quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Maria Luiza Falcão: Trump, os Bolsonaros e o Brasil que não se curva

As tensões entre os governos dos Estados Unidos de Trump e do Brasil de Lula, apesar de amenizadas após o encontro entre os dois presidentes na Malásia, ainda causam preocupação. 

O presidente norte-americano, desde seu retorno à Casa Branca, tenta reconfigurar a geopolítica hemisférica sob o velho lema do “America First” — agora travestido de cruzada moral contra o socialismo e os governos progressistas. No centro de sua mira estão a América Latina e o Brasil, que sob a liderança de Lula se tornou símbolo de soberania, inclusão social e protagonismo internacional. O atrito não é casual: é político, ideológico, econômico e eleitoral.

Trump 2.0 tem se esforçado para minar as experiências progressistas da América Latina. Reacendeu sanções e atacou a Venezuela de Maduro — sob a desculpa de combate ao narcotráfico —insultou o governo mexicano, ironizou a Colômbia e lançou ameaças comerciais contra o Brasil. 

O caso brasileiro é especial. Lula representa o oposto de tudo o que o trumpismo simboliza: solidariedade internacional, defesa do meio ambiente, multilateralismo e inclusão social. Não se trata apenas de divergência diplomática, mas de um embate entre dois modelos de civilização — um baseado no medo e na força, outro na cooperação e na democracia.

Em outubro de 2025, Donald Trump confirmou que havia autorizado a Central Intelligence Agency (CIA) a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, bem como considerar possibilidade de ataques em território venezuelano — um sinal claro de que os Estados Unidos não hesitam em usar instrumentos de intervenção hemisférica para pressionar governos que fogem ao alinhamento tradicional. 

Essa escalada reforça o padrão de investidas que não visam apenas o controle econômico ou comercial, mas a desestabilização de governos progressistas por meio de ameaça militar ou operativa — o que oferece o pano de fundo lógico para compreender por que a retórica de “invasão da Baía da Guanabara”, proposta pelo senador Flávio Bolsonaro, filho 01 do ex-presidente Jair Messias  que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, ganha contornos mais que retóricos: ela insere-se numa lógica hemisférica de intimidação.

<><> A retórica golpista dos Bolsonaros

Foi nesse cenário que a extrema direita brasileira voltou à cena com uma mistura de delírio e cálculo. O sem noção do  01 declarou nas redes sociais que “Trump deveria mandar seus navios para a Baía da Guanabara”, num gesto de provocação explícita ao governo Lula. O absurdo, que à primeira vista pareceria uma piada, tornou-se símbolo do desespero de uma direita órfã de poder e carente de relevância. Ao evocar uma “invasão” do território brasileiro, o senador tenta resgatar o velho discurso de tutela estrangeira, como se o destino do país devesse ser decidido em Washington.

A declaração seria apenas grotesca se não estivesse inserida num contexto mais amplo. O filho 03, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, tem sido o principal elo entre o trumpismo e o bolsonarismo. Participa de conferências da extrema direita, mantém relações próximas com assessores de Trump e repete, com sotaque tropical, a retórica da conspiração. De lá, difunde ataques a Lula, propaga mentiras sobre o sistema eleitoral brasileiro e posa de soldado de uma cruzada ideológica que tenta unificar as direitas autoritárias do continente. O clã Bolsonaro age como extensão simbólica da campanha de Trump na América Latina.

<><> A sombra de 2026

O pano de fundo é evidente: as eleições presidenciais de 2026. Com Lula consolidado como favorito em todas as pesquisas, o bolsonarismo busca desestabilizar o processo antes mesmo do início oficial da disputa. A tática é conhecida. Trump, em 2021, tentou deslegitimar as urnas americanas, estimulando seus seguidores à invasão do Capitólio. O roteiro se repetiu, agora tropicalizado, no Brasil, em 8 de janeiro de 2023, com a tomada e vandalização  da Praça dos Três Poderes pelos “patriotas brasileiros” inconformados com a vitória de Lula, nas urnas, em 2022. 

A narrativa de fraude, o apelo à força e o culto à desordem compõem a estratégia de quem sabe que não venceu pelo voto, o que levou à condenação dos desordeiros, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. 

