Kassab
salta do barco bolsonarista
O
centro político começou a se afastar do bolsonarismo de forma mais visível.
O
movimento mais eloquente da semana veio de Gilberto Kassab e do Partido Social
Democrático.
Ao
mesmo tempo, Lula avança na montagem de alianças estaduais enquanto a direita
se divide entre disputas locais, impasses familiares e falta de rumo nacional.
Segundo
informações apuradas pela Folha de S.Paulo, Kassab sinalizou que o partido
caminha para uma definição própria sobre a disputa presidencial de 2026. A
legenda deve escolher entre os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do
Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás.
A
movimentação ganhou força logo após a desistência de Ratinho Junior, do Paraná,
de entrar agora na corrida pelo Palácio do Planalto. O recuo expôs, de forma
crua, as fissuras do campo conservador e a ausência de coesão entre seus
principais nomes regionais.
No caso
de Ratinho Junior, o fator decisivo foi a decisão do Partido Liberal de apoiar
a candidatura de Sergio Moro ao governo do Paraná. Ao ameaçar a sucessão local,
o partido mostrou que prefere conveniências imediatas a uma construção mais
estável e duradoura.
Esse
episódio ajuda a explicar por que antigos aliados começam a recalcular a rota.
Ao
rifar parceiros históricos em nome de arranjos eleitorais de curto prazo, o
bolsonarismo empurra o centro para fora de sua órbita. O resultado é um
isolamento crescente de um campo político que já enfrenta dificuldades para
produzir liderança institucional e programa minimamente consistente.
Kassab
percebe esse vazio e tenta ocupar o espaço com uma alternativa de direita menos
associada ao radicalismo dos últimos anos. Não se trata de adesão ao governo,
mas de um reposicionamento que reconhece o desgaste do bolsonarismo como eixo
organizador da oposição.
No meio
desse rearranjo, a situação jurídica de Jair Bolsonaro também alterou o
ambiente político. O Supremo Tribunal Federal autorizou prisão domiciliar, e o
ministro Alexandre de Moraes permitiu que o ex-presidente cumpra a medida em
casa para tratar uma broncopneumonia.
A
mudança no regime de detenção já provoca efeitos dentro do Partido Liberal e na
pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Interlocutores do grupo avaliam que a
presença física do ex-presidente em casa tende a ampliar o poder de decisão de
Michelle Bolsonaro.
Esse
novo protagonismo da ex-primeira-dama surge em meio à inelegibilidade e às
restrições impostas ao patriarca do clã. Em vez de reorganizar a direita, o
quadro pode aprofundar tensões internas e acirrar a disputa por influência
dentro da própria família e do partido.
A
oposição, portanto, enfrenta ao mesmo tempo um problema de liderança, um
problema de estratégia e um problema de coordenação territorial. Falta um nome
consensual, falta unidade entre os governadores e sobra conflito entre
interesses regionais e ambições nacionais.
Enquanto
isso, Lula trabalha em outra frequência.
O
Palácio do Planalto concentra esforços na costura de palanques em estados
estratégicos, com o objetivo de ampliar a base de sustentação do projeto de
reconstrução nacional. A lógica é simples: sem articulação regional sólida, a
governabilidade fica mais vulnerável e a disputa de 2026 se torna mais
imprevisível.
Lula
sabe que a estabilidade institucional depende de negociação fina com lideranças
locais e com partidos que integram a frente ampla. Por isso, a construção
política nos estados deixou de ser apenas um movimento eleitoral e passou a ser
parte central da estratégia de governo.
Esse
cálculo também responde ao cenário mais amplo da política brasileira. Com a
direita fragmentada, abre-se uma janela para consolidar alianças que antes
pareciam improváveis e para reduzir a influência de um discurso extremista em
regiões onde ele se enraizou com força.
Mesmo
sob pressão de setores da mídia tradicional, o governo tenta manter o foco na
entrega de políticas públicas e na defesa da soberania nacional. A aposta do
Planalto é que resultados concretos pesem mais do que o ruído político
permanente produzido pela oposição.
Nesse
contexto, episódios recentes envolvendo fraudes no Instituto Nacional do Seguro
Social e questões no setor bancário são tratados pelo governo como heranças de
desmandos anteriores. A gestão atual sustenta que, ao acionar órgãos de
controle para investigar e punir irregularidades, transforma passivos herdados
em ações de transparência institucional.
A
oposição tenta vincular esses problemas diretamente ao atual governo. Mas esse
discurso esbarra no fato de que as investigações avançam justamente porque as
instituições têm autonomia para agir.
Esse
ponto é politicamente relevante porque ajuda o Planalto a sustentar uma
narrativa de responsabilidade administrativa. Em vez de paralisar diante de
crises, o governo procura enquadrá-las como prova de que os mecanismos de
controle estão funcionando.
A
estabilidade buscada por Lula não se limita ao plano doméstico. Ela é
apresentada como condição para que o Brasil recupere protagonismo no Sul Global
e dentro do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
A mesma
lógica vale para a agenda econômica e social. Um país que pretende avançar em
reindustrialização, infraestrutura, tecnologia e transição energética precisa
de ambiente político menos contaminado por golpismo, sabotagem institucional e
guerras de facção.
