sábado, 26 de julho de 2025

Pix causa temor aos EUA porque ameaça o domínio do país sobre modelos de pagamento, diz economista

O sistema de pagamento via Pix entrou no radar do governo estadunidense. Em paralelo às tarifas de 50% a produtos brasileiros exportados ao país, anunciadas pelo presidente Donald Trump, e previstas para entrar em vigor em 1º de agosto, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) divulgou um comunicado afirmando que vai averiguar o que chamou de "práticas desleais" do Brasil relativas a serviços de pagamento eletrônico.

"O Brasil também parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, entre outras, aproveitar seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", diz o documento.

As discussões em torno da criação do Pix começaram em 2016, no governo de Michel Temer, lideradas pela equipe técnica do Banco Central, e avançaram até 2018. O sistema foi lançado em 2020, na gestão de Jair Bolsonaro. Hoje, o Pix é o principal meio de pagamento entre brasileiros. Segundo dados divulgados em janeiro pelo Banco Central, o meio de pagamento é usado por 76,4% da população, superando o débito (69,1%) e o crédito (68,9%).

Desde que foi lançado, o Pix já movimentou R$ 65 trilhões e alcançou recorde de R$ 2,8 trilhões de transações em junho deste ano, segundo o Banco Central. Para setembro está previsto o lançamento da função crédito em pagamentos via Pix, que permitirá o parcelamento da compra pelo pagador com recebimento imediato pelo vendedor, diferentemente do que acontece hoje com cartões tradicionais.

À Sputnik Brasil, Hugo Garbe, professor e economista-chefe da G11 Finance & Restructuring, destaca que o Pix — com custo praticamente nulo, funcionamento instantâneo e alta penetração — já tem a adesão de mais de 150 milhões de brasileiros. Com isso, o sistema "desintermediou um mercado tradicionalmente dominado por bandeiras de cartões como Visa e Mastercard".

"Essa característica, que trouxe enormes ganhos de eficiência para consumidores e empresas, colocou o Brasil no radar dos EUA", explica o economista.

Ele afirma que, na visão da Casa Branca, o fato de o Pix ser uma infraestrutura estatal de pagamentos, gratuita ou muito mais barata do que serviços privados, "distorce a concorrência e afasta fintechs estrangeiras do mercado brasileiro".

"Por trás da crítica está o impacto direto que o Pix gera sobre as receitas de gigantes americanos, principalmente as bandeiras de cartão de crédito e as big techs que lucram com intermediação financeira. Ao transferir valores de forma instantânea entre contas bancárias, sem taxas elevadas ou necessidade de intermediários internacionais, o sistema enfraquece o modelo tradicional baseado em tarifas, taxas de intercâmbio e compartilhamento de dados."

Ademais, ele aponta que o sucesso do sistema criado pelo Brasil inspirou outros países a criarem soluções similares, o que aumentou o temor norte-americano de descentralizar as infraestruturas financeiras globais, atualmente "muito vinculadas ao dólar e aos sistemas de pagamentos ocidentais". Esse receio tende a ser agravado após o lançamento da função crédito em pagamentos via Pix.

"Ou seja, não apenas os débitos e as transferências instantâneas migram para o Pix, mas também o financiamento ao consumo, que historicamente foi uma fonte relevante de receita para bancos, bandeiras e fintechs americanas. É exatamente essa ampliação que reforça as críticas de Trump, pois o sistema passa a competir em todas as frentes com os players tradicionais e a infraestrutura financeira exportada pelos EUA", afirma Garbe.

Segundo o economista, uma eventual retaliação dos EUA ao Brasil, tendo o Pix como argumento, pode ser feita por meio de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, como já anunciado por Trump, ou restrições comerciais, "causando impactos significativos para a economia" na forma de aumento no custo das exportações, pressão sobre a balança comercial e efeitos secundários sobre o câmbio e a inflação.