Nos bastidores, assessores de Trump alimentam a ideia de que o Brasil se afastou “do Ocidente” ao fortalecer laços com China, Rússia e o BRICS. Para o trumpismo, Lula é o rosto do desafio à hegemonia norte-americana. O Brasil, com Lula, ao recuperar protagonismo internacional, passou a ser visto como um país “indisciplinado” — expressão usada em relatórios recentes do Departamento de Estado dos Estados Unidos. 

<><> Da Baía dos Porcos à Baía da Guanabara

A “invasão da Baía da Guanabara” pelos Estados Unidos proposta pelo senador Flávio Bolsonaro em 23 de outubro é tão absurda quanto simbólica. A imagem evoca, ainda que de forma grotesca, a lembrança de outra baía latino-americana: a Baía dos Porcos, em Cuba, onde, em 1961, a CIA tentou derrubar o governo revolucionário de Fidel Castro. Naquele episódio, os Estados Unidos treinaram e financiaram exilados cubanos de Miami para executar uma invasão militar disfarçada — uma operação que fracassou em apenas três dias, mas deixou registrada para sempre a arrogância de um império incapaz de aceitar a autodeterminação de um povo.

Flávio Bolsonaro parece querer reeditar, em versão tropical e farsesca, o mesmo enredo: apelar ao poder estrangeiro para intervir contra um governo legítimo e popular. A diferença é que, desta vez, não há exilados em Miami dispostos a desembarcar com armas, mas há um discurso envenenado que tenta transformar o medo em arma. Se a Baía dos Porcos foi a tragédia do imperialismo, a Baía da Guanabara é a sua comédia tardia — uma fantasia colonial que só revela o desprezo de uma extrema direita que se diz “patriota” por sua própria soberania.

E o Brasil de 2025 não é a Cuba sitiada de 1961. É uma nação que lidera o BRICS, preside o G20 e prepara-se para sediar a COP-30. Nenhuma frota estrangeira, real ou imaginária, poderá deter o curso de um país que aprendeu a andar com os próprios pés. O gesto de Flávio Bolsonaro, ao invocar uma invasão, é um insulto à história brasileira — e um eco melancólico do passado em que generais pediam benção à CIA.

<><> O Brasil que não se curva

O Brasil de hoje é diferente. Retomou o crescimento, reergueu suas políticas sociais e voltou a falar com o mundo. No G20, Lula é respeitado como voz dos emergentes; na ONU, defende uma governança mais justa; no BRICS, lidera a discussão sobre um novo sistema financeiro global. 

Na Malásia, o presidente Lula acabou de receber o título de doutor “honoris causa” concedido pela Universidade Nacional da Malásia. Essa postura altiva e soberana incomoda as elites dependentes e os herdeiros do colonialismo, que veem na subordinação a única forma de existir.

Trump e os Bolsonaros representam o passado — o da guerra fria ideológica, da obediência cega e do medo. O Brasil de hoje é o da Amazônia defendida, da inclusão social e do protagonismo global. Nenhum delírio de “invasão” ou ameaça de “retaliação” será capaz de apagar isso.

O que os Bolsonaros chamam de patriotismo é, na verdade, servilismo travestido de bravata. E o que Trump chama de liderança é a nostalgia de um império que já não comanda o mundo. 

<><> Entre o grotesco e o perigoso

A suposta “invasão da Baía da Guanabara” pode parecer uma anedota, mas é um sintoma. Sintoma da degradação política de uma extrema direita que, incapaz de vencer nas urnas, apela ao escândalo e à ameaça. Sintoma também da dependência mental de uma elite que ainda vê no estrangeiro a fonte da legitimidade.

Lula governa um país que busca se reencontrar consigo mesmo. A democracia brasileira, embora atacada, resistiu. E é justamente por isso que provoca tanto ódio em seus adversários. Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro, ao cortejarem Trump, revelam não apenas sua falta de senso histórico, mas seu medo do futuro. Um futuro em que o Brasil fala por si — e não em voz alheia.

Enquanto Trump tenta reerguer as ruínas de um império em declínio, o Brasil avança como nação soberana, plural e democrática. A Baía da Guanabara, símbolo da liberdade e da coragem, continuará de pé — e jamais se curvará a qualquer armada estrangeira, seja real ou imaginária. O tempo dos Porcos acabou. O tempo é do povo brasileiro.

