terça-feira, 31 de março de 2026

Hormuz, Petróleo e Transição Energética: lições da Instabilidade Global para a América Latina

Ao completarmos o primeiro mês da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, o horizonte parece continuar sombrio, com poucas perspectivas positivas à vista. Na manhã de 28 de fevereiro de 2026, Teerã, Esfahan e Tabriz foram alvos centrais da chamada Operação Epic Fury, que atingiu centros de comando das forças iranianas, centrais políticas, hospitais, e até escolas. A resposta iraniana foi imediata, com bombardeios estratégicos contra ativos dos EUA no Golfo, rompendo a ilusão de que monarquias como Bahrein, Kuwait, EAU, Qatar e Arábia Saudita seriam oásis de paz e modernidade na região. Na manhã de domingo, confirmava-se o assassinato do líder supremo iraniano, Aiatolá Khamenei, e de vários membros do alto escalão político e militar. Apesar das confusas tentativas do presidente estadunidense Donald Trump de justificar a guerra, em 24 horas ficou claro que não se tratava de uma “guerra de necessidade”, nem apenas de novos ataques preventivos contra instalações nucleares, que ele próprio afirmou ter “obliterado” em junho de 2025. Trata-se de uma “guerra de escolha,” com um objetivo político explícito: resolver o “problema Irã” à raiz, derrubando a República Islâmica.

Para a cúpula do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Irã representa há muito tempo uma profunda ameaça a Israel. O regime dos aiatolás opõe-se à existência do Estado israelense, enquanto líderes iranianos e aliados regionais frequentemente o descrevem como um “câncer” na região, sobretudo por sua aliança com os Estados Unidos. Desde os primeiros relatórios da ONU, em 2002, que atestavam suspeitas sobre o programa nuclear iraniano, o lobby israelense tem articulado uma coalizão internacional contra sua continuidade, mesmo para fins civis, sob a convicção de que o Irã não é um ator confiável, incapaz de cumprir a promessa de não desenvolver capacidades para a bomba atômica. Esse esforço ganhou força na segunda metade dos anos 2000, com o apoio de monarquias sunitas como a Arábia Saudita e a Jordânia, temerosas da influência iraniana sobre populações xiitas na região. O maior revés para a coalizão ocorreu com o acordo JCPOA, em 2015, entre o Irã e o P5+1 (Estado Unidos, China, Rússia, Reino Unido, Franca e Alemanha). O pacto previa a remoção de sanções multilaterais, intensificadas por Barack Obama a partir de 2011, em troca de rigorosa fiscalização pela Agência Internacional de Energia Atômica. Ao que se sabe, o Irã, buscando recuperar sua economia em meio à queda dos preços do petróleo, cumpria os termos. Ainda assim, tendo comprado o discurso da coalizão liderada por Netanyahu ainda em pré-campanha, Trump retirou unilateralmente os EUA do acordo em 8 de maio de 2018, desestabilizando parceiros europeus e inviabilizando investimentos no Irã devido ao risco de sanções secundárias. Com o colapso do JCPOA, Teerã retomou seu programa nuclear, e o desdobramento desse processo já é conhecido.

Não está claro qual é o objetivo real de Trump com a atual intervenção no Irã, se é que há um. Especula-se que ele buscava repetir a lógica aplicada na Venezuela em 3 de janeiro de 2026: uma demonstração brande de força (e de desprezo pelo direito internacional) para substituir um inimigo por um ator disposto a negociar com Washington. Para Trump, pouco importa se Delcy Rodríguez é ou não chavista; trata-se de uma nova figura inserida com sucesso sob pressão do poder estadunidense. Ainda naquele fim de semana, fui questionada sobre a possibilidade de queda do regime iraniano após o assassinato da liderança. Minha resposta foi clara: derrubar regimes por bombardeio é historicamente difícil, forçar um recuo da cúpula do regime iraniano, relativamente bem organizada em um sistema de autoritarismo competitivo, é uma tarefa extremamente complexa. Apesar da superioridade técnico-militar dos EUA, o Irã se prepara há décadas para um conflito assimétrico. Seu objetivo não é destruir o inimigo, mas elevar, prolongar e difundir os custos do conflito, o que explica o rápido envolvimento regional, mesmo com Teerã afirmando que seus ataques visam ativos estadunidenses, e não outras nações regionais.

