sexta-feira, 25 de julho de 2025

Trump na lista de Epstein? O que diz a Casa Branca

A Casa Branca reagiu à notícia de que o presidente americano, Donald Trump, foi informado em maio de que estava entre as centenas de nomes mencionados nos documentos do Departamento de Justiça relacionados a Jeffrey Epstein — o magnata financeiro acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores, encontrado morto na prisão em 2019.

O Wall Street Journal publicou que o presidente foi informado do fato pela procuradora-geral, Pam Bondi, durante uma reunião de rotina. E observou que aparecer nos documentos não era sinal de qualquer irregularidade por parte de Trump.

Em resposta, um porta-voz da Casa Branca classificou a reportagem como "notícia falsa".

O governo Trump tem enfrentado uma pressão cada vez maior para divulgar mais informações sobre o caso Epstein — de quem Trump era amigo até, segundo o presidente, eles se desentenderem em 2004.

Durante a campanha para a presidência no ano passado, Trump prometeu divulgar esses arquivos sobre o criminoso sexual bem relacionado.

Mas, desde então, seus apoiadores ficaram frustrados com a maneira como o governo lidou com a questão, incluindo o fato de não ter entregado uma suposta "lista de clientes" de Epstein. Em comunicado no início deste mês, o Departamento de Justiça e o FBI, a polícia federal americana, disseram que não havia tal lista.

Epstein morreu em uma cela de prisão em Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual, após uma condenação anterior por aliciamento de uma menor para prostituição. Sua morte foi considerada suicídio.

Seus crimes e a natureza da sua morte têm sido objeto de teorias de conspiração há muito tempo.

Em paralelo, na quarta-feira (24/07), uma juíza na Flórida negou o pedido do Departamento de Justiça para tornar públicos os arquivos do tribunal relacionados ao processo contra Epstein.

Mais tarde, no mesmo dia, uma subcomissão da Câmara dos Representantes votou a favor de intimar o Departamento de Justiça para obter seus arquivos. A ordem legal deve ser assinada pelo presidente da comissão antes de ser emitida oficialmente.

Durante sua reunião com Trump em maio, Bondi disse ao presidente que os arquivos continham boatos sobre muitas pessoas, inclusive Trump, escreveu o Wall Street Journal.

Isso contradiz um relato feito no início deste mês pelo presidente, que respondeu "não, não" quando perguntado por um jornalista se Bondi havia dito que seu nome aparecia nos arquivos.

Bondi também teria dito ao presidente que os registros de Epstein incluíam pornografia infantil e informações sobre vítimas que não deveriam ser divulgadas, informou o Wall Street Journal na quarta-feira.

Ser mencionado nos documentos não é evidência de qualquer atividade criminosa, e Trump jamais foi acusado de irregularidades em conexão com o caso Epstein.

A reportagem foi posteriormente confirmada por outros meios de comunicação dos EUA, mas não foi verificada de forma independente pela BBC.

Steven Cheung, porta-voz de Trump, classificou a reportagem como "nada mais do que uma continuação das notícias falsas inventadas pelos democratas e pela imprensa liberal, assim como o escândalo Russiagate de Obama, sobre o qual o presidente Trump estava certo".

A procuradora-geral afirmou: "Nada nos arquivos justificava mais investigações ou processos".

O diretor do FBI, Kash Patel, declarou: "Os informantes criminosos e a mídia de fake news tentam incansavelmente minar o presidente Trump com difamações e mentiras, e essa história não é diferente".

Mas um funcionário não identificado da Casa Branca disse à agência de notícias Reuters que eles não estavam negando que o nome de Trump aparecesse nos documentos.

O funcionário apontou para os arquivos de Epstein divulgados meses antes pelo Departamento de Justiça que incluíam Trump.

Esses arquivos, distribuídos a influenciadores conservadores em fevereiro, incluíam os números de telefone de alguns membros da família de Trump, incluindo sua filha.

