Brasil
– reforma agrária como solução
O livro
Brasil – reforma agrária como solução é um material ao mesmo tempo panorâmico e
profundo sobre a questão agrária no Brasil. Embora tenha o país como lócus de
análise, o autor inicia nos primórdios do capitalismo, especialmente na
transição do feudalismo. Inspirado em Paul Sweezy, mostra como o soerguimento
do comércio, a geração de excedente e as inovações tecnológicas abriram caminho
para a crise do modo feudal e a transição ao modo capitalista de produção.
Nesse
processo, a apropriação e os cercamentos das terras comuns, bem como a
expropriação dos trabalhadores de seus meios de subsistência e produção, foram
mecanismos centrais de uma acumulação primitiva de capitais que, muito
provavelmente, tornou possível o capitalismo como o conhecemos. Assim, a terra
– e sua concentração com fins comerciais – está na estrutura fundacional do
capitalismo global.
A obra
combina densidade teórica e profundida política: articula a longa duração
histórica com elementos conjunturais e atuais. Tratar hoje da reforma agrária
como solução exigiria, de fato, um mergulho nas raízes profundas da formação
social, cultural e econômica do país – e Miguel Enrique Stédile faz isso ao
situar na colonização brasileira a origem da nossa questão agrária. O tipo de
colonização a que fomos sujeitos – na expressão de Caio Prado Junior,
colonização de exploração – legou-nos uma estrutura agrária que nasce no
período colonial, se reproduz até hoje e bloqueia a realização do potencial
nacional.
Diferentemente
da Europa, o Brasil não conheceu feudalismo. Aqui, a propriedade da terra
sempre se organizou em torno da produção de valores de troca – caráter
mercantil – integrada à oferta de bens fundamentais ao desenvolvimento do
capitalismo no centro. Nossa estrutura formou-se na tríade
latifúndio-exportação-monocultura, sob o jugo do trabalho escravizado.
A
transição ao capitalismo não veio acompanhada das “reformas capitalistas
clássicas”, em especial a Reforma Agrária. Na expressão de Florestan Fernandes,
a burguesia brasileira optou por um acordo de acomodação: generalizou relações
capitalistas preservando o latifúndio monocultor.
Daí por
que, no Brasil (e em grande parte dos países de capitalismo dependente), falar
em “Reforma” Agrária se aproxima de “revolução”: não tendo sido realizada – e
não parecendo exequível pela burguesia –, torna-se uma tarefa que recai sobre
os trabalhadores e suas organizações.
Segundo
o autor, o país perdeu várias janelas para fazer a Reforma Agrária nos moldes
capitalistas, como França e EUA. A primeira, no contexto da abolição: nas
palavras de Clóvis Moura, “fizemos a independência conservando a escravidão e
fizemos a abolição conservando o latifúndio”.
A
segunda, no golpe militar que proclamou a República – mudança de regime sem
alteração da concentração fundiária. Outra chance surgiu no pós-Segunda Guerra,
com a Constituinte que se seguiu à queda de Vargas: diversos militantes do PCB
foram eleitos – entre eles Luiz Carlos Prestes, o “cavaleiro da esperança” – e
ele apresentou o primeiro projeto de lei de Reforma Agrária, mas o PCB foi
criminalizado e teve seus mandatos cassados em 1947.
No
pós-golpe empresarial-militar, aventou-se nova possibilidade com o Estatuto da
Terra – em uma clara tentativa de conter a força política do movimento camponês
organizado pelas Ligas Camponesas. Por fim, a Constituição de 1988, apesar de
avanços, desperdiçou outra grande oportunidade; a reforma permanece questão
aberta e latente.
O livro
também recupera o debate fértil dos anos 1950, quando a intelectualidade
progressista vislumbrava superar o subdesenvolvimento. Para correntes que vão
dos teóricos ligados ao PCB – Caio Prado Junior, Nelson Werneck Sodré, Alberto
Passos Guimarães – a Josué de Castro e ao nacional-desenvolvimentismo de Celso
Furtado, o desenvolvimento passava, invariavelmente, pela Reforma Agrária.
