Brasilnomia
– o que mostra a experiência chinesa?
Este
texto é parte, agora em contraponto à China e sua Chinomia, do nosso preâmbulo
a uma Brasilnomia. Desta como uma via particular para o desenvolvimento do
país, e como particular paradigma de compreensão que lhe dê suporte. Isso em
resposta à nova conjuntura mundial e doméstica, quer dizer, à revolução global,
imperial, trumpista, de um lado, e à ameaça da extrema direita, no país, de
outro. Também como oportunidade, cobrança e até impulso para a referida via.
Nesse
contexto, a extraordinária ascensão da China se destaca como relevante fator
desencadeador do colapso da velha ordem global, e principal determinante para
um novo quadro que a mesma conjuntura pode prometer. Como um impressionante
caso de sucesso, que merece ser considerado com particular interesse prático e
teórico, o que não significa dizer como modelo, farol, mãe do Sul Global, ou
qualquer coisa do gênero.
O certo
é que a experiência chinesa, entre outras coisas, põe também o marxismo e o
socialismo, como tradicionalmente pensados, num rolo mais desafiador do que o
próprio colapso da URSS. Enquanto abre espaço para repensar o que Marx pode
significar, filosoficamente e materialmente, na prática. Para
eventualmente reconstruí-lo, ainda como um materialismo prático-histórico,
poiético, desde seu ponto zero. Como entendo, desde a sua dialética de
relações, artefatos e subjetivações, e sua tácita proposição de um generalizado
acesso, produtivo, criador, a meios e competências.
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I- Milagre Chinês, Revoluções e Vias Nacionais de Desenvolvimento Próprias
Para
pôr nosso assunto na ampla perspectiva que advogo para ele, recordo, com botas
de sete léguas, que a Europa foi, no século XIX, a primeira “China”, quero
dizer, a primeira “Oficina do Mundo”, propriamente global. Mais exatamente a
Inglaterra, que, junto com capitanear a revolução técnica e industrial, nas
condições sociais que todos sabemos, se impôs como potência imperial maior,
capitalista, sobre o planeta inteiro. Isso sobre a base do estágio anterior, da
primeira expansão ultramarina da Europa, da qual nasceu o Brasil. Aventureira e
conquistadora, principalmente portuguesa e espanhola, tampouco desprovida de
avanço técnico-científico, inclusive de origem extra-europeia. Ambos esses
estágios compreendendo constitutivamente o tráfico escravista e um violento
processo de acumulação primitiva. Compreendendo também mais movimentos, os
ditos de espírito, na religião, na arte, na ciência, na filosofia e na
política.
De tal
caminho fizeram parte o humanismo renascentista, cívico e criador, o resgate
filosófico da vita activa, mundana, o desenvolvimento da ideia
cristã de autonomia subjetiva, e o casamento de conhecimento científico e fazer
produtivo e criador. Um percurso no qual foram expoentes intelectuais:
Lutero, Maquiavel, Galileu, Da Vinci (engenheiro militar), Francis Bacon
(humanista clássico) e mais. Um percurso que adiante encontrou emblemática
expressão na famosa Enciclopédia dos filósofos da Revolução
Francesa, na verdade um portentoso Dicionário de ciências, artes e
ofícios, com mais instruções sobre metalurgia, hidráulica, maquinários
etc., para quem pudesse se valer delas, do que verbetes de filosofia. Sem falar
nos idealismos, romantismos e modernismos filosóficos europeus, da criação. Foi
sobre a base inteira dessa posição de Metrópole planetária que o milagre
europeu veio a construir, por muita luta também, sua conhecida democracia
afluente, de Locke, Rousseau, Stuart Mill. E, com Marx, Lassalle, Bernstein
etc., sua invejada social-democracia, hoje em franca dissolução pela crise do
privilégio material, global, de outros tempos. O que nos reconduz à China.
