sexta-feira, 27 de março de 2026

Trump empobrece os EUA enquanto enriquece outro país que não começou a guerra

A escalada militar liderada pelos Estados Unidos contra o Irã já produz efeitos claros — e previsíveis. Enquanto Washington amplia tensões no Oriente Médio, o mercado global reage com a disparada do petróleo. E quem lucra com isso não é quem iniciou o conflito, mas quem já ocupa posição estratégica na geopolítica da energia: a Rússia.

Dados recentes mostram que Moscou arrecadou cerca de €7,7 bilhões em apenas duas semanas, com ganhos diários próximos de €372 milhões em exportações de petróleo. O motivo é direto: o barril ultrapassou os US$ 100 diante do risco de interrupção no Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma fatia relevante do petróleo mundial.

<><> Crise criada pelos EUA gera lucro para quem não iniciou a guerra

A lógica é simples. Ao tensionar uma das regiões mais sensíveis do planeta, o governo Trump provoca instabilidade no fornecimento global de energia. O mercado reage com aumento de preços — e países exportadores, como a Rússia, ampliam receitas sem disparar um único míssil.

Enquanto isso, o Irã, alvo direto das ofensivas, reafirma sua posição estratégica ao demonstrar capacidade de influenciar uma das rotas mais importantes do planeta. O resultado é um redesenho imediato do equilíbrio global, no qual quem resiste à pressão militar mantém relevância econômica.

<><> Petróleo expõe contradição da estratégia americana

A ofensiva dos EUA escancara uma contradição: ao tentar pressionar o Irã, Washington fortalece indiretamente economias que não estão alinhadas à sua política externa.

A Rússia, já consolidada como potência energética, amplia sua influência global exatamente no momento em que o Ocidente tenta isolá-la. O aumento do preço do petróleo não é um efeito colateral — é consequência direta de uma política externa baseada em confronto.

<><> Quem paga a conta é o resto do mundo

Enquanto Rússia lucra e o Irã sustenta sua posição estratégica, o impacto recai sobre a população global. Combustíveis mais caros, aumento no custo do transporte e pressão inflacionária atingem países dependentes de importação de energia.

Ou seja, a guerra não apenas falha em atingir seus objetivos geopolíticos como transfere o custo para economias mais frágeis e para o consumidor comum.

<><> Resultado: desgaste dos EUA e fortalecimento de polos alternativos

A crise atual evidencia um cenário que já vinha se consolidando: o enfraquecimento da estratégia unilateral dos Estados Unidos e o fortalecimento de um mundo multipolar.

Ao invés de isolar adversários, a escalada militar contribui para ampliar o espaço de países como Rússia e Irã, que passam a exercer influência econômica e geopolítica ainda maior.

No fim, a guerra promovida por Washington não apenas aumenta a instabilidade global — ela redefine o jogo de poder, favorecendo justamente quem está fora do eixo de decisão dos EUA.

¨      EUA avançam em destruição global, mas são incapazes de vencer Irã, afirma coalizão internacional

No último sábado (21), foi realizada a manifestação virtual em massa “Apoie o Irã, o Líbano e a Palestina contra o ataque imperialista e sionista dos EUA”. O encontro reuniu palestrantes de Irã, Colômbia, Indonésia, Filipinas, Paquistão, Chipre, Palestina, EUA, Venezuela, Cuba e Brasil — representado por Amyra El Khalili, professora economista, editora das redes Movimento Mulheres pela Paz na Palestina e Aliança RECOs – Aliança de Redes de Cooperação Comunitária desde o Sul Global.

A Coalizão Nacional Unida Antiguerra (UNAC), o Movimento Resistir à Guerra Liderada pelos EUA, a Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS) lideraram a iniciativa, com o apoio de diversos movimentos sociais e políticos. Em suas mais diversas e contundentes falas, os ativistas transmitiram a indignação coletiva contra a guerra de agressão que desde 28 de fevereiro já matou mais de 1.400 pessoas no Irã e 880 no Líbano, o que se soma aos mais de 75 mil palestinos martirizados desde 7 de outubro pela mesma força genocida liderada por EUA e Israel.

