quinta-feira, 24 de julho de 2025

Plinio Teodoro: Os motivos que devem levar Bolsonaro à prisão preventiva - e o único que pode livrá-lo

Da Europa, onde curte férias com a família em meio ao caso gerado pelo pai e o irmão no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou em publicação nesta segunda-feira (21) na rede X um dos pilares da articulação que pode levar Jair Bolsonaro (PL) preso.

"Nas próximas horas vou protocolar mais um pedido de impeachment de Alexandre de Moraes no Senado", escreveu o senador, que emenda que "a espinha de peixe na garganta do Brasil precisa ser retirada".

O golpe 2.0 articulado por Bolsonaro - que está prestes a ser preso como líder da intentona que resultou no quebra-quebra do 8 de janeiro de 2023 - teve início após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impor uma série de medidas restritivas ao ex-presidente, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, na última sexta-feira (18).

Recluso, o ex-presidente passou o fim de semana ao telefone com aliados e conversou com Ciro Nogueira, presidente do PP e articulador da federação com o União que resultou na maior bancada da Câmara com 104 deputados e 14 senadores, Silas Malafaia e o pupilo do guru, o líder do PL na casa legislativa, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Ficou decidido que a bancada bolsonarista aproveitaria o recesso parlamentar para transformar a Câmara no quartel-general do novo levante golpista. Coube a Sóstenes recrutar a bancada bolsonarista e receber cada deputado fazendo cena com a bandeira do Brasil.

Em peso, deputados do PL e do Novo - além de nomes mais radicais de partidos do Centrão - desembarcaram na capital e se dirigiram nesta segunda-feira (21) à Câmara para um encontro com o líder, Jair Bolsonaro.

No convescote golpista, Bolsonaro teria orientado os senadores que entrassem com novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Coube a Damares Alves (Republicanos-DF) o papel de garota de recado para anunciar que "decidimos que a pauta do Senado será o impeachment do senhor ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre".

"Será a pauta que a oposição vai trabalhar nos próximos dias", anunciou Damares às 17h33 em meio ao recesso do legislativo, prenunciando a saraivada de requerimentos contra o ministro do Supremo no Senado.

<><> Comissões do golpe 2.0

Na reunião em que foi decidido tornar a Câmara o QG do golpe 2.0, Bolsonaro e aliados formaram três "comissões" para dar início à batalha sangrenta contra as demais instituições brasileiras e jogar o país no caos - juntamente com a guerra comercial desencadeada por Donald Trump - para, assim, livrar o ex-presidente da prisão.

A primeira comissão, de comunicação, é liderado por Gustavo Gayer. Um dos maiores propagadores de mentiras da horda nas redes, o deputado goiano é investigado por um suposto esquema de corrupção com cota parlamentar, enfrenta denúncias de discriminação racial e discurso de ódio e já foi condenado por assédio eleitoral e fake News contra Lula.

Gayer será o responsável por comandar uma reedição de gabinete do ódio, proliferando mentiras, discursos de ódio e informações distorcidas com o objetivo de criar pânico na população e incendiar pautas na mídia liberal, tirando o foco da ação principal. Coube a ele levantar a hashtag Reaja Brasil, que está ganhando corpo na manhã desta terça-feira na rede X.

Ele terá auxílio da segunda comissão, comandada pelos deputados Zé Trovão (PL-SC) e Rodolfo Nogueira (PL-MS), que têm por objetivo voltar a mobilizar extremistas para irem às ruas, a exemplo do que aconteceu após às eleições de 2022, com bolsonaristas acampando em frete aos quartéis. A ideia é já formar uma mobilização que, segundo estimativas deles, deve ser fortalecida caso Bolsonaro seja preso.

"Por ele que fez por nós, seguiremos a luta pelo povo que não merece ser escravizado! Seguimos firmes contra o ditador e o comunista, em defesa do Brasil", publicou Zé Trovão, que tem uma extensa ficha criminal, ao dar início à missão nas redes.

Já Rodolfo Nogueira, que é presidente da Comissão de Agricultura e membro da bancada ruralista, buscar apoio dos antigos aliados do "agro", um dos setores mais afetados pela taxação de Trump - que os bolsonaristas tentam encampar a narrativa de "tarifa-Moraes".

"A maior injustiça da história! Não nos calaremos", escreveu Nogueira em foto ao lado da tornozeleira de Bolsonaro nas redes.

A terceira "comissão", de articulação interna na Câmara e no Senado, será comandada pelo PM Cabo Gilberto (PL-PB), que deve negociar o apoio e emparedar parlamentares do Centrão a aderirem ao novo golpe. Ele deve dividir a missão com o próprio Bolsonaro, que negocia com o comando dos partidos, como a conversa que teve com Ciro Nogueira.

<><> QG do Golpe 2.0

Com a Câmara esvaziada em razão do recesso parlamentar, os bolsonaristas vão ocupar as Comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública para votarem moções de "apoio, louvor, solidariedade" ao ex-presidente que foram protocoladas na sexta-feira (18), logo após as medidas impostas por Moraes.

