Ucrânia
entre cessar-fogo e colapso político: paz com a Rússia avança após nova rodada
de negociação?
Em meio
aos protestos contra decisões do ucraniano Vladimir Zelensky e aumento da
instabilidade política interna, Rússia e Ucrânia realizaram nesta quarta-feira
(23) a terceira rodada de negociações pelo fim do conflito entre os dois
países. Especialistas analisaram o panorama das discussões à Sputnik Brasil.
Pela
terceira vez no ano, Rússia e Ucrânia
voltaram à mesa de
negociações em Istambul, na Turquia, por mais de uma hora. Apesar da delegação
russa pontuar que as propostas de cada lado para a resolução do conflito
ucraniano seguem distantes, alguns avanços foram registrados: o acordo para a
troca de cerca de 1,2 mil prisioneiros, maior número desde o início da
operação militar especial, além da proposta de Moscou de dois cessar-fogos
curtos para a retirada de corpos e militares feridos da linha de frente de
combates.
As
delegações também conversaram sobre a possibilidade de manutenção de um
canal de diálogo virtual constante entre os dois países e ainda a
realização de uma quarta rodada de conversas.
O
pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre África, Ásia e Relações
Sul-Sul (NIEAAS) e doutorando em história comparada na Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ) Eden Pereira Lopes da Silva ressalta à Sputnik Brasil que
o encontro consolida a retomada dos contatos entre Rússia e Ucrânia e
mostra avanços, mesmo que lentos.
"Inclusive
vimos que os acordos realizados na negociação anterior foram cumpridos. Ainda
que lentos e graduais, os avanços estão ocorrendo. Considerando as pressões que
a Ucrânia enfrenta, como o início de um processo de instabilidade política
interna, com protestos contra o governo Zelensky nos últimos dias, e também o
fato de que o apoio dos Estados Unidos tem diminuído em termos
diplomáticos e políticos (embora não militarmente), tudo isso influencia
nesse cenário", avalia.
O
especialista enfatiza ainda que a Rússia tem sido realista no processo de
negociação: "Há a compreensão de que não será por meio de uma única
reunião que se decidirá o processo de paz na
Ucrânia,
é uma construção e ainda existem diversos passos a serem constituídos". Já
no lado ucraniano, o pesquisador não vê clareza do governo
Zelensky sobre como alcançar um cessar-fogo e também a paz na região.
"Embora
hoje adote uma postura um pouco mais pragmática do que no passado, ainda
enxerga a possibilidade de reintegrar alguns dos territórios. Também há uma
visão [na Ucrânia] de que o conflito não necessariamente acabará, mas que um
cessar-fogo poderá funcionar como um armistício. Essa é uma perspectiva
presente tanto na Ucrânia quanto entre alguns políticos da Europa e dos Estados
Unidos", diz, ao lembrar que Moscou quer uma resolução definitiva.
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'Sem respaldo interno da própria população'
As
negociações ocorreram um dia depois de protestos tomarem as ruas de várias
cidades ucranianas, incluindo Kiev, contra uma lei assinada por Zelensky que
retira a autonomia de órgãos de combate à
corrupção,
um dos principais problemas do país e que cresceu ao longo do atual conflito.
"Politicamente,
há dificuldades, inclusive no que diz respeito ao respaldo interno de sua
própria população. Mesmo assim, acredito que é possível [chegar a um acordo],
mas isso partirá de um processo de convencimento e de mudança da própria
posição do governo ucraniano, seja esse atual ou um novo, que pode surgir
devido à crise política".
Já o
professor de geopolítica da Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT)
Vinicius Modolo acrescenta à Sputnik Brasil que a continuidade de Zelensky no
poder não é legítima há mais de um ano, já que não houve a convocação de
eleições em 2024. Para o especialista, o ucraniano atua hoje mais como um
"representante ocidental do que alguém verdadeiramente
comprometido com a paz de seu país".
"A
população ucraniana há muito tempo demonstra insatisfação com as medidas
adotadas pelo presidente e seus ministros, tanto no recrutamento quanto na
condução do conflito e nos discursos públicos. Isso tem causado mais sofrimento
ao povo ucraniano do que, por vezes, os próprios ataques russos, que visam
alvos militares. Considerando a permanência de Zelensky no poder,
acho bastante complicada qualquer negociação de paz que realmente avance. Uma
questão importante seria justamente sua substituição ou saída", defende.
