Moraes
transforma edital em estratégia e encurrala Eduardo Bolsonaro, avalia advogado
A
decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF) de acusar Eduardo Bolsonaro (PL)
de dificultar sua notificação e determinar que a intimação seja feita por
edital vai muito além da burocracia judicial. Para o advogado João Vicente
(Caixa d’ Água), trata-se de um gesto calculado: o Supremo cumpre a “liturgia
processual” que demonstra a infração à lei brasileira e abre caminho para
medidas futuras, inclusive em cooperação internacional.
“O
Supremo vai fazendo a liturgia que lhe cabe fazer porque em algum momento muda
o governo dos Estados Unidos… a gente precisa ter ali um pedido formal para que
se execute, não esperar chegar nesse momento para correr atrás do prejuízo. É a
liturgia que deixa claro que ele violou a lei. O Supremo está certíssimo no que
faz: cumpre seu papel dentro da legalidade”.
O
ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito (IP 4.995), determinou que
Eduardo Bolsonaro seja citado por edital para apresentar defesa prévia em até
15 dias. O deputado, que está nos Estados Unidos, tem dificultado a notificação
após ser denunciado pela PGR por coação no curso do processo, acusado de tentar
influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro, “evadindo-se de possível
responsabilização judicial”.
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A estratégia por trás da formalidade
O
movimento de Moraes não é apenas simbólico. Ele deixa registrado, de forma
incontestável, que o deputado descumpre a lei e que o tribunal segue todos os
ritos necessários. Essa formalização é indispensável para que o Supremo não
seja acusado de omissão ou de atropelo jurídico, e garante que qualquer governo
estrangeiro, no futuro, encontre um processo já instruído.
Nesse
contexto, João Vicente explicou que a Interpol surge como desdobramento
previsível da estratégia. Ainda que os Estados Unidos mantenham uma postura de
força — o chamado big stick —, o pedido formal serve como marco de longo prazo.
“Os
Estados Unidos trabalham numa lógica do big stick, mais força, menos política.
É mostrar poder. Mas o Supremo precisa ter o pedido feito, porque em algum
momento a conjuntura pode mudar”.
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O efeito imediato: restrição de circulação
Ainda
que a cooperação internacional não se concretize de imediato, a medida já
produz efeitos práticos. Como destacou o advogado, ao ser incluído em uma
eventual Red Notice da Interpol, Eduardo Bolsonaro ficaria confinado ao
território norte-americano. Fora dos EUA, a qualquer passo em países vizinhos,
como Canadá ou México, poderia ser detido e enviado de volta em razão dos
tratados de extradição.
“Ele
fica circunscrito aos Estados Unidos se está na lista da Interpol. Se pisar no
Canadá, o Canadá pode mandá-lo de volta. Se passar pro México, o México também
pode mandar ele de volta”.
João
Vicente lembrou o caso de Carla Zambelli, que acreditava estar protegida na
Itália por sua cidadania, mas hoje aguarda decisão judicial. “Tá guardadinha lá
esperando para ver se volta ou não”.
O
advogado destacou que a execução de decisões estrangeiras já não enfrenta a
lentidão de décadas atrás. O caso Robinho, condenado por estupro na Itália e
preso no Brasil, é a prova de que a cooperação judicial é viável e célere.
“Quando
eu fiz faculdade, a tal da carta rogatória a gente estudava só por conta da
prova mesmo porque era uma dificuldade imensa. Hoje, não. Hoje você tem
inteligência artificial, alguém já escreve em inglês e manda por e-mail”.
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A dimensão política: soberania e clima nacional
O gesto
de Moraes também se insere em um contexto político mais amplo. Segundo João
Vicente, o discurso de Lula na ONU mexeu com a percepção da população,
despertando um sentimento de soberania e união diante de pressões externas.
Para ele, a sensação é de que o país reage como se estivesse em guerra.
“Houve
uma mudança de clima. A comunicação do governo tá sabendo aproveitar esses
momentos. Mexeram no vespeiro… o pessoal tomou para si uma treta e falou: ‘não,
isso aqui é maior do que a minha diferença.’”