Com
efeito, nos dias de hoje e por outras vias, depois do seu “século de humilhação
[colonial]”, a oficina do mundo passou a ser a República Popular da
China, o antigo Império do Meio, que coloca nosso assunto,
desenvolvimento, em evidência, com seu avassalador sucesso industrial, agora
tecnologicamente superavançado. Uma extraordinária virada nacional, apelidada
de Chinomia (Chinomics) que se acompanha de outras viradas nacionais,
asiáticas, como significativas vias de construção nacional soberana de países
antes colonizados. Países de saída muito “atrasados”, predominantemente
agrários, semi-servis, com pouco de capitalismo e de indústria, que,
depois de revoluções vitoriosas, seguiram vias de acelerada acumulação,
industrialização, modernização. Sob comando e coordenação estatais,
unipartidárias, tratando de enfrentar, na hegemonizada ordem mundial, as
dificuldades de reformismos – anti-coloniais, anti-hegemônicos – “num só
país”.
Como a
China, a brava República Socialista do Vietnã, por ex., também virada
“oficina”, enveredou por uma via, semelhante, de acumulação de capital e de
intensivo desenvolvimento de suas forças produtivas. Por um considerável avanço
técnico-científico e uma generalizada qualificação e integração produtiva de
sua população. Isso junto com a introdução de novas relações materiais, novos
arranjos institucionais, e melhores modos de coordenação e administração de sua
produção. Compondo, depois de um período hard de estatização e
centralização, o que veio a ser sua Doi Moi, Renovação, também
herética do ponto de vista do marxismo/ comunismo tradicionais. Enquanto países
africanos, diga-se de passagem, também primeiro “ortodoxamente marxistas”, não
conseguiram algo parecido com suas respectivas “liberalizações”. Na Ásia, quem
também conseguiu um significativo desenvolvimento material, industrial,
técnico-científico, nesse caso sem “revolução” ou “comunismo”, foram a Coreia
do Sul, favorecida pelo Império Americano, mais recentemente a Índia, e em
certa medida também Indonésia e Filipinas. Embora o tenham feito por vias
tampouco (neo-)liberais, ortodoxas, mas, de novo, por vias próprias, nacionais.
A
propósito de milagres de crescimento não-comunistas, vale registrar o nosso, da
Ditadura de 64, de Delfim Netto, dos anos 1970, por uma via de modernização
conservadora, dependente, de início sem nacionalismo. Mesmo assim, uma via
situada na impressionante trilha aberta com Getúlio Vargas, nacionalista de
origem, de forte desenvolvimento industrial, com apoio estatal e
construcionismo institucional. O milagre de Delfim Netto foi, porém, de curto
fôlego, sem sustentação interiorizada, embora deixando ao País uma herança que
ainda hoje lhe acompanha: Embraer, Embrapa, Itaipu, Telebrás, Nuclebrás etc. Um
milagre que o lulopetismo, uma vez na presidência, no Pós-Ditadura, em seguida
ao seu aparentado, antigetulista, PSDB, de FHC, tentaria reeditar como “pibão”
e “espetáculo do crescimento”, com a Nova Matriz Econômica, de Dilma
Rouseff e Guido Mantega. Uma brasilnomia aparentemente fraca e limitada, para
cujo fracasso economistas como Laura Carvalho e Ha-Joon Chang oferecem
explicações plausíveis, que vale conhecer. A respeito da via de desenvolvimento
da Ditadura, assinale-se en passant que ela começa
sob o lema (de Juracy Magalhães) “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”,
para depois descobrir o nacional pelo caminho. A ponto de, com Ernesto Geisel,
Geisel, sermos praticamente o segundo país do mundo a reconhecer o regime comunista
de uma Angola ainda cheia de soldados cubanos.
Entrementes,
o milagre coreano, nosso concorrente, como o chinês, criou bases que não
criamos, para reagir aos dois choques de petróleo, do período. E desde então o
Brasil tem se mantido como, dos emergentes de algum peso, aquele materialmente
mais fraco e dependente, de crescimento depauperado, abaixo da média mundial,
mesmo da latino-americana. Enveredado por uma lamentável desindustrialização e
por reiterados “voos de galinha”, no essencial mantendo sua cara de “Belíndia”,
apelido, dos anos 70, para nosso perfil de “um pouco de Bélgica” com “muito de
Índia”, também cara de “ornitorrinco”, na metáfora de Chico de Oliveria. Como
último país grande em território e população, por isso também em mercado
interno e PIB, que não encontrou sua via de desenvolvimento próprio, integrado
e sustentável, ou que se perdeu dela. Último porque Canadá e Austrália p. ex.
não têm peso nem personalidade para, por uma emersão nacional, que na verdade
não lhes falta, introduzir algo de novo na atual mudança do mundo.
