ormuz, o principal ponto
de pressão para o regime iraniano", afirma Ozcelik, citando a hidrovia no
Golfo Pérsico por onde escoam 20% do petróleo mundial.
O
especialista do Rusi diz achar "improvável" que todo o programa de
mísseis balísticos do Irã seja eliminado agora por Estados Unidos e Israel.
Há
pouca informação concreta sobre quantas instalações de armamentos foram
danificadas ou destruídas pelos dois países, embora o primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu, tenha afirmado na semana passada que a
capacidade iraniana de mísseis e drones foi "massivamente degradada".
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Qual é a capacidade de drones do Irã?
Segundo
Matthew Powell, professor de Estudos de Poder Aéreo na Universidade de
Portsmouth, na Inglaterra, o número estimado de drones Shahed era de cerca de
80 mil no início de fevereiro. Mas Powell frisa que mesmo essa estimativa é
incerta, e que é difícil saber quantos foram usados na atual guerra.
"Drones
são extremamente importantes para a força militar do Irã", explica.
"O custo relativamente baixo dos drones, em comparação com outros meios
aéreos, permite que Teerã projete poder militar e influência política na região
a um custo muito menor. Os drones permitem ao Irã atingir infraestrutura vital
em países adversários devido à natureza do sistema de armas, especialmente o
Shahed 136, que é mais difícil de destruir do que mísseis balísticos
maiores."
Os EUA
estão gastando aproximadamente 1 bilhão de dólares (R$ 5,2
bilhões) por dia na guerra contra o Irã, e Powell destaca que "o custo dos
sistemas necessários para destruir drones é significativamente maior que o do
próprio drone".
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O Irã é capaz de repor seus mísseis e drones?
Outra
vantagem para o Irã é que ele está preparado para repor drones rapidamente, ao
menos em tempos normais. "A capacidade estimada é de cerca de 10 mil
drones Shahed por mês em condições de paz", diz Powell, observando que os
impactos da guerra nessa capacidade ainda não são conhecidos.
Enquanto
drones são relativamente fáceis de substituir, mísseis são muito mais
complexos. Mesmo assim, o Irã parece capaz de reconstruir seu arsenal. A
República Islâmica possui estruturas de rearmamento bem estabelecidas, e dados
de 2021–2025 do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo
(Sipri) mostram que o país responde por apenas 0,05% das importações globais de armas.
Na
semana passada, o general Ali Mohammad Naeini, porta-voz da Guarda
Revolucionária, disse à agência estatal IRNA que o país está produzindo mísseis
"mesmo em condições de guerra, o que é impressionante, e não há qualquer
problema específico para estocar armamentos". Pouco depois da declaração,
Naeini foi morto em um ataque aéreo.
A real
questão é se o Irã pode produzir mísseis rápido o suficiente para substituir os
perdidos por disparos ou destruição inimiga. Alex Plitsas, ex-funcionário do
Pentágono, disse à emissora canadense CBC que o Irã produzia cerca de 300 por
mês no início da guerra, mas que agora esse número pode ter caído para 40 por
mês — "o equivalente a uma única salva diária".
Embora
os EUA e Israel soem confiantes quando afirmam ter atingido alvos importantes
em superfície, há relatos de que existem ao menos cinco "cidades de
mísseis" subterrâneas em várias províncias iranianas, incluindo Kermanshah
e Semnan, além de áreas próximas ao Golfo.
Segundo
Ozcelik, do Rusi, neutralizar a ameaça iraniana no longo prazo é um objetivo
fundamental para os EUA e Israel.
"Ser
capaz de degradar a capacidade do regime de se recuperar, reconstruir e
reabilitar seu programa de mísseis quando a guerra terminar — e daqui em
diante. Acho que esse é o objetivo no momento, e tem sido desde o início desta
guerra", pontua.
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Antes do próximo alvo, consertar o erro com o Irã é
prioridade de Trump. Por André Barroso
É bom
que o erro de atacar o Irã volte a ser discutido internamente e externamente. O
que era para tirar o foco da crise econômica americana, da desdolarização
mundial e redução da dependência do dólar americano no comércio internacional e
do caso Epstein, acabou sendo mais uma dor de cabeça para o presidente Trump,
que está preocupado com a queda vertiginosa do índice de apoio dos americanos
na sua gestão que chega a 35%. Isso atrapalha seus planos de reinado vendo que
a próxima eleição do Congresso americano pode se tornar um tiro pela culatra.
Ao
menosprezar o Irã como força militar, acabou dando um tiro pela culatra. A
começar que iniciou a guerra achando que a chegada do porta-aviões, o
bombardeio surpresa e cirúrgico, matando Ali Khamenei seria o suficiente para
uma rendição imediata. A guerra se estendeu criando primeiro problemas para os
americanos ficando sem bases no oriente, sem navios e fechando o Estreito de
Ormuz, criando a maior crise do petróleo da história. Estranhamente houve
ganhos financeiros na bolsa americana. Quando Trump anuncia a suspensão dos
ataques ao Irã, alguém comprou US$ 1,5 bilhão em contratos futuros do S&P
500 e vendeu US$ 192 milhões em petróleo. Transações que foram seis vezes
maiores do que qualquer outra ação naquele momento. Alguém lucrou com o uso de
informação privilegiada.
Acharam
que a experiência de derrubar o regime de Saddam Hussein, usando o argumento
falso de terem armas de destruição em massa, seria algo positivo, pois era uma
minoria Sunita governando para uma maioria Xiita. No Irã, o governo representa
a maioria de Xiitas com cerca de 95% da população, apoiando as diretrizes do
Líder Supremo. Quando saiu do Iraque, os americanos disseram que levaram a
democracia ao país, sendo que eles dilapidaram as riquezas e roubaram o
petróleo. O mais grave é que deixaram o poder numa disputa entre Xiitas,
Sunitas e Curdos, trazendo o caos ao sistema político e social.
A
empáfia americana de subestimar o Irã trouxe problemas não só para eles, mas
para o mundo todo. Filipinas e Moldova declararam emergência energética,
Tailândia e Vietnã já estão recorrendo ao carvão, Catar tem impacto com gás,
Eslovênia raciona energia assim como Parte da Ásia, Sri Lanka, Bangladesh,
Paquistão e Myanmar. Os suprimentos de enxofre foram cortados no Golfo, o que
acaba com a produção de fertilizantes no mundo. O ciclo da produção do milho
nos Estados Unidos está afetado criando problemas com a produção do Etanol de
milho, o que cria problemas também na cadeia econômica sem parte da ração aos
animais de corte e para as prateleiras da população.
Por
realismo político ou simples impotência diante do caos tomado no mundo e a
possibilidade de perder seus mandos e desmandos nos Estados Unidos, Trump
começa a mirar em Cuba, para trazer outra distração da realidade. Como hoje é
dono do petróleo venezuelano, não abastece mais Cuba que já sofre com apagões
todos os dias e um embrago econômico que completa mais de 64 anos de duração. A
bravata de anexar Cuba aos americanos se tornou o novo alvo de Trump. Se fala
muito sobre a entrada da China ou Rússia secretamente ajudando com armamentos,
assim como os próprios americanos fizeram com a Europa na Segunda Guerra
Mundial e que no final saíram destruídos e os Estados Unidos fortalecidos como
nova potência mundial.
A
recuada de Trump na investida contra o Irã nesse momento é muito significativa.
A sua fortaleza militar também é sua fraqueza e tentar esconder isso para
debaixo do tapete não funciona porque continuamos a viver em cima do tapete e o
acobertado nem sempre fica quieto. Mas a presunção que os estados Unidos estão
sendo governados por uma extrema direita inconsequente é a mesma.
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Kiev corre risco de ficar sem mísseis de defesa aérea
porque EUA têm problemas no Irã, aponta mídia
O
Departamento da Guerra dos Estados Unidos está avaliando a possibilidade de
enviar armas destinadas a Kiev para o Oriente Médio, escreve o jornal The
Washington Post.
O
jornal destaca que a consideração
da possibilidade de deixar a Ucrânia sem novas armas está acontecendo em meio à
guerra com o Irã.
"O
Pentágono está avaliando a possibilidade de redirecionar armas destinadas à
Ucrânia para o Oriente Médio, uma vez que a guerra no Irã está esgotando
algumas das munições mais essenciais das Forças Armadas dos EUA", ressalta
a publicação.
Segundo
a matéria, as armas que poderiam ser redirecionadas da Ucrânia incluem mísseis
interceptadores de defesa antiaérea adquiridos por meio de um programa da Organização do
Tratado do Atlântico Norte.
Ao
mesmo tempo, é apontado que ainda não foi tomada uma decisão
definitiva sobre o assunto por parte de Washington. No entanto, a
reportagem salienta que a recusa em fornecer novas armas a Kiev destacaria a
necessidade cada vez maior de Washington fazer concessões para dar continuidade
ao conflito com Teerã.
Dessa
forma, o material conclui que, se o Pentágono retirar a ajuda a Kiev, o
lado ucraniano terá graves problemas em contrariar os ataques aéreos russos.
No dia
3 de março, o atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, manifestou receio
de que a Ucrânia possa enfrentar dificuldades em receber mísseis e armas,
agora necessários aos próprios EUA na operação contra o Irã.
O
jornal The Economist, citando avaliações de especialistas, havia informado anteriormente
que os estoques de munição consumidos durante a operação dos EUA contra o Irã
levarão mais de um ano para serem repostos.