¨      Chico Vigilante: O desmonte da farsa - a agonia política da extrema-direita brasileira

A recente reunião entre o presidente Lula e Donald Trump serviu como um revelador raio-X da frágil construção política que sustenta o bolsonarismo no Brasil. A frustração melancólica que se abateu sobre os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro não é um mero capricho do humor político, mas a constatação amarga de que seu projeto, atrelado a um fenômeno estrangeiro e superficial, está com os dias contados. 

A cena é quase patética: enquanto a diplomacia brasileira, sob a liderança de Lula, reconquista espaços e estabelece diálogos pragmáticos com todas as potências, a extrema-direita tupiniquim chora nos bastidores porque seu ídolo externo não lhe deu a mão. É o fim da festa para quem sempre apostou no circo.

A investida internacional do deputado Eduardo Bolsonaro, que se imaginava um grande articulador global, mostrou-se um fiasco estrondoso. A figura do filho do ex-presidente, longe de ser um estadista, tornou-se um símbolo do amadorismo e da subserviência que marcaram a gestão passada. Enquanto isso, ele próprio evade-se do país, fugindo das responsabilidades jurídicas que o aguardam aqui. 

A reação pública da família Bolsonaro, tentando minimizar o encontro, foi um espetáculo de má-fé e desespero. As declarações do senador Flávio Bolsonaro, afirmando que Lula teme enfrentar seu pai, são uma tentativa cômica de inverter a realidade. As pesquisas, frias e democráticas, desmentem essa narrativa falaciosa. O presidente Lula lidera todos os cenários eleitorais, enquanto o nome Bolsonaro, seja qual for o portador, é sinônimo de derrota anunciada. A alegação de que Bolsonaro foi assunto na reunião é o uivo de quem foi deixado para trás pela história e tenta, a qualquer custo, criar relevância onde já não existe.

Os números da recente Paraná Pesquisas são um retrato fiel do novo momento político que vivemos. O presidente Lula não apenas está à frente, mas consolida sua liderança em um espectro amplo de simulações. É significativo que a maior vantagem do presidente seja justamente contra Flávio Bolsonaro, a aposta dinástica da família. O povo brasileiro, que sofreu na pele com o desmonte das políticas públicas, o incentivo à violência e a gestão caótica da pandemia, não deseja o retorno desse projeto de morte. A direita, sem rumo e sem um líder viável, se apega a figuras como Tarcísio de Freitas ou mesmo a Michelle Bolsonaro, mas os dados mostram que nenhum deles consegue romper a solidez do apoio a Lula.

O sentimento de "traição" que os bolsonaristas dirigem a assessores de Trump, como o advogado Martin de Luca, é a cereja do bolo da ingenuidade política. Eles acreditaram piamente em uma aliança ideológica sólida, quando, na verdade, eram apenas peças descartáveis em um jogo de interesses maior. O trumpismo, assim como o bolsonarismo, é um movimento de poder personalista, que não cultiva lealdades, apenas conveniências. A reaproximação de Trump com Lula é um ato que desnuda a fragilidade da "aliança" que os bolsonaristas julgavam ter forjado. Foram usados e, agora, descartados.

Este episódio todo escancara a profunda crise de representatividade e projeto da direita brasileira. Eles se esgotaram no culto à personalidade, na guerra cultural vazia e na submissão a agendas internacionais. Não possuem um plano para o Brasil, apenas ódio e ressentimento. Enquanto nós, do campo progressista, trabalhamos para reconstruir o país, recompor o orçamento social, fortalecer a educação pública e reinserir o Brasil no mundo, a oposição de extrema-direita se contenta em choramingar por uma reunião que não conseguiu impedir. Sua agenda é o lamento.

Portanto, que a melancolia dos bolsonaristas ecoe como um canto da derrota de um projeto que nunca se preocupou com o Brasil e com seu povo. O nosso trabalho, liderado pelo presidente Lula, segue adiante, reconquistando a credibilidade internacional e, mais importante, reconstruindo a vida daqueles que mais precisam. O povo brasileiro já escolheu seu caminho, e as pesquisas e a realidade mostram que esse caminho não tem espaço para o bolsonarismo e suas ilusões tristes. O futuro já começou, e ele é de reconstrução e esperança.

¨      Lula reverte tarifaço, dobra Trump e lidera sucessão 2026. Por Csar Fonseca

Para dobrar o imperador Donald Trump, revertendo o tarifaço, o presidente Lula mostra, na Malásia, na reunião da Asean, que o essencial é garantir a governabilidade que cuida do povo e abre espaço ao multilateralismo, em vez de priorizar guerras e confrontos que aprofundam ainda mais a decadência capitalista ocidental; ao mesmo tempo, o presidente cuida de alertar Trump que abrir guerra contra a América Latina, para destruir a experiência socialista bolivariana venezuelana, apenas, aprofundará o caos que acelera o fim do unilateralismo americano, com consequente transferência da hegemonia econômica global para a China, que, atualmente, puxa a dinâmica desenvolvimentista asiática, afundando, consequentemente, a outrora hegemonia americana; Trump cai na real e diz que é uma satisfação conversar com Lula; muda-se, dessa forma, o rumo dos acontecimentos, porque o tarifaço se revela tiro no pé para os interesses dos Estados Unidos.

O discurso do presidente Lula na Malásia é um primor de humanismo que impactou o imperador americano; antes do encontro com Trump, destacou ao presidente malaio, Mahathir Mohamad, o que considera o papel do líder político: sua função essencial é de cuidar, não de governar o povo; nessa tarefa, sua preocupação, do ponto de vista social e econômico, é inserir os mais pobres no orçamento público, garantindo-lhe atenção à sua demanda essencial: a alimentação, a moradia, a saúde e a educação.

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Lula se mostra, na Ásia, como produto de sua própria história: veio do mundo da fome; comeu pão pela primeira vez aos sete anos de idade; aprendeu, como operário de indústrias paulistas, que a prioridade do capitalismo não é o social, mas o econômico; o essencial, do ponto de vista do capitalista, é a sustentabilidade do lucro crescente do capital, a demanda do empresário, da propriedade privada, não a estabilidade do padrão de vida do trabalhador, que gera a riqueza por meio da força de trabalho; nesse sentido, a verdadeira grandeza do valor da força de trabalho, o oxigênio que sustenta e multiplica o capital, não é devidamente valorizada; ao contrário, é permanentemente desvalorizada pelas longas jornadas de trabalho forçadas para que produza mais valor, sem a devida correspondência em forma de remuneração.

 DISCURSO DA PRÁXIS LULISTA

O discurso asiático de Lula é produto da sua lição de vida extraída da prática da exploração do trabalho pelo capital, que o fez líder em busca do oposto: a valorização do trabalho como forma de se alcançar a justiça social.

Na Ásia, onde se desenvolve, atualmente, a vanguarda desenvolvimentista global, puxada pela China, Lula se pôs como líder proletário, dirigente sindical e líder político, que acreditou na democracia como força de libertação; fundou um partido para os trabalhadores, a fim de organizá-los na condução ao poder em defesa da supremacia dos seus direitos relativamente aos direitos estabelecidos pelo seu adversário de classe, a burguesia que os explora, com a qual, porém, é obrigado a conciliar em nome de correlação de forças.

O discurso de Lula, na Asean, é a expressão do desenvolvimento da luta de classes; desde  sua chegada ao poder, em 2003 – alcançando, a partir daí, no comando do PT, cinco mandatos - ele adquiriu a consciência de que o seu partido, sim, está no poder, mas, efetivamente, não governa; as forças do capital, que nesse período(2003-2016), predominam amplamente nos poderes legislativo e judiciário, resistem, encarniçadamente, às demandas sociais por meio de orçamentos que distribuem desigualmente as riquezas nacionais criadas pelos trabalhadores; nessas circunstâncias, à esquerda, às forças do trabalho, como criação da grandeza do valor, sobra a tarefa de administrar, de forma insatisfatória, as demandas que os trabalhadores reivindicam para si.

 NEOLIBERALISMO SUBJUGA O PETISMO

No período histórico de domínio político petista, as forças do capital demonstram sua total resistência às conquistas dos trabalhadores, em defesa da valorização da força de trabalho; elas cuidam, em nome dos seus interesses de classe, de suprimi-las, como fazem a partir do golpe neoliberal de 2016; daí em diante, investem contra os direitos sociais constitucionais, como vitória do nacionalismo, inaugurado com a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas e os tenentistas; com o golpe, dado por maioria parlamentar, apoiada pelo judiciário e mídia conservadora, porta-vozes dos interesses do capital nacional e internacional coligados, caíram por terra as conquistas nacionalistas, que conseguiram perdurar durante a ditadura militar de 1964; os golpistas reverteram o nacionalismo e impuseram, mediante imposição de Washington, o neoliberalismo.

Realidade implacável: Lula volta ao poder, em 2022, para mais uma vez ocupar o poder, porém, sem conseguir governar, soberanamente; os golpistas transferiram o poder efetivo do executivo para o legislativo, que, governa de fato, por meio de semipresidencialismo inconstitucional, manipulado pela maioria conservadora de direita e ultra direita, que havia governado na era fascista bolsonarista(2018-2022).

 ESCRAVIDÃO FINANCEIRA EM CENA

Lula retorna em 2022 com o discurso social para administrar forças determinantes do capital sobre as quais, no entanto, não tem força política para conduzi-las em favor dos interesses dos trabalhadores; na prática, é conduzido, o que demonstra que nunca, na história brasileira, a força de trabalho esteve, no período capitalista, tão fraca e subjugada, como agora; vigora, atualmente, no Brasil, o mais baixo salário da América Latina; o poder de compra dos salários perderam a capacidade de dinamizar mercado interno, sustentavelmente; por isso, a classe capitalista, diante do empobrecimento e do crônico subconsumismo dos trabalhadores, que ameaçam, crescentemente, sua taxa de lucro, levando-a à caída permanente, buscam socorro sistemático do governo em forma de subsídios fiscais, subvenções, perdão de dívida, sonegação e evasão tributária.

São transferidos aos capitalistas da produção e das finanças cerca R$ 700 bilhões em incentivos fiscais, anualmente; assim, o déficit público cresce, incontrolavelmente, porque os salários dos trabalhadores são muito baixos; consequentemente, os juros, no Brasil, são os mais altos do mundo, fruto do arrocho salarial para combater inflação, conforme ponto de vista do capital; o resultado é uma dívida pública que cobra perto de R$ 1 trilhão em juros e amortizações; a escravidão financeira é o resultado prático da especulação.

A Lula, rendido pelo discurso do poderoso mercado financeiro, conduzido pela Faria Lima, resta fazer o que disse no discurso da Malásia: cuidar dos mais pobres, condenados à miséria pela financeirização escravocrata, que inviabiliza a governabilidade soberana sustentável.

Nesse cenário de horror financeiro, o titular do Planalto luta para garantir no orçamento da União, dominado pelo rentismo, as migalhas orçamentárias para favorecer programas sociais distributivos de renda, porém, insatisfatórios: Bolsa Família, Farmácia Popular; Minha casa Minha vida(financiada a juro de 1,95%/ mês, que capitalizado, alcança cerca de 30%, o dobro da Selic, o juro básico mais alto do mundo...) etc.

 FAVORITO PARA 2026

No entanto, a poderosa retórica lulista, mesmo diante da adversidade que enfrenta, faz tremer seus adversários; com o pouco que lhe resta de orçamento público, amplamente, dominado pelas forças financeiras, consegue cuidar dos pobres; isso está lhe garantindo o favoritismo na disputa eleitoral de 2026, segundo apontam todas as pesquisas de opinião.

Eis a força que lhe possibilita ser respeitado pelo imperador Donald Trump, que admitiu voltar atrás no tarifaço contra o Brasil; Lula demonstra a Trump que não é negócio para os Estados Unidos firmar discurso unilateralista, porque sem o comércio com o Brasil, a economia americana não tem sustentabilidade.

Confiante nessa lógica dos novos tempos em que o capitalismo americano bate biela, Lula tenta convencer Trump que, também, não é negócio para os americanos abrir guerra contra a América do Sul, para punir, com argumentos mentirosos, a Venezuela bolivariana, que luta para afirmar o socialismo chavista no século 21.

Com seu discurso humanista, na Malásia, Lula se voltou ao essencial: defender a unidade latino-americana; ela é a força necessária para vencer o imperialismo e jogar o tarifaço na lata de lixo.

 

Fonte: Brasil 247

 

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