Outro
mérito é a análise das transformações que, a partir dos anos 2000, moldaram o
agronegócio. Diferente do latifundiário “pessoa física”, a propriedade e o
controle da cadeia produtiva hoje se concentram no capital – sobretudo
investidores estrangeiros, grandes empresas e fundos de investimento.
“Controlando toda a cadeia produtiva eles decidem o que é produzido nas terras
brasileiras, qual será o mercado desses produtos, o preço pago ao agricultor e
o preço final para o consumidor”.
Assim,
grande parte da produção rural está voltada a produzir commodities,
especialmente aquelas mais valorizadas no mercado internacional, com o preço
dos seus produtos negociados em bolsas de valores e sujeita a forte especulação
financeira. Em 2021, commodities como soja, milho, algodão, cana-de-açucar e
pecuária bovina ocupavam 86% de toda a área agrícola, representando 94% de todo
o volume e 86% do valor da produção nacional.Por outro lado, a produção de
feijão diminui 18% em 10 anos e o arroz deverá ter uma redução de 2/3 na
próxima década.
A isso
somam-se os custos socioambientais. O Observatório do Clima aponta a derrubada
de mata nativa como principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no
Brasil em 2020. No uso intensivo de insumos, “o uso dos grotóxicos elimina a
vida de milhares de micro-organismos no solo, que são fundamentais para a
produtividade e para o combate de pragas.
Quanto
mais veneno o agrotóxico despeja, menos produtiva vai se tornando a lavoura e
mais resistentes se tornam as pragas” – reforçando um ciclo vicioso. Enquanto o
agronegócio avança sobre a fronteira agrícola, Amazônia, terras indígenas,
quilombolas e de pequenos produtores, o Censo Agropecuário registra o
desaparecimento de 485 mil unidades da agricultura familiar – com o Nordeste
como região mais afetada.
Como
não poderia faltar em um livro com “Reforma Agrária” no título, Miguel Enrique
Stédile dedica amplo espaço de análise ao MST, maior movimento camponês da
América Latina. Para além de índices e evidências – desenvolvimento local,
produção de alimentos, manejo de solo –, ressalta uma dimensão humana e
pedagógica.
“A
forma como exploramos a natureza e seus recursos reflete muitos aspectos das
relações sociais; por isso, quando repensamos o trabalho em agropecuária,
também revemos as relações de produção estabelecidas”. Assentamentos e
acampamentos anunciam, pela prática, outra sociabilidade: trabalho cooperado,
igualdade racial e de gênero e combate a discriminações.
Na
conclusão, o autor mostra que o MST compreendeu a reconfiguração do mundo rural
e formulou uma proposta à altura do século XXI: a “Reforma Agrária Popular”. A
mera distribuição de terras – a reforma clássica – já não basta para os
iminentes desafios do século XXI. “Para o MST permanece a necessidade de
democratizar o acesso à terra e de distribuí-la para os trabalhadores rurais
que queiram trabalhar e sobreviver da terra.
Porém,
dois novos objetivos são acrescentados com muita ênfase: A reforma agrária
popular deve produzir alimentos saudáveis para alimentar o povo brasileiro e
proteger a natureza, e as transformações da propriedade da terra deve gerar
novas relações humanas e sociais, combatendo todas as formas de violência,
incluindo o racismo, o machismo, a LGBTfobia e outras manifestações de
intolerância”.
Num
país em que a estrutura agrária originária segue condicionando a economia, a
democracia e o clima, discutir reforma agrária – nos termos propostos por
Miguel Enrique Stédile – é discutir soberania alimentar, transição ecológica e
o projeto de nação.
