Maria
Luiza Falcão: Trump, os Bolsonaros e o Brasil que não se curva
As
tensões entre os governos dos Estados Unidos de Trump e do Brasil de Lula,
apesar de amenizadas após o encontro entre os dois presidentes na Malásia,
ainda causam preocupação.
O
presidente norte-americano, desde seu retorno à Casa Branca, tenta reconfigurar
a geopolítica hemisférica sob o velho lema do “America First” — agora
travestido de cruzada moral contra o socialismo e os governos progressistas. No
centro de sua mira estão a América Latina e o Brasil, que sob a liderança de
Lula se tornou símbolo de soberania, inclusão social e protagonismo
internacional. O atrito não é casual: é político, ideológico, econômico e
eleitoral.
Trump
2.0 tem se esforçado para minar as experiências progressistas da América
Latina. Reacendeu sanções e atacou a Venezuela de Maduro — sob a desculpa de
combate ao narcotráfico —insultou o governo mexicano, ironizou a Colômbia e
lançou ameaças comerciais contra o Brasil.
O caso
brasileiro é especial. Lula representa o oposto de tudo o que o trumpismo
simboliza: solidariedade internacional, defesa do meio ambiente,
multilateralismo e inclusão social. Não se trata apenas de divergência
diplomática, mas de um embate entre dois modelos de civilização — um baseado no
medo e na força, outro na cooperação e na democracia.
Em
outubro de 2025, Donald Trump confirmou que havia autorizado a Central
Intelligence Agency (CIA) a conduzir operações secretas dentro da Venezuela,
bem como considerar possibilidade de ataques em território venezuelano — um
sinal claro de que os Estados Unidos não hesitam em usar instrumentos de
intervenção hemisférica para pressionar governos que fogem ao alinhamento
tradicional.
Essa
escalada reforça o padrão de investidas que não visam apenas o controle
econômico ou comercial, mas a desestabilização de governos progressistas por
meio de ameaça militar ou operativa — o que oferece o pano de fundo lógico para
compreender por que a retórica de “invasão da Baía da Guanabara”, proposta pelo
senador Flávio Bolsonaro, filho 01 do ex-presidente Jair Messias que foi
condenado a 27 anos e três meses de prisão, ganha contornos mais que retóricos:
ela insere-se numa lógica hemisférica de intimidação.
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A retórica golpista dos Bolsonaros
Foi
nesse cenário que a extrema direita brasileira voltou à cena com uma mistura de
delírio e cálculo. O sem noção do 01 declarou nas redes sociais que
“Trump deveria mandar seus navios para a Baía da Guanabara”, num gesto de
provocação explícita ao governo Lula. O absurdo, que à primeira vista pareceria
uma piada, tornou-se símbolo do desespero de uma direita órfã de poder e
carente de relevância. Ao evocar uma “invasão” do território brasileiro, o
senador tenta resgatar o velho discurso de tutela estrangeira, como se o
destino do país devesse ser decidido em Washington.
A
declaração seria apenas grotesca se não estivesse inserida num contexto mais
amplo. O filho 03, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, tem sido o
principal elo entre o trumpismo e o bolsonarismo. Participa de conferências da
extrema direita, mantém relações próximas com assessores de Trump e repete, com
sotaque tropical, a retórica da conspiração. De lá, difunde ataques a Lula,
propaga mentiras sobre o sistema eleitoral brasileiro e posa de soldado de uma
cruzada ideológica que tenta unificar as direitas autoritárias do continente. O
clã Bolsonaro age como extensão simbólica da campanha de Trump na América
Latina.
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A sombra de 2026
O pano
de fundo é evidente: as eleições presidenciais de 2026. Com Lula consolidado
como favorito em todas as pesquisas, o bolsonarismo busca desestabilizar o
processo antes mesmo do início oficial da disputa. A tática é conhecida. Trump,
em 2021, tentou deslegitimar as urnas americanas, estimulando seus seguidores à
invasão do Capitólio. O roteiro se repetiu, agora tropicalizado, no Brasil, em
8 de janeiro de 2023, com a tomada e vandalização da Praça dos Três
Poderes pelos “patriotas brasileiros” inconformados com a vitória de Lula, nas
urnas, em 2022.
A
narrativa de fraude, o apelo à força e o culto à desordem compõem a estratégia
de quem sabe que não venceu pelo voto, o que levou à condenação dos
desordeiros, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de abolição
violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em
organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio
tombado.
Nos
bastidores, assessores de Trump alimentam a ideia de que o Brasil se afastou
“do Ocidente” ao fortalecer laços com China, Rússia e o BRICS. Para o
trumpismo, Lula é o rosto do desafio à hegemonia norte-americana. O Brasil, com
Lula, ao recuperar protagonismo internacional, passou a ser visto como um país
“indisciplinado” — expressão usada em relatórios recentes do Departamento de
Estado dos Estados Unidos.
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Da Baía dos Porcos à Baía da Guanabara
A
“invasão da Baía da Guanabara” pelos Estados Unidos proposta pelo senador
Flávio Bolsonaro em 23 de outubro é tão absurda quanto simbólica. A imagem
evoca, ainda que de forma grotesca, a lembrança de outra baía latino-americana:
a Baía dos Porcos, em Cuba, onde, em 1961, a CIA tentou derrubar o governo
revolucionário de Fidel Castro. Naquele episódio, os Estados Unidos treinaram e
financiaram exilados cubanos de Miami para executar uma invasão militar
disfarçada — uma operação que fracassou em apenas três dias, mas deixou
registrada para sempre a arrogância de um império incapaz de aceitar a
autodeterminação de um povo.
Flávio
Bolsonaro parece querer reeditar, em versão tropical e farsesca, o mesmo
enredo: apelar ao poder estrangeiro para intervir contra um governo legítimo e
popular. A diferença é que, desta vez, não há exilados em Miami dispostos a
desembarcar com armas, mas há um discurso envenenado que tenta transformar o
medo em arma. Se a Baía dos Porcos foi a tragédia do imperialismo, a Baía da
Guanabara é a sua comédia tardia — uma fantasia colonial que só revela o
desprezo de uma extrema direita que se diz “patriota” por sua própria
soberania.
E o
Brasil de 2025 não é a Cuba sitiada de 1961. É uma nação que lidera o BRICS,
preside o G20 e prepara-se para sediar a COP-30. Nenhuma frota estrangeira,
real ou imaginária, poderá deter o curso de um país que aprendeu a andar com os
próprios pés. O gesto de Flávio Bolsonaro, ao invocar uma invasão, é um insulto
à história brasileira — e um eco melancólico do passado em que generais pediam
benção à CIA.
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O Brasil que não se curva
O
Brasil de hoje é diferente. Retomou o crescimento, reergueu suas políticas
sociais e voltou a falar com o mundo. No G20, Lula é respeitado como voz dos
emergentes; na ONU, defende uma governança mais justa; no BRICS, lidera a
discussão sobre um novo sistema financeiro global.
Na
Malásia, o presidente Lula acabou de receber o título de doutor “honoris causa”
concedido pela Universidade Nacional da Malásia. Essa postura altiva e soberana
incomoda as elites dependentes e os herdeiros do colonialismo, que veem na
subordinação a única forma de existir.
Trump e
os Bolsonaros representam o passado — o da guerra fria ideológica, da
obediência cega e do medo. O Brasil de hoje é o da Amazônia defendida, da
inclusão social e do protagonismo global. Nenhum delírio de “invasão” ou ameaça
de “retaliação” será capaz de apagar isso.
O que
os Bolsonaros chamam de patriotismo é, na verdade, servilismo travestido de
bravata. E o que Trump chama de liderança é a nostalgia de um império que já
não comanda o mundo.
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Entre o grotesco e o perigoso
A
suposta “invasão da Baía da Guanabara” pode parecer uma anedota, mas é um
sintoma. Sintoma da degradação política de uma extrema direita que, incapaz de
vencer nas urnas, apela ao escândalo e à ameaça. Sintoma também da dependência
mental de uma elite que ainda vê no estrangeiro a fonte da legitimidade.
Lula
governa um país que busca se reencontrar consigo mesmo. A democracia
brasileira, embora atacada, resistiu. E é justamente por isso que provoca tanto
ódio em seus adversários. Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro, ao cortejarem
Trump, revelam não apenas sua falta de senso histórico, mas seu medo do futuro.
Um futuro em que o Brasil fala por si — e não em voz alheia.
Enquanto
Trump tenta reerguer as ruínas de um império em declínio, o Brasil avança como
nação soberana, plural e democrática. A Baía da Guanabara, símbolo da liberdade
e da coragem, continuará de pé — e jamais se curvará a qualquer armada
estrangeira, seja real ou imaginária. O tempo dos Porcos acabou. O tempo é do
povo brasileiro.
¨
Chico Vigilante: O desmonte da farsa - a agonia política
da extrema-direita brasileira
A
recente reunião entre o presidente Lula e Donald Trump serviu como um revelador
raio-X da frágil construção política que sustenta o bolsonarismo no Brasil. A
frustração melancólica que se abateu sobre os aliados do ex-presidente Jair
Bolsonaro não é um mero capricho do humor político, mas a constatação amarga de
que seu projeto, atrelado a um fenômeno estrangeiro e superficial, está com os
dias contados.
A cena
é quase patética: enquanto a diplomacia brasileira, sob a liderança de Lula,
reconquista espaços e estabelece diálogos pragmáticos com todas as potências, a
extrema-direita tupiniquim chora nos bastidores porque seu ídolo externo não
lhe deu a mão. É o fim da festa para quem sempre apostou no circo.
A
investida internacional do deputado Eduardo Bolsonaro, que se imaginava um
grande articulador global, mostrou-se um fiasco estrondoso. A figura do filho
do ex-presidente, longe de ser um estadista, tornou-se um símbolo do amadorismo
e da subserviência que marcaram a gestão passada. Enquanto isso, ele próprio
evade-se do país, fugindo das responsabilidades jurídicas que o aguardam
aqui.
A
reação pública da família Bolsonaro, tentando minimizar o encontro, foi um
espetáculo de má-fé e desespero. As declarações do senador Flávio Bolsonaro,
afirmando que Lula teme enfrentar seu pai, são uma tentativa cômica de inverter
a realidade. As pesquisas, frias e democráticas, desmentem essa narrativa
falaciosa. O presidente Lula lidera todos os cenários eleitorais, enquanto o
nome Bolsonaro, seja qual for o portador, é sinônimo de derrota anunciada. A
alegação de que Bolsonaro foi assunto na reunião é o uivo de quem foi deixado
para trás pela história e tenta, a qualquer custo, criar relevância onde já não
existe.
Os
números da recente Paraná Pesquisas são um retrato fiel do novo momento
político que vivemos. O presidente Lula não apenas está à frente, mas consolida
sua liderança em um espectro amplo de simulações. É significativo que a maior
vantagem do presidente seja justamente contra Flávio Bolsonaro, a aposta
dinástica da família. O povo brasileiro, que sofreu na pele com o desmonte das
políticas públicas, o incentivo à violência e a gestão caótica da pandemia, não
deseja o retorno desse projeto de morte. A direita, sem rumo e sem um líder
viável, se apega a figuras como Tarcísio de Freitas ou mesmo a Michelle
Bolsonaro, mas os dados mostram que nenhum deles consegue romper a solidez do
apoio a Lula.
O
sentimento de "traição" que os bolsonaristas dirigem a assessores de
Trump, como o advogado Martin de Luca, é a cereja do bolo da ingenuidade
política. Eles acreditaram piamente em uma aliança ideológica sólida, quando,
na verdade, eram apenas peças descartáveis em um jogo de interesses maior. O
trumpismo, assim como o bolsonarismo, é um movimento de poder personalista, que
não cultiva lealdades, apenas conveniências. A reaproximação de Trump com Lula
é um ato que desnuda a fragilidade da "aliança" que os bolsonaristas
julgavam ter forjado. Foram usados e, agora, descartados.
Este
episódio todo escancara a profunda crise de representatividade e projeto da
direita brasileira. Eles se esgotaram no culto à personalidade, na guerra
cultural vazia e na submissão a agendas internacionais. Não possuem um plano
para o Brasil, apenas ódio e ressentimento. Enquanto nós, do campo
progressista, trabalhamos para reconstruir o país, recompor o orçamento social,
fortalecer a educação pública e reinserir o Brasil no mundo, a oposição de
extrema-direita se contenta em choramingar por uma reunião que não conseguiu
impedir. Sua agenda é o lamento.
Portanto,
que a melancolia dos bolsonaristas ecoe como um canto da derrota de um projeto
que nunca se preocupou com o Brasil e com seu povo. O nosso trabalho, liderado
pelo presidente Lula, segue adiante, reconquistando a credibilidade
internacional e, mais importante, reconstruindo a vida daqueles que mais
precisam. O povo brasileiro já escolheu seu caminho, e as pesquisas e a
realidade mostram que esse caminho não tem espaço para o bolsonarismo e suas
ilusões tristes. O futuro já começou, e ele é de reconstrução e esperança.
¨
Lula reverte tarifaço, dobra Trump e lidera sucessão 2026.
Por Csar Fonseca
Para
dobrar o imperador Donald Trump, revertendo o tarifaço, o presidente Lula
mostra, na Malásia, na reunião da Asean, que o essencial é garantir a
governabilidade que cuida do povo e abre espaço ao multilateralismo, em vez de
priorizar guerras e confrontos que aprofundam ainda mais a decadência
capitalista ocidental; ao mesmo tempo, o presidente cuida de alertar Trump que
abrir guerra contra a América Latina, para destruir a experiência socialista
bolivariana venezuelana, apenas, aprofundará o caos que acelera o fim do
unilateralismo americano, com consequente transferência da hegemonia econômica
global para a China, que, atualmente, puxa a dinâmica desenvolvimentista
asiática, afundando, consequentemente, a outrora hegemonia americana; Trump cai
na real e diz que é uma satisfação conversar com Lula; muda-se, dessa forma, o
rumo dos acontecimentos, porque o tarifaço se revela tiro no pé para os
interesses dos Estados Unidos.
O
discurso do presidente Lula na Malásia é um primor de humanismo que impactou o
imperador americano; antes do encontro com Trump, destacou ao presidente
malaio, Mahathir Mohamad, o que considera o papel do líder político: sua função
essencial é de cuidar, não de governar o povo; nessa tarefa, sua preocupação,
do ponto de vista social e econômico, é inserir os mais pobres no orçamento
público, garantindo-lhe atenção à sua demanda essencial: a alimentação, a
moradia, a saúde e a educação.
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Lula se
mostra, na Ásia, como produto de sua própria história: veio do mundo da fome;
comeu pão pela primeira vez aos sete anos de idade; aprendeu, como operário de
indústrias paulistas, que a prioridade do capitalismo não é o social, mas o
econômico; o essencial, do ponto de vista do capitalista, é a sustentabilidade
do lucro crescente do capital, a demanda do empresário, da propriedade privada,
não a estabilidade do padrão de vida do trabalhador, que gera a riqueza por
meio da força de trabalho; nesse sentido, a verdadeira grandeza do valor da
força de trabalho, o oxigênio que sustenta e multiplica o capital, não é
devidamente valorizada; ao contrário, é permanentemente desvalorizada pelas
longas jornadas de trabalho forçadas para que produza mais valor, sem a devida
correspondência em forma de remuneração.
DISCURSO
DA PRÁXIS LULISTA
O
discurso asiático de Lula é produto da sua lição de vida extraída da prática da
exploração do trabalho pelo capital, que o fez líder em busca do oposto: a
valorização do trabalho como forma de se alcançar a justiça social.
Na
Ásia, onde se desenvolve, atualmente, a vanguarda desenvolvimentista global,
puxada pela China, Lula se pôs como líder proletário, dirigente sindical e
líder político, que acreditou na democracia como força de libertação; fundou um
partido para os trabalhadores, a fim de organizá-los na condução ao poder em
defesa da supremacia dos seus direitos relativamente aos direitos estabelecidos
pelo seu adversário de classe, a burguesia que os explora, com a qual, porém, é
obrigado a conciliar em nome de correlação de forças.
O
discurso de Lula, na Asean, é a expressão do desenvolvimento da luta de
classes; desde sua chegada ao poder, em 2003 – alcançando, a partir daí,
no comando do PT, cinco mandatos - ele adquiriu a consciência de que o seu
partido, sim, está no poder, mas, efetivamente, não governa; as forças do
capital, que nesse período(2003-2016), predominam amplamente nos poderes
legislativo e judiciário, resistem, encarniçadamente, às demandas sociais por
meio de orçamentos que distribuem desigualmente as riquezas nacionais criadas
pelos trabalhadores; nessas circunstâncias, à esquerda, às forças do trabalho,
como criação da grandeza do valor, sobra a tarefa de administrar, de forma
insatisfatória, as demandas que os trabalhadores reivindicam para si.
NEOLIBERALISMO
SUBJUGA O PETISMO
No
período histórico de domínio político petista, as forças do capital demonstram
sua total resistência às conquistas dos trabalhadores, em defesa da valorização
da força de trabalho; elas cuidam, em nome dos seus interesses de classe, de
suprimi-las, como fazem a partir do golpe neoliberal de 2016; daí em diante,
investem contra os direitos sociais constitucionais, como vitória do
nacionalismo, inaugurado com a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas e
os tenentistas; com o golpe, dado por maioria parlamentar, apoiada pelo
judiciário e mídia conservadora, porta-vozes dos interesses do capital nacional
e internacional coligados, caíram por terra as conquistas nacionalistas, que
conseguiram perdurar durante a ditadura militar de 1964; os golpistas reverteram
o nacionalismo e impuseram, mediante imposição de Washington, o neoliberalismo.
Realidade
implacável: Lula volta ao poder, em 2022, para mais uma vez ocupar o poder,
porém, sem conseguir governar, soberanamente; os golpistas transferiram o poder
efetivo do executivo para o legislativo, que, governa de fato, por meio de
semipresidencialismo inconstitucional, manipulado pela maioria conservadora de
direita e ultra direita, que havia governado na era fascista
bolsonarista(2018-2022).
ESCRAVIDÃO
FINANCEIRA EM CENA
Lula
retorna em 2022 com o discurso social para administrar forças determinantes do
capital sobre as quais, no entanto, não tem força política para conduzi-las em
favor dos interesses dos trabalhadores; na prática, é conduzido, o que
demonstra que nunca, na história brasileira, a força de trabalho esteve, no
período capitalista, tão fraca e subjugada, como agora; vigora, atualmente, no
Brasil, o mais baixo salário da América Latina; o poder de compra dos salários
perderam a capacidade de dinamizar mercado interno, sustentavelmente; por isso,
a classe capitalista, diante do empobrecimento e do crônico subconsumismo dos
trabalhadores, que ameaçam, crescentemente, sua taxa de lucro, levando-a à
caída permanente, buscam socorro sistemático do governo em forma de subsídios
fiscais, subvenções, perdão de dívida, sonegação e evasão tributária.
São
transferidos aos capitalistas da produção e das finanças cerca R$ 700 bilhões
em incentivos fiscais, anualmente; assim, o déficit público cresce,
incontrolavelmente, porque os salários dos trabalhadores são muito baixos;
consequentemente, os juros, no Brasil, são os mais altos do mundo, fruto do
arrocho salarial para combater inflação, conforme ponto de vista do capital; o
resultado é uma dívida pública que cobra perto de R$ 1 trilhão em juros e
amortizações; a escravidão financeira é o resultado prático da especulação.
A Lula,
rendido pelo discurso do poderoso mercado financeiro, conduzido pela Faria
Lima, resta fazer o que disse no discurso da Malásia: cuidar dos mais pobres,
condenados à miséria pela financeirização escravocrata, que inviabiliza a
governabilidade soberana sustentável.
Nesse
cenário de horror financeiro, o titular do Planalto luta para garantir no
orçamento da União, dominado pelo rentismo, as migalhas orçamentárias para
favorecer programas sociais distributivos de renda, porém, insatisfatórios:
Bolsa Família, Farmácia Popular; Minha casa Minha vida(financiada a juro de
1,95%/ mês, que capitalizado, alcança cerca de 30%, o dobro da Selic, o juro
básico mais alto do mundo...) etc.
FAVORITO
PARA 2026
No
entanto, a poderosa retórica lulista, mesmo diante da adversidade que enfrenta,
faz tremer seus adversários; com o pouco que lhe resta de orçamento público,
amplamente, dominado pelas forças financeiras, consegue cuidar dos pobres; isso
está lhe garantindo o favoritismo na disputa eleitoral de 2026, segundo apontam
todas as pesquisas de opinião.
Eis a
força que lhe possibilita ser respeitado pelo imperador Donald Trump, que
admitiu voltar atrás no tarifaço contra o Brasil; Lula demonstra a Trump que
não é negócio para os Estados Unidos firmar discurso unilateralista, porque sem
o comércio com o Brasil, a economia americana não tem sustentabilidade.
Confiante
nessa lógica dos novos tempos em que o capitalismo americano bate biela, Lula
tenta convencer Trump que, também, não é negócio para os americanos abrir
guerra contra a América do Sul, para punir, com argumentos mentirosos, a
Venezuela bolivariana, que luta para afirmar o socialismo chavista no século
21.
Com seu
discurso humanista, na Malásia, Lula se voltou ao essencial: defender a unidade
latino-americana; ela é a força necessária para vencer o imperialismo e jogar o
tarifaço na lata de lixo.
Fonte:
Brasil 247

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