A manifestação visou ainda educar e promover a luta por uma paz justa e duradoura, a expulsão da aliança EUA-OTAN-Israel do Oriente Médio e a defesa da autodeterminação contra essa aliança, responsável por cometer uma série de crimes de guerra, incluindo, entre outros, o assassinato de civis, ataques a hospitais e escolas, e ataques a depósitos e refinarias de petróleo e gás, causando danos ecológicos catastróficos e sofrimento e doenças em massa.

Em legítima defesa, lembraram os presentes, o Irã e as forças de resistência regionais agem em legítima defesa, retaliando contra as bases americanas que permitem esses crimes de guerra, como os milhões de mortos nas guerras lideradas pelos EUA no Oriente Médio e no Sul da Ásia, na Palestina, Iraque, Síria, Líbia, Líbano, Afeganistão, Paquistão e Iêmen.

Os ativistas destacaram ainda que os militares dos EUA, que atualmente conduzem esses ataques devastadores, são financiados por uma rede global de bases militares e trilhões de dólares em gastos com defesa, mesmo antes do governo Trump, e que atingem o ápice da destruição global neste momento. No entanto, mesmo com esse poderio militar, os EUA são incapazes de derrubar o governo iraniano e alcançar seus objetivos, estando, em vez disso, atolados em uma guerra mais longa do que o esperado devido à resistência do Irã a essa agressão.

>>>> A seguir, confira a fala da beduína palestino-brasileira Amyra El Khalili na íntegra:

O “Movimento Mulheres pela Paz na Palestina” é uma formação de rede, fundada há 26 anos, durante a segunda intifada Palestina, transdisciplinar, apartidária, que tem como objetivo promover a paz entre grupos étnicos, povos e nações.

Temos como princípio norteador construir, por meio do debate e da informação, ações que propiciem a aproximação, a criação e o fortalecimento de relações inter-raciais e interculturais, orientando a não intervenção, a não ingerência e a não dominação de uns sobre outros.

Neste “Dia Internacional de Jerusalém”, mesmo sob bombas e intensos ataques, o povo iraniano — lado a lado com suas lideranças — esteve nas ruas demonstrando sua capacidade e competência inabalável na linha de frente em solidariedade aos povos oprimidos e apoio às forças de resistência, da Palestina ao Líbano, à Síria, ao Iêmen e ao Iraque.

Estamos com orgulho reafirmando, mais uma vez, que herdamos a luta, a coragem e a resiliência de nossos heroicos mártires, lembrando aos árabes e muçulmanos que, enquanto os símbolos sagrados da Nação Islâmica e das sacralidades cristãs estiverem sob o controle dos inimigos, não haverá dignidade nem futuro.

Agradecemos à Coalizão Nacional Unida Antiguerra, ao Movimento Resistir à Guerra Liderada pelos EUA, à Liga Internacional da Luta dos Povos, as organizações e ativistas aqui presentes pela realização deste encontro em apoio o Irã, Líbano e a Palestina contra os agressores americano-sionista.

Continuaremos em comunhão, promovendo a tolerância, a harmonia e a colaboração e o auxílio mútuo, de modo que a identidade e a liberdade sejam indissociáveis e utilizadas como instrumentos para a construção de um mundo que compreenda a existência de desígnios superiores e transcendentais para a Humanidade, por ser essa a nossa convicção de que este é o único caminho para garantir a segurança e soberania dos povos.

Enviamos nossas orações a todos(as) que se opuseram ao genocídio e massacres cometidos pelo regime sionista e se posicionaram do lado certo da história.

Que a paz e as bênçãos estejam sobre os mártires da verdade e da retidão!

Amyra El Khalili

Movimento Mulheres pela Paz na Palestina

¨      Hegemonia americana entra em colapso e Sul Global avança para ocupar o vácuo…

A arquitetura de poder global construída após a Segunda Guerra Mundial está desmoronando diante dos olhos do mundo contemporâneo.