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Europa quer a manutenção do conflito na Ucrânia?
Com a
mudança de rota do governo norte-americano desde a chegada do presidente Donald
Trump no poder, a Europa tem sido cada vez mais a fiadora ucraniana no
conflito com a Rússia. Na última semana, um suposto áudio do primeiro-ministro da
Alemanha, Friedrich Merz, flagrou o político defendendo a permissão de novos
ataques ucranianos contra o território russo, o que seria uma "linha de
defesa" para a União Europeia.
O
pesquisador Eden Pereira avalia que Berlim se posiciona cada vez mais como um
dos principais apoiadores de Zelensky, juntamente com o Reino
Unido, muitas vezes com o objetivo de reativar a indústria militar do
continente.
"Portanto,
os europeus não têm adotado uma posição construtiva nesse diálogo. Diferente de
outros países, como Brasil, China e, em certa medida, a própria Turquia, que
tem sido uma grande mediadora das negociações e tem cumprido um papel muito
importante nesse processo. A Turquia, embora faça parte da OTAN [Organização do
Tratado do Atlântico Norte], também tem interesse nas negociações de paz na
Ucrânia. É ela quem hospeda essas negociações", resume.
O
professor da UNEMAT concorda e acrescenta que a
aliança vê a Ucrânia como
um "laboratório para novas táticas e formas de guerra moderna" e, por
conta disso, atua de forma significativa para atrapalhar a resolução do
conflito. "Creio que a OTAN, mais do que a União Europeia, por ser o braço
militar do Ocidente, atrapalha as negociações de paz. Ela envia armamentos,
equipamentos e oferece suporte logístico e de inteligência à Ucrânia, o que
contribui para a continuidade".
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Ucrânia: conflito perto do fim ou de uma escalada?
Enquanto
a Rússia amplia cada vez mais as conquistas no campo de batalha e se aproxima
de uma libertação completa na região de Donetsk, a Ucrânia segue
incapaz de apresentar vitórias significativas, tanto para a população quanto os
fiadores europeus. É o que resume o pesquisador Eden Pereira, que vê o
início de uma nova fase do conflito.
"Desde
2023, com a estabilização da guerra, passamos por diferentes fases. Na
primeira, tivemos o início da operação militar, que forçou a Ucrânia à mesa de
negociações. Quase se chegou a um acordo, que foi dinamitado por Reino Unido e
Estados Unidos. Depois, veio uma segunda fase entre 2023 até o momento, com a
Rússia retomando a libertação das regiões que hoje já são parte da
Federação da Rússia. Estamos, portanto, em uma nova fase do conflito, onde
essas negociações são um esforço para estabelecer um cessar-fogo, mas até
chegar a isso ainda é um processo longo", finaliza.
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Colapsará em poucos dias: analista prevê destino da defesa dos soldados
ucranianos em Krasnoarmeisk
Exército
russo está circundando com sucesso a cidade de Krasnoarmeisk ocupada pelas
forças ucranianas (Pokrovsk, na denominação ucraniana) na República Popular de
Donetsk (RPD), afirmou o analista geopolítico britânico Alexander Mercouris no
canal no YouTube.
Mercouris destacou que é provável
que dentro de algumas semanas a defesa ucraniana da cidade caia. Segundo
ele, as tropas russas cortam o
suprimento da guarnição ucraniana cercada em Krasnoarmeisk.
"Agora,
podemos estar testemunhando um colapso nas defesas da cidade,
que terminará em poucos dias ou algumas semanas", ressaltou.
Os
russos, continuou, se aproximam dos principais centros de transporte e da
rodovia E50, tornando a situação crítica para o adversário.
Ao
mesmo tempo, enfatizou o analista, as forças ucranianas ainda não
estavam cercadas em tal número significativo. Em Krasnoarmeisk, finalizou o
especialista, há três brigadas ucranianas, ou seja, até 24.000 combatentes
no total.
