PSDB
aposta em retornos e figurões para 2026 após perder jovens governadores
A filiação do Ciro Gomes ao PSDB, nesta semana, foi
anunciada com um vídeo que remontou as origens do partido pelo qual o político
ganharia projeção nacional antes de concorrer quatro vezes à Presidência da
República.
Embora o movimento tenha caráter mais
estadual do que nacional, a volta do ex-presidenciável ao ninho recolocou o
PSDB nas manchetes e refletiu a aposta do partido em lideranças tarimbadas para
as eleições de 2026 como estratégia para superar as próprias crises, como
a IstoÉ relata neste texto.
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A derrocada tucana
Quando
Geraldo Alckmin (hoje vice-presidente da República, pelo PSB) recebeu 4,76% dos
votos nas eleições de 2018, mesmo com um amplo arco de alianças e o maior tempo
de propaganda eleitoral da corrida, o PSDB ficou fora do segundo turno de
uma disputa presidencial pela primeira vez desde 1989, quando Fernando Collor
se elegeu pelo extinto PRN.
Depois
de faturar a corrida pelo Palácio do Planalto duas vezes, em 1994 e 1998, com
Fernando Henrique Cardoso, os tucanos enfrentaram Luiz Inácio Lula da Silva e
Dilma Rousseff (duas vezes cada) representados por José Serra, Aécio Neves e
pelo próprio Alckmin. Mesmo com as vitórias petistas, o projeto de
social-democracia representou a principal alternativa à esquerda no país, fez
bancadas expressivas no Congresso Nacional, manteve o governo de São Paulo e
protagonizou o que já se chamava de polarização política.
Mas em
2018, com Lula preso e o PT
representado por Fernando Haddad, foi Jair Bolsonaro (no então nanico PSL)
quem conquistou a vitória nas urnas. Para Felipe Nunes e Thomas Traumann,
autores de “Biografia do Abismo” (HarperCollins Brasil, 2023), os anos de
Operação Lava Jato e recessão econômica gestaram uma crise de legitimidade
crucial para transferir o eleitorado tradicionalmente antipetista do PSDB
para um “candidato antipolítica”.
“É
nesse contexto que o centro político explode, fragmenta-se, e Bolsonaro aparece
como alternativa mais viável eleitoralmente para aplacar a raiva contra a
política. A eleição de 2018 é o ponto de inflexão para a transformação da
polarização partidária em um fenômeno mais extremado, no qual o radicalismo
começou a transbordar para o cotidiano“, escreveram os pesquisadores.
Neste
contexto, a legenda historicamente liderada por representantes da
centro-esquerda à centro-direita e distante dos discursos radicais foi
sufocada. Na eleição seguinte, em 2022, o PSDB passou de 29 para 13
deputados federais e fez apenas três governadores — a lista não incluiu
São Paulo, agora nas mãos do ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos),
após 28 anos.
Desde
então, tucanos históricos como Alckmin e Aloysio Nunes pediram
desfiliação e distanciaram o PSDB de suas premissas tradicionais; os
remanescentes hesitaram entre se aliar à gestão do arquirrival Lula ou embarcar
no bolsonarismo. Em 2024, os tucanos conquistaram 269 prefeituras e, na maior
cidade do país, viram o neofiliado José Luiz Datena dar uma cadeirada em
Pablo Marçal (PRTB) durante
um debate e terminar com menos de 2% dos votos.
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PSDB perdeu jovens estrelas
Com as
negociações para formar uma federação com o Podemos e salvar a própria pele
frustradas — o financiamento público e a propaganda eleitoral são distribuídos
aos partidos de acordo com suas bancadas na Câmara dos Deputados –, o partido
viu seus três governadores eleitos em 2022 debandarem.
Primeiro
foi Raquel Lyra, de Pernambuco, que rumou
ao PSD para
se aproximar do governo federal em um estado de maioria lulista. Em
seguida Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul,
também em direção ao partido de Gilberto Kassab depois de
criticar publicamente o tucanato e em busca de viabilizar a própria candidatura à
Presidência.
Por último Eduardo Riedel, do Mato Grosso do
Sul, que em movimento oposto ao da pernambucana foi para o PP para acenar à
direita. Além da saída do ninho, os três têm menos de 60 anos e eram
encarados como perspectivas de futuro de uma agremiação em crise de
identidade.
