sexta-feira, 27 de março de 2026

Trump leva Oriente Médio a crise profunda e risco de guerra ampla

A escalada militar liderada por Donald Trump contra a República Islâmica do Irã abriu um dos momentos mais perigosos da geopolítica neste início de 2026.

Desde o fim de fevereiro, Estados Unidos e Israel conduzem uma ofensiva coordenada que, segundo a leitura apresentada no rascunho, atropela normas do direito internacional e a soberania nacional iraniana. As informações reunidas pela Al Jazeera mostram um presidente norte-americano oscilando entre promessas de vitória rápida e ameaças de destruição total, num vaivém que expõe contradição e instabilidade no centro do comando militar mais poderoso do planeta. O conflito, nesse quadro, não aparece como episódio isolado, mas como parte de uma disputa mais ampla pelo redesenho da ordem internacional. A pressão sobre o Irã surge no momento em que o Sul Global amplia peso político, econômico e diplomático, reduzindo a margem de manobra de Washington.

O Irã ocupa posição central nesse tabuleiro por reunir valor estratégico regional e articulação crescente com polos emergentes de poder. No rascunho, o país é descrito como símbolo de resistência e parceiro relevante dentro do bloco dos BRICS, o que ajuda a explicar por que se tornou alvo prioritário da ofensiva. Israel, por sua vez, aparece como peça operacional decisiva dessa engrenagem militar. A aliança entre Trump e o gabinete israelense é apresentada como tentativa de impor pela força uma nova correlação de forças no Oriente Médio, com alto custo humano e político. A disputa de narrativas já começou, e ela é parte essencial da guerra.

Enquanto grandes veículos ocidentais tendem a enquadrar a ofensiva como resposta defensiva, o rascunho sustenta que os fatos apontam para uma agressão deliberada contra um Estado soberano. Nessa interpretação, o Irã exerce o direito de defender seu território e sua população diante de ataques externos com objetivos geopolíticos e econômicos. As próprias falas de Trump reforçam a sensação de improviso estratégico. Em discursos e publicações nas redes sociais, o presidente alterna triunfalismo e ameaça máxima, como se a propaganda pudesse substituir a realidade militar no terreno. O resultado é uma comunicação errática, incapaz de esclarecer objetivos, limites e duração da campanha. Essa contradição também sugere pressões internas nos Estados Unidos.

A Casa Branca tenta projetar controle, mas o discurso vacilante indica dificuldades para sustentar apoio político e diplomático a uma nova aventura militar no Oriente Médio. O custo dessa escolha pode crescer rapidamente, sobretudo se a guerra se prolongar ou ampliar o número de atores diretamente envolvidos. No plano internacional, a resistência à ação unilateral já aparece com nitidez.

Segundo o rascunho, países do Sul Global e potências como China e Rússia manifestaram repúdio à ofensiva liderada por Washington. Esse dado é relevante porque mostra que o ambiente global já não é o mesmo das guerras lançadas sob hegemonia incontestada dos Estados Unidos. A reação internacional importa também para medir o alcance real da escalada.

Um ataque ao Irã não se limita às fronteiras iranianas, nem pode ser lido apenas como disputa bilateral entre governos. Ele atinge uma arquitetura mais ampla de cooperação, segurança e comércio que conecta o Oriente Médio a centros decisivos da nova ordem multipolar. É nesse ponto que o conflito deixa de ser regional e passa a afetar diretamente países como o Brasil.

A instabilidade no Golfo Pérsico pressiona preços globais de energia e compromete rotas comerciais estratégicas para a economia mundial. Para um país dependente da estabilidade externa para planejar crescimento, inflação e abastecimento, o impacto pode ser imediato. Por isso, a posição brasileira ganha peso político além da retórica.

Lula tem defendido historicamente a solução diplomática e o respeito à autodeterminação dos povos, e esse histórico se torna ainda mais relevante diante da escalada atual. O Brasil, nesse contexto, é chamado a reforçar a defesa do cessar-fogo, da negociação e do papel das Nações Unidas como espaço de mediação.

A crise também desloca o foco de outra tragédia em curso.

O rascunho sustenta que a guerra contra o Irã ajuda a desviar a atenção internacional do genocídio na Palestina, onde a população civil segue submetida à violência da ocupação israelense. Ao ampliar o teatro do conflito, os agressores tentam normalizar a guerra permanente como instrumento de política externa. Essa conexão não é lateral, mas estrutural.

A expansão do confronto regional cria uma cortina de fumaça conveniente para diluir responsabilidades e fragmentar a indignação internacional. Ao mesmo tempo, transforma a exceção em regra e consolida a ideia de que a força militar pode substituir qualquer limite jurídico ou diplomático. O ponto central, portanto, não é apenas o destino imediato do Irã. O que está em disputa é a possibilidade de um sistema internacional menos concentrado em Washington e mais distribuído entre vários polos de poder. Quando o Irã é atacado, o recado não se dirige apenas a Teerã, mas a todos os atores que apostam numa ordem multipolar.

A história recente oferece motivos suficientes para desconfiar das justificativas de guerra. Intervenções vendidas como operações cirúrgicas, defensivas ou moralmente necessárias já produziram destruição em massa, caos regional e décadas de instabilidade. O rascunho lembra, com razão, que guerras de agressão baseadas em interesses estratégicos e corporativos raramente entregam o desfecho prometido por seus formuladores. Também por isso a reação do Sul Global será decisiva.

Se a resposta internacional se limitar a notas protocolares, a escalada pode abrir precedente ainda mais perigoso para novas ações unilaterais. Se houver pressão diplomática consistente, o custo político da guerra aumenta e a margem para contenção pode se ampliar. Isso significa observar declarações oficiais, movimentos militares e reações internacionais sem reproduzir de forma acrítica a narrativa de guerra construída por Washington e seus aliados. Em momentos assim, a disputa pela verdade é parte inseparável da disputa pelo futuro.

A integridade territorial do Irã, nesse sentido, ultrapassa o interesse nacional iraniano e toca um debate mais amplo sobre o direito dos povos à autodeterminação. O desfecho dessa escalada ajudará a medir até onde vai a capacidade de contenção da diplomacia e até onde os Estados Unidos ainda conseguem impor, pela força, uma ordem que já dá sinais de esgotamento. Seguiremos monitorando os próximos passos da Casa Branca, de Israel, do governo iraniano e das principais potências envolvidas. A paz no Oriente Médio dependerá menos da retórica bélica e mais da capacidade internacional de frear a lógica da agressão antes que o abismo engula toda a região.

¨      O Golfo entrou na guerra

A guerra contra o Irã deixou de ser um confronto circunscrito e passou a ameaçar diretamente o coração energético e logístico do planeta. Em Genebra, países do Golfo acusaram Teerã de violar sua soberania e levar a guerra para territórios que não participam diretamente das hostilidades. O alerta da ONU elevou ainda mais o tom ao apontar o risco de uma catástrofe regional de grandes proporções.

Segundo reportagem da Al Jazeera, representantes de Arábia Saudita, Catar e Kuwait afirmaram no Conselho de Direitos Humanos que ataques iranianos atingiram seus territórios. A mensagem levada ao organismo internacional foi inequívoca: a escalada já ameaça a segurança regional e direitos básicos da população. O ponto central não é apenas militar. O conflito avança sobre rotas energéticas, infraestrutura civil e sobre a estabilidade de uma das regiões mais estratégicas do sistema internacional.

A fala mais dura veio do representante saudita, Abdulmohsen Majed bin Khothaila. Ele afirmou que ataques contra países vizinhos e mediadores corroem qualquer tentativa de negociação e violam princípios elementares do direito internacional.

A posição do Catar chamou atenção pelo foco em infraestrutura crítica. A representante Hend bint Abd al-Rahman al-Muftah afirmou que ataques a usinas de eletricidade e dessalinização produzem efeitos humanos e ambientais severos, sobretudo numa região em que o acesso à água depende fortemente dessas instalações. Esse detalhe é decisivo para entender a gravidade do momento. No Golfo, energia, água e logística não funcionam como setores isolados, mas como uma engrenagem única, altamente sensível a choques e sabotagens.

Quando uma usina é atingida, o problema não fica restrito ao fornecimento de eletricidade. Ele pode comprometer o abastecimento de água, pressionar cadeias de transporte, elevar custos e espalhar insegurança econômica em ritmo acelerado. O Catar também demonstrou preocupação com o fechamento de fato do Estreito de Ormuz. Trata-se de uma das passagens marítimas mais sensíveis do mundo, por onde escoa parcela relevante do petróleo e do gás comercializados internacionalmente. Se essa rota continuar sob pressão, o impacto não ficará confinado ao Oriente Médio. O encarecimento dos fretes, a volatilidade do petróleo e a insegurança nas cadeias de suprimento podem atingir economias importadoras e exportadoras em todos os continentes, inclusive o Brasil.

O embaixador do Kuwait, Naser Abdullah Alhayen, foi na mesma direção e descreveu o momento como uma ameaça existencial à segurança regional e internacional. A escolha dessa expressão não é banal, porque indica que governos do Golfo já enxergam a guerra como fator de desorganização estrutural, e não apenas como uma crise passageira. Ao mesmo tempo, o alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Volker Turk, fez um alerta de enorme peso institucional. Segundo ele, o Oriente Médio se aproxima de uma catástrofe sem controle, num cenário cada vez mais imprevisível e perigoso. A declaração recoloca o foco onde ele precisa estar. O centro do problema não é apenas a troca de ataques entre Estados, mas a combinação explosiva entre devastação humanitária, risco econômico e colapso diplomático.