"Além disso, outros países poderiam seguir a linha americana e questionar sistemas públicos de pagamento que desafiem modelos de negócios privados, criando um contágio regulatório que enfraqueceria o avanço de soluções similares em economias emergentes."

Diante desse cenário, Garbe afirma que "a resposta brasileira deve ser estratégica", sendo fundamental para o país demonstrar, no âmbito técnico e diplomático, que o Pix é uma política pública doméstica voltada à inclusão financeira, sem discriminar companhias estrangeiras.

"Ao mesmo tempo, o governo poderia buscar engajar fintechs americanas no ecossistema do Pix, mostrando abertura regulatória e transparência. Defender o sistema em organismos multilaterais, como a OMC [Organização Mundial do Comércio], e negociar reciprocidade com os EUA também seriam caminhos para neutralizar acusações de prática desleal", afirma.

Para o economista, a crítica de Trump ao Pix, no fundo, "carrega um componente duplo". O especialista aponta que a posição dele é pragmática ao buscar proteger interesses econômicos estratégicos para os EUA, como fintechs e bandeiras de cartão, que são diretamente ameaçados pela inovação brasileira. "Mas também é ideológica."

"[…] inserida em uma agenda mais ampla de contenção da influência financeira de países do BRICS e de sistemas alternativos ao dólar. Assim, o embate vai além da simples disputa por mercado. Ele simboliza a tensão entre um modelo estatal de infraestrutura pública de pagamentos e o tradicional modelo privatizado dominado por empresas americanas."

Nesse contexto, o especialista enfatiza que o Pix é mais do que um sistema de pagamento. "Tornou-se um ponto de inflexão geopolítica e econômica."

"Para o Brasil, defender essa inovação é preservar um ativo estratégico que democratizou o acesso financeiro, reduziu custos para consumidores e empresas e pode servir como plataforma para a próxima fase de integração digital e inclusão econômica", conclui o economista.

¨      Um Pix para chamar de meu: quais os sistemas de pagamento instantâneo dos países do BRICS?

Solução financeira que é sucesso no Brasil tem modelos parecidos ao redor do mundo, incluindo opções desenvolvidas por empresas privadas e instituições ligadas ao Estado.

O enorme sucesso do Pix no Brasil faz parecer que a ferramenta, que completará cinco anos de lançamento em novembro, sempre existiu no país. Sem tarifas para pessoas físicas e integrada aos bancos que operam em território brasileiro, a solução financeira se tornou o meio de pagamento mais usado por aqui.

Segundo dados do Banco Central, o Pix foi responsável por 49% das transações que não envolvem dinheiro físico no primeiro trimestre de 2025. No total foram 17,5 trilhões de operações que movimentaram R$ 7 trilhões. Como comparação, os cartões de crédito, que ficaram em segundo lugar na lista de uso, acumularam 5,1 trilhões de transações, em um total de R$ 1 trilhão gasto.

Com a investigação aberta pelos Estados Unidos contra "práticas desleais" brasileiras no comércio, em uma ação que, entre outros alvos, mira o Pix, surgiu uma pergunta nas redes sociais: por que o Brasil não exporta essa solução financeira?

Pensando nessa pergunta, a Sputnik Brasil fez uma lista com os sistemas de pagamento instantâneos dos países do BRICS que têm similaridades com o Pix. Confira!

>>>> Rússia – SBP

O SBP (Sistema de Pagamento Mais Rápido, em tradução livre) foi criado em 2019 e opera de maneira parecida com o Pix. Os usuários na Rússia podem fazer transferências com custo zero ou muito baixo usando o número de telefone.

De acordo com o Banco Central do país, mais de 200 instituições financeiras que operam no território russo estão conectadas ao SBP, sendo possível usar a solução em qualquer horário ou dia da semana.

>>>> Índia – IMPS e UPI

A Índia foi um dos países pioneiros no uso de meios de pagamento instantâneo ao lançar o IMPS (Serviço de Pagamento Imediato, em tradução livre), em 2010. No entanto, esse método de transferência bancária ganhou força por lá com a estreia do UPI (Interface de Pagamento Unificado, em tradução livre).