Trump havia instruído Bondi a buscar a liberação de todos os documentos do grande júri, o que levou o Departamento de Justiça a solicitar aos tribunais na Flórida e em Nova York que tornassem públicos os arquivos relacionados ao caso em ambas as jurisdições.

Mas a juíza Robin Rosenberg decidiu na quarta-feira que a liberação dos documentos do processo de Epstein na Flórida violaria as diretrizes estaduais que regem o sigilo do grande júri.

"As mãos do tribunal estão atadas", afirmou a juíza nomeada por Obama em seu despacho de 12 páginas.

As transcrições em questão são resultado da investigação da Flórida sobre Epstein em 2006, que o levou a ser acusado de aliciar uma menor para prostituição.

A juíza Rosenberg também se recusou a transferir a questão para Nova York, onde dois juízes estão decidindo separadamente se devem liberar as transcrições relacionadas à investigação de Epstein sobre tráfico sexual de 2019. Essa solicitação ainda está pendente.

Os últimos desdobramentos acontecem no momento em que os holofotes voltam a se concentrar em Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual, que está cumprindo uma pena de 20 anos de prisão por ajudar Epstein a abusar de meninas.

Um alto funcionário do Departamento de Justiça está planejando se encontrar com a ex-socialite britânica para discutir seu conhecimento sobre o caso, confirmou seu advogado à BBC.

Além da intimação para obter os arquivos do Departamento de Justiça, os republicanos da Comissão de Supervisão da Câmara haviam enviado anteriormente uma intimação legal para que Maxwell compareça perante o órgão, remotamente a partir da prisão, em 11 de agosto.

Seu advogado, David Oscar Markus, disse à BBC que, se ela decidir testemunhar, em vez de invocar seu direito constitucional de permanecer em silêncio, "ela testemunharia com sinceridade, como sempre disse que faria".

"Quanto à intimação do Congresso, Maxwell está dando um passo de cada vez", acrescentou ele.

"Ela aguarda ansiosamente a reunião com o Departamento de Justiça, e essa discussão vai ajudar a determinar como ela vai proceder."

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, advertiu que não se pode confiar em Maxwell para prestar um depoimento preciso.

O republicano da Louisiana afirmou: "Quero dizer que essa é uma pessoa que foi condenada a muitos e muitos anos de prisão por atos terríveis, indescritíveis, conspiratórios e contra jovens inocentes."

Bondi disse no início deste mês que o Departamento de Justiça dos EUA não havia descoberto nenhuma "lista incriminadora de clientes" de Epstein.

Ela também afirmou que ele tirou a própria vida em uma prisão de Nova York em 2019 — apesar de teorias da conspiração sobre sua morte.

Bondi havia sugerido anteriormente que faria grandes revelações sobre o caso, dizendo que tinha "muitos nomes" e "muitos registros de voos".

A mudança de postura da procuradora-geral provocou a ira de alguns dos mais fervorosos apoiadores de Trump, que pediram sua renúncia.

Os democratas aproveitaram a briga interna dos republicanos para acusar o governo Trump de encobrimento.

Na terça-feira, o presidente da Câmara dos Representantes decidiu antecipar o recesso parlamentar em um dia, em uma tentativa de adiar os esforços legislativos para forçar a divulgação de documentos relacionados a Epstein.

Mas os rebeldes republicanos da Comissão de Supervisão da Câmara votaram na tarde de quarta-feira para forçar o Departamento de Justiça a liberar os arquivos.

Três republicanos — Nancy Mace, Scott Perry e Brian Jack — se juntaram a cinco democratas para votar a favor da intimação. Dois republicanos votaram contra.

Mas James Comer, o presidente republicano da Comissão de Supervisão da Câmara, precisa assinar o documento para que a intimação legal prossiga.

¨      Como a polêmica envolvendo Jeffrey Epstein mergulhou o mundo da Maga na turbulência – uma linha do tempo

O anúncio do Departamento de Justiça de que não tinha uma lista dos supostos clientes de Jeffrey Epstein e que o criminoso sexual condenado não foi assassinado mergulhou o mundo da direita no caos.