Em todo
caso, sublinhando a heterodoxia e a heresia da
República Popular da China, uma “república de engenheiros”, e de mais vias de
desenvolvimento dignas de nota, quero, na verdade, descartar a
cópia de “modelos” que pouco têm a ver com o Brasil, sem condições de
realização entre nós, mania habituada pelo nosso intelectualismo colonizado. E
me refiro aqui tanto a modelos realizados no mundo, dos
quais tratamos de “esquecer” as vias e circunstâncias de realização (há
quem escolha social-democracia para o Brasil, achando que isso
é que é ser realista e pragmático). Quanto me
refiro a modelos concebidos no mundo das ideias, por isso mesmo
dotados de incomparável completude e perfeição. Pois, quanto a estes, “o papel
aceita tudo”, como diz o povão em sua sofisticada sabedoria e superior
inteligência. Ao contrário, eu gostaria de destacar a
originalidade, ousadia e imaginação, o sacrifício também, das vias produtivas
trilhadas por países dependentes bem-sucedidos, v.g a China,
seu experimentalismo e pragmatismo. Uma heterodoxia e uma heresia, aliás,
antecipadas, vale lembrar, no próprio perfil de suas revoluções.
No caso
da Rússia, “elo mais fraco” e “atrasado” do capitalismo monopolista
metropolitano do seu tempo, digo, do imperialismo, a revolução começou pela
derrocada de seu tardio ancien régime, em meio ao desmantelo
do país na Primeira Guerra Mundial. E se consumou, como revolução
“operário-camponesa”, pela tomada insurreicional do poder por um
disciplinadíssimo partido único, francamente jacobino, de credo
marxista-comunista, mais monolítico do que ortodoxo. Para Gramsci, “uma
revolução feita contra O Capital”, quer dizer, contra a letra
da Teoria, isso sem falar na Nova Política Econômica de Lênin, de “capitalismo
temporário”. Enquanto a tomada do poder na China e no Vietnã, como mais algumas
outras, ditas comunistas, da periferia do mundo, foi resultado de “guerras de
libertação nacional”, de base popular amplamente rural, seguidas de
verdadeiras, “NEPs” estruturalmente diversificadas, nada temporárias,
indefinidamente estendidas no tempo.
Enquanto
isso, com a cabeça na Revolução Francesa, de 1789, e na Comuna de Paris, de
1871, e até, nos casos mais graves, em alguma comunidade originária, “fizemos”
no Brasil essas revoluções todas e mais outras tantas. Como insurreição russa,
como “foquismo” cubano (que não foi), como “cerco das cidades pelo campo” à
chinesa, como “linha de massa” nem tanto. Ou desistimos delas todas,
curiosamente também de reformismos materiais, estruturais,
por opções eurocomunistas e sociais-democratas. Isso sem falar no mais recente,
também importado, ativismo identitário e decolonial, como anticapitalismo
cultural, de fundamentação filosófica pós-estruturalista, que muda quase nada,
materialmente, para o País ou a massa da população.
Passando
ao que vem depois da revolução, chega a parecer que Marx e sua
crítica da economia política não tiveram muito a oferecer aos países
revolucionados, como via de sua construção, para além da fórmula geral da
conversão coletivista/estatista, sem mais, de capitalismo em socialismo.
Enquanto o que podemos concluir dos casos mencionados, da China em particular,
é que se fazem revoluções para fazerem-se reformas, de verdade, de reconstrução
nacional, institucional, includente. De tipo produtivo e republicano, de algo
como um rousseauísmo industrializado, para além tanto de Marx como de Locke. E
concluir que o pensamento, e mesmo a cultura política, de esquerda, de antes da
revolução, parece ter pouco a ver com o pensamento de quem se confronta com o
que fazer depois dela.
