Câmara
aprova com votação unânime projeto que amplia faixa de isenção do IR para R$ 5
mil
A Câmara dos
Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) um projeto que
amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil
por mês.
A
votação foi unânime: 493 votos a favor.
🖊️ O texto ainda terá que passar
pelo Senado
Federal e depois ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) para entrar em vigor.
Relatado
pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), o projeto foi enviado pelo governo ao Congresso
Nacional em março e é uma promessa da campanha de Lula de 2022.
O texto prevê
isenção de Imposto de Renda para pessoas com renda mensal até R$ 5 mil –
ou R$ 60 mil ao ano – e desconto para quem ganha até R$ 7.350 mensais.
- Atualmente, a
tabela do Imposto de Renda funciona de forma progressiva. Ou seja,
conforme o valor da renda aumenta, o contribuinte passa a pagar um imposto
maior sobre aquela parcela de rendimentos. Pela tabela atual, quem ganha
até R$ 3.036 está isento. A partir daí, a tributação começa a incidir em
"faixas", que chegam a 27,5% de imposto.
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Custo aos cofres públicos
Em
2026, a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil vai custar R$ 25,8 bilhões aos
cofres públicos.
Para
compensar a perda de arrecadação, Lira manteve a proposta do governo de
tributar com uma alíquota
progressiva de até 10% rendimentos acima de R$ 600 mil por ano.
🔎 No direito tributário, alíquota é
o percentual ou valor fixo que será aplicado sobre a base de cálculo para
apurar o valor de um tributo.
A nova
tributação recai sobre lucros e dividendos, que hoje são isentos do
Imposto de Renda. Já quem tem apenas o salário como fonte de renda não será
afetado, pois continua sujeito à tabela progressiva do IR, com retenção em
folha de até 27,5%.
Lira
também acrescentou um dispositivo que destina parte do dinheiro de arrecadação
a estados e municípios.
🔎 De acordo com parecer, mesmo
com a ampliação da faixa de desconto parcial, haverá uma sobra de R$ 12,7
bilhões até 2027. Esse dinheiro será usado para compensar a redução da alíquota
da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), instituída pela Reforma Tributária.
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'Justiça social'
Após a
aprovação da proposta, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB),
afirmou que ampliar a isenção gera justiça social.
"A
ampliação do imposto de renda é um avanço da justiça social do país, garantindo
mais dinheiro no bolso do trabalhador que ganha até R$ 5 mil. Esta não é apenas
uma mudança técnica, é um alívio direto no bolso de milhões de trabalhadores. É
dinheiro que volta para a economia, para o consumo, que garante comida na mesa
da sua mesa", afirmou.
Motta
disse ainda que a votação unânime mostra que a Câmara se une quando o tema é de
interesse do país.
"Esta
vitória é a prova de que, com liderança firme, responsabilidade e capacidade de
articulação, o Congresso Nacional é capaz de promover mudanças que impactam
positivamente a vida de todos".
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Isenções
O texto
aprovado isentou da alíquota mínima do IRPF pagamentos, créditos, entregas ou
remessas de lucros, ou dividendos, de:
- governos
estrangeiros, desde que haja reciprocidade de tratamento em relação aos
rendimentos auferidos em seus países pelo governo brasileiro;
- fundos
soberanos;
- entidades no
exterior que tenham como principal atividade a administração de benefícios
previdenciários, tais como aposentadorias e pensões, conforme definidas em
regulamento.
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Estados e municípios
Como o
governo está reduzindo o Imposto de Renda de algumas pessoas, a arrecadação
cai. Para que estados e municípios não saiam no prejuízo, eles vão
ser compensados automaticamente com mais recursos dos Fundos de
Participação dos Estados. O relatório calcula aumento na arrecadação desses
fundos.
Se não
for possível fazer a compensação com o fundo (o aumento do fundo não for
suficiente), a União vai colocar mais dinheiro a cada três meses, usando a
arrecadação extra que surgir com a nova lei.
Ou
seja:
- Primeiro,
garante-se que ninguém perde arrecadação (estados e municípios).