A estratégia é levar Bolsonaro novamente à Câmara para receber as homenagens, mostrar o mais novo artefato do vitimismo - a tornozeleira eletrônica - e pulverizar as redes sociais com vídeos de lacração e ataques às instituições e autoridades, em especial a Moraes.

Além da articulação explícita de um golpe 2.0, há o risco de Bolsonaro voltar a ter um chilique, como aconteceu na tarde desta segunda-feira, com vídeos se alastrando pelas redes sociais, o que gerou o pedido de explicações de Moraes aos advogados e pode levar à decretação da prisão temporária do ex-presidente.

O risco se dá justamente por Bolsonaro se sentir seguro em meio à horda extremista recrutada, vestir a pelo de lobo e ter mais um ataque de fúria contra Moraes - o que causa apreensão entre os advogados do ex-presidente.

Só há um motivo para que Bolsonaro não seja preso: recuar do novo levante, que tirou dezenas de deputados a sacrificarem suas "férias" - como a que está sendo curtida por Flávio na Europa.

Para isso, Bolsonaro terá que vestir novamente a pele de cordeiro e se acovardar, como fez diante de Moraes no depoimento à primeira turma do STF. Sob o manto da covardia, Bolsonaro poderá retardar sua prisão, mas não se livrar dela.

•        Como os aliados de Jair Bolsonaro estão reagindo à iminente prisão de seu líder?

A prisão iminente de Jair Bolsonaro vem acendido o alerta para formas de reação e até tentativas de evitar que isso aconteça entre os apoiadores no Congresso e nas ruas. Em duas frentes, os parlamentares acreditam que o projeto de lei de anistia aos golpistas de 8 de janeiro poderá salvar Bolsonaro da prisão e, entre os seguidores, mobilizações nas ruas estão previstas.

Na primeira frente, parlamentares da base bolsonarista articulam uma ofensiva legislativa para responder ao avanço das investigações e ao risco da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para isso, declararam prioridade máxima na votação do projeto de lei que concede anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Se aprovada, a lei será usada para perdoar os crimes dos apoiadores acusados de tentativa de golpe e do próprio líder político.

“Quando retornar o trabalho legislativo, nós temos como pauta nosso item número 1: não abriremos mão, na Câmara nem no Senado, de pautarmos anistia dos presos políticos do 8 de janeiro”, afirmou o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), logo após o ato de manifesto de Bolsonaro com aliados na Câmara, usando tornozeleira eletrônica.

A volta dos trabalhos legislativos ocorre no dia 4 de agosto. Mas antes mesmo do retorno oficial, bolsonaristas do Congresso já pressionam e entram com medidas para aprovar a anistia. Nesta segunda (21), a deputada Caroline De Toni (PL-SC) pediu uma sessão virtual extraordinária, em meio às férias, para votar o texto.

A deputada pediu no requerimento que sejam votados de forma urgente, no meio do recesso parlamentar, a anistia ao 8 de janeiro e um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

Moraes, por sua vez, já ressaltou que a aprovação de uma eventual anistia aos acusados de tentativa de golpe de Estado é inconstitucional. A afirmação foi feita publicamente e também na própria decisão de colocar tornozeleira eletrônica em Bolsonaro, ao argumentar a tentativa de Bolsonaro de impedir as investigações contra ele.

“[Jair Bolsonaro] pretende, tanto por declarações e publicações, quanto por meio de induzimento, instigação e auxílio – inclusive financeiro — a Eduardo Nantes Bolsonaro — o espúrio término da análise de sua responsabilidade penal, seja por meio de uma inexistente possibilidade de arquivamento sumário, seja pela aprovação de uma inconstitucional anistia.”

Além disso, bolsonaristas articulam atos de rua. O próprio líder da Câmara, Sóstenes afirmou que o primeiro ato já tem data, caso Jair Bolsonaro não seja preso antes: o primeiro domingo de agosto, dia 3, véspera da volta da atividade legislativa.

O ato funcionaria para pressionar a votação da agenda da extrema-direita na Casa, incluindo a anistia e impeachment contra Moraes.

•        “Moraes não é Moro”: estudantes de Direito defendem prisão de Bolsonaro e rechaçam comparações com a Lava Jato

Estudantes de Direito de todo o país aprovaram, por unanimidade, uma moção em defesa da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais golpistas, durante o 60º Congresso da UNE, realizado em Goiânia no último dia 19.

Intitulado “Sem Anistia, Bolsonaro na cadeia! Por Memória, Verdade e Justiça. Em Defesa da Democracia!”, o documento destaca que o processo conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representa uma resposta institucional legítima, respeitando o devido processo legal, em contraste com os abusos cometidos pela operação Lava Jato.

“Moraes não é Moro”, afirmam os estudantes, numa alusão ao ex-juiz Sérgio Moro, cuja atuação parcial e alinhada a interesses políticos foi amplamente denunciada pelo GGN desde os primeiros desdobramentos da operação em Curitiba.

