quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Por dentro de grupos de WhatsApp de brasileiros que usam até drones contra blitzes de Trump

No celular do mineiro Júnior e da mato-grossense Lorena, os grupos de WhatsApp não paravam de receber mensagens desde o primeiro fim de semana de setembro. Todas com menções ao Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês – ou "gelo", um apelido com a tradução do termo para o português). Eram os primeiros sinais de que longas semanas viriam pela frente para imigrantes em Massachusetts, Estado americano onde os brasileiros formam o maior grupo de estrangeiros — oficialmente, cerca de 150 mil vivem no Estado, mas o número pode chegar a mais de 300 mil considerando os muitos não registrados, segundo o Instituto Diáspora Brasil, uma organização sem fins lucrativos com atuação local.

Foi em 6 de setembro que o governo Donald Trump deu início à chamada operação Patriot 2.0, focada no Estado democrata. "Se você vier ao nosso país ilegalmente e violar nossas leis, nós vamos caçá-lo, prendê-lo, deportá-lo, e você nunca mais voltará", dizia o comunicado público do Departamento de Segurança Interna (DHS).

A operação ocorreu após semanas de relativa calmaria na região de Boston, sede da área metropolitana que tem cidades brasileiríssimas como Framingham e Milford — e a expectativa é que a ofensiva dure "semanas". Ao contrário dos primeiros meses do governo Trump, quando muitos acreditavam que apenas "criminosos" seriam o alvo do ICE, agora os brasileiros têm a certeza de que qualquer um pode ser detido, como mostram as conversas em grupos de WhatsApp que concentram milhares de imigrantes no Estado e onde os imigrantes não documentados (ou indocumentados) são os mais ativos. A BBC News Brasil passou as últimas semanas nesses grupos observando como a recente operação alterou rotinas e gerou apreensão na comunidade brasileira. As mensagens reproduzidas na reportagem são fiéis ao que foi publicado nas conversas, mas os nomes foram trocados e as datas exatas não foram informadas para não haver identificação.

Os grupos recebem milhares de mensagens por dia. Em geral, a manhã começa com informações sobre blitzes do ICE pelo Estado, imagens de detidos e de carros abandonados no meio da rua, na esperança de que algum parente veja a mensagem.

Fundadora de uma rede de voluntários que recebe ligações de brasileiros e vai a locais documentar e filmar prisões, Lorena Betts, 37 anos, conta que tem se multiplicado nos últimos dias casos de pessoas que "simplesmente desapareceram" ao serem detidas. Segundo ela, esses grupos surgem como ferramenta essencial da comunicação imigrante. "Eles prendem em Boston, no outro dia [a pessoa] está Nova York, no outro na Louisiana, porque sabem que no sul dos EUA os juízes dão sentenças mais duras", conta Betts, que vive no país de forma legal após se casar com um americano e atualmente é candidata à deputada em Massachusetts pelo partido Democrata. Somam-se aos alertas o compartilhamento de angústias, como o desejo de voltar ao Brasil, e dicas sobre como agir nesse momento de cerco aos imigrantes. Há sugestões como evitar sair com os filhos ou falar português nas ruas.

Criador e administrador de um dos grupos que a BBC News Brasil observou, o mineiro Júnior, de 27 anos, diz que desde a nova operação do ICE as mensagens têm surgido todo dia religiosamente às 5h. "É o horário que os agentes estão se reunindo, então o grupo já começa a pipocar com notícias", conta Júnior, entregador de aplicativo na região de Lowell. Ele deixou Caratinga, em Minas, rumo aos EUA há 3 anos, e resolveu criar o grupo quando Trump retornou à Presidência, em janeiro, com o objetivo de formar uma rede que compartilhasse informações focadas em imigração. "Está ajudando demais a galera porque carros do ICE e agentes muitas vezes estão disfarçados, então tem vídeo do veículo, a placa", conta Júnior, que reconhece, porém, que às vezes há também desinformação e pistas falsas.

A operação Patriot 2.0 em Massachusetts é vista como uma resposta do governo Trump à prefeita de Boston, Michelle Wu. Ela, democrata, desafiou o governo ao se manifestar publicamente contra a escala das blitzes migratórias. Boston é considerada uma cidade-santuário, ou seja, tem como política não colaborar com o governo federal na repressão aos imigrantes. "Se Boston não proteger seus cidadãos contra crimes cometidos por imigrantes ilegais, este Departamento de Justiça o fará", disse ao governo ao lançar a operação. Essa é terceira onda de operações do ICE no Estado, depois de avanços em março e em maio.