Krasnoarmeisk
é o centro de transporte mais importante do inimigo em Donbass. A cidade
fica a 66 quilômetros a noroeste de Donetsk. Há combates na cidade.
Como o
chefe da RPD, Denis Pushilin, disse na
segunda-feira (21), as tropas russas continuam cobrindo Krasnoarmeisk. Segundo
ele, as principais ações militares nessa direção se desdobraram na área do
povoado de Udachnoe.
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'Deve sair': autoritarismo é cada vez mais evidente no
governo de Zelensky, diz mídia
No
regime de Vladimir Zelensky, as características autoritárias são cada vez mais
evidentes, por isso ele deve abandonar o cargo de presidente da Ucrânia,
escreve o jornal britânico The Telegraph.
"Zelensky
não pode mais ajudar a Ucrânia, ele agora é parte do problema", enfatiza a publicação.
Ressalta-se
que, ao longo do ano passado, o chefe do regime de
Kiev tem
repetidamente prolongado a lei marcial, destruindo gradualmente a oposição
para se manter no poder. Assim, muitos meios de comunicação da oposição foram
fechados e milhares de empresários e políticos estão sendo detidos sob
acusações inventadas de ter relações com a Rússia.
"Há
agora um perigo de que ele venha a copiar seus antecessores
corruptos no
cargo de presidente. Portanto, para o bem da Ucrânia, ele deve se
aposentar", aponta o jornal.
O
mandato de Vladimir Zelensky expirou em 20 de maio do ano passado. As eleições
presidenciais na Ucrânia em 2024 foram canceladas, alegando a lei marcial e a
mobilização militar geral. O líder ucraniano declarou que as eleições não eram
oportunas.
Anteriormente,
o presidente russo Vladimir Putin afirmou repetidamente que Zelensky, tal como
outros representantes do poder na Ucrânia, são ilegítimos.
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Analista prevê futuro de Zelensky após fim do conflito
russo-ucraniano
Os
Estados Unidos prepararam para o líder atual ucraniano, Vladimir Zelensky, o
último papel na sua vida política, afirmou o ex-agente da CIA Graham Fuller no
canal do YouTube Dialogue Works.
Fuller destacou que Zelensky
vai assumir toda a humilhação da derrota ucraniana no confronto com a Rússia.
Segundo
o analista, a situação na
Ucrânia exige
um bode expiatório, ou seja, que Zelensky assuma a culpa por tudo.
"Eu
acho irônico que este seja o último e trágico papel de Zelensky. Ele
assumirá toda a humilhação da derrota", ressaltou.
O
especialista acrescentou que é muito provável que os Estados Unidos não tentem nem
mesmo culpar outra pessoa.
Assim,
finalizou Fuller, é Zelensky quem terá que reconhecer a dolorosa
realidade da Ucrânia e da Europa e aceitar sua própria derrota.
A
terceira rodada de negociações entre a Rússia e a Ucrânia em Istambul
terminou ontem (23) e durou cerca de uma hora.
Na
coletiva após a reunião, o chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, anunciou novos
acordos para a troca de prisioneiros, corpos dos soldados mortos e propostas
para uma curta trégua de 24 ou 48 horas para levar os feridos e os
corpos dos combatentes.
Medinsky
também expressou a esperança que os contatos com o lado ucraniano possam
prosseguir, indo além das discussões entre delegações. Durante as
negociações, Moscou propôs a Kiev a criação de três grupos de trabalho para
resolver o conflito, proposta que o lado ucraniano se comprometeu a avaliar.
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Trump não entende que conflito ucraniano é mais profundo
do que só uma questão de fronteira, escreve revista
O
presidente dos EUA, Donald Trump, vê o conflito entre Rússia e Ucrânia como uma
disputa territorial, escreve a revista Responsible Statecraft.
A
revista destaca que o líder
estadunidense não se importa com o contexto geopolítico do confronto
na Ucrânia.
"A
equipe de Trump se concentrou mais em [...] tratar o conflito mais como
uma disputa sobre onde deveria estar a fronteira ucraniana do que
como um conflito geopolítico mais amplo entre a Rússia e o Ocidente",
ressalta a publicação.