Segundo a Federação Nacional de Estudantes de Direito (FENED), que assina a moção junto a centros acadêmicos históricos como XI de Agosto (USP), CADIR (UnB), CAEV (UFF) e CADEL (UFPA), a responsabilização penal de Bolsonaro pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 é necessária para garantir a memória, a verdade e a justiça.

Para os estudantes, ao contrário daquele período, o julgamento de Bolsonaro é conduzido com firmeza e responsabilidade histórica. “A democracia exige justiça, responsabilização e reparação”, afirma o texto da FENED, que rechaça qualquer possibilidade de anistia aos golpistas.

<><> Defesa da soberania brasileira

Além de tratar da responsabilização de Bolsonaro com base na Ação Penal nº 2.668/DF, a moção também repudia tentativas de interferência estrangeira no sistema de justiça brasileiro, citando especificamente pressões diplomáticas dos Estados Unidos em favor do ex-presidente.

“A soberania nacional e a independência dos nossos Poderes não podem ser subjugadas aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos ou de seus aliados. Defender a democracia brasileira é também defender nossa autodeterminação”, afirma a entidade estudantil.

A FENED ressalta ainda o papel histórico do movimento estudantil jurídico nas lutas contra a ditadura militar, na redemocratização do país e na resistência ao bolsonarismo. “Nossa luta é para que o Brasil nunca mais seja entregue às mãos do fascismo”.

•        Bolsonaristas preparam ofensiva contra Motta e ela envolve Trump

A Câmara dos Deputados foi palco de um show patético e de clara demonstração de como a extrema direita bolsonarista pode ser qualquer coisa, menos patriota, como adoram afirmar, pois, após tentarem romper com o recesso parlamentar, os deputados da oposição se reuniram na Comissão de Segurança Pública e penduraram uma bandeira de Donald Trump, presidente dos EUA.

Porém, a intentona bolsonarista foi frustrada pelo presidente da Câmara dos Deputados que, em ato normativo, proibiu sessões das Comissões até o dia 1º de agosto, quando termina o recesso.

Revoltados, os deputados bolsonaristas desceram mais um nível no quesito entreguismo e, de acordo com informações do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, eles pretendem recorrer ao presidente dos EUA e pedir para que o Departamento de Estado cancele o visto de Hugo Motta, do mesmo jeito que ocorreu com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonarista próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou o seguinte ao Metrópoles: "O Hugo não foi subserviente aos acordos com o PL. Agora, quem sabe será ao Trump? Até porque ele não teve o visto suspenso ainda."

Outro motivo do azedume entre bolsonaristas e Hugo Motta é o fato de que o presidente da Câmara ainda não pautou o projeto que concede anistia política a todos os envolvidos na tentativa de golpe de Estado perpetrada no dia 8 de janeiro de 2023.

Após interromperem o recesso - enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) curte férias na Europa - para voltarem à Brasília a mando de Jair Bolsonaro (PL), deputados e senadores bolsonaristas passaram vergonha na manhã desta terça-feira (22) após o ex-presidente se acovardar e não ir à casa legislativa por medo de ser preso.

Com 23 deputados marcando presença, a sessão extraordinária da Comissão de Segurança Pública, convocada para votar moções de apoio a Bolsonaro, foi cancelada após ato do presidente da Câmara, Hugo Motta, proibindo sessões das comissões até dia 1º de agosto, quando termina o recesso.

A horda de parlamentares extremistas já tinha deixado inclusive o cenário armado, com uma mesa preparada para entrevista coletiva com uma placa de "Jair Bolsonaro - 38º Presidente do Brasil". Com o cancelamento dos trabalhos, os bolsonaristas se dirigiram à sede do PL, onde pretendem se reunir com o ex-presidente.

"A placa com o nome de Jair Bolsonaro já estava pronta na mesa. O PL queria transformar a Câmara num palco de provocação e confronto direto com a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Era uma encenação planejada para gerar o momento da prisão — e depois gritar “ditadura”. Querem transformar a ordem democrática em espetáculo farsesco. Não passarão. Não é show, é o Parlamento. A decisão da Presidência da Casa deve ser respeitada. A extrema-direita não fará da Câmara um comitê da desordem", escreveu Lindbergh Farias, líder do PT, em publicação na rede X.

Lindbergh ainda divulgou uma publicação que mostra os boslonaristas segurando uma bandeira onde se lê "Trump, make américa great again" dentro do Congresso Nacional. Presidente dos EUA, Donald Trump decretou uma guerra comercial contra o Brasil.

Vice líder do partido, Rogério Correia (PT-MG) divulgou foto do painel da Comissão de Segurança Pública marcando a presença dos bolsonaristas.

"Olha aí, presidente ?Hugo Motta, manda tudo que é valentão para comissão de ética. Chegaram a abrir o painel e marcar presença em reunião vedada pela mesa diretora.  A extrema direita não respeita as regras democráticas, a estratégia é de golpe continuado", escreveu.

 

Fonte: Fórum/Jornal GGN

 

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