Crise
no bolsonarismo: anistia enterrada, sanções no radar e tensão interna no PL
A
temperatura política no Congresso Nacional indica um momento de retração para o
bolsonarismo institucional. O enterro simbólico do projeto de Lei da Anistia,
antes tratado como prioridade por setores da base bolsonarista, marca o
esvaziamento definitivo da principal bandeira legislativa do grupo neste ano.
Ao mesmo tempo, cresce a tensão no entorno do PL com a circulação de
informações sobre possíveis sanções internacionais envolvendo parlamentares
brasileiros, em um movimento que expõe fissuras internas e suspeitas de
sabotagem entre aliados.
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Anistia perde apoio interno e externo
Na
Câmara dos Deputados, uma das poucas certezas na casa é que o projeto de
anistia foi definitivamente descartado, sem qualquer perspectiva de votação
após se tornar uma exigência de Donald Trump em sua intentona contra o Brasil.
O que
explica esse sepultamento são dois fatores:
• Internamente, líderes do centrão e mesmo
deputados do baixo clero deixaram de enxergar viabilidade política ou utilidade
estratégica na proposta. O custo de mantê-la em pauta passou a superar os
possíveis ganhos.
• Externamente, a base bolsonarista também
perdeu ímpeto. Os atos de rua em defesa da anistia, que antes pressionavam o
Legislativo, já não têm o mesmo número de participantes nem a capacidade de
gerar temor institucional. A militância bolsonarista parece mais desmobilizada
do que em outros momentos.
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A falta de direção no partido permanece
Ao
mesmo tempo em que a anistia perde espaço, outro fator passou a preocupar
lideranças do PL: a circulação de notícias na imprensa que colocam os deputados
Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (União Brasil), além de ministros
do Supremo Tribunal Federal, no radar de possíveis sanções internacionais.
Segundo
apuração do ICL Notícias, essas reportagens acenderam um alerta entre
dirigentes do PL que agora veem a possibilidade de que os vazamentos tenham
sido plantados por parlamentares ligados a Eduardo Bolsonaro e pelo próprio
filho do ex-presidente.
A
suspeita é que esse tipo de movimentação, em vez de fortalecer o grupo, estaria
aprofundando o isolamento da legenda no Congresso. Se a narrativa de que há
bolsonaristas promovendo uma ofensiva velada contra o centrão e o STF ganhar
força, a vida do PL na articulação legislativa se tornará ainda mais difícil.
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PL tenta descolar da crise
Procurado
pelo ICL Notícias, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da legenda na
Câmara, negou qualquer tipo de articulação nesse sentido, chegando a
classificar como “fake news”.
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Reconfiguração de forças
No pano
de fundo, o que se desenha é um novo ciclo de reconfiguração das forças
políticas da direita no Congresso. O bolsonarismo, outrora com protagonismo
absoluto, agora enfrenta as consequências do esvaziamento da militância, do
desgaste nas ruas e do aumento do isolamento institucional. A aposta em
estratégias de confronto, como a anistia, a retórica anti-STF e, agora, a
difusão de possíveis sanções, mostra sinais de esgotamento.
A
articulação política do centrão, especialmente a de nomes como Hugo Motta,
tende a se distanciar ainda mais de qualquer associação direta com o núcleo
duro do bolsonarismo, não apenas por cálculo político, mas também por uma
crescente percepção de risco institucional e internacional.
O
resultado prático é o enfraquecimento do bolsonarismo como polo de influência
no Legislativo e a fragmentação interna de sua base, exposta agora a conflitos
internos, suspeitas de sabotagem e perda de protagonismo em pautas sensíveis.
• Lula compara Bolsonaro com rato e diz
que ex-presidente mandou filho ir para os EUA: 'Uma vergonha'
O
presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, comparou o adversário político
Jair Bolsonaro com um rato durante um evento nesta quinta-feira (24), em Minas
Novas, região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O petista ainda
classificou como "uma vergonha" a viagem de Eduardo Bolsonaro para os
Estados Unidos.
Lula
criticou Jair ao relembrar a posse presidencial de 2023, quando o ex-mandatário
não compareceu ao evento em Brasília para passar a faixa ao ex-líder sindical.
"O
cara que tentou dar o golpe para não dar posse para mim, não teve coragem de me
esperar, fugiu como rato foge. Fugiu. […] Agora fez a bobagem que fez, mandou o
filho dele sair de deputado federal e ir para Washington pedir para que o
presidente [Donald] Trump intervenha no Brasil. É uma vergonha."
Como
comparação, Lula citou o período em que foi investigado por corrupção na
operação Lava Jato. Nas palavras do petista, realizaram operações nas casas de
familiares dele e, embora não tivessem encontrado nada, ainda assim foi preso.
"Tinha
gente que me mandava ir para o exterior, ir para embaixadas. Eu dizia: 'Um cara
que não morreu de fome até os cinco anos e sobreviveu não vai correr, não. Eu
vou provar a minha inocência'."
Sobre o
tarifaço anunciado por Donald Trump sobre o Brasil, que começa a valer em 1º de
agosto, Lula alegou que o presidente dos Estados Unidos não deseja negociar. O
líder brasileiro ainda relembrou um trecho da carta enviada pelo homólogo
norte-americano, no qual cita uma suposta "caças às bruxas" do
Judiciário a Bolsonaro.
"[Trump]
Acredita em bruxa? Alguém aqui acredita em bruxa para ter caça às bruxas? Ele
mandou uma carta pedindo para pararem de perseguir o Bolsonaro. Um desaforo
desrespeitoso com o Brasil e a Justiça brasileira."
• Bolsonaro diz que vai consultar advogado
antes de falar à imprensa
O
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (24) que irá
consultar seu advogado antes de decidir o que poderá dizer em público ou à
imprensa.
A
declaração foi dada após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), decidir não decretar prisão preventiva por suposto
descumprimento de medidas cautelares. Segundo o ministro, a irregularidade não
foi suficiente para converter as medidas em prisão preventiva, mas afirmou que,
em caso de nova infração, a detenção será imediata.
Segundo
Moraes, não há qualquer proibição que impeça Bolsonaro de conceder entrevistas.
Ainda assim, o ex-presidente afirmou, da sede do PL, em Brasília, onde está com
o filho Jair Renan:
"Vou
ver com o advogado o que posso falar."
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Bolsonaro é condenado a pagar R$ 150 mil por fala sobre refugiadas
adolescentes: 'Pintou um clima'
O
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou,
nesta quinta-feira (24), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a pagar R$ 150 mil
por danos morais coletivos contra adolescentes migrantes venezuelanas.
Durante
a campanha eleitoral de 2022, em uma entrevista ao canal Paparazzo Rubro-Negro,
Bolsonaro comentou a visita a uma comunidade carente em Brasília (DF) a
refugiadas venezuelanas, em 2021, de 14 e 15 anos, que estariam arrumadas para
se prostituir e acrescentou: "Pintou um clima" com elas.
A
declaração foi interpretada como pedofilia nas redes sociais e se tornou objeto
de ataques na corrida eleitoral de 2022. O valor deverá ser destinado ao Fundo
dos Direitos da Criança e do Adolescente.
A ação
foi feita pelo Ministério Público do Distrito Federal, que solicitou
indenização de R$ 30 milhões na época, alegando que Bolsonaro violou os
direitos desse público ao sexualizar adolescentes em situação de
vulnerabilidade.
Os
magistrados do TJDFT reconheceram a existência de dano coletivo causado pelas
declarações.
Na
época das declarações, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
(STF), nomeado por Bolsonaro, rejeitou cinco pedidos de abertura de inquérito
contra ele relacionadas ao caso.
Na
decisão, o ministro afirmou que as petições não possuíam "conteúdo
penalmente relevante" e deveriam ter sido encaminhadas primeiramente à
Procuradoria-Geral da República (PGR).
As
ações pediam investigação do presidente por prevaricação, deixar de prestar
assistência à criança abandonada ou extraviada, difamação, estupro de
vulnerável, indução à exploração sexual, xenofobia, fake news, entre outros
temas.
• Após trégua, Eduardo Bolsonaro volta a
criticar Tarcísio de Freitas
O
deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a criticar o governador de
São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nesta quinta-feira (24) pelas
redes sociais.
Em
comentário a uma publicação do deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), Eduardo
cobrou de Tarcísio distanciamento de membros do Movimento Brasil Livre (MBL),
que atualmente são opositores à família Bolsonaro.
"Por
que o Tarcísio mantém como vice-líder [na Assembleia Legislativa de São Paulo]
uma pessoa do MBL, um grupo que defende a minha prisão, a prisão do meu pai, a
prisão de jornalistas exilados?"
O
vice-líder na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) informou
que Eduardo se referiu a Guto Zacarias, líder do MBL. Apesar de ter apoiado a
eleição de Jair Bolsonaro em 2018, o grupo se distanciou do bolsonarismo e,
hoje, critica duramente a família.
Este é
o segundo episódio recente no qual o deputado federal critica o governador de
São Paulo. Neste mês, Eduardo atacou Tarcísio após o político do Republicanos
não concordar com as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump.
"Se
você estivesse olhando para qualquer parte da nossa indústria ou comércio,
estaria defendendo o fim do regime de exceção que irá destruir a economia
brasileira e as nossas liberdades. Mas como, para você, a subserviência servil
às elites é sinônimo de defender os interesses nacionais, não espero que
entenda."
No dia
seguinte ao evento, Eduardo recuou, avisou que conversou com Tarcísio e que
"visões de mundo diferentes são normais e saudáveis".
• Marcos do Val viaja aos EUA com
passaporte diplomático e burla decisão do STF
O
senador Marcos do Val (Podemos-ES) embarcou nesta quarta-feira (23) para Miami,
nos Estados Unidos, utilizando seu passaporte diplomático. A viagem ocorre
mesmo após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), que determinou a retenção do passaporte comum do parlamentar.
Do Val
é investigado por possível obstrução de Justiça, após divulgar em suas redes
sociais informações sobre o delegado da Polícia Federal Fábio Schor. O delegado
conduz investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados
do bolsonarismo.
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Viagem de Marcos do Val
Em
nota, o senador afirmou que a viagem foi previamente comunicada ao Supremo e
negou qualquer irregularidade.
“Apesar
de estar sofrendo graves violações das minhas prerrogativas parlamentares, até
o momento não há qualquer decisão judicial válida que restrinja minha liberdade
de locomoção. Continuo exercendo plenamente meu mandato e mantendo agendas
institucionais”, disse.
O STF
informou que não vai se pronunciar sobre o caso, uma vez que o inquérito corre
sob sigilo.
Fonte:
ICL Noticias/Sputnik Brasil

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