Senado
aprova criminalização da misoginia; o que acontece agora
O
Senado aprovou na terça-feira (24/03) um projeto de lei que criminaliza a
prática da misoginia e a torna crime equivalente ao de racismo.
O
texto, aprovado por unanimidade na Casa, define misoginia como "a conduta
que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do
gênero masculino".
Com
isso, propõe alterar a Lei do Racismo para tipificar a misoginia como crime de
discriminação. As penas relativas ao crime variam de 2 a 5 anos de reclusão,
além de multa.
Pelo
texto, estarão sujeitas a essas regras, por exemplo, a injúria ou ofensa à
dignidade ou ao decoro em razão de misoginia, e a prática, indução ou incitação
à discriminação ou preconceito por razões misóginas, com pena de um a três anos
de reclusão, e multa.
O PL
896/2023 é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e relatado pela
senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).
A
proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
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O que acontece agora?
Aprovado
em outubro do ano passado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do
Senado, o PL 896 de 2023 foi encaminhado à Câmara no início de março, mas
retornou para análise dos senadores.
Após a
aprovação na terça, o texto retornará para a Câmara dos Deputados.
Se
deferida pelos deputados, a proposta será enviada ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva para sanção. A lei então entraria em vigor após publicação no
Diário Oficial.
Já em
caso de veto de parte ou totalidade do texto pela Presidência, o PL retorna ao
Congresso para novas discussões.
Mas se
for rejeitado na Câmara, o projeto é arquivado. Por regra, a matéria não pode
ser reapresentada na mesma sessão legislativa (no mesmo ano), a menos que haja
proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das casas.
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Entenda o projeto
Como a
proposta equipara a misoginia ao racismo, ela será um delito que não prescreve
nem permite fiança.
Quem
praticar ou induzir misoginia, segundo o projeto, estará sujeito às mesmas
punições dadas no contexto de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
nacionalidade.
Relatora
do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Soraya Thronicke,
do Podemos de Mato Grosso do Sul, afirmou que o texto reforça o enfrentamento a
grupos que buscam, especialmente na internet, afirmar a supremacia biológica,
física e intelectual dos homens sobre as mulheres.
"Nós
brasileiros passamos a acordar e dormir com várias notícias de violência contra
mulheres. Nós só ficamos sabendo quando já é tarde demais, porém, a violência
começa lá atrás de inúmeras maneiras, e uma delas é a misoginia", declarou
a senadora ao defender a proposta na tribuna.
"Daí
a importância deste projeto de lei que irá matar essas atitudes abjetas e
desumanas no nascedouro e vai tranquilizar quem não está cometendo misoginia,
que está num limbo legal e precisa de uma delimitação."
A
proposta estabelece que a injúria por misoginia terá pena de reclusão de 2 a 5
anos, além de multa. O texto também tipifica a conduta de praticar, induzir ou
incitar a discriminação ou preconceito em razão de misoginia, com pena de 1 a 3
anos de prisão.
No
Código Penal, a pena-base para injúria é menor, de detenção de 1 a 6 meses ou
multa. Apesar disso, o projeto diz que será sempre considerada a punição mais
severa, prevista na Lei do Racismo, para os casos de injúria por misoginia.
Para
evitar a punição em dobro, o texto aprovado contém uma emenda que altera o
Código Penal para diferenciar a injúria misógina da praticada em contexto de
violência doméstica e familiar.
Apesar
da unanimidade, o projeto gerou debate entre os parlamentares.
Em
plenário, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu a tipificação da
misoginia dentro da legislação penal, mas distante da Lei do Racismo.
"Daqui a pouco vão colocar o etarismo na lei. Estou preocupada com os
rumos que queremos dar a uma lei tão preciosa. Não sei se o movimento negro
participou desse debate", afirmou.
Durante
a discussão do projeto em Plenário, alguns senadores ainda defenderam a
inclusão no texto de uma ressalva, já rejeitada nas Comissões de Direitos
Humanos e de Constituição e Justiça, que garantia a livre expressão artística
científica, jornalística ou religiosa.
O
plenário, porém, rejeitou o requerimento.
Fonte:
BBC News Brasil

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