Qualquer especialista sabe que o Irã ameaça, há décadas, fechar o Estreito de Hormuz se pressionado, e que as Guardas Revolucionárias afirmam possuir essa capacidade por meio de minas, mísseis, drones, embarcações não tripuladas e lanchas rápidas. Sabe-se também que o país pode atingir centrais de eletricidade e, sobretudo, de dessalinização na região, além de acionar aliados Houthis no Iêmen para bloquear o tráfego no Estreito de Bab al-Mandab, riscos já sinalizados na terceira semana do conflito. Em contrapartida, Israel não demonstra recuo em sua campanha de assassinatos de lideranças iranianas, mantendo a pressão alta para o colapso interno do regime. Os EUA, por sua vez, oscilam entre retórica confusa, com Trump alegando conversar com fontes poderosas iranianas ao mesmo tempo em que ameaça destruir toda a produção de petróleo do país se Hormuz não for aberto imediatamente. Assim, nenhuma das partes parece próxima de seu limite, o que indica potencial de prolongamento e até de escalada do conflito. Apesar da proposta paquistanesa de sediar as negociações de cessar-fogo em Islamabad, nenhum ator parece disposto a ser o primeiro a ceder.

O Estreito de Hormuz, com apenas 56 quilômetros de largura, concentra cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima e um quinto do gás global. Diante das ameaças, milhares de navios interromperam suas rotas, e apenas alguns seguem transitando ou pagando por sua passagem. Obviamente, isso gerou pânico nos mercados: os preços do petróleo e do GNL dispararam, alimentando temores de uma crise energética comparável à dos anos 1970. A cada dia sem negociação, aumentam os riscos de inflação, desabastecimento e recessão em vários países. No Sri Lanka, por exemplo, as quartas-feiras foram transformadas em feriados públicos para conter o consumo de gás e petróleo, o que reflete a alta dependência de importações.

Para nós na América Latina, embora sem cenários extremos, os impactos serão sentidos para além da pressão sobre os preços do petróleo e do gás, com riscos de inflação e de desvalorização cambial frente ao dólar. O fechamento da rota já provoca disrupções logísticas, elevando os custos de frete e de seguros nas rotas às quais as cadeias produtivas são, de uma maneira ou outra, conectadas à região. Além de combustíveis, pelo estreito passam 33% dos insumos para fertilizantes, 45% dos sulfídios (essenciais para fosfato), 32% do metanol, 6% do açúcar, além de outros produtos que importamos. Países como Brasil e Argentina, grandes exportadores agrícolas, dependem desses insumos para a produção. A continuidade do conflito ameaça reduzir a produção, elevar a insegurança alimentar e encarecer os produtos ao consumidor final. Além disso, o Oriente Médio é um mercado estratégico para o agronegócio brasileiro: cerca de 30% do frango é exportado para a região, o Irã é o principal comprador de milho brasileiro, e o Brasil lidera a produção de carne halal. A continuidade do conflito afetará as estratégias de produção de vários setores nacionais.

Contudo, há quem veja, cinicamente, oportunidades para a região nesse conflito. Desde os anos 2000, a América Latina vem se consolidando como uma nova fronteira de exploração de recursos fósseis “não convencionais”. Isso não significa ausência histórica de produção de petróleo (o primeiro poço comercial na Venezuela opera desde 1922), mas sim uma transformação impulsionada por inovações tecnológicas: o pré-sal no Brasil descoberto em 2006, o shale de Vaca Muerta na Argentina anunciado em 2010 e as reservas offshore da Guiana em pré-exploração desde 2015, onde se estima uma produção de 650 mil barris/dia. Na contracorrente das pressões por descarbonização das economias mundiais para mitigar os impactos ambientais e o aquecimento global, a América Latina atingiu seu pico de produção de petróleo entre 2024 e 2025. Nesse contexto, a instabilidade no Oriente Médio e o risco de interrupções no fluxo energético global tornam a América Latina ainda mais atraente aos olhos cobiçosos de atores em busca de segurança energética a preços relativamente baixos.

Entretanto, isso deve ser visto como um alarme, não como uma vantagem. Para além da tragédia humana, com quase 2 mil mortos e diversas cidades destruídas, eu gostaria de apontar que a guerra expõe o entrelaçamento entre geopolítica e crise climática, mostrando que a transição para fontes renováveis deixou de ser agenda setorial e passou a ser condição mínima para a segurança econômica, energética e ambiental da humanidade. Em 8 de março, após bombardeios israelenses a depósitos de combustível, moradores de Teerã relataram nuvens tóxicas, e a OMS alertou para os graves impactos ambientais e à saúde desses ataques. Para quem compreende a urgência da contenção do aquecimento global, os efeitos de uma guerra centrada na destruição de infraestrutura energética são alarmantes: em vez de mitigar, estamos acelerando a crise climática.

O irônico é que as mesmas vozes que, por anos, disseram que a transição energética, da maneira como precisamos, seria cara demais, agora aceitam os absurdos custos diários da guerra e suas interrupções logísticas. A solução não deveria ser aumentar a exploração de recursos fósseis em regiões “mais seguras” ou onde há menos pontos de escoamento vulneráveis a bloqueios que explorem a dependência dos compradores. Já vimos em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e o preço do gás disparou na Europa, que políticos, empresas e stakeholders clamaram pela desaceleração das políticas de transição energética. Novos investimentos e revisões de compromissos climáticos em vários países, geraram lucros recordes e reabilitaram a indústria de combustíveis fósseis naquele ano. O risco de repetição desse cenário hoje é elevado, especialmente na América Latina.

Somos uma região com enorme potencial para energias renováveis e rica em minerais críticos para produção, transmissão e armazenamento dessas fontes. Quando ouvirmos que maior produção de petróleo, seja na socioambientalmente delicada Bacia Amazônica ou na recém-descoberta Bacia de Pelotas, é “essencial para a segurança energética global”, devemos perguntar: segurança para quem, a que custo e por quanto tempo? Controlar os ganhos de coalizões políticas negacionistas e a manipulação do discurso de segurança energética em prol dos interesses do petróleo e do gás será um dos maiores desafios da América Latina nos próximos anos. Esse dilema ganha contornos ainda mais graves diante de um presidente como Trump, que repete o lema “drill, baby, drill”, ao definir as Américas como “esfera prioritária de interesse estratégico dos Estados Unidos”, sinalizando possíveis tendências intervencionistas em defesa dos interesses de Washington, em explícita referência à Doutrina Monroe de 1823. Assim, que essa guerra pelo menos nos ensine que a verdadeira segurança energética dependerá de escolhas que priorizem sustentabilidade, autonomia e justiça socioambiental, e não apenas os lucros imediatos decorrentes de janelas oportunistas.

¨      O outro estreito crucial para a economia global que o Irã ameaça bloquear

Não se trata apenas do Estreito de Ormuz. Há um outro ponto estratégico no Oriente Médio — igualmente vital para os mercados globais de energia — que o Irã ameaça bloquear caso Donald Trump não ponha fim à guerra: o Estreito de Bab el-Mandeb.

Situado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, no Mar Vermelho, o estreito controla o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez e transporta cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo.

No último mês, a rota ganhou ainda mais importância ao se tornar uma alternativa para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, diante do fechamento do Estreito de Ormuz.

Na quinta-feira (26/3), a agência semioficial iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, informou que os houthis — grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã— estariam prontos para assumir o controle do estreito como parte do que chamam de "forças de resistência".

