sexta-feira, 27 de março de 2026

Valéria Paye: negociar com fundos indígenas exige ‘princípio da confiança’

As emoções estavam à flor da pele quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o reconhecimento formal de várias terras indígenas na COP30, a conferência climática da ONU realizada em Belém, em novembro de 2025. Para os povos de um desses territórios — a Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, com quase 22 mil km2, tamanho similar ao estado de Sergipe —, foi um momento histórico de luta após décadas por reconhecimento e autodeterminação.

Localizada entre o noroeste do Pará e o norte do Amazonas, a terra indígena foi homologada graças, em grande parte, ao esforço do Podáali — um dos muitos fundos liderados por indígenas que têm redesenhado o mapa do financiamento ambiental no Brasil.

Esses fundos  são criados, geridos e administrados por lideranças  indígenas de diferentes povos, tendo como base  suas visões de mundo e valores, como respeito, reciprocidade e confiança.

O  Podáali, Fundo Indígena para a Amazônia Brasileira, é um exemplo disso. Foram mais de dez anos de discussões e preparativos antes que a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) estabelecesse o fundo formalmente em 2020.

Um dos objetivos do Podáali é possibilitar e ampliar o financiamento direto aos povos e movimentos indígenas, nos termos deles. Apesar da grande dimensão de seu papel na sustentabilidade e na defesa de um planeta saudável, os povos originários e suas organizações recebem uma pequena fração do financiamento filantrópico global. Um relatório de 2024 constatou a situação como “padrões consistentes de desigualdades generalizadas e sistêmicas”.

“Se a gente, no campo da filantropia, realmente quer apoiar os povos indígenas e até comunidades tradicionais, a conversa e o diálogo têm que mudar”, disse Valéria Paye, (dos povos Tiriyó e Kaxuyana), diretora-executiva do Fundo Podáali, à Mongabay. “O princípio tem que ser o de reciprocidade de fato, dessa construção conjunta.”

Em entrevista a Holly Jonas e Alexandre de Santi, ambos da Mongabay, Valéria reflete sobre os valores indígenas na filantropia, explica como o Fundo Podáali difere e interage com a filantropia não indígena e aponta suas razões para achar que “não haverá outra COP” como a COP30.

LEIA A ENTREVISTA:

•        Como os povos indígenas da Amazônia enxergam o conceito de filantropia?

Valéria Paye: O nosso princípio de filantropia, no geral, é muito baseado nas trocas e em muita confiança. Essa é a base da nossa filantropia. Tanto é que o nome do Podáali para nós é um sinônimo de troca mesmo, de reciprocidade. E, claro, como povos da oralidade, a palavra tem muito valor. A palavra é assumir o compromisso entre a gente. Então, acho que são esses os princípios que valorizamos muito. Já o que a gente pensa dessa filantropia do lado de cá [no contato com não indígenas] é exatamente o contrário disso. Acho que ela passa hoje por uma construção de confiança.

•        Como você descreveria sua experiência com filantropia antes da criação do fundo Podáali?

Valéria Paye: A gente conhecia outros fundos com histórico de atuação e apoio aos povos indígenas no Brasil, mas fazer isso a partir de nós era uma coisa diferente, até pela gestão. Porque o fundo lida com essa relação intermediária da gestão a partir da perspectiva do lado de cá, dessa sociedade não indígena, e que é uma coisa diferente para nós.

A gente teve que aprender a lidar com isso, a entender um pouco disso para fazer essa relação da sociedade indígena com a sociedade não indígena visando a gestão mesmo. Então, acho que a gente está aqui depois de muitas experiências que também foram negativas. Essa questão de lidar com a gestão a partir dessa burocracia da sociedade não indígena… a gente apanhou muito.

Por isso, a história de construção do Podáali é uma história bastante consolidada de mais de dez anos de caminhada. Antes de criar o Podáali, foram dez anos de muita reunião, assembleia e oficinas para a gente entender e também para dizer o que queremos com esse novo instrumento. O que a gente quer com essa organização? Para que estamos criando? Antes de mais nada, a gente dizia que ele tinha que ser algo que respondesse a nós, não à sociedade de fora. Então, acho que esse é um debate que estamos tentando trazer para o campo da filantropia: por que o fundo foi criado? Para quê?

Se a gente, no campo da filantropia, realmente quer apoiar os povos indígenas e até comunidades tradicionais, a conversa e o diálogo têm que mudar. O princípio tem que ser o de reciprocidade de fato, dessa construção conjunta, respeitando. Também, ao mesmo tempo, temos que trazer a confiança de volta a esse diálogo, porque o que a gente sente é que cada vez mais essa confiança foi deixada de lado.