O pressuposto de que os Estados Unidos seriam os fiadores perpétuos das instituições internacionais perdeu sua validade histórica e prática.

Washington iniciou um processo de retração estratégica que sinaliza o fim definitivo da era da unipolaridade absoluta.

Esse movimento não significa o colapso da cooperação global, mas sim uma transformação profunda em sua liderança e nos seus objetivos fundamentais. De acordo com análises publicadas pelo South China Morning Post, as chamadas potências médias estão assumindo o protagonismo na governança multilateral.

Países que antes orbitavam apenas a vontade das superpotências agora buscam formas flexíveis de integração econômica e política sem pedir licença. O recuo norte-americano reflete uma crise interna de um império que não consegue mais sustentar os custos de sua própria hegemonia militar e financeira.

Ao adotar posturas protecionistas e abandonar acordos climáticos ou comerciais, os Estados Unidos deixam um vácuo de poder imenso que ninguém mais pretende ignorar. Esse espaço está sendo preenchido por nações comprometidas com a soberania e com a construção de um mundo onde o desenvolvimento não dependa de uma única capital.

O exemplo mais visível dessa mudança é a consolidação de blocos comerciais que excluem a participação de Washington de forma deliberada. A Parceria Transpacífica é citada como um experimento revelador dessa nova liderança exercida por economias dinâmicas que buscam autonomia. Países como Japão, Canadá e Austrália tentam manter as engrenagens do comércio funcionando sem as diretrizes impostas pela Casa Branca.

No entanto, para o público brasileiro e para o Sul Global, essa transição tem um significado ainda mais profundo do que simples trocas comerciais. Trata-se da oportunidade histórica de consolidar um projeto nacional que não seja submisso aos interesses do Departamento de Estado norte-americano. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva compreende perfeitamente esse momento de transição de poder no cenário internacional e age com estratégia.

A diplomacia brasileira voltou a atuar com altivez, priorizando a integração regional e o fortalecimento de mecanismos como o grupo dos países emergentes. A multipolaridade não é mais uma promessa teórica, mas uma realidade que se impõe através de novos polos de poder tecnológico e econômico. A China exerce um papel fundamental nesse processo ao oferecer alternativas de financiamento e infraestrutura que não exigem a renúncia da soberania nacional.

O imperialismo ocidental, liderado pelos Estados Unidos e secundado pela Europa, demonstra sinais claros de exaustão e falta de propostas para o futuro. Suas ferramentas de pressão, como as sanções unilaterais, já não surtem o mesmo efeito paralisante de décadas atrás sobre as nações soberanas. Nações do Sul Global agora olham umas para as outras em busca de parcerias estratégicas que respeitem as diversidades políticas e sociais de cada povo.

O Irã surge como um símbolo de resistência e integração em uma Eurásia que se recusa a ser dominada por interesses externos e pressões descabidas. A ideia de uma ordem baseada em regras, termo frequentemente usado por Washington, revelou-se uma farsa para manter privilégios coloniais anacrônicos. Quando as regras não favorecem mais o centro do império, elas são simplesmente descartadas pelos próprios criadores do sistema internacional.

Nesse cenário, as parcerias flexíveis mencionadas por analistas internacionais são apenas a ponta do iceberg de uma mudança tectônica na geopolítica. O mundo está deixando de ser um tabuleiro de soma zero para se tornar um ambiente de cooperação pragmática entre iguais. Para o Brasil, o avanço dessa nova ordem mundial representa a chance de reindustrializar o país com o apoio de parceiros que valorizam a transferência tecnológica.

A soberania nacional é fortalecida quando o país deixa de ser um mero exportador de commodities para se tornar um articulador global de primeira grandeza. A resistência contra a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte e a denúncia do genocídio na Palestina são marcos dessa nova postura das nações que buscam a justiça internacional. O Sul Global não aceita mais o papel de espectador passivo das decisões tomadas em Washington ou Bruxelas sem qualquer consulta prévia.