- Depois, o que
sobrar serve para baratear a CBS, beneficiando toda a economia.
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Cartórios
De
acordo com a proposta, os profissionais que atuam em cartórios, como notários e
registradores, ganharam um alívio tributário com a nova legislação
fiscal.
A norma
regula que os repasses obrigatórios previstos em lei, não serão mais incluídos
no cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) na modalidade de
tributação mínima.
Na
prática, isso significa que os valores que esses profissionais apenas arrecadam
e repassam, como taxas destinadas ao poder público ou a fundos específicos, não
serão considerados como rendimento próprio e, portanto, não serão tributados.
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Lucros e dividendos
Outra
mudança diz respeito à tributação dos lucros e dividendos pagos por empresas a
pessoas físicas.
A nova
regra estabelece um mecanismo de compensação para evitar que a soma
dos tributos pagos pela empresa e pela pessoa física ultrapasse os limites
previstos pela legislação.
Se for
constatado que a carga tributária efetiva total, considerando o imposto pago
pela empresa (IRPJ e CSLL) e o imposto mínimo pago pela pessoa física sobre os
lucros recebidos foram maiores do que a carga nominal prevista em lei, a
Receita Federal concederá e um redutor no valor do imposto devido pela pessoa
física.
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Andamento no Senado
➡️ Em paralelo, há outro projeto de isenção do
IR em tramitação no Senado, apresentado por Renan Calheiros (PP-AL). O texto,
originalmente apresentado em 2019, foi resgatado
sob o argumento de que o texto da Câmara estava parado.
A
proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em caráter
terminativo (ou seja, não precisa passar pelo plenário principal da Casa) e tem
teor semelhante ao texto da Câmara. O projeto de Renan ainda precisa ser
avaliado pelos deputados.
🔎 Uma disputa política entre
Lira e Renan é o pano de fundo da articulação dos projetos. Os dois devem
concorrer ao Senado em 2026.
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Qual a estimativa de pessoas que ficarão isentas?
Caso o
PL do IR seja aprovado na forma enviada pelo executivo, serão mais de 26,6 milhões
de contribuintes isentos do Imposto de Renda, aproximadamente 65% dos
declarantes.
Este
número engloba:
- mais de 15,2
milhões de declarantes isentos atualmente;
- quase dois
milhões de pessoas isentas em razão da lei que eleva a atual faixa de
isenção para quem ganha até dois salários-mínimos por mês; e
- quase 9,4
milhões de declarantes que passarão a ser isentos com o projeto que Câmara
vai analisar.
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Quanto paga quem ganha hoje R$ 5 mil e quanto pagará?
O
contribuinte com renda de R$ 5 mil paga atualmente R$ 335,15 por mês. Ou
seja, R$ 4.467,55 por ano, considerando o 13º e férias. Com a aprovação do
projeto, esse dinheiro seria diretamente revertido aos trabalhadores.
👉🏽 Outras simulações
também foram elaboradas pela Receita Federal. Como exemplo:
- uma professora
cujo salário mensal seja de R$ 4.867,77 paga R$ 305,40/mês de IR e
passará a pagar zero, gerando uma economia de R$ 3.970,18;
- um profissional
autônomo que recebe R$ 5.450/mês paga hoje R$ 447,43/mês de IR e passará a
pagar somente R$ 180,56/mês, gerando uma economia de mais de R$
3.202,50/ano.
A
Receita Federal e o relator calculam que mais de 5,5 milhões de pessoas terão
redução no Imposto de Renda por receberem entre R$ 5 mil e R$ 7.350 por mês.
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Qual a alíquota média por faixa das pessoas de alta renda?
Considerando
dados de 2022, a alíquota média efetiva atual de quem ganha mais de R$ 600 mil
por ano é de somente 2,54%. O projeto propõe uma alíquota média efetiva de
aproximadamente 9% por meio da cobrança de um Imposto sobre a Renda das Pessoas
Físicas Mínimo (IRPFM), que afetará 141,4 mil pessoas.
Fonte:
g1

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