Por
isso, o enfraquecimento do núcleo duro bolsonarista tem efeitos que vão além da
disputa entre partidos. Ele pode abrir espaço para uma reorganização do sistema
político em bases mais pragmáticas, ainda que marcadas por contradições e
disputas intensas.
O caso
do Partido Social Democrático é emblemático nesse sentido. Ao perceber o
desgaste do extremismo e o vazio programático da direita, Kassab tenta
posicionar sua legenda como polo próprio, menos dependente da família Bolsonaro
e mais atento ao humor do eleitorado moderado.
Para o
campo progressista, esse cenário oferece oportunidade, mas não garantia.
Fragmentação do adversário ajuda, porém não substitui articulação, entrega de
resultados e capacidade de manter unida uma coalizão ampla e heterogênea.
As
próximas semanas devem mostrar até onde vai o afastamento do centro em relação
ao bolsonarismo. Se a tendência se confirmar, Lula chegará mais forte na
disputa pelos estados, e a direita terá de decidir se continua presa ao passado
ou se tenta, tardiamente, inventar outro caminho.
• Candidatura de Caiado ganha força no PSD
e pode tirar votos de Flávio Bolsonaro
O
governador de Goiás, Ronaldo Caiado, desponta como principal nome do PSD para a
disputa presidencial de 2026, após a desistência do governador do Paraná,
Ratinho Junior. A movimentação interna da legenda indica o início de uma
pré-campanha com desafios significativos, especialmente diante do baixo
desempenho inicial nas pesquisas e da necessidade de ampliar seu alcance
eleitoral.Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a definição por
Caiado já teria sido consolidada dentro do partido, embora ainda não
oficializada publicamente. A escolha foi confirmada por integrantes da cúpula
da sigla, como o ex-governador de Santa Catarina Jorge Bornhausen, que afirmou:
“A comissão por unanimidade escolheu Caiado”.
<><>
Discurso de segurança e força no agronegócio
Aliados
do governador goiano avaliam que ele reúne atributos capazes de atrair
eleitores, sobretudo pelo discurso centrado na segurança pública. Caiado
pretende destacar sua gestão em Goiás, onde afirma ter reduzido a
criminalidade, defendendo a possibilidade de replicar esse modelo em âmbito
nacional.
Outro
ponto forte de sua candidatura está no agronegócio, setor no qual possui
histórico de atuação e influência. A estratégia busca consolidar apoio entre
produtores rurais, especialmente em um cenário onde há resistência a outros
nomes da direita nesse segmento.
<><>
Desafio: disputar votos com Flávio Bolsonaro
Apesar
dos trunfos, o principal obstáculo para Caiado será conquistar eleitores que
hoje se identificam com o bolsonarismo, especialmente os que tendem a apoiar
Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O
cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV EAESP, avalia que Caiado deve
adotar uma linha mais ideológica: “Tende a se apresentar com narrativa até mais
radical do que Flávio Bolsonaro, que está tentando se apresentar como
moderado”. Isto pode reduzir os votos de Flávio Bolsonaro no eleitorado da
extrema-direita.
<><>
Cenário local favorece Caiado
No
plano regional, Caiado conta com maior estabilidade política. Seu aliado e
vice-governador, Daniel Vilela (MDB), lidera as pesquisas para a sucessão em
Goiás, o que garante ao governador um ambiente favorável.
Além
disso, Caiado apresenta altos índices de aprovação — 88% segundo levantamento
da Quaest em agosto do ano passado —, fator que pode impulsionar seu desempenho
no estado durante a eleição presidencial.
<><>
Próximos passos do PSD
Enquanto
o partido avança na definição de sua estratégia, o presidente da sigla,
Gilberto Kassab, mantém diálogo com outras lideranças, incluindo Eduardo Leite,
que ainda figura como alternativa interna.
A
decisão final deve consolidar a entrada do PSD na disputa presidencial com
candidatura própria, algo inédito na história recente da legenda, mas que
exigirá forte articulação para superar a concorrência dentro do campo da
direita e ampliar sua presença nacional.
• Estratégia de Caiado contraria aliados
de Flávio e mira disputa entre a direita
Aliados
do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a possível entrada do
governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), na disputa presidencial de 2026 pode
favorecer o campo bolsonarista, sobretudo por seu perfil considerado mais
combativo em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A leitura,
no entanto, é contestada por análises recentes que apontam uma estratégia
distinta por parte do governador, segundo informações publicadas pelo jornal O
Globo.
A
movimentação de Caiado não estaria centrada prioritariamente no enfrentamento a
Lula, como defendem interlocutores de Flávio, mas sim em uma disputa direta com
o próprio senador. A estratégia do governador goiano seria ampliar sua presença
eleitoral a partir do confronto com o nome ligado ao bolsonarismo, buscando
ocupar espaço dentro do campo da direita.