Trump se elegeu com a promessa de frear a imigração ilegal em direção aos EUA e deportar pessoas que vivem no país sem documentos, sob o argumento de que uma imigração descontrolada estaria "envenenando o sangue" do país", "tomando vagas de emprego" de americanos e pressionando serviços públicos. Críticos e entidades defensoras de liberdades civis dizem que a Casa Branca está violando direitos constitucionais. Segundo o DHS, 400 mil pessoas já foram deportadas desde que Trump voltou à Casa Branca — um número que inclui pessoas detidas no país ou barradas nas fronteiras. Quase 2 mil desses imigrantes já chegaram ao Brasil em voos de deportação desde fevereiro. E, atualmente, há cerca de 60 mil imigrantes presos em centros de detenção, um recorde segundo bancos de dados mantidos por pesquisadores e divulgados pela imprensa americana. Quando Trump assumiu a Presidência, havia 39 mil detidos. A meta do governo é prender 3 mil imigrantes por dia.A política de Trump também fez o número de imigrantes que conseguem entrar no país atravessando ilegalmente a fronteira com o México despencar 92% em relação ao ano anterior, segundo dados do governo americano.

<><> Drone no céu

Na terceira semana de setembro, mensagens começaram a chegar direto de um condomínio conhecido por abrigar imigrantes brasileiros ao noroeste de Boston. Fotos e vídeos mostravam carros parados nas saídas e até no estacionamento do conjunto de prédios. Durante dois dias, moradores relatavam estar encurralados, com medo de sair de casa. No dia 16 de setembro, um novo vídeo chegou mostrando imagens aéreas do condomínio. Os moradores passaram a colocar um drone no ar, aproximando a câmera de carros parados para saber se havia agentes à espera deles.

Nos EUA, se o drone pesa menos de 250 g e só é utilizado para "voo recreativo", não é necessário registro de permissão. Mas é preciso se ater a altura máxima de 120 metros. A BBC News Brasil não conseguiu confirmar se os moradores seguiram as regras.

Os imigrantes costumam dizer nos grupos que o único lugar onde não são alvos é dentro de casa. Uma mensagem feita com animação encaminhada faz apelo para as pessoas não saírem para trabalhar. "Uma semana ou duas sem trabalhar vai ti deixar rico? Qual seria melhor, perder o trabalho e depois consegue outro ou ficar meses trancados em detenção longe dos filhos?", diz o cartaz.

Sem um mandado assinado por um juiz, agentes do ICE não podem entrar em residências. Em geral, eles têm em mãos um mandado administrativo quando buscam alguém específico, o que permite a prisão dessa pessoa em local público. Eles também podem fazer abordagens contra quem consideram "suspeitos" e detê-los se encontrarem irregularidades. Em 8 de setembro, a Suprema Corte dos EUA autorizou o governo Trump a abordar e deter imigrantes com base em sua raça ou idioma. Isso é, o fato de uma pessoa falar inglês com sotaque latino por si só já pode ser um critério para uma abordagem do ICE como uma pessoa "suspeita".

Enxergada pela comunidade como uma "carta branca" para as detenções, a permissão judicial somada à nova operação em Massachusetts têm ampliado a mudança de comportamento. Em uma das mensagens, uma mulher encaminhou um vídeo com dicas para aprender a linguagem dos sinais. Em áudio, ela pediu para os companheiros de chat aprenderem a usar as mãos para se comunicar: "nada de falar mais". Outra imigrante pede para brasileiros ficarem "americanizados". Entre as dicas, além de não levar crianças que falam português para a rua, estão usar óculos escuros e colar um adesivo de apoiador de Trump no carro Pelas informações que chegam aos grupos, o mineiro Júnior avalia que o ICE de fato não se apega aos mandados e "prende e depois pergunta".

Em processo de obtenção do green card após chegar aos EUA com o visto U (dado a vítimas de crimes em solo americano) que herdou da mãe, ele conta que a situação causa apreensão nele, mesmo estando amparado pela lei. O mineiro diz que também teme pela namorada e pelo filho dela, brasileiros que vivem de forma ilegal. "Se veem que fala inglês mal, te pegam na hora, não quer nem saber se você é cidadão, se tem green card", conta o brasileiro. Apesar do temor, ele diz não ter vontade de voltar ao Brasil, onde, em um mês de férias no ano passado, foi assaltado.

Apesar da tentativa de monitoramento dos grupos, os brasileiros sabem que a estratégia pode não ser tão bem sucedida. "Eles são muito rápidos, em quatro minutos já prendem e somem do lugar", relata Júnior. Mas há redes de voluntários como a LUCE, formada por diversas organizações comunitárias em Massachusetts. O grupo atua quando recebe ligações de imigrantes denunciando possíveis ações do ICE, enviando pessoas para verificar e confirmar as informações. Também há outros aplicativos específicos que permitem informar onde há blitzes, vistos com ceticismo pela comunidade brasileira, que temem serem rastreados pelo telefone.

A LUCE criou uma linha para imigrantes que não sabem falar inglês ou que tem medo de procurar as autoridades locais em casos de violação de direitos básicos em abordagens violentas, por exemplo. "As pessoas ligam, passam detalhes, e os voluntários da região mandam o verificador, que vai com telefone em mão para filmar", diz Lorena Betts, há 15 anos nos EUA e responsável pelo braço em português da LUCE. De Comodoro (MT), ela chegou ao país num programa de au pair (babá) e se aproximou do tema da imigração ao trabalhar como intérprete de português nos tribunais de Massachusetts. "Não vamos interferir no trabalho policial, só exercitar o direito constitucional de documentar", conta ela sobre o trabalho do grupo.

Quando encontram ruas vazias, os voluntários podem bater de porta em porta, em busca de quem pode reconstituir o que aconteceu ou fornecer imagens de câmeras de segurança. Também levam imigrantes para reuniões com advogados e até ajudam em compras de supermercado caso os moradores não possam sair ou perderam a renda com a prisão de algum membro da família. Os voluntários atuam em grupos próprios no WhatsApp ou dentro de chats públicos, quer sejam de igrejas ou focados nas informações sobre ICE. Quando o mês de setembro vai chegando ao fim, ainda não há sinais, pelo menos nos grupos de WhatsApp, de que a operação Patriot 2.0 esteja perto de ser encerrada em Massachusetts. Mas há esperança entre os brasileiros de que ela não continue em outubro.

¨      Trump cita 'inimigo interno' e diz que cidades americanas serão 'campo de treinamento' para militares

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende usar cidades americanas como "campos de treinamento" para as Forças Armadas. Em discurso incomum na terça-feira (30/09) a centenas de líderes militares americanos trazidos de diferentes partes do mundo, Trump classificou "distúrbios civis" como "inimigo interno". Ele acrescentou que a situação "não sairá do controle quando vocês estiverem envolvidos". A declaração veio após Trump enviar tropas da Guarda Nacional para Washington D.C., Los Angeles e Portland sob a justificativa de reprimir crimes e reforçar a fiscalização da imigração.

Em seu discurso aos líderes militares, Trump (Partido Republicano) repetiu suas críticas às cidades administradas pelo Partido Democrata, incluindo San Francisco, Chicago, Nova York e Los Angeles, e indicou que manteria a política de usar forças militares para aplicar a lei. "São lugares muito inseguros e vamos resolvê-los um por um", disse Trump, acrescentando que seria "uma parte importante para algumas das pessoas nesta sala. É uma guerra interna. Controlar o território físico das nossas fronteiras é essencial para a segurança nacional. Não podemos deixar essas pessoas entrarem", acrescentou Trump.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também se manifestou, declarando o fim da cultura "woke" no Pentágono e anunciando novos padrões de aptidão física "de nível masculino" para oficiais militares. Segundo o dicionário americano Merriam-Webster, o termo "woke" é usado com desaprovação para referir-se a alguém politicamente liberal (em temas como justiça racial e social), especialmente de forma considerada insensata ou extremista. Ou seja, para algumas pessoas, ser "woke" é ter consciência social e racial, questionando paradigmas e normas opressores historicamente impostos pela sociedade. Já para outros, o termo descreve hipócritas que acreditam que são moralmente superiores e querem impor suas ideias progressistas sobre os demais.

O governador de Illinois, J.B. Pritzker (Partido Democrata), acusou Trump de usar tropas militares e o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) para "invadir e perturbar" cidades dos EUA. "Nossas tropas e nossa nação merecem mais do que você agindo como um tirano mesquinho", disse Pritzker, em publicação na rede social X. A segurança foi extremamente rigorosa para o discurso na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico (Marine Corps Base Quantico, em inglês), uma extensa instalação de 55 mil acres na Virgínia. A cúpula representou uma rara reunião de tantos oficiais seniores em um único local. Generais e almirantes de diferentes partes do mundo ouviram em silêncio os comentários de Trump e Hegseth.

O evento começou com um discurso de Hegseth, que anunciou que as Forças Armadas dos EUA exigirão que os combatentes atinjam o "mais alto padrão masculino" nos testes de aptidão física. Hegseth reconheceu que a medida pode impedir a participação de algumas mulheres no serviço militar. "Os padrões devem ser uniformes, neutros em termos de gênero e elevados", disse Hegseth à multidão.

Ele apresentou sua visão de mudança cultural no Pentágono e de um maior "ethos guerreiro". Trump, que falou em seguida, reiterou essa visão.

O discurso de Trump focou na cultura militar dos EUA, treinamentos, lideranças e "consertar décadas de decadência", incluindo programas de inclusão e diversidade, e a promoção de um corpo de oficiais "avesso a riscos". Ele afirmou que esses oficiais estão sendo desestabilizados por "distrações relacionadas às mudanças climáticas", "lixo 'woke'" e pelo medo de serem rotulados como líderes "tóxicos". Além de anunciar mudanças nos padrões de aptidão física, Hegseth prometeu o fim da "era das aparências pouco profissionais" — incluindo exceções que permitem barba — e dos procedimentos de denúncias anônimas, como parte de mudanças mais amplas no departamento.

Tammy Duckworth, veterana militar e senadora de Illinois pelo Partido Democrata, disse à BBC que se preocupa com o impacto das declarações de Hegseth no futuro das Forças Armadas dos EUA. "Os comentários dele hoje vão afetar todos os tipos de recrutamento, não apenas de mulheres. Não conheço pessoas que queiram servir em um Exército que está sendo usado de teatro político", disse ela. Duckworth afirmou que Hegseth tentava afastar mulheres e pessoas não brancas das Forças Armadas. "Para um homem que não está qualificado para o próprio cargo, é bastante discriminatório falar sobre mulheres que são qualificadas para exercer suas funções", disse Duckworth.

O secretário de Defesa também comentou a demissão de comandantes seniores, afirmando que agiu segundo "seu instinto" e eliminou militares que, em sua avaliação, não se afastariam de políticas de governos anteriores. "Tenho certeza de que mais mudanças de liderança serão feitas", disse Hegseth. Nenhum motivo oficial foi divulgado quando os generais foram convocados com pouca antecedência na semana passada, gerando especulações sobre o que Trump e Hegseth diriam.

Falando sobre as reformas de Hegseth, Trump disse que o foco em "aptidão física, capacidade e caráter" não tem o objetivo de "proteger os sentimentos de ninguém". "É para proteger nosso país. Não seremos politicamente corretos quando se trata de defender a liberdade americana", disse. O presidente também aplaudiu sua decisão de renomear o Departamento de Defesa como Departamento de Guerra. Ele afirmou que o título secundário para o Pentágono é "bastante popular", mesmo entre seus críticos, e contribuiu para o que ele afirma repetidamente serem números de recrutamento em forte alta. "É uma reafirmação histórica de nosso propósito, nossa identidade e nosso orgulho", disse. Houve pouca reação visível ou audível dos generais e militares de alta patente presentes, que permaneceram em silêncio, exceto pelo som de centenas de botas estalando em posição de sentido quando Hegseth subiu ao palco e quando saiu. Muitos fizeram anotações em cadernos militares enquanto ele falava.

Trump assumiu o palco em seguida, brincando: "Nunca entrei em uma sala tão silenciosa antes." E acrescentou: "Juntos, estamos reavivando o espírito guerreiro. E esse é o espírito que venceu e construiu esta nação". Em um discurso amplo, o presidente dos EUA destacou conquistas das Forças Armadas americanas — e de seu segundo mandato como presidente. Trump afirmou ter "resolvido" sete guerras e esperava por uma oitava — caso o Hamas aceitasse a proposta para Gaza que apresentou junto a Israel. Antes do evento, J.D. Vance, vice-presidente dos EUA, acusou a imprensa de transformar a reunião em uma "grande notícia", ressaltando que não era "particularmente incomum" que os generais se encontrassem com Hegseth pessoalmente.

Alguns observadores discordaram. Giuseppe Cavo Dragone, almirante italiano e presidente do Comitê Militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), disse à agência de notícias Associated Press (AP): "Em meus 49 anos de serviço, nunca vi isso antes." Mark Cancian, do Center for Strategic and International Studies (Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos, o CSIS na sigla em inglês), afirmou à agência Reuters: "É inexplicável por que isso não foi feito virtualmente, evitando que oficiais seniores percam tanto tempo em viagens." Explicando previamente o objetivo da reunião, Trump disse à emissora americana NBC News que seria um exercício para gerar "esprit de corps" (espírito de equipe) — sugerindo que via uma oportunidade de motivar suas tropas. Segundo relatos, participaram oficiais vindos de bases militares na Europa, na Coreia do Sul e no Oriente Médio.

Muitos deles chegaram horas antes do evento e foram acomodados no auditório de acordo com sua área de atuação: Exército, Corpo de Fuzileiros Navais, Marinha, Força Aérea e Força Espacial, facilmente identificáveis pelos uniformes.

Alguns exibiam medalhas de campanha, mostrando que haviam servido no Afeganistão, no Iraque ou na guerra americana mais ampla contra o terrorismo, iniciada após os ataques de 11 de setembro de 2001.

 

Fonte: BBC News Brasil

 

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