quinta-feira, 24 de julho de 2025

Diabetes 2: exposição a químicos aumenta risco da doença

A exposição a uma classe de químicos sintéticos conhecidos como substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (Pfas) — frequentemente chamadas de produtos eternos — pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2, de acordo com um estudo liderado por pesquisadores do Hospital Mount Sinai, nos Estados Unidos. A constatação foi publicada em um artigo na revista eBioMedicine.

Os pesquisadores realizaram um estudo de caso-controle no BioMe, um amplo banco de dados de pesquisa vinculado a registros eletrônicos de saúde, que compreende informações de mais de 70 mil pessoas. Todos os participantes viviam em Nova York. O estudo analisou 180 pessoas recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2 (DT2) e as comparou a 180 indivíduos com perfil semelhante, mas sem a doença.

Foram usadas amostras de sangue para analisar os níveis de Pfas — um grupo de substâncias químicas onipresentes, desde panelas antiaderentes a móveis resistentes a manchas e roupas impermeáveis. Os cientistas descobriram que taxas mais elevadas estavam associadas a um risco significativamente maior de desenvolver diabetes tipo 2 futuramente.

<><> Medicamentos

Especificamente, cada aumento na faixa de exposição a Pfas foi relacionada a um aumento de 31% no risco. A equipe também descobriu que essas associações podem ser devidas a irregularidades metabólicas na biossíntese de aminoácidos e no metabolismo de medicamentos, o que pode ajudar a explicar como os químicos afetam a capacidade do corpo de regular o açúcar no sangue.

"Os PFAS são substâncias químicas sintéticas que resistem ao calor, óleo, água e manchas e são encontrados em inúmeros produtos de consumo diário", disse Vishal Midya, autor correspondente e professor assistente de Medicina Ambiental da Faculdade de Medicina Icahn do Monte Sinai. "Como não se decompõem facilmente, acumulam-se no ambiente — e no corpo humano. Nosso estudo é um dos primeiros a examinar como essas substâncias químicas podem perturbar o metabolismo do corpo de maneiras que aumentam o risco de diabetes."

Segundo os autores, os resultados ressaltam a importância de prevenir a exposição a Pfas para promover a saúde pública e avançar o conhecimento sobre os potenciais mecanismos subjacentes aos impactos dos químicos no metabolismo humano. "As descobertas podem nos ajudar a projetar intervenções mais eficazes para a prevenção precoce do diabetes tipo 2 no futuro", acredita Midya.

•        Bebidas açucaradas causam 2,2 milhões de casos de diabetes tipo 2 por ano

Cientistas estimam que 2,2 milhões de novos casos de diabetes tipo 2 e 1,2 milhão de novos problemas cardiovasculares surgem anualmente em razão do consumo de bebidas adoçadas com açúcar. A conclusão é de um estudo liderado pela Universidade Tufts, nos Estados Unidos, e publicado na revista Nature Medicine.

Conforme o trabalho, a quantidade de casos em regiões em desenvolvimento é ainda mais preocupante. Na África Subsaariana, os cientistas descobriram que as bebidas adoçadas açucaradas contribuíram para mais de 21% de todos os novos casos de diabetes. Na América Latina e no Caribe, esses alimentos contribuíram para quase 24% dos diagnósticos de diabetes e mais de 11% dos casos de doença cardiovascular.

Colômbia, México e África do Sul foram os países mais afetados. Mais de 48% de todos os novos casos de diabetes na Colômbia foram atribuídos ao consumo de bebidas açucaradas. Quase um terço de todos os novos casos de diabetes no México foram associados ao consumo de bebidas açucaradas. Na África do Sul, 27,6% dos novos casos de diabetes e 14,6% dos casos de doenças cardiovasculares foram atribuídos à ingestão de bebidas com açúcar.

Segundo os cientistas, as bebidas açucaradas são absorvidas pelo organismo muito rapidamente, causando um pico nos níveis de açúcar no sangue com baixo valor nutricional. Além disso, a ingestão regular ao longo do tempo aumenta o ganho de peso, resistência à insulina e pode ainda desencadear uma série de problemas metabólicos ligados ao diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, duas das principais causas de morte em todo o planeta.

"Bebidas açucaradas são amplamente comercializadas e vendidas em nações de baixa e média renda. Essas comunidades não apenas consomem produtos prejudiciais, mas também estão frequentemente menos bem equipadas para lidar com as consequências de saúde a longo prazo", destacou Dariush Mozaffarian, autor senior do artigo e diretor do Food is Medicine Institute na Friedman School, da Universidade Tufts.