Comentaristas conservadores e figuras da mídia, alguns dos quais passaram anos promovendo teorias da conspiração sobre a morte de Epstein, acusaram o governo de encobrir os crimes do gestor de fundos de hedge, com pedidos crescentes para que Pam Bondi , a procuradora-geral, renuncie.

A saga colocou Donald Trump , que foi amigo de Epstein por muitos anos antes de renegar o financista, contra sua base, com o presidente implorando no fim de semana para que seus apoiadores "não desperdiçassem tempo e energia com Jeffrey Epstein".

Foi assim que chegamos aqui.

<><> Epstein acusou

>>> 6 de julho de 2019

Epstein é acusado de crimes federais de tráfico sexual em um tribunal de Manhattan. Os promotores alegam que Epstein, que foi detido, "explorou e abusou sexualmente de dezenas de meninas menores de idade" entre 2002 e 2005 em casas em Manhattan e Palm Beach, Flórida. Epstein se declara inocente.

As acusações surgem mais de uma década depois de Epstein e o Ministério Público de Miami chegarem a um acordo que encerrou uma investigação federal envolvendo pelo menos 40 adolescentes. Epstein se declarou culpado em 2008 das acusações estaduais, cumpriu 13 meses de prisão e foi registrado como agressor sexual.

<><> Epstein morre

>>> 10 de agosto de 2019

Guardas encontram Epstein morto em sua cela no centro correcional Metropolitan, em Manhattan. Em 16 de agosto, o legista-chefe de Nova York determinou que a causa da morte foi suicídio por enforcamento, mas os advogados de Epstein afirmam estar insatisfeitos com as conclusões do legista.

<><> Trump compartilha teoria da conspiração sobre a morte de Epstein

>>> 11 de agosto de 2019

Trump compartilha um tuíte do comediante de direita Terrence Williams, que afirma que Bill e Hillary Clinton estiveram envolvidos na morte de Epstein. Após as críticas, Trump reforça a posição , dizendo aos repórteres:

A pergunta que você precisa fazer é: Bill Clinton foi para a ilha? Porque Epstein tinha uma ilha. Não era um bom lugar, pelo que eu entendi, e eu nunca estive lá. Trump acrescenta: "Então você precisa perguntar: Bill Clinton foi para a ilha? Essa é a pergunta. Se você descobrir isso, vai saber muita coisa."

Um porta-voz dos Clinton afirma que a família nada sabe sobre os crimes cometidos por Epstein, que era conhecido por ter vários associados famosos e poderosos, incluindo o príncipe Andrew. O próprio Trump era amigo de Epstein e, em 2002, afirmou que o conhecia há 15 anos, descrevendo-o como um "cara fantástico". Os dois se desentenderam posteriormente após uma disputa por uma propriedade na Flórida.

<><> As teorias se espalharam

>>> Agosto de 2019

A decisão oficial de que Epstein se suicidou pouco contribui para acalmar os teóricos da conspiração. Grande parte dos comentários, principalmente da direita, concentra-se na relação de Epstein com figuras liberais, incluindo Clinton.

A frase "Epstein não se suicidou" começa a se espalhar online, com Joe Rogan e até mesmo membros republicanos do Congresso postando- a nas redes sociais.

<><> Maxwell atacou

>>> 29 de dezembro de 2021

Ghislaine Maxwell, ex-parceira e confidente de longa data de Epstein, é condenada por tráfico sexual . O juiz afirma que Maxwell é "culpada de um dos piores crimes imagináveis: facilitar e participar de abuso sexual de crianças. Crimes que ela cometeu com seu parceiro de longa data e cúmplice, Jeffrey Epstein".

<><> Documentos de Epstein tornados públicos

>>> 3 de janeiro de 2024

Um conjunto de documentos judiciais que identificam associados de Epstein foi revelado . Os documentos foram apresentados como parte de um processo contra Maxwell em 2015 por uma das vítimas de Epstein, Virginia Giuffre.