• Supremo aplica Lei Alexandsky em Eduardo
Bolsonaro
Houve
quem imaginasse serem inócuas as últimas decisões do Supremo Tribunal Federal,
intimando Eduardo Bolsonaro. Não é bem assim. Alexandre Moraes acaba de aplicar
a Lei Alexandsky, com contraposição à Lei Magnitisky de que foi alvo.
Foram
as seguintes medidas.
1. Determinação de notificação por edital
O
ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito (IP 4.995), determinou que
Eduardo Bolsonaro seja citado por edital para apresentação de defesa prévia,
porque ele está nos EUA e não pôde ser pessoalmente notificado.
2. Desmembramento do processo
Moraes
ordenou o desmembramento da ação penal entre Eduardo Bolsonaro e o jornalista
Paulo Figueiredo, para que cada caso seja processado separadamente.
3. Notificação de Paulo Figueiredo por carta
rogatória
Como
Paulo Figueiredo tem residência declarada nos EUA, Moraes determinou que ele
seja citado via carta rogatória (cooperação internacional) para que possa
apresentar defesa.
4. Avaliação de evasão de jurisdição
No
despacho, Moraes afirma que Eduardo Bolsonaro está no exterior “para evadir-se
de possível responsabilização judicial”, usando esse argumento para justificar
medidas processuais mais severas.
5. Tramitação permanece no Brasil para
acelerar o caso
6. Em paralelo, Moraes decidiu manter a ação
tramitando no Brasil (em vez de aguardar diligências no exterior), registrando
que o deputado tem ciência das acusações. Fixação de prazo para apresentação de
defesa prévia
Após
notificação, há estipulação de prazo (15 dias) para que Eduardo Bolsonaro e
Paulo Figueiredo apresentem suas defesas.
Estando
condenado, e insistindo em continuar no exterior, Eduardo Bolsonaro estará
sujeito às seguintes sanções:
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Ordem
de prisão nacional → difusão
internacional
O STF
pode expedir mandado de prisão.
• Esse mandado é encaminhado à Polícia
Federal, que atua como autoridade central para solicitar à Interpol a inclusão
na difusão vermelha (“Red Notice”).
É um
pedido global de localização e prisão com vistas à extradição.
Não
equivale a um mandado internacional automático, mas alerta os 195
países-membros da Interpol.
Se, por
acaso, Eduardo Bolsonaro colocar os pés fora dos EUA para, por exemplo, o
Canadá, ele poderá ser detido preventivamente, por conta de um Tratado de
Extradição Brasil-Canadá, em vigor desde 1997.
Se for
para o México, mesmo destino. O tratado bilateral Brasil-México está em vigor
desde 2.000.
• PF consulta Moraes sobre incluir ataques
a Dino no inquérito das milícias digitais
A
Polícia Federal (PF) encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), uma consulta sobre a possibilidade de incluir as
ameaças virtuais sofridas pelo ministro Flávio Dino no inquérito das chamadas
“milícias digitais”. Segundo o jornal O Globo, Dino apresentou em 10 de
setembro uma notícia-crime com mais de 50 publicações em redes sociais que, de
acordo com a PF, traziam ameaças concretas. Os ataques não se dirigiam apenas a
ele, mas também ao delegado federal Fábio Shor, que conduz diversas
investigações relacionadas ao Supremo.
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Polícia Federal envia consulta ao Supremo
No
ofício enviado a Moraes, a corporação destacou que a gravidade das mensagens
poderia configurar constrangimento direto ao exercício das funções públicas. O
objetivo é saber se o episódio deve ser tratado como parte da investigação das
milícias digitais ou em uma apuração autônoma dentro do STF.
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Ameaças virtuais detalhadas em notícia-crime
Entre
os conteúdos analisados, a Polícia Federal apontou as recorrentes menções ao
Nepal, país que enfrentou violentos protestos, com destruição de prédios
públicos e mais de 50 mortes. Para Dino, tais referências sugerem incitação a
atos semelhantes no Brasil, em retaliação ao seu voto que levou à condenação de
Jair Bolsonaro (PL) no processo da tentativa de golpe.
“Logo
após proferir meu voto, passei a ser destinatário de graves ameaças contra a
minha vida e integridade física”, afirmou Dino em documento enviado ao Supremo.
O ministro advertiu que tais mensagens, além de violentas, podem estimular
novos episódios contra autoridades e instituições democráticas.
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PF alerta para gravidade das intimidações
No
parecer, a Polícia Federal avaliou que a “individualização dos alvos confere
maior gravidade e reprovabilidade às condutas, porquanto amplia o potencial
intimidador, constrange o exercício regular da função pública e rompe a esfera
do debate abstrato para uma concretude persecutória”. Para a corporação, o
conjunto de ameaças tem potencial real de gerar temor e de comprometer a
independência de autoridades no cumprimento de suas atribuições.
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Próximos passos do inquérito no STF
Com
base nesse diagnóstico, a PF questionou se o caso deve ser vinculado ao
inquérito das milícias digitais. Caso Moraes reconheça a conexão, será aberta
uma petição específica no Supremo para tratar do episódio, com expedição de
ofícios às plataformas digitais para identificar os responsáveis pelas
postagens.
• Moraes autoriza grupo de oração na casa
de Bolsonaro
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a
realização, nesta quarta-feira (1º), de um grupo de oração na casa do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, local onde o político cumpre
prisão domiciliar. A decisão reconhece o direito à assistência religiosa
previsto na Constituição para pessoas presas, sejam elas provisórias ou
definitivas. “A Constituição Federal prevê a assistência religiosa”, afirmou o
ministro.
A
informação foi publicada pelo Metrópoles, que obteve a decisão. No despacho,
Moraes ressalta que “todos os presos, sejam provisórios ou definitivos, têm
direito à assistência religiosa, nos termos do que dispõe o preceito
constitucional, razão pela qual inexiste óbice ao deferimento do pedido”.
Ao
conceder a autorização, Moraes fez um alerta explícito para evitar distorções
no caráter do encontro. “O ‘Grupo de Orações’, entretanto, não pode ser
utilizado com desvio de finalidade, acrescentando diversas e distintas pessoas
como integrantes somente para a realização de visitas não especificamente
requeridas”, registrou o magistrado.
O
entendimento do ministro se apoia no princípio constitucional da liberdade
religiosa, aplicável também a quem cumpre medidas cautelares ou penas
restritivas. Ao mesmo tempo, a decisão delimita que a permissão não pode servir
de atalho para ampliar o fluxo de pessoas à residência de Bolsonaro sob o
pretexto de participação no grupo religioso.
Com a
autorização, caberá aos responsáveis pelo encontro zelar para que a atividade
tenha caráter estritamente religioso e previamente delimitado, respeitando as
condições impostas pela Justiça. A advertência de Moraes busca impedir a
transformação do grupo em agenda de visitas, o que poderia conflitar com as
restrições típicas do regime de prisão domiciliar.
• Moraes manda apurar suspeitas de que
tornozeleiras de Daniel Silveira e Brazão tenham sido violadas
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que
a administração penitenciária do Rio de Janeiro envie relatórios sobre
possíveis irregularidades no uso de tornozeleiras eletrônicas pelos
ex-deputados federais Daniel Silveira e Chiquinho Brazão. Brazão cumpre prisão
domiciliar, enquanto Silveira obteve progressão para o regime aberto no fim de
setembro. As decisões, segundo a CNN Brasil, foram publicadas nesta
quarta-feira (1).
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Restrições a Brazão
No caso
de Chiquinho Brazão, além do uso da tornozeleira, ele está sujeito a medidas
rigorosas impostas pelo STF. O ex-deputado não pode acessar redes sociais,
conceder entrevistas, manter contato com outros investigados ou receber visitas
sem autorização judicial.
O
ministro Alexandre de Moraes determinou que a administração penitenciária
informe se houve "eventuais registros de violação, falha ou descumprimento
das condições impostas".
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Condições para Daniel Silveira
Já
Daniel Silveira, que passou do regime semiaberto para o aberto no último dia
29, também segue monitorado. O ex-parlamentar é obrigado a usar tornozeleira
eletrônica, não pode sair do estado do Rio de Janeiro, deve apresentar-se
semanalmente à Justiça e teve o passaporte cancelado. Além disso, está proibido
de utilizar redes sociais.
Fonte:
Jornal GGN/Brasil 247

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