De acordo com os autores, conforme os países se desenvolvem e a renda de cada um aumenta, as bebidas açucaradas se tornam mais acessíveis e procuradas pela população. A pesquisa mostra que os homens são mais propensos do que as mulheres a sofrer as consequências do consumo desses alimentos, assim como os adultos mais jovens em comparação com aqueles mais velhos, dizem os pesquisadores.

<><> Intervenções urgentes

"Precisamos de intervenções urgentes e baseadas em evidências para reduzir o consumo de bebidas açucaradas globalmente, antes que ainda mais vidas sejam encurtadas por seus efeitos sobre diabetes e doenças cardíacas", diz Laura Lara-Castor, primeira autora do trabalho e ex-pesquisadora da Universidade Tufts.

Segundo Mariana Arraes, médica pós-graduada em endocrinologia, em Brasília, bebidas açucaradas, assim como o álcool, dificultam a queima de gorduras. "Ele (açúcar) reduz a ação do hormônio responsável pelo transporte e oxidação dos lipídios, causando o acúmulo de gordura no fígado, e elevando a incidência de esteatose hepática."

Para Arraes, é importante estimular a mudança de hábitos de vida, o bem estar e hábitos de exercícios físicos. "Hoje temos uma alta porcentagem de indivíduos obesos e com doenças metabólicas atreladas que talvez não aprenderam os malefícios do consumo desenfreado de bebidas e comidas industrializadas e com excesso de açúcar. É necessário fazer exercícios, dormir bem, evitar açúcar, pães, massas, arroz depois das 19h, fazer a última refeição mais cedo possível, isso independente de renda, se chegar para mais pessoas teremos um impacto direto na conscientização da população."

<><> Saúde pública

Os cientistas acreditam que uma abordagem mais ampla do problema, com a promoção de campanhas de saúde pública, regulamentação da publicidade de bebidas açucaradas e impostos sobre esses produtos adoçados com açúcar, seja uma opção para combater os problemas que esses alimentos causam no organismo.

Alguns países já agem de maneira semelhante. O México, que tem uma das maiores taxas de consumo de bebidas açucaradas do mundo, por pessoa, aplicou um imposto sobre esses produtos em 2014. As primeiras evidências sugerem que a medida tem sido satisfatória para reduzir a ingestão.

"Muito mais precisa ser feito, especialmente em países da América Latina e África onde o consumo é alto e as consequências para a saúde são severas", frisou Mozaffarian. "Precisamos abordar o consumo de bebidas adoçadas com açúcar."

•        Entenda as diferenças entre a diabetes tipo 1 e tipo 2

Caracterizada pelo aumento da glicose no sangue, a diabetes atinge cerca de 20 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia. A entidade estima que, do total, 600 mil pessoas tem o tipo 1 da doença.

Os dois tipos de diabetes têm predisposição genética, segundo a médica endocrinologista Marcela Cohen, do do Hospital DF Star, da Rede D’Or. O tipo 2 (DM2), no entanto, pode ser evitado.

"É possível prevenir, mantendo uma alimentação saudável, prática regular de atividade física, evitando a obesidade e principalmente o acúmulo de gordura na região abdominal", orienta Marcela.

Como a diabetes tipo 2 também é desenvolvida em decorrência de uma série de hábitos considerados prejudiciais, essa doença pode ser desenvolvida concomitantemente a outras enfermidades, como hipertensão e obesidade.

No mundo, há um aumento de diagnósticos de diabetes tipo 2. Um estudo feito no ano passado pela revista científica Lancet indica que 1,31 bilhão de pessoas podem estar vivendo com diabetes até 2050 em todo o mundo.

<><> Diabetes tipo 1

Enquanto a diabetes melitus tipo 2 pode ser evitado — apesar de ter predisposição genética —, a DM1 não tem como ser prevenido. A médica Marcela Cohen explica que a diabetes tipo 1 ocorre quando a pessoa deixa de produzir insulina — hormônio necessário para transporte do carboidrato (açúcar, glicose) para as células do organismo.

"A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que ocorre quando a pessoa produz anticorpos que atacam as próprias células do pâncreas de forma que este para de produzir insulina (hormônio essencial para o consumo da glicose pelo nosso organismo)", afirma a especialista.

Como não há insulina produzida pela pâncreas, pacientes com DM1 deve realizar seus tratamentos por meio da aplicação deste hormônio ao longo do dia. Assim como a diabetes tipo 2, a vida com diabetes tipo 1 demanda atenção a hábitos saudáveis.

"Um estilo de vida saudável com alimentação equilibrada e atividade física regular ajuda no controle da doença", reforça a médica.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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