É importante situar esse episódio dentro de um quadro mais amplo. A guerra atual não surgiu no vazio e tampouco pode ser lida apenas pela lente da reação imediata entre governos. A escalada está ligada ao padrão de militarização imposto há décadas ao Oriente Médio. Também se conecta à proteção incondicional oferecida por Washington a Israel e à recusa persistente das potências ocidentais em construir uma arquitetura de segurança equilibrada para a região. Quando os Estados Unidos apostam na força e na intimidação como linguagem principal, o resultado costuma ser o alargamento do conflito. Em vez de contenção, produz-se um ambiente em que cada novo ataque abre espaço para respostas mais amplas e mais perigosas.

Nesse tabuleiro, os países do Golfo tentam impedir que seus territórios se transformem em zona de repercussão direta da guerra. A leitura de analistas ouvidos pela Al Jazeera é que essas monarquias querem um lugar efetivo na mesa de negociação entre Washington e Teerã. Essa movimentação faz sentido político e estratégico. Se o Irã exigirá garantias de segurança diante da pressão militar de Estados Unidos e Israel, os países do Golfo também querem garantias de que não serão alvos nem reféns colaterais de uma disputa maior. Há, portanto, uma disputa diplomática em curso que vai além da condenação formal aos ataques. O que está em jogo é quem terá voz na tentativa de preservar o mínimo de previsibilidade ainda existente numa região atravessada por rivalidades, bases militares, rotas vitais e infraestrutura concentrada.

Mesmo que o volume de ataques tenha diminuído nos últimos dias, como relatou a Al Jazeera a partir de Dubai, a vulnerabilidade segue elevada. Em áreas desse tipo, uma ação limitada pode produzir efeitos desproporcionais sobre energia, água, transporte, seguros e mercado financeiro. Esse é o tipo de crise que começa com mísseis e rapidamente se converte em choque de preços, incerteza comercial e tensão política internacional. O Golfo sabe disso porque vive sobre uma arquitetura de riqueza e fragilidade ao mesmo tempo.

Para o Brasil, essa crise importa por mais de um motivo. O primeiro é econômico, já que qualquer choque prolongado no petróleo e nas rotas marítimas afeta inflação, custos logísticos e comércio exterior. O segundo motivo é geopolítico. O Brasil defende uma ordem multipolar baseada em direito internacional, negociação e soberania, e por isso tem interesse direto em conter aventuras militares que aprofundam o caos e enfraquecem mecanismos multilaterais. Há ainda uma terceira razão, de natureza estratégica. Num mundo em transição, com os países do Sul Global ganhando peso, crises desse porte mostram como é urgente construir canais de mediação menos subordinados à lógica de guerra das potências atlânticas.

A reunião em Genebra revelou justamente essa mudança de escala. O conflito já ultrapassou o campo de batalha e entrou de vez no terreno da segurança energética, da diplomacia regional e da disputa sobre quem participará da reorganização do Oriente Médio. Se prevalecer a lógica militar patrocinada pelo eixo Estados Unidos-Israel, o risco é de uma explosão ainda maior. Se houver espaço para mediação real, inclusive com participação mais ativa de atores regionais e do Sul Global, ainda existe chance de evitar que a guerra empurre o planeta para mais uma crise sistêmica. No momento, o sinal vindo de Genebra é claro e incômodo. O Golfo quer ser ouvido, as Nações Unidas veem o abismo se aproximando e o mundo inteiro já começou a pagar o preço de uma escalada que poderia ter sido evitada.

¨      Netanyahu usa relatórios alarmistas para arrastar a Europa contra o Irã

Israel intensificou sua ofensiva diplomática para convencer governos europeus de que o Irã representa uma ameaça militar direta ao continente. Segundo informações divulgadas pela Al Jazeera, autoridades israelenses passaram a usar relatórios alarmistas para sustentar a tese de um perigo imediato vindo de Teerã. O objetivo político é claro: arrastar a Europa para uma escalada contra o Irã em um momento de crescente desgaste internacional de Israel por causa da guerra em Gaza.

A narrativa apresentada por Tel Aviv afirma que o programa de mísseis iraniano teria capacidade de alcançar cidades como Londres, Paris e Berlim. Com isso, busca-se produzir um ambiente de medo que facilite a defesa de ações militares preventivas.

A operação retórica lembra um roteiro já conhecido da política internacional recente. Antes da invasão do Iraque, em 2003, os Estados Unidos e seus aliados também recorreram ao discurso das armas de destruição em massa para justificar uma guerra devastadora. A comparação não é casual, porque o mecanismo político é semelhante. Primeiro se constrói uma ameaça absoluta, depois se exige alinhamento automático em nome da segurança coletiva.

Para analistas do Sul Global, a nova investida israelense também cumpre outra função: desviar o foco dos crimes de guerra denunciados na Faixa de Gaza. À medida que cresce o isolamento diplomático de Israel, a demonização do Irã aparece como instrumento de reposicionamento estratégico para o governo de Benjamin Netanyahu. A Al Jazeera destaca que Israel tenta apresentar o Irã como um ator irracional e imprevisível. Essa imagem, porém, entra em choque com a postura pública de Teerã, que insiste em definir seu aparato militar como defensivo e voltado à dissuasão diante de ameaças externas.

O Irã ampliou sua capacidade tecnológica e militar nos últimos anos em um ambiente de pressão permanente de Washington e Tel Aviv. Para seus dirigentes, esse avanço é uma condição de sobrevivência regional, não um plano de agressão contra a Europa. Esse ponto é central para entender a disputa narrativa em curso. Não se trata apenas de armamentos, mas da tentativa de enquadrar o Irã como inimigo universal para facilitar sanções, isolamento e, no limite, guerra aberta.

Para o Brasil, e para forças políticas que defendem uma ordem internacional menos subordinada ao eixo atlântico, a manobra é especialmente perigosa. Uma explosão militar de grandes proporções no Oriente Médio teria efeito imediato sobre energia, alimentos, cadeias logísticas e inflação global. O impacto recairia com mais força sobre países em desenvolvimento, que já enfrentam vulnerabilidades externas e dependência de importações estratégicas. Em outras palavras, uma guerra vendida como defesa da Europa poderia cobrar sua conta mais pesada justamente do Sul Global. Nesse contexto, a posição defendida pelo presidente Lula ganha peso político. O governo brasileiro vem sustentando que a saída para os conflitos no Oriente Médio passa pelo diálogo, pelo respeito ao direito internacional e pela recusa da lógica de força como método de reorganização regional.

A pressão israelense sobre a Europa caminha na direção oposta. Em vez de reduzir tensões, ela tenta ampliar o campo do conflito por meio de uma chantagem geopolítica baseada em cenários de medo ainda não comprovados por evidências públicas conclusivas. A vulnerabilidade europeia a esse tipo de discurso não surgiu agora. Ao longo de décadas, parte importante das elites do continente aceitou alinhar sua política externa aos interesses estratégicos dos Estados Unidos e de Israel, mesmo quando esse alinhamento implicava custos econômicos, energéticos e de segurança para a própria Europa. Esse padrão, no entanto, começa a ser questionado por setores dissidentes dentro do próprio continente. Cresce a percepção de que entrar em mais uma aventura militar no Oriente Médio pode significar sacrificar estabilidade interna, autonomia diplomática e interesse nacional em nome de agendas formuladas fora da Europa. Há ainda um fator estrutural que ajuda a explicar a intensidade da campanha contra Teerã. O Irã aprofundou sua aproximação com os Brics e com a China, buscando ampliar margens de manobra econômica e política diante do cerco ocidental.

Essa inserção em um arranjo internacional mais multipolar incomoda potências acostumadas a operar sob hegemonia quase incontestada. O problema, para esses centros de poder, não é apenas o programa militar iraniano, mas a possibilidade de consolidação de polos soberanos capazes de escapar à disciplina do Ocidente. Por isso, a opinião pública brasileira precisa olhar com cautela para notícias sobre supostos planos iranianos de atacar a Europa. Até aqui, o que aparece com mais nitidez é uma disputa de propaganda, na qual o medo funciona como ferramenta para moldar consentimento político e preparar terreno para novas agressões. Também é preciso lembrar um dado frequentemente omitido no noticiário ocidental. Israel é amplamente apontado como a única potência nuclear da região e nunca aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, enquanto cobra restrições severas sobre os programas de seus vizinhos. Essa assimetria ajuda a explicar a acusação de hipocrisia feita por críticos da política israelense. Tolera-se um arsenal atômico mantido em opacidade, ao mesmo tempo que se transforma em ameaça existencial qualquer capacidade defensiva desenvolvida por países adversários.

No centro de tudo está uma disputa maior sobre soberania, poder e narrativa. O que Israel tenta vender à Europa não é apenas um diagnóstico de segurança, mas uma moldura política destinada a reordenar alianças, recuperar legitimidade e manter a pressão sobre um adversário estratégico. Para o Brasil, a resposta mais consequente continua sendo a defesa firme da paz, da multipolaridade e do direito internacional. Em um mundo cada vez mais tensionado, recusar campanhas de pânico e exigir provas concretas antes de qualquer escalada não é ingenuidade, mas responsabilidade histórica.

 

Fonte: O Cafezinho/Diálogos do Sul Global

 

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