Cabe
lembrar que a Rússia considera que o fornecimento de armas à Ucrânia
prejudica a resolução do conflito, envolve diretamente os países da OTAN e essa
postura representa um "jogo com o fogo".
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Ucrânia perde importância para EUA devido à situação no
Oriente Médio, diz analista
O
conflito no Irã mostrou que os EUA não consideram a Ucrânia como um parceiro de
pleno direito e estão deslocando as prioridades de sua política externa, opinou
à Sputnik Inanj Sancak, especialista turco em política externa.
Segundo
Sancak, a realocação da atenção dos EUA está ligada ao aumento das tensões
no Oriente Médio, onde interesses
estratégicos, incluindo segurança energética e influência regional, estão sendo
afetados.
"A
situação em torno do Irã demonstrou que outras áreas são mais importantes
para Washington do que a Ucrânia", ressaltou.
Além
disso, o analista destacou que, em tais circunstâncias, os recursos e a
atividade diplomática de Washington estão sendo redistribuídos.
O
especialista também acreditou que tais dinâmicas refletem a abordagem
pragmática da política
norte-americana,
na qual é dada prioridade a áreas com maior grau de influência nos processos
globais.
Dessa
forma, ele opinou que essa abordagem reduz o nível de envolvimento dos EUA
na agenda ucraniana.
Ao
mesmo tempo, Sancak observou que tal reorientação pode afetar as posições dos
aliados dos EUA e a percepção de Washington como parceiro.
Portanto,
ele concluiu que tudo isso cria riscos adicionais para Kiev em termos
de apoio político e diplomático.
Anteriormente,
a mídia informou que a guerra no Oriente Médio ameaça Kiev com uma
escassez crítica de mísseis PAC-3 para os sistemas de defesa antiaérea
Patriot, já que a repulsa maciça dos ataques iranianos está esgotando
rapidamente os estoques mundiais dessas munições.
A
operação de Washington e Tel Aviv contra Teerã está em andamento desde 28 de
fevereiro. Durante todo esse tempo, as partes trocaram golpes, inclusive
contra instalações de petróleo e gás.
A
escalada do conflito também levou a uma cessação quase completa do transporte
através do estreito de Ormuz, uma rota-chave para
o fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito dos países do golfo
Pérsico.
Depois
disso, os preços da energia começaram a bater recordes. Em 9 de março, os
preços do petróleo bruto Brent subiram acima de US$ 119 (R$ 630) por
barril pela primeira vez desde junho de 2022.
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'Ponto de virada': defesa antiaérea de Israel não
consegue abater mísseis iranianos, diz mídia
Os
mísseis iranianos estão furando a defesa antiaérea israelense e manchando a
reputação do complexo militar-industrial do país, escreve o jornal The
Washington Post.
O
jornal destaca que a incapacidade
de Israel de interceptar mísseis sobre o local fortemente defendido de
Dimona marcou um ponto de virada crucial.
"A
fé nas defesas antiaéreas de última geração do Estado de Israel foi
abalada", reconhece a publicação.
Ao
mesmo tempo, o artigo cita oficiais anônimos israelenses que sublinharam
que os temores de que Teerã esteja acumulando armas para superar o
sistema de defesa antimísseis de Israel se tornaram um fator-chave para
pressionar pela guerra.
No
entanto, eles salientaram que ataques recentes do Irã expuseram a
vulnerabilidade dos sistemas de defesa
antiaérea.
Já
começaram a soar novamente temores de que os militares israelenses
pudessem ter que economizar interceptadores caros para proteger alvos
importantes.
"O
presidente do parlamento iraniano, empregando um pouco de hipérbole, disse que
o fracasso de Israel em interceptar mísseis em Dimona altamente protegida
representou um ponto de virada", acrescenta a matéria.
Portanto,
a reportagem conclui que Teerã conseguiu instilar medo ao usar seu arsenal
de mísseis de múltiplos alcances contra seus inimigos.
Nesta
semana, a mídia informou que o sistema israelense de defesa
antimísseis não conseguiu interceptar mísseis iranianos em Dimona e Arad.
A
operação de Washington e Tel Aviv contra Teerã está em andamento desde 28 de
fevereiro. Durante todo esse tempo, as partes trocaram golpes, inclusive contra
instalações de petróleo e gás.
A
escalada do conflito também levou a uma cessação quase completa do
transporte através do estreito de Ormuz, uma rota-chave para o fornecimento de
petróleo e gás natural liquefeito dos países do golfo Pérsico.
Depois
disso, os preços da energia começaram a
bater recordes. Em 9 de março, os preços do petróleo bruto Brent subiram acima
de US$ 119 (R$ 630) por barril pela primeira vez desde junho de 2022.
Fonte:
DW Brasil/Brasil 247/Sputnik Brasil

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