"Se houver necessidade de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb para punir ainda mais o inimigo, os heróis do Ansar Allah do Iêmen estão totalmente preparados para desempenhar um papel fundamental", disse uma fonte militar iraniana à agência, acrescentando que os houthis já provaram que fechar a rota "é uma tarefa fácil para eles".

No dia anterior, a mesma Tasnim já havia publicado uma advertência feita por uma fonte: "Se os americanos quiserem pensar em uma solução para o Estreito de Ormuz com medidas imprudentes, devem ter cuidado para não adicionar outro estreito aos seus problemas", disse a fonte, em referência à movimentação de tropas americanas na região.

Neste sábado (28/03), os houthis lançaram um ataque com mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra.

Segundo o grupo, o objetivo era atingir "alvos militares israelenses sensíveis". Israel confirmou ter interceptado um míssil lançado do Iêmen.

Antes mesmo do ataque deste sábado, o líder houthi Abdul Malik Al-Houthi já havia reforçado as ameaças sobre uma escalda, dizendo que o grupo responderia militarmente a ataques dos EUA e de Israel caso os desdobramentos da guerra exigissem, segundo noticiou a Bloomberg.

À Reuters, um outro dirigente houthi, em anonimato, afirmou que eles estão "militarmente prontos" para atacar o Estreito de Bab el-Mandab em apoio a Teerã.

"Estamos com todas as opções à nossa disposição. A decisão sobre o momento cabe à liderança, que acompanha os desdobramentos e definirá a hora certa de agir", declarou.

Após as ameaças, os Estados Unidos emitiram um alerta sobre a possibilidade de ataques de houthis no Estreito de Bab el-Mandab.

"Embora o grupo terrorista houthi não tenha atacado navios comerciais desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, os houthis continuam a representar uma ameaça aos ativos dos EUA, incluindo embarcações comerciais, nesta região", disse um aviso publicado pela Administração Marítima do Departamento de Transportes dos EUA na quinta-feira.

Em outros momentos, como durante a Guerra em Gaza, o Estreito de Bab el-Mandeb já foi alvo dos houthis, que bloquearam a rota atacando navios, usando drones e mísseis.

Mas um eventual bloqueio da passagem hoje agravaria a crise no mercado de energia, já pressionado pela situação no Estreito de Ormuz.

Ormuz se tornou um dos epicentros da guerra. A rota, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, está fechada, dificultando a passagem de navios na região.

A interrupção do transporte marítimo no Golfo fez os preços do petróleo Brent saltarem de cerca de US$ 70 (cerca de R$ 350) por barril antes do início da crise para mais de US$ 100 (aproximadamente R$ 500).

O comércio global de uma ampla gama de produtos — de bens de consumo a matérias-primas agrícolas — também está sendo afetado.

Por isso, a interrupção de mais uma rota marítima poderia elevar ainda mais os preços e intensificar o impacto econômico do conflito com o Irã.

<><> O 'portão de lágrimas'

Não é por acaso que Bab el-Mandeb significa "o portão das lágrimas" ou "o portão da dor" em árabe.

É uma referência aos perigos — desde correntes e ventos à pirataria e conflitos — que durante milênios perturbaram os marinheiros que transitavam pela entrada do Mar Vermelho vindos do Oceano Índico entre o Iêmen, o Djibuti e a Eritreia.

Alguns desses perigos permanecem até hoje.

Entre 2023 e 2025, navios comerciais de diversos países foram atacados no estreito pelo grupo houthi no Iêmen em resposta à guerra de Israel contra o Hamas em Gaza. Os ataques forçaram muitas empresas a desviar rotas pelo sul da África e só cessaram após um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Hamas em outubro de 2025.

Com 115 km de extensão e 36 km de largura, o Estreito de Bab el-Mandeb está em uma posição estratégica: ele liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden — e, por extensão, ao Oceano Índico.

Esta extensão de água ocupa um espaço fundamental no comércio, na cultura e também nos conflitos durante grande parte da história da civilização humana.