Impõe-se a burocracia e, ao se impor mais burocracia, cada vez mais se dificulta o acesso aos apoios em termos gerais.

Por outro lado, é dizer que temos que dialogar, enxergando as nossas sinergias. O que temos em comum? Se estamos falando de meio ambiente, já sabemos que os resultados são concretos; são os povos que mais cuidam, a partir dos seus saberes. Então, o nosso compromisso é apoiar o que já se faz, para que continuem fazendo, para que a gente continue tendo essa contribuição dos povos indígenas para o debate em termos gerais, principalmente do clima e da biodiversidade.

•        Quais são alguns dos desafios que você enfrentou e como lidou com eles?

 Valéria Paye: A gente não fez o Podáali para responder à demanda de fora dos financiadores, ou seja lá de quem for. Inclusive, já passamos por situações enfrentando isso: [quando um financiador externo] via esse instrumento [o Podáali] como um intermediário em que [ele] dita o que quer.

A gente já passou muito por esses testes e aí eu digo: “Não, vamos sentar e conversar, porque o Podáali, antes de mais nada, responde a nós; ele foi criado com esse princípio”. Temos princípios que não vamos poder abandonar. Um exemplo concreto disso é o enquadramento do Podáali sob muitas regras. Muitos parceiros querem apoiar o Podáali para apoiar os povos indígenas, mas as regras são essas. [Eles] vêm com o pacote completo e aí a gente fala: “Não é assim. Queremos isso como uma parceria mesmo”. Partimos do princípio de que se tem que apoiar o que os povos indígenas fazem. Eles têm seus planos de vida.

Muitas instituições são engessadas; querem apoiar, mas, a partir desse diálogo, começamos a sentir que, de fato, eles começam a refletir sobre os seus processos. Tivemos que dizer muitos nãos, ao dizer que não estamos dispostos a receber qualquer dinheiro em qualquer condição. Então, falamos: “Parceiro, se você não está pronto ainda para uma relação com o Podáali, vamos dar um tempo”.

É bom que você ganhe outras experiências. E, por incrível que pareça, lidamos com essa situação inclusive com parceiros que já trabalham com povos indígenas e comunidades tradicionais e que nem eles entenderam ainda esse processo diferenciado. Ficamos impressionados: como assim? Você já está há 30 anos aqui com a gente e ainda não conseguiu entender isso? Então, são processos de aprendizado mesmo para nós, e acreditamos que também para o lado da sociedade não indígena e das instituições.

•        Você consegue dar um exemplo de como a abordagem do fundo Podáali acontece na prática?

Valéria Paye: Uma coisa que podemos trazer como exemplo é o princípio da confiança. Vemos a confiança nos projetos no sentido de eles serem feitos a partir dos acordos, das prestações de contas, que, no geral, para o lado de cá, é algo muito difícil. Mas por que, por ora, avaliamos que isso é positivo e está dando resultado? Por que nossos parentes estão assumindo e fazendo seus projetos acontecerem?

Primeiro, é uma coisa que colocamos: o projeto não é nosso, não é do Podáali, nem da Coiab. O projeto é de vocês, parentes. Se o projeto der certo, o resultado disso é para vocês primeiro e depois para o Podáali ou para os outros. Com isso, começamos a enxergar uma virada. Sempre se dizia: “o projeto é da Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], é do parceiro, é do governo, é do município”. Nunca era deles [do povo ou movimento indígena]. Então esse projeto tinha começo, meio e fim, mas ‘eu’ não tinha compromisso porque o projeto não era ‘meu’. Começamos a observar essa virada deles dizerem que o projeto é deles e que eles estão fazendo tudo para dar certo e para que as coisas sejam do jeito que planejaram.

Outra coisa é que a nossa ação [do Podáali], como parte dessa grande rede do movimento indígena, faz com que eles nos enxerguem, de fato, como parceiros, não como uma instituição que os fiscaliza. É diferente desta relação [com a filantropia não indígena] em que, por mais que você seja parceiro, o processo de monitoramento é normalmente visto como fiscalização. Com a gente, não parece ser isso. Dizemos para eles: “vocês têm que monitorar as ações, mas são vocês mesmos que têm que fazer e dizer para a gente os resultados a partir dos acordos e dos princípios que estamos definindo”. Vamos olhar todo mundo junto, não como fiscalização, mas como um compromisso, um resultado do que queremos alcançar.

•        Há algum caso que você possa mencionar, que exemplifique algum  projeto que só o Podáali consegue apoiar?

Valéria Paye: Pelo Podáali, estamos apoiando algumas iniciativas de processos de demarcação de territórios indígenas na Amazônia brasileira. Uma das terras indígenas homologadas pelo presidente Lula agora no âmbito da COP[30] teve o apoio do Podáali para fazer a demarcação física do território Kaxuyana-Tunayana. A demarcação física é o processo final para uma homologação da terra indígena. Os nossos parentes, com apoio do Podáali, conseguiram assumir o fazer de um processo de demarcar o território deles. Eles fizeram. Isso é algo muito diferente, porque normalmente quem faz isso é o Estado ou outros de fora.

•        Há uma discussão sobre a dificuldade de organizações indígenas terem acesso ao financiamento e de lidarem com as questões administrativas. Outros dizem que as organizações não indígenas é que deveriam se adaptar. E também dizem que indígenas como você, que saíram para estudar, já têm o saber para fazer essa ponte. Existe essa dificuldade em atender a demandas burocráticas. Qual é a sua opinião pessoal sobre quem deve fazer o esforço: não indígenas ou os indígenas?

Valéria Paye: Acho que essa é uma questão para os dois lados. Ambos têm que entender que a gente do lado de cá está se esforçando para entender esse processo, que é muito mais complicado. Essa questão das regras gerais, das regras dos países e da gestão de recursos é algo realmente bastante burocrático no Estado e em muitas organizações de filantropia. Por isso eu falo que aqui há um princípio de desconfiança; é o que rege essa relação. Por isso, o lado de cá vai burocratizando um processo que torna os recursos praticamente inacessíveis para nós, povos indígenas.

Porque, enquanto aprendo uma pequena coisa, o processo da burocracia já avançou e já está mais complexo. Tenho que correr atrás disso para entender. Do lado da sociedade não indígena, a filantropia, se não entender isso, também será muito difícil.

Há uma questão colocada hoje: “queremos apoiar os povos indígenas e comunidades tradicionais diretamente”. Mas o que é apoio direto para você? Ao pensar no apoio direto, você terá que se abrir para entender esta outra sociedade e a sua visão para que de fato esse apoio direto chegue para essas organizações do jeito que você quer. Pergunto o que é apoio direto para eles, porque para nós o apoio direto é via as nossas organizações e nossa forma de se organizar.

•        Quais são algumas considerações específicas sobre o Brasil que as pessoas deveriam conhecer?

Valéria Paye: Como Podáali, colocamos que apoiar diretamente exige entender a forma de organização deles. Nem todos os povos indígenas têm uma instituição com CNPJ [Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica], esse bendito documento que os enquadra nesse campo. Muitos não têm. Se você impõe que exista uma organização formal para receber recursos, talvez essa organização só exista para esse período, porque eles não entendem como funciona a burocracia para manter uma organização em dia. Como não faz parte da sua estrutura, o processo é de “cria e morre”.

Quais são os caminhos que podemos seguir para que os apoios cheguem aos lugares mais difíceis, respeitando a forma de organização [dos povos e movimentos indígenas]? É se abrindo para juntos vermos que caminhos são esses. Pelo Podáali, estamos dizendo: dentro do que é possível de acordo com a legislação, podemos fazer esses apoios de reconhecimento. Os recursos chegam direto, premiando e reconhecendo as iniciativas através de premiação. Por ora, esse é o caminho; ao premiar, você reconhece o que eles já fazem.

•        Existem iniciativas semelhantes de fundos liderados por indígenas em todo o mundo. Que lições vocês aprenderam no Podáali que gostaria de compartilhar com as outras organizações?

Valéria Paye: O principal, que ainda é uma confusão, é realmente sermos o que somos. A discussão precisa, antes de mais nada, responder a nós. Se não tivermos isso firme e com segurança, acabamos nos adaptando e respondendo a outra demanda.

Também é importante fazer esses processos dentro dos nossos tempos indígenas. Se isso levar um, três ou dez anos, esse é o nosso tempo para que tenhamos um instrumento que responda a nós e seja um mecanismo de diálogo com a sociedade não indígena. Isso deve reger os princípios. No debate internacional, isso [se alinhar com o tempo indígena de fazer as coisas] faz parte da discussão, mas há dificuldade por conta dessa pressão global atual para que os recursos cheguem aos territórios.

Vejo muitos fundos sendo criados por instituições não indígenas para responder a essa pressão global. Querem criar fundos para os povos indígenas, mas esses fundos nunca serão dos povos indígenas. Esta é a diferença para mim. Se querem fazer a diferença, os fundos têm que partir da discussão dos povos indígenas e querer ser dos povos indígenas. Caso contrário, é mais um fundo onde a gestão e a governança nunca passam por nós.

Eu estudei, mas quem me guia às vezes não tem nem o primeiro grau. O princípio indígena é o que tem que ser forte na governança para dar as direções gerais enquanto operacionalizamos o instrumento. Digo aos meus parentes: vamos primeiro nos entender entre nós. A criação deve partir de nós, respondendo a nós primeiramente, para que o instrumento seja forte e com base. Não se preocupem com o tempo; o tempo indígena é o que deve ser, porque é assim que construímos as coisas.

•        Existem novos mecanismos, como o fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que afirmam que vão entregar dinheiro diretamente aos povos indígenas. O que precisa acontecer para que esses processos deem certo? Esses mecanismos são um sinal de que o mundo filantrópico está entendendo a necessidade de uma relação de mais confiança?

Valéria Paye: Vamos exemplificar a partir do TFFF. Não vejo como algo novo. Talvez seja novo para o lado de cá [não indígena] no processo de construção de processos. Vejo-o como mais um fundo criado pelos Estados-nação, onde eles têm a voz mais importante na governança de decisão. Não enxergo o que há de diferente nisso. A garantia de uma porcentagem [de recursos a ser entregue diretamente para movimentos indígenas] é resultado de muita pressão dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

Na primeira reunião em que participei sobre o TFFF, diziam que no Brasil os 20% seriam apoio direto a povos indígenas, mas que apoiariam as instituições governamentais como Funai, o Ministério dos Povos Indígenas e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). O que há de diferente nisso? Nada.

Eu perguntei se isso era ‘direto’ para eles, porque para nós não é. Isso é continuar apoiando a política pública, que é responsabilidade do Estado. E o que o Brasil vai fazer com os 80%? Se conseguirmos incidir nesse espaço, só podemos falar sobre os 20%.

Isso mostra que o fundo não está sendo criado olhando os povos indígenas e comunidades tradicionais; não faremos parte da governança geral. O Banco Mundial vai receber o TFFF e temos experiência de acesso muito difícil. Quero conhecer e espero que ande, mas diria que não é diferente dos muitos fundos que os Estados criam.

•        A tecnologia e as redes sociais têm dado voz a muita gente, inclusive indígenas, e permitido que eles se conectem diretamente com tomadores de decisão e com uma audiência global. Esse processo tem sido transformador? Há formas de a filantropia apoiar esse processo?

Valéria Paye: A Coiab lidera uma rede de comunicadores indígenas na Amazônia brasileira, interligada à comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Essa comunicação feita por indígenas é muito positiva porque leva nossa voz para fora e fala uma língua que nossos parentes entendem. Queremos nos comunicar para fora e para dentro também. Esta rede tem feito isso brilhantemente e é importante continuar apoiando. É a nossa voz e o nosso próximo braço dentro deste processo liderado pelas nossas organizações.

A campanha “A Resposta Somos Nós” nasceu na Coiab e ganhou o mundo. Ela é muito potente e quem lidera isso é a comunicação. É um exemplo de comunicação que ultrapassa as fronteiras liderada pelos povos indígenas.

•        O Brasil recebeu a COP30e falou-se muito sobre ser a “COP indígena” ou da floresta. Você avalia que a conferência cumpriu essas expectativas?

Valéria Paye: Foi, sim, uma COP grandiosa. Já estive em outras duas e esta realmente foi diferente, com participação indígena forte em todos os espaços: Zona Azul [onde ocorrem as negociações oficiais], Zona Verde [espaço aberto com acesso livre ao público amplo]. A possibilidade de ter um espaço indígena lá possibilitou essa grande participação. Conseguimos colocar a semente de que os territórios indígenas são uma política de clima. O compromisso do governo brasileiro ao fazer processos de demarcação de quase 20 terras indígenas foi um ganho desta pressão. A Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, que foi homologada [durante a COP30], é uma dos maiores [do Brasil] e foi resultado de muita pressão.

Por outro lado, a incidência no espaço azul permitiu mencionar os povos indígenas e afrodescendentes em documentos globais importantes. Vemos isso como uma resposta à atuação dos movimentos sociais. Não haverá outra COP como essa.

Ao mesmo tempo, vivemos uma contradição: temos essas entregas [internacionalmente], mas estamos vivendo um processo contrário no Congresso brasileiro, que está desconstruindo o processo legal de demarcação e direitos indígenas. Isso complica o compromisso. É importante que as instituições continuem apoiando os povos indígenas, porque eles estão insistindo para mostrar a importância de defender seus direitos.

É um desafio; estamos refletindo sobre como reverter essa destruição da legislação. Continuamos contando com o apoio de quem acredita nas nossas organizações políticas. Entendemos que a nossa voz aqui às vezes não é ouvida, mas quando damos recados lá fora, ela rebate aqui. É importante que as organizações internacionais façam essa pressão junto conosco de fora para ajudar nos nossos processos internos.

 

Fonte: Mongabay

 

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