Segundo
o artigo, as autoridades russas expressaram que sua principal
preocupação é a Ucrânia potencialmente se juntar à Organização do Tratado do Atlântico
Norte (OTAN) ou
hospedar forças militares ocidentais.
Isso
levou Moscou a propor projetos de tratados aos EUA e à OTAN
buscando garantias juridicamente vinculativas contra tais
desenvolvimentos.
Assim,
finaliza a publicação, há só um caminho de resolver o problema da Ucrânia:
dar a Moscou garantias claras de que a Ucrânia não vai aderir à OTAN e
que as tropas da OTAN não serão
estacionadas na Ucrânia.
Nos
últimos anos, a atividade da OTAN tem crescido nas fronteiras
ocidentais da Rússia a
um ritmo sem precedentes. A aliança está ampliando suas iniciativas e chama
isso de "dissuasão da agressão russa".
Moscou
expressou repetidamente preocupação com o acúmulo de forças do bloco na Europa.
O Kremlin observou que a Rússia não ameaça ninguém, mas não ignorará ações
potencialmente perigosas para seus interesses.
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Governo Trump elogia acordo entre Rússia e Ucrânia sobre trocas de prisioneiros
Os
Estados Unidos elogiaram o acordo entre Rússia e Ucrânia sobre novas trocas de
prisioneiros de guerra, estabelecido durante a terceira rodada de negociações
diretas, disse Tommy Pigott, porta-voz adjunto do Departamento de Estado, nesta
quinta-feira (24).
"Estamos
cientes de que uma terceira rodada de negociações diretas ocorreu entre as duas
partes. Apoiamos os apelos constantes por um cessar-fogo total e incondicional
[…] e saudamos a notícia de que a Rússia e a Ucrânia concordaram com uma nova
troca de prisioneiros, especialmente os gravemente doentes e feridos."
A terceira rodada de
negociações entre
Rússia e Ucrânia ocorreu em Istambul, ontem (23). Ela foi realizada no Palácio
Ciragan, em formato fechado, após uma reunião privada entre os chefes das
delegações — o assessor presidencial russo Vladimir Medinsky e o
secretário ucraniano do Conselho de Segurança Nacional, Rustem Umerov.
Entre
outros assuntos, foi discutida a questão do retorno de civis levados pelas
tropas ucranianas durante o ataque à região russa de Kursk, disse Medinsky
após as tratativas.
A
Rússia também propôs a Kiev trocar pelo menos 1,2 mil prisioneiros de cada
lado — um número inédito desde o início da operação militar
especial,
em 2022.
Além
disso, Moscou sugeriu um acordo para que sejam viabilizados dois
cessar-fogos curtos, respectivamente de 24 horas e 48 horas, a fim de permitir
a retirada de feridos e corpos das linhas de frente do
combate
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Hungria: transformação do orçamento da União Europeia no
'orçamento da Ucrânia' é inaceitável
A
Hungria é categoricamente contra a transformação do orçamento da União Europeia
(UE) em “orçamento da Ucrânia”, disse o ministro das Relações Exteriores e das
Relações Econômicas Externas da Hungria, Peter Szijjarto, em entrevista à
Sputnik .
"Esta
proposta para um novo orçamento de sete
anos da União Europeia é totalmente inaceitável para nós. Não vamos
dar qualquer apoio ou consentimento. Não é um orçamento da União Europeia - é
um orçamento da Ucrânia", disse Szijjarto, respondendo à pergunta sobre os
fundos destinados à Ucrânia no orçamento da UE para 2028-2034.
Em 16
de julho, a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou sua
proposta sobre o montante e os programas de gastos do próximo
orçamento plurianual da UE para 2028-2034, que os especialistas haviam chamado
anteriormente de "insustentável".
De
acordo com a proposta da CE, o orçamento será de cerca de 2 trilhões de euros
(R$ 12,9 trilhões). Cerca de 100 bilhões de euros (R$ 649 bilhões) são
propostos para assistência à
Ucrânia. No
entanto, a Hungria afirma, citando vários especialistas, que a parte real da
ajuda à Ucrânia no orçamento europeu pode atingir 25%.
Fonte:
Sputnik Brasil

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