Seu valor comercial foi reconhecido desde o antigo Egito com expedições em busca de bens preciosos como incenso, ouro e animais exóticos, enquanto os romanos dependiam desta passagem para o comércio com a Índia e o Oriente.

E a partir da Idade Média, o Estreito de Mandeb consolidou-se como uma importante rota comercial de especiarias, têxteis e outros produtos, enriquecendo os impérios da época e posteriormente potências europeias como Portugal, Espanha e mais tarde o Império Britânico.

No entanto, foi a abertura do Canal de Suez em 1869 que fez de Bab el-Mandeb um local essencial para completar a rota marítima mais curta entre a Europa e a Ásia.

<><> Qual sua importância

O corredor do Mar Vermelho é um dos mais movimentados do mundo, transportando aproximadamente um quarto de todo o comércio marítimo do planeta.

Entre os bilhões de toneladas de carga que atravessam esta rota, passam diariamente cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo com origem em países do Médio Oriente e da Ásia e com destino ao Ocidente, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos.

Além disso, remessas globais de gás natural liquefeito (GNL) transitam por este estreito, tornando-o uma artéria vital para o fornecimento global de energia.

Desde o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, a rota ganhou ainda mais importância.

A Arábia Saudita passou a usar Bab el-Mandeb como passagem para o escoamento do petróleo saudita proveniente do porto de Yanbu. Riade envia milhões de barris de petróleo bruto por dia de seus campos orientais para lá através de um oleoduto.

Pelo estreito também passa parte significativa das exportações russas de petróleo com destino à Ásia.

Além do petróleo bruto e do gás, o Estreito de el-Mandeb faz parte da principal rota entre o Oriente e o Ocidente, com várias dezenas de navios de carga passando pelas suas águas todos os dias.

Por isso, caso a Irã bloqueie a via, isso pode ter efeitos imediatos nos preços mundiais destes recursos vitais.

<><> Acidentes, piratas e mísseis

Essa, contudo, não seria a primeira vez que um incidente nesta área afetaria o tráfego marítimo, gerando implicações importantes para o comércio mundial.

Por exemplo, em 2021, o navio cargueiro Ever Given, com bandeira do Panamá, encalhou no Canal de Suez, causando um bloqueio no corredor e criando estrangulamentos nas cadeias de abastecimento globais, com aumento de custos e atrasos na entrega de petróleo e produtos de todos os tipos.

Anteriormente, especialmente entre 2008 e 2012, o Estreito de Mandeb e seus arredores foram palco de numerosos ataques de piratas, principalmente da Somália, que sequestraram a tripulação dos navios para exigir dinheiro em troca da sua libertação, o que já levou a comunidade internacional, bem como as companhias marítimas, a reforçar a segurança.

Mais de uma década depois, a principal ameaça no estreito veio do extremo oposto, com ataques dos rebeldes houthis.

Após a invasão israelense de Gaza, em outubro de 2023, os houthis passaram a atacar embarcações no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, alegando solidariedade ao povo palestino e com o objetivo de pressionar Israel a aceitar um cessar-fogo.

De novembro de 2023 a janeiro de 2024, o grupo, sozinho, atacou mais de 100 navios comerciais com mísseis e drones, afundando duas embarcações e matando quatro marinheiros.

Embora os houthis alegassem mirar apenas navios com vínculos israelenses, os ataques foram amplamente descritos como indiscriminados, forçando algumas das maiores companhias marítimas e petrolíferas do mundo a suspender o trânsito pela rota.

No final de 2025, os incidentes praticamente cessaram em meio às negociações para o cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza — embora os houthis jamais tenham anunciado formalmente uma paralisação ou suspensão das operações.

Agora, com a guerra entre EUA, Israel e Irã, o grupo volta a ameaçar fechar o estreito — desta vez em um contexto ainda mais preocupante.

 

Fonte: Por Luíza Cerioli, para Le Monde/BBC News

 

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