O declínio da influência americana abre caminho para que a ciência, a tecnologia e a infraestrutura sejam voltadas para o bem-estar real dos povos. Potência líder nesse processo, Pequim acumula avanços impressionantes em energia limpa e inteligência artificial, oferecendo um modelo de desenvolvimento focado na concretude e nos resultados sociais. A transição para a multipolaridade exige que o Brasil continue investindo em sua própria defesa e em políticas públicas de redistribuição de renda.

O desenvolvimento nacional-popular é a única resposta sólida contra as tentativas de desestabilização que ainda emanam do norte em decadência. O futuro pertence aos países que souberem ler corretamente os sinais desta mudança de época e agirem com coragem política inabalável. O Cafezinho seguirá acompanhando cada passo dessa transformação que devolve aos povos o direito de decidir seu próprio destino sem interferências.

O mundo que emerge das cinzas da hegemonia americana é mais complexo, mas também muito mais promissor para quem defende a liberdade real. A soberania e a cooperação entre iguais são os pilares dessa nova era que já começou a ser escrita pelas potências do Sul Global. Não há mais volta para o modelo de dominação única que asfixiou o desenvolvimento de tantas nações ao longo do século passado.

¨      Aprovação de Trump desaba após guerra contra o Irã e revela declínio de influência do Império

A tentativa do governo de Donald Trump de impor uma derrota militar ao Irã começa a produzir efeitos políticos claros dentro dos próprios Estados Unidos. Dados de pesquisas recentes, divulgados por veículos internacionais como a Reuters, mostram que a estratégia não apenas falhou em gerar consenso, como aprofundou o desgaste do presidente.

Segundo levantamento Reuters/Ipsos, a aprovação de Trump caiu para 36%, o menor nível de seu atual mandato. O dado vem acompanhado de um indicador ainda mais significativo: a rejeição à guerra cresce de forma consistente entre os norte-americanos.

A mesma pesquisa aponta que 61% dos entrevistados desaprovam os ataques contra o Irã, enquanto apenas uma parcela minoritária sustenta a ofensiva. Em outro recorte, apenas cerca de 27% apoiam diretamente os ataques, evidenciando o isolamento da estratégia militar dentro da própria sociedade americana.

O impacto não é apenas político — é estrutural. A guerra provocou aumento expressivo nos preços de energia, ampliando o custo de vida e pressionando ainda mais a avaliação do governo. Apenas 25% aprovam a condução econômica de Trump, enquanto 29% aprovam sua gestão geral da economia, ambos os piores índices de sua trajetória.

Diante desse cenário, o discurso oficial da Casa Branca tenta sustentar uma narrativa de sucesso, mas encontra resistência fora dos canais institucionais. Enquanto Trump afirma avanços e proximidade de objetivos militares, o conflito segue ativo e sem resolução clara, ampliando tensões no Oriente Médio e críticas internacionais.

Do lado iraniano, a resposta tem sido direta. Autoridades rejeitam a existência de negociações e classificam as declarações dos Estados Unidos como desconectadas da realidade. Um porta-voz militar chegou a afirmar que Washington está “negociando consigo mesmo”, em crítica aberta à narrativa americana.

No plano global, o isolamento também se intensifica. A guerra afetou mercados, elevou preços de energia e ampliou a percepção de instabilidade gerada pela política externa dos Estados Unidos. Análises internacionais já apontam que a postura de Trump tem transformado o país de um ator de estabilidade em um fator de desordem no cenário global.

O conjunto dos dados revela um quadro claro: a tentativa de pressionar e enfraquecer o Irã não produziu o resultado esperado. Em vez disso, gerou resistência regional, críticas internacionais e perda de apoio interno.

No fim, o que era apresentado como uma ofensiva decisiva se traduz, até aqui, em desgaste político e crescente isolamento — tanto fora quanto dentro dos Estados Unidos.

 

Fonte: O Cafezinho

 

Nenhum comentário: