AUTOR
DO PLANO MORTAL: Mario Fernandes e o "Punhal Verde Amarelo"
Ex-secretário
executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo de Jair Bolsonaro, o
general Mario Fernandes admitiu, nesta quinta-feira (24), que foi o autor do
chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”.
No
texto, estava previsto o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente
Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Ao
responder a interrogatório no STF, Fernandes disse que o plano não passava de
um “pensamento” seu que foi digitalizado.
“É
arquivo digital que nada mais retrata do que pensamento meu que foi
digitalizado, análise de riscos que fiz e por costume próprio decidi
digitalizar. Não foi apresentado a ninguém nem compartilhado com ninguém. e
garanto que se meu HD fosse extraído dos autos desse processo em nada
impactaria o processo”, afirmou Fernandes.
Chamado
a explicar por que fazer plano detalhado de sequestro e homicídio contra
autoridades e recursos necessários como pistola granada, lançador de foguete
anti-tanque, o general minimizou.
“Não
passa de pensamento digitalizado. Compilamento de dados, análise de um
militar…”, respondeu.
Ele
confirma que chegou a imprimir o documento que continha a ideia de assassinato,
mas nega ter apresentado ele ou compartilhado com alguém.
“Por
costume pessoal de evitar ler documento na tela. imprimi para mim e depois
rasguei”, afirmou.
Em
outro trecho do interrogatório, o general deu a entender que conversou com
Bolsonaro sobre o que fazer se o golpe fosse executado.
“Foi
numa das minhas idas ao Alvorada… o presidente me disse ‘estamos fazendo
contatos políticos para ver como podemos desenvolver essa conversa, essa
negociação com os demais poderes'”, relatou. “Em meados de dezembro já
notávamos a decisão dele, de que tinha amparo de tomar decisão e ter amparo de
demais poderes, sempre apoiado na Constituição”. (Não há nenhum artigo na
Constituição que dê amparo legal a uma trama golpista).
Mario
Fernandes é réu do núcleo 2 no processo que apura o plano de golpe.
• General admite autoria de plano para
matar Lula e Moraes
O
general da reserva Mário Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral
da Presidência no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, admitiu ser o autor
do plano "Punhal Verde e Amarelo", que previa o assassinato do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin
(PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. A confissão foi feita durante
depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (24). O
general afirmou que o documento era um “pensamento digitalizado”, que chegou a
imprimir, mas garantiu nunca tê-lo compartilhado com ninguém.
“Esse
arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi
digitalizado. Um compilar de dados, um estudo de situação meu, uma análise de
riscos que eu fiz e por costume próprio resolvi digitalizar. Não foi
apresentado a ninguém e nem compartilhado com ninguém”, afirmou Mário
Fernandes. “Gostaria de reforçar: não apresentei, não compartilhei, nem citei
esse documento a ninguém em nenhum momento”, completou.
A
defesa de Fernandes ressaltou que o plano — encontrado em um pendrive com o
conteúdo — só veio à tona após ser apreendido pela Polícia Federal (PF).
Questionado sobre a possibilidade de o arquivo ter sido discutido por terceiros
em uma reunião do núcleo golpista sem sua presença, o general foi enfático:
“Impossível”.
Segundo
a acusação, o plano teria sido debatido em uma reunião ocorrida em 12 de
novembro de 2022, supostamente na casa do general Braga Netto, então candidato
a vice na chapa de Bolsonaro. Mário Fernandes, no entanto, nega ter participado
do encontro e afirma que sequer havia divulgado o plano até então.
Durante
o interrogatório, Fernandes buscou se desvincular completamente da articulação
golpista. Ele confirmou a autoria do documento, mas insistiu que sua elaboração
foi individual, sem o conhecimento ou envolvimento de outros membros do
governo.
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Sem participação em monitoramentos?
Outro
ponto central da acusação é a suposta ordem para o monitoramento e a
“neutralização” de autoridades e adversários, atribuída a Mário Fernandes. A
denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que o general teria
atuado para implementar uma rede de inteligência contra opositores do
ex-presidente Bolsonaro — o que ele nega com veemência.
“Esse
talvez tenha sido o ponto que mais me chocou ao ler a denúncia. Nunca
participei de qualquer ação de monitoramento. Nunca ouvi falar que isso tenha
ocorrido. Parece que resolveram me encaixar no organograma pela patente, mas
não existe uma única prova que me vincule a isso”, declarou.
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Conexões questionadas e recusa de associação a nomes
Questionado
sobre conexões entre pessoas mencionadas na denúncia — como o nome “Gilliard”,
apontado como ligado ao coronel Rodrigo Azevedo —, Mário Fernandes afirmou que
não se lembra de ter feito tais vínculos e disse não reconhecer Gilliard como
associado a ninguém. Também negou ter mantido qualquer relação com o aplicativo
Signum, ferramenta mencionada em mensagens investigadas.
O
general acrescentou ainda que não tem mais acesso ao telefone utilizado na
época dos fatos, o que, segundo ele, compromete sua capacidade de confirmar ou
negar com segurança algumas das menções feitas nas conversas analisadas.