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II – Chinomia, Hibridismo Institucional, Reformismo Popular-Republicano
O
enunciado refundante, de Deng Xiaoping, foi, emblematicamente, o que pôs a
China na sua via chinômica: “Não interessa a cor do gato, mas
que cace o rato”. Uma tirada de alcance filosófico não explorado, que cobra
reconstruir uma teoria inteira. Que provoca o marxismo, como o gato de
Schroedinger provoca a teoria quântica, a dar melhor conta do que a realidade
põe ou demanda, para além de dogmatismos e relativismos. Ou será ainda o
materialismo prático, histórico, extraído do próprio Marx, que pode dar conta
de tudo isso? O certo é que o gato chinês parece pôr o marxismo num rolo maior
do que o colapso da URSS, e embaraçar a pergunta pela fidelidade doutrinal do
regime. Quer dizer, a pergunta escolástica por sua
verdadeira “essência”, em vez de por sua dinâmica e seus resultados,
econômicos, sociais, políticos, mesmo que apreciados por critérios qualitativos
e emancipatórios. Como uma pergunta “religiosa”, de cuja resposta se passa ou
não a uma adesão, ideologicamente empenhada, àquilo que nem se pode
conhecer e acompanhar tão bem, uma realidade que não é nossa e sobre a qual
não temos como agir.
A China
do gato de Deng não é neoliberalismo, mas tampouco sua Chinomia trata de
responder a algum ideal transcendental. Partindo de certa situação histórica,
periférica, muito particular, o país enfrentou o desafio de uma acumulação
forçada, e de uma intensiva absorção de tecnologia, com mão de obra barata,
entretanto cada vez mais qualificada, oferecida à exploração do capital
estrangeiro. Mas isso como via de construção nacional, a contrapelo da
manutenção de uma condição doméstica estruturalmente dependente e excludente, e
da reprodução/perpetuação de uma ordem mundial hegemonizada. Tolerou, sem
previdência social, uma desigualdade comparável à brasileira, junto com consumo
suntuário e formação de bilionários. Promoveu o desenvolvimento de uma numerosa
burguesia nacional, grande e pequena, fomentando tanto o cooperativismo quanto
o empreendedorismo. Fomentando privações seletivas, “corporatizações”
estratégicas, constituição de empresas de vilarejos e municípios. Pois, nessa
China, empresário é recurso e talento necessário – orientável pelo Estado para
o desenvolvimento nacional e o bem comum. Foi assim que o país tirou da
pobreza, produtivamente, definitivamente, por acesso produtivo a meios e
competências, 800 milhões de pessoas. E pôde anunciar, verdade que apenas meio
século depois da revolução, a eliminação da pobreza extrema, de pessoas e de
comunidades, em seu território.
Trata-se
de um percurso longo que compreende uma combinação de diferentes ethos (ethea):
comunal e cooperativo, tanto quanto individualista americano (sic), de
iniciativa, concorrência e mobilidade social. Incluindo o que da cultura
americana se considera mais capitalista, menos socialistamente resgatável: sua
parte business. Embora acolhido num arcabouço institucional
republicano, propriamente chinês, que inclui, culturalmente, confucionismo,
budismo e taoísmo. Em termos filosóficos hegelianos, trata-se de algo como a
integração de certa subjetividade, livre, ocidental, com o sentido de unidade e
permanência do chinês “Reino da Substância”. Constituindo um corpo político
digno do nome, sem “telos transcendental” e “fusionismo social” marxistas –
“comunistas finais”. Mesmo que confrontado por desafios e tensões sociais e
políticas potenciais, colhidos nesse processo, como aqueles trazidos pela
própria sofisticação, acelerada, schumpeteriana, de seu desenvolvimento. Um
corpo político constituído sobre uma ênfase num bem comum, temperado por uma
democracia não-liberal, funcional, marcada por descentralização, acompanhamento
e cobrança de resultados, também por algo de uma reminiscente, maoísta, “linha
de massa”.