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Saída pela experiência
Presidente
nacional da legenda, Marconi Perillo disse à IstoÉ em
fevereiro que o partido transmitiu “mensagens
equivocadas” ao seu eleitor e perdeu espaço como alternativa ao petismo. Com o discurso de
renovação das bases, o dirigente lançou-se pré-candidato ao governo de
Goiás contra
o grupo do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que deve ungir o vice
Daniel Vilela (MDB) à sucessão.
O
próprio Perillo, no entanto, está longe de dar garantia de longevidade ao
PSDB. Aos 62 anos e na política desde 1982, governou quatro vezes o
estado, chegou a ser preso preventivamente na Operação Cash Delivery por
suspeita de receber propina da Odebrecht — foi liberado após habeas corpus — e
perdeu eleições para o Senado em 2018 e 2022. Em agosto, registrou 22% das
intenções de voto para voltar ao governo, tecnicamente empatado com os 26% de
Vilela,
segundo a Atlas.
Outro
tucano conhecido que se movimenta pelo Executivo estadual é Aecio Neves,
que governou Minas Gerais entre 2003 e 2010. O mineiro foi quem chegou mais
perto do Palácio do Planalto depois de FHC (teve 48,36% dos votos no segundo
turno de 2014, contra Dilma), encampou uma guinada à direita da sigla ao
contestar o resultado das urnas e se projetava para concorrer novamente a
presidente em 2018, mas foi denunciado pela Lava Jato por suspeita de receber
propina de empreiteiras.
Mesmo
com a denúncia rejeitada pelo STF, teve a trajetória aplacada pela onda
antipolítica. Acabou relegado a campanhas discretas pela Câmara dos Deputados,
onde está desde 2019 e tem papel relevante em articulações, mas longe da
repercussão pública de outrora. Em novembro, assumirá a presidência do partido
no lugar de Perillo.
A
aposta mais ousada na experiência é no recém-filiado Ciro Gomes, de 67
anos. Com passagem marcante pelo PSDB, pelo qual governou o Ceará e foi
ministro da Fazenda de Itamar Franco, ainda na década de 1990, o político
fincou os pés na centro-esquerda nos anos seguintes ao concorrer quatro vezes à
Presidência, por PPS (hoje Cidadania) e PDT, e comandar o ministério da
Integração Nacional no primeiro governo Lula.
A
decepção da última eleição presidencial (recebeu 3,04% dos votos), porém,
precedeu uma migração completa para o antipetismo, em especial a nível
estadual. Nos últimos meses, o grupo de oposição ao governador Elmano de
Freitas (PL) passou a gestar uma nova candidatura de Ciro ao Palácio da
Abolição. Ao deixar o pedetismo, ele chegou a ser chamado pelo União Brasil,
mas o convite do ex-senador Tasso Jereissati, seu padrinho político, pesou a
favor de um retorno ao ninho em alinhamento conveniente para os dois
lados.
Ciro
não declara, mas o presidente estadual da legenda, Ozires Pontes, disse
à IstoÉ que o objetivo da filiação é a campanha ao
governo cearense,
e a pretensão foi reforçada por lideranças da direita radical, como o deputado
Alcides Fernandes (PL). Mais competitiva entre as experientes apostas,
o ex-presidenciável registrou em setembro 37% das intenções de voto pelo
governo, em empate técnico com Elmano, que teve 37%, segundo a Real Time. Se a
empreitada vingar nas urnas, o PSDB reassume o oitavo estado mais populoso do
país.
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PSB ‘vai ao mercado’ e já traça Pacheco como novo alvo
A
chegada de João Campos (PSB-PE) para a presidência do PSB não foi
apenas a entrada da juventude do partido e um expoente da dinastia Campos de
volta ao comando do partido após a morte de seu pai, Eduardo Campos, em 2014. É
um reposicionamento da legenda mais forte de Pernambuco, dessa vez a nível
nacional.
Se em
2022 o PSB conseguiu atrair Geraldo Alckmin para disputar a
vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agora o partido quer ir além e,
como mostrou a IstoÉ, já negocia para que Marina Silva, hoje na Rede,
e Simone Tebet, no MDB, disputem ao Senado nas próximas eleições. Dessas,
Marina é a que está mais próxima e deve ser anunciada ainda neste ano.
O PSB,
todavia, está de olho no passe de outro nome para a disputa do governo de Minas
Gerais: o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Hoje no PSD, Pacheco
já prepara suas malas para desembarcar do partido comandado por Gilberto
Kassab. A filiação de Mateus Simões, vice de Romeu Zema (Novo), ao partido
foi a pá de cal para a manutenção do senador na legenda. Simões quer se lançar
candidato com apoio de Zema e partidos da direita.
Mesmo
com o interesse, o PSB terá que enfrentar a disputa com o MDB, que quer o
retorno do filho pródigo. Pacheco foi filiado entre 2009 e 2018, sendo o
primeiro partido dele na política. Hoje, o ex-presidente do Senado está mais
próximo da ex-legenda.
¨ Pesquisa sobre
'elite' do Congresso Nacional traz más notícias para o bolsonarismo
Ainda
que tenha a maior bancada em número de deputados na Câmara, o PL, partido do
ex-presidente Jair Bolsonaro, de seus filhos e de diversos aliados, não tem uma
representatividade proporcional ao seu tamanho entre os parlamentares
considerados da "elite" do Congresso Nacional.
Os
dados são de uma pesquisa da consultoria Arko Advice e foram divulgados
pela coluna da jornalista Roseann Kennedy, do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo o
levantamento Elite Parlamentar 2025, dos 79 deputados e 41 senadores que mais
“negociam com o Executivo, representam grupos de pressão, operam na busca do
consenso e influenciam nas decisões do Executivo ou deixam sua marca no
processo deliberativo do Congresso”, o PL conta com 13 representantes, o mesmo
número de PP e PSD.
A
legenda com maior número de deputados e senadores entre os principais
influenciadores do Legislativo é o PT, com 18 parlamentares, seguida do União
Brasil, com 14.
Conforme
a pesquisa, São Paulo é o estado com mais representantes na elite do
Congresso Nacional, com 17 parlamentares, seguido de Rio de Janeiro, que
tem 14; Minas Gerais, 12; Bahia, 10, e Pernambuco, 7.
Regionalmente, o Nordeste conta com 45 congressistas na elite, vindo na
sequência o Sudeste, com 44, Norte (13), Sul (12) e Centro-Oeste
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Mudanças em relação a 2024
O
estudo mostra que houve uma mudança em relação a quais eram os parlamentares
mais influentes em 2024 e agora.
Na
análise do ano passado, o PL tinha mais congressistas na elite, com 17, seguido
pelo PT, com 15, e, agora, as posições se inveteram. O PP aparecia com 13 e o
PSD com 12, enquanto o MDB tinha 11 e o União, 10.
¨ PP reforça discurso
de segurança pública e troca slogan de olho em 2026
O PP,
legenda presidida pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), anunciou neste sábado
(25) uma mudança no slogan do partido, que passa de “Oportunidade
para Todos” para “Brasil do Futuro é Brasil Mais Seguro”.
“Essa é
a visão do Progressistas: o Brasil não vai andar enquanto o crime compensar.
Segurança é condição para o desenvolvimento, para o investimento e para a
liberdade. Um país seguro é um país que cresce com confiança e esperança”,
disse Ciro Nogueira, no terceiro dia do Fórum de Segurança Pública
pelo Brasil, realizado em São Paulo.
A
realização do evento e a alteração do lema da legenda apontam que a segurança
pública vai ser um tema central para o PP em 2026. A filiação do
secretário de Segurança Pública do governo de São Paulo, Guilherme
Derrite, à sigla, segundo o site oficial do Progressistas, reforça o
"compromisso do partido com pautas de ordem, autoridade e eficiência na
gestão pública".
“O
Congresso Nacional precisa assumir o protagonismo e fazer uma reforma na
justiça criminal para entregar a paz que a sociedade tanto almeja”,
apontou Derrite, pré-candidato ao Senado por São Paulo.
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'Missão de Estado'
No
mesmo fórum, o presidente da Fundação Francisco Dornelles, vinculada ao
PP, deputado federal Covatti Filho (RS), destacou a importância do debate sobre
o tema, usualmente utilizado pela direita em disputas eleitorais, para o
partido. “Hoje, segurança pública não é um tema partidário, é uma missão
de Estado”, ressaltou.
“A
nossa legislação é muito lenta para acompanhar as mudanças do crime organizado.
Ela precisa evoluir na mesma velocidade”, disse, durante as discussões, o
subsecretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, coronel Maurílio Nunes,
sinalizando que a questão deverá estar presente nas campanhas para cargos do
Executivo e também do Legislativo.
Fonte:
IstoÉ/Fórum

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