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Réu por tentativa de golpe
Mário
Fernandes é réu no núcleo 2 da trama golpista — investigação conduzida pelo STF
sobre a tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de Jair
Bolsonaro. Esse núcleo reunia militares e oficiais da reserva envolvidos na
elaboração de propostas de ruptura institucional, como minutas de decretação de
estado de defesa, intervenção militar e assassinatos políticos.
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Exército agiu para impedir PMDF de atuar contra acampamento golpista, diz
coronel
A
coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e subsecretaria de
operações Integradas durante o final de 2022 e início de 2023, Cíntia Queiroz,
revelou em conversa com o ICL Notícias que a Polícia do Exército adotou postura
sistematicamente omissa diante das tentativas de desmobilização do acampamento
golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, após o
segundo turno das eleições de 2022.
De
acordo com a oficial, a atuação do Comando Militar do Planalto (CMP) não se
restringia à inação, mas envolvia interferências diretas para inviabilizar
operações previamente articuladas pelas forças civis e militares do Distrito
Federal.
Segundo
a Cíntia, mesmo com a mobilização de efetivos, viaturas e estrutura para
garantir a retirada dos manifestantes, o CMP bloqueava a participação da PMDF,
cancelando ações às vésperas ou até mesmo durante sua execução, sempre alegando
“falta de segurança”. “Simplesmente não apoiaram. Todas as vezes. Se omitiram.
O problema foi exatamente este. O CMP não aceitava a PMDF apoiar o DF Legal
dentro do SMU. Dizia que quem faria este papel era a PE”, afirmou Cíntia,
referindo-se à Polícia do Exército.
Ela
relata que a própria justificativa do CMP — de que a Polícia do Exército seria
responsável por esse tipo de atuação — era contraditória na prática. “Quando o
bicho pegava e acionávamos a PMDF para agir, além do CMP não autorizar, eles
imediatamente cancelavam a operação alegando falta de segurança. Eles alegavam
que o papel de controle era da Polícia do Exército, mas quando a coisa ficava
difícil eles se omitiam e ainda não deixavam a PMDF atuar.”
O
bloqueio imposto pelos militares não era apenas simbólico. De acordo com
Cíntia, eles desmobilizavam toda a rede de fiscalização e segurança pública
envolvida na tentativa de desocupar a área. Os servidores alegavam não ter
condições de agir sem o respaldo da PMDF e se viam desprotegidos diante de
manifestações cada vez mais agressivas.
Segundo
ela, a sucessão de recuos provocava tensão nas equipes e descrédito das
autoridades locais, que chegavam a ser cobradas pela falta de efetividade.
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Coronel: Comando Militar do Planalto não permitia ação da polícia
Cíntia
afirma que “o maior desafio do GDF em atuar de forma assertiva em dissuadir o
acampamento, residia exatamente no posicionamento do CMP, que não permitia
afirmando que ali era uma área militar sob jurisdição deles”.
As
declarações também apontam que o general Dutra, então comandante do CMP, não
agia com autonomia. Segundo Cíntia, ele realizava ligações em tempo real para
um general superior sempre que era confrontado com decisões operacionais mais
sensíveis. “Presenciei ele ligar para esse general, mas não sei precisar quem
era. Sabia que era um outro general que dava as ordens a ele”, relatou. A
reportagem apurou, com base em depoimentos prestados pelo próprio Dutra à CPMI
do 8 de janeiro e à Câmara Legislativa do DF, que esse superior seria o então
comandante do Exército, general Freire Gomes.
O
relato reforça que o comando sobre a manutenção dos acampamentos não era apenas
local, mas partia de instâncias superiores dentro da hierarquia do Exército. A
informação de que Dutra não agia sem autorização externa expande a
responsabilidade para além do CMP, indicando que havia respaldo institucional
para a não atuação.
Cíntia
também descreveu o impacto dessas idas e vindas nas operações planejadas pelas
estruturas civis. “Fazíamos todo o planejamento, escalamos o efetivo, o
secretário, o governador, o comandante-geral, tinham uma expectativa em cada
operação de fazer acontecer. E sempre víamos tudo ser interrompido por ordens
que não eram nossas”, afirmou. Segundo ela, a sucessão de recuos provocava
tensão nas equipes e descrédito das autoridades locais, que chegavam a ser
cobradas pela falta de efetividade.
A
ex-subsecretária afirmou ainda que o clima entre as equipes era de revolta
constante, pois a ausência de respaldo militar tornava qualquer ação arriscada.
“Tinha sempre um clima bem ruim com a gente”, disse. Segundo ela, a insistência
do DF Legal em exigir a presença da PMDF antes de qualquer atuação se devia ao
histórico de omissão da Polícia do Exército, que observava os conflitos “de
braços cruzados”.
O
relato de Cíntia Queiroz reforça que a permanência dos acampamentos golpistas
em frente ao QG do Exército não foi resultado de falhas pontuais ou
desorganização administrativa, mas de uma estratégia deliberada de obstrução. A
atuação dos militares descrita por ela indica que houve uma escolha política de
não interferência, contrariando a lógica institucional de defesa da ordem e do
cumprimento das decisões civis.
• PGR aponta contradições na delação de
Mauro Cid e quer revisão dos benefícios
A
Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou, nas alegações finais, trechos
centrais da colaboração premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, detalhando
contradições entre os elementos colhidos nas investigações e a versão
apresentada pelo delator sobre sua participação na tentativa de golpe de 8 de
janeiro. Segundo a PGR, a análise de mensagens, reuniões e depoimentos revela
que Cid não apenas executava ordens, mas articulava ativamente o plano.
Há
também um esforço para apurar se as informações omitidas por Cid teriam sido
deliberadamente suprimidas para proteger figuras estratégicas nas Forças
Armadas ou no entorno político do ex-presidente.
Um dos
pontos enfatizados é a troca de mensagens entre Cid e Sérgio Cavalieri, em 4 de
janeiro de 2023, na qual Cid escreveu que havia “coisas boas que estão por vir”
e que “a luta continua”. Ele justificou que se referia à esperança de que o
novo governo revertesse prisões consideradas ilegais contra apoiadores de Jair
Bolsonaro. A PGR, porém, afirma que essas expressões, lidas no contexto geral
das conversas e acontecimentos, remetem à expectativa em torno do avanço do
plano golpista, demonstrando engajamento contínuo.
Segundo
a manifestação, embora Cid tenha fornecido dados úteis em determinados
aspectos, ele não detalhou adequadamente fatos relevantes, como a organização
da operação para tumultuar a posse do presidente eleito e o papel de militares
de alta patente nas articulações. As lacunas identificadas são consideradas
prejudiciais para a elucidação completa dos fatos investigados.
Além
disso, a Procuradoria destaca que outras mensagens e ações de Cid ao longo dos
dias anteriores e posteriores ao 8 de janeiro reforçam que ele mantinha contato
com diferentes atores envolvidos, organizava reuniões e repassava orientações.
Isso, para a PGR, é incompatível com a imagem de um mero executor de ordens e
confirma que ele assumia posição de liderança operacional e política.
A PGR
reconhece que a colaboração premiada resultou em avanços substanciais na
investigação e na coleta de provas contra outros envolvidos. No entanto, alerta
que os benefícios concedidos a Cid no acordo precisam ser compatíveis com a
dimensão de sua participação. Para a Procuradoria, a dosimetria das penas deve
refletir não apenas a utilidade da colaboração, mas também a gravidade das
condutas e o impacto institucional das ações que visaram desestabilizar o
regime democrático.
Com
essas ponderações, a PGR sinaliza ao Supremo Tribunal Federal que não há motivo
para anular a colaboração, mas defende que as vantagens previstas no acordo
sejam revistas, para garantir que a proporcionalidade e a responsabilização
adequada sejam observadas diante do papel central que Cid desempenhou no
esquema golpista.
• Advogados ligados a golpistas postaram
no X informação falsa sobre prisão de Bolsonaro
Advogados
ligados a réus no processo por tentativa de golpe de Estado anunciaram nesta
quarta-feira (23) na rede social X, que a prisão de Jair Bolsonaro tinha sido
decretada pelo Supremo Tribunal Federal e pouco depois apagaram a informação
falsa.
A
desinformação foi alimentada por prints de uma decisão que nunca existiu nos
autos. A advogada e influencer bolsonarista Fabiana Barroso publicou trecho do
texto falso, enquanto outros perfis atribuíam a medida diretamente ao ministro
Alexandre de Moraes, afirmando que a prisão já havia sido decretada.
Um dos
que acreditaram na veracidade do documento foi o advogado Jeffrey Chiquini, que
é defensor de Filipe Martins, ex-assessor internacional de Bolsonaro e réu por
tentativa de golpe. Procurado pelo ICL Notícias após a circulação de uma imagem
com uma postagem sua no X (ex-Twitter), Chiquini — que também é militante da
extrema direita nas redes sociais — afirmou inicialmente que o print era “uma
montagem”.
Ao ser
questionado, porém, sobre o motivo de outros perfis bolsonaristas estarem
divulgando a mesma mensagem, o advogado reconheceu que acreditou na informação
recebida:
“Jornalistas
me mandaram uma decisão fake e eu acreditei (…) Aí entrei no processo e vi que
não tinha nada publicado”.
A
decisão falsa que circulou trazia linguagem semelhante à usada por Moraes em
outros despachos, o que aumentou a crível aparência do material.
A
advogada Flávia Ferronato, também ligada ao bolsonarismo, foi uma das primeiras
a desmentir a informação, alertando que a decisão era falsa e que “até pessoas
bem informadas” haviam sido enganadas.
A
confusão provocada pela falsa decisão expõe mais uma vez a estratégia de
inflamar a base ultradireitista com narrativas de perseguição judicial, mesmo
que isso implique mentir sobre atos institucionais.
Fonte:
ICL Notícias/Fórum

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