De
outro lado, no percurso dessa gigantesca labuta de autoconstrução, vê-se que a
China, à frente de mais países do Sul Global, de fato acabou por contribuir
decisivamente para abalar a hegemonizada ordem econômica mundial, dominante
desde o Pós-Guerra. Por uma emersão de sentido multilateralista,
eventualmente também multimodalista (várias parcerias,
mais do que alianças fixadas). Forçando seus limites e já agora desenvolvendo
passos para além dela, pois isso tem a ver como relações de certo modo também materiais
e de produção. Quem sabe criando novas condições para mudanças progressistas
nacionais de outros países, na contramão do velho cerco imperial hegemonista.
Pela mudança de posição desses países na viciosa divisão internacional do
trabalho, por sua subida nas cadeias internacionais de geração de valor. Oxalá
também, associada a isso, pela incorporação de suas classes subalternizadas e
excluídas (características da condição periférica de dependência), num melhor
arranjo produtivo doméstico, democrático.
Ainda
nesse longo e laborioso percurso, a parte normativa de Marx, o teleológico
Ideal emancipatório, social-comunista, inscrito no movimento da História, não
foi realizado nem reconstruído. Parecendo mais deixado para trás do que
aproximado à frente, agora como que indefinidamente adiado, embora nem por isso
deixado sem consequências, políticas e ideológicas, no presente. Aparentemente,
o gato de Deng comeu o “ser genérico” de Marx, liberando de seu peso o
presente, embora talvez nem tanto. Em todo caso, mais ou menos em seu lugar, o
forte da China tornou-se, justificadamente, o nacionalismo, que, ainda sob Mao,
não por maldade, não hesitou em “rifar” a colega comunista, a URSS. “Queimada”
pela denúncia de social-imperialismo e pela sua teoria dos três mundos, que
fariam dela uma ameaça equivalente à dos EUA, senão pior. E fariam dos
EUA um aliado interesseiramente aproximado, mas também, em alguma medida, em
termos de ethos, habilmente assimilado.
Não
obstante tudo isso, para nós, no Brasil, creio que ainda vale marxianamente
perguntar: Que relações político-sociais, que novas formas de acesso a meios e
competências, que formas de apropriação, e de concertação da produção, podem
ser instrumentalmente mais “produtivas” e normativamente mais
“emancipatórias”? Mais conducentes a protagonismo, a autonomia e a
florescimento humano gerais, para as pessoas tanto quanto para a comunidade
nacional de que fazem parte? Senão relações socialistas ou comunistas diretamente
operantes ou impostas na produção e na distribuição, quais possíveis mediações
institucionais e políticas democrático-republicanas, também de algum modo
“materiais? Enquanto estas possam também compreender a moldura maior, de
uma integração cidadã, universal, no marco de um conjunto nacional republicano,
no qual as pessoas possam se achar e se fazer participantes e criadoras, de um
jeito que liberalismo e marxismo comumente não entendem ou valorizam?
Diante
disso e depois disso, o que cabe, finalmente, a países dependentes,
estruturalmente deformados, mas de desenvolvimento médio, países política e
economicamente mais ou menos modernizados, como o Brasil? Que, embora
“empacado”, ou até dando para trás em termos relativos, tem um nível de
renda per capita que a China apenas recentemente atingiu? E se, para esses
países, a revolução, nos velhos figurinos dos sécs. XVIII, XIX e XX, “por
desgraça”, já tiver passado? Será então um azar ser um país mais desenvolvido?
menos atrasado? não militarmente derrotado ou ocupado, de desenvolvimento
inconcluso? Ou talvez as vantagens de uma ditadura progressista ou de algum
despotismo esclarecido, “comunista”, estabelecido por via insurrecional, sejam,
afinal de contas, pelo menos no longo termo, controversas? Quem sabe a cor do
gato possa então nos interessar, de inéditas maneiras, para uma verdadeira
Brasilnomia, em termos de florescimento humano e de construção nacional
soberana. Vejamos.
Fonte: Por
José Crisóstomo de Souza, em Outras Palavras

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