Bill Clinton, Michael Jackson, David Copperfield e Trump estavam entre os nomeados nos documentos – embora nenhum deles tenha sido acusado de qualquer irregularidade. Giuffre alegou que Epstein e Maxwell a forçaram a ter um encontro sexual com o Príncipe Andrew aos 17 anos, e Giuffre processou o Príncipe Andrew pelo suposto abuso sexual. O processo foi encerrado no início de 2022. Andrew negou qualquer irregularidade.

<><> Trump questionado sobre Epstein durante campanha eleitoral

>>> 3 de setembro de 2024

Trump, candidato à presidência, é questionado em uma entrevista se desclassificaria "os arquivos do 11 de Setembro" e "os arquivos de JFK". Ele responde que sim. Trump é então questionado se desclassificaria "os arquivos de Epstein", e inicialmente diz que sim, mas acrescenta:

“Acho que [desclassificar os arquivos de Epstein], menos, porque você não sabe – você não quer afetar a vida das pessoas se houver coisas falsas lá, porque há muita coisa falsa naquele mundo todo.”

<><> Lista na mesa

>>> 21 de fevereiro de 2025

Em uma entrevista à Fox News, Pam Bondi é questionada: “O Departamento de Justiça pode divulgar a lista de clientes de Jeffrey Epstein, isso realmente vai acontecer?”

Bondi responde: “Está na minha mesa agora para revisão.”

Mais tarde, Bondi sugeriu que estava se referindo aos arquivos do caso Epstein, não a uma lista de clientes.

<><> Alguns arquivos divulgados para influenciadores conservadores

>>> 27 de fevereiro de 2025

Depois que Trump e J.D. Vance prometeram, durante a campanha eleitoral de 2024, que divulgariam arquivos relacionados aos crimes e contatos de Epstein, o Departamento de Justiça entregou a um grupo de comentaristas conservadores pastas com o título "Os Arquivos de Epstein: Fase 1". Os arquivos contêm poucas informações novas , deixando os teóricos da conspiração decepcionados.

Bondi descreve os documentos como a "primeira fase dos arquivos" e, em um comunicado, o departamento de justiça diz que "continua comprometido com a transparência e pretende divulgar os documentos restantes após revisão e redação para proteger as identidades das vítimas de Epstein".

<><> Musk acusa Trump

>>> 5 de junho de 2025

Em meio a uma discussão sobre o projeto de lei tributária proposto por Trump, Elon Musk publica no X: “Hora de soltar a bomba de verdade. @realdonaldtrump está nos arquivos de Epstein. É por isso que eles não foram tornados públicos.”

Musk depois apaga o tuíte.

<><> Nenhuma lista de clientes

>>> 7 de julho

O Departamento de Justiça anuncia que Epstein não mantinha uma lista de clientes e afirmou que nenhum outro arquivo relacionado à sua investigação de tráfico sexual seria tornado público. O departamento divulgou um vídeo de 11 horas da cena do lado de fora da cela de Epstein, horas antes e depois de sua morte, mostrando que ninguém entrou ou saiu da cela. Mas um minuto de filmagem está faltando, o que gera mais especulações. Bondi afirma que o minuto faltante se deve à reinicialização do vídeo pelo Departamento de Prisões.

<><> A reação começa

>>> 7 de julho

A mídia e os comentaristas de direita começam a atacar o Departamento de Justiça. Laura Loomer, a teórica da conspiração de 32 anos cuja influência sobre Trump está sob escrutínio, acusa Bondi de "encobrir crimes sexuais contra crianças". "NINGUÉM ACREDITA!! Em seguida, o Departamento de Justiça dirá: 'Na verdade, Jeffrey Epstein nunca existiu'. Isso é extremamente repugnante", escreve Alex Jones, o comentarista de direita e teórico da conspiração, nas redes sociais. No Truth Social, a plataforma de direita de propriedade de Trump, onde as pessoas geralmente se unem em elogios ao presidente e seu governo, vários usuários criticam o governo em detrimento de Epstein.

<><> Discussão na Casa Branca

>>> 9 de julho

Dan Bongino , o vice-diretor do FBI que passou anos promovendo teorias da conspiração sobre a morte de Epstein, teria entrado em conflito com Bondi na Casa Branca. Bondi acusou Bongino de vazar informações para veículos de comunicação, depois que a NewsNation noticiou que o FBI queria divulgar mais informações sobre Epstein "meses atrás", mas foi impedido.

<><> Relatórios de demissão

>>> 11 de julho

A NBC News relata que Bongino está considerando deixar seu cargo no FBI em meio à polêmica de Bondi.

"Bongino está furioso e descontrolado", disse uma fonte à NBC News. "Isso destruiu a carreira dele. Ele está ameaçando pedir demissão e queimar Pam, a menos que ela seja demitida."

<><> Trump pede calma

>>> 12 de julho

Trump escreve uma longa publicação no Truth Social implorando aos seus apoiadores.

O que está acontecendo com meus 'meninos' e, em alguns casos, com minhas 'garotas'? Estão todos atrás da Procuradora-Geral Pam Bondi, que está fazendo um TRABALHO FANTÁSTICO! Estamos no mesmo time, o MAGA, e eu não gosto do que está acontecendo. Temos um governo PERFEITO, O MUNDO MAIS BIZARRO, e 'pessoas egoístas' estão tentando prejudicá-lo, tudo por causa de um cara que nunca morre, Jeffrey Epstein.

Trump acrescenta: "Há um ano, nosso país estava MORTO, agora é o país 'MAIS QUENTE' do mundo. Vamos manter assim, e não desperdiçar tempo e energia com Jeffrey Epstein, alguém com quem ninguém se importa."

A publicação marca a primeira vez que Trump foi "raciocinado" no Truth Social: mais pessoas comentam do que curtem a publicação, o que normalmente sugere discordância.

<><> Câmara bloqueia liberação de arquivos

>>> 14 de julho

Parlamentares republicanos tentam bloquear uma iniciativa democrata para forçar a divulgação dos arquivos de Epstein. Membros republicanos no comitê de regras da Câmara dos Representantes dos EUA rejeitam uma emenda liderada pelos democratas que permitiria ao Congresso votar se as provas do FBI sobre Epstein – que incluem microfitas, discos rígidos de computador, DVDs e CDs – deveriam ser divulgadas.

<><> Johnson rompe com Trump

>>> 15 de julho

Mike Johnson, o presidente republicano da Câmara e aliado ferrenho de Trump, pede a divulgação dos documentos de Epstein. "É um assunto muito delicado, mas devemos expor tudo e deixar que o povo decida", disse Johnson a um podcaster de direita. O presidente se junta a um pequeno, mas crescente, grupo de republicanos que exigem que os documentos sejam tornados públicos: Chip Roy, Thomas Massie e Ralph Norman, membros republicanos da Câmara, exigem a divulgação de mais informações.

<><> Trump chama qualquer pessoa interessada nos arquivos de Epstein de "pessoas más"

>>> 15 de julho

Questionado sobre o interesse de seus apoiadores no caso Epstein, Trump responde : “Não entendo por que o caso Jeffrey Epstein seria do interesse de alguém. É um assunto bem chato. É sórdido, mas é chato. Não entendo por que continua acontecendo.”
Trump acrescenta: “Acho que só pessoas bem ruins, incluindo as que fazem fake news, querem manter algo assim acontecendo”, e prossegue: “Mas informações confiáveis, que eles as deem. Qualquer coisa que seja confiável, eu diria, que eles tenham.”

¨      Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA supostamente se preparam para se reunir com Ghislaine Maxwell

O escândalo dos arquivos de Jeffrey Epstein envolvendo Donald Trump e seu governo continuou a crescer na quinta-feira, quando autoridades do Departamento de Justiça supostamente se reuniriam com Ghislaine Maxwell, antiga associada do falecido agressor sexual .

Todd Blanche, o procurador-geral adjunto dos EUA, chegou na manhã de quinta-feira ao escritório do procurador-geral dos EUA em Tallahassee, Flórida, onde deveria se encontrar com Maxwell, informou a ABC News . O gabinete do promotor estadual fica no tribunal federal na capital da Flórida e os advogados de Maxwell também foram vistos entrando no prédio, informou a emissora de TV.

O Departamento de Justiça dos EUA anunciou na terça-feira que a reunião ocorreria "nos próximos dias". Maxwell cumpre pena de 20 anos por tráfico sexual e outros crimes em uma prisão federal na Flórida, após ter sido condenado em Nova York no final de 2021.

A reunião acontece em meio à crescente pressão política e pública sobre o governo Trump para divulgar mais detalhes sobre a investigação de Epstein — algo que Trump e membros de seu governo haviam prometido.

Mark Epstein, irmão do financista desgraçado, disse que se tivesse oportunidade perguntaria a Maxwell "o que ela e Jeffrey poderiam saber sobre a sujeira de Donald Trump".

"Porque Jeffrey disse que tinha informações podres sobre Trump", disse Mark Epstein. "Não sei o que era, mas anos atrás ele disse que tinha informações podres sobre Trump."

Ele acrescentou que não estava “particularmente preocupado” com Maxwell, acrescentando: “Há muitas pessoas neste planeta”.

Enquanto isso, o irmão de Maxwell, Ian Maxwell, disse ao New York Post que sua irmã está preparando “novas evidências” antes de sua reunião com autoridades do Departamento de Justiça.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela em Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual, acusações que ele negou, relacionadas às acusações de que ele "explorou e abusou sexualmente de dezenas de meninas menores de idade". Ele já havia sido oficialmente declarado criminoso sexual na Flórida, mas ressurgiu como uma figura significativa nos círculos políticos e empresariais dos EUA nos anos seguintes ao acordo sobre as acusações criminais anteriores.

O foco renovado na associação passada de Trump com Epstein surge após o anúncio do departamento de justiça no início deste mês de que não divulgaria mais documentos da investigação mais recente de Epstein — apesar das promessas anteriores do presidente dos EUA e da procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi.

O anúncio do departamento de justiça atraiu críticas e reações de ambos os lados do espectro político, incluindo alguns apoiadores de Trump e comentaristas conservadores que acusaram o governo de encobrir o ocorrido .

Durante anos, o caso Epstein tem sido alvo de inúmeras teorias da conspiração , em parte devido aos laços de Epstein com figuras de destaque . A morte de Epstein, oficialmente considerada suicídio, também alimentou muitas teorias da conspiração .

Na quarta-feira, o Wall Street Journal informou que Trump foi informado por Bondi em maio que seu nome aparece várias vezes nos arquivos do Departamento de Justiça relacionados a Epstein.

O relatório também disse que Trump foi informado de que muitos outros indivíduos importantes foram nomeados nos arquivos e que o departamento não planejava divulgar nenhum documento adicional relacionado à investigação.

O porta-voz de Trump, Steven Cheung, negou as alegações da reportagem do Journal e rejeitou a história.

Em uma declaração por e-mail esta semana, Cheung disse que “o fato é que o presidente o expulsou [Epstein] de seu clube por ser um pervertido”.

Enquanto isso, o comitê de supervisão da Câmara votou por 8 a 2 na quarta-feira para intimar o departamento de justiça sobre os arquivos de Epstein , com três republicanos se juntando a todos os democratas na votação.

O comitê também intimou Maxwell a testemunhar perante autoridades do comitê em 11 de agosto.

À medida que a reunião do Departamento de Justiça com Maxwell se aproximava, na quinta-feira, o ceticismo em torno de sua credibilidade crescia entre os legisladores.

Mike Johnson, o presidente republicano da Câmara, questionou se Maxwell era confiável .

E Dan Goldman, um representante democrata de Nova York, disse em uma publicação no X na terça-feira: "Ghislaine está buscando um perdão, e quem melhor para concedê-lo a ela do que um cúmplice agora no Salão Oval?"

 

Fonte: BBC News Brasil/The Guardian

 

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