• Comungando esperança: pela liberdade e
contra a injustiça
A
comunidade Kaingang de Faxinalzinho, na Terra Indígena Kandóia, encontra-se, há
mais de dez anos, com o procedimento de demarcação de sua área paralisado. Os
estudos circunstanciados de identificação e delimitação foram concluídos,
publicados e as contestações – promovidas por terceiros – contra o ato
administrativo, acabaram sendo rejeitadas pela Fundação Nacional dos Povos
Indígenas (Funai).
Os
Kaingang, desde o ano de 2006, aguardam a publicação da portaria declaratória –
atribuição dada pelo Decreto nº 1.775/1996 ao Ministro da Justiça – para, na
sequência, realizar a demarcação física e indenização dos ocupantes de boa-fé.
O procedimento será concluído com a homologação da terra pelo Presidente da
República, para o posterior registro em cartório, caracterizando-a como
propriedade da União para usufruto exclusivo dos indígenas.
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Luta pela terra
Tudo
parecia ser simples, mas não é o que aconteceu naquela comunidade – tampouco em
relação ao direito constitucional à demarcação da terra. Atualmente, vivem no
Kandóia cerca de 110 famílias. A área ocupada, decorre de uma concessão de uso
de parte do governo do Estado do Rio Grande do Sul, mas que é de apenas 04
hectares.
Recentemente,
a comunidade decidiu retomar uma ínfima parcela de terra que fica do outro lado
da estrada, onde pretendem construir algumas moradias e organizar o plantio de
pequenos roçados e de algumas hortas. Pesa sobre a comunidade – em relação a
essa retomada – uma ação judicial de reintegração de posse, atualmente
submetida ao Sistema de Conciliação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região
(TRF-4).
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Vulnerabilização
A vida
na aldeia é precária. Não há saneamento básico e as moradias são construídas
com tábuas e restos de materiais de construção. Os Kaingang cobram do governo
federal a conclusão da demarcação como única forma de assegurar-lhes a terra
originária, já que ela permanece ocupada por agricultores que produzem,
essencialmente, soja transgênica. As famílias indígenas vivem inseguras naquele
pequeno espaço. Não raras vezes foram violentadas em seus direitos
fundamentais. O racismo, combinado com variadas formas de intolerância e
discriminação, é comum no comércio, na escola, nas ruas e unidades de
atendimento à saúde.
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Mobilização e Conflito
No ano
de 2014, com o intuito de chamar a atenção dos poderes públicos acerca das
violências e do abandono a que estavam submetidos, especialmente em decorrência
das lutas pela demarcação de suas terras, os Kaingang de toda a região norte do
Rio Grande do Sul realizaram diversas mobilizações, bloqueando parcialmente
estradas e rodovias.
A
reação contrária aos indígenas também se deu de forma articulada, a começar por
parlamentares de partidos de direita, que instigavam o conflito – inclusive
propondo que os agricultores pegassem em armas para enfrentarem os indígenas,
que apenas reivindicavam os direitos inscritos no artigo 231 da Constituição
Federal.
Durante
um dos bloqueios de estrada, entre os municípios de Faxinalzinho e Erval Grande
(RS), houve a tentativa, através de funcionários de criadores de frango – a
mando destes -, de desbloquear, mesmo à força, a via. Em decorrência de um
ambiente hostil, gerou-se uma briga entre indígenas e aqueles que agiam para
promover o desbloqueio da estrada, resultando em pessoas feridas, sendo que
duas acabaram indo a óbito.
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Criminalização
A
Polícia Federal, em decorrência do conflito, abriu inquérito e, de imediato,
fez repercutir nas mídias que os indígenas Kaingang de Kandóia eram os
assassinos e que todos seriam presos e responsabilizados.
Foram
tempos sombrios para a comunidade indígena. A Polícia Federal realizou um
intenso movimento de perseguição e tentativa de criminalização, comandado pelo
então delegado Mário Vieira. Posteriormente, descobriu-se que ele estava
envolvido em estelionatos e apropriação indébita de vultosos valores doados ao
acolhimento de pessoas que buscavam por tratamento contra o uso abusivo de
drogas – uma fraude para obtenção de dinheiro fácil e farto. O delegado foi
investigado e afastado de suas funções.