Enquanto o IMPS tem interface menos amigável e exige mais dados para fazer transferências, o UPI foi pensado para ser utilizado em celulares e se integra a diversos serviços financeiros, como as carteiras dos smartphones.

Similar ao Pix, os indianos abraçaram o UPI para pagamentos com baixo custo e transações bancárias entre pessoas físicas.

>>>> China – IBPS

O IBPS (Sistema de Pagamento Bancário pela Internet, em tradução livre) foi lançado em 2010 pelo Banco Popular da China e permite transferir valores usando o yuan, a moeda local.

O sistema chinês de pagamento instantâneo oferece suporte a diferentes meios, como agências bancárias, aplicativos bancários, QR code, entre outros. Segundo o DBS, maior banco do Sudeste Asiático, que opera no país, cerca de 600 instituições trabalham com o IBPS.

>>>> África do Sul – RTC e PayShap

O RTC (Compensação em Tempo Real, em tradução livre) foi lançado na África do Sul em 2006, mas não caiu no gosto do público sul-africano devido a uma série de fatores, como altas taxas para uso e baixa divulgação.

Em 2023, a chegada do PayShap mudou o setor de sistema de pagamentos instantâneos no país, que até então representava apenas 1,7% das transações financeiras. Com uma interface amigável e a possibilidade de utilizar o número do telefone para enviar e receber valores, o método promete alavancar o setor, com projeções de mais 750 milhões de operações anuais até 2028.

>>>> Arábia Saudita – Sarie

O Sarie (Interbancário Expresso de Riyal Saudi-Arábico) foi lançado pela Arábia Saudita em 2021 e é aceito por todos os bancos que operam no país. É possível realizar transferências usando os dados bancários do destinatário, telefone, e-mail, identidade e até endereço residencial.

>>>> Egito – IPN e M-PESA

O IPN (Rede de Pagamento Instantâneo, em tradução livre), lançado no início de 2022, tem alguns dos maiores benefícios do Pix: funciona em qualquer dia e horário e pode realizar transferências em segundos.

Desde abril deste ano, todavia, o IPN passou a cobrar taxa de 0,1% por operação no InstaPay, aplicativo no qual os egípcios sincronizam as contas bancárias para usar o sistema de pagamento instantâneo.

O M-PESA, por sua vez, foi criado por uma empresa de telecomunicação do Quênia em 2007. Para utilizar a solução, é necessário ir a uma das lojas representantes do M-PESA, fazer o cadastro e entregar o dinheiro em espécie para o atendente.

Posteriormente, a quantia aparecerá no celular e, assim, o usuário poderá transferir para outra pessoa que também possua cadastro no M-PESA. O destinatário tem a opção de escolher sacar o valor em uma das lojas representantes ou manter na conta do M-PESA.

>>>> Emirados Árabes Unidos – IPI e Aani

O IPI (Instruções de Pagamento Imediato, em tradução livre) foi criado em 2019 e, por mais que fosse aceito por cerca de 70 instituições bancárias dos Emirados Árabes Unidos, não caiu no gosto popular, que ainda prioriza o dinheiro em espécie.

No fim de 2023, em uma segunda tentativa de alavancar o sistema de pagamento instantâneo, o Banco Central do país decidiu lançar uma nova plataforma: a Aani. O novo método permite solicitar pagamentos, enviar valores para celulares e a leitura de QR codes de contas em lojas e restaurantes.

>>>> Etiópia – EATS e M-PESA

O EATS (Sistema Automatizado de Transferência) foi lançado na Etiópia em 2011 pelo Banco Central local como maneira de fomentar o pagamento instantâneo em uma das dez maiores economias da África.

O serviço possui 35 instituições financeiras participantes e, diferentemente do Pix e de outros modelos citados acima, opera apenas de segunda a sábado, dez horas por dia.

Além do EATS, a Etiópia também possui o M-PESA, assim como o Egito.

>>> Indonésia – BI-FAST

O Banco da Indonésia, em 2021, lançou o BI-FAST, um sistema de pagamento integrado a outras 134 instituições financeiras que funciona em qualquer dia e horário.

Por uma taxa de transação de cerca de R$ 1, os usuários podem enviar dinheiro utilizando número de telefone, e-mail ou conta bancária.

¨      BRICS fará do século XXI o século do Sul Global?

Nos últimos anos, a dinâmica da geopolítica global tem passado por transformações profundas. O papel de potências tradicionais, como os Estados Unidos e as nações europeias, vem sendo questionado à medida que países emergentes ganham destaque no cenário internacional.

Uma dessas potências emergentes é o grupo BRICS — composto originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de outros membros posteriores —, que se afirma como um bloco crucial na redefinição das relações internacionais.

Em entrevista ao podcast Mundioka, o doutor em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em segurança internacional Robson Cunha Rael discutiu os impactos dessa mudança de poder.

Rael acredita que o século XXI será marcado por uma mudança no eixo de poder mundial, com crescente influência do Sul Global.

"O Sul Global é composto por nações que, ao longo da história, foram colônias de exploração e que hoje representam países em desenvolvimento. Acredito que o século XXI será o período de maior influência para esses países, que estão ganhando cada vez mais espaço e capacidade decisória nos fóruns internacionais", explicou.

Ele destaca que a ascensão de países como a China reflete essa mudança, com o sistema internacional se tornando cada vez mais multipolar. A transição de poder de influência dos Estados Unidos para a China é um exemplo claro, mas com um elemento importante. Apesar de a China se tornar a maior potência, outras regiões, como a União Europeia, os Estados Unidos, a Rússia e a Índia, manterão sua relevância.

Rael menciona o conceito de "shift of power to Asia", que descreve o movimento do poder econômico e político que anteriormente se concentrava no Ocidente — principalmente na Europa e nos Estados Unidos — para a Ásia. Esse deslocamento é tão significativo que diversas potências ocidentais, incluindo a Alemanha, passaram a adotar estratégias geopolíticas focadas no Indo-Pacífico, uma das regiões mais dinâmicas da atualidade.

O declínio do poderio ocidental, segundo Rael, não é algo novo. Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa perdeu sua posição de superpotência, abrindo espaço para os Estados Unidos e a União Soviética. No entanto, foi com a crise financeira de 2008 que o Ocidente experimentou uma queda visível em sua influência global.

"A crise financeira de 2008 mostrou que as potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, passaram de solução para o problema do sistema. E parte da solução veio justamente dos emergentes, como o Brasil, a China e a Índia", afirmou.

<><> Papel do BRICS

Rael observa que o Brasil, em particular, se destaca nesse novo cenário por sua estratégia diplomática diversificada. O país tem ampliado sua atuação em diferentes frentes internacionais, como o BRICS, o Mercosul, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), enquanto também mantém parcerias com potências tradicionais, como a França e o Japão.

A Índia também vem se destacando, principalmente devido a seus investimentos pesados em tecnologia e à recente missão bem-sucedida à Lua, com o projeto Chandrayaan-3. Por outro lado, a África do Sul se consolida como voz crescente em temas humanitários, levantando questões importantes em fóruns internacionais, como no caso do genocídio em Gaza.

O analista argumenta que o BRICS não é uma coincidência, mas uma aliança estratégica entre potências regionais que, juntas, buscam maior influência nas decisões globais.

"Cada membro do BRICS é uma potência regional por si só. E a união desses países amplia ainda mais a capacidade de influenciar a política internacional de forma mais equilibrada, o que inevitavelmente incomoda potências como os Estados Unidos", explicou.

O BRICS, segundo ele, não só desafia a centralidade ocidental como também representa uma nova forma de diplomacia internacional, onde países do Sul Global podem se unir e pressionar por um sistema mais multipolar e justo. Além disso, a crescente participação de países emergentes na pressão por uma reforma do Conselho de Segurança da ONU reflete essa mudança.

O Brasil, a Índia e a África do Sul, por exemplo, fazem parte de um movimento para aumentar a representatividade e garantir uma voz mais forte para o Sul Global. Rael vê essa transformação como essencial para um sistema global mais equilibrado.

<><> Queda do G7 e a nova ordem mundial

Em relação ao G7, Rael acredita que a diminuição de sua influência não significa o fim da centralidade do Ocidente nas decisões globais, mas uma redução gradual do poder de decisão desproporcional.

"A queda do G7 não marca o fim da centralidade do Ocidente, mas uma mudança progressiva. Três países do G7 – Estados Unidos, Reino Unido e França – continuam a ter poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, o que mantém uma parte significativa de sua influência. Contudo, o G7 está desconectado de questões humanitárias urgentes, como o genocídio em Gaza, o que enfraquece ainda mais sua relevância na arena internacional."

Rael também discute o que chama de "memória seletiva" do Ocidente, onde crimes de guerra cometidos por países do Norte, muitas vezes, recebem menos críticas do que aqueles cometidos por países do Sul Global. Esse fenômeno contribui para a crescente deslegitimação do modelo de governança ocidental, que, no entender de Rael, precisa se adaptar a uma nova realidade mais plural e equitativa.

O professor Bruno Hendler, especialista em relações internacionais e atual docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também foi questionado sobre o papel da reforma do Conselho de Segurança da ONU no processo de transição. Para ele, embora uma reforma seja desejável, não é essencial para a reconfiguração da ordem internacional.

"Eu vejo que ela [a reforma] não é fundamental", afirmou, sugerindo que outras organizações, como o G20 e o BRICS ampliado, têm moldado mais o comportamento dos Estados do que o próprio Conselho de Segurança da ONU. "O G7 já é um fóssil", observou, referindo-se à necessidade de renovar a arquitetura institucional global.

Sobre o futuro do Sul Global, Rael acredita que o processo de ascensão será gradual, mas inevitável. Ele aponta que o BRICS já representa uma parte significativa do produto interno bruto (PIB) mundial, o que reforça sua relevância no cenário global. Para ele, a África, especialmente, tem mostrado um crescente despertar para o pan-africanismo e maior autonomia nas decisões internacionais. Embora a América Latina ainda enfrente desafios devido à sua proximidade com os Estados Unidos, a tendência é que o Sul Global continue a ganhar influência.

"A África tem se tornado mais consciente de seu poder, e a Ásia também está se destacando, mas acredito que a América Latina enfrenta mais desafios por conta da proximidade com os Estados Unidos. Ainda assim, a tendência global é que o sistema se torne mais multipolar e equilibrado, com uma influência menor e mais justa do Ocidente", conclui Rael.

Para Hendler, o Sul Global está se tornando um ator cada vez mais relevante, com destaque para a crescente influência de países como China, Rússia e Brasil.

Ao ser questionado sobre o papel do Sul Global, Hendler explicou que o conceito abrange uma diversidade de países com realidades e desafios distintos, mas que há uma tendência clara de ascensão desse bloco fora do eixo tradicional do Atlântico Norte.

"Se você considerar […] o mundo fora do Atlântico Norte daquele mundo Estados Unidos, Canadá e Europa, dá para dizer que o Sul Global tende a ter um protagonismo muito maior no século XXI", afirmou o professor.

O professor destacou a importância da China no processo de reconfiguração do poder mundial, considerando o país como o "grande motor" dessa ascensão. Segundo Hendler, a China não apenas está consolidando sua posição como potência econômica, mas também se apresenta como alternativa à ordem internacional dominada pelo Ocidente. "A China, nesse contexto, é o principal, o grande motor desse Sul Global, dessas potências emergentes", afirmou, destacando que o país está criando arranjos geopolíticos que se contrapõem aos interesses ocidentais.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

Nenhum comentário: