É
por isso que adolescentes não devem estar em aplicativos de namoro
Uma
nova pesquisa publicada esta semana no Journal of Psychopathology and Clinical
Science revelou que adolescentes estão usando aplicativos de namoro com mais
frequência do que se imaginava. O estudo apontou que 23,5% dos jovens entre 13
e 18 anos utilizaram esse tipo de plataforma ao longo de um período de seis
meses — um índice superior às estimativas anteriores.
A
novidade do estudo, segundo os pesquisadores, é que ele é o primeiro a
monitorar o uso de aplicativos de namoro por adolescentes por meio da atividade
no teclado do celular, e não apenas com base em relatos autodeclarados, como
costuma ser feito.
Apesar
de não haver diferença significativa, após seis meses, entre os níveis gerais
de sintomas de saúde mental entre usuários e não usuários, o estudo observou
que os adolescentes que usaram os aplicativos com mais frequência apresentaram
mais sintomas associados à depressão maior.
“Essa
pesquisa mostrou algum grau de associação entre o uso de aplicativos de namoro
e o aumento de sintomas depressivos, além de maior envolvimento em
comportamentos de risco”, explicou Lilian Li, autora principal do estudo e
pesquisadora no Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da
Feinberg School of Medicine da Universidade Northwestern, em Chicago.
A
amostra, porém, foi limitada: dos 149 adolescentes analisados, apenas 35
utilizaram aplicativos de namoro. Além disso, como o estudo monitorou apenas
entradas no teclado, não foi possível captar outros tipos de interações, como
curtidas ou visualizações de perfis.
Mesmo
assim, especialistas afirmam que há motivos para os pais se preocuparem.
Aplicativos de namoro podem representar riscos adicionais para os adolescentes,
como exposição a predadores sexuais, segundo alertam pesquisadores. Há ainda o
perigo do catfishing, quando alguém se passa por outra pessoa para manipular
emocionalmente o jovem e obter imagens íntimas, que podem ser usadas para
extorsão ou chantagem.
Esses
riscos são preocupantes mesmo entre adultos, mas se agravam entre adolescentes,
cujo cérebro ainda está em desenvolvimento e tende a assumir mais riscos em
busca de recompensas, de acordo com o Centro para o Adolescente em
Desenvolvimento da UCLA.
“O
estudo mostrou que adolescentes que já se envolvem em outros comportamentos de
risco, como uso de substâncias e quebra de regras, também são mais propensos a
usar aplicativos de namoro”, aponta Li.
Outro
fator preocupante é que os adolescentes podem não estar preparados para
reconhecer possíveis armadilhas online, como um relacionamento com um adulto
criminoso, ou para avaliar as consequências de marcar encontros presenciais com
desconhecidos da internet.
Em
resposta à pesquisa, o Match Group — dono do Tinder, aplicativo mais usado
entre os adolescentes estudados — afirmou que "menores de idade não são
permitidos em nossas plataformas, ponto final". A empresa também destacou
o uso de tecnologias como verificação de idade com IA, bloqueio de
dispositivos, moderação humana e parcerias com organizações como a THORN e a
ROOST, voltadas à segurança infantil.
A
empresa ressalta ainda que as estatísticas da pesquisa incluem
"aplicativos de descoberta social", que são diferentes dos de namoro.
No entanto, o problema vai além dos riscos de segurança. Especialistas alertam
que o uso precoce dessas plataformas pode atrapalhar o desenvolvimento de
habilidades interpessoais importantes para a construção de relacionamentos
saudáveis e duradouros.
Relacionamentos
bem-sucedidos dependem de habilidades como diálogo, empatia e resolução de
conflitos — competências que se desenvolvem em interações reais. Pesquisas de
Harvard mostram que relações próximas e saudáveis são fundamentais para a
felicidade e até para a saúde física.
Em
entrevistas para um livro sobre o tema, usuários relataram que os aplicativos
fazem com que os relacionamentos pareçam descartáveis. "Se alguém te
desagrada por qualquer motivo, basta entrar no app e encontrar outra
pessoa", afirmou uma das entrevistadas.
Diante
desse cenário, os especialistas recomendam que os pais conversem com os filhos
sobre o uso de aplicativos e alternativas mais saudáveis de socialização, como
atividades extracurriculares e encontros presenciais com colegas. Também é
importante preparar os adolescentes para o uso responsável dessas plataformas
no futuro, com dicas práticas de segurança: fazer chamadas de vídeo antes de
encontros, marcar encontros em locais públicos, informar familiares sobre o
local e evitar ficar a sós com alguém até haver confiança.
Embora
muitos pais acreditem que seus filhos jamais usariam aplicativos de namoro ou
se encontrariam com desconhecidos, os dados sugerem o contrário. Por isso, é
essencial manter o diálogo aberto e ajudar os adolescentes a desenvolver
relacionamentos mais saudáveis — fora das telas.
• União Europeia testará verificação de
idade para uso das redes sociais
Com o
objetivo de garantir mais segurança para crianças e menores no ambiente on-line
a Comissão Europeia, formada por cinco países do bloco econômico e político,
desenvolveu um aplicativo de verificação que poderá impedir o acesso a
conteúdos prejudiciais na internet.
O
protótipo do aplicativo foi apresentado recentemente e será implementado, em
caráter experimental, na França, Dinamarca, Itália, Grécia e Espanha.
Contudo,
devido às diferentes legislações adotadas pelos países, caberá a cada governo
desenvolver sua própria versão para o uso do aplicativo.
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União Europeia cobra proteção digital de crianças
O
lançamento do aplicativo acontece após mobilização de vários países da União
Europeia por mais proteção às crianças e menores no ambiente digital.
O
aumento de episódios de violência e crimes cibernéticos contra crianças e
adolescentes motivou, inclusive, pedidos de proibição do uso de redes sociais
para menores de 15 anos em alguns países signatários da UE.
Cenário
que levou a Comissão a sugerir recomendações de segurança para plataformas
digitais.
Em meio
ao debate sobre a garantia de direitos no ambiente digital, a Dinamarca, que
preside temporariamente a UE, destacou a urgência por novas medidas sobre a
questão e cobrará novas ações do bloco.
Fonte:
CNN Brasil

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