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Prisões
A
perseguição, naquele período, resultou nas prisões de cinco lideranças da
comunidade. Outros 17 homens da aldeia acabaram indiciados e denunciados pelo
Ministério Público Federal (MPF), que, mesmo sem provas de autoria dos crimes –
pois as apresentadas eram forjadas e dissimuladas -, aderiu às teses de
culpabilidade apresentadas pelo delegado.
Cinco
das principais lideranças da comunidade ficaram injustamente presas durante 42
dias no Presídio Estadual de Charqueadas. Elas obtiveram liberdade graças a um
habeas corpus impetrado junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em
Brasília, depois do mesmo ter sido negado pelo TRF-4.
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Processo injusto
Após a
denúncia, mesmo sem provas, houve a pronúncia de dezessete homens – lideranças
e pais de família – acusados, por duplo homicídio, ao Tribunal do Júri. Em
virtude da precariedade das provas, as defesas dos acusados – Defensores da
Defensoria Pública da União (DPU) e a Assessoria Jurídica do Cimi – ingressaram
com recursos junto às instâncias superiores da Justiça Federal. Se buscou
reverter a flagrante injustiça aos que estavam sendo criminalizados. Além
disso, por meio do processo criminal, se pretendia responsabilizar toda a
comunidade indígena de Kandóia.
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Justiça
Depois
de alguns anos de discussões jurídicas, nas quais as defesas dos indígenas
interpelaram desembargadores e ministros, o STJ, em dezembro de 2024, decidiu
pela anulação, desde sua origem, de todo o processo criminal. O Tribunal
fundamentou sua decisão argumentando de que as provas apresentadas – durante o
inquérito policial e que depois acabaram sendo sustentadas em primeiro grau, na
Justiça Federal de Erechim e no TRF4 – eram inválidas (nulas) porque o
reconhecimento dos acusados se deu de forma tendenciosa, com a apresentação de
fotografias e os nomes dispostos abaixo de cada um dos acusados. Ou seja, o
delegado induzia as testemunhas arroladas a identificar aqueles que desejava
incriminar.
Em uma
das oitivas, ainda na fase de instrução do processo criminal, uma das
testemunhas – depois de afirmar que identificou os indígenas pelas fotografias
com os respectivos nomes -, ao ser perguntada se os reconheceria pessoalmente,
respondeu que não, porque, segundo ele, “os índios são que nem quero-quero” –
uma ave tradicional da região sul do Brasil.
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Esperança
O STJ,
ao anular o processo criminal contra todos os acusados – desde a investigação,
passando pela denúncia e pela pronúncia ao Tribunal do Júri – fez justiça e
impôs limites aos que se sentem acima da verdade e do próprio Poder Judiciário.
A Corte
reafirmou a necessidade de que os processos judiciais sejam isentos e de que
não se busque punir em decorrência de apelo social ou por razões ideológicas,
políticas, econômicas, culturais ou racistas. Os Kaingang da Terra Indígena
Kandóia, ao longo de mais de dez anos, mantiveram-se unidos nas lutas em defesa
de seus direitos e interesses, especialmente por sua dignidade e inocência.
Após o trânsito em julgado do processo criminal, as famílias de Kandóia
seguirão comungando esperança pela liberdade, contra as injustiças e se
fortalecendo na alegria da luta pela terra – ainda que agentes públicos lhes
soneguem esse direito fundamental.
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Itaipu e Estado Brasileiro pedem desculpas a indígenas expulsos de suas terras
para construção da hidrelétrica
Nesta
quarta-feira (29), a Itaipu Binacional e o Estado Brasileiro, representado pela
União, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), divulgaram uma carta com
pedido formal de desculpas ao povo Avá-Guarani, do oeste do Paraná, pelos danos
e violações de direitos humanos ocorridos durante a construção da Usina
Hidrelétrica de Itaipu nas décadas de 1970 e 1980.
Na
época, a construção da barragem inundou 135 mil hectares, expulsando 40 mil
pessoas daquela região. Na área afetada estavam territórios sagrados dos
Avá-Guarani, como as Sete Quedas. Os indígenas passaram a viver em terras
tituladas a não indígenas, como observado no histórico contido no pedido de
desculpas.
“Iniciada
em 1938, a chamada marcha para o oeste causou a chegada massiva de colonos ao
oeste do Paraná. As terras indígenas foram alvo dessa onda neocolonial e
passaram a ser tituladas a não indígenas, por meio de iniciativas estatais dos
governos federal e estadual, que partiam da premissa de existência de vazio
demográfico.”
Em
2018, após anos de resistência, os indígenas retomaram o pouco que restou de
floresta preservada na região, o que, na prática, representa uma área próxima
ao lago Paraná e às reservas ecológicas de Itaipu. A tensão para a permanência
deles, contudo, é constante.
No
documento, as instituições referem-se aos indígenas como sobreviventes, admitem
o processo de expulsão e apontam o histórico de não demarcação das terras como
ponto fundamental para o desenrolar das disputas que se seguiriam nas décadas
seguintes. “Como se nota, foram empregadas à época medidas que desconsideraram
os direitos, as tradições e os laços espirituais e culturais que os Avá-Guarani
mantêm com suas terras ancestrais por força da colonização agrícola do
território a partir do início do século 20 e depois para a geração de energia
elétrica, com a construção de Itaipu”, diz trecho da nota.
“Reconhecem,
portanto, que a formação do reservatório e a subsequente expropriação de
territórios contribuíram para desestruturar suas formas de vida e subsistência,
ocasionando significativos impactos sociais, econômicos e culturais”, diz,
ainda, outra parte do texto.
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Reparação para um povo ameaçado
Sem
qualquer proteção ou garantia de demarcação, os indígenas foram jogados em uma
espiral de violência em um processo de disputa de terras que já dura décadas.
Nos últimos dois anos, os conflitos pela posse se intensificaram. Em janeiro
deste ano, pistoleiros balearam quatro indígenas Avá-Guarani, em Guaíra (PR).
Em julho, um jovem guarani foi decapitado e seu corpo foi deixado ao lado de
carta com ameaça ao povo Avá-Guarani.
A
formalização de desculpas aos povos indígenas da região faz parte de um acordo
firmado entre as partes junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste
ano, que previa a destinação de R$ 240 milhões para a compra de 3 mil hectares
de terras em Itaipulândia (PR) como medida de reparação a essa expulsão dos
indígenas.
A
comunidade Avá-Guarani criticou o acordo, afirmando, em carta divulgada na
época, que ele não compensa os danos causado pela usina e cobrando a demarcação
de territórios. “Apenas uma migalha foi oferecida. Uma migalha para quem tem
literalmente uma arma apontada para a cabeça. Fica impossível dizer não”, dizia
a publicação.
A carta
assinada pela Itaipu e o Estado Brasileiro mencionam o acordo e concluem se
comprometendo a seguir com outros atos de reparação.
“Por
este ato, o Estado Brasileiro e Itaipu Binacional (margem esquerda) reconhecem
suas responsabilidades e se desculpam publicamente pelas violações de direitos
humanos cometidas contra o povo Avá-Guarani no processo de construção da Usina
Hidrelétrica de Itaipu, divulgando esses fatos à sociedade no intuito de honrar
a memória das vítimas que tiveram sua dignidade, identidade cultural e
existência sistematicamente negadas e, em última instância, tiveram suas vidas
destruídas. Por fim, se comprometem a efetuar medidas concretas de reparação e
preservação da memória histórica dos acontecimentos, como mecanismo de não
repetição, fortalecendo o Estado Democrático de Direito no país.”
Fonte:
Por Juliane Furno em A Terra é Redonda/Brasil de Fato/Cimi

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