Levantamentos
realizados pela consultoria GPP indicam que Caiado, embora posicionado à
direita, apresenta maior capacidade de diálogo com o eleitorado de centro em
comparação com outros possíveis candidatos do espectro político. Esse fator é
considerado central para sua estratégia, que inclui a possibilidade de atrair
votos atualmente associados a Flávio Bolsonaro, ampliando sua competitividade
no cenário eleitoral.
Os
dados também revelam diferenças relevantes na percepção pública entre os dois
políticos. Caiado é visto como um nome com atributos de honestidade,
experiência administrativa e liderança no agronegócio. Já Flávio Bolsonaro
enfrenta avaliações negativas nesses mesmos quesitos, o que, segundo a análise,
pode favorecer o governador de Goiás na tentativa de expandir sua base
eleitoral.
Apesar
das vantagens apontadas, a estratégia de Caiado envolve riscos políticos. Para
se consolidar como uma alternativa competitiva, o governador teria que adotar
uma postura de enfrentamento direto a Flávio Bolsonaro, o que pode gerar
tensões dentro do próprio campo da direita. Isso ocorre porque Caiado mantém
histórico de alinhamento com o bolsonarismo, e um eventual embate pode ser
interpretado como uma contradição por parte do eleitorado.
Nesse
contexto, o cenário para 2026 se desenha mais complexo do que a avaliação
inicial de aliados de Flávio sugere, com disputas internas no campo conservador
ganhando peso e potencial para redefinir alianças e estratégias eleitorais nos
próximos meses.
<><>
Kassab entrega cargo no governo Tarcísio para se dedicar à campanha eleitoral
deste ano
O
presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou nesta quarta-feira (25)
sua saída do secretariado do governo de São Paulo. Em postagem publicada em seu
perfil no Instagram, Kassab comunicou que deixou o cargo de secretário de
Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo em razão das demandas
crescentes da agenda eleitoral que se aproxima. A decisão marca o encerramento
de uma passagem que durou desde o primeiro dia do mandato do governador
Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Conforme
o próprio Kassab explicou em sua publicação no Instagram, a acumulação das
funções de secretário estadual com as obrigações partidárias e eleitorais de
2026 tornou-se insustentável. "Diante das intensas atividades nos campos
partidário e eleitoral que se apresentam no calendário político de 2026, com
eleições para presidente, governadores, senadores e deputados em outubro, a
minha atuação como secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de
São Paulo torna-se incompatível com minha atividade política e eleitoral neste
período", justificou o dirigente partidário.
<><>
Apoio a Tarcísio
Ao se
despedir do cargo, Kassab aproveitou o espaço para fazer um balanço elogioso da
gestão Tarcísio de Freitas à frente do governo paulista. O presidente do PSD
relembrou que a sigla foi uma das forças políticas que apostaram na candidatura
do então candidato em 2022. "Em 2022 o PSD tomou a acertada decisão de
apoiar a candidatura do Tarcísio, pois ficava claro que ele era o mais
preparado para adotar as medidas, implementar os projetos e ações que o Estado
de São Paulo demandava para seguir e intensificar seu desenvolvimento",
afirmou.
Na
avaliação de Kassab, o governo encerra o ciclo de quatro anos com um saldo
amplamente positivo. "Seu governo chega, quatro anos depois, repleto de
realizações e notáveis avanços em todos os setores, como Saúde, Educação,
Saneamento, Infraestrutura, Mobilidade, Segurança, Habitação, entre
outros", destacou o político.
A saída
de Kassab do secretariado não significa um afastamento político do governador —
muito pelo contrário. Em sua mensagem, o presidente do PSD deixou claro que a
legenda estará ao lado de Tarcísio de Freitas na disputa pela reeleição ao
Palácio dos Bandeirantes. "O êxito alcançado em todos os setores ao longo
desses quatro anos credencia o governador e seu governo a postular uma
recondução, que tem o apoio do PSD, como ocorreu quando da sua eleição",
declarou Kassab, agradecendo ainda pelo que chamou de "privilégio" de
ter integrado o secretariado e contribuído com a gestão estadual.
<><>
Agradecimentos
No
texto publicado nas redes sociais, Kassab também reservou palavras de
reconhecimento aos colegas que dividiram o secretariado ao longo dos últimos
quatro anos. "Deixo o meu abraço e gratidão aos meus colegas de
secretariado pelas parcerias e solidariedade permanente, desejando a todos
muito êxito em suas missões", escreveu.
O
dirigente do PSD ainda cumprimentou lideranças do partido em São Paulo, citando
nominalmente Alda Marco Antonio, Alfredo Cotait e Guilherme Afif Domingos pela
"confiança contínua" a ele dispensada ao longo de sua trajetória.
Por
fim, Kassab prestou uma homenagem póstuma ao ex-deputado e ex-ministro Antonio
Delfim Netto, descrito como um amigo de longa data e figura influente em sua
carreira política. "Registro um agradecimento póstumo ao sempre deputado e
ministro Antonio Delfim Netto, um amigo da minha família, meu eleitor em
diversas oportunidades e conselheiro em muitas decisões ao longo da minha
carreira. Delfim foi o primeiro que me sinalizou da importância de eleger
Tarcísio governador de São Paulo", concluiu Kassab.
Fonte:
O Cafezinho/Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário